5.8.15

#1 [poema para agosto]

Recado aos corvos
Levai tudo:
o brilho fácil das pratas,
o acre toque das sedas.
Deixai só a incomensurável
memória das labaredas

António Manuel Pires Cabral

13.6.15

#1 [Um dizer ainda puro]

imagino que sobre nós virá um céu
de espuma e que, de sol em sol,
uma nova língua nos fará dizer
o que a poeira da nossa boca adiada
soterrou já para lá da mão possível
onde cinzentos abandonamos a flor.
dizes: põe nos meus os teus dedos
e passemos os séculos sem rosto,
apaguemos de nossas casas o barulho
do tempo que ardeu sem luz.
sim, cria comigo esse silêncio
que nos faz nus e em nós acende
o lume das árvores de fruto.
diz-me que há ainda versos por escrever,
que sobra no mundo um dizer ainda puro.
Vasco Gato

26.5.15

#1 [livro- musica-objecto-qualquer coisa]

And when I awoke, I was alone, this bird had flown
So I lit a fire, isn't it good, norwegian wood.

15.5.15

#1 [I was a sailor, I was lost at sea...]


Maybe I was wrong to ever let you down
But I did what I did before love came to town.

14.5.15

#1 [dez anos...]


Por mais que os anos passem, a alegria desse 14 de maio de 2005 continua a fazer-me os olhos brilhar.
Já voltou a acontecer e, apesar dos baldes de água fria, quero que se repita. Mas essa...

28.4.15

#1 [Gérald Bloncourt]

 Eterna Juventude
Grande, espadaúdo e, considerando os seus 89 anos, animado por uma energia insuspeita, Gérald Bloncourt parece Lenine e sorri como um miúdo.
A sua mão gentil e decidida, de dedos compridos e fortes, abre o espaço perfeito para a máquina fotográfica.
As suas imagens são um mito. O seu olhar é, será sempre, comprometido. 

13.4.15

# [Tributo a Galeano]

ou a difícil arte de florir

9.4.15

# [i think i'm dumb]


Or maybe just happy

1.4.15

#1 [leituras de primavera]

Uma foto publicada por André Beja (@metrografista) a

24.3.15

#1 [da arte de ver cometas *]

Haverá sempre mais um gesto,
um beijo, desejo por cumprir,
mesmo quando o silêncio fere
e a estrada simula distância.
Na luz oblíqua entrando
pela janela por dizer,
a ideia de uma lápide que,
 só de nome, não encerra a torrente.
A poesia reunida é um livro
espesso, transparente,
que afinal não encerra
 todas as palavras.

24 de Março de 2015
 
*Em memória de Herberto Hélder

23.3.15

#1 [um livro pálido]

27.2.15

#1 [Cecília eterna]


Roubado aqui

25.2.15

#1 [saudades]

de Lisboa no verão, da leveza dos caminhos e dos recantos desta cidade...

23.2.15

#1 [O crescimento de Renzi resistirá à Líbia?]

Itália é um país que sempre teve uma vocação exportadora e por isso soube aproveitar-se da baixa do euro. Pensar, no entanto, que se pode apostar tudo nisso poderá revelar- como um autogolo.
Artigo de  Jornalista italiano Salvatore Cannavò, que traduzi para o esquerda.net

17.1.15

8.1.15

#1[Je suis Charlie Hebdo]


Ontem nem lembrei de a pôr aqui.
O cartoon é de Plantu

7.1.15

#1 [Por uma política das lutas: Syriza, Podemos e nós]



Toni Negri e Sandro Mezzadra defendem que está aberta a oportunidade de quebrar o domínio do pensamento único e o “extremismo do centro” que representa a moldura política da gestão da crise na Europa destes anos.
Artigo de Sandro Mezzadra e Toni Negri que traduzi para o esquerda.net
 

2.1.15

#1 [103 livros...]

A avaliar pelos registos, em 4 anos li 103 livros.
Cerca de um livro a cada duas semanas. Alguns pela primeira vez, outros pelo prazer do reencontro.
Não sendo brilhante, é uma média interessante. E das estatísticas não fazem parte aqueles que nunca acabei ou o que li em contexto de trabalho....
A ver se chego aos 250 antes do fim da década.


28.12.14

#1 [uma questão de escala?]


Nos últimos dias andei de volta d' O Meu Amante de Domingo. Foi o primeiro contacto com o registo "para lá da crónica" de Alexandra Lucas Coelho - ainda não li o romance inaugural –, mas logo reconheci o seu charme pós moderno ou o ritmo torrencial e (agaora também) tropicalista.  
O texto transpira os dias que passam, pejada de presente e de coisa efémeras, assente num substrato riquíssimo, que permite diferentes leituras e que projecta o Amante para lá do domingo e para lá desse 2014 em que se situa.
Até aqui vai tudo bem, o importante é como aterramos. Mas, enquanto avançava em direcção a Carnide, dei comigo a desenhar um paralelo entre este Amante e a Pornopopeia de Reinaldo Moraes. 
Com uma clara diferença de escala – talvez pelo tamanho do livro ou pela pequenez do eixo Lisboa/Alentejo quando comparado com S. Paulo -, a comparação impôs-se-me em jeito de inquietação. A coincidência está não só no fio condutor, que tresanda a sacanagem, e na linguagem coloquial e no tratar o sexo na primeira pessoa (ou na variante nasalada de Cascais), mas também na forma da história dentro da história, nas marcas de contemporaneidade e de existencialismo apimentadas com literatura e clássicos, no confronto geracional das ideias e dos corpos.
E está nos percursos de Zeca e da Cinquentona Cool: Ele alimentado a coca, procura escrever um comercial perfeito enquanto desenrola o script da sua existência, ao passo que ela, movida a ressentimento, entra pelo romance procurando destilar o ódio. Para ambos, o prazer impõe-se como caminho da redenção.
Embora habituado (e rendido) ao estilo poético jornalístico de ALC, confesso-me, ao mesmo tempo, surpreendido e desconcertado com o Amante, sem saber ao certo do que mais gostei. 


22.12.14

#1 [odeio as manhãs]



Às vezes pergunto-me como será isso de estar preso. Um, dois, três, sete, dez, vinte anos… Por mais voltas à cabeça, não consigo imaginar o que será isso de uma vida de claustrofobia, de privação, de falta de contacto com a realidade, sem direito a gestos e pequenos prazeres que fazem parte dos dias. 
As prisões dão-nos algum conforto emocional mas devem ser questionadas. No seu “Odeio as Manhãs” Jean Marc Rouillan ajuda–nos nessa tarefa, mostrando que, mais do que uma ferramenta necessária à regulação da sociedade, estas instituições  são instrumento da violência de Estado, garantem o seu funcionamento e, de certa forma, o perpetuar os poderes instituídos.
Militante comprometido com uma transformação da sociedade por via da violência, Rouillan (n. 1952), passou mais tempo da sua vida em reclusão carcerária. O seu testemunho fala-nos das arbitrariedades, da teia burocrática, das diferenças de tratamento consoante a classe e da vingança exercída por quem ousou questionar, dos inocentes e daqueles que, por iliteracia ou qualquer outra razão, ficam enleados nas malhas da rede sem se conseguirem soltar.  
No fim da leitura, a mesma inquietação, a mesma sede insasiável, a mesma pergunta sem resposta: liberdade, onde estás?

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