22.3.16
9.3.16
#1 [tão bonito que até dói....]
Eu tinha voz que sossega
O dom da verdade entrega
Mas durava apenas um serão
Pode um amor tão incerto
Fazer florir o deserto?
Quer viver na solidão
O dom da verdade entrega
Mas durava apenas um serão
Pode um amor tão incerto
Fazer florir o deserto?
Quer viver na solidão
3.3.16
#1 [do you feel loved?]
A obra incompreendido, o disco mal amado, o som fora do baralho, por vezes renegado... Pop é um dos meus favoritos. Comprei-o no dia do lançamento, passam hoje 19 anos, e ouvi-o vezes sem conta. Acompanhou-me em dias dias e noites intensas por esse mundo fora.
O seu som traz-me sempre a memória dessa(s) primavera(s), o cheiro de um certo perfume de morango que me marcou o fim da adolescência, a vertigem da estrada...
2.3.16
#1 [desencontros...]
"Nesse mesmo instante, a quinhentos quilómetros dali, Vera
também falava no seu nome, escolhendo com prudência as palavras com que o
desenhava diante das amigas. Mas, embora o seu discurso fosse outro, pensava na
calma dele, nos seus olhos bondosos e como seria bom se ele fosse outro e ela
fosse outra para caberem os dois na mesma cidade."
Possidónio Cachapa
In Rio da Glória
29.2.16
#1 [Juntos]
Os dois no palco, a cantar algumas das melhores músicas que já foram ouvidas à face da terra. Reinventando-as, dando-lhes novos tons e texturas, realçando a sua eterna juventude e intemporalidade.
Sérgio gingão e sempre aprendiz. Palma sóbrio, com uma voz cada vez mais clara.
Que emoção, meus senhores e minhas senhoras, que emoção!
15.2.16
12.2.16
#1 [Sérgio Albert Godinho Einstein]
![]() |
| Confirmada teoria das ondas postulada por Einstein |
Não vás tomar à letra aquilo que te disse
quando te disse que o amor é relativo
se o relativo fosse coisa que se visse
não era amor o porque morro e o porque vivo
quando te disse que o amor é relativo
se o relativo fosse coisa que se visse
não era amor o porque morro e o porque vivo
2.2.16
#[O Pianista]
![]() |
| Cena do filme O Pianista |
A 27 de Janeiro assinalou-se mais um aniversário da libertação dos campos de concentração de Auschwitz e Birkenau, na Polónia.Tempo de ler O Pianista. Escrito na primeira pessoa, o autor deste livro extraordinário (o pianista polaco Władysław
Szpilman) relata a sua vida durante a ocupação de Varsóvia e como sobreviveu ao Gueto e ao extermínio dos judeus.
Polanski dirigiu a adaptação deste livro ao cinema. Vi-o no velho cinema Ávila um dia depois de ter sido galardoado com 3 Oscars.
Talvez seja tempo de o rever agora que, passados 71 anos, os sinais de alarme voltam a soar. O confisco de bens aos refugiados da África e da Ásia ocidental que, por estes dias, foi aprovado na Dinamarca e está a ser equacionado noutros pontos da Europa, reacende a centelha do ódio e da intolerância que alimentou a barbárie.
29.1.16
#1 [Perdoai-lhes senhor... ]
Pelo que vi e ouvi na campanha, arrisco-me a dizer que o problema da
candidatura de Edgar Silva não foi a graça do candidato (apesar do
péssimo tratamento de imagem) ou a falta de mediatismo, mas sim a
rigidez com que se apresentou e a cassete que repetiu à exaustão, que
anularam o seu potencial e revelaram que, na forma, Edgar se transformou
num típico quadro de uma certa escola partidária, daqueles que não têm
idade.
3.1.16
#1 [o Falso Moralista]
Paulo Morais é aquele candidato
que, não sendo de esquerda, tem ideias com que todos podemos concordar. A
luta pela transparência e contra os interesses obscuros que
ensombram a política nacional merece-me simpatia e seria capaz, como
tantas pessoas neste país, de subscrever muitas das suas iniciativas.
15.12.15
# [Murakami é música]
O melhor de ter voltado a Murakami foi mesmo ter-me inteirado da grandeza de Curtis Fuller e dos seus 'Five Spot After Dark', tema que inspira os Passageiros da Noite.
18.11.15
#2 [História que se contam]
Ulisses, existiu? e Homero, existiu? e o Sol, existe? E a lua, existe? E o mar, existe?
in Ulisses, Maria Alberta Menéres
in Ulisses, Maria Alberta Menéres
# [A ignorância do sangue]
Ao quarto tomo, Robert Wilson emenda a mão no que respeita a algumas ideias feitas, ata pontas que deixara soltas e fecha as aventuras de Javier Falcon com chave de ouro.
13.11.15
12.11.15
#1 [...]
O segundo romance de Alice Brito, “O Dia em que Estaline
encontrou Picasso na Biblioteca”, mantém o essencial do primeiro livro da autora: um estilo
próprio (e vernacular), várias histórias bem contadas e a mesma personagem
principal, Setúbal.
Mas não se trata de mais do mesmo. Há aqui uma reflexão
sobre a condição humana e a precariedade, sobre o tempo da híper-comunicação e
o isolamento paradoxal a que a informática por vezes nos remete, sobre as lutas
operárias e sobre algumas das utopias e dos horrores que marcaram o século XX.
Há também uma incursão às dificuldades de afirmação, neste
início do século XXI, de alternativas ao famoso princípio TINA, num percurso que remete o
leitor para o PREC e para traumas que, mal ou bem, balizam os caminhos que parecem
estar a abrir-se nos dias que correm.
4.11.15
#2 [ Assassinos escondidos e algumas ideias feitas ]
Ao terceiro tomo da sua “tetralogia Falconiana”, Robert
Wilson desviou a rota. Ou então torna um pouco mais clara a sua opinião sobre
alguns temas...
O detective é o mesmo: astuto, capaz, intuitivo e romântico.
Sevilha continua a revelar-se encantadora, a pedir uma visita ou um regresso. A
história está bem montada e, ao lado do enredo principal, vão surgindo alguns
traços de actualidade, como a violência de género ou mobilidade que os
franquistas reciclados ainda têm na sociedade espanhola, o que torna o livro
mais apelativo.
A tal mudança de rota de que falo está na trama principal. A
história investigada por Falcon está montada em cima dos acontecimentos de 11
de Março em Madrid e da suposta ameaça de islamização da europa. Consciente ou
inconscientemente, Wilson repete lugares comuns e preconceitos sobre o islão e
sobre o terrorismo.
Além destas ideias feitas, o autor retoma, de forma sub-reptícia,
a ligação da ETA aos atentados de Atocha, teoria que alguma direita mais
radical continua a alimentar em nome dos seus interesses…
#1 [As mãos desaparecidas ]
Robert Wilson volta a Sevilha e à personagem de Javier
Falcon, que, sob o calor brutal do Verão, inicia uma investigação que nos leva
dos meandros da máfia russa à paranóia securitária que o 11 de Setembro
desencadeou, aproximando-se também a alguns becos sem saída e buracos demasiado
fundos e escuros da condição humana.
29.10.15
28.10.15
#4 [histórias entre linhas]
«O Tempo entre Costuras» é a história de Sira Quiroga, uma jovem modista
empurrada pelo destino para um arriscado compromisso; sem aviso, os
pespontos e alinhavos do seu ofício convertem-se na fachada para missões
obscuras que a enleiam num mundo de glamour e paixões, riqueza e
miséria mas também de vitórias e derrotas, de conspirações históricas e
políticas, de espias.
Um romance de ritmo imparável, costurado de encontros e desencontros, que nos transporta, em descrições fiéis, pelos cenários de uma Madrid pró-Alemanha, dos enclaves de Tânger e Tetuán e de uma Lisboa cosmopolita repleta de oportunistas e refugiados sem rumo.
Um romance de ritmo imparável, costurado de encontros e desencontros, que nos transporta, em descrições fiéis, pelos cenários de uma Madrid pró-Alemanha, dos enclaves de Tânger e Tetuán e de uma Lisboa cosmopolita repleta de oportunistas e refugiados sem rumo.
#3 [adolescentes a adolescer...]
Recentemente, numa outra rede social, deparei-me com um fenómeno que, pela observação, aprendi a reconhecer: os bookaholics.
É provável que o que aqui vou dizendo sobre livros seja suficiente para me tornar elegível em alguma das subcategorias desta espécie, mas não da dos book... que me chamaram a atenção: jovens adolescentes (muitos deles brasileiros/as, mas deve ser uma moda global) que se fazem fotografar entre dezenas de tomos de autores para mim desconhecidos e que, além da leitura e dos selfies literários, gostam de partilhar citações melosas como se fossem verdades universais.
Apercebi-me que há, entre estes autores, um que é particularmente apreciado: John Green.
No verão tive oportunidade de folhear um dos seus livros: jovens de pensamentos desordenado e emoções à flor da pele, tudo expresso numa linguagem simples, rica em termos, interjeições - Tipo... okay?... adoro... -, rasgos de humor e non sense muito em voga entre adolescentes e jovens com que me vou cruzando. Lembro-me de comentar, com uma mãe meio abanada com a vertigem da sua adolescente a adolescer, que é o importante é que leiam, que lhe tomem o gosto...
Passados uns meses as minhas alunas falaram-me da obra de referência de Green: A culpa é das estrelas. Tinham visto em sala o filme homónimo, escolhido pela minha colega para abordar a temática da morte dos cuidados em fim de vida. Toda a gente gostou do filme e, para meu espanto, recomendaram-me que lesse o livro antes de ver o filme.
Assim foi, li o livro que uma delas me emprestou (ainda não me abeirei ao filme). Não sendo extraordinário, é uma história com mérito, que fala de temas duros com leveza e seriedade e que, cereja em cima do bolo, muito me ajudou a perceber estes bookaholics virtuais e, sobretudo, algumas pessoas de carne e osso.
É provável que o que aqui vou dizendo sobre livros seja suficiente para me tornar elegível em alguma das subcategorias desta espécie, mas não da dos book... que me chamaram a atenção: jovens adolescentes (muitos deles brasileiros/as, mas deve ser uma moda global) que se fazem fotografar entre dezenas de tomos de autores para mim desconhecidos e que, além da leitura e dos selfies literários, gostam de partilhar citações melosas como se fossem verdades universais.
Apercebi-me que há, entre estes autores, um que é particularmente apreciado: John Green.
No verão tive oportunidade de folhear um dos seus livros: jovens de pensamentos desordenado e emoções à flor da pele, tudo expresso numa linguagem simples, rica em termos, interjeições - Tipo... okay?... adoro... -, rasgos de humor e non sense muito em voga entre adolescentes e jovens com que me vou cruzando. Lembro-me de comentar, com uma mãe meio abanada com a vertigem da sua adolescente a adolescer, que é o importante é que leiam, que lhe tomem o gosto...
Passados uns meses as minhas alunas falaram-me da obra de referência de Green: A culpa é das estrelas. Tinham visto em sala o filme homónimo, escolhido pela minha colega para abordar a temática da morte dos cuidados em fim de vida. Toda a gente gostou do filme e, para meu espanto, recomendaram-me que lesse o livro antes de ver o filme.
Assim foi, li o livro que uma delas me emprestou (ainda não me abeirei ao filme). Não sendo extraordinário, é uma história com mérito, que fala de temas duros com leveza e seriedade e que, cereja em cima do bolo, muito me ajudou a perceber estes bookaholics virtuais e, sobretudo, algumas pessoas de carne e osso.
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