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6.1.17

#1 [o último de 2016]

Que foi também o primeiro de 2017.
A Queda dos Gigantes, o primeiro tomo da trilogia do Século XX de Ken Follet.
Este volume toca os primeiros 25 anos do século, partindo das causas que conduziram à grande guerra, aborda o conflito e o que dele ficou, lançando sementes para o que aí vem (na história e nos próximos dois volumes).
São cerca de 900 páginas de escrita leve e um pouco previsível, que passa ao lado de acontecimentos importantes - a fim do império Otomano, outro gigante, a participação de Itália ou, numa escala muito menor mas não menos relevante, de Portugal, ou as consequências da gripe espanhola...
Apesar desta constatação e de alguma irritação que a tradução me causou, as tramas da estória e a leitura que Follet faz da história foram suficientes para dissipar o meu cepticismo inicial.  
 

10.12.16

#1 [as leis da fronteira]

No verão de 1978, com Espanha a sair ainda do franquismo e sem ter entrado definitivamente na democracia, quando as fronteiras sociais e morais parecem mais porosas do que nunca, um adolescente chamado Ignacio Cañas conhece por acaso Zarco e Tere, dois delinquentes da sua idade, e esse encontro mudará para sempre a sua vida.

Um Livro de Javier Cercas

23.10.16

#1 [Divodignos]

A vantagem de romances históricos de qualidade é recordar coisas que quase não se estudaram na escola, despertando a curiosidade para aprender muito mais.
Com as palavras de Sérgio Luís de Carvalho, no seu "O Exílio do Último Liberal", fui transportado para as guerras liberais portuguesas e para o ambiente de Londres que, por esses anos, veio a inspirar muitos dos escritos de Marx.E conheci a história dos Divodignos.

23.9.16

#1 [ser dono da verdade]



“Tentei dissuadir o senhor Ulme de falar com a Beatriz daquela maneira cínica que ele usa para descrever o mundo há sua volta.
- O cavalheiro não aprecia a verdade?
- O senhor não é dono da verdade.
- Felizmente que não. Ainda bem que não sou dono da verdade, que não tenho tempo de lhe dar comida e levá-la a passear no jardim e apanhar-lhe o cocó com um saco de plástico.
- A Beatriz é uma criança e o senhor vai acabar por magoá-la.
- Como o cavalheiro fez com ela?
- Eu não…”

Afonso Cruz, in Flores

17.9.16

#1 [da antropologia...]

"I have always felt that the action most worth watching is not at the center of things but where edges meet. I like shorelines, weather fronts, international borders. There are interesting frictions and incongruities in these places, and often, if you stand at the point of tangency, you can see both sides better than if you were in the middle of either one. This is especially true, I think, when the apposition is cultural. (...)"

Anne Fadiman
The Spirit Catches You and You Fall Down: A Hmong Child, Her American Doctors, and the Collision of Two Cultures  (pp 7)

14.9.16

#1 [como numa jangada de pedra à deriva]

Uma foto publicada por André Beja (@metrografista) a

"Fevereiro de 2008, Barcelona

Sonho com o que ela escreve. Fui buscar um conto dela a um livro e sonho-a a escrever. Ela contaminou-me tanto que já consigo sonhar com o que ela sonha.
Escrevo-o eu.
Não sei quando deixei de ser humano e passei a ser este monstro.
Se ela fosse eu, teria escrito isto.
Transmutamo-nos tão intensa e visceralmente que já não consigo distinguir-nos.
É por isso que a odeio. E a amo ainda mais."

Raquel Freire in Transiberic Love

1.9.16

#3 [Némirovsky, Irène]

O Senhor das Almas confirmou-me o que Suite Francesa, obra inacabada e (também por isso) muito badalada, deixara antever: uma escritora prodigiosa, que soube captar e transmitir as particularidades do seu tempo e o que nele havia de intemporal.

#2 [ontem como hoje]



Dois cães à porta lambiam os beiços e pingavam a calçada de baba, coitados, que o cheiro a carne e a molho atazanava-lhes os corpos magros. Olhavam a taberna tal e qual como os refugiados que aguardavam à porta da Polícia de Estrangeiros a renovação dos vistos de estadia e os bilhetes nos navios para Nova Iorque, que aquilo era tudo o mesmo olhar, o mesmo cansaço e ansiedade, a mesma esperança no destino, o mesmo desatino e um amanhã igual a anteontem. Até aquela espera do lado de fora, sempre do lado de fora, era a mesma, como se o ausente deus dos homens e dos bichos fosse também o mesmo.

Sérgio Luís de Carvalho in "Uma Terra Prometida (contos sobre refugiados)"

11.8.16

#1 [onde mora a felicidade]

"Ao completar quarenta anos, Madame Wu leva a cabo a decisão que tem planeado há já algum tempo: comunica ao marido que após vinte e quatro anos de casamento não deseja ter mais contacto físico com ele e pede-lhe que tome uma segunda esposa. A Casa de Wu, uma das mais antigas e reverenciadas da China é tomada de surpresa e indigna-se com esta decisão, mas Madame Wu não se deixa dissuadir e escolhe uma jovem camponesa para tomar a sua vez no leito conjugal. Elegante e distante, Madame Wu planeia esta alteração na sua vida da mesma forma como sempre geriu uma casa onde co-habitam mais de sessenta familiares e criados. Sozinha nos seus aposentos, aprecia a sua liberdade e finalmente tem a possibilidade de ler os livros que lhe estavam vedados. Quando o seu filho inicia lições de inglês, percebe que também gostava de aprender esta língua e em breve está também a aprender com o Irmão André, um padre progressista que irá alterar a sua vida."

Mais informação aqui




9.7.16

#2 [Camilla Läckberg]

O nome de Camilla Lackberg é demasiadas vezes associado ao de Stieg Larsson.
Ambos escritores, ambos suecos, caíram nas bocas do mundo na mesma época. Ele primeiro, ao tempo da sua morte, ela um pouco mais tarde, beneficiando do impulso que Larsson deu ao romance policial sueco.
Depois de alguns anos a resistir, li o primeiro livro de Lackberg, A Princesa de Gelo. As comparações são sempre más e não me entusiasmaram. 
E confesso que, mesmo desconfiado, esperava mais de alguém que ganhou o prémio de escritora do ano de 2004 e 2005 e tem uma carreira de sucesso... Apesar de algumas fragilidades, a trama está bem montada, mas a narrativa é pueril, pouco arrebatadora.
Talvez volte a pegar num dos seus livros. esperando que a maturidade e a experiência lhe tenham permitido evoluir para uma escrita mais convincente, mas estou certo que irá demorar tempo até voltar a ter coragem.
 

21.5.16

#1 [Vladimir Tostoff, compositor imaginário]



Impelido pelo filme, 12 anos depois regressei a O Grande Gatsby. 
É, de facto, um livro extraordinário.

10.5.16

#1 [...]

"Esta é a história de uma amizade que começa em 1987, quando o narrador, um jovem aspirante a romancista, parte para uma universidade do Midwest norte-americano e conhece Rodney Falk, um veterano do Vietname, intratável, ferozmente lúcido e corroído pelo seu passado (...)"

sobre A Velocidade da Luz, de Javier Cercas

26.4.16

#1 [...]

220
...................284
Não sei por que razão os números estavam assim desalinhados.

Yoko Ogawa
in A Magia dos Números

4.4.16

#1 [uma saída que, por vezes, parece não existir]

A literatura contemporânea japonesa não é só Murakami, já o sabia. Aqui está uma boa alternativa ao eterno candidato a nobel. 
Há quem fale de um cruzamento entre Thelma e Louise e Crime e Castigo. Não sei se não será uma comparação demasiado redutora, mas, ao longo de 530 páginas, Kirino conta-nos uma história intensa e negra com tópicos que que também encontramos nas obras apontadas: a condição (e libertação) da mulher, o tradicionalismo de uma sociedade e o sub mundo que com ela se move.

22.3.16

#[o bom inverno]

Uma foto publicada por André Beja (@metrografista) a

2.3.16

#1 [desencontros...]



"Nesse mesmo instante, a quinhentos quilómetros dali, Vera também falava no seu nome, escolhendo com prudência as palavras com que o desenhava diante das amigas. Mas, embora o seu discurso fosse outro, pensava na calma dele, nos seus olhos bondosos e como seria bom se ele fosse outro e ela fosse outra para caberem os dois na mesma cidade."

Possidónio Cachapa
In Rio da Glória

2.2.16

#[O Pianista]

https://filmescultuados.files.wordpress.com/2013/06/pianist-2.jpg
Cena do filme O Pianista
 
A 27 de Janeiro assinalou-se mais um aniversário da libertação dos campos de concentração de Auschwitz e Birkenau, na Polónia.Tempo de ler O Pianista. Escrito na primeira pessoa, o autor deste livro extraordinário (o pianista polaco Władysław Szpilman) relata a sua vida durante a ocupação de Varsóvia e como sobreviveu ao Gueto e ao extermínio dos judeus. 
Polanski dirigiu a adaptação deste livro ao cinema. Vi-o no velho cinema Ávila um dia depois de ter sido galardoado com 3 Oscars. 
Talvez seja tempo de o rever agora que, passados 71 anos, os sinais de alarme voltam a soar. O confisco de bens aos refugiados da África e da Ásia ocidental que, por estes dias, foi aprovado na Dinamarca e está a ser equacionado noutros pontos da Europa, reacende a centelha do ódio e da intolerância que alimentou a barbárie.