30.11.14
27.11.14
24.10.14
#1 [sem mais palavras... ]
(...)
This thing that we do
Louder than words
It way it unfurls
It's louder than words
The sum of our parts
The beat of our hearts
It way it unfurls
It's louder than words
The sum of our parts
The beat of our hearts
Is louder than words.
(...)
(...)
Louder than words
Pink Floyd
(Ouvir aqui, até ver)
18.10.14
#1 [hoje não é de caça, mas a coutada continua...]
"(...) A serra é coutada. A nós, sintrenses, era tal caça vedada, a
não ser que algum caçador mais ousado a praticar quisesse. Para tal bastava
escapar à vigilância dos monteiros. Coisa estranha, contudo. Nós que ali
morávamos, que da serra suportávamos a humidade, abençoando-a quando nos dá
água e pedra e madeira, não podíamos saborear-lhe os frutos (…).”
Sérgio Luís de Carvalho
in Anno Domini 1348
29.9.14
24.9.14
#1[Walk the line]
I keep a close watch on this heart of mine
I keep my eyes wide open all the time
I keep the ends out for the tie that binds
I keep my eyes wide open all the time
I keep the ends out for the tie that binds
Because you're mine, I walk the line
17.9.14
#1 [sorrisos de salão]
(…)
Depois de cumprimentar o comandante da praça, Fermina Daza
pareceu vacilar diante da mão estendida de Florentino Ariza. O militar,
disposto a apresentá-los, perguntou-lhe a ela se não se conheciam. Ela não
disse nem que sim nem que não, mas estendeu a mão a Florentino Ariza com um
sorriso de salão. Aquilo tinha acontecido por duas vezes no passado e iria
acontecer mais vezes, mas Florentino Ariza assimilou-o sempre como um
comportamento próprio do carácter de Fermina Daza. Porém, naquela tarde,
perguntou-se com a sua infinita capacidade de ilusão, se uma indiferença tão
encarniçada não seria um subterfúgio para disfarçar um sofrimento de amor.
(…)
Gabriel García Marquez in
O Amor Nos Tempos de Cólera
12.9.14
#[...]
Pergunta-me
se ainda és o meu fogo
se acendes ainda
o minuto de cinza
se despertas a ave magoada que se queda na árvore do meu sangue
Pergunta-me se o vento não traz nada se o vento tudo arrasta se na quietude do lago repousaram a fúria e o tropel de mil cavalos
Pergunta-me se te voltei a encontrar de todas as vezes que me detive junto das pontes enevoadas e se eras tu quem eu via na infinita dispersão do meu ser se eras tu que reunias pedaços do meu poema reconstruindo a folha rasgada na minha mão descrente
Qualquer coisa pergunta-me qualquer coisa uma tolice um mistério indecifrável simplesmente para que eu saiba que queres ainda saber para que mesmo sem te responder saibas o que te quero dizer
se ainda és o meu fogo
se acendes ainda
o minuto de cinza
se despertas a ave magoada que se queda na árvore do meu sangue
Pergunta-me se o vento não traz nada se o vento tudo arrasta se na quietude do lago repousaram a fúria e o tropel de mil cavalos
Pergunta-me se te voltei a encontrar de todas as vezes que me detive junto das pontes enevoadas e se eras tu quem eu via na infinita dispersão do meu ser se eras tu que reunias pedaços do meu poema reconstruindo a folha rasgada na minha mão descrente
Qualquer coisa pergunta-me qualquer coisa uma tolice um mistério indecifrável simplesmente para que eu saiba que queres ainda saber para que mesmo sem te responder saibas o que te quero dizer
Mia Couto, in 'Raiz de Orvalho'
7.9.14
#1 [...]
Mar de Setembro
Tudo era claro:
céu, lábios, areias.
O mar estava perto,
Fremente de espumas.
Corpos ou ondas:
iam, vinham, iam,
dóceis, leves, só
alma e brancura.
Felizes, cantam;
serenos, dormem;
despertos, amam,
exaltam o silêncio.
Tudo era claro,
jovem, alado.
O mar estava perto,
puríssimo, doirado.
Eugénio de Andrade
3.9.14
28.8.14
[Museu Abel Manta - uma pérola escondida]
| Último Auto-Retrato. Abel Manta, 1975 |
Foi com grande surpresa que, numa tarde
inclemente de verão do interior de Portugal, dei comigo diante
aguarelas,
pinturas, gravuras e ilustrações daquela que foi a coleção particular do
pintor Abel Manta e que inclui de muitos dos meus favoritos e
favoritas, com
grande destaque para os surrealistas do KWY. E sem pagar bilhete,porque a educação para a arte e cultura faz-se, a par
da promoção do turismo e da economia, de opções como esta.
Quem anda (ou vai) para os lados de Gouveia não deve esquecer de pôr na agenda uma visita ao museu municipal Abel Manta, instalado no Solar dos Condes de Vinhó e Almedina, no
centro coração do centro histórico daquela cidade do sopé da Serra da Estrela.
Além de obras do autor gouveense e do seu filho João Abel Manta,
a exposição permanente do museu inclui mais 70 autores do último
século português, amigos e contemporâneos de Manta
Entre outras, é possível apreciar obras de Árpád Szenes, Bartolomeu
Cid, Clementina Carneiro de Moura, João Vieira, Júlio Pomar, Júlio Resende, Lourdes
de Castro, Menez, Marcelino Vespeira, Nair Afonso, Paula Rego, René Bertholo ou
Vieira da Silva.
27.8.14
26.8.14
#1 [livros inesperados]
Passado na Catalunha rural do início dos anos sessenta do século XX, Cânfora é uma história de amores e desamores, de ciúmes e invejas, de ternura e sofrimento, que convoca os fantasmas do passado, as luz e o conforto que chegam, os ares e os ecos da cidade de Barcelona e os sonhos de uma vida melhor.
22.8.14
#1 [e aos primeiros raios do amanhecer...]
(...) Vi-me por fim, depois da batalha, caminhando por uma planície desolada, tão só como fria é a eternidade... às vezes ainda encontro uma marca do combate, ou um antigo companheiro que se cruza comigo sem se atrever a levantar os olhos.
- Porquê eu, então? Porque não procuraste no outro grupo, entre os que vencem?... Eu só ganho batalhas à escala de 1:5000.
A jovem voltou-se para o longe, para a distância. O sol despontava nesse instante e o primeiro raio de luz horizontal cortou a manhã como um traço fino e avermelhado que incidia directamente no seu olhar. Quando se voltou de novo para Corso, este sentiu uma vertigem ao encarar toda aquela luz reflectida nos olhos verdes.
- Porque a lucidez nunca vence. E nunca valeu a pena seduzir um imbecil.
Aproximou então os lábios e beijou-o lentamente, com infinita doçura. Como se tivesse esperado uma eternidade para fazer aquilo.
(...)
Arturo Pérez-RevertPérez-Reverte
in O Clube Dumas
- Porquê eu, então? Porque não procuraste no outro grupo, entre os que vencem?... Eu só ganho batalhas à escala de 1:5000.
A jovem voltou-se para o longe, para a distância. O sol despontava nesse instante e o primeiro raio de luz horizontal cortou a manhã como um traço fino e avermelhado que incidia directamente no seu olhar. Quando se voltou de novo para Corso, este sentiu uma vertigem ao encarar toda aquela luz reflectida nos olhos verdes.
- Porque a lucidez nunca vence. E nunca valeu a pena seduzir um imbecil.
Aproximou então os lábios e beijou-o lentamente, com infinita doçura. Como se tivesse esperado uma eternidade para fazer aquilo.
(...)
Arturo Pérez-RevertPérez-Reverte
in O Clube Dumas
17.8.14
#2 [Sepúlveda igual a si mesmo...]
Os caracóis que vivem no prado chamado País do Dente-de-Leão, sob a frondosa planta do calicanto, estão habituados a um estilo de vida pachorrento e silencioso, escondidos do olhar ávido dos outros animais, e a chamar uns aos outros simplesmente «caracol». Um deles, no entanto, acha injusto não ter um nome e fica especialmente interessado em conhecer os motivos da lentidão. Por isso, e apesar da reprovação dos restantes caracóis, embarca numa viagem que o vai levar ao encontro de uma coruja melancólica e de uma tartaruga sábia, que o guiam na compreensão do valor da memória e da verdadeira natureza da coragem, e o ajudam a orientar os seus companheiros numa aventura ousada rumo à liberdade.
Subscrever:
Mensagens (Atom)






