5.12.11

#1 [direitos humanos]

O grupo de Sintra da Secção Portuguesa da Amnistia Internacional organizou, este fim de semana, a sua 10ª mostra de documentários sobre direitos humanos.
Não pude ver todos os filmes inscritos no programa - tive pena de perder o Lixo Extraordinário, por exemplo, mas assisti a duas projecções muito interessantes: 12 Angry Lebanese, de Zeina Daccache, e TEstemunhos de um etnocídio: Memórias de resistência, de Marta Rodriguez.
O primeiro acompanha um grupo de 45 prisioneiros que, durante 12 meses, participam numa oficina de teatro do oprimido que a realizadora do doc orientou e animou numa prisão Libanesa. Um testemunho forte sobre a forma como o sistema carcerário trata e aniquila quem nele cai.
O segundo trata de índios e da forma como, na Colômbia, as comunidades estão a ser aniquiladas pelo Estado, pelos paramilitares e pelas guerrilhas de extrema direita e extrema esquerda. Conta uma história que, na América do Sul, não é uma excepção mas sim a regra e a herança deixada por 500 anos de colonização económica e religiosa.
É um luxo poder passar algumas horas com as coisas do mundo que acontecem debaixo do nosso nariz global sem que, maior parte das vezes, as consigamos ver. Ainda por cima mesmo à beira de casa - não é todos os dias que se pode sair de casa a 10 minutos do início do filme e ter tempo para comprar o bilhete e ainda dar dois dedos de conversa com os e as presentes.

Em complemento a este post...
- Amnistia Internacional - Grupo 19, Sintra 
- 12 Angry Lebanese 
- site de Marta Rodriguez, realizadora de Testemunhos...
Tupiniquim - Blog português sobre povos Indígenas

2.12.11

#1 [Pornopopeia, take 2]

A falta de palavras com que me deparei para falar do Pornopopeia resolveu-se no artigo que Alexandra Lucas Coelho escreve assina hoje no ipsilon. Pode ser lido aqui.

30.11.11

#3 [razões para usar software livre ou livremente...]


" Em Maio de 2011, a Microsoft comprou a Skype, pelo valor de 8,5 mil milhões de dólares, com dinheiro na mão. A aquisição da maior telefónica da internet constituiu uma verdadeira lição de contabilidade offshore. Todos ficaram a ganhar, menos o Tesouro dos Estados Unidos, que é o grande perdedor deste negócio de milhões.
(…)
As multinacionais que vivem preocupadas com os prejuízos resultantes de downloads e cópias ilegais de software, deviam lembrar-se que, há muito tempo, se dedicam à pirataria fiscal através de plataformas offshore." 

João Pedro Martins, in Suite 605, pp 26 e 27

#2 [para memória futura]

Foto de Paulo Pimenta/Público
Ontem li no Público uma bela reportagem sobre a Maria da Conceição Tina, a petite portugaise, fotografada nos anos de 1960 em St. Dennis, arredores de Paris, por Gérald Bloncourt. 
É uma bela história sobre a vida da mulher que se reencontrou numa imagem e descobriu que é um ícone da luta de várias gerações de portugueses e portuguesas por uma vida melhor.
Num tempo em que o Público se prepara para o harakiri e que o povo português se vê novamente empurrado para um horizonte de miséria e de emigração, a jornalista Patrícia Carvalho dá-nos um momento de magia e esperança.

#1 [em exclusivo...]

horas antes de ser conhecida, aqui fica a declaração apresentada pela bancada do PS na votação do Orçamento de Estado para 2012...

29.11.11

#2 [sabe bem]

Ouvir o Bruno Nogueira a dar uma valente desanda no vasco pulido...
Som no site da TSF e texto aqui, para memória de futura.

"Há velhinhos, há velhinhos chatos, há velhinhos que ficam ainda mais chatos, há aguardentes velhas, e depois há o Vasco Pulido Valente. Pois bem, o Vasquinho tem dedicado as suas últimas crónicas ao exercício de destruição do panorama teatral português, fazendo questão, não poucas vezes, de provocar quem lê.


#1 [pornopopeia...]

Gostei do livro, mas nem sei bem o que dizer dele...
fica a apresentação institucional :)

Zeca é um ex-cineasta marginal que ganha a vida fazendo comerciais de marcas obscuras. Quando assume o compromisso de filmar um anúncio para uma fá;brica de embutidos, é sugado por uma espiral de sexo e drogas. Depois de se ver envolvido com a morte de um traficante, o protagonista foge para uma cidadezinha praiana, onde dá; continuinidade à sua saga de atmosfera beatnik.

27.11.11

#1 [O Bom, o mau e o lagartão]

Rango, um western spaghetti muito camaleónico :)

23.11.11

Pele na pele

Almodovar a evocar clássicos do cinema, numa história bem urdida, que se enrola como uma espiral ou que, como um coração, contrai e dilata enchendo-nos de oxigénio e vida... A pele que habito está coberta de sensualidade e temas tabu, que nos prendem até ao fim da película (na verdade houve quem saísse a meio, gente sensível certamente), com a dose de mestria e de surpresa a que estamos habituados.

21.11.11

Palombella rossa

Moretti, num registo muito Woodyano, às voltas com a memória e a necessidade de reconstruir o edifício ideológico da esquerda italiana. Uma crise que por lá se abriu com a queda do muro e que, infelizmente, ainda não teve uma saída à altura.

15.11.11

habemus tesis


habemus tesis
Originally uploaded by André Beja


5 anos e 39 dias,
dez meias maratonas e 2 maratonas corridas
10 países visitados + 1 (o nosso), 4 continentes
Mais uma sobrinha e um sobrinho a juntar à que já tinha, e duas emprestadas
50 gigabites de fotografias tiradas
1 exposição em três etapas, um livro a meias e várias outras publicações
7 campanhas eleitorais e tantas outras lutas importantes
Dezenas de filmes, centenas de livros, vários concertos
Bons copos, melhores pratos e tantas gargalhadas depois…

4.11.11

#1 [estado da arte]

Eis uma ideia que me assalta com alguma frequência...

Whatever you decide to do will play out with a big bang—often a life or death difference to an organization— but it can take years to learn whether your decision was wise or not.

in Strategy Bites Back,
Henry Mintzberg, Bruce Ahlstrand, Jospeph Lampel

3.11.11

#1 [estado da arte]

Quando um burocrata te dificultar a vida, bate à porta do chefe dele...
(3 dias e consegui que me enviassem o que me foi negado durante dois meses)

28.10.11

[estado da arte]

A massa está a levedar, para lhe dar uma volta definitiva e concluir.
Entretanto...
- fechei capítulo da metodologia e aproximei-me da versão final do enquadramento teórico.
- mandei-me às formatações e a coisa está com bom ar.
- as referências e citações prometem dar trabalho :(

Se tudo correr como espero, de hoje a uma semana terei a primeira versão final e completa, depois é trabalho de carpintaria.

Pelo sim pelo não, já comecei a colar papeis na Parede para não me esquecer de nada.

27.10.11

#1 [menos uma árvore cá na rua]

Sintra, 27 Outubro 2011 André Beja
Sem vítimas

26.10.11

#1 [estado da arte: meteorológico]

Chuva lá fora, música cinzenta cá dentro (yo la tengo, tindersticks) e perguntas existenciais a condizer...

23.10.11

#2 [estado da arte II]

Neste momento a coisa tem 97 páginas.
Parece que tenho de pedir ajuda externa para lhe aplicar um plano de austeridade...

#1 [estado da arte I]

Primeira versão do Capítulo IV concluída.
Faltam (só!!) as conclusões e reescrever o trabalho todo. 

22.10.11

#1 [das teses e dos estores cá de casa]

Escrever 100 vezes à mão para não esquecer: por vezes 10 minutos chegam para resolver coisas que insistimos em arrastar pelo tempo.

20.10.11

#1 [Ser duro sem jamais esquecer a ternura]


Cândido Carnero - foto tirada daqui
Há um ano, em Madrid, conheci o Cândido, um sindicalista asturiano com pinta de quem já viu muitas marés. Estivemos ambos numa iniciativa sobre as lutas sociais na Europa. O discurso dele foi teso, de resistência e ofensiva, com uma linguagem da velha guarda. Ouvi-o e conclui estar perante um dos duros, um dos fodidos como lhes chama o Sepúlveda, daqueles que até podem partir mas não vergam.
Depois jantámos junto, a convite da organização do evento. E aí conheci-lhe um outro lado, o da ternura.
Já ao fim da noite, alguém me sussurrou ao ouvido: este foi um dos que inspirou um filme muito conhecido por cá, Los Lunes al Sol. O meu coração bateu mais forte, estava perante alguém que eu não sabia existir na vida real mas que, no início deste conturbado século, foi um dos marcos da minha formação.
Los Lunes al Sol conta uma história de luta em tempo de garrote, numa narrativa construída em torno de dois sindicalistas, personagens inspiradas em Cándido González Carnero e Juan Manuel Martínez Morala, duros sem nunca perder a ternura. É um hino à dignidade de quem trabalha e de quem luta pelos seus direitos. 
Sempre quis rever este filme e, depois desta intervenção indignada (e maravilhosa) da Catarina Martins ontem na AR, decidi que é tempo de fazê-lo.

19.10.11

#[estado da arte]

por vezes é complicado não nos determos perante a árvore, cometendo o erro de deixar de lado a visão e a (necessária) compreensão de toda a floresta.

18.10.11

#1 [no man's land]


Linha da Frente/ Front Line
Originally uploaded by André Beja

Mostar, Bósnia Herzegovina, 2006

A guerra é ignóbil e só ela é capaz de destruir, por nada, edifícios (reais e simbólicos) que demoraram anos a erguer. Rasga a harmonia e a esperança no futuro. 
Foi disto que me lembrei depois de rever No Man's Land, uma quase paródia sobre um conflito fratricida, que foi regado com a gasolina oferecida pela velha europa e pelo novo mundo. Uma barbaridade sem nome, que deu cabo de um país maravilhoso, arrasando famílias e comunidades em nome de vários deuses e nenhum princípio.

17.10.11

The Girl with the Dragon Tattoo

14.10.11

#1 [para desenjoar]


Henry Wilt é um (estéreo)tipo disfuncional das terras de sua majestade, com humor qb e um jeito desgraçado para se meter em sarilhos.
Numa noite de copos casou-se com Eva, uma pussidónia que diz género em vez de sexo mesmo quando está a falar de sexo e não de género, e arranjou 4 filhas gémeas que são, no mínimo, psicopatas.
A saga desta família tem vindo a ser escrita por Tom Sharpe desde 1979. O último tomo – o legado de Wilt, não é genial ou inovador, mas, em tempo de austeridade e muita horas à volta da tese, dá para manter a boa disposição.

13.10.11

#1 [Estado da arte*]

Caminante, son tus huellas
el camino, y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante, no hay camino,
sino estelas en la mar.

António Machado 

* porque andam a faltar poemas neste blog e porque, por vezes, me sinto a cortar nevoeiro na floresta...

11.10.11

#1 [p*** da crise]

Nas últimas semanas, de cada vez que vou ao supermercado cá da rua lembro-me do interior da Roménia, onde as pessoas só falavam romeno e pouco havia para comprar.
Aqui ainda não se fala romeno, mas, em bom português, as prateleiras estão quase vazias.

10.10.11

#2 [estado da arte*]

Na investigação, como na vida aliás, não vale a pena perder demasiado tempo com coisas que, de facto, não passam de variações mais ou menos filosóficas da contemplação do próprio umbigo.
Levantar mais vezes a cabeça, ter a generosidade (e a inteligência já agora) de olhar à volta sem estar constantemente enleados em nós próprios e agarrados às tais merdices que insistimos em alimentar, dar mais atenção às coisas simples e àquelas que são, realmente, importantes, ajuda-nos a encarar melhor cada desafio.


*ou um momento de clarividência depois de uma tarde enterrado em pdf's

#1 [ainda sobre post de ontem]

estive a pensar, é como se tivesse feito uma ida e volta ao Porto a correr, em três dias, consumindo toda a energia fornecida pelo que como em 25 dias... caramba!

9.10.11

#1 [no último ano]

619,41km
73h12m11s
46.145Kcal queimadas
isto tudo em 60 saídas para correr, não há registos da bike e da piscina...

8.10.11

#1 [from dust to dust]


from dust to dust
Originally uploaded by André Beja


Vai daí e lembrei-me desta música

6.10.11

#1 [estado da arte]

À porta de cada capítulo (ou sub), uma tremenda luta com a página em branco.
Vou deixar as ideias repousar, esperando que amanhã venha a vaga.

3.10.11

#1 [estado da arte]

Já tenho 70 páginas escritas.
Temo que as 30 que ainda tenho pela frente sejam curtas para tudo o que falta...

2.10.11

#1 [lapidar]

Na sequência do seu pedido de prorrogação por 30 dias, venho informar que foi autorizado superiormente, pelo que deverá entregar a sua tese de dissertação dia 14/11/2011.

30.9.11

# 1 [destrava linguas]

bosquejo
ignara
almotacé
praza

27.9.11

#1 [é caso para dizer...]

temos pena.

26.9.11

#1 [linha imaginária]

já escrevi metade...

25.9.11

#2 [música no coração]

Por muito que “Bleach”, o primeiro disco, tivesse boas canções, "Nevermind” foi o momento em que Cobain se deixou ser escritor de canções em vez de apenas um punk. Ganhou um disco clássico, uma legião de fãs que o via como um profeta, e depois sucumbiu não sem antes deixar um disco ainda mais aterrador (e possivelmente o último monumento do rock visceral).
Nunca mais um disco de tamanha violência emocional chegou a tanta gente. Pode então dizer-se que “Nevermind” mudou a indústria? Não. Pode dizer-se isto (e nunca é suficiente): que se foda a indústria.  
“Nevermind” fez de alguns de nós tábua rasa, obrigou-nos a começar de novo, mudou-nos a vida ou alertou-nos para brincadeiras perigosas. Mostrou-nos que se o sol nasce para todos também se põe para todos - e que quando a noite é escura, é escura como o breu.
O que aconteceu a essa miudagem que abanava a cabeleira ao som de “Nevermind”? Os dados indicam que trabalha a recibos verdes e conta os tostões. Não planeia fazer revoluções. Quando ouve falar em mais impostos, encolhe os ombros e pensa:
“ Oh well, whatever, nevermind.”

João Bonifácio
Ípsilon, 23 de Setembro de 2011

#1 [...]

O Pai está convencido do esquema, o avô a dar na coca, o puto, com vontade de ser ouvido, fez um voto de silêncio, o tio está com um desgosto de amor, a miúda faz as perguntas simples, as mais difíceis, e a mãe... a mãe atura isto tudo...

23.9.11

#1 [Estado da arte]

A página 50 está a aproximar-se, vejamos o que me diz o guru amanhã de manhã... 

22.9.11

#1 [a inquisição, novamente]

Século XIV. A cidade de Barcelona encontra-se no auge da prosperidade; cresceu até ao humilde bairro dos pescadores, cujos habitantes decidem construir, com o dinheiro de uns e o esforço de outros, o maior templo mariano conhecido: Santa Maria do Mar. Uma construção paralela à desditosa história de Arnau, um servo da terra que foge dos abusos do seu senhor feudal e que se refugia em Barcelona. Daqui se torna cidadão e, assim, num homem livre. O jovem Arnau trabalha como estivador, palafreneiro, soldado e cambista. Uma vida extenuante, sempre à sombra da Catedral do Mar, que o tirará da condição miserável de fugitivo para lhe dar nobreza e riqueza. Mas com esta posição privilegiada chega também a inveja dos seus pares, que tramam uma sórdida conspiração que põe a sua vida nas mãos da Inquisição... Lealdade e vingança, traição e amor, guerra e peste, num mundo marcado pela intolerância religiosa, a ambição material e a segregação social. Um romance absorvente, mas também uma fascinante e ambiciosa recreação das luzes e sombras do mundo feudal.

A Catedral do Mar de Ildefonso Falcones

21.9.11

#1 [Nostalgia is denial]

denial of the painful present... the name for this denial is golden age thinking - the erroneous notion that a different time period is better than the one ones living in - its a flaw in the romantic imagination of those people who find it difficult to cope with the present.

Midnight in Paris by Woody Allen

19.9.11

#2 [estado da arte]

Cada página é uma vitória.

#1 [Luz e sombra]


Tango
Originally uploaded by André Beja


é disso que se faz uma fotografia

17.9.11

#1 [adensa-se a minha preocupação com a crise]

Mais uma obra de referência da implacável gui castro felga

15.9.11

#1 [Estado da Arte]


o mundo pula e avança
Originally uploaded by André Beja

13.9.11

#1 [fÉ]
dEUS é grande e o seu álbum mais recente está em streamming.

12.9.11

#1 
[Bamoximbora]
Gosto de correr, não é novidade. E gosto de correr em casa, especialmente se a prova proporcionar belas paisagens e bons momentos de convívio.
Assim sendo, e porque não havia desculpa suficientemente forte para ficar agarrado aos livros, este sábado fiz uma pausa e fui até S. João das Lampas.
Na linha de partida, depois de cumprimentar e agradecer ao Fernando por mais um ano de esforço, paixão e carolice, ouvi alguém dizer que desta vez o percurso estava mais plano. A geografia não dá grandes hipóteses pelo que, mesmo com uma empresa de terraplanagem a patrocinar o evento, tal informação tinha pouco balanço para passar a linha do boato. 
Lá fui, com a minha turminha diluída na tribo dos corredores, maldizendo o sol que, depois de passar todo o dia envergonhado, decidiu abrir e tornar a tarefa um pouco mais bonita e dura.
E não foi nada mal, não senhora. A organização esteve em alto nível e o povo deu apoio e regou @s atletas. As rampas moeram mas não mataram.
Para coroar de êxito a minha prestação, devo dizer-vos que, mesmo em principio de época e com poucos km nas pernas, fiz o meu melhor tempo de sempre à meia, 1:56h. 
Para celebrar o reencontro, a amizade e o prazer da corrida, fomos 16 à mesa para jantar, fazendo justiça ao lema da equipa - Bamoximbora: a correr para comer desde 2005.

7.9.11

#1
[País (sur)real II]

Desaconselha-se o consumo de guloseimas no Jardim-de-infância.*

 
* frase de alto valor literário e cientifico, retirada de um documento oficial que tem por objectivo garantir o negócio da promoção da saúde oral. 


6.9.11

#1
[O país (sur)real]



(poucos)
Originally uploaded by André Beja

4.9.11

#1
[Caves da Murganheira]


Caves da Murganheira
Originally uploaded by André Beja

Convido-vos para uma visita às Caves da Murganheira através da minha lente.

3.9.11

#1
[livro 25]

Vendo que as guardas se encontravam ocupadas com a Roya, a Senhora Moradi, que caminhava atrás de mim na fila, disse-me baixinho que durante o dia anterior tinham pendurado o filho no tecto, de cabeça para baixo, e tinham-na forçado a estar presente.
Por fim, não conseguindo tolerar mais aquele espectáculo, correu para o filho para o soltar. Foi quando lhe chicotearam o rosto.
"Que é que vocês querem saber, hem?" gritei-lhes eu. "tragam-no para baixo e digo-lhes o que quiserem saber."
"Puxaram-no para baixo?"
"Puxaram. Mas ele tinha desmaiado. Vão voltar a chamar-me, logo que ele volte a estar consciente."
"Que é que eles querem arrancar de ti?"
"Querem nomes, minha querida. Nomes de amigos do meu filho. E eu quero o meu filho. Ele vai morrer sem lhes dizer uma palavra. Se ele não ceder, eu não cedo."
"E se ele ceder?"
"Eu continuarei a não ceder."

In O Balneário,
Farnoosh Moshiri

1.9.11

#2
[2000]


fim da linha (foto 2000)
Originally uploaded by André Beja

Duas mil fotos desde Novembro de 2004, as últimas mil desde Setembro de 2008. Muita água correu debaixo das muitas pontes destes quase sete anos. E correram também livros, jornais, revistas e uma exposição... nada mal.
Apesar do título que dei a esta foto, já estou a pensar nas próximas mil...

#1
[Estado da arte]

Mais duas páginas escritas.
Pequenos passos, pequenas vitórias

30.8.11

#1
[D'ouro]


d'ouro
Originally uploaded by André Beja

Dizia Jaime Cortesão, sobre os vinhedos do Douro e quem os ergueu, que são os Lusíadas sem Camões. Não encontro melhor descrição.

29.8.11

#2
[O Anatomista]

Como se costuma dizer, não há duas sem três, pelo que lá voltei a tropeçar na inquisição.
O argentino Federico Andahazi novelou a vida de Matteo Realdo Colombo, anatomista que deixou um significativo legado à humanidade pelas descobertas que fez sobre o corpo humano, registadas na obra "De Re Anatomicâ Libri XV".
Entre as suas observações e descobertas, destacam-se a descrição pormenorizada e correcta da circulação pulmonar, corrigindo alguns erros de anteriores observações, ou o cristalino do olho.
Outra das suas descobertas de relevo foi a da existência do clitóris, que valeu a inscrição do livro no index da santa madre igreja, factos que a enciclopédia católica omite...
#1
[A Criada]
Um enredo amoroso ou talvez um conjunto de triangulações cujos vértices são a existência, a solidão, as relações entre as pessoas, o sexo, o amor, as vidas paralelas que cada um de nós vive ou julga viver. Eis A Criada, de Isabel Marie.

14.8.11


#1
[O Segredo de Barcarrota]
Sérgio Luís de Carvalho (site do autor) faz uso do seu estatuto de historiador para escrever romances históricos. E fá-lo com sábia mestria.
Dele já tinha lido O Destino do Capitão Blanc, onde se relatam as agruras do Corpo Expedicionário Português nos campos de batalha franceses durante a primeira guerra e os trágicos (e pouco conhecidos) acontecimentos ocorridos na hora que precedeu a entrada em vigor do cessar fogo daquele conflito.
Cruzei-me com o autor recentemente, numa sessão de apresentação do seu mais recente livro. Decidi-me desvendar O Segredo de Barcarrota depois de o ouvir falar dessa estória passada no século XVI, construída sobre personagens reais e com as perseguições dos judeus na península, movida pela inquisição, como pano de fundo.

13.8.11

#1
[super...]

10.8.11

#1
[London Calling*]

O contexto em que se desenrolam os tumultos de Londres não os torna mais toleráveis, mas olhá-los num plano mais alargado dá-nos uma panorâmica dos danos e riscos que as políticas de austeridade representam.

Artigo publicado hoje no Esquerda.net

* título inspirado pelos Clash!

9.8.11

#1
[interrupção]


Londres está em chamas. Para contrariar o facilitismo com que as coisas estão a ser explicadas pela imprensa e analisadas pelos fazedores de opinião, recomendo a leitura deste artigo Nina Power no Guardian
Em breve escreverei mais qualquer coisa sobre o assunto.

3.8.11

#1
[a contar os dias]

Para me perder nas paisagens do Douro, na serra Alentejana e nos seus sons do verão...

30.7.11

#3
[ainda os livros]

Embora não tenha conseguido, como me propus no fim de 2010, ler pelo menos um livro por semana, o registo dos últimos sete meses já tem 21 entradas (espero não ter esquecido nenhuma).
Nada mal...
#2
[A pele do tambor]

A recente polémica sobre um pretenso plágio não abrandou o meu entusiasmo com a escrita de Arturo Pérez-Reverte, uma voz incontornável na literatura contemporânea no Estado Espanhol.
Depois de, em tempos, ter lido A Rainha do Sul e, mais tarde, me ter deliciado com O Pintor de Batalhas, agora ando às voltas com A Pele do Tambor, um policial que mete padres e hackers, especuladores e uma igreja barroca, as ruas, os bares e os cheiros de Sevilha e, sobretudo, os misteriosos e insondáveis caminhos da fé (e da falta dela).
Desta vez optei pela versão original, em castelhano. O ritmo é mais lento, mas a leitura fica, porventura, mais saborosa.
#1
[do provincianismo à decadência...]


resmas
Originally uploaded by André Beja

29.7.11

#1
[Bir Sokak, mais uma vez...]

Exposição
Por não saber
contar
os ritmos
dessa tarde
Desenhei,
com luz,
a sua
amplitude

20 de Julho de 2011

28.7.11

#1
[Roma vista social jazz]

E que tal um concerto de jazz nas varandas de Roma em beneficio da ONG Emergency?

26.7.11

#1
[hoje estive por conta do Tiago]


flexzone
Originally uploaded by André Beja

#1

[...]

Para onde nos leva o caminho escolhido…

Mês e meio após as eleições, as verdadeiras intenções das direitas estão desvendadas: cumprir a receita que a Troika impôs, e que PSD, CDS e PS fingiram negociar, e ir além destas exigências, submetendo a grande maioria da população a um regime de choque e pavor social.

Publicado na Edição nº 28 do Correio de Sintra, 22 de Julho de 2011

22.7.11

#1
[...]


Gianni e as Mulheres é levezinho, tem piada, várias crise de meia idade e, claro está, mulheres bonitas (e manipuladoras).
Tem também a cidade das ruas pastel, das esplanadas, do trânsito caótico, das janelas de portada e essa espécie de italiano que por lá se fala moh!
É isso, mesmo que o filme não consiga convencer, teremos sempre Roma para nos consolar.

20.7.11

#1
[Creo que he visto una luz al otro lado del río]

Yo muy serio voy remando muy adentro sonrío
Creo que he visto una luz al otro lado del río

Sobre todo creo que no todo está perdido
Tanta lágrima, tanta lágrima y yo, soy un vaso vacío

Oigo una voz que me llama casi un suspiro
Rema, rema, rema-a Rema, rema, rema-a

Clavo mi remo en el agua
Llevo tu remo en el mío
Creo que he visto una luz al otro lado del río


16.7.11

#1

[...]

Quase experimental

Madrugadas tensas e

revoluções por fazer

Viagens com bilhetes

em aberto

Amores perdidos,

afogados, afogueados

Repetições, aliterações

metáforas duvidosas,

afirmações exaltadas

de uma coragem esquecida

O calor de um copo e a sede

nas margens da vida vivida

Os dedos que nunca tocam as

palavras sempre ausentes dos

dedos. Em silêncio.

Não sei que espécie

de conforto

(ou salvação)

procurar nos fundos

da poesia


16 de Julho de 2011

13.7.11

#3
[vamos para babylon...]

#2
[planos...]

Nada como a excitação de fazer um plano de viagem para me deixar bem disposto. :)
#1
[ouvido de passagem]

é difícil alimentar furacões unilateralmente

12.7.11

#1
[30 dias depois]


a tempestade
Originally uploaded by André Beja

Uma fotografia de 2010, inspirada pela Legião Urbana

11.7.11

#2
[...]

Praia da Ursa
Originally uploaded by André Beja

Este ano a minha época balnear começou na praia da Ursa, onde voltei, passados tantos anos (nem sei quantos...).

#1
[Apesar de mais lenta, a lista cresce]

Mistura em “O Romance da Minha Vida” realidade e ficção. Como consegue dosear estas duas vertentes?
Na parte em que se narra a vida de Heredia, está narrado na primeira pessoa. Hoje em dia, ao ler o romance, anos depois de o ter terminado, há momentos em que já não sei distinguir a ficção da realidade. Porque misturo tudo, é uma das vantagens do romancista que não tem o historiador. Este tem de trabalhar com dados, documentos e provar esses dados. O romancista pode ficcionar a partir de uma realidade. O que é certo é que todos os elementos que aparecem no romance ou aconteceram ou podem ter acontecido, conforme o provam as minhas investigações, que foram bastante profundas.

Leonardo Padura em entrevista

5.7.11

#1

[no miradouro mais bonito da cidade]

Sta Catarina, 3 da manhã

Falaste-me então da pororóca do Tejo

que, soube mais tarde,

também se chama macaréu.

E julguei antever, nos teus olhos,

a inquietação desse abraço

de águas aparentemente contrárias,

empurradas pelo improvável destino

de fertilizar terras secas.

Lá em baixo, acompanhando-nos,

uma estrada escura, silenciosa,

no seu curso para o mar.


4 de Julho de 2011

1.7.11

#2
[Wish me luck! ]

Em Julho de 2003 tomei uma decisão muito importante, que marcou toda a minha vida nos últimos oito anos. Agora, sem arrependimentos ou ressentimentos, com muita estrada debaixo dos pés e horizontes largos nos olhos, é tempo de fechar o ciclo aberto nessa noite. E procurar novas aventuras.
#1
[coisas da bola]


O último dia em Buenos Aires foi de clássico. A cidade parou para ver a partida entre o Boca e o River.
Nas imediações de la Bombonera, demos com um espectáculo de transformismo urbano: carros de luxo estacionados em baldios, junto a velhas latas, engravatados a partilhar a afficion com gente humilde, cães e miúdos vestidos a rigor, casais de namorados misturando o seu amor com o amor à equipa, famílias inteiras ou passantes solitários, todos e todas caminhando na mesma direcção.

Conseguimos lugar num café, entre uma maré azul e amarela de porteños, onde pontuava uma ou outra camisola branca e vermelha do arqui rival. Fomos olhados de lado até perceberem que a nossa curiosidade era sociológica e que não nutríamos nenhuma simpatia em especial – antes assim, esquisitos, que do River, terão pensado alguns.

Apesar da animação no estádio, que parecia um vulcão em actividade, e da vibração sentida por toda a cidade, o jogo foi realmente aborrecido. Acabou empatado, não me lembro se a um ou a zero. Foi chato.

No meio de tanta emoção vivida nas bancadas, saltou-nos aos olhos um cartaz exibido, de forma jucosa, pelos porteños aos de Rio de la Plata: io te vi en último (o sotaque disto é delicioso). Ainda hoje não sei o que estava por trás da inscrição, mas, e porque o futebol é um fenómeno global, aquilo cheirou-me a provocação da grossa.

Pergunto-me: o que pensarão agora os do Boca face ao descalabro do River, que acaba de descer à segunda divisão? Até deve estalar!

29.6.11

#1
[...]

Blaise Cendrars a Féla Poznanska

Sê bem-vinda. Há muito que ando fugido
do mundo, de celas antigas, domésticas,
por isso sê bem-vinda ao lugar da fuga.
Dou-te a minha mão para que sintas
o nervo nómada, a desmesura de quem parte
em aventura, o tempo que se cumpre
em cada travessia. Dou-te o meu braço
direito porque é nele que o coração
transita, como um comboio que parte
e retorna para poder voltar a partir.

Sê bem-vinda à fome, à miséria,
à solidão que a todos chega e finalmente
pergunta: que fazes aqui? Respondo
à solidão que faço o meu tempo,
nenhum relógio poderá marcar a distância,
nenhum ponteiro indicará o caminho,
seguiremos por onde lutar for resposta,
seremos a espuma dos dias mais belos,
das horas mais livres. Tu e eu, de mãos
dadas, dançando o tempo com fervor,
sem nenhum ruído que nos impeça
a poesia, a música, a liberdade.

Repara: os homens sem escudos
precisam abrigar-se de si próprios,
tudo podem contra o mundo, nenhuma
estação lhes estacionará a fuga.
Talvez descubram um dia na berma
de uma estrada batida, entre o mato
da floresta, numa duna desértica, talvez
aí descubram a sombra que os proteja
do calor insuportável que sobre eles paira
logo à nascença. Trazem dentro uma erupção
contida que só a paciência da espera
poderá suportar. E tu foste essa paciência.

És a mais bela desordem que me aconteceu.
Sentado na estação a observar
famílias inteiras em trânsito, penso
naquele impulso que um dia me impeliu
para fora das quatro paredes de um
quarto frio. Saltei pela janela, corri
sem direcção, corri para onde me levasse
a direcção de apenas correr. O meu destino
eras tu. Tu, pedaço de terra onde ergui
a única morada que me serviu de abrigo.


Parece que esta tradução vem de "A Dança das Feridas", de Henrique Bento Fialho. Eu roubei-a no Blog d A Trama

28.6.11

#1
[retomando a linha do equador...]

Eu ouvi dizer
que você assim
como quem não quer nada
perguntou por mim

Agora
Logo agora
Justo agora

27.6.11

#1
[Turn and face the strain]



22.6.11

#1
[imagens cruzadas]

Fesde que vi, na capa do Público de hoje, a foto da tomada de posse do governo que não paro de pensar nesta outra

E não, não se trata de qualquer analogia fácil entre os senhores, até porque um é liberal e africanista enquanto o outro foi conservador e colonialista até ao fim.
Mas o penteadinho, a compostura, a gravidade do olhar e, definitivamente, o tom sombrio que ambos ostentam não deixaram de me chamar a atenção.

21.6.11

#2
[atitude]

(...)
Uscire dal metro quadro
Dove ogni cosa sembra dovuta
Guardare dentro alle cose
C'e' una realta' sconosciuta
Che chiede soltanto un modo
Per venir fuori a vedere le stelle
E vivere l'esperienze
Sulla mia pelle, sulla mia pelle
(...)
#1
[em jeito de pacote de açúcar]

Hoje é o dia

20.6.11

#1
[do fim de semana, com o verão a espreitar]


to give
Originally uploaded by André Beja

17.6.11

#1
[...]


deliciosas incertezas...
Originally uploaded by André Beja

14.6.11

#1
[1/5 do volume, 1/10 d0 trabalho]

20 páginas escritas. Talvez as mais fáceis.

13.6.11

#1
[27 h]


12.6.11

#1
[FASE]

Fechar, definitivamente, algumas portas.
Abrir janelas para que o ar atravesse divisões há muito fechadas.
Sacudir os tapetes da memória e libertá-los do peso do pó.
Enfim, desejar.

11.6.11

#1

[...]

Um dia olhei-o fundo nos olhos. Estendi-lhe o livro e, tremendo, declarei: compañero.

Algo se quebrou ali dentro, alterando a modorrenta rotina dos autógrafos. E, se não chegasse o brilho que lhe cresceu no olhar, o tremor com que agarrou o volume ou a voz sussurrante com que me falou, esta inesperada turbulência confirmou-se na posterior comparação da minha dedicatória com as de quem me acompanhava nessa peregrinação: foi a única que saiu da pauta.

Sepúlveda ensinou-me muito. A paixão pela patagónica imensidão do sul nasceu-me das suas mãos. O humor desconcertante de quem sofre e ainda se ri, a dignidade dos vencidos e das vencidas, a urgência de um amor que pode durar um fósforo ou uma vida. O vício das viagens. A babélica relação que, num qualquer ponto do planeta, podemos estabelecer com a mais inesperada pessoa: três palavras cruzadas, dois silêncios, um copo tocado, petiscos diversos, o prazer da risada ou a emoção de um jogo de bola. Ainda ensina.

Não resisto ao estilo mordaz, inverosímil. Às frases curtas, cheias de poesia, de filosofia, de despretensão. Às narrativas oblíquas, em volumes pequenos e sucintos, cheios de mundos e de fins de mundo, de cidades e selvas, de periferias da humanidade. Ao desvendar dos fantasmas que carregamos e aos diálogos com companheiros que estão do outro lado do espelho.

E depois há também as referências literárias, gastronómicas, geográficas ou políticas. E a estúpida sensação que um outro mundo não só é possível como existe, debaixo da aparência de normalidade que este transporta.

Pensei em tudo isto hoje, enquanto relia, de um tiro, o Diário de Um Killler Sentimental, procurando uma história de amor que, afinal, não estava ali. A certa altura, quase sem me aperceber, puxei da habitual prece: Obrigado compañero, vale sempre a pena voltar aqui.

10.6.11

#2
[a árvore da vida]


Primeiro estranha-se, depois entranha-se.
O filme é, todo ele, uma sessão de psicanálise, cheio de dialética e religiosidade.
E quem saiu durante a magnifica sequência da formação do universo não sabe o que perdeu.

#1
[tudo o que me lembrares]

Canção de barco e de olvido


Não quero a negra desnuda.

Não quero o baú do morto.
Eu quero o mapa das nuvens
E um barco bem vagaroso.

Ai esquinas esquecidas…
Ai lampiões de fins de linha…
Quem me abana das antigas
Janelas de guilhotina?

Que eu vou passando e passando,
Como em busca de outros ares…
Sempre de barco passando,
Cantando os meus quintanares…

No mesmo instante olvidando

Tudo o de que te lembrares.

Mário Quintana

8.6.11

#2
[beijos proibidos]

#1

[...]

A pressão dos mercados

Emprestem-me palavras para o poema; ou dêem-me
sílabas a crédito, para que as ponha a render
no mercado. Mas sobem-me a cotação da metáfora,
para que me limite a imagens simples, as mais
baratas, as que ninguém quer: uma flor? Um perfume
do campo? Aquelas ondas que rebentam, umas
atrás das outras, sem pedir juros a quem as vê?
É que as palavras estão caras. Folheio dicionários
em busca de palavras pequenas, as que custem
menos a pagar, para que não exijam reembolsos
se as meter, ao desbarato, no fim do verso. O
problema é que as rimas me irão custar o dobro,
e por muito que corra os mercados o que me
propõem está acima das minhas posses, sem recobro.
E quando me vierem pedir o que tenho de pagar,
a quantos por cento o terei de dar? Abro a carteira,
esvazio os bolsos, vou às contas, e tudo vazio: símbolos,
a zero; alegorias, esgotadas; metáforas, nem uma.
A quem recorrer? Que fundo de emergência poética
me irá salvar? Então, no fim, resta-me uma sílaba - o ar -
ao menos com ela ninguém me impedirá de respirar.

Nuno Júdice in JL 1058,

20 de abril de 2011

7.6.11

#1
[hey you]
would you help me to carry the stone?
...


6.6.11

#3
[repescando]

A cada passo
inquietação

Da inquietação
a fuga

Na fuga
o silêncio

Em silêncio
a vontade do passo
da inquietação

Julho de 2006
#2
[dignidade]

“Passados estes seis anos, a irmã mais velha do socialismo e as suas instituições de poder em Praga, que fizeram de Alexander Dubcek um jardineiro, decidem chamar Emil à capital com a ideia de o promoverem, fazendo dele empregado do lixo. Esta parece uma ideia verdadeiramente boa, uma história para o humilhar, mas rapidamente se revela não ser tão boa quanto isso. Para começar, quando percorre as ruas da cidade atrás do caixote com a sua vassoura, a população reconhece imediatamente Emil, toda a gente vai à janela para o ovacionar. Depois, os seus camaradas de trabalho recusam que ele recolha o lixo e o próprio contenta-se em correr com uma passada curta atrás do camião, debaixo de encorajamentos, como dantes. Todas as manhãs, aquando da sua passagem, os habitantes do bairro destinado à sua equipa de limpeza descem até ao passeio para o aplaudirem, esvaziando o seu próprio lixo no respectivo caixote. Nunca nenhum empregado do lixo do mundo terá sido tão aclamado. Do ponto de vista das instituições do poder, a operação é um fracasso”

Jean Echenoz in Correr

saber mais sobre Emil Zatopek

#1
[...]

Data

Tempo de solidão e de incerteza
Tempo de medo e tempo de traição
Tempo de injustiça e de vileza
Tempo de negação

Tempo de covardia e tempo de ira
Tempo de mascarada e de mentira
Tempo de escravidão

Tempo dos coniventes sem cadastro
Tempo de silêncio e de mordaça
Tempo onde o sangue não tem rasto
Tempo da ameaça

Sophia de Mello Breyner Andresen