28.10.15

#4 [histórias entre linhas]

«O Tempo entre Costuras» é a história de Sira Quiroga, uma jovem modista empurrada pelo destino para um arriscado compromisso; sem aviso, os pespontos e alinhavos do seu ofício convertem-se na fachada para missões obscuras que a enleiam num mundo de glamour e paixões, riqueza e miséria mas também de vitórias e derrotas, de conspirações históricas e políticas, de espias.
Um romance de ritmo imparável, costurado de encontros e desencontros, que nos transporta, em descrições fiéis, pelos cenários de uma Madrid pró-Alemanha, dos enclaves de Tânger e Tetuán e de uma Lisboa cosmopolita repleta de oportunistas e refugiados sem rumo.

#3 [adolescentes a adolescer...]

Recentemente, numa outra rede social, deparei-me com um fenómeno que, pela observação, aprendi a reconhecer: os bookaholics.
É provável que o que aqui vou dizendo sobre livros seja suficiente para me tornar elegível em alguma das subcategorias desta espécie, mas não da dos book... que me chamaram a atenção: jovens adolescentes (muitos deles brasileiros/as, mas deve ser uma moda global) que se fazem fotografar entre dezenas de tomos de autores para mim desconhecidos e que, além da leitura e dos selfies literários, gostam de partilhar citações melosas como se fossem verdades universais. 
Apercebi-me que há, entre estes autores, um que é particularmente apreciado: John Green.
No verão tive oportunidade de folhear um dos seus livros: jovens de pensamentos desordenado e emoções à flor da pele, tudo expresso numa linguagem simples, rica em termos, interjeições - Tipo... okay?... adoro... -, rasgos de humor e non sense muito em voga entre adolescentes e jovens com que me vou cruzando. Lembro-me de comentar, com uma mãe meio abanada com a vertigem da sua adolescente a adolescer, que é o importante é que leiam, que lhe tomem o gosto...
Passados uns meses as minhas alunas falaram-me da obra de referência de Green: A culpa é das estrelas. Tinham visto em sala o filme homónimo, escolhido pela minha colega para abordar a temática da morte dos cuidados em fim de vida. Toda a gente gostou do filme e, para meu espanto, recomendaram-me que lesse o livro antes de ver o filme.
Assim foi, li o livro que uma delas me emprestou (ainda não me abeirei ao filme). Não sendo extraordinário, é uma história com mérito, que fala de temas duros com leveza e seriedade e que, cereja em cima do bolo, muito me ajudou a perceber estes bookaholics virtuais e, sobretudo, algumas pessoas de carne e osso.

#2 [aproximação a Bolaño]

Dizem que Os dissabores do verdadeiro polícia não é dos romances mais emblemáticos de Bolaño, pese a ter sido uma obra em inquietação que o acompanhou pela vida.
Para primeira abordagem, confesso a decepção. Reconheço a mestria da escrita, mas a forma não me convenceu.
Talvez me deixe convencer na próxima tentativa.

#1[anatomia dos mártires]

 

João Tordo aventurou-se a ficcionar sobre uma história que se tornou mito, arriscando-se, como a personagem do seu livro, a ser mal compreendido e ostracizado por quem se agarrou à memória de Catarina Eufémia como uma bandeira ou por aqueles que, 60 anos depois, ainda se dedicam a branquear a história do fascismo português e da repressão que os alentejanos e as alentejanas sofreram na pele. 
Pese a incerteza sobe a verdadeira história de Catarina - o episódio está pouco documentado, tendo sobrevivido graças à tradição oral, em versões que variam entre a heróica militante do PCP assassinada pela sua condição e a vítima de uma bala acidental - Tordo consegue traçar um bom retrato de alguém que, em busca de comida para os filhos, ousou levantar-se do chão. Ao mesmo tempo, tira a medida a outros e outras que, voluntária ou involuntariamente, alimentam e são mártires da crise que, nestes tempos canalhas, nos calhou. 

8.10.15

#1 [I can't take my mind off you...]

cauda

O casamento da Joana foi bonito.
Quando oiço a música da cerimónia ainda me arrepio e esta fotografia até virou página de livro...
De vez em quando o tempo e o destino atraiçoam-nos e viram para o lado errado.
Fica a memória dos sonhos e esperanças que acenderam esses dias.
Descansa em paz. 

24.9.15

# [em jeito de outono]

Coisas que não há 
Uma coisa que me põe triste
é que não exista o que não existe.
(Se é que não existe, e isto é que existe!)
Há tantas coisas bonitas que não há:
coisas que não há, gente que não há,
bichos que já houve e já não há,
livros por ler, coisas por ver,
feitos desfeitos, outros feitos por fazer,
pessoas tão boas ainda por nascer
e outras que morreram há tanto tempo!
Tantas lembranças de que não me lembro,
sítios que não sei, invenções que não invento,
gente de vidro e de vento, países por achar,
paisagens, plantas, jardins de ar,
tudo o que eu nem posso imaginar
porque se o imaginasse já existia
embora num sítio onde só eu ia...

Manuel António Pina

5.8.15

#1 [poema para agosto]

Recado aos corvos
Levai tudo:
o brilho fácil das pratas,
o acre toque das sedas.
Deixai só a incomensurável
memória das labaredas

António Manuel Pires Cabral

13.6.15

#1 [Um dizer ainda puro]

imagino que sobre nós virá um céu
de espuma e que, de sol em sol,
uma nova língua nos fará dizer
o que a poeira da nossa boca adiada
soterrou já para lá da mão possível
onde cinzentos abandonamos a flor.
dizes: põe nos meus os teus dedos
e passemos os séculos sem rosto,
apaguemos de nossas casas o barulho
do tempo que ardeu sem luz.
sim, cria comigo esse silêncio
que nos faz nus e em nós acende
o lume das árvores de fruto.
diz-me que há ainda versos por escrever,
que sobra no mundo um dizer ainda puro.
Vasco Gato

26.5.15

#1 [livro- musica-objecto-qualquer coisa]

And when I awoke, I was alone, this bird had flown
So I lit a fire, isn't it good, norwegian wood.

15.5.15

#1 [I was a sailor, I was lost at sea...]


Maybe I was wrong to ever let you down
But I did what I did before love came to town.

14.5.15

#1 [dez anos...]


Por mais que os anos passem, a alegria desse 14 de maio de 2005 continua a fazer-me os olhos brilhar.
Já voltou a acontecer e, apesar dos baldes de água fria, quero que se repita. Mas essa...

28.4.15

#1 [Gérald Bloncourt]

 Eterna Juventude
Grande, espadaúdo e, considerando os seus 89 anos, animado por uma energia insuspeita, Gérald Bloncourt parece Lenine e sorri como um miúdo.
A sua mão gentil e decidida, de dedos compridos e fortes, abre o espaço perfeito para a máquina fotográfica.
As suas imagens são um mito. O seu olhar é, será sempre, comprometido. 

13.4.15

# [Tributo a Galeano]

ou a difícil arte de florir

9.4.15

# [i think i'm dumb]


Or maybe just happy

1.4.15

#1 [leituras de primavera]

Uma foto publicada por André Beja (@metrografista) a

24.3.15

#1 [da arte de ver cometas *]

Haverá sempre mais um gesto,
um beijo, desejo por cumprir,
mesmo quando o silêncio fere
e a estrada simula distância.
Na luz oblíqua entrando
pela janela por dizer,
a ideia de uma lápide que,
 só de nome, não encerra a torrente.
A poesia reunida é um livro
espesso, transparente,
que afinal não encerra
 todas as palavras.

24 de Março de 2015
 
*Em memória de Herberto Hélder

23.3.15

#1 [um livro pálido]

27.2.15

#1 [Cecília eterna]


Roubado aqui

25.2.15

#1 [saudades]

de Lisboa no verão, da leveza dos caminhos e dos recantos desta cidade...

23.2.15

#1 [O crescimento de Renzi resistirá à Líbia?]

Itália é um país que sempre teve uma vocação exportadora e por isso soube aproveitar-se da baixa do euro. Pensar, no entanto, que se pode apostar tudo nisso poderá revelar- como um autogolo.
Artigo de  Jornalista italiano Salvatore Cannavò, que traduzi para o esquerda.net