18.2.14

#1 [Vambora...]



Querem saber o que me provoca Vai Brasil, de Alexandra Lucas Coelho? O palato.
É isso mesmo, é um livro que me provoca o palato, nome de atlas para céu da boca, que se arqueia para enrolar a língua com o português do Brasil, jabuti e tupiqui elevados à enésima potência.
Céu-da-boca que se enche de saliva com as descrições da cozinha amazónica e as suas iguarias que nem tive coragem de ir ver ao Google que aspecto têm, não fosse engasgar-me de vez.
Palato que se transforma em câmara de ressonância de onomatopeia e admiração com a música de Wisnik ou de Jeneci, o instantâneo sobre Fernando Lemos, a sacanagem épica à volta de Pornopopeia, com as águas e as lamas de Março ou com a roda da Esquina do Ouvidor.  
Céu da boca que exaspera de secura quando a autora nos conduz favela a cima, pela linha do equador, no interior do Copacabana Palace, pelo teatro de Manaus, ao museu que Siza deixou na Bahia, dentro do Brasil do futuro que está sendo e das desigualdades que, apesar de tudo, ainda não foram.
Editado em 2013 pela Tinta da China, Vai Brasil é jornalismo de viagem que foi passando pelas páginas do Público e está em permanência no blogue Atlântico Sul. Aguardemos pois pelo próximos volumes.

14.2.14

#1 [25 anos depois do primeiro, voltei ao walkman...]


4g dão para quantas cassetes de 90 minutos de música ?

13.2.14

#2 [Dança! Não Dá Para Fugir...]

#1 [tem de ser...]

" Dança. Não serve nada ficar a remoer nisto ou naquilo. O importante é manter um passo regular, sem perder o ritmo. Manter o sistema a funcionar. Continuar sempre a observar com atenção para ver onde me leva a corrente. Tenho de continuar a existir neste mundo.
(…)
Dança, tinha dito o Homem-Carneiro. Dança o melhor que souberes e puderes. A ponto de deixares toda a gente de boca aberta.”

Haruki Murakami,
In Dança, Dança, Dança

11.2.14

#2 [Sophia chamava-lhe o "Deserto do mundo"]

Nos tímpanos,
como um acorde desmedido,
a cava respiração dos desertos assola-te.
Contorces-te, quando me aproximo,
e benditos são os frutos do teu ventre, no oásis onde
amadurecem.
Mas não temos tempo.
Envelhecemos,
vamos e voltamos,
e ao irmos e virmos, somos a errância dos pés, entregues
à sua mecânica,
indiferentes aos pesares,
desfalecendo, retomando a marcha,
a estrada tantas vezes percorrida por uns olhos abertos
que já não vêem,
tão habituados a reter nas suas órbitas as paisagens do
desalento.


José Agostinho Baptista
in Caminharei pelo Vale da Sombra

#1 [frases perdidas na tempestade]

(...)
I would that we were, my beloved, white birds on the foam of the sea!

31.1.14

#1 [em resumo...]

"(...)
Há pessoas que me perguntaram se eu recomendo uma visita a Auschwitz. O que respondo a pessoas que vão à Disney ou a Biarritz? Auschwitz não é uma visita agradável. Interessante, sim, porque é uma porta crucial para a História do Século XX, e com uma carga emocional muito grande. Teria de ter um motivo para regressar, não o faria enquanto turista."


António G. Iturbe, autor de A Bibliotecária de Auschwitz
Ipsilon, 31 de Janeiro de 2014

29.1.14

#1 [Chewbacca]


Separados à nascença?

23.1.14

#1 [ o empreendedorismo, again]

Ora vamos, por um instante, fazer de conta que a realidade existe – pode ser? Consultando as estatísticas, constata-se que temos já uma brutalidade de gente a trabalhar por conta própria ou em empresas familiares – nada menos que 42% de activos empregados em empresas com 9 ou menos trabalhadores. Por comparação, apenas 19% dos trabalhadores alemães e 11% dos americanos laboram em empresas dessa dimensão. Aparentemente, atitude empreendedora é coisa que não falta por cá.

João Pinto e Castro 
in Negócios Online, 07 Maio 2012 
 

22.1.14

#1 [Nuvem Murakamiama]

Image by 川燙蝦夷
A Sul da Fronteira, A oeste do Sol foi o quinto livro de Murakami que li no espaço de um ano.
Tenho mais um na pilha de espera e mais dois ou três a que posso chegar. Enquanto lia este, dei comigo a listar um conjunto de elementos que já encontrara várias vezes nos outros. Eis alguns dos que, de memória, consigo coligir...

Adolescentes
Amores platónicos
Animais fantásticos
Anúncios de necrologia
Bairros periféricos
Biblioteca
Cabine telefónica
Cinema (sala, filmes, planos e aproximações)
Condução em auto-estrada à chuva
Especulação imobiliária

21.1.14

#1 [como se...]

Olhando o nevoeiro lá fora, branco branco, lembrei-me disto.

20.1.14

#1 [crónica....]

A simplicidade e a complexidade ombro a ombro, numa história curta e de enredo bem montado, contada naquele ritmo que só Garcia Márquez sabe.

6.1.14

#1 [com um nó na garganta]

Solomon Northup foi raptado e escravizado, conseguindo, ao fim de 12 longos anos, recuperar a sua condição de homem livre. Terá sido um dos poucos, entre milhares, a consegui-lo e dedicou o resto da vida à causa abolicionista.  Um episódio da história que infelizmente, 120 anos depois, não é só memória.

4.1.14

#2 [é de Børli...*]

UMA COISA É NECESSÁRIA

Uma coisa é necessária – aqui
neste nosso mundo díficil
de sem-abrigos e desterrados:

Fixares residência em ti.

Entra pela escuridão
e limpa a fuligem da lâmpada.

Para que as pessoas na estrada
possam entrever uma luz
em teus olhos habitados.

Hans Børli, 1974



*Descoberto aqui
Confirmado aqui

#1 [uma visão sobre a compra da Chrysler pela Fiat...]

 A Fiat anunciou a aquisição dos 41,5% da Chrysler que ainda não controla e que, desde o resgate patrocinado por Obama, é detido pelo sindicato United Auto Workers. Um negócio que só foi possível pelo sacrifício dos operários de Detroit.

 Artigo do Jornalista Italiano Salvatore Cannavò que traduzi para www.esquerda.net

2.1.14

#1 [O ano sabático]

O primeiro dia do ano foi passado com o João Tordo e das vidas paralelas de Hugo e Luís.
O autor confirmou a boa impressão que já me deixara. Resta-me agora saborear as camadas deste livro que, em apenas 206 páginas, guarda vidas, inquietações e muita poesia.

30.12.13

#1 [girando por aí...]



“Lembro-me perfeitamente da conversa que tivemos sobre o Sputnik da primeira vez que nos encontrámos. Ela estava a referir-se aos escritores beatnick e eu fiz confusão com o Sputinik. Desatámos a rir e isso ajudou a quebrar o Gelo. Sabe o que quer dizer Sputinik em russo? Companheiro de viagem. Fui ver no dicionário aqui há dias. Pensando bem, não deixa de ser uma estranha coincidência. Gostava de saber onde os russos foram buscar um nome tão curioso para dar ao seu satélite. Afinal de contas, aquilo não passava de uma porcaria de um pedaço de metal que andava para ali a girar à volta da Terra.”

Haruki Murakami In Sputinik, meu amor

26.12.13

#2 [Attention: Santa is watching you...]

#1 [12 Filmes que vi (ou revi) e de que me esqueci de falar]



  1. As férias do Senhor Hulot.
  2. As Aventuras de Tintin – o segredo de Licorne.
  3. Vão-me buscar Alecrim
  4. Em busca da Felicidade.
  5. Amigos improváveis.
  6. The act of killing
  7. Call girl.
  8. Die Hard4.
  9. Terra e Liberdade.
  10. Mar Adentro.
  11. Estranhos de Passagem.
  12. Philadelphia.

17.12.13

# [ouvido no rádio...]

Hoje reformulo os votos e o meu desejo:
Eu preciso mais de ti do que te vais lembrando.
Um feliz Natal, não hoje, mas o ano inteiro!

13.12.13

#2 [up date]

A saga continua...
Melhor que este mel só mesmo o dos dióspiros :)

11.12.13

#1 [Mandela]


Mandela
Originally uploaded by André Beja

10.12.13

#1 [Poemarma]



Bom som, boa poesia e um excelente trabalho gráfico do Ivar Couceiro.

9.12.13

#1[...]

http://mariamachado.blog.com/files/2010/02/invictus-poem.jpg

6.12.13

#1 [Obrigado Madiba]



11 de Fevereiro de 1990, o dia da Libertação

Obrigado Madiba


Nunca esquecerei o sol
dessa tarde de Fevereiro
em que caminhaste, Madiba,
pela longa a avenida
que te trouxe à liberdade.

No teu rosto aberto,
a elegância solidária.
No punho cerrado,
 a certeza da certeza  
que a prisão nunca vergou.

O povo do Soweto
celebrava o teu regresso
e no seu cantar havia a possibilidade
de tudo ser diferente.
E melhor.

Esta foi a mais bela
lição de esperança
que um miúdo de 13 anos
pôde ter.

5 de Dezembro de 2013

3.12.13

#1 [ultrapassar a parede...]



Não existe no mundo real nada que se possa comparar em beleza às ilusões de um homem em riscos de perder a razão.

Haruki Murakami, in 
Auto-Retrato do Escritor Enquanto Corredor de Fundo

25.11.13

#1 [Abril Idade]

Porque ainda está quase tudo por fazer, aqui vos deixo um belo texto do meu amigo e camarada Carlos Carujo que recorda esses dias em que (também para mim) a luta se tornou, mais do que uma urgência, uma exigência.

22.11.13

#1 [Havana Blue]

Encontrei Mario Conde por mero acaso numa feira de livros baratos. Como já li (e gostei) de outros livros de Padura, aproveitei a vontade da Leya em acabar com os fundos de coleção para entrar no mundo deste polícia melancólico e descobri-lo muito o estilo de outros personagens que vou colecionando.
N'Um Passado Perfeito, o tenente Conde conduz uma investigação pelo fim de Outono/principio de Inverno de Havana, quando as folhas começam a cair e o frio a fazer-se sentir, e traça o destino de um anjo caído.
Um triller que, visto à distância e considerando que foi escrito no recta final de 1990, antevê as desilusões e dificuldades que Cuba atravessa desde o fim da União Soviética.

11.11.13

#1 [facto]

Ah! Como é doce sabor dos bons resultados... :)

6.11.13

#1 [asi ès...]

5.11.13

#1 [ora toma]

Para Touraine, a sociedade pós-industrial, longe de acabar com os conflitos, generaliza-os.

#1 [Lou Reed, pela noite fora]

2.11.13

#1 [sobre o mito do empreendedorismo como salvador da pátria]

 Como sabemos, não podemos prever o futuro e, estritamente falando, não há futuro enquanto não o fizermos, mas se eu pudesse, se eu pudesse arrancava todas as estrelas do céu e dava-as uma a uma ao meu país

Virgínia Trigo - Professora no ISCTE Business School 
Jornal de Negócios, 6 de Maio de 2013

28.10.13

#1 [Novidades...]


Novidades...
Originally uploaded by André Beja