15.1.18
31.12.17
#1 [a fechar o ano, a Austrália]
A curiosidade,
primeiro, e a teimosia, depois, agarram-me às páginas de Na Terra dos Cangurus,
uma longa viagem pela Austrália do final dos anos 90, guiada pela mão e pelos
olhos de Bill Bryson.
Ao longo de quase 400
páginas, Bryson – um jornalista americano com tiques britânicos e fama de especialista
instantâneo em quase tudo - apresenta-nos pequenas curiosidades, estatísticas e
pormenores quotidianos do “país continente” dos antípodas.
Cheguei ao fim cansado
do livro, mas com vontade…
27.12.17
#1 [dançar é sempre boa ideia]
"Vocês devia fazer outras coisas. Devia dançar. Dançar faz bem para a cabeça"
Rubem Fonseca, Agosto
Rubem Fonseca, Agosto
22.12.17
#1 [Poder ao Povo – a esquerda italiana (de novo) em movimento]
No passado dia 17 de dezembro
foi apresentada em Roma a plataforma Potere al Popolo, que agrega
sectores da esquerda social e política que não se revêem nas duas vias
da social democracia em presença.
Um texto e uma tradução que fiz para o esquerda.net
2.12.17
#1 [O Fim da História ]
Ao contrário de Fukuyama, neste fim da história Sepúlveda
não nos vende o fim das ideologias nem uma vitória do bem sobre o mal. Explora,
aliás, as contradições que esse final, que tantos iludiu, trazia em si.
Aqui, neste fim de história, voltamos a encontrar Belmonte,
o tal que tem nome de toureiro, mais velho mas, como ele próprio conclui, com o
faro bem apurado. A poesia e os velhos laços não perdem validade.
24.11.17
#1 [Voltar onde nos sentimos bem: Luís Sepúlveda]
Reli, com gosto, a história, a história de Juan Belmonte, personagem
de fino humor que, dizem-lhe frequentemente, tem nome de toureiro. Como da
primeira vez, não deixei de me surpreender com a narrativa do exilio e da
transição entre um mundo com dois pólos para este, sem jeito nenhum, em que
agora vivemos.
10.11.17
#1 [O Homem que Perseguia a sua Sombra]
O quinto livro da serie millenium confirma as debilidades que o quarto já evidenciava.
Falta-lhe suspense, aventura e substrato. E também lhe falta Lizbeth Salander, que perde força e protagonismo no enredo.
Seria mais correcto se se chamasse " O homem perseguido pela sombra", título ideal para descrever a forma como a memória de Stieg Larsson é espremida por quem decidiu fazer da sua obra uma fonte de rendimento inesgotável.
Falta-lhe suspense, aventura e substrato. E também lhe falta Lizbeth Salander, que perde força e protagonismo no enredo.
Seria mais correcto se se chamasse " O homem perseguido pela sombra", título ideal para descrever a forma como a memória de Stieg Larsson é espremida por quem decidiu fazer da sua obra uma fonte de rendimento inesgotável.
2.11.17
#1 [um livro inesperado]
"(...) o "herói" deste livro é uma figura inesquecível,
Nick Corey, um xerife psicopata, cuja acção se
desenvolve no meio da maior corrupção e dos mais
odiosos crimes, aos quais o nosso xerife não é de
forma alguma alheio."
29.10.17
#1 [Ferrante, IV]
Para mim, a história da segunda metade do século XX
italiano, das mobilizações e das contradições de m dos laboratórios políticos
mais intensos e apaixonantes que pode existir, tinha duas referências incontornáveis, Il
faciocomunista, que inspirou o filme “O meu irmão é filho único” e “A
melhor juventude”. Nas mais de 1600 páginas da tetralogia de Nápoles de Elena
Ferrante encontrei um terceiro pilar.
20.10.17
#1 [Ferrante, tomo 3]
Elena e Lila, as duas amigas que os leitores já conhecem de A Amiga Genial e História do Novo Nome, tornaram-se mulheres. E isso aconteceu muito depressa.
Navegam agora ao ritmo agitado a que Elena Ferrante nos habituou, no mar alto dos anos 70, num cenário de esperança e incerteza, tensões e desafios até então impensáveis, unidas sempre com um vínculo fortíssimo, ambivalente, umas vezes subterrâneo, outras visível, com episódios violentos e reencontros que abrem perspetivas inesperadas.
Navegam agora ao ritmo agitado a que Elena Ferrante nos habituou, no mar alto dos anos 70, num cenário de esperança e incerteza, tensões e desafios até então impensáveis, unidas sempre com um vínculo fortíssimo, ambivalente, umas vezes subterrâneo, outras visível, com episódios violentos e reencontros que abrem perspetivas inesperadas.
2.10.17
#1 [quando a ficção se aproxima da realidade...]
“Mas porque é que foste”, Perguntou a minha mãe, “se sabias
que ficarias transtornado desta maneira?” ”Fui porque todos os dias faço a mim
próprio a mesma pergunta: Como pode uma coisa destas estar a acontecer na
América? Como podem pessoas destas governar o nosso país? Se não tivesse visto
com os meus próprios olhos, pensaria que estava a ter alucinações.”
Philip Roth in
A Conspiração Contra a América
25.8.17
#2 [Policiais, a melhor forma de desenferrujar a leitura]
Um grupo de caçadores mata um urso nos bosques perto de Kiruna. Quando
abrem a barriga do animal, encontram restos humanos entre as vísceras.
Uns meses mais tarde, encontram uma mulher assassinada em sua casa.
Agrediram-na brutalmente com uma forquilha e Marcus, o neto de sete anos
desapareceu. Rebecka Martinsson, que no princípio foi destacada para a
investigação é retirada do caso.
Mas há poucas coisas que causem mais indignação que a violência contra uma criança, e Rebecka fica obcecada com o desaparecimento do menino. Por sua conta e risco começa a indagar o assassino da mulher: a morte parece perseguir esta família, e Rebecka não está disposta a permitir que o seu último membro tenha o mesmo destino.
Sacrifício a Moloc, de Asa Larsson
Mas há poucas coisas que causem mais indignação que a violência contra uma criança, e Rebecka fica obcecada com o desaparecimento do menino. Por sua conta e risco começa a indagar o assassino da mulher: a morte parece perseguir esta família, e Rebecka não está disposta a permitir que o seu último membro tenha o mesmo destino.
Sacrifício a Moloc, de Asa Larsson
7.8.17
#1 [diz que é uma espécie de dialética]
“O Camarada K.N. M Pillai nunca contestou Chacko
abertamente. Sempre que se referia a ele nos seus discursos, tinha o cuidado de
o despir de quaisquer atributos humanos e de o apresentar antes como uma
entidade abstracta inserida num esquema mais vasto. Uma construção teórica. Um
peão na monstruosa conspiração burguesa para subverter a Revolução. Nunca se
lhe referia pelo nome mas sempre como «a Gerência». Como se Chacko fosse muitas
pessoas. Além de ser o procedimento tacticamente correcto, esta disjunção entre
o homem e o cargo ajudava o Camarada Pillai a manter a consciência limpa acerca
dos seus negócios privados com Chacko. O seu contrato para imprimir os rótulos
da Pickles Paraíso constituía uma fonte de rendimento da qual não podia
prescindir. Dizia-se que Chacko-o –Cliente e Chacko-o-Gerente eram duas pessoas
diferentes. Distintas, claro, de Chacko-o-Camarada.”
Arundhati Roy in O
Deus das Pequenas Coisas
13.7.17
#1 [anatomia dos policiais suecos]
Li Aurora Boreal, de Asa Larson. Não sendo um volume incontornável do género policial, a história apresenta-se bem construída e contada.
Durante a leitura dei comigo a tropeçar num conjunto de elementos que já tinha encontrado na obra de Stieg Larson e Camilla Lackberg:
- a temática da religião
- a violência de género
- a pedofilia
- a força das personagens femininas
- a agressividade da imprensa de escândalos
- as constantes referências a marcas (fico sempre com a dúvida se não será publicidade paga...)
Será este um conjunto de elementos distintivos e muito ligados à cultura sueca ou trata-se apenas de uma tentativa de imitar a formula vencedora da trilogia milleniun?
Durante a leitura dei comigo a tropeçar num conjunto de elementos que já tinha encontrado na obra de Stieg Larson e Camilla Lackberg:
- a temática da religião
- a violência de género
- a pedofilia
- a força das personagens femininas
- a agressividade da imprensa de escândalos
- as constantes referências a marcas (fico sempre com a dúvida se não será publicidade paga...)
Será este um conjunto de elementos distintivos e muito ligados à cultura sueca ou trata-se apenas de uma tentativa de imitar a formula vencedora da trilogia milleniun?
6.7.17
#1 [das perguntas e das respostas]
Tudo no mundo está dando respostas, o que demora é o tempo das perguntas.
José Saramago In Memorial do Convento
José Saramago In Memorial do Convento
22.5.17
#1 [O elogio da transgressão]
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| Um Sábado Qualquer, Carlos Ruas |
Etiquetas:
Carlos Ruas,
Livros 2017,
O Evangelho Segundo Jesus Cristo,
Saramago
23.4.17
#1 [do bestiário de Cardoso Pires]
"Caguei para a enciclopédia, diz o Corvo. E para comprovar alça a cauda e, zás, despede um esguicho de caca esbranquiçada. Caca esbranquiçada numa criatura tão negra é que ninguém esperava"
José Cardoso Pires
in A República dos Corvos
José Cardoso Pires
in A República dos Corvos
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