[Foi o Povo Pá!]
A atitude humorista e caricatural d’Os Homens da Luta irrita muita gente e até alguma esquerda.
Artigo publicado no Esquerda.net
É incrível como é que, passados 12 anos da formação do Bloco de Esquerda, a direcção do PCP continua tão enleada no seu sectarismo...
O secretário-geral comunista afastou hoje qualquer possibilidade de convergência com o Bloco de Esquerda, questionando qual é a ideologia do partido liderado por Francisco Louçã, e afirmou que o PCP "é a esquerda verdadeira" - LUSA, 05 mar
#2
[é só fazer algumas adaptações]
“Ora, basta um mínimo de atenção e de reflexão para nos convencermos de que existem os meios de combater a catástrofe e a fome, de que as meias são absolutamente claras e simples, perfeitamente realizáveis, inteiramente à medida das forças do povo e de que se estas medidas não são tomadas é única e exclusivamente porque a sua aplicação traria prejuízo aos lucros exorbitantes dum punhado de grandes proprietários rurais e de capitalistas”
V. I. Lenine
in A Catástrofe Iminente e os Meios de a Conjurar
#2
Razões para uma censura
Ao garantir a sobrevivência do governo, PSD, CDS e os seus comentadores mostraram que, apesar da gritaria com que se costumam tratar, estão com a política da crise e com os interesses que a precipitam. É tempo de lhes dizer basta.
Artigo publicado no Correio de Sintra, 2 de Março de 2011

O post de ontem foi de corrida.
Hoje, já em casa e depois de ver as fotografias das fotografias, escrevo com mais tempo.
Fica a história, em episódios, do segundo round, para mais tarde recordar.
#2
[Second round]
Depois de um mês pelo Agito, onde as visitas foram muitas e as reacções positivas, hoje Bir Sokak/Uma Rua transfere-se para o Alinhavar, em Leiria.
Três notas, horas antes de abrir portas:
Apesar dos contratempos, há sempre quem esteja disponível para ajudar. Não há palavras para a gratidão.
Desta vez, a montagem da exposição ficou a cargo do dono do bar. Mesmo que o quisesse ter feito, acho que não me tinha safado. Deixei-o fazer o que quis e limitei-me a fotografar o processo. É giro ver as coisas a ganharem outras leituras.
Estou contente com mais este passo.
Então desço as escadas, como se descesse ao submundo dos aztecas de agora, os incontáveis milhões que percorrem todos os dias as entranhas da cidade e, quando a corrente espessa me apanha, deixo-me ir, sem pé. Um místico chamaria a isto o êxtase da dissolução. A humanidade a convergir debaixo da terra, pele com pele.
Aqui faz calor e a religião não tapa. Os mexicanos têm muito corpo, sempre a sobrar.
E há ventoinhas que nos borrifam com água. Os letreiros são dos anos 70, descomunais. As bichas para os bilhetes desfazem-se num ápice. Cada viagem custou 18 cêntimos, e é porque aumentou este ano. O cais reluz de limpo, parece interminável e em menos de dois minutos fica repleto.
Nunca me senti tão alta entre tantas cabeças escuras, índios ou misturados de índios: os pobres. Só tenho uma palavra, e repito-a atónita, porque não me lembro de ter sido levada assim de enxurrada por um país. Comovente. O México é comovente. Se alguém falar comigo agora desato a chorar.
Alexandra Lucas Coelho, in Viva México
#1
[...]
Nicola ensinou-me o mar sem dizer: faz-se assim. Fazia o assim e o assim estava certo, não apenas preciso mas também belo de ver, nunca à toa. O assim de Nicola tinha o jeito das ondas, os gestos tinham uma rima que eu ia aprendendo a entender. Cortava as potas em bocados do tamanho de unhas: um corte e a seguir passava as costas da faca para os afastar para o lado, seguindo um ritmo seu, absorto, igual. (…). Ele podia olhar para outro lado, o longe, ou nada; os olhos deixavam as mãos fazer tudo sem ajuda. O trabalho era aquilo, o que se via, enquanto o resto do corpo era apenas um arrimo de paciência.
Erri de Luca
in Tu, Meu
Vasco Gato, in Rusga
#1
[dia de reflexão é dia de non sense*]
Um país inteiro que confia as suas decisões num presidente da República, mesmo sendo o melhor, como é o meu caso, parece-me uma manada de naifs, e é preferível irem fazer, aos magotes, exposições de pintura para o Casino do Estoril!
(…)
Mas nós acreditamos nas opiniões sensatas, mesmo sábias, de cada cidadão. Cada cidadão é de facto uma imensa minoria, mais ou menos tagarelante e mais ou menos silenciosa, uma alternativa viável, ao governo que, regra geral, é a melhor forma de oposição a si mesmo.
Manuel João Vieira, In
Livro Rosé de sua santidade o Camarada Presidente Vieira
* Este momento de descontracção não é um apelo à abstenção ou à anulação do voto. Ao olhar o boletim, e passando o primeiro embate, feito de desconforto e desalento, teremos uma mão cheia hipóteses para escolher. Em nome da memória, em nome do futuro.
#2
[coisas que me acontecem]
Desafiando todas as probabilidades, na noite de fim de ano, apaixonei-me por uma canadiana.
Ia a passar para os lados da Praça da Figueira quando tudo aconteceu. Ao primeiro olhar fiquei logo caidinho por aquele azul intenso, pelo charme discreto.
Foi um instante apenas, poucos segundos em que tudo à volta se transformou em silêncio, mas a minha imaginação já só navegava pelas curvas e alinhamentos que se adivinhavam.
Desse encontro casual cresceu em mim, ao longo das últimas semanas, um imenso desejo. Procurei distrair-me com outras coisas...
Fui olhando para a concorrência, procurei alternativas. Não a consegui esquecer.
(bolas, quem me conhece sabe que uma canadiana vai contra todas as lógicas!)
Hoje voltámos a cruzar-nos no mesmo sítio. Desta vez não me escapou. :)

BIR SOKAK/UMA RUA
Até 1 de Maio no Café Saudade, Sintra
(Rua que desce da estação para a Câmara Municipal)Esta é a história de uma rua.
Sei apenas três ou quatro palavras em turco, as suficientes para quebrar a barreira invisível que se impõe entre desconhecidos. Durante uma tarde, conversei com os homens no largo da mesquita, com o padeiro, com o dono da loja de café, com o marinheiro e com o barbeiro que lhe aparava a beleza. Comi do seu pão, bebi a água e o chá que me ofereceram, partilhei o narguilé. E ouvi.
Esta não é a história de uma rua. É um pouco da vida de um bairro popular de Izmir, onde o acaso me levou.
Carlos Paredes, por Eduardo Gageiro#1
[a viagem continua, ainda em Paris]
Canto IV, 22
Lembra-se bem, Bloom, que certos fracassos
foram, para alguns dos seus familiares,
uma rápida educação da coragem.
Mas para outros existiu sempre a confusão
entre dois conceitos simétricos: fracassar e terminar.
Um fracasso Excelente produz inumeráveis formas
de um homem se levantar.
In Uma Viagem à Índia,
Gonçalo M Tavares
Quando aqui não estás
o que nos rodeou põe-se a morrer
a janela que abre para o mar
continua fechada só nos sonhos
me ergo
abro-a
deixo a frescura e a força da manhã
escorrem pelos dedos prisioneiros
da tristeza
acordo
para a cegante claridade das ondas
um rosto desenvolve-se nítido
além
rasando o sal da imensa ausência
uma voz
quero morrer
com uma overdose de beleza
e num sussurro o corpo apaziguado
perscruta esse coração
esse
solitário caçador
Al Berto
Foi ontem, mas aqui ficam os parabéns para ti
#1 [...]
Canto II, 47
Por vezes receberás ameaças, caro Bloom:#1
[tem a sua lógica...*]
"Os paraísos fiscais só existem porque os países ricos querem. E se querem é para que as grandes empresas possam, com toda a impunidade, roubar os cidadãos. É esse o papel do Estado: fazer com que os ricos se tornem mais ricos.
Assim, se essas empresas podem roubar os cidadãos pelo facto de terem refúgios off shore e não pagarem impostos, por que diabo os iriam impedir?"
Noam Chomsky, in Duas Horas de Lucidez
*lembrei-me disto durante o debate quinzenal com o Primeiro Ministro, que aconteceu hoje na AR

Tradition says...
Que é nos grandes momentos, sozinho ou (muito bem) acompanhado, que o copo vermelho se ergue.

Hoje o Garrano recebeu-me inquieto e choroso. Rapidamente adivinhei que me estava a dizer que o Willy nos tinha deixado.
Não sei o que me tocou mais, se o destino (expectável) de um amigo de 15 anos, cão de nome composto, pêlo cor de mel, olhos doces e luvas brancas, se a tristeza com que este puto estovado me deu a notícia.
#2
[it's a secret desire]
O Instituto Cultural Romeno em Lisboa, em parceria com a Igreja Ortodoxa Romena em Portugal, apresenta entre 9 e 13 de Dezembro quatro concertos executados pelo Coral da Faculdade de Teologia Ortodoxa de Sibiu.
As obras apresentadas nesta série de concertos exploram as raízes da música ortodoxa romena e da música tradicional.
O Coral Teológico de Sibiu, formado por padres, diáconos, professores e estudantes, é regido pelo P. Sorin Dobre, professor daquela Faculdade.
#2
[Breve inventário da tralha pousada nos 1,35 m2 do tampo da minha secretária]
Bilhetes de avião, viagens várias
Passaporte (o meu...)
Súmula das intervenções
Lenços de papel
Cabos USB de calibre diverso
Canetas para todos os gostos
Medalha da minha primeira (e até agora única) maratona corrida
Dorsais
Recibos e facturas
Cadernos
Livros e manuais de instruções
Fichas de adesão
CDs (o esse é minúsculo para indicar plural)
Post its
Rascunhos de poemas
Fotografias
Autocolantes
Mapas
Alfinetes de ama
Uma caixa de musica (a internacional)
Pioneses (ou lá como é que isso se escreve)
O computador onde estou a trabalhar
Um GPS
Peças de maquina fotográfica
Candeeiro
Crachás
Impressora
...
[9ª Mostra de Documentários sobre Direitos Humanos da AI Sintra]
A Amnistia Internacional Portugal – Grupo 19, em colaboração com o Centro Cultural Olga Cadaval, promove a realização, entre os dias 10 e 12 de Dezembro, da IX Mostra de Documentários sobre Direitos Humanos, com o objectivo de sensibilizar a comunidade para a necessidade de promoção e defesa dos Direitos Humanos.O certame inclui seis filmes, incluindo uma antestreia, Hortas Di Pobreza, de Sara De Sousa Correia, e seis debates, um a seguir a cada projecção, com a presença de convidados e de representantes da Amnistia Internacional.
#1
[...]
ULISSES
Na minha juventude naveguei
ao longo das costas da Dalmácia. Ilhéus
à flor das ondas emergiam, onde raro
uma ave buscava a sua presa,
cobertos de algas, escorregadios, ao sol
belos como esmeraldas. Quando a noite
e a maré alta os ocultavam, as velas
sob o vento o largo demandavam,
para fugir da cilada. Hoje o meu reino
é essa terra de ninguém. No porto
acendem-se as luzes para outros; a mim para o alto mar
me leva ainda o não domado espírito,
e da vida o doloroso amor.

caminhar caminhar caminhar.
frio, sol, frio.
Cores, muitas cores,
o charme de Lavapies.
A multidao e os seus rostos.
Fiesta, copos, tapas, risos abertos.
Digerir memorias. Fazer planos.
Caminhar, caminhar, caminhar.
E correr um pouco
Frio, muito frio, neve,
:)
#1
[Casablanca]
Lembrava-me pouco do filme de Michael Curtiz, mas a viagem que fiz no mês passado à cidade que lhe dá nome abriu-me o apetite para o rever. E fiz bem.
Além do enredo e da sonora memorável (play it again Sam!), há ali pormenores de realização, jogos de luz e sombra, trocadilhos e preciosismos de linguagem, que encantam e ajudam a ir atrás, tomar balanço, encher o peito e dar um salto. Porque o fundamental para um bom salto, é conseguir ver mais longe, antecipando a queda.
[A Batalha do Chile]
No domingo passado fui conhecer a Casa das Histórias de Paula Rego.
Andava para lá ir quase há um ano, para conhecer o que as fotografias que fui vendo anunciavam. Não me desiludi.
Além de duas interessantes exposições sobre a obra da anfitriã e de Victor Willing (o seu falecido marido), também assisti, no âmbito do Estoril Film Festival, à primeira parte de A Batalha do Chile.
Considerado um dos melhores e mais completos documentários latino-americanos, A Batalha do Chile é o resultado de seis anos de trabalho do cineasta Patrício Guzmán. Dividido em três partes (A insurreição da burguesia, O golpe militar e O poder popular), o filme cobre um dos períodos mais turbulentos da história do Chile, a partir dos esforços do presidente Salvador Allende em implantar um regime socialista (valendo-se da estrutura democrática) até as brutais consequências do golpe de estado que, em 1973, instaurou a ditadura do general Augusto Pinochet.
Saí da sala com um nó no estômago bem apertado. Sem conseguir falar muito do que vi, tenho andado a remoer nas histórias da história que ali se contam.
A insurreição da burguesia, apoiada pelo Estados Unidos, contra a dignidade que os pobres conquistaram nos mil dias da Unidade Popular foi, de facto, impressionante. Mas, como li ontem no novo livro do Luís Sepúlveda, “nunca um líder teve tanto apoio do seu povo como sucedeu com Salvador Allende, e a sua morte no Palácio de
Há que continuar a perseguir o sonho.