30.1.04

#4
estou para aqui a olhar para o computador e só me apetece ir ao cinema.
há uma lista imensa de filmes que ainda não vi, mas hoje estou especialmente virado para ir ver lost in translation. aposto que este é um filme de doce solidão.
#3

mi liga vai!!

eu sei que vossas ex.mas estão a precisar de carinho...

Durão Barroso para as bancadas da oposição, no debate de hoje na AR
#2

uma história de Racismo

manhã de sexta feira, subúrbio cinzento, frio e chuva.
entro na estação de comboio ao som de uma gritaria imensa.
no cais de Sintra um revisor discute em altos berros com um individuo que, ao que parece, vinha no comboio sem bilhete. os gritos ecoam na estação.
o cais de lisboa está repleto de gente silenciosa que assiste impavida e silênciosa à questão.
não sei o que se passou ali, não vi onde a conversa começara, quem tinha razão.
mas vi onde acabou, e sei que, nesse momento, o revisor da cp perdeu de vez toda a razão que provavelmete teria:
depois de já terem enveredado pela ofensa mutua, viraram as costas um ao outro e foram em direcções opostas, cada um deles a gritar as suas razões.
e as razões do revisor foram sublinhadas com um categórico preto de merda e um taxativo volta para a tua terra!
o cais de lisboa silêncioso, baixando os olhos, enterrando a vergonha nas notícias da morte de Feher ou apaudindo em secreto prazer.
preto de merda...
o silêncio sepulcral...
não me contive: chamei-lhe racista, lembrei-lhe que tem responsabilidades pelo farda que estava a usar, que tinha de ser imparcial.
toda a gente a ouvir, o silêncio cortante.
respondeu-me, na sua fúria, que eu tinha bilhete e o outro não.
pois... e isso é justificação para abrir a cartilha do preconceito, reduzindo outra pessoa à cor da sua pele?
o cais de lisboa manteve-se silêncioso, os olhos em baixo, a vergonha enterrada nas notícias da morte de Feher, os secretos aplausos de prazer.
fiquei com pena de não apresentar queixa contra o revisor por acto racista no cumprimento das funções. não ter bilhete pune-se com multa, não com impropérios. mas senti-me leve, ganhei o dia.




#1

dizem por aí que a auto estima dos portugueses anda pelas ruas da amargura...
bom... devo dizer que
- o meu salário não aumentou nos últimos dois anos - as migalhas que me deram foram devoradas pela infglação
- tenho uma indisposição de figado quando penso na escumalha que nos governa,
- vivo em casa dos meus pais porque o mercado de arrendamento é um sorvedor e não me apetece ficar amarrado 30 anos a um banco.
- o nosso país é um atraso no que respeita de intervenção social
- a nossa vida cultural é feita de grandes acontecimentos que, no fundo, são ocos
- o nosso país é, em si, um crime ambiental
- o mundo parece uma bola achatada que roda ao contrário,
mas, apesar de tudo isto e muito mais, a minha auto estima não está em baixo! como dizia, um dia destes, a Clara Ferreira Alves no Expresso, essa história de auto estima em baixo é uma treta para americanos parvos.

28.1.04

#3

PALAVRAS

Nenhum ramo
é seguro. Frágeis
são as palavras.

Albano Martins
#2

celeste esfregona para o balde, já!!
bolas! nem as trafulhices mais evidentes fazem cair os ministros do pp...
estão mais agarrados ao poder que um mexilhão a uma rocha!

#1

contagem final: 121.151 assinaturas, estão entregues!
vejamos o que nos dizem os próximos dias.

27.1.04

#1

A plataforma que levou a cabo a petição para um novo referendo sobre a lei do aborto já tem 113.694 assinaturas contabilizadas, e ainda não acabou a contagem.
amanhã será o dia da entrega na assembleia da república, será que a direita vai insistir em manter-se miope, presa ao conservadorismo atroz, a promessas eleitorais que não fazem (e nunca fizeram) sentido?

25.1.04

#2

(...)
assim, a minha vida é uma fuga e perco tudo e tudo é do esquecimento ou do outro.

Borges, in poemas escolhidos
#1

não me interessa se são pretas, brancas, azuis, anãs, corcundas, pitosgas, coxas, gordas, magras, vegetarianas, carnivoras, asiáticas, europeias, africanas, americanas, de outro continente ou mesmo marcianas. não me importo com a existência ou não de diferenças no corpo, na personalidade, na natureza... se são homens com mulheres, mulheres com homens, mulheres com mulheres, homens com homens o outra hipótese qualquer.
recuso-me a ver as coisas dessa perspectiva redutora.
acredito que as pessoas se podem amar, que devem sentir e construir o amor como e com quem bem entenderem.
digam o que disserem, acredito no direito à diferença e bato-me por ele.

Deixo-vos o apelo das Panteras Rosa, uma associação que combate a homofobia. a história que denunciam é uma vergonha para a democracia.

---x---

Um tecto para Liliana!
- protestos retomam a partir de 2ª feira, todas as manhãs na Praça do Município
- CML inicia tentativas de intimidação

Após o interregno do fim de semana, já a partir de segunda-feira, a associação Panteras Rosas -Associação de Combate à Homofobia - vai voltar a marcar presença todos os dias frente aos Paços do Concelho, entre as 8h e as 12h, em protesto contra a discriminação de que está a ser vítima um casal de lésbicas injustamente excluído do processo de realojamento do seu bairro e colocado na situação de "sem abrigo".

Apesar do impedimento legal de manifestação naquele local (a CML tem garantido forte e intrusiva presença policial), todos os dias por volta das 12h, as Panteras Rosas irão desenvolver acções e formas de manifestação criativas no local e não deixarão de marcar presença na Praça do Município até que, pelo menos, o caso tenha o único final feliz possível: a correcção da injustiça de que o casal está a ser vítima, com a atribuição de um tecto pelo município.

- Ao invés de sugerir que as vítimas voltem para o lar dos agressores;
- ao invés de pressionar tanto a nossa associação quanto o casal - como tem feito nos últimos dias através de expedientes nada éticos - para que cessem os protestos;
- ao invés de utilizar terceiros para nos comunicar a falsa pretensão da CML em reunir connosco para procurar uma solução, pressupondo isso o "acalmar", da nossa parte, dos protestos e da exposição mediática do caso;
- ao invés de insultar e desrespeitar quem já vive situação desesperada;
- ao invés de mobilizar a polícia municipal e funcionários camarários dia e noite para esquadrinharem o Bairro da Cruz Vermelha do Lumiar à procura do casal (como tem vindo a acontecer desde as 23h de sexta-feira, com objectivos que não descortinamos);
a CML deve perceber que a atribuição de um tecto é única atitude humana a tomar, e que tem que reconhecer e considerar, no processo em causa, a discriminação homofóbica e a violência doméstica continuada de que o casal foi vítima devido à sua orientação sexual. Ou não terão os poderes públicos responsabilidades pedagógicas no combate às discriminações?

As Panteras Rosas recordam à CML que para encontrar Liliana, basta usar o seu número de telefone, que a Câmara sempre possuiu, dignando-se a responder aos seus pedidos de audiência sucessivos de há ano e meio para cá, ou responder ainda ao pedido de audiência recebido há semanas da nossa associação pelo Gabinete da vereadora da Habitação, e que mantemos válido, por considerarmos ainda que qualquer solução para este caso terá sempre que ser encontrada em conjunto com o município.

Para encontrar Liliana é desnecessário, recordamos, mobilizar tantos recursos humanos da autarquia em horas extraordinárias e durante o fim de semana. Tal esforço de busca terá por fim tudo menos uma conversa civilizada, parecendo-nos antes uma inaceitável tentativa de intimidação do casal. Não precisamos de capangas, precisamos de diálogo!

As Panteras Rosas apelam a toda a sociedade civil, aos associativismos e movimentos sociais para que compareçam na Praça do Município, e também para que pressionem a CML a permitir que este casal veja reconhecido o seu direito constitucional à Habitação e o seu direito à livre orientação sexual.

Pelas Panteras Rosas,

Sérgio Vitorino

NEM MENOS, NEM MAIS, DIREITOS IGUAIS!

22.1.04

à minha amiga cientista (que não sei se é leitora assidua).
dedico-te, com um brilhozinho nos olhos, estas velhinhas palavras de resistência, porque resistir é uma arte.


Que Força É Essa?

Vi-te a trabalhar o dia inteiro
construir as cidades pr'ós outros
carregar pedras, desperdiçar
muita força pra pouco dinheiro
Vi-te a trabalhar o dia inteiro
Muita força pra pouco dinheiro

Que força é essa
que força é essa
que trazes nos braços
que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo
que força é essa, amigo
que te põe de bem com outros
e de mal contigo
Que força é essa, amigo
Que força é essa, amigo
Que força é essa, amigo

Não me digas que não me compreendes
quando os dias se tornam azedos
não me digas que nunca sentiste
uma força a crescer-te nos dedos
e uma raiva a nascer-te nos dentes
Não me digas que não me compreendes

Que força é essa...

Sérgio Godinho

21.1.04

#2
dia improdutivo...
se a manuela ferreira leite sonha!
#1

parece que antónio guterres foi, enquanto presidente da internacional socialista, a mombai, ao forúm social mundial, tendo feito uma crítica aberta ao neoliberalismo.
cmo o tipo anda muito esquecido... então e a terceira via? então e o pacto de convergência da união europeia? então e o apoio que o seu governo deu à guerra contra a juguslávia em 99? então e o facto da IS por ele presidida ter governado a europa na década de noventa e ter sido a grande impulsionadora, ao lado das multinacionais, do neoliberalismo que marca o inicio do séc XXI...
antónio guterres devia, em vez de andar por ai a fazer figura de parvo, ter vergonha na cara e ficar em casa a contar as suas óstias e os sues pecados.

20.1.04

#2

A guerra e as suas justificações...

o canal de televisão americano abc apresentou, há dias, em estilo de spot promocional, um video filmado a 9 de Janeiro, de dentro de um helicoptero americano, onde se podia ver e ouvir como os tripulantes abatiam cirurgicamente 3 iraquianos, um deles ferido.
os diálogos pareciam tirados de um filme do rambo, o cenário até parecia um jogo de computador, mas estava-se, tão só, perante a realidade da guerra, e em prime time!
seria esta mais uma estratégia para aumentar a auto estima dos sobrinhos do tio sam, ou estarão as autoridades americanas à procura de novos recrutas para defender aquilo a que chamam paz e democracia?
#1

Portugal prepara sinalização de estradas para o Euro 2004, seguem alguns exemplos:

Sete Rios: Seven Rivers
Largo do Rato: Mouse Square
Pontinha: Little Point
Ajuda: Help!
Olivais: Olive Fields
Marvila: Sea Village
Campo Grande: Big Field
Campo Pequeno: Small Field
Buraca: Big Hole
Arco do Cego: Blind Arch
Linda-a-Velha: Beautifull The Old Lady
Miraflores: Look The Flowers
Queluz: What a Light!
Mata de Monsanto: The blowjob
Cais do Sodré: Bitches and green wine
Ilha da Madeira: Albert John Condominium
Faro: Marafado
Algarve: United Kingdom land
Porto: Little Chicken of the Coast
Berlengas: Vomidrinho
Casal Ventoso: Windy Couple
Amoreiras: Taveira's Movie

19.1.04

#2

INICIATIVA CIDADÃ PELA DEFESA E DESENVOLVIMENTO DO ENSINO
SUPERIOR E DA INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA
#1

O apelo foi-me enviado pela SOS Racismo, mas existem muitas mais organizações empenhadas na inicicativa de abaixo, tomem lá nota:

PELA LEGALIZAÇÃO DOS/AS IMIGRANTES

CONCENTRAÇÃO PARA O DIA 31 DE JANEIRO, ÀS 15 HORAS NO LARGO LUIS DE CAMÕES (Lisboa), em simultâneo com outras manifestações levadas a efeito por toda a Europa nesse dia em que se assinala a “Jornada Europeia pela Legalização de todos os Imigrantes”, no âmbito do protesto convocado pela Assembleia de Movimentos Sociais do Fórum Social Europeu realizado em Paris.

18.1.04

#1

estou farto destes servidores de internet que se dizem gratuitos...
por conta da lentidão da ligação telefónica, ainda tenho de começar a tomar anti depressivos.
o acesso gratuito à internet de banda larga deveria ser um direito de quem paga impostos!
bha!!

16.1.04

#2

recebi um mail que reproduzo.
faz-me lembrar uma história de uma amiga que, depois de receber um mail deste tipo, ligou para o oceanário para saber se já tinham encontrado o pinguim que fugira...

--x--x--x--x--x--x--x--x--x--x--x--x--x--x--x--x--x

MUITO CUIIIDAADDOOOOOOOOO

Não costumo acreditar neste tipo de avisos e muito menos costumo
reencaminhá-los, mas achei que era importante alertar-te, até pela
credibilidade da pessoa de quem recebi o texto,

Tem muito cuidado ao parar nos semáforos onde ficam aqueles malabaristas com
fogo. Enquanto o condutor está a assistir ao show, outro malabarista vem por
trás e atira um cocktail molotov para dentro do carro! O condutor, assustado
e com o carro em chamas, sai a correr desesperado. Nesse momento, surge um
terceiro malabarista, que vem pela direita e atira um chimpanzé domesticado
para dentro do carro, vestindo um fato com isolante térmico. Este chimpanzé,
treinado na cidade do Cairo (Egito) e alimentado com damascos gigantes da
Nova Guiné, rouba o auto-rádio e tudo o que houver dentro do automóvel.
Enquanto isso, dois falcões peruanos de caça fazem vôos rasantes sobre a
cabeça do condutor, distraindo a sua atenção para o que está a acontecer
dentro do carro! Quando o chimpanzé abandona o carro, eles fogem numa
trotinete motorizada verde musgo, fazendo uma pirâmide humana e cantando
"Afinal Havia Outra" da Ágata, rumo a outro semáforo.

O marido da prima da vizinha da cunhada da tia de um amigo meu, passou por
isso, então resolvi dar o alerta.
#1

parece que os gestores dos hospitais SA vão ter (ainda) mais beneficios...
está certo! se andam a poupar num lado - precarizam posto de trabalho, economizam nas fraldas e diminuem a qualidade do material - , teriam de aplicar noutro, ou o dinheiro ainda ganhava mofo.

14.1.04

#2

no site do ps aparece uma janela que promete: em breve, tudo o que precisa saber sobre os 30 anos do ps.
será que também vão falar dos acordos que fizeram com a cia nos anos quentes da revolução, ou essa parte da história soarista não serve (nem serviu) para nada?
#1

santana lopes escreveu um livro sobre a sua intervenção na cultura, que foi publicamnte apresentado com a chancela de agustina bessa luis.
ou terá sido:
agustina bessa luis escreveu um livro para santana lopes, que foi publicamente apresentado com a chancela da cultura.
qualquer uma das hipoteses é assustadora.
no entanto, uma coisa se destaca: parece que o rapaz, que em tempos militou na extrema direita do m.i.r.n., arranjou primeira dama.

13.1.04

#3

uma colecção de spots anti bush a não perder.
#2

o Blitz volta a atacar!
desta vez disponibilizam, a preço decente, o disco dos sloppy Joe, colectivo de vila do conde com alguns anos de estrada, que nunca conseguiu contornar os esquemas do mercado editorial e, por isso, ainda não tinha dado à luz o seu flic flac circus.
Esta banda, auto-situado entre a última e a próxima revolução, traz-nos um som alegre, com traços que vão desde a pop à electrónica, bebendo e fumando influências nos 80's e na música jamaicana.
parece que o jornal vai disponibilizar mais onze grandes discos (um por mês) durante este ano, salvé!

#1

Uma viagem fora do tempo

vinha a pé para o trabalho, a curtir topominia de lisboa. gosto muito de andar a pé.
vi-o passar e não resisti. entrei e vim por aí fora a curtir o sacolejar da cabine de madeira, a fúria da guarda freio - TRIIIIIIIIIIIMMMMMMMMMMMMMMMMMM - alimentada pela falta de civismo dos condutores, cortada pela voz de Dido, vinda de uma telefonia fanhosa. as ruas ganham outras dimensões, a velocidade é vertiginosa na descida, a luz torna-se mais oblíqua. as casas conversam entre si, exibem-se ao senhor amarelo que passa. entrar no electrico deixa-me, invariavelmente, bem disposto. as velhotas a surfar para manter o equilibrio, os putos a irem para a escola, os turistas embasbacados com a metamorfose que os carris proporcionam...
uma viagem fora do tempo, vertigem epidermica, manhã ganha... não há dúvida de que o carro electrico, especialmente o 28, é um dos maiores tesouros desta cidade.

12.1.04

#3

porque, de quando em vez, a poesia nos salva, deixo um poema de António Ramos Rosa, como que a agradecer à Isabel (que julgo não ter um link) pelo presente.

O dia é indiferente à minha construção
Ele continuará a ser o mesmo após a minha morte
Como não existem deuses e Deus se existe é como se não existisse
só me resta o espaço para celebrar o nascimento
dessa figura branca nunca actual mas eminente
de que sinto a brisa da sua boca verde

O mundo não é um berço cálido e seguro
nem uma clara estrada através de uma floresta
Diante de nós ou sobre nós está sempre a sombra irrevogável
que nos impede de pertencermos à plenitude do dia
A nossa vocação é construir e nós construímos na areia do tempo
e em cada dia temos de levantar uma coluna de argila
que o universo ignora e que se desmorona ao fim do dia

O sonho do poema é um movimento entre as árvores
os seus enlaces de água o lume do seu hálito
os ramos de um rio uma nesga azul
e que o mundo respire por por ele como se ele fosse a respiração possível

António Ramos Rosa, Deambulações Oblíquas




#2

Maria Rita... um lugar comum?
não conhecia, estava desconfiado... filha de celebridade cantante não saberá, necessariamente, cantar - aliás, dá-se muita importancia a esse facto
ouvi uma entrevista na Antena 1 (o serviço público a dar cartas) e gostei. ouvi a música e rendi-me. a única coisa de que tive pena foi não ter arranjado bilhetes para o concero.

Encontros e Despedidas
Mande notícias do mundo de lá
Diz quem fica
Me dê um abraço
Venha me apertar
Tô chegando

Coisa que gosto é poder partir
Sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar
Quando quero

Todos os dias é um vai e vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar

É assim, chegar e partir
São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida

A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida ....

É também despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida...

Milton Nascimento / Fernando Brant
#1

Eles andam aí!

um texto sobre a privatização do Serviço Nacional de Saúde, uma cruzada impulsionado pelo ex assessor do grupo mello e actual ministro da saúde, luis filipe pereira.


John Q. no Centro Hospitalar do Alto Minho
Por EDUARDO JORGE MADUREIRA
Público (local/minho), 12 de Janeiro de 2004

John Q. Archibald é um trabalhador esforçado e honesto que ama profundamente a família. Por isso, fica transtornado quando sabe que Michael, o filho, que vai parar ao hospital por causa de um desmaio num jogo de baseball, precisa de realizar urgentemente um transplante de coração. Mas este homem, que é capaz de fazer tudo para salvar a vida do filho, fica a saber que o seguro de saúde, que sempre lhe levou uma boa parte do seu reduzido ordenado, não contempla o que agora precisa. Uma alínea tramada ou outra razão obscura qualquer permite que a seguradora se escape de pagar a operação do filho. E o dinheiro todo que John Q. tem e o que conseguirá juntar vendendo bens e recolhendo o que os colegas lhe derem também para pouco serve.

O desespero vai-se apoderando de John Q., que começa a perceber que o sistema de saúde não é feito para cuidar de gente sem recursos. Alguém lhe explica, com uma argumentação sólida do ponto de vista económico, que um hospital não é um lugar para a prática da caridade, um hospital vende serviços a utentes. Para a direcção do hospital está, portanto, fora de causa oferecer um socorro. Até este momento, tudo é comum nesta história americana. Uma situação destas pode realmente ocorrer a qualquer pessoa com menos dinheiro. Inabitual é o passo que a seguir dá John Q., a personagem que Denzel Washington interpreta no filme "John Q. - Um Acto de Coragem", realizado por Nick Cassavetes e estreado em Portugal em 2002.

Quando verifica que todas as portas de uma solução se fecharam, John Q. resolve trancar mais algumas. Entra no serviço de urgência do hospital, bloqueia os acessos e toma como reféns todos os que ali se encontram, incluindo os que ali estavam à espera de cuidados médicos. Para contracenar com o protagonista e, claro, para fazer subir a adrenalina, chegam depois Robert Duvall, no papel de um veterano polícia especialista em negociações com sequestradores, e Ray Liotta, que interpreta um impaciente chefe de polícia. Há evidentemente situações que só ocorrem nos filmes. Mas a expulsão de um número cada vez maior de pessoas para as margens dos sistemas de saúde não é, em muitos países "civilizados", uma ficção.

Há percursos que se sabe como começam e não se sabe como acabam. Mas há inícios que prenunciam maus fins. É o caso do caminho que o Centro Hospitalar do Alto Minho quer seguir, celebrando protocolos de investimento com companhias de seguros, tendo como contrapartidas condições de atendimento preferenciais para os seus clientes. É através de pequenos passos - como os que se dão quando se preferem uns em detrimento de outros (e preferir uns significa sempre preterir outros) - que avança a discriminação das pessoas. Entra-se por aqui e nada garante que, na história real do serviço nacional de saúde, num episódio mais à frente, não haja não se sabe quantos John's Q. medrosos e incapazes de qualquer outra reacção que não seja ir dar conta do caso à TVI. Num país decente, o Estado não enfia a saúde dos cidadãos em máquinas de fazer dinheiro. É por isso que, ao contrário do que diz o ministro da Saúde, este não é "um caminho" a seguir.

11.1.04

post em memória do poeta Al berto, que faria hoje 56 anos

dizem que a paixão o conheceu , talvez por isso tenha feito a sua vida procurando a paciência o amor o abandono das palavras, o silêncio e a difícil arte da melancolia.
era frequente perder-se na largueza de todos os rios, onde por vezes uma gaivota pousava nas águas: tratava logo de imaginá-la de outras cores, noutros mares, com outras asas que não as do pássaro.
de tanto acenar ao destino, acabou por descobrir que, com um gesto, tudo vem ao chamamento e que
as mãos pressentem a leveza rubra do lume , isto quando ainda mal sabia reconhecer os teus própios erros .
navegou sempre, orientando-se pelas pernas cruzadas da cassiopeia. sempre que lhe sugeriam a mudança do rumo, justificava a persistência sem deslumbramentos, dizendo possuo a doença dos espaços incomensuráveis e os secretos poços dos nómadas...
com ele temos a ideia de que mais nada se move em cima do papel , só a escrita pausada, a respiração metafórica da vontade.
encontrei-o num inverno. era uma dessas noites que assobiam lá fora e ele estava ali, já morto e imortal... chegara sem se anunciar, com um livro roxo debaixo de um braço e uma pose onírica. perguntei-lhe, a medo: Al berto?!!
o homem levantou-se indiferente à revelação da alba, titubeou, tossiu e disse, antes de voltar a partir: A escrita é a minha primeira morada de silêncio .


10.1.04

#2

a notícia de onde retirei os fragmentos abaixo postados parece mentira... mas é pura realidade.
ao ler tudo isto veio-me à cabeça o voluntariato compulsivo de alexandre o'neil

V.C.

Em regime de voluntariato compulsivo
é mais fácil viver: tu acabas por ter
de fazer não o que não queres,
mas o que queres fazer.

(Um país ameaça com voluntários outro.
E os voluntários? estarão eles alistados?)

E assim resolvem para ti (e por ti) a antinomia
prazer-dever.

Em regime de voluntariato compulsivo
é que eu tenho (poque quero!) de viver.
#1

Mais de 150 auxiliares de saúde e administrativos do Hospital de São João (HSJ), no Porto, estão a trabalhar em regime de voluntariado, sem receberem qualquer retribuição, depois de terem sido convidados pela administração a assinar um documento em que aceitam sujeitar-se a estas condições durante um mês com a promessa de um futuro contrato a termo. A administração do HSJ, contesta a versão e argumenta que são os próprios trabalhadores que "propõe o estágio voluntário" e que "nada lhes é prometido".
(...)
Serafim Rebelo, vogal na Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte, (...) não vê nenhuma ilegalidade na situação. "Não se pode proibir a boa vontade das pessoas, nem o facto de elas serem solidárias", advoga Rebelo, ao repetir a versão do hospital.

in jornal Público, 9 de Janeior de 2004

9.1.04

#2

PRECE
há homens e mulheres que merecem a atenção
e o esforço daquilo que tenho de fazer
que a voz de Leonard Cohen me ilumine e inspire.
ufff...
#1

acabo de perder o trabalho de meia manhã, um texto que fui escrevendo e de que não tinha apontamentos...
é irremediável.
tento consolar-me, ganhar coragem para reescrever e acreditar que a vida é feita destes pequenos nadas.

8.1.04

#1


O amor é como um espelho que deforma as imagens.

Don Delillo in Os Nomes

7.1.04

#2

de cada vez que olho para a minha secretária assusto-me com a confusão com que deparo...
#1

fui ver na américa, de Jim Sheridan.
não sendo genial, vale a pena ir ver este filme, onde, através de uma história familiar com pinceladas de drama, nos é contada uma versão irlandesa do sonho americano.
fica o texto do público.


Realizado por Jim Sheridan ("O Meu Pé Esquerdo", "Em Nome do Pai"), a partir de um argumento semi-autobiográfico escrito pelo realizador e pelas duas filhas Naomi e Kirsten Sheridan, "Na América" conta a história de uma família irlandesa em busca do sonho americano. Johnny e Sarah (Paddy Considine e Samantha Morton) chegam a Nova Iorque com as duas filhas pequenas e o seu dia-a-dia torna-se uma luta constante para encontrar emprego, sobreviver e tentar ignorar o sítio horrível em que vivem. Mas enquanto que para eles tudo parece um pesadelo, as pequenas Christy e Ariel (Sarah Bolger e Emma Bolger) olham para a América como um sítio mágico em que tudo pode acontecer.

6.1.04

#4

há lá frases que definem um homem!

«Cozinhar? Só sei abrir a porta do meu frigorífico»

manuel monteiro (cds, pnd e sabe-se lá mais o quê), in dn 06/01/004
#3
pergunta do dia...
que faz um repúblicano laico num dia de reis?
#2
cada vez estou mais convencido de que a minha guerra com o template deste blog será duradoira... ele faz o que lhe dá na bolha, mas eu sou muito teimoso.
#1

mais um texto de rodrigo francisco, repescado no dnj

Os dez maiores monstros da história

Não pá, vou para o trabalho. Na Mercedes, na secção das peças. Vou no terceiro contracto. É pá, não sei. Não sei, estou eu e mais dois, um de nós deve ficar, os outros não sei. E tu? Mas és actor? Pois, também deve ser fixe. Não pá, não costumo ir: eu gosto é de cinema. Vou ali ao Fórum Almada, agora já não é preciso ir a Lisboa, às vezes vamos ao Vasco da Gama, ao fim de semana. Com a minha namorada. Não, esse não vimos. Vimos aquele do Tarantino mas a minha namorada achou que era porrada a mais. Não, esse também não vi. Também não. O livro muito menos. Gosto pá, até gosto: às vezes vou à Fnac e compro qualquer coisa. Literatura também: um pouco de tudo. Olha, o último que trouxe chamava-se Os Dez Maiores Monstros da História. É sobre os gajos que mais merda fizeram ao longo da vida. Olha, por exemplo: o Hitler, um Ivan qualquer coisa, um serial killer americano. (Risos) Não pá, o Bush não vinha (Risos). Mas a sério pá, gostava de ir ver isso, não sei é onde é que fica. Eu sei que não é caro, mas nós vamos mais ao cinema. Ah arranjas?, então vamos. Dá-me o teu número que hoje ligo-te a dizer qualquer coisa. Nove seis é uma óptima escolha; a minha namorada tinha nove três mas eu convenci-a a mudar. Ligo pá, a sério. Olha, saio aqui; um abraço.
(O resto do caminho com a cabeça encostada ao vidro da janela do comboio a pensar na conversa com o meu antigo amigo de infância suburbana que já quase não me reconhecia. A pensar em como nem por um segundo se apercebeu de que o sugava até ao tutano para o transformar em prosa. O resto do caminho com pena dele, quase até às lágrimas, achanado-me um

filho da puta, filho da puta, filho da puta

derivado a esta mania fodida de avaliar a felicidade dos outros).

5.1.04

#2

ao que parece, continuamos a ser um país de grandes amigos... não admira portanto que também se metam algumas cunhas e se façam leis por medida.

"O inspector-geral do Grupo PT, Luís Todo-Bom, é a escolha de Luís Filipe Pereira para o cargo de presidente da comissão de avaliação das propostas dos concorrentes privados para a construção e gestão do Hospital de Loures, apurou o Diário Económico. A informação foi confirmada pelo próprio, que assegura que a principal motivação para aceitar o convite do ministro da Saúde é a «grande e longa amizade» que os une.
Em declarações ao DE, Luís Todo-Bom afirma que nem sequer está a par de todos os contornos da sua nova actividade, que vai acumular com o cargo de inspector-geral na Portugal Telecom. «Confio nos meus amigos, e quando eles precisam eu não fujo», justifica. (...)"

Diário Económico, 31/12/2003
#1

3 semanas para fazer uma constituição... é obra!
os analistas dizem que a nova constituição aprovada ontem pelos afegãos -seguramente que os americanos a terão aprovado primeiro - marca uma profunda ruptura com as leis do deposto regime taliban.
tendo o problema destes rapazes sido, essencialmente, o da interpretação radical da religião mussulmana, que levou - com a complacencia dos que agora os combatem - a todos os excessos conhecidos (e aos desconhecidos), penso que estes princípios não trarão grande novidade ou mesmo segurança... senão vejamos:

- O Afeganistão é uma República Islâmica sendo o islão a sua "religião sagrada";

- Seguidores de outras religiões são livres de realizar cerimónias religiosas de acordo com a lei;

- Nenhuma lei deve ser contrária às crenças e práticas do islão;

- Homens e mulheres têm direitos e deveres iguais perante a lei;

- O Afeganistão terá um sistema presidencial de governo;

- O Presidente é responsável perante a nação e a câmara baixa, ou Wolesi Jirga;

- O Presidente será directamente eleito pelo povo afegão com dois vice-presidentes, que são nomeados candidatos presidenciais durante a campanha eleitoral;

- A Assembleia Nacional consistirá de duas câmaras, a Wolesi Jirga ou "câmara do povo" e a Maeshrano Jirga ou "câmara dos anciãos";

- A Wolesi Jirga será directamente eleita pelo povo afegão;

- A Wolesi Jirga terá autoridade para impugnar ministros;

- O Presidente escolherá os ministros e o governador do Banco Central, com a aprovação da Wolesi Jirga ;

- Os ministros não deverão ter passaportes estrangeiros mas a Wolesi Jirga votará sobre a nomeação de ministros com dupla nacionalidade;

- O antigo rei Mohammad Zahir Shah conservará o título "Pai da Nação" durante a sua vida;

- Pashto e Dari são as línguas oficiais; outras línguas minoritárias serão consideradas oficiais nas áreas em que são faladas.

4.1.04

#3

-um post de hoje (para variar...)-

Não sonhem
(o computador)


não sonhem
piquem o ponto. escrevinhem, trabalhem, labutem, mourejem, esfalfem-se
não sonhem
a electrónica sonhará por vós
não façam amor
o electrcoito fá-lo-á por vós

piquem o ponto. escrevinhem, trabalhem, labutem, mourejem, esfalfem-se
não repousem.
o trabalho repousa por vós.

Jacques Prévert in choses et autres
#2

-outro post de ontem-

por causa da história do sorriso, veio-me à memória algo que escrevi no comboio entre Florença e Nápoles, sobre uma história contada por uma amiga.
cá vai:

Shalon

era tão bela
(mas tão bela!)
que só consegui
dizer-lhe
uma tímida palavra.

André, 02 de Novembro de 2003
#1

-um post de ontem-


por vezes acontece. é raro, mas acontece encontrar, em qualquer lugar - especialmente neste comboio -, uma mulher sozinha que, recostada e embrenhada nos seus pensamentos, sorri.
não é um sorrios qualquer: é de satistfação profunda, de quem abriu a porta de um mistério, pintou uma parede, deu passos num caminho interior há muito abandonado ou esquecido. um sorriso que ilumina a imobilidade, que ofusca o cinzentismo do suburbio e o sol da tarde, que antecipa a primavera. um sorrios que lembra uma paixão e que me faz sentir contente por ela.
por vezes acontece... como é belo o sorriso distraído de uma mulher apaixonada.

2.1.04

#3

última hora!!!
eu não sou de intrigas, mas ouvi dizer, num chat da net, que kofi anan e zinedine zidane também têm os seus nomes inscritos nas famosas cartas anónimas.
também se falava de um velho vestido de branco, de sotaque polaco arrastado, mas a santa sé já desmentiu.
#2

já agora, para que se clarifiquem posições (outra expressão dubia...):

cabala: interpretação alegórica do velho testamento, entre os antigos judeus; espécie de ocultismo; [fig] maquinação; intriga; conluio (do hebreu qabbalah, «tradição», referindo-se à tradição esotérica, pelo fr cabale «intriga»).

in Dicionário da Língua Portuguesa, 8º edição, porto editora, 1998
#1

hoje adelino granja veio atacar uma das duas intituições nacionais que ainda estava longe da pedofilia: a direita.
depois das declarações que toda a gente anda a dar a esse orgão oficial do segredo de justiça chamada correio da manhã, começo mesmo a achar que existe uma cabala.
até agora não acreditava muito, sempre achei normal que os gajos esquisitos estivessem todos juntos nesse loby massónico que se chama ps, mas agora já não digo nada...
ou melhor, até digo: se não fosse a madeira estar livre desta praga o que seria da nossa patria bem amada e mal parida?

1.1.04

#1

aqui estamos comandante...

passam dez anos do aparecimento público do Exercíto Zapatista de Libertação Nacional, em chiapas, méxico. depois de uma década, a luta segue e continua mais do que actual.

"(...) Esse é o problema: a mundialização quis juntar peças que não encaixam. Por esta razão, e por outras que não posso desenvolver neste texto, é que é necessário edificar um mundo novo; um mundo que possa conter muitos mundos, que possa conter todos os mundos."

subcomandante Marcos in a 4ª guerra mundial já começou