28.8.14

[Museu Abel Manta - uma pérola escondida]


Último Auto-Retrato. Abel Manta, 1975

Foi com grande surpresa que, numa tarde inclemente de verão do interior de Portugal, dei comigo diante aguarelas, pinturas, gravuras e ilustrações daquela que foi a coleção particular do pintor Abel Manta e que  inclui de muitos dos meus favoritos e favoritas, com grande destaque para os surrealistas do KWY.  E sem pagar bilhete,porque a educação para a arte e cultura faz-se, a par da promoção do turismo e da economia, de opções como esta.
Quem anda (ou vai) para os lados de Gouveia não deve esquecer de pôr na agenda uma visita ao museu municipal Abel Manta, instalado no Solar dos Condes de Vinhó e Almedina, no centro coração do centro histórico daquela cidade do sopé da Serra da Estrela.  
Além de obras do autor gouveense e do seu filho João Abel Manta, a exposição permanente do museu inclui mais 70 autores do último século português, amigos e contemporâneos de Manta
Entre outras, é possível apreciar obras de Árpád Szenes, Bartolomeu Cid, Clementina Carneiro de Moura, João Vieira, Júlio Pomar, Júlio Resende, Lourdes de Castro, Menez, Marcelino Vespeira, Nair Afonso, Paula Rego, René Bertholo ou Vieira da Silva. 


A descobrir.

27.8.14

#1 [mais uma para a banda sonora do verão...]



A vida continua...

26.8.14

#2 [O hino deste verão... ]

#1 [livros inesperados]



Passado na Catalunha rural do início dos anos sessenta do século XX, Cânfora é uma história de amores e desamores, de ciúmes e invejas, de ternura e sofrimento, que convoca os fantasmas do passado, as luz e o conforto que chegam, os ares e os ecos da cidade de Barcelona e os sonhos de uma vida melhor.
   

22.8.14

#1 [e aos primeiros raios do amanhecer...]

(...) Vi-me por fim, depois da batalha, caminhando por uma planície desolada, tão só como fria é a eternidade... às vezes ainda encontro uma marca do combate, ou um antigo companheiro que se cruza comigo sem se atrever a levantar os olhos.
- Porquê eu, então? Porque não procuraste no outro grupo, entre os que vencem?... Eu só ganho batalhas à escala de 1:5000.
A jovem voltou-se para o longe, para a distância. O sol despontava nesse instante e o primeiro raio de luz horizontal cortou a manhã como um traço fino e avermelhado que incidia directamente no seu olhar. Quando se voltou de novo para Corso, este sentiu uma vertigem ao encarar toda aquela luz reflectida nos olhos verdes.
- Porque a lucidez nunca vence. E nunca valeu a pena seduzir um imbecil.
Aproximou então os lábios e beijou-o lentamente, com infinita doçura. Como se tivesse esperado uma eternidade para fazer aquilo.
(...)

Arturo Pérez-RevertPérez-Reverte
in O Clube Dumas

17.8.14

#2 [Sepúlveda igual a si mesmo...]


Os caracóis que vivem no prado chamado País do Dente-de-Leão, sob a frondosa planta do calicanto, estão habituados a um estilo de vida pachorrento e silencioso, escondidos do olhar ávido dos outros animais, e a chamar uns aos outros simplesmente «caracol». Um deles, no entanto, acha injusto não ter um nome e fica especialmente interessado em conhecer os motivos da lentidão. Por isso, e apesar da reprovação dos restantes caracóis, embarca numa viagem que o vai levar ao encontro de uma coruja melancólica e de uma tartaruga sábia, que o guiam na compreensão do valor da memória e da verdadeira natureza da coragem, e o ajudam a orientar os seus companheiros numa aventura ousada rumo à liberdade.

#1 [leituras de verão...]



(…)
Foi isso que disse a Barbara, que seguia ao meu lado no carro. – Nunca vamos chegar a Persépolis – disse eu, - não vamos resistir à viagem.
- Quatrocentos quilómetros – disse ela. – Mas tu não fizeste já esta viagem?
- Precisamente por isso- respondi, - na primeira vez ousamos tudo, porque não conhecemos a modéstia. Mas depois, depois não devemos cair em tentação outra vez.
 - Quanto a isso – disse Barbara, - fui eu quem te fez cair em tentação. Fui eu quem te convenceu a faz der esta viagem. Não me digas agora que estás arrependida!
- De qualquer maneira, teria tentado outra vez.
- De qualquer maneira?
- É que neste país temos de estar duas vezes certos das coisas que amamos.
- Uma defesa contra esta impressão de estarmos a sonhar?
- Sim – disse eu, - faz-me medo. Tenho medo do efémero.
Mas já o nome de Persépolis era imperecível e intocável, e ninguém podia esquecer a visão das suas ruínas.
- Este país faz de nós cobardes – disse Barbara.
 (...)

Annemarie Schwarzenbach 
in Morte na Pérsia