31.8.03

#3

O concerto do Kepa Junkera na Fábrica da Pólvora, Barcarena, foi realmente explosivo!
#2

Não pude deixar de ver Ken Park.
Ao contrário do que alguma crítica alvitra, penso que esta não é uma fita vazia e (tão só) voyeuer, mas sim mais um forte contributo para a compreensão desse fenómeno paranormal que é a sociedade americana, onde a adolescência e a própria mente humana acabam por estar na berlinda.
Pode existir uma qualquer sensação de déja vu - muito se fala do American Beauty de Sam Mendes, a mim lembra-me y tu madre tambien de Alfonso Cuarón -, mas prevalece o ponto de vista de Larry Clark. A questão da pornografia, num tempo em que a pedofilia é o credo na boca de muita gente, acaba por se revelar uma falsa questão... as imagens de sexo, presentes em tantos outros filmes, são enquadradas no argumento, e ajudam a responder àquela que, presumo, seja a intenção do filme, perguntar a qualquer um ou a qualquer uma: hei, quem és tu?
#1

"I Have a Dream..."

"Cem anos depois [da proclamação de emancipação dos escravos americanos], a vida de um negro ainda está tristemente subjugada às algemas da segregação e às correntes da discriminação. Cem anos depois, um negro vive numa solitária ilha de pobreza no meio de um vasto oceano de properidade material. Cem anos depois, um negro ainda definha nos cantos da sociedade americana e é um exilado na sua própria terra."

"Devemos sempre conduzir a nossa luta no elevado plano da dignidade e da disciplina. Não devemos permitir que o nosso protesto criativo degenere em violência. Repetidamente devemos ascender às majestosas alturas de confrontar a força física com a força espiritual."

"Não podemos estar satisfeitos enquanto os nossos corpos, pesados com o cansaço de uma viagem, não possam ter abrigo nos móteis das autoestradas nem no hóteis das cidades. Não podemos estar satisfeitos enquanto a mobilidade de um negro seja de um gueto pequeno para um maior. Não podemos estar satisfeitos enquanto um negro no Mississipi não pode votar e um negro em Nova Iorque acredita que não tem motivos para votar."

"Tenho um sonho de que um dia esta nação irá erguer-se e cumprir o verdadeiro sentido do seu mote: 'Consideramos estas verdades auto-evidentes: que todos os homens são criados iguais' [citação da declaração de independência dos EUA]. Tenho um sonho de que um dia nas colinas vermelhas da Georgia os filhos de antigos escravos e os filhos de antigos esclavagistas poderão sentar-se juntos a uma mesa de fraternidade."

"Tenho um sonho de que os meus quatro filhos poderão um dia viver numa nação onde serão julgados não pela cor da sua pele mas pelo conteúdo do seu carácter."

"Quando deixarmos a liberdade soar, quando a deixarmos soar em cada aldeia e cada povoado, em cada estado e cada cidade, seremos capazes de adiantar o dia em que todos os filhos de Deus, negros e brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, serão capazes de juntar mãos e cantar as palavras do antigo espiritual negro, 'Finalmente livres! Finalmente livres! Obrigado Deus todo-poderoso, somos finalmente livres!'"

Martin Luther King Jr

in Jornal Público, Quinta-feira, 28 de Agosto de 2003, 40 anos depois da Marcha Cívica

30.8.03

Armário de Especiarias e Ervas Aromáticas

Cerofólio, manjerona
malagueta, benjoim
noz moscada, cardomomo
salsa, sândalo, alecrim

erva doce, piripiri
cravinho, canela em pau
gengibre, menta, tomilho
pimpinela, colorau

zimbro, funcho, açafrão
oregãos, coentros, caril
azedas, louro, estragão

Jorge de Sousa Braga, in O Poeta Nu

26.8.03

Coisas deste mundo...
1- Nasceu a Maria, uma estrelinha sobre o mar, um sol para a Sónia e o Zé.
2- Marte anda aí... e não ataca!

23.8.03

De eléctrico

(Num carro para Campolide. Dia Sexual)

Uma mulher de carne azul,
semeadora de luas e de transes,
atravessou o vidro
e veio, voadora,
sentar-se no meu colo
na nudez reclinada
dum desdém de espelhos.

(Mas que bom! ninguém suspeita
que levo uma mulher nua nos joelhos.)

José Gomes Ferreira
Como num poema de Otávio Paz

Fogem de mim
silêncios.
Nas tuas mãos
prudentes
a tinta indelével
com que escrevo
um código desconhecido,
a catarse do tempo.
Palavras soltas
que dizem,
em traços ligeiros,
a inquietação.


André

20.8.03

#4

(...)
baby
o que mais importa
a poesia está morta
mas juro qua não fui eu
tudo à minha volta são reclames
desejos
vãos
e sóis
tudo à minha volta são reclames
desejos
vãos
e só
(...)

Zeca Baleiro, in Mundo dos Negócios
#3

sobre o que se passou no Iraque, lá diz o povo que quem semeia ventos colhe tempestades...

19.8.03

#2

NÃO

Não formar nenhuma ideia
do que somos ou seremos
mas entre as vozes que fogem
precisar o que dizemos.
Dormir sonos ante-céus
abismos que são infernos.
Dormir em paz. Dormir paz,
enfim a nota segura.
Lembrar pessoas e dias
que penetram no espaço
de eventos primaveris.
E dar as mãos aos espectros
beijá-los lendas, perfis.
Amar a sombra, a penumbra
correr janelas e véus.
Saber que nada é verdade.
Dizer amor ao deserto
abraçar quem nos ignora
dormir com quem não nos vê
mas precisar do calor
de quem nunca nos encontra.

Natércia Freire, in Antologia Poética
#1


LISBOA INFESTA

OS ABAIXO-ASSINADOS SÃO CONTRA O SOM QUE É IMPOSTO PELA CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA A PARTIR DOS MAIS DE 100 ALTIFALANTES QUE ‘ORELHAM’ OS CANDEEIROS DA BAIXA LISBOETA DURANTE DOZE HORAS DO DIA.

Gostamos dos sons próprios de cada rua, de cada esquina e de cada momento.
Os abaixo-assinados são contra o ensombramento destes sons pela massa sonora contínua que escorre pelos altifalantes sobrepondo-se às conversas das pessoas na rua.

Porque gostamos da diferenciação dos usos que em cada espaço se vão gerando, não queremos a unificação do som, desta forma imposta, que tende a gerar a uniformização dos comportamentos retirando aos lugares e às pessoas a memória e o sabor da diferença.

Em consciência dos nossos direitos, sentimos a presença dos altifalantes como uma intervenção prepotente no espaço público.

NÃO QUEREMOS UMA CIDADE INSÍPIDA REDUZIDA A UM IMENSO ESPAÇO DE CONSUMO.
OS ABAIXO-ASSINADOS EXIGEM QUE OS ALTIFALANTES SEJAM DE IMEDIATO REMOVIDOS.


18.8.03

a história de Magiolo Gonçalves enoja-me... um desertor das ex-colónias reciclado em heroi anticomuna que tinha medalhinhas de fátima e rezava pais nossos por timor e pelo PS... lá dizia o Sérgio Godinho que o heroi é aquele que foge para a frente!
esta orgia de mitos é a parábola quase perfeita da democracia que se instalou neste país após o 25 de Novembro de 1975; só lá faltou o cónego de melo a rezar a missa ou alberto joão a anunciar o nome do dito cujo para uma rua, um aeroporto ou um programa humanitário.

17.8.03

olá. encontrei a nova que se segue, deixo o alerta e espero que sirva a alguém.

Domingo, 17 Agosto, pelas 19h, vai acontecer uma vigília no alto do
Parque Eduardo VII, junto aos jacarandás que vão ser abatidos para o início
das obras de construção de um túnel no Marquês de Pombal. A Câmara
Municipal já se pronunciou hoje em termos vergonhosos contra esta acção
convocada por um grupo de cidadãos.
A vossa (nossa) presença seria útil!


16.8.03

mar, sol, areia e conchas... uma fuga à rotina não faz mal a ninguém.

14.8.03

quero o silêncio do arco-irís
quero a alquímia das estações
quero as vogais todas abertas
quero ver partir os barcos
prenhos de interrogações
(...)

Jorge Palma in tempo dos assassinos

12.8.03

sobre o seu blogue, a teresa diz:Este blogue é absolutamente desnecessário
pela simples razão de que poderia nunca ser escrito e ninguém sentiria a sua falta
.
Permitam-me discordar: apesar de parecerem um exercício umbiguista, alguns blogues também nos permitem sentir falta d@s outr@s de uma forma muito peculiar... são como que pequenas pegadas na areia dos dias.



11.8.03

soubesse explicar esta lua enorme e alaranjada que nos encima
e não teria a boca seca, incendiada de dúvida e desejo

7.8.03

#3

estou apaixonado pela Carla Bruni! não pelas suas medidas de top model ou pela sua cara bonita - que só conheci agora - mas pela voz, pela harmonia musical e pela sua poesia sublime...
uma lufada de ar fresco num verão escaldante!
#2

(...)
quando sei qui con me
questa stanza non ha più pareti
ma alberi, alberi infiniti
e tu sei vicino a me
questo soffito, viola, no
non esiste più, e vedo el cielo sopra a noi
che restiamo qui, abbandonati come se
non ci fosse più niente più niente al mondo
suona l'harmonica, ma sembra un organo
che canta per te e per me
su nell' immensità dell cielo
e per te e per me

Carla Bruni, in Le ciel dans ma chambre
# 1
tá tanto calor que até as ideias se colam!

2.8.03

uns dias fora das redes do dia a dia, e não fico cansado de me espantar com as coisas raras que acontecem...
a que mais nauseou foi a história - que mais parece uma estória de mau gosto-, do navio chileno onde foram torturad@s centenas de homens e mulheres durante os anos de Pinochet. O dito navio, depois de ter vista a sua entrada recusada em alguns portos europeus, acabou por aportar em Ponta Delgada... temos um pais sem memória nenhuma e com muito pouca auto estima!
amnistia internacional entrou em acção, a denuncia foi feita para @s pouc@s que a quiseram ouvir.
depois da malfadada cimeira das Lajes, os Açores, terra maravilhosa e de tão boa gente, voltam a servir de abrigo para sombras negras deste mundo em que vivemos.