"O presente relatório demonstra a prevalência de um estado de
terror na Bacia do Cuango. A violência, nessa região, assenta na vontade
política de altos dirigentes angolanos, acoitados pelo Presidente da República,
os quais enriquecem de forma ilícita e violenta, em conluio com empresas
extractivas e de compra de diamantes.
25.2.13
#1 [Um livro de coragem]
"O presente relatório demonstra a prevalência de um estado de
terror na Bacia do Cuango. A violência, nessa região, assenta na vontade
política de altos dirigentes angolanos, acoitados pelo Presidente da República,
os quais enriquecem de forma ilícita e violenta, em conluio com empresas
extractivas e de compra de diamantes.
(…)
Os depoimentos das pessoas que entrevistei no decorrer desta
investigação mostram como os cidadãos reconhecem as injustiças de que são alvo,
que não temem denunciar os seus opressores e que desejam procurar alcançar
justiça. O presente livro, ao identificar directamente as vítimas, dá voz a
essas comunidades, que se mantêm, de certo modo, isoladas do resto de Angola e
excluídas da paz militar que o país vive desde 2002."
in Diamantes de Sangue – Corrupção e Tortura em Angola
20.2.13
#1 [Fim de semana na Guatemala]
Em Fim de Semana na Guatemala, Astúrias conta algumas short stories sobre a intervenção militar que pôs fim ao consolado de Jacobo Arbenz, presidente que promoveu a distribuição de terras às populações indígenas através de um processo de reforma agrária e assim ousou afrontar a oligarquia guatemalteca e a poderosa United Fruit Company que nela mandava.
A
Guatemala é, simultaneamente, o país natal de Asturias e o centro da sua
obra, tendo o escritor trabalhado em torno da história recente e da
tradição cultural e indígena deste país. Pena não ser fácil encontrar
edições recentes dos seus livros.
17.2.13
15.2.13
#1 [por um minuto]
![]() |
| Foto de Daniel Rodrigues, premiada pelo World Press Photo na categoria de vida Quotidiana |
Deixa de pensar na forma miserável como esta país está a tratar os seus. Foca-te na beleza desta imagem, que nada tem a ver com as dificuldades que estamos a ultrapassar e que obrigaram o seu autor a vender a própria máquina.
Ouve os gritos, a alegria dos miúdos, sente a força das suas pernas e o calor que os atravessa. É sublime.
12.2.13
#1 [Rua da Betesga*]
(...)
E anda sempre alguém por lá
Junto à tempestade
Onde os pés não tem chão
E as mãos perdem a razão
Junto à tempestade
Onde os pés não tem chão
E as mãos perdem a razão
(...)
* ou como é que vou conseguir condensar em 15 dias aquele que deveria ser o trabalho de um ano...
11.2.13
#1 [Bang Bang!]
Antes os filmes de cowboys passavam à matiné e o heroi era o branco que matava mais índios ou vilões.
Ontem à noite fui ver Django e a perspectiva é um pouco diferente: o heroi, carniceiro e implacável, é um antigo escravo que se revela, qual diamante talhado por um caçador de cabeças, e revela um pouco da história sombria da escravatura norte americana.
E é talvez esta dissonâncias, que é apimentada com as habituais paródias iconográficas inspiradas noutros filmes, que faz com que Tarantino gere tamanha controvérsia.
7.2.13
#1 [Kirikou]
A tiny voice is heard from inside the womb of a pregnant woman : "Mother, give birth to me !"
"A child who can speak from his mother's womb can give birth to himself", replies the mother.
And so a little boy is born, cuts his own umbilical cord and declares : "My name is Kirikou"
4.2.13
#1 [PhD]
Como ainda não consegui responder a uma pergunta que me anda a inquietar, hoje regressei à escola.
3.2.13
#1 [Sinto-me novo]
Para quebrar a monotonia do avanço da linha do tempo, uma noite à antiga: copos nas Catacumbas (até sempre Catman!), abanar o corpo até ao fechar da porta do Incógnito, uma passeata madrugadora pela cidade, bolos quentes na Rua da Rosa, o primeiro comboio e chegar à cama com o raiar da manhã.
E para fechar em grande, um domingo preguiçoso, marcado pelo sol e pelo cheiro a árvores.
E para fechar em grande, um domingo preguiçoso, marcado pelo sol e pelo cheiro a árvores.
2.2.13
27.1.13
24.1.13
#1 [Não há rum que me caia bem]
Não gosto de rum. As noites acabam mal sempre que o bebo. Mas no outro dia encontrei, na feira da ladra, um livro com um
título promissor: «O general de todas as estrelas foi- se embora sem ter bebido um trago de havana club».
O oficial em questão foi António Ochoa, Herói do Povo Cubano que, depois da sua derradeira batalha em Angola, caiu em desgraça e acabou à frente do pelotão de fuzilamento, acusado de tráfico de droga e de outras afrontas à revolução e aos seus líderes.
O oficial em questão foi António Ochoa, Herói do Povo Cubano que, depois da sua derradeira batalha em Angola, caiu em desgraça e acabou à frente do pelotão de fuzilamento, acusado de tráfico de droga e de outras afrontas à revolução e aos seus líderes.
No prólogo, o autor começa logo por esclarecer
que, apesar de algumas personagens e factos relatados serem reais, muito do que
ali se vai ler é fruto da sua imaginação. Imaginação pouco fértil e algo amargurada, notei ao fim de poucas páginas, que desenrola uma teia mais preocupada em denunciar a decrepitude do
regime cubano do que em atar as pontas soltas que a história vai deixando - a certa
altura o personagem faz uma autocrítica por se ter esquecido dos cuidados que
aprendera na clandestinidade lusitana da na sua juventude, mas a história está
cheia de erros cometidos por pessoas que ainda vivem na clandestinidade. Do sonho e das esperanças que a revolução cubana abriram, o pouco que se diz é sempre matizado pelo grisalho da omnipresente barba do velho que ainda hoje manda nos destinos da ilha.
Apesar do teor ideológico – a forma como a
denúncia é feita é toda ela ideológica – e das pontas soltas, é um livro que se
leva bem, que faz pensar nas voltas que o mundo dá e nas mentiras que
diariamente nos contam, deste e do outro lado do oceano.
O nome do autor, Tomás Vasques, não me dizia
nada. A lombada informa que era chefe de gabinete da Câmara de Lisboa em 2001, a
recta final do mandato em que uma coligação de esquerda, muito pela arrogância e manigâncias
do seu edil, conseguiu desbaratar o prestígio que tinha acumulado desde 1989,
abrindo caminho a Santana e suas tropelias. Já depois do livro lido, percebi que se trata de um
famoso blogger e comentarista da nossa praça. Talvez se explique a amargura.
21.1.13
#1 [horizontes]
O temporal deste fim de semana partiu e arrancou muitas árvores aqui em Sintra, algumas delas de que gostava bastante.
Entre as minhas favoritas que o vento levou, contam-se quatro ciprestes que, diante da janela da cozinha, do outro lado da rua, formavam um bela camada verde onde os pássaros eram felizes.
Ando desde sábado a tentar habituar-me à nova estética do lugar e à claridade revelada pela ausência. Hoje, com o tempo mais aberto, consegui ter uma perpectiva mais optimista do assunto: sem barreira verde abre-se, no fundo do horizonte, uma grande fatia de mar.
Entre as minhas favoritas que o vento levou, contam-se quatro ciprestes que, diante da janela da cozinha, do outro lado da rua, formavam um bela camada verde onde os pássaros eram felizes.
Ando desde sábado a tentar habituar-me à nova estética do lugar e à claridade revelada pela ausência. Hoje, com o tempo mais aberto, consegui ter uma perpectiva mais optimista do assunto: sem barreira verde abre-se, no fundo do horizonte, uma grande fatia de mar.
20.1.13
#1 [Notícia de um Sequestro]
Jornalista encartado, Gabriel Garcia Marquez retoma em Notícia de um Sequestro o estilo escorreito de cronista que já usara em obras como O Náufrago ou A aventura de Miguel Littin clandestino no Chile, para nos contar a história dos sequestros e do cativeiro de Maruja Pachón, Beatriz Villamizar de Guerrero, Marina Montoya, Francisco Santos Calderón, Diana Turbay e quatro elementos da sua equipa de reportagem.
O episódio aconteceu no início da década de 1990, a mando de
Pablo Escobar, grande chefe do cartel de Medellín, organização colombiana que se
dedicava ao tráfico de droga. Tal como outros traficantes, Escobar vivia
aterrorizado com a possibilidade de ser extraditado pelo governo do seu país
para os Estados Unidos para aí ser julgado e fez de tudo para garantir que tal
não viesse a acontecer.
Um livro que desmonta, sem banalizar, algumas das razões da tensão
que ainda se vive num dos países mais violentos do continente americano (e
talvez do mundo) e que permite compreender que episódios mais recentes, como o
de Ingrid Bettencourt, a corrupção ou o tráfico não são casos isolados nem um
exclusivo das guerrilhas vermelhas que ainda actuam no país, mas sim uma
prática enraizada nas relações sociais e nas elites do poder político e financeiro.
17.1.13
#2 [Mo Yan]
A mudança de sítio mata as árvores, mas mantém as pessoas vivas.
in Mudanças
( o primeiro livro da Divina Comédia)
in Mudanças
( o primeiro livro da Divina Comédia)
#1 [tardes que passam]
E Assim Passamos a Tarde
E assim passamos a tarde
conversando coisas banais,
da superfície do mundo.
E estamos cheios de mistérios
que não comunicamos.
E assim morreremos, decerto.
E não dais por isso.
Cecília Meireles
Julho, 1962
conversando coisas banais,
da superfície do mundo.
E estamos cheios de mistérios
que não comunicamos.
E assim morreremos, decerto.
E não dais por isso.
Cecília Meireles
Julho, 1962
8.1.13
#1 [where are we now?]
Aos 66 anos, David Bowie voltou à sua adorada Berlin para perguntar em que ponto estamos. Pergunta sábia e recorrente na obra do camaleão. E se por vezes parece que a resposta está prestes a tornar-se evidente, a verdade é que acaba sempre por se desviar. Continuamos a fazer caminho.
31.12.12
#1 [Well drew...]
Desta vez a crónica de costumes desloca-se para uma aldeia no campo, cuja vida é abalada pelo regresso de Tamara. A jovem jornalista de sucesso, que em pequena era o patinho feio lá da terra, tem agora a pinta de uma mulher fatal (com uma pequena ajuda da cirurgia plástica).
28.12.12
#1 [isto lembra-me o ódio de algumas pessoas às osgas...]
Uma vez eliminada a mígala, somos devorados pelos mosquitos de que ela se alimentava.
Aprendemos a preferir as mígalas.
De resto, elas não picam.
Daniel Pennac in
O Ditador e a Cama de Rede
(depois de ler em italiano, agora estou com a versão tuga)
Aprendemos a preferir as mígalas.
De resto, elas não picam.
Daniel Pennac in
O Ditador e a Cama de Rede
(depois de ler em italiano, agora estou com a versão tuga)
26.12.12
#1 [visceral]
Ouvir um temas mais bonitos de Rodrigo Leão destruido à conta da banda sonora do filme Equador só contribui para aumentar o asco pelo autor do folhetim...
25.12.12
#1 [não foi nada]
Atravessei Não foi Nada, do chileno António Skármeta, em
pouco menos de três horas. Boa maneira de justificar uma pausa e aproveitar o
feriado para descansar um pouco.
Começando pelo fim, achei o livro um verdadeiro elogio ao proselitismo. Não só pela história que conta, mas sobretudo pelas razões que a motivam e que Skármeta tão bem descreve no prólogo da obra.
Lucho é um adolescente chileno que vive em Berlim em virtude do exílio que lhe foi imposto, tal como a centenas de milhar de chilenos e Chilenas, pelo pulha Pinochet e seus carniceiros. Tem saudades do Chile e do sol. Quer regressar (já para o ano, pensa ele), mas, contrariamente aos pais e seus amigos, não vive fixado na memória do que se passava um ano antes da chegada ao cinzento centro da Europa e, sempre solidário com os seus, procura fazer o seu caminho.
As revoluções e as resistências também são feitas de ternura.
Começando pelo fim, achei o livro um verdadeiro elogio ao proselitismo. Não só pela história que conta, mas sobretudo pelas razões que a motivam e que Skármeta tão bem descreve no prólogo da obra.
Lucho é um adolescente chileno que vive em Berlim em virtude do exílio que lhe foi imposto, tal como a centenas de milhar de chilenos e Chilenas, pelo pulha Pinochet e seus carniceiros. Tem saudades do Chile e do sol. Quer regressar (já para o ano, pensa ele), mas, contrariamente aos pais e seus amigos, não vive fixado na memória do que se passava um ano antes da chegada ao cinzento centro da Europa e, sempre solidário com os seus, procura fazer o seu caminho.
As revoluções e as resistências também são feitas de ternura.
20.12.12
19.12.12
#2 [Jornal interactivo]
Hoje o público traz um artigo sobre saúde infantil. Estava a lê-lo na biblioteca quando tropecei numa correcção que algum leitor ou leitora deixou na margem de uma das páginas.
Letra vermelha, traçada com um misto de assertividade e indignação, como que a devolver a dignidade (e um li) à dislipidémia.
Não pude deixar de sorrir para comigo. Quem perceber as minhas razões que se ria também...
Letra vermelha, traçada com um misto de assertividade e indignação, como que a devolver a dignidade (e um li) à dislipidémia.
Não pude deixar de sorrir para comigo. Quem perceber as minhas razões que se ria também...
#1 [o dever de falar]
entre nós e as palavras há perfis
ardentes
espaços cheios de gente de
costas
altas flores venenosas portas por
abrir
e escadas e ponteiros e crianças
sentadas
à espera do seu tempo e do seu
precipício
17.12.12
15.12.12
#1 [Cinema e Direitos Humanos]
É um luxo ter cinema à porta de casa. Por aqui é raro, mas acontence.
E o luxo é maior ainda quando o que se apresenta em cartaz é organizado com um propósito estimulante e por gente que nos desperta afectos, como é o caso da Mostra de Documentário sobre Direitos Humanos do Grupo 19, colectivo de Sintra da Amnistina Internacional.
A XIª edição da Mostra está a acontecer este fim de semana e eu, que já fui apelidado de espectador habitual, acho que nível da programação está a melhorar à medida que a coisa envelhece.
Ontem, no arranque do certame, pude ver "Estou para Aqui Assim", uma curtíssima de Diogo Pessoa de Andrade sobre a exclusão social, e "Design atrás das grades", documentário de Margarida Leitão sobre uma oficina de costura na prisão de Tires.Uma noite carragada de simbolismos, que me deixou com vontade de mais.
E o luxo é maior ainda quando o que se apresenta em cartaz é organizado com um propósito estimulante e por gente que nos desperta afectos, como é o caso da Mostra de Documentário sobre Direitos Humanos do Grupo 19, colectivo de Sintra da Amnistina Internacional.
A XIª edição da Mostra está a acontecer este fim de semana e eu, que já fui apelidado de espectador habitual, acho que nível da programação está a melhorar à medida que a coisa envelhece.
Ontem, no arranque do certame, pude ver "Estou para Aqui Assim", uma curtíssima de Diogo Pessoa de Andrade sobre a exclusão social, e "Design atrás das grades", documentário de Margarida Leitão sobre uma oficina de costura na prisão de Tires.Uma noite carragada de simbolismos, que me deixou com vontade de mais.
13.12.12
11.12.12
#1 [em grande forma]
A sunset is just a sunset
But driving with you over the '25th of April Bridge'
Now that's a ride
So let's go
But driving with you over the '25th of April Bridge'
Now that's a ride
So let's go
dEUS, The soft fall
10.12.12
9.12.12
#1 [...]
CRÍPTICA
Para quem não sabe ler
Toda a escrita é críptica
O alfabeto cirílico é críptico para mim
Os ideogramas chineses ou japoneses
São igualmente crípticos (para mim)
Toda a escrita é críptica
O alfabeto cirílico é críptico para mim
Os ideogramas chineses ou japoneses
São igualmente crípticos (para mim)
Para os economistas
A poesia é críptica
Para os imbecis
A inteligência é críptica
Para os cegos de nascença
A cor é críptica
Para todos os homens
A sua vida é críptica
Para os vivos
A morte é críptica
Para os mortos
O que será a morte?
E.M. de Melo e Castro
A poesia é críptica
Para os imbecis
A inteligência é críptica
Para os cegos de nascença
A cor é críptica
Para todos os homens
A sua vida é críptica
Para os vivos
A morte é críptica
Para os mortos
O que será a morte?
E.M. de Melo e Castro
8.12.12
#1 [esta luz que agora sinto...]
Foi no primeiro outono, o tempo de ocupar e conhecer a casa. Aquela entardecer que promete cair mas ainda dura, oblíquo sobre um livro, sobre um jornal. Uma tonalidade de conforto.
Lembro-me bem, como se fosse hoje, da descoberta e da construção de um espaço, de saborear algo que, sei hoje, tinha uma centelha de plenitude. De pensar para comigo: esta luz que agora sinto, oblíqua de esperança, também sou eu.
Entre a efemeridade desse calor pastel e pó acumulado nas estantes, está todo um universo que ora é finito ora se apresenta em expansão, sem limites ou intenção de acabar.
2.12.12
30.11.12
#1 [andava para escrever sobre o Pina...]
Inédito de JS Braga para MA Pina
Onde estás agoraOh meu amigo?
Nem dentro
Nem fora
Nem muito longe
Nem muito perto
Talvez nos primeiros
Raios da aurora
Talvez no deserto
No mais incerto
E improvável
Lugar
Onde estás agora
Oh meu amigo
Que não te oiço?
Talvez no fim
Da estrada
Envolto em poeira
Numa cadeira
De baloiço
Em frente ao grande
Tudo
Ou ao grande
Nada
[poema inédito dedicado a Manuel António Pina escrito e lido por Jorge Sousa Braga, ontem à noite, 29 de novembro, na sessão desta das Quintas de Leitura]
27.11.12
#1 [Ouvindo a chuva a cair...]
Há canções que se nos colam à pele e perduram, que se infiltram na memória e que, por vezes, mesmo que inaudíveis, se tornam quase reais.
26.11.12
#2 [Itália mais longe de “qualquer coisa de esquerda”]
Realizou-se este domingo a primeira volta das eleições primárias da coligação
Itália Bene Comune, de centro esquerda. Embora ainda esteja por definir o nome
de quem encabeçará a coligação, é já certo que o Partido Democrático domina em
toda a linha.
Texto publicado hoje no Esquerda.net
Texto publicado hoje no Esquerda.net
17.11.12
#[Those good old days]
Sábado à tarde, sentado na biblioteca municipal para estudar.
É como recuar no tempo. :)
É como recuar no tempo. :)
12.11.12
#1 [Leituras clandestinas]
No último mês estive ocupado com a SARA, que não é uma miúda
gira mas um vórtice para onde me joguei e que me tem ocupado o tempo e obrigado
a desmultiplicar as horas livres e a capacidade de trabalho. Não me queixo.
Mas este fim-de-semana decidi quebrar o ritmo e dar-me às artes. Vi o filme de que se fala no último post e li A Aventura de Miguel Littín, Clandestino no Chile, de Garcia Márquez.
Tal como no Relato de um Náufrago, Gabo recorre a um trabalho de jornalismo em forma de romance para (re)contar o relato que o realizador Miguel Littín lhe fizera sobre o seu regresso ao Chile para fazer um filme sobre a vida do seu país 12 anos depois do miserável golpe de pinochet.
Mas este fim-de-semana decidi quebrar o ritmo e dar-me às artes. Vi o filme de que se fala no último post e li A Aventura de Miguel Littín, Clandestino no Chile, de Garcia Márquez.
Tal como no Relato de um Náufrago, Gabo recorre a um trabalho de jornalismo em forma de romance para (re)contar o relato que o realizador Miguel Littín lhe fizera sobre o seu regresso ao Chile para fazer um filme sobre a vida do seu país 12 anos depois do miserável golpe de pinochet.
Sobre a ousadia de, sendo um proscrito, regressar ao Chile e
filmar até dentro do palácio de La Moneda, onde se cruzou com o sinistro
ditador, Littín diz que mais que um acto de heroísmo este foi sobretudo um episódio
de dignidade. O livro, tal como o filme, não o deixam mentir.
11.11.12
1.11.12
31.10.12
22.10.12
#1 [fechar portas]
É feliz quem pode escolher.
Esta adoptei-a como lema de vida quando me vi na primeira grande encruzilhada da minha vida profissional.
E se é verdade que, nos tempos que correm, o seu sentido é ainda mais profundo, não consigo evitar a sensação do abismo sempre que tenho de fechar uma porta.
Esta adoptei-a como lema de vida quando me vi na primeira grande encruzilhada da minha vida profissional.
E se é verdade que, nos tempos que correm, o seu sentido é ainda mais profundo, não consigo evitar a sensação do abismo sempre que tenho de fechar uma porta.
21.10.12
#1 [Marx, versão Cronenberg]
![]() |
| Cosmopolis de David Cronenberg |
Diziam-nos os barbudos alemães que a forma encontrada pela burguesia para vencer as crises por ela geradas era através da “destruição violenta de grande quantidade de forças produtiva” e por outro lado ”pela conquista de novos mercados e pela exploração mais intensa dos antigos”. Rematavam dizendo que tal actuação nos levaria "a crises mais extensas e mais destruidoras e à diminuição dos meios de evitá-las”.
Esta abordagem com mais de 150 anos é coincidente com a
ideia chave do filme Cosmopolis, de David Cronenberg, realizado a partir do
romance homónimo de Don DeLillo, escrito em 2003 e absolutamente premonitório
da crise que estalou em 2007 e ainda nos assola.
Não sei se de forma consciente, a história retoma esta apreciação
marxista - a passagem do Manifesto que cito é–nos apresentado de forma quase textual pela boca de um visionário
especulador de 28 anos -, explorando os aspectos da violência e da destruição a que
o próprio sistema recorre, neste início de século XXI, para se regenerar e, ao
mesmo tempo, acentuar o seu declínio.
Um filme a não perder.18.10.12
# 1 [Baleia!!]
Bela homenagem a Moby Dick, no dia dos 161 anos da sua publicação
Um livro que me apaixonou e que carreguei às costas durante um mês de estrada.
Nunca o acabei. A tradução era má e, ao tempo, enveredei por outras leituras.
Mas ainda não desisti de lá voltar.
11.10.12
9.10.12
7.10.12
#1 [Manhãs de domingo]
O Prazer é Silencioso
Ao contrário da ideia assente
A palavra não é criadora de um mundo;
O homem fala como o cão ladra
Para exprimir raiva, ou medo.
O prazer é silencioso,
Tal como o é o estado de felicidade.
Michel Houellebecq, in "A Possibilidade de uma Ilha"
Ao contrário da ideia assente
A palavra não é criadora de um mundo;
O homem fala como o cão ladra
Para exprimir raiva, ou medo.
O prazer é silencioso,
Tal como o é o estado de felicidade.
Michel Houellebecq, in "A Possibilidade de uma Ilha"
2.10.12
#1 [quentes e boas]
![]() |
| La Tronchita - Daniel Mordzinski |
Neste tempo de vacas anorécticas, os livros continuam a ser um tesouro e um bem de primeira necessidade emocional, mas cada compra requer uma complexa cadeia de decisões…
Para que raio quereria eu mais um livro escrito por um chileno viajante se já lhe li a obra toda? Ainda por cima ilustrado com fotografias de outro mestre?… logo eu, que nem gosto disso dos retratos em branco e preto.
Pior: o livro conta histórias do sul. Mais, traz-nos o cheiro dos velhos cafés de Buenos Aires, episódios da Patagónia e das suas gentes, os ventos dessa cordilheira que, num repente, quebra na estepe, recordações dos hippies de El Bolson e de outras personagens que um dia cruzaram o meu caminho (terá sido real?)….
Não resisti e li, de um só trago, as Últimas Notícias do Sul, de Luís Sepúlveda e Daniel Mordzinski. Para castigo, passei um mês a remoer a estupefacção e a ensaiar estas palavras.
Enfim, era inevitável...
29.9.12
#1 [como numa pintura de Magritte]
![]() |
| Friend of order - René Magritte |
Enquanto o lia, fui assaltado pela sensação, muito gráfica, de que estava a entrar numa pintura do seu compatriota (e contemporâneo) René Magritte. Uma ideia provocada por uma escrita também ela marcada pelo olhar para lá da forma, por um questionar da simplicidade das coisas e do concreto, pela abertura de múltiplas possibilidades à existência...
Ao longo de quatro décadas de vida literária, Simenon assinou quase meio milhar de títulos. A grandeza do número faz supor uma escrita quase permanente e uma imaginação febril.
Embora tenha crescido rodeado pelos seus livros, nunca tinha lido nada deste autor. O primeiro impacto foi bom, vejamos o que mais vai revelar esta porta aberta...
23.9.12
18.9.12
#2 [500 Km]
Desde o início de Junho já fiz 500km de bicicleta.
O velocípede entrou na minha rotina diária, além do lazer, é o meu transporte para o trabalho e para distâncias até 8km.
Além das calorias e da higiene mental, reduzi no gasto com transportes públicos, poupei o equivalente a 50 euros em gasolina e evitei a produção de uns bons kilos de CO2.
O velocípede entrou na minha rotina diária, além do lazer, é o meu transporte para o trabalho e para distâncias até 8km.
Além das calorias e da higiene mental, reduzi no gasto com transportes públicos, poupei o equivalente a 50 euros em gasolina e evitei a produção de uns bons kilos de CO2.
#1 [Um Homem e Duas Mulheres]
Algures no início do ano comecei a ler Um homem e duas mulheres, de Doris Lessing, a desconhecida que em 2007 arrebatou o Nobel da literatura. Gostei do arranque, mas a coisa arrefeceu e o livro ficou estacionado uns meses na mesa de cabeceira e só o acabei agora.
Passados no meio de século XX, os contos têm como cenário a Africa do Sul natal da autora ou Londres e arredores. Conta histórias corriqueiras - a mulher bonita e independente, a curiosidade e repulsa de uma rapariguita pelo velho agricultor que a assedia, a rota de afastamento dos casais.
Um livro que vale, sobretudo, para conhecer a escrita da autora e a forma feliz como ela lida com o formato do conto.
Passados no meio de século XX, os contos têm como cenário a Africa do Sul natal da autora ou Londres e arredores. Conta histórias corriqueiras - a mulher bonita e independente, a curiosidade e repulsa de uma rapariguita pelo velho agricultor que a assedia, a rota de afastamento dos casais.
Um livro que vale, sobretudo, para conhecer a escrita da autora e a forma feliz como ela lida com o formato do conto.
3.9.12
#3 [De Ruhr a Bilbao: as cidades que disseram basta à poluição]
O sequestro judicial da siderurgia da ILVA, em Taranto, tem agitado o verão italiano, levantando questões ambientais e laborais. Como já aconteceu noutros lugares, a solução poderá passar pela reconversão industrial.
Artigo do Jornalista Italiano Salvatore Cannavò que traduzi para www.esquerda.net
Artigo do Jornalista Italiano Salvatore Cannavò que traduzi para www.esquerda.net
#2 [A taberna da india]
Em A Taberna da Índia, o Mexicano António Sarábia traz-nos alguns dos
heróis da primeira globalização - Vespucio, Bartolomé de las Casas,
Colombo - fantasiados e colocados à escala humana, na Sevilha do fim do século XV, cidade portuária de partida e chegada dos navios que atravessavam o "mar tenebroso" em direcção aquilo que ainda se julgava ser a costa oriental da Índia (onde estarão os elefantes?).
Embora seja um romance, recomenda-se a quem ainda tenha ilusões sobre a magnifica fábula dos descobrimentos que se conta nas aulas de história das nossas escolas.
Embora seja um romance, recomenda-se a quem ainda tenha ilusões sobre a magnifica fábula dos descobrimentos que se conta nas aulas de história das nossas escolas.
#1 [vencidos da vida]
Eis um facto que desconhecia: antes de editar o primeiro disco, 1967, Leonard Cohen era já um escritor aclamado, tendo publicado 3 livros de poesia e 2 novelas.
Já me tinham passado vários livros pela mão, mas só nestas férias me debrucei a fundo sobre um deles, Beautiful lossers (1966).
A história, psicadélica e religiosa, plena de libertação sexual e com alusões às raízes indígenas do Canadá e ao nacionalismo do Quebeque - Montreal parece ter entrado na minha vida - é desconcertante mas prende.
O homem sabe escrever, confirma-se. ainda assim, prefiro ouvi-lo cantar :)
Já me tinham passado vários livros pela mão, mas só nestas férias me debrucei a fundo sobre um deles, Beautiful lossers (1966).
A história, psicadélica e religiosa, plena de libertação sexual e com alusões às raízes indígenas do Canadá e ao nacionalismo do Quebeque - Montreal parece ter entrado na minha vida - é desconcertante mas prende.
O homem sabe escrever, confirma-se. ainda assim, prefiro ouvi-lo cantar :)
1.9.12
31.8.12
29.8.12
#[Lajes do Pico]
O velho guiava com segurança.
- Acreditem, foi por aqui que Jesus andou quando veio à terra.
Ao fundo da ladeira, a aldeia começava a desenhar-se: casa das senhoras, casa do judeu, Serrafilhas...
Não lhe conseguia ver o olhar mas pressenti-lhe o brilho quando, à primeira oportunidade, perguntei se tinha memória das baleias.
-ohhhh!!
E o filho:
- Ainda me lembro da última. Devia ter uns seis anos.
Foi em 1984, recordei. Devemos ter a mesma idade.
Ofereceram-nos figos pingo de mel e uva morangueiro que traziam no pau de arara. Doçura sem igual.
26.8.12
22.8.12
14.8.12
13.8.12
#1 [Redux]
Dez anos depois do sucesso do seu primeiro romance, Updike fez regressar Harry “Coelho” Angstrom para, através da mundivisão de um americano médio - que aos 36 já se sente velho! -, nos falar do estado do mundo (ou, vá lá, de certa parte do dito).
Enquanto os primeiros humanos chegam à lua, na terra, no coração da América, há conflitos sociais e raciais que se agudizam, a par de um movimento de libertação da moral estabelecida e da redefinição do lugar das mulheres na sociedade e de uma discussão permanente e radicalizada sobre a guerra do Vietname. É de tudo isto que trata Rabbit Redux, o segundo volume da saga deste Coelho tão especial.
Enquanto os primeiros humanos chegam à lua, na terra, no coração da América, há conflitos sociais e raciais que se agudizam, a par de um movimento de libertação da moral estabelecida e da redefinição do lugar das mulheres na sociedade e de uma discussão permanente e radicalizada sobre a guerra do Vietname. É de tudo isto que trata Rabbit Redux, o segundo volume da saga deste Coelho tão especial.
7.8.12
#1 [As orelhas de abano de Vendola]
Depois de anunciar abertura à inclusão da conservadora UDC na nova plataforma de centro esquerda, Nichi Vendola apressou-se a desmentir as suas declarações. Mas há muito que a aproximação à UDC anda no ar...
Artigo do Jornalista Italiano Salvatore Cannavò que traduzi para www.esquerda.net
Artigo do Jornalista Italiano Salvatore Cannavò que traduzi para www.esquerda.net
6.8.12
#2 [o último tomo]
Fiz um grande esforço para regressar (é proibido pisar a relva, é proibido ser lírico), fiz café, fiz torradas, fiz coisas, coisas quotidianas. A certa altura, comecei a sentir-me melhor. O tempo continuou a compreender-me: parou de nevar. Abri a janela e o ar tinha um cheiro novo, revigorador. Pus Beethoven no gira-discos. Com ar lavado a entrar-me pelas narinas e Beethoven a sair heroicamente da janela, compreendi pela milésima vez que é sempre tempo de recomeçar.
Dennis Mcshade in
Requiem Para D. Quixote
Dennis Mcshade in
Requiem Para D. Quixote
#1 [para memória futura]
Para que conste, e (como diria alguém) por nefasta influência dos marcianos, hoje assisti às duas primeiras aulas de código.
3.8.12
#1 [Blackpot]
Li de um tiro (acho que a expressão é boa) Blackpot, um texto de Dennis McShade que este guardou numa gaveta, tendo lá ficado 30 anos, até 2009, até que a Assirio e Alvim, em conjunto com os herdeiros de DM, o decidiu publicar.
A história resume-se a uma sequência de ajustes de contas entre mafiosos, uma espécie de ascensão na carreira pela via da pistola, temperada com algum nonsense. Conhecendo a restante obra do autor, fico com a impressão de que, mais do que uma narrativa, Blackpot seria o esqueleto de um texto mais extenso que ficou a aguardar tempo e vontade para ser escrito.
Sei que é paradoxal, mas, apesar da morbidez, fez-me lembrar a Quadrilha de Carlos Drummond de Andrade...
Quadrilha
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
Carlos Drummond de Andrade
A história resume-se a uma sequência de ajustes de contas entre mafiosos, uma espécie de ascensão na carreira pela via da pistola, temperada com algum nonsense. Conhecendo a restante obra do autor, fico com a impressão de que, mais do que uma narrativa, Blackpot seria o esqueleto de um texto mais extenso que ficou a aguardar tempo e vontade para ser escrito.
Sei que é paradoxal, mas, apesar da morbidez, fez-me lembrar a Quadrilha de Carlos Drummond de Andrade...
Quadrilha
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
Carlos Drummond de Andrade
31.7.12
#1 [Mão Direita do Diabo]
Neste primeiro livro da triologia de Mcshade, surge-nos um Maynard mais existêncial e não tão eclético. Talvez porque não tenha interlucotores à altura ou apenas por falta de inspiração momentânea para as suas parábolas e para os famosos diálogos maynardianos.
Mas o compasso de abertura promete aquilo que já confirmámos no terceiro volume da coisa e o que nos espera no requiem para D. Quixote. É DM puro, duro e muito refinado.
Mas o compasso de abertura promete aquilo que já confirmámos no terceiro volume da coisa e o que nos espera no requiem para D. Quixote. É DM puro, duro e muito refinado.
30.7.12
#1 [armadilha da austeridade]
“Nos países que levaram ao extremo a receita da austeridade-desregulamentação”, escreve a OIT, “principalmente nos da Europa do Sul, o crescimento da economia e do trabalho continua a piorar.
Artigo do Jornalista Italiano Salvatore Cannavò que traduzi para www.esquerda.net
Artigo do Jornalista Italiano Salvatore Cannavò que traduzi para www.esquerda.net
25.7.12
# [As Mulheres da Fonte Nova]
Histórias de luta e resistência no feminino, centradas em 40 anos do século XX mas que se esticam por todo esse centenário que a República já leva.
Alice Brito fala-nos de uma cidade que respira e, qual ser vivo, está em plena mutação. Traz-nos, essencialmente, as suas mulheres, envolvidas por uma escrita ritmada e com substância, nada excessiva na forma, embora recorrendo ao vernáculo em demasia... terá sido, certamente, uma opção consciente e até com razões sociológicas, mas, tenho de concordar com Luísa, há momentos em que aparece forçada.
Ao longo de mais de 300 páginas misturam-se, temperadas com imaginação, algumas personagens coleccionadas ao longo de uma vida (calculo eu...) e "episódios mito" transmitidos de geração em geração. Chega-se ao fim num instante, com a leitura a agarrar e a espicaçar o nervo, alimentando o desejo de uma visita tantas vezes adiada a Setúbal, a verdadeira musa deste livro.
Embora romance, não deixa de ser uma perspectiva diferente da histografia oficial dos Hermanos Saraivas desta vida e da verdade oficiosa, a da luta antifascista, tantas vezes apresentada pela perspectiva de Moscovo.
23.7.12
Pase lo que pase, sea lo que sea... PROXIMA ESTACIÓN ESPERANZA!
Onze anos depois da mítica
noite nos Jardins da Torre de Belém, Manu Chao regressou a Lisboa, mais
precisamente a Cascais. Quando vi o cartaz a anunciá-lo, algures em Maio,
fiquei em pulgas por voltar a ver e ouvir uma das minhas referências musicais e
ontem lá fui eu, em busca dos bons sons que animaram a luta social do princípio
deste século XXI, altura em que tantas coisas pareciam possíveis.
O homem continua com uma energia indomável, preenchida de
boas letras e apimentada com ska e reggae. O Concerto valeu pela cena revivalista
e pelo bom feelling do momento. Mas soube a pouco, porque desta vez não durou
três horas e tal – foram só duas mas ao fim de 45 minutos já estava a dizer que
se ia embora- nem tiveram que lhe desligar a corrente como em 2001...
E soube a pouco porque lhe faltaram palavras para lá das canções. O discurso sobre este mundo de pernas para o ar, a crítica social, a inteligência política e irreverência tão presentes em tudo o que faz não ultrapassaram as fronteiras do alinhamento previsto e do bom comportamento que se exige a algumas estrelas. Manuel saudou Portugal e Cascais, agradeceu a Portugal e Cascais, despediu-se dos mesmos interlocutores e prometeu voltar aos mesmos sítios. E Não disse mais nada.
E soube a pouco porque lhe faltaram palavras para lá das canções. O discurso sobre este mundo de pernas para o ar, a crítica social, a inteligência política e irreverência tão presentes em tudo o que faz não ultrapassaram as fronteiras do alinhamento previsto e do bom comportamento que se exige a algumas estrelas. Manuel saudou Portugal e Cascais, agradeceu a Portugal e Cascais, despediu-se dos mesmos interlocutores e prometeu voltar aos mesmos sítios. E Não disse mais nada.
21.7.12
# [arrumando as estantes]
Sintra, Casa do Parque
Imaginamos lugares estritos
para o sublime que vem afinal
depositar-se à nossa soleira
trazido pelas folhas
antes e depois da passagem
Os dias são um prólogo se uma pessoa caminha
até que uma verdade lhe seja revelada
José Tolentino Mendonça
in O Viajante Sem Sono
Imaginamos lugares estritos
para o sublime que vem afinal
depositar-se à nossa soleira
trazido pelas folhas
antes e depois da passagem
Os dias são um prólogo se uma pessoa caminha
até que uma verdade lhe seja revelada
José Tolentino Mendonça
in O Viajante Sem Sono
19.7.12
#1 [o capitalismo predatório]
O Deutshe Bank pede à troika a privatização massiva e profunda dos sistemas de Segurança Social e dos serviços públicos, em troca de umas centenas de milhares de milhões de euros, no seguinte conjunto de países: França, Itália, Espanha, Grécia, Portugal e Irlanda.
Artigo do jornalista italiano Salvatore Cannavò que traduzi para o esquerda.net
Artigo do jornalista italiano Salvatore Cannavò que traduzi para o esquerda.net
15.7.12
#1 [Fornero em discurso direto: “ o trabalho não é um direito”]
Da afirmação da ministra do Trabalho de Itália sobressai a parte amarga, a realidade. O trabalho tem vindo a ser expurgado da jurisprudência europeia do grupo dos direitos sobre os quais se baseia uma sociedade.
Texto do jornalista italiano Salvatore Cannavò que traduzi para o Esquerda.net
13.7.12
#1 [...]
(…)
Olhei para Johnny, que estava a fazer-me sinal com a mão. Levantei-me.
-Virei um dia destes – disse eu – Vou ler Walt Whitman para
si na sala branca.
- Apollinaire – disse ela.
- O meu francês é fraco. Então, Keats.
- Está bem, Keats – disse ela.
- Um beijo à mana Emília. Um destes dias, na sala branca.
- À tarde, Confúcio. Só venho à tarde. Diga na porta que é
convidado da Charlotte Brontë.
Aproximei-me de Johnny. O Zola já não estava na sala.
- Já temos praticamente o homem – disse Johnny. – Agora, é só
traçarmos o plano. E tu, que estiveste a fazer?
- Uma conquista.
- Uma conquista?
- Pois. Com esta cara, estas maneiras desastradas e este
passado tenebroso.
Saímos.
- Bem. Podemos começar quando quiseres – disse Johnny.
- Começamos hoje – disse eu – Quanto mais cedo acabar, mais
cedo leio Keats à Charlotte.
in Mulher e Arna com Guitarra Espanhola
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