24.3.15

#1 [da arte de ver cometas *]

Haverá sempre mais um gesto,
um beijo, desejo por cumprir,
mesmo quando o silêncio fere
e a estrada simula distância.
Na luz oblíqua entrando
pela janela por dizer,
a ideia de uma lápide que,
 só de nome, não encerra a torrente.
A poesia reunida é um livro
espesso, transparente,
que afinal não encerra
 todas as palavras.

24 de Março de 2015
 
*Em memória de Herberto Hélder

23.3.15

#1 [um livro pálido]

27.2.15

#1 [Cecília eterna]


Roubado aqui

25.2.15

#1 [saudades]

de Lisboa no verão, da leveza dos caminhos e dos recantos desta cidade...

23.2.15

#1 [O crescimento de Renzi resistirá à Líbia?]

Itália é um país que sempre teve uma vocação exportadora e por isso soube aproveitar-se da baixa do euro. Pensar, no entanto, que se pode apostar tudo nisso poderá revelar- como um autogolo.
Artigo de  Jornalista italiano Salvatore Cannavò, que traduzi para o esquerda.net

17.1.15

8.1.15

#1[Je suis Charlie Hebdo]


Ontem nem lembrei de a pôr aqui.
O cartoon é de Plantu

7.1.15

#1 [Por uma política das lutas: Syriza, Podemos e nós]



Toni Negri e Sandro Mezzadra defendem que está aberta a oportunidade de quebrar o domínio do pensamento único e o “extremismo do centro” que representa a moldura política da gestão da crise na Europa destes anos.
Artigo de Sandro Mezzadra e Toni Negri que traduzi para o esquerda.net
 

2.1.15

#1 [103 livros...]

A avaliar pelos registos, em 4 anos li 103 livros.
Cerca de um livro a cada duas semanas. Alguns pela primeira vez, outros pelo prazer do reencontro.
Não sendo brilhante, é uma média interessante. E das estatísticas não fazem parte aqueles que nunca acabei ou o que li em contexto de trabalho....
A ver se chego aos 250 antes do fim da década.


28.12.14

#1 [uma questão de escala?]


Nos últimos dias andei de volta d' O Meu Amante de Domingo. Foi o primeiro contacto com o registo "para lá da crónica" de Alexandra Lucas Coelho - ainda não li o romance inaugural –, mas logo reconheci o seu charme pós moderno ou o ritmo torrencial e (agaora também) tropicalista.  
O texto transpira os dias que passam, pejada de presente e de coisa efémeras, assente num substrato riquíssimo, que permite diferentes leituras e que projecta o Amante para lá do domingo e para lá desse 2014 em que se situa.
Até aqui vai tudo bem, o importante é como aterramos. Mas, enquanto avançava em direcção a Carnide, dei comigo a desenhar um paralelo entre este Amante e a Pornopopeia de Reinaldo Moraes. 
Com uma clara diferença de escala – talvez pelo tamanho do livro ou pela pequenez do eixo Lisboa/Alentejo quando comparado com S. Paulo -, a comparação impôs-se-me em jeito de inquietação. A coincidência está não só no fio condutor, que tresanda a sacanagem, e na linguagem coloquial e no tratar o sexo na primeira pessoa (ou na variante nasalada de Cascais), mas também na forma da história dentro da história, nas marcas de contemporaneidade e de existencialismo apimentadas com literatura e clássicos, no confronto geracional das ideias e dos corpos.
E está nos percursos de Zeca e da Cinquentona Cool: Ele alimentado a coca, procura escrever um comercial perfeito enquanto desenrola o script da sua existência, ao passo que ela, movida a ressentimento, entra pelo romance procurando destilar o ódio. Para ambos, o prazer impõe-se como caminho da redenção.
Embora habituado (e rendido) ao estilo poético jornalístico de ALC, confesso-me, ao mesmo tempo, surpreendido e desconcertado com o Amante, sem saber ao certo do que mais gostei. 


22.12.14

#1 [odeio as manhãs]



Às vezes pergunto-me como será isso de estar preso. Um, dois, três, sete, dez, vinte anos… Por mais voltas à cabeça, não consigo imaginar o que será isso de uma vida de claustrofobia, de privação, de falta de contacto com a realidade, sem direito a gestos e pequenos prazeres que fazem parte dos dias. 
As prisões dão-nos algum conforto emocional mas devem ser questionadas. No seu “Odeio as Manhãs” Jean Marc Rouillan ajuda–nos nessa tarefa, mostrando que, mais do que uma ferramenta necessária à regulação da sociedade, estas instituições  são instrumento da violência de Estado, garantem o seu funcionamento e, de certa forma, o perpetuar os poderes instituídos.
Militante comprometido com uma transformação da sociedade por via da violência, Rouillan (n. 1952), passou mais tempo da sua vida em reclusão carcerária. O seu testemunho fala-nos das arbitrariedades, da teia burocrática, das diferenças de tratamento consoante a classe e da vingança exercída por quem ousou questionar, dos inocentes e daqueles que, por iliteracia ou qualquer outra razão, ficam enleados nas malhas da rede sem se conseguirem soltar.  
No fim da leitura, a mesma inquietação, a mesma sede insasiável, a mesma pergunta sem resposta: liberdade, onde estás?

Ler mais sobre "Odeio as Manhãs"

1.12.14

#1 [Quando os homens se entenderem…]



Quando os homens se entenderem...
Foi com este verso, repetido dezenas de vezes, que Filipe Mukenga tentou, tal como Tom Jobim tentara, fazer avançar as cerimónias do 10 de Junho que, nessa quente noite de 9 de junho de 1993, estavam a arrancar em Sintra. Mas a fúria de milhares de pessoas, maior parte jovens suburbanos, não esmoreceu.
Para a história fica uma imagem de gente mal educada que não soube apreciar a mestria do mestre Jobim e de Filipe Mukenga – há até quem os recorde como "saloiada turba". Eu, que fiz parte desse grupo de saloios, sei que o que se passou nessa noite foi muito mais do que um desacato ou manifestação da famosa tacanhez de quem habita o arrabalde de Lisboa

30.11.14

#3 [efemérides III]

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#2 [efemérires II]

  
Li hoje que um dos grandes discos da música portuguesa já leva 25 anos a tocar. 
Sobre a efeméride, o Blitz apontava que  “… em março de 1989, Bairro do Amor é muito bem recebido pela crítica e pelo público, sendo albergue de canções que, desde então, se tornaram referências do repertório do músico lisboeta, à época com 38 anos - é o caso de "Frágil", "Dá-me Lume", "Só" ou do tema-título ”.
De facto, é uma obra obra repleta de temas mágicos, daqueles que, ainda hoje, me fazem viajar