30.5.14

#1 [Sempre eles...]

Jacarandás
São eles que anunciam o verão.
Não sei doutra glória, doutro
paraíso: à sua entrada os jacarandás
estão em flor, um de cada lado.
E um sorriso, tranquila morada,
à minha espera.
O espaço a toda a roda
multiplica os seus espelhos, abre
varandas para o mar.
É como nos sonhos mais pueris:
posso voar quase rente
às nuvens altas – irmão dos pássaros –,
perder-me no ar.

Eugénio de Andrade

29.5.14

#1 [Miss You]

Ontem, na Antena 3, ouvi um programa sobre a passagem dos Stones pelo Disco Sound.
Uma verdadeira surpresa  :)
(...)
Oh everybody waits so long
Oh baby why you wait so long
Won't you come on! Come on!
(...)

28.5.14

#1 [para que a memória sirva o futuro...]

Aqui jazem 
cinco soldados franceses,
mortos com as botas nos pés, 
em busca do vento, 
onde murcham as rosas, 
há muito tempo.

Sebastien Japrisot, in 

26.5.14

# [Dos dias que passam]

Nothing is absolute.

Everything changes, everything moves, everything revolves, everything flies and goes away.

Frida Kahlo

23.5.14

#1 [...]

"Num mesmo dia, com poucas horas de intervalo, as minhas mãos alternavam a delicadeza do artista com a frieza do verdugo, e posso garantir que esse duplo comportamento não teve em mim qualquer efeito de esquizofrenia ou desiquilíbrio."

Eugenio Fuentes, in As mãos do Pianista

21.5.14

#1 [funanbulismo... ]



Ainda hoje, sempre que o mundo se apresenta como um espectáculo enfadonho e miserável, sou incapaz de resistir à tentação de relembrar o tempo em que, por força da necessidade, fui obrigado a aprender a difícil arte do funambulismo. 

João Tordo in 
"As três Vidas"

1.5.14

#2 [1º de Maio na minha rua]

1º de Maio de 1974, Av. Heliodoro Salgado, Sintra, Foto de Carlos Granja

# [numa imagem...]


30.4.14

#1 [mesmo bom*]

A luz é tão cega
Que nunca se entrega
Só se dexa ver numa razão de ser
Sem sequer entender
Os olhos que a vão receber
E o rasto que fica
É uma coisa antiga
Que a gente tem para dar
E só pode encontar
Quando volver a procurar
(...)

José Mário Branco in
Nem Deus Nem Senhor


*nem me lembrava como...

23.4.14

#1 [dia(s) de livros]



"O gajo era retorcido com alma de esbirro. Tinham-lhe injectado bem no cérebro a ilusão do poder. É o único método para fabricar mercenários: convencê-los de que formam parte do poder. Na realidade, nem sequer conseguem chegar perto do trono. Por isso os escolhem entre os mais rústicos. Ou entre os mais retorcidos e arrevessados. No final, quando os anos já lhes passaram por cima, têm uma fantástica sensação de fracasso e de derrota e de ter andado a perder tempo. Disfrutaram do poder das armas de fogo, de ter um pau na mão, de decidir sobre os demais cidadãos e humilhá-los e de lhes bater e empurrar para dentro de uma cela. Alguns compreendem então, com o fígado feito em bocados, que são uns desgraçados de uns brutos com o garrote na mão. Mas já estão tão cheios de medo que não conseguem deitá-lo cá para fora."

Pedro Juan Gutiérrez
In Trilogia Suja de Havana

20.4.14

#1 [...]

"Quando regressa à sala, encontra Karina sorridente e vestida, com o saxofone no estojo, como uma mala pronta para uma viagem.
- Vou embora polícia - diz ela, e o Conde sente vontade de a amarrar. Vai-se embora, pensa, vai-se-me embora. Terei sempre de a procurar."

Leonardo Padura, in Ventos de Quaresma

16.4.14

#2 [reciclando]


#1 [uma espécie de saudade]


“Entre Imagens” é um projecto de Pedro Macedo e Sérgio Mah que consiste numa série documental sobre 13 criadores cujo trabalho privilegia a prática do fotográfico. Fazendo justiça ao carácter amplo e diverso da cultura fotográfica, a série pretende abordar diferentes campos estéticos e sociais da imagem, desde a arte ao fotojornalismo, dos géneros do retrato às várias tendências da documentação da realidade quotidiana e do território.
Em todos os episódios, procura-se reflectir sobre o universo particular dos criadores (aqui entendidos como fotógrafos ou artistas visuais que trabalham predominantemente com o dispositivo fotográfico), com especial incidência em quatro vertentes fundamentais: percurso individual e influências criativas; metodologias e processos de trabalho; análise de imagens paradigmáticas; e atitudes e expectativas em relação ao panorama contemporâneo da imagem. Visa-se, deste modo, proporcionar um maior conhecimento e atenção sobre algumas das mais destacadas figuras da fotografia portuguesa actual.


AQUI

10.4.14

#1 [essa raiva a nascer-te dos dentes]

"Não me interessa a fuga, interessa-me o confronto, o embate, o arpão no corpo que sempre fugirá. Chamemos-lhe Moby Dick – ou amor – ou real. A vida verdadeira que é estar aqui a desejar além. A pulsão da guerra, qualquer espécie de guerra, é a sobrevida: vida conquistada à morte."
Alexandra Lucas Coelho

23.3.14

#2 [João Ribas is not Dead...]

Diz-me porque não há nada a fazer 
Se iremos fazer ou iremos perder 
Tentaremos mudar, o k há de mal 
Nem q tenhamos q percorrer Portugal
(...)
 

#1 [flash back...]

Lou Reed, New York, pela manhã.
Estava esquecido neste leitor de CD. Lembro-me de o ter ouvido numa noite de outono cheia de poesia, depois de uma sessão dedicada a Pessoa e aos seus heterónimos (os tais que não vão caber nos Jerónimos). Boa música e boas lembranças para começar o dia.

21.3.14

#1[...]

Diz que já há jacarandas a florir por Lisboa.
É a poesia que está na rua.

20.3.14

#1 [equinócio]

Foi um longo inverno.Cinzento, triste.
Venham daí a primavera e as suas esperanças.

16.3.14

#1 [liberdade...]

Nos olhos a mesma dor
No peito um medo igual
Ai, sinto queimar este fogo, dentro de mim!
Liberdade onde vais?
Liberdade onde cais?