A Catedral do Mar de Ildefonso Falcones
22.9.11
#1 [a inquisição, novamente]
A Catedral do Mar de Ildefonso Falcones
21.9.11
#1 [Nostalgia is denial]
Midnight in Paris by Woody Allen
19.9.11
17.9.11
#1 [adensa-se a minha preocupação com a crise]
15.9.11
13.9.11
12.9.11
Assim sendo, e porque não havia desculpa suficientemente forte para ficar agarrado aos livros, este sábado fiz uma pausa e fui até S. João das Lampas.
7.9.11
4.9.11
[Caves da Murganheira]
Caves da Murganheira
Originally uploaded by André Beja
Convido-vos para uma visita às Caves da Murganheira através da minha lente.
3.9.11
[livro 25]
Vendo que as guardas se encontravam ocupadas com a Roya, a Senhora Moradi, que caminhava atrás de mim na fila, disse-me baixinho que durante o dia anterior tinham pendurado o filho no tecto, de cabeça para baixo, e tinham-na forçado a estar presente.
Por fim, não conseguindo tolerar mais aquele espectáculo, correu para o filho para o soltar. Foi quando lhe chicotearam o rosto.
"Que é que vocês querem saber, hem?" gritei-lhes eu. "tragam-no para baixo e digo-lhes o que quiserem saber."
"Puxaram-no para baixo?"
"Puxaram. Mas ele tinha desmaiado. Vão voltar a chamar-me, logo que ele volte a estar consciente."
"Que é que eles querem arrancar de ti?"
"Querem nomes, minha querida. Nomes de amigos do meu filho. E eu quero o meu filho. Ele vai morrer sem lhes dizer uma palavra. Se ele não ceder, eu não cedo."
"E se ele ceder?"
"Eu continuarei a não ceder."
In O Balneário,
Farnoosh Moshiri
1.9.11
[2000]
fim da linha (foto 2000)
Originally uploaded by André Beja
Duas mil fotos desde Novembro de 2004, as últimas mil desde Setembro de 2008. Muita água correu debaixo das muitas pontes destes quase sete anos. E correram também livros, jornais, revistas e uma exposição... nada mal.
Apesar do título que dei a esta foto, já estou a pensar nas próximas mil...
30.8.11
[D'ouro]
d'ouro
Originally uploaded by André Beja
Dizia Jaime Cortesão, sobre os vinhedos do Douro e quem os ergueu, que são os Lusíadas sem Camões. Não encontro melhor descrição.
29.8.11
[O Anatomista]
Como se costuma dizer, não há duas sem três, pelo que lá voltei a tropeçar na inquisição.
O argentino Federico Andahazi novelou a vida de Matteo Realdo Colombo, anatomista que deixou um significativo legado à humanidade pelas descobertas que fez sobre o corpo humano, registadas na obra "De Re Anatomicâ Libri XV".
Entre as suas observações e descobertas, destacam-se a descrição pormenorizada e correcta da circulação pulmonar, corrigindo alguns erros de anteriores observações, ou o cristalino do olho.
Outra das suas descobertas de relevo foi a da existência do clitóris, que valeu a inscrição do livro no index da santa madre igreja, factos que a enciclopédia católica omite...
[A Criada]
Um enredo amoroso ou talvez um conjunto de triangulações cujos vértices são a existência, a solidão, as relações entre as pessoas, o sexo, o amor, as vidas paralelas que cada um de nós vive ou julga viver. Eis A Criada, de Isabel Marie.
14.8.11
[O Segredo de Barcarrota]
13.8.11
10.8.11
[London Calling*]
O contexto em que se desenrolam os tumultos de Londres não os torna mais toleráveis, mas olhá-los num plano mais alargado dá-nos uma panorâmica dos danos e riscos que as políticas de austeridade representam.
Artigo publicado hoje no Esquerda.net
* título inspirado pelos Clash!
9.8.11
[interrupção]
Londres está em chamas. Para contrariar o facilitismo com que as coisas estão a ser explicadas pela imprensa e analisadas pelos fazedores de opinião, recomendo a leitura deste artigo Nina Power no Guardian
Em breve escreverei mais qualquer coisa sobre o assunto.
3.8.11
[a contar os dias]
Para me perder nas paisagens do Douro, na serra Alentejana e nos seus sons do verão...
30.7.11
[A pele do tambor]
A recente polémica sobre um pretenso plágio não abrandou o meu entusiasmo com a escrita de Arturo Pérez-Reverte, uma voz incontornável na literatura contemporânea no Estado Espanhol.
Depois de, em tempos, ter lido A Rainha do Sul e, mais tarde, me ter deliciado com O Pintor de Batalhas, agora ando às voltas com A Pele do Tambor, um policial que mete padres e hackers, especuladores e uma igreja barroca, as ruas, os bares e os cheiros de Sevilha e, sobretudo, os misteriosos e insondáveis caminhos da fé (e da falta dela).
Desta vez optei pela versão original, em castelhano. O ritmo é mais lento, mas a leitura fica, porventura, mais saborosa.
29.7.11
28.7.11
[Roma vista social jazz]
E que tal um concerto de jazz nas varandas de Roma em beneficio da ONG Emergency?
26.7.11
#1
[...]
Para onde nos leva o caminho escolhido…
Mês e meio após as eleições, as verdadeiras intenções das direitas estão desvendadas: cumprir a receita que a Troika impôs, e que PSD, CDS e PS fingiram negociar, e ir além destas exigências, submetendo a grande maioria da população a um regime de choque e pavor social.
Publicado na Edição nº 28 do Correio de Sintra, 22 de Julho de 2011
22.7.11
[...]

Tem também a cidade das ruas pastel, das esplanadas, do trânsito caótico, das janelas de portada e essa espécie de italiano que por lá se fala moh!
É isso, mesmo que o filme não consiga convencer, teremos sempre Roma para nos consolar.
20.7.11
[Creo que he visto una luz al otro lado del río]
Yo muy serio voy remando muy adentro sonrío
Creo que he visto una luz al otro lado del río
Sobre todo creo que no todo está perdido
Tanta lágrima, tanta lágrima y yo, soy un vaso vacío
Oigo una voz que me llama casi un suspiro
Rema, rema, rema-a Rema, rema, rema-a
Clavo mi remo en el agua
Llevo tu remo en el mío
Creo que he visto una luz al otro lado del río
16.7.11
#1
[...]
Quase experimental
Madrugadas tensas e
revoluções por fazer
Viagens com bilhetes
em aberto
Amores perdidos,
afogados, afogueados
Repetições, aliterações
metáforas duvidosas,
afirmações exaltadas
de uma coragem esquecida
O calor de um copo e a sede
nas margens da vida vivida
Os dedos que nunca tocam as
palavras sempre ausentes dos
dedos. Em silêncio.
Não sei que espécie
de conforto
(ou salvação)
procurar nos fundos
da poesia
16 de Julho de 2011
13.7.11
12.7.11
[30 dias depois]

a tempestade
Originally uploaded by André Beja
Uma fotografia de 2010, inspirada pela Legião Urbana
11.7.11
[...]

Praia da Ursa
Originally uploaded by André Beja
Este ano a minha época balnear começou na praia da Ursa, onde voltei, passados tantos anos (nem sei quantos...).
[Apesar de mais lenta, a lista cresce]
Mistura em “O Romance da Minha Vida” realidade e ficção. Como consegue dosear estas duas vertentes?Na parte em que se narra a vida de Heredia, está narrado na primeira pessoa. Hoje em dia, ao ler o romance, anos depois de o ter terminado, há momentos em que já não sei distinguir a ficção da realidade. Porque misturo tudo, é uma das vantagens do romancista que não tem o historiador. Este tem de trabalhar com dados, documentos e provar esses dados. O romancista pode ficcionar a partir de uma realidade. O que é certo é que todos os elementos que aparecem no romance ou aconteceram ou podem ter acontecido, conforme o provam as minhas investigações, que foram bastante profundas.
Leonardo Padura em entrevista
5.7.11
#1
[no miradouro mais bonito da cidade]
Sta Catarina, 3 da manhã
Falaste-me então da pororóca do Tejo
que, soube mais tarde,
também se chama macaréu.
E julguei antever, nos teus olhos,
a inquietação desse abraço
de águas aparentemente contrárias,
empurradas pelo improvável destino
de fertilizar terras secas.
Lá em baixo, acompanhando-nos,
uma estrada escura, silenciosa,
no seu curso para o mar.
4 de Julho de 2011
1.7.11
[Wish me luck! ]
Em Julho de 2003 tomei uma decisão muito importante, que marcou toda a minha vida nos últimos oito anos. Agora, sem arrependimentos ou ressentimentos, com muita estrada debaixo dos pés e horizontes largos nos olhos, é tempo de fechar o ciclo aberto nessa noite. E procurar novas aventuras.
[coisas da bola]
O último dia em Buenos Aires foi de clássico. A cidade parou para ver a partida entre o Boca e o River.Nas imediações de la Bombonera, demos com um espectáculo de transformismo urbano: carros de luxo estacionados em baldios, junto a velhas latas, engravatados a partilhar a afficion com gente humilde, cães e miúdos vestidos a rigor, casais de namorados misturando o seu amor com o amor à equipa, famílias inteiras ou passantes solitários, todos e todas caminhando na mesma direcção.
Conseguimos lugar num café, entre uma maré azul e amarela de porteños, onde pontuava uma ou outra camisola branca e vermelha do arqui rival. Fomos olhados de lado até perceberem que a nossa curiosidade era sociológica e que não nutríamos nenhuma simpatia em especial – antes assim, esquisitos, que do River, terão pensado alguns.
Apesar da animação no estádio, que parecia um vulcão em actividade, e da vibração sentida por toda a cidade, o jogo foi realmente aborrecido. Acabou empatado, não me lembro se a um ou a zero. Foi chato.
No meio de tanta emoção vivida nas bancadas, saltou-nos aos olhos um cartaz exibido, de forma jucosa, pelos porteños aos de Rio de la Plata: io te vi en último (o sotaque disto é delicioso). Ainda hoje não sei o que estava por trás da inscrição, mas, e porque o futebol é um fenómeno global, aquilo cheirou-me a provocação da grossa.
Pergunto-me: o que pensarão agora os do Boca face ao descalabro do River, que acaba de descer à segunda divisão? Até deve estalar!
29.6.11
#1
[...]
Blaise Cendrars a Féla Poznanska
do mundo, de celas antigas, domésticas,
por isso sê bem-vinda ao lugar da fuga.
Dou-te a minha mão para que sintas
o nervo nómada, a desmesura de quem parte
em aventura, o tempo que se cumpre
em cada travessia. Dou-te o meu braço
direito porque é nele que o coração
transita, como um comboio que parte
e retorna para poder voltar a partir.
Sê bem-vinda à fome, à miséria,
à solidão que a todos chega e finalmente
pergunta: que fazes aqui? Respondo
à solidão que faço o meu tempo,
nenhum relógio poderá marcar a distância,
nenhum ponteiro indicará o caminho,
seguiremos por onde lutar for resposta,
seremos a espuma dos dias mais belos,
das horas mais livres. Tu e eu, de mãos
dadas, dançando o tempo com fervor,
sem nenhum ruído que nos impeça
a poesia, a música, a liberdade.
Repara: os homens sem escudos
precisam abrigar-se de si próprios,
tudo podem contra o mundo, nenhuma
estação lhes estacionará a fuga.
Talvez descubram um dia na berma
de uma estrada batida, entre o mato
da floresta, numa duna desértica, talvez
aí descubram a sombra que os proteja
do calor insuportável que sobre eles paira
logo à nascença. Trazem dentro uma erupção
contida que só a paciência da espera
poderá suportar. E tu foste essa paciência.
És a mais bela desordem que me aconteceu.
Sentado na estação a observar
famílias inteiras em trânsito, penso
naquele impulso que um dia me impeliu
para fora das quatro paredes de um
quarto frio. Saltei pela janela, corri
sem direcção, corri para onde me levasse
a direcção de apenas correr. O meu destino
eras tu. Tu, pedaço de terra onde ergui
a única morada que me serviu de abrigo.
Parece que esta tradução vem de "A Dança das Feridas", de Henrique Bento Fialho. Eu roubei-a no Blog d A Trama
28.6.11
[retomando a linha do equador...]
Eu ouvi dizer
que você assim
como quem não quer nada
perguntou por mim
Agora
Logo agora
Justo agora
27.6.11
22.6.11
Fesde que vi, na capa do Público de hoje, a foto da tomada de posse do governo que não paro de pensar nesta outra
E não, não se trata de qualquer analogia fácil entre os senhores, até porque um é liberal e africanista enquanto o outro foi conservador e colonialista até ao fim.Mas o penteadinho, a compostura, a gravidade do olhar e, definitivamente, o tom sombrio que ambos ostentam não deixaram de me chamar a atenção.
21.6.11
[atitude]
(...)
Uscire dal metro quadro
Dove ogni cosa sembra dovuta
Guardare dentro alle cose
C'e' una realta' sconosciuta
Che chiede soltanto un modo
Per venir fuori a vedere le stelle
E vivere l'esperienze
Sulla mia pelle, sulla mia pelle
(...)
13.6.11
12.6.11
11.6.11
#1
[...]
Um dia olhei-o fundo nos olhos. Estendi-lhe o livro e, tremendo, declarei: compañero.
Algo se quebrou ali dentro, alterando a modorrenta rotina dos autógrafos. E, se não chegasse o brilho que lhe cresceu no olhar, o tremor com que agarrou o volume ou a voz sussurrante com que me falou, esta inesperada turbulência confirmou-se na posterior comparação da minha dedicatória com as de quem me acompanhava nessa peregrinação: foi a única que saiu da pauta.
Sepúlveda ensinou-me muito. A paixão pela patagónica imensidão do sul nasceu-me das suas mãos. O humor desconcertante de quem sofre e ainda se ri, a dignidade dos vencidos e das vencidas, a urgência de um amor que pode durar um fósforo ou uma vida. O vício das viagens. A babélica relação que, num qualquer ponto do planeta, podemos estabelecer com a mais inesperada pessoa: três palavras cruzadas, dois silêncios, um copo tocado, petiscos diversos, o prazer da risada ou a emoção de um jogo de bola. Ainda ensina.
Não resisto ao estilo mordaz, inverosímil. Às frases curtas, cheias de poesia, de filosofia, de despretensão. Às narrativas oblíquas, em volumes pequenos e sucintos, cheios de mundos e de fins de mundo, de cidades e selvas, de periferias da humanidade. Ao desvendar dos fantasmas que carregamos e aos diálogos com companheiros que estão do outro lado do espelho.
E depois há também as referências literárias, gastronómicas, geográficas ou políticas. E a estúpida sensação que um outro mundo não só é possível como existe, debaixo da aparência de normalidade que este transporta.
Pensei em tudo isto hoje, enquanto relia, de um tiro, o Diário de Um Killler Sentimental, procurando uma história de amor que, afinal, não estava ali. A certa altura, quase sem me aperceber, puxei da habitual prece: Obrigado compañero, vale sempre a pena voltar aqui.
10.6.11
[tudo o que me lembrares]
Canção de barco e de olvido
Não quero a negra desnuda.
Não quero o baú do morto.
Eu quero o mapa das nuvens
E um barco bem vagaroso.
Ai esquinas esquecidas…
Ai lampiões de fins de linha…
Quem me abana das antigas
Janelas de guilhotina?
Que eu vou passando e passando,
Como em busca de outros ares…
Sempre de barco passando,
Cantando os meus quintanares…
No mesmo instante olvidando
Tudo o de que te lembrares.
Mário Quintana
8.6.11
#1
[...]
A pressão dos mercados
Emprestem-me palavras para o poema; ou dêem-me
sílabas a crédito, para que as ponha a render
no mercado. Mas sobem-me a cotação da metáfora,
para que me limite a imagens simples, as mais
baratas, as que ninguém quer: uma flor? Um perfume
do campo? Aquelas ondas que rebentam, umas
atrás das outras, sem pedir juros a quem as vê?
É que as palavras estão caras. Folheio dicionários
em busca de palavras pequenas, as que custem
menos a pagar, para que não exijam reembolsos
se as meter, ao desbarato, no fim do verso. O
problema é que as rimas me irão custar o dobro,
e por muito que corra os mercados o que me
propõem está acima das minhas posses, sem recobro.
E quando me vierem pedir o que tenho de pagar,
a quantos por cento o terei de dar? Abro a carteira,
esvazio os bolsos, vou às contas, e tudo vazio: símbolos,
a zero; alegorias, esgotadas; metáforas, nem uma.
A quem recorrer? Que fundo de emergência poética
me irá salvar? Então, no fim, resta-me uma sílaba - o ar -
ao menos com ela ninguém me impedirá de respirar.
Nuno Júdice in JL 1058,
20 de abril de 2011
7.6.11
6.6.11
[dignidade]
“Passados estes seis anos, a irmã mais velha do socialismo e as suas instituições de poder em Praga, que fizeram de Alexander Dubcek um jardineiro, decidem chamar Emil à capital com a ideia de o promoverem, fazendo dele empregado do lixo. Esta parece uma ideia verdadeiramente boa, uma história para o humilhar, mas rapidamente se revela não ser tão boa quanto isso. Para começar, quando percorre as ruas da cidade atrás do caixote com a sua vassoura, a população reconhece imediatamente Emil, toda a gente vai à janela para o ovacionar. Depois, os seus camaradas de trabalho recusam que ele recolha o lixo e o próprio contenta-se em correr com uma passada curta atrás do camião, debaixo de encorajamentos, como dantes. Todas as manhãs, aquando da sua passagem, os habitantes do bairro destinado à sua equipa de limpeza descem até ao passeio para o aplaudirem, esvaziando o seu próprio lixo no respectivo caixote. Nunca nenhum empregado do lixo do mundo terá sido tão aclamado. Do ponto de vista das instituições do poder, a operação é um fracasso”
Jean Echenoz in Correr
saber mais sobre Emil Zatopek
[...]
Data
Tempo de solidão e de incerteza
Tempo de medo e tempo de traição
Tempo de injustiça e de vileza
Tempo de negação
Tempo de covardia e tempo de ira
Tempo de mascarada e de mentira
Tempo de escravidão
Tempo dos coniventes sem cadastro
Tempo de silêncio e de mordaça
Tempo onde o sangue não tem rasto
Tempo da ameaça
Sophia de Mello Breyner Andresen
2.6.11
[das decisões]
Não sei porquê, esta foi uma das mais estranhas campanhas eleitorais em que participei. Desde 1997, não falhei nenhuma.
Ao fim de seis semanas a carburar, fico com a sensação de ter andado sempre a correr contra o tempo.
No domingo, depois da reflexão, da ansiedade e da contagem, tenho de experimentar fazer algo de que há muito pareço andar afastado: correr a favor do tempo.
Como diz o refrão, está na hora de fazer a luta toda.
1.6.11
[Parla Piano]
(...)
su di noi
il tempo ha gia’ giocato ha gia’ scherzato
ora non rimane che
provar la verita’
Che ti da’ che ti da’
nascondere negli angoli
dire non dire
il gusto di tradire una stagione
sopra il volto tuo
pago il pegno di
volere ancora avere
ammalarmi di te
raccontandoti di me
Vinicio Capossela
31.5.11
29.5.11
[enquanto repousava...]
Como tantas outras vezes na sua vida, a política encarregou-se de o abalar e de lhe recordar que nem a possibilidade do mais breve repouso tinha sido concedida a Prometeu e aos que ousassem permanecer perto da sua rocha. Aquela era a sina que o perseguiria até ao último dia da sua vida.
Leonardo Padura in
O Homem Que Gostava de Cães
25.5.11
#2
[Doçura matinal]
Mas é ao cimo da escada, em tempos rolante, que tudo se torna mais intenso. Diria até luxuriante.
O mais velho, à entrada da São Filipe Nery, foi o primeiro a florir, já lá vai um mês, e já recolheu o azul. Agora é tempo dos miúdos, os da placa central junto às paragens de autocarro, darem um ar da sua graça.
Embalo pela rua fora, sem pensar no trabalho e na distância que me separa do fim do dia. O aroma quente leva-me para longe, até à cidade do México, Patzcuaro, Buenos Aires e tantos outros locais onde a mimosifolia me surpreendeu. Em tempos de austeridade, estes são os meus momentos de doçura.
24.5.11
[hoje é o dia N]
And I can't fall asleep without a little help
It takes a while to settle down
My shivered bones
Until the panic sets
22.5.11
19.5.11
15.5.11
[6 graus de separação (menos de)]
Alguém me confidenciou, um dia destes, que "não sei quem contou ao Agualusa, mas aquilo era mesmo assim". Pus-me a reler a Estação das Chuvas.
E eis que tropeço novamente na poesia de Lídia Carmo Ferreira, em torno de quem se desenvolve a história. E porque me deixou água na boca, decido perguntar ao Google algo mais sobre a senhora (se me disseram que era mesmo assim...). só encontrei referências ao livro.
Vai daí, passo à ajuda do telefone e mando um SMS ao meu amigo Juca, grande conhecedor destas e de outras "makas" que envolvem a história e a cultura angolana.
Maravilhas da hipercomunicabilidade, a resposta demorou dez minutos. Mas é esclarecedora: "O próprio disse-me agora que é inventada".
Não resisti: "diz-lhe que, mesmo inventada, escreve uns belos versos".
14.5.11
6.5.11
3.5.11
[...]
(...) Tarrou agitou-se.
- Sabe o que devíamos fazer em prol da amizade?
- O que quiser - respondeu Rieux.
- Tomar um banho de mar. Mesmo para um futuro santo, é um prazer digno. - Rieux sorria - com os nossos salvo-condutos, podemor ir até ao cais. No final de contas, é estúpido viver só na peste. Bem entendido, um homem deve bater-se pelas vítimas, Mas, se deixa de gostar de tudo, para que serve lutar?
Albert Camus, in A Peste
30.4.11
28.4.11
[para memória futura...]
A conversa começou na linha de Equador e nos grandes problemas que afectam a saúde humana. Inesperadamente saiu do rumo definido e, tantas voltas deu que, passando até pela juventude do meu amigo Timóteo, foi acabar em Lenine.
Uma hora estranha mas rica. E, por mais incrível que possa parecer, penso que chegámos onde era suposto.
Vejamos como se põe o tempo na semana que vem.
26.4.11
#1
[...]
Os telegramas tornaram-se então o nosso único recurso. Seres ligados pela inteligência, pelo coração ou pela carne ficaram reduzidos a procurar os sinais desta comunhão antiga nas maiúsculas de um telegrama de dez palavras. E como, na realidade, as fórmulas que se podem utilizar num telegrama se esgotam depressa, longas vidas em comum ou paixões dolorosas resumiram-se rapidamente a uma troca periódica de fórmulas feitas, como «Estou bem. Penso em ti. Saudades».
Alber Camus in A Peste
24.4.11
[Parece simples...]
Para concluir, volto ao tema do subtítulo deste livro: trabalho e capital na era do FMI. Escrevi no início que o FMI se dedica, desde há muitos anos, a forçar ajustamentos económicos cuja chave é a redução duradoura dos salários. Essa ideia tornou-se o dogma dominante da política económica europeia. É aplicada na Grécia, na Irlanda, em Portugal e em Espanha. O que o FMI propõe, portanto, é reconstruir a economia com o aumento da exploração. É a solução da teoria económica, acrescentará algum dos mandantes.
23.4.11
[em jeito de qualquer coisa]

atardecer en Buenos Aires
Originally uploaded by André Beja
Anoitecer em Buenos Aires
As longas avenidas talvez imaginárias
demonstram-me a existência de lugares
que poderiam ter-me pertencido
numa idade passada; é irreal
agora percorrê-las: tê-lo-ia
sido sempre, não poderia haver
motivo para dor num tempo que como este
presente se divide; é um espectro tardio
o espaço finalmente criado pelo olhar:
aí estás olhando-me nos olhos
cidade sob a forma de jovem ser unívoco
ainda inexistente no tempo de uma vida
vivendo no espaço que não teve o seu tempo,
e tarde volta do tempo onde não esteve
(que poderia ter sido escrito para esta fotografia),
publicado na rubrica Poemas de Sábado
Público, 23 de Abril de 2011
[a vida toda, na doçura de um olhar]
Filme turco de Semih Kaplanoğlu (1963, İzmir, Turquia), Mel (Bal) (...) conta é a história do apicultor Yakup (Erdal Beşikçioğlu) que procura implantar as suas colmeias em novos locais de uma longínqua e ainda pouco desenvolvida região do Mar Negro. Um dia, ao subir a uma árvore para relocalizar a colmeia, o apicultor cai. (ler mais)16.4.11
[...]
Mesmo ao ritmo de um livro por dia, depois de, vá lá, 90 anos de frenética actividade, ainda ficariam muitos por ler.
Não me aproximando eu deste (impossível) patamar de leitura, deixarei muitas páginas por folhear. Ainda assim, insisto em arranjar um tempito para reler qualquer coisa.
Esta semana foram dois volumes: O Estrangeiro, de Camus, e Betânia, o segundo (e muito esquecido) romance de Filomena Marona Beja.
Pelo meio ainda me fui entretendo com o último do Francisco Louçã, mas tenho de lhe dar mais umas voltas até dar a missão por cumprida (espero que ele não escreva outro entretanto).
14.4.11
12.4.11
#3
[a reler]
"Voltou então a sentar-se. Mas o meu advogado, a paciência esgotada, gritou levantando os braços, de tal forma que as mangas, caindo para trás, descobriram as pregas de uma camisa engomada: «Enfim, estão a acusá-lo de ter assassinado um homem ou de lhe ter morrido a mãe?». O público riu-se. Mas o procurador levantou-se outra vez, ajustou a toga e declarou que era preciso ter a ingenuidade do ilustre defensor, para não sentir que entre as duas ordens de factos havia uma relação profunda, patética, essencial. «Sim – exclamou ele com força - acuso este homem de ter assistido ao enterro da mãe com um coração de criminoso.» Esta declaração parece ter provocado um efeito considerável sobre o júri e sobre o público. O meu advogado encolheu os ombros e limpou o suor que lhe cobria a testa, Mas ele próprio parecia abalado e compreendi, nesta altura, que as coisas não iam bem para mim."
Albert Camus,
O Estrangeiro
[Não é para tod@s...]
"Uma vez disse a mim mesma; vou fazer uma orbita à Terra, 90 minutos. (…)
Através do pórtico vi a Terra a girar enquanto ouvia Callas a cantar Norma, no silêncio da noite, enquanto os meus colegas dormiam.
Desliguei as luzes e só tinha a luz vinda da Terra. Vi o dia, a noite, fogos nas florestas de África, o amanhecer, a Lua a crescer, Foi um momento de alegria extraordinária”
Claudie Haigneré, astronauta francesa,
Finacial Times, 1 de Abril de 2011
11.4.11
9.4.11
[das catástrofes naturais]
Dou comigo a pensar em como é incrível que, tendo passado já dois anos, as feridas abertas pelo sismo de Áquila ainda estejam tão latejantes.
8.4.11
#1
[orvil]
Corrijo o comentário que fiz ontem, en passant, ao romance Última Paragem, Massamá: não se trata de um anti livro mas sim de um livro ao contrário.
Ao contrário porque o autor o vai desconstruindo à medida que escreve, dando umas no cravo e outras na ferradura, trocando as voltas ao leitor e virando-o do avesso.
É verdade que, vindo de quem vem, não seria de esperar outra coisa.
É uma estreia auspiciosa, embora um pouco marcado com uma certa arrogância intelectual sobre o que é isso de viver nos subúrbios. É que essa gente triste e à deriva, marcada por ritmos duros e vidas fodidas, está em todo o lado.
4.4.11
[e é tão difícil ouvir sem sentir...]
A primeira volta completa a explode, o novo dos The Gift, parece confirmar o que as audições parcelares (e a própria imagem da capa) já anunciavam: aquela que foi uma das mais criativas bandas nacionais é hoje, no regresso de um longo período de hibernação, uma caricatura de si mesmo.O som, as letras, os elementos de continuidade e os sinais de inovação não ultrapassam o patamar da banalidade. E é pena.
2.4.11
[o vidro é no vidrão...]
Dei comigo, em plena rua, a ter de explicar a duas miúdas de vinte e poucos anos algo que a minha sobrinha de cinco já está fartinha de saber e que eu próprio aprendi quando tinha a idade dela.
É em momentos como este que, a pouco e pouco, um tipo vai perdendo a esperança no futuro.

















