4.3.13

#2 [O teu rosto...]



Pieter Bruegel A luta entre o carnaval e a quaresma
O Teu Rosto Será o Último e João Ricardo Pedro foram premiados no último concurso da Leya. Ao ler sobre a história (ou das histórias) que conta, fiquei com vontade de lhe dar uma volta. O tempo já teceu distância suficiente para que o 25 de Abril de 1974 possa ser contada por nós, aqueles que nascemos nos anos em torno dessa madrugada pura, que crescemos ao som da gaivota e das esperanças que então se anunciaram.
 Também não fiquei indiferente à história pessoal do autor, que, como reza a novilíngua destes tempos, foi atropelado pela turbulência dos mercados e se viu confrontado com a inevitabilidade de escrever. Mas, olhando para aquilo que aqui estamos a tratar, isso pouco interessa.
Em maio, li algo que ainda me deixou mais curioso. O livro parecia ter substância. Mas decidi guardar-me para melhor oportunidade. E valeu a pena esperar.
A escrita de JRP é escorreita, por vezes obsessiva. Como quem resolve um teorema. Mais do que fechar círculos, a história deixa contas em aberto. Navega por uma narrativa que aparenta ser simples mas que, na verdade, complexifica, está cheia de simbologia. E alimenta muitas perguntas...

#1 [...]

It was a dirty day, dirty day.
Looking for explanations I don't even understand.
If you need someone to blame, throw a rock in the air, you'll hit someone guilty.
(...) 

3.3.13

#1 [Agora também aqui]


Instagram

25.2.13

#1 [Um livro de coragem]


http://makaangola.org/wp-content/uploads/2012/03/Garimpo_10_Final-150x150.jpg"O presente relatório demonstra a prevalência de um estado de terror na Bacia do Cuango. A violência, nessa região, assenta na vontade política de altos dirigentes angolanos, acoitados pelo Presidente da República, os quais enriquecem de forma ilícita e violenta, em conluio com empresas extractivas e de compra de diamantes.
(…)
Os depoimentos das pessoas que entrevistei no decorrer desta investigação mostram como os cidadãos reconhecem as injustiças de que são alvo, que não temem denunciar os seus opressores e que desejam procurar alcançar justiça. O presente livro, ao identificar directamente as vítimas, dá voz a essas comunidades, que se mantêm, de certo modo, isoladas do resto de Angola e excluídas da paz militar que o país vive desde 2002."

in Diamantes de Sangue – Corrupção e Tortura em Angola 
 

20.2.13

#1 [Fim de semana na Guatemala]

Miguel  Angel Asturias foi o primeiro homem sul americano a ganhar o prémio Nobel da literatura, depois da chilena Gabriela Mistral ter inaugurado a lista daquele subcontinente.
Em Fim de Semana na Guatemala, Astúrias conta algumas short  stories sobre a intervenção militar que pôs fim ao consolado de Jacobo Arbenz,  presidente que promoveu a distribuição de terras às populações indígenas através de  um processo de reforma agrária e assim ousou afrontar a oligarquia guatemalteca e a poderosa United Fruit Company que nela mandava. 
A Guatemala é, simultaneamente, o país natal de Asturias e o centro da sua obra, tendo o escritor trabalhado em torno da história recente e da tradição cultural e indígena deste país. Pena não ser fácil encontrar edições recentes dos seus livros.

17.2.13

#1 [a deriva continental]

 
Um filme domingueiro à terça feira à noite :)

15.2.13

#1 [por um minuto]

http://5dias.files.wordpress.com/2013/02/danielrodrigues_wpp.jpg?w=610
Foto de Daniel Rodrigues, premiada pelo World Press Photo na categoria de vida Quotidiana


Deixa de pensar na forma miserável como esta país está a tratar os seus. Foca-te na beleza desta imagem, que nada tem a ver com as dificuldades que estamos a ultrapassar e que obrigaram o seu autor a vender a própria máquina. 
Ouve os gritos, a alegria dos miúdos, sente a força das suas pernas e o calor que os atravessa. É sublime.

12.2.13

#1 [Rua da Betesga*]

(...)
E anda sempre alguém por lá
Junto à tempestade
Onde os pés não tem chão
E as mãos perdem a razão
(...)

* ou como é que vou conseguir condensar em 15 dias aquele que deveria ser o trabalho  de um ano...

11.2.13

#1 [Bang Bang!]


Antes os filmes de cowboys passavam à matiné e o heroi era o branco que matava mais índios ou vilões. 
Ontem à noite fui ver Django e a perspectiva é um pouco diferente: o heroi, carniceiro e implacável, é um antigo escravo que se revela, qual diamante talhado por um caçador de cabeças, e revela um pouco da história sombria da escravatura norte americana.
E é talvez esta dissonâncias, que é apimentada com as habituais paródias iconográficas inspiradas noutros filmes, que faz com que Tarantino gere tamanha controvérsia.

7.2.13

#1 [Kirikou]

http://www.otakia.com/wp-content/uploads/V_1/nom_2/14/106.jpg 
A tiny voice is heard from inside the womb of a pregnant woman : "Mother, give birth to me !"
"A child who can speak from his mother's womb can give birth to himself", replies the mother.
And so a little boy is born, cuts his own umbilical cord and declares : "My name is Kirikou"

4.2.13

#1 [PhD]

Como ainda não consegui responder a uma pergunta que me anda a inquietar, hoje regressei à escola.

3.2.13

#1 [Sinto-me novo]

Para quebrar a monotonia do avanço da linha do tempo, uma noite à antiga: copos nas Catacumbas (até sempre Catman!), abanar o corpo até ao fechar da porta do Incógnito, uma passeata madrugadora pela cidade, bolos quentes na Rua da Rosa, o primeiro comboio e chegar à cama com o raiar da manhã.
E para fechar em grande, um domingo preguiçoso, marcado pelo sol e pelo cheiro a árvores.

2.2.13

#1 [Desencontros de amor]

 
Esta dor de ver partir um pedaço de mim...

27.1.13

#1 [...]

Frio frio frio... Neve amontoada.
O autocarro atravessa a noite. Vejo ali uma porta conhecida, acolá outra.
Penso que tudo isto é um sonho, um filme com banda sonora de Bjork...

24.1.13

#1 [Não há rum que me caia bem]

Não gosto de rum. As noites acabam mal sempre que o bebo. Mas no outro dia encontrei, na feira da ladra, um livro com um título promissor: «O general de todas as estrelas foi-se embora sem ter bebido um trago de havana club». 
O oficial em questão foi António Ochoa, Herói do Povo Cubano que, depois da sua derradeira batalha em Angola, caiu em desgraça e acabou à frente do pelotão de fuzilamento, acusado de tráfico de droga e de outras afrontas à revolução e aos seus líderes.
No prólogo, o autor começa logo por esclarecer que, apesar de algumas personagens e factos relatados serem reais, muito do que ali se vai ler é fruto da sua imaginação. Imaginação pouco fértil e algo amargurada, notei ao fim de poucas páginas, que desenrola uma teia mais preocupada em denunciar a decrepitude do regime cubano do que em atar as pontas soltas que a história vai deixando - a certa altura o personagem faz uma autocrítica por se ter esquecido dos cuidados que aprendera na clandestinidade lusitana da na sua juventude, mas a história está cheia de erros cometidos por pessoas que ainda vivem na clandestinidade. Do sonho e das esperanças que a revolução cubana abriram, o pouco que se diz é sempre matizado pelo grisalho da omnipresente barba do velho que ainda hoje manda nos destinos da ilha.
Apesar do teor ideológico – a forma como a denúncia é feita é toda ela ideológica – e das pontas soltas, é um livro que se leva bem, que faz pensar nas voltas que o mundo dá e nas mentiras que diariamente nos contam, deste e do outro lado do oceano.
O nome do autor, Tomás Vasques, não me dizia nada. A lombada informa que era chefe de gabinete da Câmara de Lisboa em 2001, a recta final do mandato em que uma coligação de esquerda, muito pela arrogância e manigâncias do seu edil, conseguiu desbaratar o prestígio que tinha acumulado desde 1989, abrindo caminho a Santana e suas tropelias. Já depois do livro lido, percebi que se trata de um famoso blogger e comentarista da nossa praça. Talvez se explique a amargura.

21.1.13

#1 [horizontes]

O temporal deste fim de semana partiu e arrancou muitas árvores aqui em Sintra, algumas delas de que gostava bastante.
Entre as minhas favoritas que o vento levou, contam-se quatro ciprestes que, diante da janela da cozinha, do outro lado da rua, formavam um bela camada verde onde os pássaros eram felizes.
Ando desde sábado a tentar habituar-me à nova estética do lugar e à claridade revelada pela ausência. Hoje, com o tempo mais aberto, consegui ter uma perpectiva mais optimista do assunto: sem barreira verde abre-se, no fundo do horizonte, uma grande fatia de mar.

20.1.13

#1 [Notícia de um Sequestro]


Jornalista encartado, Gabriel Garcia Marquez retoma em Notícia de um Sequestro o estilo escorreito de cronista que já usara em obras como O Náufrago ou A aventura de Miguel Littin clandestino no Chile, para nos contar a história dos sequestros e do cativeiro de Maruja Pachón, Beatriz Villamizar de Guerrero, Marina Montoya, Francisco Santos Calderón, Diana Turbay e quatro elementos da sua equipa de reportagem.
O episódio aconteceu no início da década de 1990, a mando de Pablo Escobar, grande chefe do cartel de Medellín, organização colombiana que se dedicava ao tráfico de droga. Tal como outros traficantes, Escobar vivia aterrorizado com a possibilidade de ser extraditado pelo governo do seu país para os Estados Unidos para aí ser julgado e fez de tudo para garantir que tal não viesse a acontecer.
Um livro que desmonta, sem banalizar, algumas das razões da tensão que ainda se vive num dos países mais violentos do continente americano (e talvez do mundo) e que permite compreender que episódios mais recentes, como o de Ingrid Bettencourt, a corrupção ou o tráfico não são casos isolados nem um exclusivo das guerrilhas vermelhas que ainda actuam no país, mas sim uma prática enraizada nas relações sociais e nas elites do poder político e financeiro.

17.1.13

#2 [Mo Yan]

A mudança de sítio mata as árvores, mas mantém as pessoas vivas.

in Mudanças
( o primeiro livro da Divina Comédia)

#1 [tardes que passam]

E Assim Passamos a Tarde

E assim passamos a tarde
conversando coisas banais,
da superfície do mundo.
E estamos cheios de mistérios
que não comunicamos.
E assim morreremos, decerto.
E não dais por isso.

Cecília Meireles
Julho, 1962
 

8.1.13

#1 [where are we now?]

Aos 66 anos, David Bowie voltou à sua adorada Berlin para perguntar em que ponto estamos. Pergunta sábia e recorrente na obra do camaleão. E se por vezes parece que a resposta está prestes a tornar-se evidente, a verdade é que acaba sempre por se desviar. Continuamos a fazer caminho.

31.12.12

#1 [Well drew...]


Stephen Frears transformou a banda desenhada Tamara Drewe num filme ao seu estilo peculiar de contar histórias quase banais dos britânicos.
Desta vez a crónica de costumes desloca-se para uma aldeia no campo, cuja vida é abalada pelo regresso de Tamara. A jovem jornalista de sucesso, que em pequena era o patinho feio lá da terra, tem agora a pinta de uma mulher fatal (com uma pequena ajuda da cirurgia plástica).

28.12.12

#1 [isto lembra-me o ódio de algumas pessoas às osgas...]

Uma vez eliminada a mígala, somos devorados pelos mosquitos de que ela se alimentava.
Aprendemos a preferir as mígalas.
De resto, elas não picam.

Daniel Pennac in
O Ditador e a Cama de Rede
(depois de ler em italiano, agora estou com a versão tuga)

26.12.12

#1 [visceral]

Ouvir um temas mais bonitos de Rodrigo Leão destruido à conta da banda sonora do filme  Equador só contribui para aumentar o asco pelo autor do folhetim...

25.12.12

#1 [não foi nada]

Atravessei Não foi Nada, do chileno António Skármeta, em pouco menos de três horas. Boa maneira de justificar uma pausa e aproveitar o feriado para descansar um pouco.
Começando pelo fim, achei o livro um verdadeiro elogio ao proselitismo. Não só pela história que conta, mas sobretudo pelas razões que a motivam e que Skármeta tão bem descreve no prólogo da obra.
Lucho é um adolescente chileno que vive em Berlim em virtude do exílio que lhe foi imposto, tal como a centenas de milhar de chilenos e Chilenas, pelo pulha Pinochet e seus carniceiros. Tem saudades do Chile e do sol. Quer regressar (já para o ano, pensa ele), mas, contrariamente aos pais e seus amigos, não vive fixado na memória do que se passava um ano antes da chegada ao cinzento centro da Europa e, sempre solidário com os seus, procura fazer o seu caminho.
As revoluções e as resistências também são feitas de ternura.

20.12.12

#1 [palavras soltas]

revelou-se a sua enorme ingratidão

19.12.12

#2 [Jornal interactivo]

Hoje o público traz um artigo sobre saúde infantil. Estava a lê-lo na biblioteca quando tropecei numa correcção que algum leitor ou leitora deixou na margem de uma das páginas.
Letra vermelha, traçada com um misto de assertividade e indignação, como que a devolver a dignidade (e um li) à dislipidémia. 
Não pude deixar de sorrir para comigo. Quem perceber as minhas razões que se ria também...

#1 [o dever de falar]

entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício

17.12.12

#1 [fogo na palha]

Há vícios que algumas pessoas nunca conseguem deixar.
O de ser incendiário, por exemplo.
 

15.12.12

#1 [Cinema e Direitos Humanos]

É um luxo ter cinema à porta de casa. Por aqui é raro, mas acontence.
E o luxo é maior ainda quando o que se apresenta em cartaz é organizado com um propósito estimulante e por gente que nos desperta afectos, como é o caso da Mostra de Documentário sobre Direitos Humanos do Grupo 19, colectivo de Sintra da Amnistina Internacional.
A XIª edição da Mostra está a acontecer este fim de semana e eu, que já fui apelidado de espectador habitual, acho que nível da programação está a melhorar à medida que a coisa envelhece.
Ontem, no arranque do certame, pude ver "Estou para Aqui Assim", uma curtíssima de Diogo Pessoa de Andrade sobre a exclusão social, e "Design atrás das grades", documentário de Margarida Leitão sobre uma oficina de costura na prisão de Tires.Uma noite carragada de simbolismos, que me deixou com vontade de mais.

13.12.12

# 1 [anunciaram e garantiram...]


11.12.12

#1 [em grande forma]

A sunset is just a sunset
But driving with you over the '25th of April Bridge'
Now that's a ride
So let's go
 

10.12.12

#1 [asas]


Filme biográfico sobre Howard Hughes, o multi-milionário americano da indústria aeronáutica e do cinema, que teve uma vida que captou as atenções de todo o mundo, para o que muito contribuiram os seus relacionamentos com duas das maiores estrelas de Hollywood: Ava Gardner e Katherine Hepburn.

9.12.12

#1 [...]

CRÍPTICA
Para quem não sabe ler
Toda a escrita é críptica

O alfabeto cirílico é críptico para mim

Os ideogramas chineses ou japoneses
São igualmente crípticos (para mim)
Para os economistas
A poesia é críptica

Para os imbecis
A inteligência é críptica

Para os cegos de nascença
A cor é críptica

Para todos os homens
A sua vida é críptica

Para os vivos
A morte é críptica

Para os mortos
O que será a morte?

E.M. de Melo e Castro

8.12.12

#1 [esta luz que agora sinto...]


Foi no primeiro outono, o tempo de ocupar e conhecer a casa. Aquela entardecer que promete cair mas ainda dura, oblíquo sobre um livro, sobre um jornal. Uma tonalidade de conforto.
Lembro-me bem, como se fosse hoje, da descoberta e da construção de um espaço, de saborear algo que, sei hoje, tinha uma centelha de plenitude. De pensar para comigo: esta luz que agora sinto, oblíqua de esperança, também sou eu.
Entre a efemeridade desse calor pastel e pó acumulado nas estantes, está todo um universo que ora é finito ora se apresenta em expansão, sem limites ou intenção de acabar.

2.12.12

#1 [dizia o outro que isto é só... filosofia]



História da Filosofia em Folclore - Kant

30.11.12

#2 [mania da perseguição]

I think this place is full of spies

#1 [andava para escrever sobre o Pina...]

Inédito de JS Braga para MA Pina

Onde estás agora
Oh meu amigo?
Nem dentro
Nem fora


Nem muito longe
Nem muito perto
Talvez nos primeiros
Raios da aurora
Talvez no deserto
No mais incerto
E improvável
Lugar

Onde estás agora
Oh meu amigo
Que não te oiço?
Talvez no fim
Da estrada
Envolto em poeira
Numa cadeira
De baloiço
Em frente ao grande
Tudo
Ou ao grande
Nada

[poema inédito dedicado a Manuel António Pina escrito e lido por Jorge Sousa Braga, ontem à noite, 29 de novembro, na sessão desta das Quintas de Leitura]

27.11.12

#1 [Ouvindo a chuva a cair...]

Há canções que se nos colam à pele e perduram, que se infiltram na memória e que, por vezes,  mesmo que inaudíveis, se tornam quase reais.

26.11.12

#2 [Itália mais longe de “qualquer coisa de esquerda”]

Realizou-se este domingo a primeira volta das eleições primárias da coligação Itália Bene Comune, de centro esquerda. Embora ainda esteja por definir o nome de quem encabeçará a coligação, é já certo que o Partido Democrático domina em toda a linha.

Texto publicado hoje no Esquerda.net

#1 [sempre eterna]

17.11.12

#[Those good old days]

Sábado à tarde, sentado na biblioteca municipal para estudar.
É  como recuar no tempo. :)

12.11.12

#1 [Leituras clandestinas]

No último mês estive ocupado com a SARA, que não é uma miúda gira mas um vórtice para onde me joguei e que me tem ocupado o tempo e obrigado a desmultiplicar as horas livres e a capacidade de trabalho. Não me queixo.
Mas este fim-de-semana decidi quebrar o ritmo e dar-me às artes. Vi o filme de que se fala no último post e li A Aventura de Miguel Littín, Clandestino no Chile, de Garcia Márquez.  
Tal como no Relato de um Náufrago, Gabo recorre a um trabalho de jornalismo em forma de romance para (re)contar o relato que o realizador Miguel Littín lhe fizera sobre o seu regresso ao Chile para fazer um filme sobre a vida do seu país 12 anos depois do miserável golpe de pinochet.
Sobre a ousadia de, sendo um proscrito, regressar ao Chile e filmar até dentro do palácio de La Moneda, onde se cruzou com o sinistro ditador, Littín diz que mais que um acto de heroísmo este foi sobretudo um episódio de dignidade. O livro, tal como o filme, não o deixam mentir.

11.11.12

#1 [The visitor]

As estranhas voltas que o mundo dá, trocadas pelos acontecimentos do 11 de Setembro.
 
 

1.11.12

#1 [em dia de "santos"...]


31.10.12

#1 [Enquanto navegava por Africa]

Tropecei neste hino...

22.10.12

#1 [fechar portas]

É feliz quem pode escolher.
Esta adoptei-a como lema de vida quando me vi na primeira grande encruzilhada da minha vida profissional.
E se é verdade que, nos tempos que correm, o seu sentido é ainda mais profundo, não consigo evitar a sensação do abismo sempre que tenho de fechar uma porta.

21.10.12

#1 [Marx, versão Cronenberg]

Cosmopolis de David Cronenberg
No seu Manifesto ao Partido Comunista, Marx e Engels assinalavam as contradições do capitalismo como motor do seu próprio crescimento e, paradoxalmente, como a razão de um futuro ocaso desse sistema devastador que se estava a instalar.

Diziam-nos os barbudos alemães que a forma encontrada pela burguesia para vencer as crises por ela geradas era através da “destruição violenta de grande quantidade de forças produtiva” e por outro lado ”pela conquista de novos mercados e pela exploração mais intensa dos antigos”. Rematavam dizendo que tal actuação nos levaria "a crises mais extensas e mais destruidoras e à diminuição dos meios de evitá-las”.

Esta abordagem com mais de 150 anos é coincidente com a ideia chave do filme Cosmopolis, de David Cronenberg, realizado a partir do romance homónimo de Don DeLillo, escrito em 2003 e absolutamente premonitório da crise que estalou em 2007 e ainda nos assola.
Não sei se de forma consciente, a história retoma esta apreciação marxista - a passagem do Manifesto que cito é–nos apresentado de forma quase textual pela boca de um visionário especulador de 28 anos -, explorando os aspectos da violência e da destruição a que o próprio sistema recorre, neste início de século XXI, para se regenerar e, ao mesmo tempo, acentuar o seu declínio.
Um filme a não perder.

18.10.12

# 1 [Baleia!!]

Bela homenagem a Moby Dick, no dia dos 161 anos da sua publicação 
Um livro que me apaixonou e que carreguei às costas durante um mês de estrada.
Nunca o acabei. A tradução era má e, ao tempo, enveredei por outras leituras. 
Mas ainda não desisti de lá voltar. 

12.10.12

#1 [...]

Nuns dias ganhamos, noutros perdemos.

11.10.12

#1 [procura-se dom]

Ubiquidade 

dão-se alvíssaras

9.10.12

#1 [perguntas essenciais]

O que é um hospital?

7.10.12

#1 [Manhãs de domingo]

O Prazer é Silencioso

Ao contrário da ideia assente
A palavra não é criadora de um mundo;
O homem fala como o cão ladra
Para exprimir raiva, ou medo.

O prazer é silencioso,
Tal como o é o estado de felicidade.

Michel Houellebecq, in "A Possibilidade de uma Ilha"


2.10.12

#1 [quentes e boas]

La Tronchita - Daniel Mordzinski 
Era inevitável. Ainda resisti uns meses, mas acabei por voltar a cair na tentação. Por várias vezes me abeirei dele para sentir o magnetismo e, numa espécie de masoquismo, para me contrariar.
Neste tempo de vacas anorécticas, os livros continuam a ser um tesouro e um bem de primeira necessidade emocional, mas cada compra requer uma complexa cadeia de decisões…
Para que raio quereria eu mais um livro escrito por um chileno viajante se já lhe li a obra toda? Ainda por cima ilustrado com fotografias de outro mestre?… logo eu, que nem gosto disso dos retratos em branco e preto.
Pior: o livro conta histórias do sul. Mais, traz-nos o cheiro dos velhos cafés de Buenos Aires, episódios da Patagónia e das suas gentes, os ventos dessa cordilheira que, num repente, quebra na estepe, recordações dos hippies de El Bolson e de outras personagens que um dia cruzaram o meu caminho (terá sido real?)….
Não resisti e li, de um só trago, as Últimas Notícias do Sul, de Luís Sepúlveda e Daniel Mordzinski. Para castigo, passei um mês a remoer a estupefacção e a ensaiar estas palavras.
Enfim, era inevitável...

29.9.12

#1 [como numa pintura de Magritte]

Friend of order - René Magritte
Recuperei recentemente, das profundezas da minha estante uma edição d'O homem que via passar comboios, um dos expoentes da obra do belga Georges Simenon.
Enquanto o lia, fui assaltado pela sensação, muito gráfica, de que estava a entrar numa pintura do seu compatriota (e contemporâneo) René Magritte. Uma ideia provocada por uma escrita também ela marcada pelo olhar para lá da forma, por um questionar da simplicidade das coisas e do concreto, pela abertura de múltiplas possibilidades à existência...
Ao longo de quatro décadas de vida literária, Simenon assinou quase meio milhar de títulos. A grandeza do número faz supor uma escrita quase permanente e uma imaginação febril.
Embora tenha crescido rodeado pelos seus livros, nunca tinha lido nada deste autor. O primeiro impacto foi bom, vejamos o que mais vai revelar esta porta aberta...

23.9.12

# [chove]

O cheiro da terra e das plantas explode.
Noutras latitudes poderia falar das águas de março, aqui direi apenas que o outono fez questão de começar à hora certa. 

18.9.12

#2 [500 Km]

Desde o início de Junho já fiz 500km de bicicleta.
O velocípede entrou na minha rotina diária, além do lazer, é o meu transporte para o trabalho e para distâncias até 8km.
Além das calorias e da higiene mental, reduzi no gasto com transportes públicos, poupei o equivalente a 50 euros em gasolina e evitei a produção de uns bons kilos de CO2.

#1 [Um Homem e Duas Mulheres]

Algures no início do ano comecei a ler Um homem e duas mulheres, de Doris Lessing, a desconhecida que em 2007 arrebatou o Nobel da literatura. Gostei do arranque, mas a coisa arrefeceu e o livro ficou estacionado uns meses na mesa de cabeceira e só o acabei agora.
Passados no meio de século XX, os contos têm como cenário a Africa do Sul natal da autora ou Londres e arredores. Conta histórias corriqueiras - a mulher bonita e independente, a curiosidade e repulsa de uma rapariguita pelo velho agricultor que a assedia, a rota de afastamento dos casais.
Um livro que vale, sobretudo,  para conhecer a escrita da autora e a forma feliz como ela lida com o formato  do conto. 

3.9.12

#3 [De Ruhr a Bilbao: as cidades que disseram basta à poluição]

O sequestro judicial da siderurgia da ILVA, em Taranto, tem agitado o verão italiano, levantando questões ambientais e laborais. Como já aconteceu noutros lugares, a solução poderá passar pela reconversão industrial.

Artigo do Jornalista Italiano Salvatore Cannavò que traduzi para www.esquerda.net

#2 [A taberna da india]

Em A Taberna da Índia, o Mexicano António Sarábia traz-nos alguns dos heróis da primeira globalização - Vespucio, Bartolomé de las Casas, Colombo - fantasiados e colocados à escala humana, na  Sevilha do fim do século XV, cidade portuária de partida e chegada dos navios que atravessavam o "mar tenebroso" em direcção aquilo que ainda se julgava ser a costa oriental da Índia (onde estarão os elefantes?).
Embora seja um romance, recomenda-se a quem ainda tenha ilusões sobre a magnifica fábula dos descobrimentos que se conta nas aulas de história das nossas escolas.

#1 [vencidos da vida]

Eis um facto que desconhecia: antes de editar o primeiro disco, 1967, Leonard Cohen era já um escritor aclamado, tendo publicado 3 livros de poesia e 2 novelas.
Já me tinham passado vários livros pela mão, mas só nestas férias me debrucei a fundo sobre um deles, Beautiful lossers (1966).
A história, psicadélica e religiosa, plena de libertação sexual e com alusões às raízes indígenas do Canadá e ao nacionalismo do Quebeque - Montreal parece ter entrado na minha vida -  é desconcertante mas prende.
O homem sabe escrever, confirma-se. ainda assim, prefiro ouvi-lo cantar :)

1.9.12

#2[vulcano diaries]

Capelinhos


#1 [à porta do Peter]

Antecipando o mais famoso gin do oceano atlântico.