24.2.14
#1 [Itália em crise: as empresas na rua, os sindicatos não]
A “Manifestação do Povo”, que juntou 60 mil artesãos e comerciantes em
Roma, é indicadora de uma tendência importante da sociedade italiana:
enquanto sectores da “classe média” têm demonstrado uma notável
capacidade de mobilização, assistimos, ao mesmo tempo, ao mutismo
sindical.
Artigo do Jornalista Italiano Salvatore Cannavò que traduzi para www.esquerda.net
Artigo do Jornalista Italiano Salvatore Cannavò que traduzi para www.esquerda.net
18.2.14
#1 [Vambora...]
Querem saber o que me provoca Vai Brasil, de Alexandra Lucas
Coelho? O palato.
É isso mesmo, é um livro que me provoca o palato, nome de atlas
para céu da boca, que se arqueia para enrolar a língua com o português do Brasil,
jabuti e tupiqui elevados à enésima potência.
Céu-da-boca que se
enche de saliva com as descrições da cozinha amazónica e as suas iguarias que
nem tive coragem de ir ver ao Google que aspecto têm, não fosse engasgar-me de
vez.
Palato que se transforma em câmara de ressonância de onomatopeia
e admiração com a música de Wisnik ou de Jeneci, o instantâneo sobre Fernando
Lemos, a sacanagem épica à volta de Pornopopeia, com as águas e as lamas de Março ou com a roda
da Esquina do Ouvidor.
Céu da boca que exaspera de secura quando a autora nos conduz
favela a cima, pela linha do equador, no interior do Copacabana Palace, pelo
teatro de Manaus, ao museu que Siza deixou na Bahia, dentro do Brasil do futuro
que está sendo e das desigualdades que, apesar de tudo, ainda não foram.
Editado em 2013 pela Tinta da China, Vai Brasil é jornalismo de viagem que foi passando pelas páginas do Público e está em permanência no blogue
Atlântico Sul. Aguardemos pois pelo próximos volumes.
13.2.14
#1 [tem de ser...]
" Dança. Não serve nada ficar a remoer nisto ou naquilo. O
importante é manter um passo regular, sem perder o ritmo. Manter o sistema a funcionar.
Continuar sempre a observar com atenção para ver onde me leva a corrente. Tenho
de continuar a existir neste mundo.
(…)
Dança, tinha dito o Homem-Carneiro. Dança o melhor que
souberes e puderes. A ponto de deixares toda a gente de boca aberta.”
Haruki Murakami,
In Dança, Dança, Dança
11.2.14
#2 [Sophia chamava-lhe o "Deserto do mundo"]
Nos tímpanos,
como um acorde desmedido,
a cava respiração dos desertos assola-te.
Contorces-te, quando me aproximo,
e benditos são os frutos do teu ventre, no oásis onde
amadurecem.
Mas não temos tempo.
Envelhecemos,
vamos e voltamos,
e ao irmos e virmos, somos a errância dos pés, entregues
à sua mecânica,
indiferentes aos pesares,
desfalecendo, retomando a marcha,
a estrada tantas vezes percorrida por uns olhos abertos
que já não vêem,
tão habituados a reter nas suas órbitas as paisagens do
desalento.
José Agostinho Baptista
in Caminharei pelo Vale da Sombra
como um acorde desmedido,
a cava respiração dos desertos assola-te.
Contorces-te, quando me aproximo,
e benditos são os frutos do teu ventre, no oásis onde
amadurecem.
Mas não temos tempo.
Envelhecemos,
vamos e voltamos,
e ao irmos e virmos, somos a errância dos pés, entregues
à sua mecânica,
indiferentes aos pesares,
desfalecendo, retomando a marcha,
a estrada tantas vezes percorrida por uns olhos abertos
que já não vêem,
tão habituados a reter nas suas órbitas as paisagens do
desalento.
José Agostinho Baptista
in Caminharei pelo Vale da Sombra
31.1.14
#1 [em resumo...]
"(...)
Há pessoas que me perguntaram se eu recomendo uma visita a Auschwitz. O que respondo a pessoas que vão à Disney ou a Biarritz? Auschwitz não é uma visita agradável. Interessante, sim, porque é uma porta crucial para a História do Século XX, e com uma carga emocional muito grande. Teria de ter um motivo para regressar, não o faria enquanto turista."
António G. Iturbe, autor de A Bibliotecária de Auschwitz,
Ipsilon, 31 de Janeiro de 2014
Há pessoas que me perguntaram se eu recomendo uma visita a Auschwitz. O que respondo a pessoas que vão à Disney ou a Biarritz? Auschwitz não é uma visita agradável. Interessante, sim, porque é uma porta crucial para a História do Século XX, e com uma carga emocional muito grande. Teria de ter um motivo para regressar, não o faria enquanto turista."
António G. Iturbe, autor de A Bibliotecária de Auschwitz,
Ipsilon, 31 de Janeiro de 2014
29.1.14
23.1.14
#1 [ o empreendedorismo, again]
Ora
vamos, por um instante, fazer de conta que a realidade existe – pode
ser? Consultando as estatísticas, constata-se que temos já uma
brutalidade de gente a trabalhar por conta própria ou em empresas
familiares – nada menos que 42% de activos empregados em empresas com 9
ou menos trabalhadores. Por comparação, apenas 19% dos trabalhadores
alemães e 11% dos americanos laboram em empresas dessa dimensão.
Aparentemente, atitude empreendedora é coisa que não falta por cá.
22.1.14
#1 [Nuvem Murakamiama]
![]() |
| Image by 川燙蝦夷 |
Tenho mais um na pilha de espera e mais dois ou três a que posso chegar. Enquanto lia este, dei comigo a listar um conjunto de elementos que já encontrara várias vezes nos outros. Eis alguns dos que, de memória, consigo coligir...
Adolescentes
Amores platónicos
Animais fantásticos
Anúncios de necrologia
Bairros periféricos
Biblioteca
Cabine telefónica
Cinema (sala, filmes, planos e aproximações)
Condução em auto-estrada à chuva
Especulação imobiliária
21.1.14
20.1.14
6.1.14
#1 [com um nó na garganta]
Solomon Northup foi raptado e escravizado, conseguindo, ao fim de 12 longos anos, recuperar a sua condição de homem livre. Terá sido um dos poucos, entre milhares, a consegui-lo e dedicou o resto da vida à causa abolicionista. Um episódio da história que infelizmente, 120 anos depois, não é só memória.
4.1.14
#2 [é de Børli...*]
UMA COISA É NECESSÁRIA
Uma coisa é necessária – aqui
neste nosso mundo díficil
de sem-abrigos e desterrados:
Fixares residência em ti.
Entra pela escuridão
e limpa a fuligem da lâmpada.
Para que as pessoas na estrada
possam entrever uma luz
em teus olhos habitados.
Hans Børli, 1974
*Descoberto aqui
Confirmado aqui
#1 [uma visão sobre a compra da Chrysler pela Fiat...]
A
Fiat anunciou a aquisição dos 41,5% da Chrysler que ainda não controla e
que, desde o resgate patrocinado por Obama, é detido pelo sindicato
United Auto Workers. Um negócio que só foi possível pelo sacrifício dos
operários de Detroit.
Artigo do Jornalista Italiano Salvatore Cannavò que traduzi para www.esquerda.net
Artigo do Jornalista Italiano Salvatore Cannavò que traduzi para www.esquerda.net
2.1.14
#1 [O ano sabático]
O primeiro dia do ano foi passado com o João Tordo e das vidas paralelas de Hugo e Luís.
O autor confirmou a boa impressão que já me deixara. Resta-me agora saborear as camadas deste livro que, em apenas 206 páginas, guarda vidas, inquietações e muita poesia.
O autor confirmou a boa impressão que já me deixara. Resta-me agora saborear as camadas deste livro que, em apenas 206 páginas, guarda vidas, inquietações e muita poesia.
30.12.13
#1 [girando por aí...]
“Lembro-me perfeitamente da conversa que tivemos sobre o Sputnik da primeira vez que nos
encontrámos. Ela estava a referir-se aos escritores beatnick e eu fiz confusão com o Sputinik. Desatámos a rir e isso ajudou a quebrar o Gelo. Sabe o
que quer dizer Sputinik em russo? Companheiro de viagem. Fui ver no
dicionário aqui há dias. Pensando bem, não deixa de ser uma estranha coincidência.
Gostava de saber onde os russos foram buscar um nome tão curioso para dar ao
seu satélite. Afinal de contas, aquilo não passava de uma porcaria de um pedaço
de metal que andava para ali a girar à volta da Terra.”
Haruki Murakami In
Sputinik, meu amor
Subscrever:
Mensagens (Atom)






