31.12.04

#1
[2004]

5 discos
José Mario Branco - Resistir é Vencer
Rodrigo Leão - Cinema
Ella & Louis - Our love is here to stay
PJ Harvey - hu hu her
Lhasa - the living road

5 filmes
Lost in translation
2046
Motorcicle diaries
A melhor juventude
Before sunset

5 livros
Um amor feliz - David Mourão Ferreira
Poesia Completa - Nuno Júdice
o Cheiro da Noite - Andrea Camalieri
O amante do Vulcão - Susan Sotang
As cidades invisiveis - Italo Calvino

5 Concertos
José Mario Branco no coliseu
Festa da Música- CCB
Lhasa - Forum Lisboa
Pixies- SBSR
Rodrigo Leão - CCB

5 descobertas
Ella Fitzgerald
Fundação Vieira da Silva/ Arpad Szenes
Jardins de Serralves
David Mourão Ferreira
Calabria

A não esquecer
Sophia
Henry C. Bresson
Mestre Paredes
Arafat e Palestina

Alguns Lugares
Casa (a minha)
Golfo de Taranto
Cratera Vesúvio
Stromboli
Ruesta
Cais do Ginjal
Il pigmalion
Estrada Velha

A não repetir
Tortura no Iraque
Bush
11 de Março
Julgamento do Aborto
Darfur
Santana e Portas

A repetir
Derrota das direitas em Portugal e na Europa
Grandes viagens à aventura
Quebrar barreiras e reinventar fronteiras
Descobrir outras pessoas


Algumas palavras chave
Bandiera rossa
Paleariza
fotografia
Poesia
Enquanto houver estrada para andar...



Poderia escrever muito mais, mas fico-me por aqui.
Desejo-me e desejo-vos um ano cheio e em cheio.

30.12.04

#1
[feel like]



29.12.04

#3
[para 2005]

Lá diz o poeta que um fato de marinheiro não chega para se entender o mar. Tenho-me como um navegador e não me conformo com o navegar com a costa à vista. Dai que acredite que o meu destino são as grandes apostas, o mar alto e as tempestades, .
Quando estou envolvido com algo em que acredito, a ideia de abdicar, de não me fazer ao mar, é-me inconcebivel. No entanto, uma das minhas maiores duvidas é se será mais dificil tomar a decisão de pôr o barco no mar ou, depois de o ter feito, segurar a vela na tempestade.
Continuar a navegar, mesmo que contra a maré, mesmo que pareça mais fácil encontrar um porto seguro, é meu voto para dois mil e cinco - esperando que se estenda até dois mil e setenta e cinco.
#2
[gramaticando]

Gostava que desencontro passasse a escrever-se dezencontro.
#1
[pela boca morre o peixe]

Nunca tinha pensado em tal coisa, mas, agora que falas nisso, não está mal visto não senhor...

Não sou nenhum bandido, nem nenhum mafioso, que decide as coisas em segredo

Luis Nobre Guedes
TSF, 24 de Dezembro 2004

28.12.04

#3
[entre livros]

Ontem estive a arrumar livros na minha estante nova. Por género da obra, por continente e país de origem de quem o escreve.
Quando peguei nos chilenos, formou-se-me uma dúvida na consciência: será que, apesar de estarmos entre escritores, o Sepúlveda não se ofende se o colocar ao pé d@s Norte-American@s?
Pelo sim pelo não, passei-o para a prateleira seguinte.


#2
[podes fugir... mas não te podes esconder]


Freud teorizava a personalidade humana como um iceberg.

À tona de água encontra-se a parte consciente de cada um de nós, suportada e pressionada pela grande massa submersa do inconsciente. A influência do inconsciente sobre o consciente seria mediada pelo pré-consciente, que serviria como um filtro às suas pulsões.
Neste filme todo, os sonhos servem como escape, ou seja, são uma forma de expressão junto do consciente dos desejos e pulsões reprimidas, isto numa altura em que os mecanismos de defesa psicológica estão em baixo.
Esta teoria foi ampliada ealterada, bem como contestada e negada. Mas não deixa de ser interessante.
#1
[pensamentos de Natal]

Condutor 100% cool
aquele que, para conduzir os amigos a casa em segurança, não bebe.

Bebado 100% cool
aquele que, para ser conduzido em segurança, não toca no volante e vomita sempre no sitio certo.

23.12.04

#1
[bilhete]


Ontem deram-me um bilhete como este.

Ainda não percebi ao certo se é de amor
ou de adeus.

22.12.04

#4
[Querer gritar]


e não encontrar palavras que ultrapassem, que quebrem, a muralha de silêncio.
#3
[coisas de gajos apaixonados]

Este Relógio

José Luis Peixoto
A Capital, 22 de Dezembro, 2004

Antes de sair, olhou para este relógio e disse que voltava no início da noite. Eu não lhe perguntei a que horas voltava, mas ela disse que voltava às nove. Eram três horas da tarde. Eu lia um livro. Olhei--a quando aproximou o rosto e os lábios para nos beijarmos. Não a olhei quando saiu mas, agora, consigo imaginar a porta depois de a ter fechado, os passos a desaparecerem nos degraus da escada e, depois, o silêncio sem ela. Consigo até imaginá-la na rua. As mãos sobre a mala que comprou, os seus passos. Talvez a tenha imaginado durante alguns instantes depois de sair. No entanto, se o fiz, essas imagens misturaram-se com aquilo que lia e com a certeza triste de ela ir sair e de ter de aprender a estar sem ela durante tempo a parecer infinito. Demorei meia hora até olhar para o relógio, este relógio, o mesmo para onde ela olhou antes de sair quando disse que voltava às nove. Tinha passado meia hora e, por isso, continuei a ler. Tentei não pensar que faltava mais de dez vezes o tamanho daquele tempo que passei sem ela até a ver de novo. Continuei a ler. A minha atenção entrava dentro das palavras, mas voltava sempre para ela. Continuava a ler, mas ela estava no fim de cada parágrafo, escondida entre as frases, no momento de virar uma página. Tentei não olhar para este relógio. Quando olhei, eram cinco horas, eram seis e meia, eram sete e meia. Às oito horas, pousei o livro e comecei a esperá-la. Fiquei sentado neste sofá, nesta sala, a esperá-la. Olho para este relógio. São onze horas. Ainda não voltaste. Penso em tudo. Espero-te. Imagino tudo. Onde estás? Tudo me parece possível e impossível.
#2
[presentes]


nesta alturar do ano começam a chover presentes para o grande chefe. Parece que toda a gente lhe quer adoçar o paladar. Como bom democrata, divide sempre tudo com a malta - se não o fizesse era julgado em tribunal popular. Hoje já ganhei um ananás dos Açores e uma garrafa de reserva do Dão... nada mal para quem, como eu, não vai à bola com o natal.
#1
[dos dias]


Ano após ano não deixo de celebrar o melhor dos acontecimentos: a partir de hoje os dias começam a crescer.

20.12.04

#2
[case study]


Pinochet encarna aquilo que classifico como uma verdadeira pescadinha de rabo na boca da medicina: sempre que a coisa começa ficar dificil para ele, nomeadamente quando a justiça ameaça morder-lhe as canelas, o senhor, de muita idade e fraca saúde, tem uma quebra geral no seu estado fisico: Ele é demencia ligeira (detectada com 40 anos de atraso), paralisia temporária, embolias cerebrais, glicémia alta e te(n)são baixa (desculpem lá...), enfim, maleitas de um velho muito jarreta, nada de novo. O que me espanta é que o tipo recupera sempre de forma espetacular, sendo esses verdadeiros milagres consequencia de um muito humano abrandar da furia judiciária. Razões humanitárias, aplicadas a quem sempre as levou com rectidão.
#1
[post tirado a ferros]


É no confronto com os nossos limites que compreendemos a natureza dos nossos equilibrios.

17.12.04

#3
[sobre o post anterior]


O Nuno Milagre é um amigo.
Ele convidou-me para o lançamento do seu livro e eu estendi o convite à blogosfera.
Um livro meu é uma ideia distante. E sem pseudónimos.
Esclarecid@s?
#2
[IRRECONHECÍVEIS VISTOS DO ESPAÇO]


Este é o título do livro de poemas e textos que vou lançar no próximo dia 21
de Dezembro. É verdade, acredito que seja uma surpresa para algumas pessoas,
para outras nem tanto. O livro tem 34 páginas, é uma edição de autor e custa
5 euros, o desenho da capa é da Adrina Molder e a paginação do Luís Branco.
Não há muito a dizer sobre o livro, por isso, em vez de obrigar alguém a
apresentá-lo e dizer bem do livro e de mim de encomenda, convidei uns amig@s
para contarem umas histórias para nos entreter e ler alguns dos poemas.
Aceitam o convite?

Terça-feira, 21 de Dezembro de 2004 às 19 horas
na ZDB, Rua da Barroca, 59 - Lisboa (ao Bairro Alto) lançamento do livro “Irreconhecíveis Vistos do Espaço” de Nuno Milagre


(...)
irreconhecíveis vistos do espaço não vislumbramos o amanhã
e deslumbramo-nos no dia-a-dia a correr à frente e por trás de nós não nos perguntem onde paramos se não garantem onde vamos aperta-me a mão na sombra deste mar escuro que não sabe onde nos leva sobre a estrada de água dura trepidam os corpos no barco aperta-me a mão se eu te pudesse ao menos ver mais uma vez dentro ou fora deste mar não sabemos o que será de nós nem nós o que será do que sabemos aperta-me a mão neste mar escuro que nos leva aperto-te a mão
(...)

#1
[da arte poética]

Arábica & Robusta

saber que em ti
cada manhã
é um recomeço

16.12.04

#3
[da arte poética]

Nº 237
Parcialmente, a santidade consiste na capacidade de praticar transgressões bem orientadas. Por exemplo: matando em nós os fantasmas tutelares. Sem ternura. É assim que se atinge a multipla orfandade.

Ana Harherly
primeira das 7 tisanas inéditas
In poesia do Mundo, vol 2
#2
[nem sabes o que perdes...]

Não gostaria de beijar uma mulher que tivesse um piercing na língua.

Umberto Eco, Escritor Italiano
#1
[até tu, D. Duarte...]


PPM* concorre sozinho

Titulo do DN de hoje


*Partido Popular Monárquico, grupito de lunáticos que santana queria federar na sua malograda plataforma eleitoral

15.12.04

#3
[palavras para quê?]

"Compromisso Portugal" Diz Que as Suas Propostas Tiveram Receptividade no PS

Título do Público, 15 de Dezembro, 2004

prevejo inumeras oportunidades para constatar que são poucas as diferenças entre o governo que se adivinha e o desgoverno. Os sinais começam a surgir, não só de dentro do PS, que já começou a agradecer os trabalhinhos sujos que a direita fez, como também do mundo da alta finança. O Compromisso Portugal, um conjunto de tecnocratas lambidinhos que, há alguns meses, defendeu a desregulamentação total das leis laborais em beneficio exclusivo do lucro, já veio dar a sua bênção.
#2
[relactividade moral]


Ex-ditador Pinochet Escapa a Prisão Domiciliária

A defesa do antigo líder chileno diz que ele está a ser vítima de abuso dos direitos humanos.

in Publico, 15 de Dezembro 2004
#1
[da arte poética]

Abrir portas onde só julgava existirem paredes e trancas.
Deixar entar a luz.

14.12.04

#2
[sobre os sismos II]

Zero graus na escala de Peixoto

José Luís Peixoto
A Capital, 14 de Dezembro, 2004

Não senti nada. A minha mãe telefonou-me a meio da tarde e, antes de dizer qualquer coisa, perguntou-me: «sentiste?» E eu, que passei o dia sentado a escrever, com os estores da janela corridos à minha frente - nem sequer a imagem da rua, das pessoas e dos carros que passam, do dia a anoitecer - respondi-lhe: «senti o quê?» E ela, admirada com a minha admiração, a falar-me do terramoto, da cadeira a tremer lentamente sobre os mosaicos, quase como um zumbido, quase a andar sozinha. Não senti nada. E parece-me que não posso achar que gostava de ter sentido. Parece-me que, se confessar a mim próprio «gostava de ter sentido», tenho de bater três vezes na madeira, tenho de dizer lagarto lagarto lagarto, porque não posso desejar apenas para satisfação da minha curiosidade aquilo que pode trazer tanto sofrimento. Mas a verdade é que invejo - bater três vezes na madeira, lagarto lagarto lagarto - o entusiasmo com que a minha mãe me perguntou: «sentiste?» Não senti nada. Tento convencer-me que ter uma vida em que se escreve romances é assim. Ganha-se e perde-se. Ganha-se exactamente onde se perde. Muitas vezes tive amigos a dizerem-me: «tens de vir comigo a tal parte», ou «não podes perder tal coisa». Quase sempre, troquei isso por parágrafos, por capítulos ou, nos dias piores, como hoje, troquei isso pela frustração de passar o dia inteiro sentado, com os estores corridos à minha frente, a tentar escrever e a não gostar do resultado, a tentar de novo e a achar que todas as tentativas eram más, cada vez piores e, à noite, a não ter nada que me conforte, nem um parágrafo bem conseguido, nem uma metáfora certeira, nem um terramoto - bater três vezes na madeira, lagarto lagarto lagarto - que me mostre que foi um dia em que estive vivo.
#1
[sobre os sismos]

Poderá um sismo fazer tremer as nossas mais intimas fundações?
Pode sim, dependendo da intensidade com que nos abala.

13.12.04

#4
[Sampaio aceita demissão de Santana]


O choradinho que Santana anda por ai a fazer comoveu até as entranhas da terra. Resultado: um sismo foi sentido na região de Lisboa.
#3
[sobre as estatuas]

Têm a sorte de não ter sentimentos, mas não há pombo que não lhes cague em cima...
venha o diabo e escolha!
#2
[sobre a relatividade das coisas]

Não quero ter a terrivel limitação de quem vive apenas do que é passivel de fazer sentido.
Eu não: Quero é uma verdade inventada.

Crarisse Lispector
#1
[é isto que me faz falta]


9.12.04

#3
[pois é...]

Oscar Wilde

Viver é a coisa menos frequente do mundo
A maior parte das pessoas existee isso é tudo.

Joaquim Pessoa
in Os Dias da Serpente
#2
[vergonhoso]

É absolutamente imoral que, num planeta onde se queimam excessos de produção para que se mantenham preços e onde se gastam milhões em guerras desnecessárias, existam razões para notícias como esta.

****

Cinco Milhões de Crianças morrem de fome todos os anos
JOANA FERREIRA DA COSTA
Público, 09 de Dezembro de 2004

A fome a má nutrição matam anualmente cinco milhões de crianças em todo o mundo, um "escândalo" que podia ser evitado com investimento económico modesto face aos benefícios futuros, denunciou ontem a Organização para a Agricultura e Alimentação das Nações Unidas (FAO).
De acordo com o relatório anual deste organismo, 852 milhões de pessoas sofriam de má nutrição entre 2000 e 2002, mais 18 milhões do que em meados da década de 90. Um flagelo que continua a assolar em larga escala os países em vias de desenvolvimento.
"É possível que a comunidade internacional ainda não se tenha apercebido da mais-valia que resultará de um aumento do investimento na luta contra a fome", declarou Hartwig de Haen, subdirector-geral da FAO, ontem, durante a apresentação do relatório em Roma, Itália. "Além do sofrimento humano, só por si escandaloso, a fome tem como consequência importantes perdas económicas", defendeu o responsável, considerando "incompreensível" a falta de esforço da comunidade internacional neste combate. "É uma questão de vontade política e de prioridades", conclui.
No relatório sobre a insegurança alimentar no mundo, a FAO diz que, anualmente, "mais de 20 milhões de bebés com baixo peso nascem nos países em vias de desenvolvimento" e que cinco milhões de crianças morrem devido à má nutrição. Um número muito superior de pessoas sofrerá durante toda a sua vida das sequelas deixadas pela má nutrição, que reduzirão a sua capacidade de trabalhar e ganhar a vida.
A FAO calcula que a falta de produtividade causada por este flagelo terá custos superiores a 500 mil milhões de dólares. Valor ao qual contrapõe os cerca de 30 mil milhões de dólares necessários por ano para cobrir os custos de saúde com as doenças provocadas pela falta de alimento em todo o mundo. Um valor cinco vezes superior ao alcançado até agora pelo Fundo Global contra a Sida Tuberculose e Malária.
Ironicamente, este investimento é pequeno face aos potenciais benefícios económicos a longo prazo: cada dólar investido na luta contra a fome representará, no futuro, entre cinco a 20 dólares em desenvolvimento e produtividade, defende a FAO.
Alguns sinais de optimismo
Dos 852 milhões de pessoas que passam fome no planeta, a esmagadora maioria (815 milhões) vive nos países em desenvolvimento. A má nutrição e a falta de alimentos atinge também 28 milhões de pessoas nos países de transição e nove milhões nos países desenvolvidos.
Os números revelam que o esforço para combater o flagelo é claramente insuficiente para cumprir os objectivos fixados em 1996 na Cimeira Mundial da Alimentação, denuncia a FAO. No encontro, os países comprometeram-se a fazer cair para metade o número de pessoas a sofrer de má nutrição até 2015.
A FAO encontra, no entanto, alguns sinais de optimismo: 30 países - que representam cerca de metade da população do terceiro mundo - conseguiram reduzir em 25 por cento o número de pessoas com fome durante a década de 90. A luta travada em estados como o Brasil, Chile, Moçambique, Jamaica, Peru, Tailândia, Emirados Árabes Unidos ou o Uruguai mostra que é possível conseguir progressos rápidos na redução do flagelo e as melhores formas de os alcançar.
Uma melhoria ligeira foi registada na África subsariana, onde a proporção de pessoas subalimentadas passou de 36 para 33 por cento, conclui a FAO. O subdirector-geral do organismo defendeu ontem que as estratégias para resolver o flagelo estão traçadas e que a fome tem de tornar-se uma prioridade. "Sabemos como pôr fim à fome e é tempo de agir face a este objectivo", concluiu Hartwig de Haen.
#1
[melanzane]

Moral da história: as beringelas ficaram por estufar.

7.12.04

#2
[...]

Da arte de andar num arame sem rede, aprende-se a cada passo que se dá.

#1
[isto só em itália]

A pré-campanha para as legislativas de 2006 em Itália está ao rubro.
Berlusconi anunciou que terá milhares de jovens a fazer campanha por si, porta a porta e nas escolas, reeditando a sua estratégia de campanha de 2001. Prodi, classificando-os como mercenários - uma vez que serão contratados- responde com uma tirada quase maoista, talvez para agradar às alas mais à esquerda da sua coligação (que terá uma participação alargada que se estenderá da Margarida (a democracia cristã do centro esquerda) à Refundação Comunista…
Esta resposta é uma tirada de antologia

Noi - scandisce Romano Prodi rivolto all'assemblea della Rete dei cittadini per l'Ulivo, a Montecatini - non possiamo fare come loro. Non possiamo arruolare mille mercenari. Per questo a ogni mercenario dovremo contrapporre mille volontari. Poi si sa che i mercenari non hanno mai difeso il suolo della patria, e anche questa volta lo dovremo difendere noi. L'incubo è finito. Davanti a noi c'è l'alba.

in Il Manifesto, 5 de Dezembro 2004

Nós – atira Prodi agitado à assembleia da Rede de Cidadãos pela Oliveira em Montecatini – não podemos fazer como eles. Não podemos contratar milhares de mercenários. Por isso, a cada mercenário deveremos contrapor milhares de voluntários. Pois sabe-se que os mercenários nunca defenderam o solo da pátria, e também desta vez deveremos ser nós a defende-lo. O pesadelo acabou. À nossa frente está o amanhecer.

6.12.04

#4
[com os olhos cheios de imagens]

Tive de atravessar a cidade de uma ponta à outra ao final da tarde.
As ruas cheias de estrangeiros, o sol a marcar, a luz a provocar.
Por acaso trazia a Nikon, foi um festim!
Agora, acabada que estáa travessia, sento-me na frente do monitor com os olhos cheios de imagens e vontade de partilha-las, mas guardo-me em silêncio, procurando o espaço das palavras.

#3
[poema colado (com cuspo)]

encontrar
de novo
sinais
da tua
(omni)
presença

André
Sintra, 5 de Dezembro 2004
#2
[intoletâncias]

Mario Pinto atira-se hoje, no público de hoje, aos comunistas que, em geral, se identificam com o Marxismo Leninismo, e ao PCP em particular.
A minha (de)formação à esquerda, aproxima-me perigosamente do marxismo, mas deixa-me a alguma distância do Leninismo e, sobretudo, do que dele foi feito por Estaline e companhia. Fico também a milhas dos PC's que herdaram a velhinha tradição moscovita e que dela ainda fazem bandeira, nomeadamente do partido que agora foi tomado por J. de Sousa.

Mario Pinto, um arauto do cristianismo mais retrogado e radical, um defensor do liberalismo conservador, perora, ao seu estilo de talibã do crussifixo, contra os crimes do comunismo, tentado, nessa linha argumentativa, pintar um ideal apenas com as cores negras com que o século XX, na maioria dos casos, o travestiu.
Se tivesse oportunidade, não deixaria de perguntar a Mário Pinto o que pensa da inquisição, das diversas cruzadas que a igreja católica dirigiu durante os seus dois milénios de história, ou sobre o apoio tácito que deu, no século XX, a Hitler e outros ditadores que tais, tão ou mais sanguinários como os carrascos de Moscovo ou Pequim. No fim de contas, foi tudo em nome de um ideal de justiça e igualdade. Parece-me que Mario Pinto apenas relativiza o que lhe dá jeito, porque, se aplicasse ao seu ideal a linha de argumentação que usa contra o comunismo, perderia a fé em menos de dois parágrafos....
Faz-me tanta impressão esse sentimento primário, básico e visceral, contra a esquerda em geral e contra @s comunistas em particular.
#1
[maturidade II]


Em 4 dias tive quatro sessões de olhos em bico, isto é, de contacto com a arte e cultura orientais.
Sempre fui um pouco arisco aos filmes e outras demonstrações daquele lado do planeta -excepto, talvez, a comida. Nada de preconceito, simplesmetne não me conseguia concentrar, pelo que toda a simplicidade, a ingenuidade construida e o ambiente não me cativavam.
Por isso, qual não é o meu espanto quando dei comigo satisfeito com uma sessão de animação japonesa na culturgest (de fazer inveja ao Vasco Granja), deliciado com um sushi, emocionado com 2046 de Wong Kar Wai e espantado com uma mostra de arte contemporânea Japonesa no museu Berardo... será maturidade?

3.12.04

#1
[uma boa Notícia]


Não esquecemos nem perdoamos @s milhares de mort@s e desaparecid@s

Pinochet Perde Imunidade
Público, 03 de Dezembro de 2004

O Tribunal de Apelo de Santiago levantou ontem a imunidade parlamentar ao antigo ditador general Augusto Pinochet, de forma a poder determinar as suas responsabilidades pelo assassínio do general Carlos Prats. A Força Aérea e a Marinha reconheceram a participação de oficiais seus em actos de tortura, e os jornalistas disseram-se "envergonhados" por terem calado esses atropelos.

A decisão da instância chilena foi tomada por 14 votos contra nove e abre a possibilidade do julgamento do autocrata pelo seu eventual papel na morte do antigo comandante das Forças Armadas, vice-Presidente de Salvador Allende e ministro do Interior morto na sequência da explosão de um carro armadilhado, em Buenos Aires, no dia 30 de Setembro de 1974. O atentado, em que morreu também a mulher do militar, Sofia Cuthbert, é um dos crimes atribuídos à Operação Condor.

O veredicto deve agora ser corroborado pelo Supremo Tribunal para poder seguir o seu caminho. Em Agosto, a mais alta instância judicial chilena pronunciou-se a favor do levantamento da imunidade de Pinochet para que este pudesse ser ouvido por aquela operação - uma trama de cumplicidades entre os serviços secretos de várias ditaduras dos anos de chumbo da América Latina.

Entretanto a Força Aérea e a Marinha chilenas reconheceram quase ao mesmo tempo a sua participação em actos de tortura durante a ditadura. Os Carabineiros também.

A assunção de responsabilidades foi feita pelos respectivos comandos. Mas enquanto a aviação assumiu sem pestanejar a sua parte, os marinheiros disseram que a sua arma "nunca validou nem mesmo sugeriu a aplicação da tortura".

Os reconhecimentos seguiram-se à recente entrega ao Presidente Lagos do relatório da Comissão Nacional sobre Prisão Política e Tortura.

Também o Colégio dos Jornalistas, a principal associação dos profissionais do sector, disse-se "envergonhada (...) por aqueles que, utilizando o nome ou o título de jornalistas, mancharam o dever de revelar uma verdade que, difundida oportunamente, teria ajudado a salvar vidas".

2.12.04

#3
[moby dixit]


Why does my heart
Feel so bad?
Why does my soul
Feel so bad?
#2
[Nisto até estamos de acordo]


mas paramos por aqui.

(...)
A alternativa não é o engenheiro Sócrates, nem qualquer variante do Guterrismo. O balanço do Guterrismo foi trágico para o país e um guterrista reciclado, sem chama, nem destino, reproduziria a nossa mediocridade e atraso. Desconfiem sempre de quem quer mudar e não sente o genuino desgosto com o que está. E o engenheiro Sócrates foi o mais mole crítico de Santana Lopes. Mas, se chegar ao poder, será pela mão do seu anterior companheiro de debates televisivos.
(...)


Pacheco Pereira
in Público, 2 de Dezembro 2004

#1
[Notícia de outro Planeta]


esta é daquelas que vale a pena guardar, para memória futura...

Cientistas Propõem Criar Parques Protegidos em Marte
Público, 02 de Dezembro de 2004
Andereia Oliveira

Da próxima vez que der um passeio pelo planeta Marte, certifique-se que não deixa atrás de si um monte de lixo. Isto pode parecer um pouco estranho, mas é bem possível que, daqui a umas décadas, quando houver de facto astronautas da Terra em Marte, existam tabuletas com esta mensagem espalhadas pelo solo avermelhado do nosso vizinho no sistema solar. Pelo menos se vingar a proposta que dois cientistas apresentaram na revista "Science Policy": preservar algumas zonas do planeta vermelho, de forma a mantê-las no seu estado puro.
A ideia de Charles Cockell, um microbiólogo da British Antarctic Survey, em Cambridge (Reino Unido) e por Gerda Horneck, astrobióloga do Centro Alemão Aeroespacial, em Colónia, prevê a criação de "parques planetários" em sete zonas de Marte, com uma regulamentação semelhante às dos parques protegidos da Terra.
"Cada pessoa tem direito a observar a beleza árida da superfície marciana, sem ter de suportar uma paisagem repleta de monte de cascos de velhas naves espaciais", afirmam os cientistas, citados pelo "site" noticioso da revista científica "Nature" ( http:www.nature.com/news ).
Apesar de não se ter encontrado vida em Marte, Cockell e Horneck salientam que, se lá for detectada alguma vez vida, passada ou presente, isso será decisivo. "Se existir vida microscópica em Marte, isso será um argumento de peso para estes parques planetários, de forma a proteger estes seres da destruição humana."
Estes investigadores cartografaram sete zonas para possível conservação que possuem muitas das características representativas da paisagem marciana. O Parque Polar protegeria a calote de gelo do planeta, enquanto o Parque Olimpo incluiria o maior vulcão do sistema solar e destinar-se-ia a evitar futuras invasões de montanhistas que deixam lixo atrás de si, como acontece no Monte Evereste, aqui na Terra.
Outros parques protegeriam enormes crateras provocadas por meteoritos e os locais de aterragem das sondas Viking 1 e Mars Pathfinder.
Não é a primeira vez que surge uma ideia deste tipo. Outros cientistas sugeriram que o local onde a Apolo 11 aterrou na Lua, transportando os primeiros astronautas, fosse transformado em património mundial. Mas tomar essa iniciativa seria um desafio para as leis internacionais, uma vez muitas nações nunca chegaram a assinar o tratado das Nações Unidas que pretende estabelecer o espaço como património de toda a humanidade. E entre essas nações estão precisamente os EUA, a Rússia e a China - precisamente as que têm capacidade para fazer viagens espaciais, utilizando os seus próprios meios.