Pelo que vi e ouvi na campanha, arrisco-me a dizer que o problema da
candidatura de Edgar Silva não foi a graça do candidato (apesar do
péssimo tratamento de imagem) ou a falta de mediatismo, mas sim a
rigidez com que se apresentou e a cassete que repetiu à exaustão, que
anularam o seu potencial e revelaram que, na forma, Edgar se transformou
num típico quadro de uma certa escola partidária, daqueles que não têm
idade.
29.1.16
3.1.16
#1 [o Falso Moralista]
Paulo Morais é aquele candidato
que, não sendo de esquerda, tem ideias com que todos podemos concordar. A
luta pela transparência e contra os interesses obscuros que
ensombram a política nacional merece-me simpatia e seria capaz, como
tantas pessoas neste país, de subscrever muitas das suas iniciativas.
15.12.15
# [Murakami é música]
O melhor de ter voltado a Murakami foi mesmo ter-me inteirado da grandeza de Curtis Fuller e dos seus 'Five Spot After Dark', tema que inspira os Passageiros da Noite.
18.11.15
#2 [História que se contam]
Ulisses, existiu? e Homero, existiu? e o Sol, existe? E a lua, existe? E o mar, existe?
in Ulisses, Maria Alberta Menéres
in Ulisses, Maria Alberta Menéres
# [A ignorância do sangue]
Ao quarto tomo, Robert Wilson emenda a mão no que respeita a algumas ideias feitas, ata pontas que deixara soltas e fecha as aventuras de Javier Falcon com chave de ouro.
13.11.15
12.11.15
#1 [...]
O segundo romance de Alice Brito, “O Dia em que Estaline
encontrou Picasso na Biblioteca”, mantém o essencial do primeiro livro da autora: um estilo
próprio (e vernacular), várias histórias bem contadas e a mesma personagem
principal, Setúbal.
Mas não se trata de mais do mesmo. Há aqui uma reflexão
sobre a condição humana e a precariedade, sobre o tempo da híper-comunicação e
o isolamento paradoxal a que a informática por vezes nos remete, sobre as lutas
operárias e sobre algumas das utopias e dos horrores que marcaram o século XX.
Há também uma incursão às dificuldades de afirmação, neste
início do século XXI, de alternativas ao famoso princípio TINA, num percurso que remete o
leitor para o PREC e para traumas que, mal ou bem, balizam os caminhos que parecem
estar a abrir-se nos dias que correm.
4.11.15
#2 [ Assassinos escondidos e algumas ideias feitas ]
Ao terceiro tomo da sua “tetralogia Falconiana”, Robert
Wilson desviou a rota. Ou então torna um pouco mais clara a sua opinião sobre
alguns temas...
O detective é o mesmo: astuto, capaz, intuitivo e romântico.
Sevilha continua a revelar-se encantadora, a pedir uma visita ou um regresso. A
história está bem montada e, ao lado do enredo principal, vão surgindo alguns
traços de actualidade, como a violência de género ou mobilidade que os
franquistas reciclados ainda têm na sociedade espanhola, o que torna o livro
mais apelativo.
A tal mudança de rota de que falo está na trama principal. A
história investigada por Falcon está montada em cima dos acontecimentos de 11
de Março em Madrid e da suposta ameaça de islamização da europa. Consciente ou
inconscientemente, Wilson repete lugares comuns e preconceitos sobre o islão e
sobre o terrorismo.
Além destas ideias feitas, o autor retoma, de forma sub-reptícia,
a ligação da ETA aos atentados de Atocha, teoria que alguma direita mais
radical continua a alimentar em nome dos seus interesses…
#1 [As mãos desaparecidas ]
Robert Wilson volta a Sevilha e à personagem de Javier
Falcon, que, sob o calor brutal do Verão, inicia uma investigação que nos leva
dos meandros da máfia russa à paranóia securitária que o 11 de Setembro
desencadeou, aproximando-se também a alguns becos sem saída e buracos demasiado
fundos e escuros da condição humana.
29.10.15
28.10.15
#4 [histórias entre linhas]
«O Tempo entre Costuras» é a história de Sira Quiroga, uma jovem modista
empurrada pelo destino para um arriscado compromisso; sem aviso, os
pespontos e alinhavos do seu ofício convertem-se na fachada para missões
obscuras que a enleiam num mundo de glamour e paixões, riqueza e
miséria mas também de vitórias e derrotas, de conspirações históricas e
políticas, de espias.
Um romance de ritmo imparável, costurado de encontros e desencontros, que nos transporta, em descrições fiéis, pelos cenários de uma Madrid pró-Alemanha, dos enclaves de Tânger e Tetuán e de uma Lisboa cosmopolita repleta de oportunistas e refugiados sem rumo.
Um romance de ritmo imparável, costurado de encontros e desencontros, que nos transporta, em descrições fiéis, pelos cenários de uma Madrid pró-Alemanha, dos enclaves de Tânger e Tetuán e de uma Lisboa cosmopolita repleta de oportunistas e refugiados sem rumo.
#3 [adolescentes a adolescer...]
Recentemente, numa outra rede social, deparei-me com um fenómeno que, pela observação, aprendi a reconhecer: os bookaholics.
É provável que o que aqui vou dizendo sobre livros seja suficiente para me tornar elegível em alguma das subcategorias desta espécie, mas não da dos book... que me chamaram a atenção: jovens adolescentes (muitos deles brasileiros/as, mas deve ser uma moda global) que se fazem fotografar entre dezenas de tomos de autores para mim desconhecidos e que, além da leitura e dos selfies literários, gostam de partilhar citações melosas como se fossem verdades universais.
Apercebi-me que há, entre estes autores, um que é particularmente apreciado: John Green.
No verão tive oportunidade de folhear um dos seus livros: jovens de pensamentos desordenado e emoções à flor da pele, tudo expresso numa linguagem simples, rica em termos, interjeições - Tipo... okay?... adoro... -, rasgos de humor e non sense muito em voga entre adolescentes e jovens com que me vou cruzando. Lembro-me de comentar, com uma mãe meio abanada com a vertigem da sua adolescente a adolescer, que é o importante é que leiam, que lhe tomem o gosto...
Passados uns meses as minhas alunas falaram-me da obra de referência de Green: A culpa é das estrelas. Tinham visto em sala o filme homónimo, escolhido pela minha colega para abordar a temática da morte dos cuidados em fim de vida. Toda a gente gostou do filme e, para meu espanto, recomendaram-me que lesse o livro antes de ver o filme.
Assim foi, li o livro que uma delas me emprestou (ainda não me abeirei ao filme). Não sendo extraordinário, é uma história com mérito, que fala de temas duros com leveza e seriedade e que, cereja em cima do bolo, muito me ajudou a perceber estes bookaholics virtuais e, sobretudo, algumas pessoas de carne e osso.
É provável que o que aqui vou dizendo sobre livros seja suficiente para me tornar elegível em alguma das subcategorias desta espécie, mas não da dos book... que me chamaram a atenção: jovens adolescentes (muitos deles brasileiros/as, mas deve ser uma moda global) que se fazem fotografar entre dezenas de tomos de autores para mim desconhecidos e que, além da leitura e dos selfies literários, gostam de partilhar citações melosas como se fossem verdades universais.
Apercebi-me que há, entre estes autores, um que é particularmente apreciado: John Green.
No verão tive oportunidade de folhear um dos seus livros: jovens de pensamentos desordenado e emoções à flor da pele, tudo expresso numa linguagem simples, rica em termos, interjeições - Tipo... okay?... adoro... -, rasgos de humor e non sense muito em voga entre adolescentes e jovens com que me vou cruzando. Lembro-me de comentar, com uma mãe meio abanada com a vertigem da sua adolescente a adolescer, que é o importante é que leiam, que lhe tomem o gosto...
Passados uns meses as minhas alunas falaram-me da obra de referência de Green: A culpa é das estrelas. Tinham visto em sala o filme homónimo, escolhido pela minha colega para abordar a temática da morte dos cuidados em fim de vida. Toda a gente gostou do filme e, para meu espanto, recomendaram-me que lesse o livro antes de ver o filme.
Assim foi, li o livro que uma delas me emprestou (ainda não me abeirei ao filme). Não sendo extraordinário, é uma história com mérito, que fala de temas duros com leveza e seriedade e que, cereja em cima do bolo, muito me ajudou a perceber estes bookaholics virtuais e, sobretudo, algumas pessoas de carne e osso.
#2 [aproximação a Bolaño]
Dizem que Os dissabores do verdadeiro polícia não é dos romances mais emblemáticos de Bolaño, pese a ter sido uma obra em inquietação que o acompanhou pela vida.
Para primeira abordagem, confesso a decepção. Reconheço a mestria da escrita, mas a forma não me convenceu.
Talvez me deixe convencer na próxima tentativa.
Para primeira abordagem, confesso a decepção. Reconheço a mestria da escrita, mas a forma não me convenceu.
Talvez me deixe convencer na próxima tentativa.
#1[anatomia dos mártires]
João Tordo aventurou-se a ficcionar sobre uma história que se tornou mito, arriscando-se, como a personagem do seu livro, a ser mal compreendido e ostracizado por quem se agarrou à memória de Catarina Eufémia como uma bandeira ou por aqueles que, 60 anos depois, ainda se dedicam a branquear a história do fascismo português e da repressão que os alentejanos e as alentejanas sofreram na pele.
Pese a incerteza sobe a verdadeira história de Catarina - o episódio está pouco documentado, tendo sobrevivido graças à tradição oral, em versões que variam entre a heróica militante do PCP assassinada pela sua condição e a vítima de uma bala acidental - Tordo consegue traçar um bom retrato de alguém que, em busca de comida para os filhos, ousou levantar-se do chão. Ao mesmo tempo, tira a medida a outros e outras que, voluntária ou involuntariamente, alimentam e são mártires da crise que, nestes tempos canalhas, nos calhou.
8.10.15
#1 [I can't take my mind off you...]
O casamento da Joana foi bonito.
Quando oiço a música da cerimónia ainda me arrepio e esta fotografia até virou página de livro...
Quando oiço a música da cerimónia ainda me arrepio e esta fotografia até virou página de livro...
De vez em quando o tempo e o destino atraiçoam-nos e viram para o lado errado.
Fica a memória dos sonhos e esperanças que acenderam esses dias.
Fica a memória dos sonhos e esperanças que acenderam esses dias.
Descansa em paz.
24.9.15
# [em jeito de outono]
Coisas que não há
Uma coisa que me põe triste
é que não exista o que não existe.
(Se é que não existe, e isto é que existe!)
Há tantas coisas bonitas que não há:
coisas que não há, gente que não há,
bichos que já houve e já não há,
livros por ler, coisas por ver,
feitos desfeitos, outros feitos por fazer,
pessoas tão boas ainda por nascer
e outras que morreram há tanto tempo!
Tantas lembranças de que não me lembro,
sítios que não sei, invenções que não invento,
gente de vidro e de vento, países por achar,
paisagens, plantas, jardins de ar,
tudo o que eu nem posso imaginar
porque se o imaginasse já existia
embora num sítio onde só eu ia...
Manuel António Pina
Uma coisa que me põe triste
é que não exista o que não existe.
(Se é que não existe, e isto é que existe!)
Há tantas coisas bonitas que não há:
coisas que não há, gente que não há,
bichos que já houve e já não há,
livros por ler, coisas por ver,
feitos desfeitos, outros feitos por fazer,
pessoas tão boas ainda por nascer
e outras que morreram há tanto tempo!
Tantas lembranças de que não me lembro,
sítios que não sei, invenções que não invento,
gente de vidro e de vento, países por achar,
paisagens, plantas, jardins de ar,
tudo o que eu nem posso imaginar
porque se o imaginasse já existia
embora num sítio onde só eu ia...
Manuel António Pina
5.8.15
#1 [poema para agosto]
Recado aos corvos
Levai tudo:
o brilho fácil das pratas,
o acre toque das sedas.
o brilho fácil das pratas,
o acre toque das sedas.
Deixai só a incomensurável
memória das labaredas
memória das labaredas
António Manuel Pires Cabral
13.6.15
#1 [Um dizer ainda puro]
imagino que sobre nós virá um céu
de espuma e que, de sol em sol,
uma nova língua nos fará dizer
o que a poeira da nossa boca adiada
soterrou já para lá da mão possível
onde cinzentos abandonamos a flor.
de espuma e que, de sol em sol,
uma nova língua nos fará dizer
o que a poeira da nossa boca adiada
soterrou já para lá da mão possível
onde cinzentos abandonamos a flor.
dizes: põe nos meus os teus dedos
e passemos os séculos sem rosto,
apaguemos de nossas casas o barulho
do tempo que ardeu sem luz.
sim, cria comigo esse silêncio
que nos faz nus e em nós acende
o lume das árvores de fruto.
e passemos os séculos sem rosto,
apaguemos de nossas casas o barulho
do tempo que ardeu sem luz.
sim, cria comigo esse silêncio
que nos faz nus e em nós acende
o lume das árvores de fruto.
diz-me que há ainda versos por escrever,
que sobra no mundo um dizer ainda puro.
que sobra no mundo um dizer ainda puro.
Vasco Gato
26.5.15
#1 [livro- musica-objecto-qualquer coisa]
And when I awoke, I was alone, this bird had flown
So I lit a fire, isn't it good, norwegian wood.
So I lit a fire, isn't it good, norwegian wood.
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