Mostrar mensagens com a etiqueta Livros 2017. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Livros 2017. Mostrar todas as mensagens

31.12.17

#1 [a fechar o ano, a Austrália]



A curiosidade, primeiro, e a teimosia, depois, agarram-me às páginas de Na Terra dos Cangurus, uma longa viagem pela Austrália do final dos anos 90, guiada pela mão e pelos olhos de Bill Bryson.
Ao longo de quase 400 páginas, Bryson – um jornalista americano com tiques britânicos e fama de especialista instantâneo em quase tudo - apresenta-nos pequenas curiosidades, estatísticas e pormenores quotidianos do “país continente” dos antípodas. 
Cheguei ao fim cansado do livro, mas com vontade…

27.12.17

#1 [dançar é sempre boa ideia]

"Vocês devia fazer outras coisas. Devia dançar. Dançar faz bem para a cabeça"

Rubem Fonseca, Agosto

2.12.17

#1 [O Fim da História ]



Ao contrário de Fukuyama, neste fim da história Sepúlveda não nos vende o fim das ideologias nem uma vitória do bem sobre o mal. Explora, aliás, as contradições que esse final, que tantos iludiu, trazia em si.
Aqui, neste fim de história, voltamos a encontrar Belmonte, o tal que tem nome de toureiro, mais velho mas, como ele próprio conclui, com o faro bem apurado. A poesia e os velhos laços não perdem validade.

24.11.17

#1 [Voltar onde nos sentimos bem: Luís Sepúlveda]



Reli, com gosto, a história, a história de Juan Belmonte, personagem de fino humor que, dizem-lhe frequentemente, tem nome de toureiro. Como da primeira vez, não deixei de me surpreender com a narrativa do exilio e da transição entre um mundo com dois pólos para este, sem jeito nenhum, em que agora vivemos.

10.11.17

#1 [O Homem que Perseguia a sua Sombra]

O quinto livro da serie millenium confirma as debilidades que o quarto já evidenciava.
Falta-lhe suspense, aventura e substrato. E também lhe falta Lizbeth Salander, que perde força e protagonismo no enredo.
Seria mais correcto se se chamasse " O homem perseguido pela sombra", título ideal para descrever a forma como a memória de Stieg Larsson é espremida por quem decidiu fazer da sua obra uma fonte de rendimento inesgotável.

2.11.17

#1 [um livro inesperado]

"(...) o "herói" deste livro é uma figura inesquecível, Nick Corey, um xerife psicopata, cuja acção se desenvolve no meio da maior corrupção e dos mais odiosos crimes, aos quais o nosso xerife não é de forma alguma alheio."

29.10.17

#1 [Ferrante, IV]

Para mim, a história da segunda metade do século XX italiano, das mobilizações e das contradições de m dos laboratórios políticos mais intensos e apaixonantes que pode existir,  tinha duas referências incontornáveis,  Il faciocomunista, que inspirou o filme “O meu irmão é filho único” e “A melhor juventude”. Nas mais de 1600 páginas da tetralogia de Nápoles de Elena Ferrante encontrei um terceiro pilar.

20.10.17

#1 [Ferrante, tomo 3]

Elena e Lila, as duas amigas que os leitores já conhecem de A Amiga Genial e História do Novo Nome, tornaram-se mulheres. E isso aconteceu muito depressa.
Navegam agora ao ritmo agitado a que Elena Ferrante nos habituou, no mar alto dos anos 70, num cenário de esperança e incerteza, tensões e desafios até então impensáveis, unidas sempre com um vínculo fortíssimo, ambivalente, umas vezes subterrâneo, outras visível, com episódios violentos e reencontros que abrem perspetivas inesperadas.

2.10.17

#1 [quando a ficção se aproxima da realidade...]



“Mas porque é que foste”, Perguntou a minha mãe, “se sabias que ficarias transtornado desta maneira?” ”Fui porque todos os dias faço a mim próprio a mesma pergunta: Como pode uma coisa destas estar a acontecer na América? Como podem pessoas destas governar o nosso país? Se não tivesse visto com os meus próprios olhos, pensaria que estava a ter alucinações.”

Philip Roth in
A Conspiração Contra a América

25.8.17

#2 [Policiais, a melhor forma de desenferrujar a leitura]

Um grupo de caçadores mata um urso nos bosques perto de Kiruna. Quando abrem a barriga do animal, encontram restos humanos entre as vísceras. Uns meses mais tarde, encontram uma mulher assassinada em sua casa. Agrediram-na brutalmente com uma forquilha e Marcus, o neto de sete anos desapareceu. Rebecka Martinsson, que no princípio foi destacada para a investigação é retirada do caso.
Mas há poucas coisas que causem mais indignação que a violência contra uma criança, e Rebecka fica obcecada com o desaparecimento do menino. Por sua conta e risco começa a indagar o assassino da mulher: a morte parece perseguir esta família, e Rebecka não está disposta a permitir que o seu último membro tenha o mesmo destino.

Sacrifício a Moloc, de Asa Larsson

#1 [Reencontro de verão]

Persépolis, uma novela gráfica de Marjane Satrapi

7.8.17

#1 [diz que é uma espécie de dialética]



“O Camarada K.N. M Pillai nunca contestou Chacko abertamente. Sempre que se referia a ele nos seus discursos, tinha o cuidado de o despir de quaisquer atributos humanos e de o apresentar antes como uma entidade abstracta inserida num esquema mais vasto. Uma construção teórica. Um peão na monstruosa conspiração burguesa para subverter a Revolução. Nunca se lhe referia pelo nome mas sempre como «a Gerência». Como se Chacko fosse muitas pessoas. Além de ser o procedimento tacticamente correcto, esta disjunção entre o homem e o cargo ajudava o Camarada Pillai a manter a consciência limpa acerca dos seus negócios privados com Chacko. O seu contrato para imprimir os rótulos da Pickles Paraíso constituía uma fonte de rendimento da qual não podia prescindir. Dizia-se que Chacko-o –Cliente e Chacko-o-Gerente eram duas pessoas diferentes. Distintas, claro, de Chacko-o-Camarada.”

Arundhati Roy in O Deus das Pequenas Coisas

13.7.17

#1 [anatomia dos policiais suecos]

Li Aurora Boreal, de Asa Larson. Não sendo um volume incontornável do género policial, a história apresenta-se bem construída e contada.
Durante a leitura dei comigo a tropeçar num conjunto de elementos que já tinha encontrado na obra de Stieg Larson e Camilla Lackberg:
- a temática da religião
- a violência de género
- a pedofilia
- a força das personagens femininas
- a agressividade da imprensa de escândalos
- as constantes referências a marcas (fico sempre com a dúvida se não será publicidade paga...)

Será este um conjunto de elementos distintivos e muito ligados à cultura sueca ou trata-se apenas de uma tentativa de imitar a formula vencedora da trilogia milleniun?

 

6.7.17

#1 [das perguntas e das respostas]

Tudo no mundo está dando respostas, o que demora é o tempo das perguntas.

José Saramago In Memorial do Convento

22.5.17

#1 [O elogio da transgressão]

Um Sábado Qualquer, Carlos Ruas
É a transgressão que me encanta na obra de José Saramago e a transgressão é a pauta de "O Evangelho Segundo Jesus Cristo". É o que lhe dá encanto e foi o motivo pelo qual as almas sensíveis se levantaram numa fatwa contra o autor.

23.4.17

#1 [do bestiário de Cardoso Pires]

"Caguei para a enciclopédia, diz o Corvo. E para comprovar alça a cauda e, zás, despede um esguicho de caca esbranquiçada. Caca esbranquiçada numa criatura tão negra é que ninguém esperava"

José Cardoso Pires  
in A República dos Corvos

7.4.17

#2 [Ferrante, II]

Há momentos em que recorremos a palavras insensatas e fazemos exigências para esconder sentimentos lineares.

Elena Ferrante In História do Novo Nome

#1 [guerra fria]

O último tomo da trilogia do século, de Ken Follet, é dedicado à Guerra Fria.
Não deve ser fácil condensar 50 anos de história em 900 páginas de romance, passado em 3 planos distintos. Ainda assim, não se compreende que não se fale de temas incontornáveis deste período, como Chernobyl, Afeganistão, conquista espacial, disputas e ingerências na América do sul ou dos jogos olímpicos....