O Senhor das Almas confirmou-me o que Suite Francesa, obra inacabada e (também por isso) muito badalada, deixara antever: uma escritora prodigiosa, que soube captar e transmitir as particularidades do seu tempo e o que nele havia de intemporal.
1.9.16
#2 [ontem como hoje]
Dois cães à porta lambiam os beiços e pingavam a calçada de
baba, coitados, que o cheiro a carne e a molho atazanava-lhes os corpos magros.
Olhavam a taberna tal e qual como os refugiados que aguardavam à porta da Polícia
de Estrangeiros a renovação dos vistos de estadia e os bilhetes nos navios para
Nova Iorque, que aquilo era tudo o mesmo olhar, o mesmo cansaço e ansiedade, a
mesma esperança no destino, o mesmo desatino e um amanhã igual a anteontem. Até
aquela espera do lado de fora, sempre do lado de fora, era a mesma, como se o
ausente deus dos homens e dos bichos fosse também o mesmo.
Sérgio Luís de Carvalho in "Uma Terra Prometida (contos sobre refugiados)"
#1 [Caminho que começa]
Estrada de Santiago
Todos somos peregrinos. Embora por vezes nos esqueçamos
dessa condição. E abandonemos as sandálias e o burel. Mais cedo ou mais tarde
temos que voltar à estrada. Em noites como esta – tão clara – quase se
distinguem os vultos dos peregrinos. Outros que não nós prosseguem a sua marcha
por entre as estrelas. A princípio, alguns ainda começam a contar os dias.
Depois desistem, porque os dias se confundem com as estrelas – cada vez mais
inumeráveis e luminosos... E no fim de cada jornada recolhem cuidadosamente o
ouro acumulado nos seus pés.
Jorge Sousa Braga, in
O Poeta Nu
11.8.16
#1 [onde mora a felicidade]
"Ao
completar quarenta anos, Madame Wu leva a cabo a decisão que tem
planeado há já algum tempo: comunica ao marido que após vinte e quatro
anos de casamento não deseja ter mais contacto físico com ele e pede-lhe
que tome uma segunda esposa. A Casa de Wu, uma das mais antigas e
reverenciadas da China é tomada de surpresa e indigna-se com esta
decisão, mas Madame Wu não se deixa dissuadir e escolhe uma jovem
camponesa para tomar a sua vez no leito conjugal. Elegante e distante,
Madame Wu planeia esta alteração na sua vida da mesma forma como sempre
geriu uma casa onde co-habitam mais de sessenta familiares e criados.
Sozinha nos seus aposentos, aprecia a sua liberdade e finalmente tem a
possibilidade de ler os livros que lhe estavam vedados. Quando o seu
filho inicia lições de inglês, percebe que também gostava de aprender
esta língua e em breve está também a aprender com o Irmão André, um
padre progressista que irá alterar a sua vida."
Mais informação aqui
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9.7.16
#2 [Camilla Läckberg]
O nome de Camilla Lackberg é demasiadas vezes associado ao de Stieg Larsson.
Ambos escritores, ambos suecos, caíram nas bocas do mundo na mesma época. Ele primeiro, ao tempo da sua morte, ela um pouco mais tarde, beneficiando do impulso que Larsson deu ao romance policial sueco.
Depois de alguns anos a resistir, li o primeiro livro de Lackberg, A Princesa de Gelo. As comparações são sempre más e não me entusiasmaram.
E confesso que, mesmo desconfiado, esperava mais de alguém que ganhou o prémio de escritora do ano de 2004 e 2005 e tem uma carreira de sucesso... Apesar de algumas fragilidades, a trama está bem montada, mas a narrativa é pueril, pouco arrebatadora.
Talvez volte a pegar num dos seus livros. esperando que a maturidade e a experiência lhe tenham permitido evoluir para uma escrita mais convincente, mas estou certo que irá demorar tempo até voltar a ter coragem.
Ambos escritores, ambos suecos, caíram nas bocas do mundo na mesma época. Ele primeiro, ao tempo da sua morte, ela um pouco mais tarde, beneficiando do impulso que Larsson deu ao romance policial sueco.
Depois de alguns anos a resistir, li o primeiro livro de Lackberg, A Princesa de Gelo. As comparações são sempre más e não me entusiasmaram.
E confesso que, mesmo desconfiado, esperava mais de alguém que ganhou o prémio de escritora do ano de 2004 e 2005 e tem uma carreira de sucesso... Apesar de algumas fragilidades, a trama está bem montada, mas a narrativa é pueril, pouco arrebatadora.
Talvez volte a pegar num dos seus livros. esperando que a maturidade e a experiência lhe tenham permitido evoluir para uma escrita mais convincente, mas estou certo que irá demorar tempo até voltar a ter coragem.
13.6.16
1.6.16
21.5.16
#1 [Vladimir Tostoff, compositor imaginário]
Impelido pelo filme, 12 anos depois regressei a O Grande Gatsby.
É, de facto, um livro extraordinário.
18.5.16
#1 [as prioridades do Vitória]
Apesar da consagração, ainda não me convenci de que Rui Vitória seja o homem certo para o lugar.
Estimo-lhe o carácter, a honestidade, o lowprofile e a clareza discursiva, mas tudo isto somado ao primeiro lugar no pódio, à aposta em gente jovem e capaz, aos 88 golos e ao recorde pontual, não apaga a ansiedade causada pelos erros da equipa, algumas escolhas para o 11, o modelo de jogo muito caótico e com dificuldades elementares, o aborrecimento durante parte dos jogos ou alguns golos sofridos de forma quase amadora.
Ainda assim, folgo em saber que o mister tem fairplay com este crítico e que me coloca bem acima de JJ no ranking das suas prioridades... :)
http://asprioridadesdovitoria.com/
10.5.16
#1 [...]
"Esta é a história de uma amizade que começa em 1987, quando o narrador,
um jovem aspirante a romancista, parte para uma universidade do Midwest
norte-americano e conhece Rodney Falk, um veterano do Vietname,
intratável, ferozmente lúcido e corroído pelo seu passado (...)"
sobre A Velocidade da Luz, de Javier Cercas
sobre A Velocidade da Luz, de Javier Cercas
26.4.16
#1 [...]
220
...................284
Não sei por que razão os números estavam assim desalinhados.
Yoko Ogawa
in A Magia dos Números
...................284
Não sei por que razão os números estavam assim desalinhados.
Yoko Ogawa
in A Magia dos Números
21.4.16
#1 [é isto]
(...)
U don't have to be cool to rule my world
Ain't no particular sign I'm more compatible with
I just want your extra time and your . . . . . kiss
(...)
Prince :(
U don't have to be cool to rule my world
Ain't no particular sign I'm more compatible with
I just want your extra time and your . . . . . kiss
(...)
Prince :(
11.4.16
4.4.16
#1 [uma saída que, por vezes, parece não existir]
A literatura contemporânea japonesa não é só Murakami, já o sabia. Aqui está uma boa alternativa ao eterno candidato a nobel.
Há quem fale de um cruzamento entre Thelma e Louise e Crime e Castigo. Não sei se não será uma comparação demasiado redutora, mas, ao longo de 530 páginas, Kirino conta-nos uma história intensa e negra com tópicos que que também encontramos nas obras apontadas: a condição (e libertação) da mulher, o tradicionalismo de uma sociedade e o sub mundo que com ela se move.
Há quem fale de um cruzamento entre Thelma e Louise e Crime e Castigo. Não sei se não será uma comparação demasiado redutora, mas, ao longo de 530 páginas, Kirino conta-nos uma história intensa e negra com tópicos que que também encontramos nas obras apontadas: a condição (e libertação) da mulher, o tradicionalismo de uma sociedade e o sub mundo que com ela se move.
22.3.16
9.3.16
#1 [tão bonito que até dói....]
Eu tinha voz que sossega
O dom da verdade entrega
Mas durava apenas um serão
Pode um amor tão incerto
Fazer florir o deserto?
Quer viver na solidão
O dom da verdade entrega
Mas durava apenas um serão
Pode um amor tão incerto
Fazer florir o deserto?
Quer viver na solidão
3.3.16
#1 [do you feel loved?]
A obra incompreendido, o disco mal amado, o som fora do baralho, por vezes renegado... Pop é um dos meus favoritos. Comprei-o no dia do lançamento, passam hoje 19 anos, e ouvi-o vezes sem conta. Acompanhou-me em dias dias e noites intensas por esse mundo fora.
O seu som traz-me sempre a memória dessa(s) primavera(s), o cheiro de um certo perfume de morango que me marcou o fim da adolescência, a vertigem da estrada...
2.3.16
#1 [desencontros...]
"Nesse mesmo instante, a quinhentos quilómetros dali, Vera
também falava no seu nome, escolhendo com prudência as palavras com que o
desenhava diante das amigas. Mas, embora o seu discurso fosse outro, pensava na
calma dele, nos seus olhos bondosos e como seria bom se ele fosse outro e ela
fosse outra para caberem os dois na mesma cidade."
Possidónio Cachapa
In Rio da Glória
29.2.16
#1 [Juntos]
Os dois no palco, a cantar algumas das melhores músicas que já foram ouvidas à face da terra. Reinventando-as, dando-lhes novos tons e texturas, realçando a sua eterna juventude e intemporalidade.
Sérgio gingão e sempre aprendiz. Palma sóbrio, com uma voz cada vez mais clara.
Que emoção, meus senhores e minhas senhoras, que emoção!
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