13.7.17

#1 [anatomia dos policiais suecos]

Li Aurora Boreal, de Asa Larson. Não sendo um volume incontornável do género policial, a história apresenta-se bem construída e contada.
Durante a leitura dei comigo a tropeçar num conjunto de elementos que já tinha encontrado na obra de Stieg Larson e Camilla Lackberg:
- a temática da religião
- a violência de género
- a pedofilia
- a força das personagens femininas
- a agressividade da imprensa de escândalos
- as constantes referências a marcas (fico sempre com a dúvida se não será publicidade paga...)

Será este um conjunto de elementos distintivos e muito ligados à cultura sueca ou trata-se apenas de uma tentativa de imitar a formula vencedora da trilogia milleniun?

 

6.7.17

#1 [das perguntas e das respostas]

Tudo no mundo está dando respostas, o que demora é o tempo das perguntas.

José Saramago In Memorial do Convento

22.5.17

#1 [O elogio da transgressão]

Um Sábado Qualquer, Carlos Ruas
É a transgressão que me encanta na obra de José Saramago e a transgressão é a pauta de "O Evangelho Segundo Jesus Cristo". É o que lhe dá encanto e foi o motivo pelo qual as almas sensíveis se levantaram numa fatwa contra o autor.

23.4.17

#1 [do bestiário de Cardoso Pires]

"Caguei para a enciclopédia, diz o Corvo. E para comprovar alça a cauda e, zás, despede um esguicho de caca esbranquiçada. Caca esbranquiçada numa criatura tão negra é que ninguém esperava"

José Cardoso Pires  
in A República dos Corvos

12.4.17

#1 [matinal]

Poderíamos construir outro corpo a partir
Do pensamento com imagens e emoções de
Menor engano. Inscrever na química que
Nos vai lembrando memórias de um corpo
Onde não estejamos biologicamente tanto.
Lembrar à fantasia que tudo o que não sou
É eu. Salpicá-lo de respiração conjunta com
As árvores. Pedir ao mito que os livros não
Se enredem nas silvas por destino. Saber que
Luar é este que vem de fora, ir procurando.
Desenhar, porque não?, o seu centro num
Ponto que pronto se desloca. Poderíamos.

Maria Gabriela Llansol in
O Começo de Um Livro É Precioso

7.4.17

#2 [Ferrante, II]

Há momentos em que recorremos a palavras insensatas e fazemos exigências para esconder sentimentos lineares.

Elena Ferrante In História do Novo Nome

#1 [guerra fria]

O último tomo da trilogia do século, de Ken Follet, é dedicado à Guerra Fria.
Não deve ser fácil condensar 50 anos de história em 900 páginas de romance, passado em 3 planos distintos. Ainda assim, não se compreende que não se fale de temas incontornáveis deste período, como Chernobyl, Afeganistão, conquista espacial, disputas e ingerências na América do sul ou dos jogos olímpicos....


26.3.17

#2 [...]

O ritmo alucinante da prosa e a intensa loquacidade das personagens (muitas das quais não estranharíamos ver num filme de Almodóvar) podem sugerir uma ligeireza que é só aparente. Por trás da farsa, está a realidade em todo o seu esplendor, em toda a sua miséria. E Mendoza não se coíbe de nos mostrar o estado do mundo.

José Mário Silva sobre O segredo da Modelo Perdida de Eduardo Mendoza

#1 [...]

Arquitectar um livro

5.3.17

#1 [nem todas as baleias voam]

Uma publicação partilhada por André Beja (@metrografista) a
Afonso Cruz a fazer lembrar Boris Vian... 


27.2.17

#1 [triologia do século]



Na noite de 27 de Fevereiro de 1933, faz hoje 84 anos, o partido Nazi incendiou o Reishtag, acusando os comunistas do sucedido e dando início à sua perseguição. É neste ponto que começa o segundo volume da trilogia do século de Ken Follet, que atravessa as décadas mais negras da história da europa no séc. XX.
Tal como no primeiro volume, o estilo e a trama têm um registo soft e a abordagem histórica apresentada fragilidades e parcialidade, mas a viagem não deixa de ser impressionante.

24.2.17

#1 [que orgulho ter-te visto passar por mim como quem voa...]

Um abraço à Analice  
Sem medos percorreste o duro asfalto
Em léguas infinitas, decidida;
Por lama, pedra, areia desmedida…
Muito passaste tu, sem sobressalto.

A íngreme ladeira, o planalto,
A vista deslumbrante aparecida,
O respirar, o exaltar a vida,
O domínio do Mundo, lá do alto.

Cá em baixo, porém, o que se via
É que a tua irradiante simpatia
Criou milhares de amigos no pelotão

Nunca faltou quem, a correr te visse
E te gritasse “Força, ANALICE”
E te passasse a ter no coração.


Fernando Andrade, aka Cidadão de Corrida
Fevereiro de 2017