2.7.14

[quanto tempo caberá dentro destes dez anos?]

http://saldalingua.files.wordpress.com/2011/01/fernando_lemos_sophia_de_mello_breyner_a_guerreira.jpg
Sophia, por Fernando Lemos


XIV 
 
Através do teu coração passou um barco
Que não pára de seguir sem ti o seu caminho

Sophia de Mello Breyner Andresen
 in Navegações

1.7.14

#2 sobre o Emmy atribuido a Carlos do Carmo

É isto que há para dizer



e, já agora, é de repetir a dose pela voz da Ana Bacalhau.

#1 [assim é a Lua...]



A Lua observava a Terra de perto há mais tempo do que qualquer pessoa. Deve ter testemunhado todos os fenómenos que ocorreram – e todos os actos levados a cabo – à face da Terra. Mas a Lua mantinha-se em silêncio: não contava histórias. Limitava-se a carregar o peso do passado, fria e apropriadamente. Na Lua não havia ar ou vento. O seu vácuo era perfeito para preservar memórias intocadas. Ninguém podia abrir o coração da Lua. Aomane ergueu o copo para ela e perguntou:
- Dormiste abraçada a alguém nos últimos tempos?
A Lua não respondeu.
- Tens amigos? – perguntou.
A Lua não respondeu.
- Nunca te cansas de levar uma vida tão fria?
A Lua não respondeu.

Haruki Murakami in 1Q84 (1)

16.6.14

#1 [da história...]

Então a metrópole afinal é isto.

Dulce Maria Cardoso, in O Retorno

12.6.14

#1 [a importância ]

De voltar onde já fomos felizes.

6.6.14

#1 [depois de dois anos de maturação]

O resultado está, finalmente, no papel.

Beja, A; Ferrinho, P; Craveiro, I; (2014): Evolução da prevenção e combate à obesidade de crianças e jovens em Portugal ao nível do planeamento estratégico. Revista  Portuguesa de Saúde Pública 32:10-7.  (aqui)

5.6.14

#1 [chama ainda acesa]



(...)
Tentei tranquiliza-lo.
- Coisas de um Japonês que escreveu um livro chamado O Fim da História.
- Um Japonês? Nunca entendi os japoneses… Não havia japoneses nas Brigadas Internacionais.
Sorri àquela recordação. Tudo partia da referência única, dessa guerra tão distante, de amor consumado e morte vencida, dessa guerra mal perdida e bem vivida, e sofrida, e cruel, aval de martírios futuros, ocultação dos mitos. Meu pai não parava de me contar a guerra civil. O resto da sua vida não passara dum longo pós-guerra, dum epílogo da sua juventude, dum passado da sua paixão. Porventura teria resistido se assim não fosse? Eu imaginava esse balanço terrível, com o qual não ousara confrontá-lo. Se, no fundo, ele passara em claro nas suas memórias faladas quase tudo o que viera depois, é porque se lhe esvaíra o futuro com o sangue vertido na terra de Espanha. O que viera depois era, portanto, supérfluo.
(...)

Álvaro Guerra, in
No Jardim das Paixões Extintas

30.5.14

#1 [Sempre eles...]

Jacarandás
São eles que anunciam o verão.
Não sei doutra glória, doutro
paraíso: à sua entrada os jacarandás
estão em flor, um de cada lado.
E um sorriso, tranquila morada,
à minha espera.
O espaço a toda a roda
multiplica os seus espelhos, abre
varandas para o mar.
É como nos sonhos mais pueris:
posso voar quase rente
às nuvens altas – irmão dos pássaros –,
perder-me no ar.

Eugénio de Andrade

29.5.14

#1 [Miss You]

Ontem, na Antena 3, ouvi um programa sobre a passagem dos Stones pelo Disco Sound.
Uma verdadeira surpresa  :)
(...)
Oh everybody waits so long
Oh baby why you wait so long
Won't you come on! Come on!
(...)

28.5.14

#1 [para que a memória sirva o futuro...]

Aqui jazem 
cinco soldados franceses,
mortos com as botas nos pés, 
em busca do vento, 
onde murcham as rosas, 
há muito tempo.

Sebastien Japrisot, in 

26.5.14

# [Dos dias que passam]

Nothing is absolute.

Everything changes, everything moves, everything revolves, everything flies and goes away.

Frida Kahlo

23.5.14

#1 [...]

"Num mesmo dia, com poucas horas de intervalo, as minhas mãos alternavam a delicadeza do artista com a frieza do verdugo, e posso garantir que esse duplo comportamento não teve em mim qualquer efeito de esquizofrenia ou desiquilíbrio."

Eugenio Fuentes, in As mãos do Pianista

21.5.14

#1 [funanbulismo... ]



Ainda hoje, sempre que o mundo se apresenta como um espectáculo enfadonho e miserável, sou incapaz de resistir à tentação de relembrar o tempo em que, por força da necessidade, fui obrigado a aprender a difícil arte do funambulismo. 

João Tordo in 
"As três Vidas"

1.5.14

#2 [1º de Maio na minha rua]

1º de Maio de 1974, Av. Heliodoro Salgado, Sintra, Foto de Carlos Granja

# [numa imagem...]


30.4.14

#1 [mesmo bom*]

A luz é tão cega
Que nunca se entrega
Só se dexa ver numa razão de ser
Sem sequer entender
Os olhos que a vão receber
E o rasto que fica
É uma coisa antiga
Que a gente tem para dar
E só pode encontar
Quando volver a procurar
(...)

José Mário Branco in
Nem Deus Nem Senhor


*nem me lembrava como...

23.4.14

#1 [dia(s) de livros]



"O gajo era retorcido com alma de esbirro. Tinham-lhe injectado bem no cérebro a ilusão do poder. É o único método para fabricar mercenários: convencê-los de que formam parte do poder. Na realidade, nem sequer conseguem chegar perto do trono. Por isso os escolhem entre os mais rústicos. Ou entre os mais retorcidos e arrevessados. No final, quando os anos já lhes passaram por cima, têm uma fantástica sensação de fracasso e de derrota e de ter andado a perder tempo. Disfrutaram do poder das armas de fogo, de ter um pau na mão, de decidir sobre os demais cidadãos e humilhá-los e de lhes bater e empurrar para dentro de uma cela. Alguns compreendem então, com o fígado feito em bocados, que são uns desgraçados de uns brutos com o garrote na mão. Mas já estão tão cheios de medo que não conseguem deitá-lo cá para fora."

Pedro Juan Gutiérrez
In Trilogia Suja de Havana

20.4.14

#1 [...]

"Quando regressa à sala, encontra Karina sorridente e vestida, com o saxofone no estojo, como uma mala pronta para uma viagem.
- Vou embora polícia - diz ela, e o Conde sente vontade de a amarrar. Vai-se embora, pensa, vai-se-me embora. Terei sempre de a procurar."

Leonardo Padura, in Ventos de Quaresma

16.4.14

#2 [reciclando]


#1 [uma espécie de saudade]


“Entre Imagens” é um projecto de Pedro Macedo e Sérgio Mah que consiste numa série documental sobre 13 criadores cujo trabalho privilegia a prática do fotográfico. Fazendo justiça ao carácter amplo e diverso da cultura fotográfica, a série pretende abordar diferentes campos estéticos e sociais da imagem, desde a arte ao fotojornalismo, dos géneros do retrato às várias tendências da documentação da realidade quotidiana e do território.
Em todos os episódios, procura-se reflectir sobre o universo particular dos criadores (aqui entendidos como fotógrafos ou artistas visuais que trabalham predominantemente com o dispositivo fotográfico), com especial incidência em quatro vertentes fundamentais: percurso individual e influências criativas; metodologias e processos de trabalho; análise de imagens paradigmáticas; e atitudes e expectativas em relação ao panorama contemporâneo da imagem. Visa-se, deste modo, proporcionar um maior conhecimento e atenção sobre algumas das mais destacadas figuras da fotografia portuguesa actual.


AQUI

10.4.14

#1 [essa raiva a nascer-te dos dentes]

"Não me interessa a fuga, interessa-me o confronto, o embate, o arpão no corpo que sempre fugirá. Chamemos-lhe Moby Dick – ou amor – ou real. A vida verdadeira que é estar aqui a desejar além. A pulsão da guerra, qualquer espécie de guerra, é a sobrevida: vida conquistada à morte."
Alexandra Lucas Coelho

23.3.14

#2 [João Ribas is not Dead...]

Diz-me porque não há nada a fazer 
Se iremos fazer ou iremos perder 
Tentaremos mudar, o k há de mal 
Nem q tenhamos q percorrer Portugal
(...)
 

#1 [flash back...]

Lou Reed, New York, pela manhã.
Estava esquecido neste leitor de CD. Lembro-me de o ter ouvido numa noite de outono cheia de poesia, depois de uma sessão dedicada a Pessoa e aos seus heterónimos (os tais que não vão caber nos Jerónimos). Boa música e boas lembranças para começar o dia.

21.3.14

#1[...]

Diz que já há jacarandas a florir por Lisboa.
É a poesia que está na rua.

20.3.14

#1 [equinócio]

Foi um longo inverno.Cinzento, triste.
Venham daí a primavera e as suas esperanças.

16.3.14

#1 [liberdade...]

Nos olhos a mesma dor
No peito um medo igual
Ai, sinto queimar este fogo, dentro de mim!
Liberdade onde vais?
Liberdade onde cais?
  

15.3.14

#1 [...]

 
" Então cruzei os braços, determinado a ser indiferente a tal ausência."

Sérgio Luís de Carvalho in
Os Peregrinos Sem Fé

13.3.14

#2[...]

AQUÁRIO

A rima
o ritmo
os modelos formais.
Olho os peixes dentro
d’água. As ideias
no cérebro devem se mover
de maneira semelhante.
A rima
o ritmo
os modelos formais.

Joan Brossa

#1 [pela mão de Gonçalo M Tavares]

hoje conheci o poeta catalão Joan Brossa. Ganhei o dia...

11.3.14

#1 [Fim de tarde no Magoito, A praia]

O odor do mar já me havia chegado a Sintra um destes dias. Hoje fui até lá, reencontrar as cores, os cheiros, o murmurar das ondas, as torradas com chá e a imensidão. Ficaram as saudades dos mergulhos, do sol a queimar e das marcas que deixa na pele, dos pés descalços e dos improváveis equilibrios nas rochas, das poças e das praias interiores onde tudo existe, do acre do sal na boca, da preguiça, do azul marinho, de encontrar areia entre as pregas da roupa...

9.3.14

#1 [mitos e realidades sobre o empreendedorismo]

Os sociologos José Soeiro e Adriano Campos, amigos e camaradas, olharam o empreendedorismo e concluiram que este dá “sentido à ‘grande transformação’” na sociedade. Mas muito empreendedorismo não é sinal de desenvolvimento.

3.3.14

#1 [mesmo em dias de chuva e silêncio...]


Amor incondicional...
Originally uploaded by André Beja