24.2.17

#1 [que orgulho ter-te visto passar por mim como quem voa...]

Um abraço à Analice  
Sem medos percorreste o duro asfalto
Em léguas infinitas, decidida;
Por lama, pedra, areia desmedida…
Muito passaste tu, sem sobressalto.

A íngreme ladeira, o planalto,
A vista deslumbrante aparecida,
O respirar, o exaltar a vida,
O domínio do Mundo, lá do alto.

Cá em baixo, porém, o que se via
É que a tua irradiante simpatia
Criou milhares de amigos no pelotão

Nunca faltou quem, a correr te visse
E te gritasse “Força, ANALICE”
E te passasse a ter no coração.


Fernando Andrade, aka Cidadão de Corrida
Fevereiro de 2017

20.2.17

#1 [Hidden Figures]

Katherine G. Johnson e Taraji P. Henson, que interpreta o papel de K no filme Hidden Figures

Faz hoje 55 anos que John Glenn se tornou no primeiro Americano a fazer a órbita da Terra. Parte do seu sucesso é devido a Katherine G. Johnson e às suas geniais colegas do West Computing group que, apesar das barreiras que a política segregacionista lhes impunha, mostraram ser as melhores entre as melhores. 

14.2.17

#1 [si non è vero è ben trovato]

"Fiquei a pensar nisso.
O obscuro talento do volfrâmio."

Robert Wilson  in 
Último acto em Lisboa

7.2.17

#1 [it's all about...]

Politics is omnipresent. For this reason, understanding the politics of the policy process is arguably as important as understanding how medicine improves health.

Kent Buse, Nicholas Mays and Gill Walt

Making Health Policy

6.2.17

#1 [sambinha bom]

(...) 
Quando o samba começava, você era a mais brilhante
E se a gente se cansava, você só seguia adiante
Hoje a gente anda distante do calor do seu gingado
Você só dá chá dançante onde eu não sou convidado
(...)

Quem te viu, Quem te vê
Chico Buarque

4.2.17

#1 [Não me interesse quem é mas sim o que escreve]

"Para ti, não. Tu és a minha amiga genial, tens de ser a melhor de todos, rapazes e raparigas."

Elena Ferrante  in A Amiga Genial

2.2.17

#1 [...]

Ofício 
Os poemas que não fiz não os fiz porque estava
dando ao meu corpo aquela espécie de alma
que não pôde a poesia nunca dar-lhe

Os poemas que fiz só os fiz porque estava
pedindo ao corpo aquela espécie de alma
que somente a poesia pode dar-lhe

Assim devolve o corpo a poesia
que se confunde com o duro sopro
de quem está vivo e às vezes não respira.

Gastão Cruz

14.1.17

#1 [contributos para a nissologia]

(...)
Fala como se não fosse daqui.
Sou completamente daqui, contestou. Deu um longo gole na cerveja e limpou o bigode com o polegar. Sou tão daqui que não me imaginava a viver em terra firme.
Terra firme?
Desculpe. É a doença da insularidade. Para mim, uma ilha é um lugar em movimento. Na minha cabeça, todos os dias nos afastamos ou aproximamos um bocadinho da península. Dependendo dos ventos e das vontades. São tenazes, deixam-me à deriva.
Também me tem sucedido, disse eu. Parece que, neste lugar, sonhamos com maior clareza e intensidade.
Talvez seja isso.
(...)

João Tordo, in O Luto de Elias Gro

11.1.17

#1 [59]

Visita-me Enquanto não Envelheço

visita-me enquanto não envelheço
toma estas palavras cheias de medo e surpreende-me
com teu rosto de Modigliani suicidado

tenho uma varanda ampla cheia de malvas
e o marulhar das noites povoadas de peixes voadores

ver-me antes que a bruma contamine os alicerces
as pedras nacaradas deste vulcão a lava do desejo
subindo à boca sulfurosa dos espelhos

antes que desperte em mim o grito
dalguma terna Jeanne Hébuterne a paixão
derrama-se quando tua ausência se prende às veias
prontas a esvaziarem-se do rubro ouro

perco-te no sono das marítimas paisagens
estas feridas de barro e quartzo
os olhos escancarados para a infindável água

com teu sabor de açúcar queimado em redor da noite
sonhar perto do coração que não sabe como tocar-te

Al Berto, in 'Salsugem'

6.1.17

#1 [o último de 2016]

Que foi também o primeiro de 2017.
A Queda dos Gigantes, o primeiro tomo da trilogia do Século XX de Ken Follet.
Este volume toca os primeiros 25 anos do século, partindo das causas que conduziram à grande guerra, aborda o conflito e o que dele ficou, lançando sementes para o que aí vem (na história e nos próximos dois volumes).
São cerca de 900 páginas de escrita leve e um pouco previsível, que passa ao lado de acontecimentos importantes - a fim do império Otomano, outro gigante, a participação de Itália ou, numa escala muito menor mas não menos relevante, de Portugal, ou as consequências da gripe espanhola...
Apesar desta constatação e de alguma irritação que a tradução me causou, as tramas da estória e a leitura que Follet faz da história foram suficientes para dissipar o meu cepticismo inicial.