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| Um Sábado Qualquer, Carlos Ruas |
22.5.17
#1 [O elogio da transgressão]
Etiquetas:
Carlos Ruas,
Livros 2017,
O Evangelho Segundo Jesus Cristo,
Saramago
23.4.17
#1 [do bestiário de Cardoso Pires]
"Caguei para a enciclopédia, diz o Corvo. E para comprovar alça a cauda e, zás, despede um esguicho de caca esbranquiçada. Caca esbranquiçada numa criatura tão negra é que ninguém esperava"
José Cardoso Pires
in A República dos Corvos
José Cardoso Pires
in A República dos Corvos
12.4.17
#1 [matinal]
Poderíamos construir outro corpo a partir
Do pensamento com imagens e emoções de
Menor engano. Inscrever na química que
Nos vai lembrando memórias de um corpo
Onde não estejamos biologicamente tanto.
Lembrar à fantasia que tudo o que não sou
É eu. Salpicá-lo de respiração conjunta com
As árvores. Pedir ao mito que os livros não
Se enredem nas silvas por destino. Saber que
Luar é este que vem de fora, ir procurando.
Desenhar, porque não?, o seu centro num
Ponto que pronto se desloca. Poderíamos.
Maria Gabriela Llansol in
O Começo de Um Livro É Precioso
Do pensamento com imagens e emoções de
Menor engano. Inscrever na química que
Nos vai lembrando memórias de um corpo
Onde não estejamos biologicamente tanto.
Lembrar à fantasia que tudo o que não sou
É eu. Salpicá-lo de respiração conjunta com
As árvores. Pedir ao mito que os livros não
Se enredem nas silvas por destino. Saber que
Luar é este que vem de fora, ir procurando.
Desenhar, porque não?, o seu centro num
Ponto que pronto se desloca. Poderíamos.
Maria Gabriela Llansol in
O Começo de Um Livro É Precioso
7.4.17
#2 [Ferrante, II]
Há momentos em que recorremos a palavras insensatas e fazemos exigências para esconder sentimentos lineares.
Elena Ferrante In História do Novo Nome
Elena Ferrante In História do Novo Nome
#1 [guerra fria]
O último tomo da trilogia do século, de Ken Follet, é dedicado à Guerra Fria.
Não deve ser fácil condensar 50 anos de história em 900 páginas de romance, passado em 3 planos distintos. Ainda assim, não se compreende que não se fale de temas incontornáveis deste período, como Chernobyl, Afeganistão, conquista espacial, disputas e ingerências na América do sul ou dos jogos olímpicos....
Não deve ser fácil condensar 50 anos de história em 900 páginas de romance, passado em 3 planos distintos. Ainda assim, não se compreende que não se fale de temas incontornáveis deste período, como Chernobyl, Afeganistão, conquista espacial, disputas e ingerências na América do sul ou dos jogos olímpicos....
26.3.17
#2 [...]
O ritmo alucinante da prosa e a intensa loquacidade das personagens
(muitas das quais não estranharíamos ver num filme de Almodóvar) podem
sugerir uma ligeireza que é só aparente. Por trás da farsa, está a
realidade em todo o seu esplendor, em toda a sua miséria. E Mendoza não
se coíbe de nos mostrar o estado do mundo.
José Mário Silva sobre O segredo da Modelo Perdida de Eduardo Mendoza
José Mário Silva sobre O segredo da Modelo Perdida de Eduardo Mendoza
5.3.17
27.2.17
#1 [triologia do século]
Na noite de 27 de Fevereiro de 1933, faz hoje 84 anos, o partido Nazi incendiou o Reishtag, acusando os comunistas do sucedido e dando início à sua perseguição. É neste ponto que começa o segundo volume da trilogia do século de Ken Follet, que atravessa as décadas mais negras da história da europa no séc. XX.
Tal como no primeiro volume, o estilo e a trama têm um registo soft e a abordagem histórica apresentada fragilidades e parcialidade, mas a viagem não deixa de ser impressionante.
24.2.17
#1 [que orgulho ter-te visto passar por mim como quem voa...]
Um abraço à Analice
Sem medos percorreste o duro asfalto
Sem medos percorreste o duro asfalto
Em léguas infinitas, decidida;
Por lama, pedra, areia desmedida…
Muito passaste tu, sem sobressalto.
A íngreme ladeira, o planalto,
A vista deslumbrante aparecida,
O respirar, o exaltar a vida,
O domínio do Mundo, lá do alto.
Cá em baixo, porém, o que se via
É que a tua irradiante simpatia
Criou milhares de amigos no pelotão
Nunca faltou quem, a correr te visse
E te gritasse “Força, ANALICE”
E te passasse a ter no coração.
Fernando Andrade, aka Cidadão de Corrida
Fevereiro de 2017
20.2.17
#1 [Hidden Figures]
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| Katherine G. Johnson e Taraji P. Henson, que interpreta o papel de K no filme Hidden Figures |
Faz hoje 55 anos que John Glenn se tornou no primeiro Americano a fazer a órbita da Terra. Parte do seu sucesso é devido a Katherine G. Johnson e às suas geniais colegas do West Computing group que, apesar das barreiras que a política segregacionista lhes impunha, mostraram ser as melhores entre as melhores.
14.2.17
#1 [si non è vero è ben trovato]
"Fiquei a pensar nisso.
O obscuro talento do volfrâmio."
Robert Wilson in
Último acto em Lisboa
O obscuro talento do volfrâmio."
Robert Wilson in
Último acto em Lisboa
7.2.17
#1 [it's all about...]
Politics is omnipresent. For this reason, understanding the politics of the policy process is arguably as important as understanding how medicine improves health.
Kent Buse, Nicholas Mays and Gill Walt
Making Health Policy
6.2.17
#1 [sambinha bom]
(...)
Quando o samba começava, você era a mais brilhante
E se a gente se cansava, você só seguia adiante
Hoje a gente anda distante do calor do seu gingado
Você só dá chá dançante onde eu não sou convidado
(...)
Quem te viu, Quem te vê
Chico Buarque
Quando o samba começava, você era a mais brilhante
E se a gente se cansava, você só seguia adiante
Hoje a gente anda distante do calor do seu gingado
Você só dá chá dançante onde eu não sou convidado
(...)
Quem te viu, Quem te vê
Chico Buarque
4.2.17
#1 [Não me interesse quem é mas sim o que escreve]
"Para ti, não. Tu és a minha amiga genial, tens de ser a melhor de todos, rapazes e raparigas."
Elena Ferrante in A Amiga Genial
Elena Ferrante in A Amiga Genial
2.2.17
#1 [...]
Ofício
Os poemas que não fiz não os fiz porque estava
dando ao meu corpo aquela espécie de alma
que não pôde a poesia nunca dar-lhe
Os poemas que fiz só os fiz porque estava
pedindo ao corpo aquela espécie de alma
que somente a poesia pode dar-lhe
Assim devolve o corpo a poesia
que se confunde com o duro sopro
de quem está vivo e às vezes não respira.
Gastão Cruz
Os poemas que não fiz não os fiz porque estava
dando ao meu corpo aquela espécie de alma
que não pôde a poesia nunca dar-lhe
Os poemas que fiz só os fiz porque estava
pedindo ao corpo aquela espécie de alma
que somente a poesia pode dar-lhe
Assim devolve o corpo a poesia
que se confunde com o duro sopro
de quem está vivo e às vezes não respira.
Gastão Cruz
14.1.17
#1 [contributos para a nissologia]
(...)
Fala como se não fosse daqui.
Sou completamente daqui, contestou. Deu um longo gole na cerveja e limpou o bigode com o polegar. Sou tão daqui que não me imaginava a viver em terra firme.
Terra firme?
Desculpe. É a doença da insularidade. Para mim, uma ilha é um lugar em movimento. Na minha cabeça, todos os dias nos afastamos ou aproximamos um bocadinho da península. Dependendo dos ventos e das vontades. São tenazes, deixam-me à deriva.
Também me tem sucedido, disse eu. Parece que, neste lugar, sonhamos com maior clareza e intensidade.
Talvez seja isso.
(...)
João Tordo, in O Luto de Elias Gro
Fala como se não fosse daqui.
Sou completamente daqui, contestou. Deu um longo gole na cerveja e limpou o bigode com o polegar. Sou tão daqui que não me imaginava a viver em terra firme.
Terra firme?
Desculpe. É a doença da insularidade. Para mim, uma ilha é um lugar em movimento. Na minha cabeça, todos os dias nos afastamos ou aproximamos um bocadinho da península. Dependendo dos ventos e das vontades. São tenazes, deixam-me à deriva.
Também me tem sucedido, disse eu. Parece que, neste lugar, sonhamos com maior clareza e intensidade.
Talvez seja isso.
(...)
João Tordo, in O Luto de Elias Gro
11.1.17
#1 [59]
Visita-me Enquanto não Envelheço
visita-me enquanto não envelheçotoma estas palavras cheias de medo e surpreende-me
com teu rosto de Modigliani suicidado
tenho uma varanda ampla cheia de malvas
e o marulhar das noites povoadas de peixes voadores
ver-me antes que a bruma contamine os alicerces
as pedras nacaradas deste vulcão a lava do desejo
subindo à boca sulfurosa dos espelhos
antes que desperte em mim o grito
dalguma terna Jeanne Hébuterne a paixão
derrama-se quando tua ausência se prende às veias
prontas a esvaziarem-se do rubro ouro
perco-te no sono das marítimas paisagens
estas feridas de barro e quartzo
os olhos escancarados para a infindável água
com teu sabor de açúcar queimado em redor da noite
sonhar perto do coração que não sabe como tocar-te
Al Berto, in 'Salsugem'
6.1.17
#1 [o último de 2016]
Que foi também o primeiro de 2017.
A Queda dos Gigantes, o primeiro tomo da trilogia do Século XX de Ken Follet.
Este volume toca os primeiros 25 anos do século, partindo das causas que conduziram à grande guerra, aborda o conflito e o que dele ficou, lançando sementes para o que aí vem (na história e nos próximos dois volumes).
São cerca de 900 páginas de escrita leve e um pouco previsível, que passa ao lado de acontecimentos importantes - a fim do império Otomano, outro gigante, a participação de Itália ou, numa escala muito menor mas não menos relevante, de Portugal, ou as consequências da gripe espanhola...
Apesar desta constatação e de alguma irritação que a tradução me causou, as tramas da estória e a leitura que Follet faz da história foram suficientes para dissipar o meu cepticismo inicial.
A Queda dos Gigantes, o primeiro tomo da trilogia do Século XX de Ken Follet.
Este volume toca os primeiros 25 anos do século, partindo das causas que conduziram à grande guerra, aborda o conflito e o que dele ficou, lançando sementes para o que aí vem (na história e nos próximos dois volumes).
São cerca de 900 páginas de escrita leve e um pouco previsível, que passa ao lado de acontecimentos importantes - a fim do império Otomano, outro gigante, a participação de Itália ou, numa escala muito menor mas não menos relevante, de Portugal, ou as consequências da gripe espanhola...
Apesar desta constatação e de alguma irritação que a tradução me causou, as tramas da estória e a leitura que Follet faz da história foram suficientes para dissipar o meu cepticismo inicial.
10.12.16
#1 [as leis da fronteira]
No verão de 1978, com Espanha a sair ainda do franquismo e sem ter
entrado definitivamente na democracia, quando as fronteiras sociais e
morais parecem mais porosas do que nunca, um adolescente chamado Ignacio
Cañas conhece por acaso Zarco e Tere, dois delinquentes da sua idade, e
esse encontro mudará para sempre a sua vida.
Um Livro de Javier Cercas
Um Livro de Javier Cercas
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