9.2.11
[canção para começar o dia]
Por incrível que pareça
Por incrível que pareça
Não há nada, não há nada
Que não nos aconteça
Oh sorte malvada
Que vida desgraçada
Ai ai ai ai
Ai ai ai ai
São só coisas esquisitas
São só coisas complicadas
Infinitas trapalhadas
Por incrível que pareça
Por incrível que pareça
Não há nada, não há nada
Que não nos aconteça
Oh sorte malvada
Que vida desgraçada
Ai ai ai ai
Ai ai ai ai
podem ouvi-la aqui, ao minuto 1:15
3.2.11
1.2.11
[ 1() ]
Constatei que Janeiro foi o mês mais produtivo deste blog em muitos anos. É preciso recuar ao início de 2005 para ter um número aproximado ou superior de posts. Dá que pensar.
Já a fotografia, apesar da exposição, estagnou um pouco.
Tal facto não resulta de qualquer decisão de ano novo, nem significa um regresso à escrita (o que quer que isso queira dizer). É um acaso, mas não deixa de ser interessante.
Pergunto: haverá alguém que se interesse por isto?
30.1.11
#1
[...]
Nicola ensinou-me o mar sem dizer: faz-se assim. Fazia o assim e o assim estava certo, não apenas preciso mas também belo de ver, nunca à toa. O assim de Nicola tinha o jeito das ondas, os gestos tinham uma rima que eu ia aprendendo a entender. Cortava as potas em bocados do tamanho de unhas: um corte e a seguir passava as costas da faca para os afastar para o lado, seguindo um ritmo seu, absorto, igual. (…). Ele podia olhar para outro lado, o longe, ou nada; os olhos deixavam as mãos fazer tudo sem ajuda. O trabalho era aquilo, o que se via, enquanto o resto do corpo era apenas um arrimo de paciência.
Erri de Luca
in Tu, Meu
29.1.11
[just because]
Caí no silêncio há vários dias. Quero falar-te das horas incandescentes que antecedem a noite e não sei como fazê-lo. Às vezes penso que vou encontra-te na rua mais improvável, que nos sentamos diante do rio e ficamos a trocar pedaços de coisas subitamente importantes: a tua solidão, por exemplo. Mas depois, virando a esquina, todas as esquinas de todos os dias, esperam-me apenas as aves que ninguém sabe de onde partiram.
Vasco Gato, in Rusga
28.1.11
[o imperativo de ser solidário]
Um conjunto de músicos, homens e mulheres que recusam virar a cara, deu voz e arte a uma canção de apoio a Cesare Batisti. Vale a pena passar por aqui para ouvi-la.
27.1.11
[...]
"Numa destas tardes, dentro dos meus sapatos mágicos, que me levam também às vezes a sítios de acaso, desci a Rua da Rosa, e eis que de repente entro na Bir Sokak, no bairro de Izmir, no meio de retratos de coisas que insinuam pessoas e da voz de um almuadem, que diz a penúltima oração do dia. Sou um apaixonado pelos instantâneos dos viajantes, neste caso pelos que o André Beja trouxe da zona do Egeu, aonde o “acaso” o levou há poucos meses. Estão no Agito. Fica aqui um deles."
por Fernando Sousa, in Delito de Opinião
26.1.11
[para memória futura]
A festa e abertura da exposição correu muito bem.
Demorei tempo até encontrar as razões que me levassem a concretizar este velho projecto. Sobretudo porque precisava de encontrar um sentido para.
Mas, mesmo que a espera seja um factor de desgaste, quando se acredita profundamente em algo, as coisas acabam por se alinhar. Valeu a pena não ter tido pressa.
Passaram cerca de 65 pessoas pelo Agito, entre familiares, amig@s, gente com quem me dou no mundo virtual e até desconhecid@s. A tod@s um grande obrigado. Espero que a noite vos tenha agradado.
Quem não pode aparecer (e quem quiser rever com mais calma), terá oportunidades várias. Aproveitem a ocasião para me desafiar para um café ou um copo.
A
22.1.11
#1
[dia de reflexão é dia de non sense*]
Um país inteiro que confia as suas decisões num presidente da República, mesmo sendo o melhor, como é o meu caso, parece-me uma manada de naifs, e é preferível irem fazer, aos magotes, exposições de pintura para o Casino do Estoril!
(…)
Mas nós acreditamos nas opiniões sensatas, mesmo sábias, de cada cidadão. Cada cidadão é de facto uma imensa minoria, mais ou menos tagarelante e mais ou menos silenciosa, uma alternativa viável, ao governo que, regra geral, é a melhor forma de oposição a si mesmo.
Manuel João Vieira, In
Livro Rosé de sua santidade o Camarada Presidente Vieira
* Este momento de descontracção não é um apelo à abstenção ou à anulação do voto. Ao olhar o boletim, e passando o primeiro embate, feito de desconforto e desalento, teremos uma mão cheia hipóteses para escolher. Em nome da memória, em nome do futuro.
21.1.11
[ainda as presidenciais]
Da primeira à última linha, eis a música que Cavaco deveria ter escolhido para seu hino.
20.1.11
19.1.11
#2
[coisas que me acontecem]
Desafiando todas as probabilidades, na noite de fim de ano, apaixonei-me por uma canadiana.
Ia a passar para os lados da Praça da Figueira quando tudo aconteceu. Ao primeiro olhar fiquei logo caidinho por aquele azul intenso, pelo charme discreto.
Foi um instante apenas, poucos segundos em que tudo à volta se transformou em silêncio, mas a minha imaginação já só navegava pelas curvas e alinhamentos que se adivinhavam.
Desse encontro casual cresceu em mim, ao longo das últimas semanas, um imenso desejo. Procurei distrair-me com outras coisas...
Fui olhando para a concorrência, procurei alternativas. Não a consegui esquecer.
(bolas, quem me conhece sabe que uma canadiana vai contra todas as lógicas!)
Hoje voltámos a cruzar-nos no mesmo sítio. Desta vez não me escapou. :)
Até 1 de Maio

BIR SOKAK/UMA RUA
Até 1 de Maio no Café Saudade, Sintra
(Rua que desce da estação para a Câmara Municipal)--
Esta é a história de uma rua.
Sei apenas três ou quatro palavras em turco, as suficientes para quebrar a barreira invisível que se impõe entre desconhecidos. Durante uma tarde, conversei com os homens no largo da mesquita, com o padeiro, com o dono da loja de café, com o marinheiro e com o barbeiro que lhe aparava a beleza. Comi do seu pão, bebi a água e o chá que me ofereceram, partilhei o narguilé. E ouvi.
Esta não é a história de uma rua. É um pouco da vida de um bairro popular de Izmir, onde o acaso me levou.
18.1.11
15.1.11
14.1.11
Carlos Paredes, por Eduardo Gageiro'Retratos com Histórias' é um conjunto de fotografias que, nos anos 60 /70,
Eduardo Gageiro tirou a figuras Carlos Paredes, Amália, Sylvie Vartan, Sophia de Mello Breyner ou Orson Welles.
À hora do almoço dei um salto à Kgaleria para espreitar a exposição e não me cruzei com o autor por minutos...
13.1.11
#1
[a viagem continua, ainda em Paris]
Canto IV, 22
Lembra-se bem, Bloom, que certos fracassos
foram, para alguns dos seus familiares,
uma rápida educação da coragem.
Mas para outros existiu sempre a confusão
entre dois conceitos simétricos: fracassar e terminar.
Um fracasso Excelente produz inumeráveis formas
de um homem se levantar.
In Uma Viagem à Índia,
Gonçalo M Tavares
12.1.11
[há coisas que não se esquecem]
Vigílias
Quando aqui não estás
o que nos rodeou põe-se a morrer
a janela que abre para o mar
continua fechada só nos sonhos
me ergo
abro-a
deixo a frescura e a força da manhã
escorrem pelos dedos prisioneiros
da tristeza
acordo
para a cegante claridade das ondas
um rosto desenvolve-se nítido
além
rasando o sal da imensa ausência
uma voz
quero morrer
com uma overdose de beleza
e num sussurro o corpo apaziguado
perscruta esse coração
esse
solitário caçador
Al Berto
Foi ontem, mas aqui ficam os parabéns para ti
11.1.11
[as tais das cinco nuvens negras... ]
"Assim é o mau humor: um signo grosseiro, uma chantagem vergonhosa. Existem, porém, nuvens mais subtis; todas as leves sombras, de causa rápida, incerta, que passam sob a relação, alteram a luz, o relevo; é subitamente uma outra paisagem, uma ligeira embriaguês negra. A nuvem não é então mais do que isto: algo me faz falta."
[qual de nós faltou hoje ao rendez-vous ]
há quem corra sem ter braços
para os braços que os aceitam
e seus braços juntos crescem
e entrelaçados se deitam
e a manhã traz outros braços
também juntos de outra forma
de quem luta e ao lutar
a si mesmo se transforma
10.1.11
8.1.11
[no greader este blog dá assim]
!--[if gte mso 9]> Normal 0 21 false false false MicrosoftInternetExplorer4 < ![endif]-->< !--[if gte mso 9]> !--[if gte mso 10]> /* Style Definitions */ table.MsoNormalTable {mso-style-name:"Tabela normal"; mso-tstyle-rowband-size:0; mso-tstyle-colband-size:0; mso-style-noshow:yes; mso-style-parent:""; mso-padding-alt:0pt
#1 [...]
Canto II, 47
Por vezes receberás ameaças, caro Bloom:não saias de casa antes das nove, não saias depois das nove.
Mas nunca fiques aqui, avança.
Não adormeças no caminho, Bloom,
e não te deixes perturbar. Encosta o ouvido
a uma canção decisiva: encontrarás o ânimo.
Seriamos animais se não existissem certas canções.In Uma Viagem à Índia,
Gonçalo M Tavares
7.1.11
#1
[tem a sua lógica...*]
"Os paraísos fiscais só existem porque os países ricos querem. E se querem é para que as grandes empresas possam, com toda a impunidade, roubar os cidadãos. É esse o papel do Estado: fazer com que os ricos se tornem mais ricos.
Assim, se essas empresas podem roubar os cidadãos pelo facto de terem refúgios off shore e não pagarem impostos, por que diabo os iriam impedir?"
Noam Chomsky, in Duas Horas de Lucidez
*lembrei-me disto durante o debate quinzenal com o Primeiro Ministro, que aconteceu hoje na AR
6.1.11
[pois é... ]
E se o professor Cavaco Silva pudesse nascer duas vezes?
Ana Sá Lopes, I, 6 de Janeiro de 2011O mito cavaquista, enquanto fenómeno popular, é umas das coisas mais bem-sucedidas que o Portugal democrático produziu - como Salazar foi a coisa mais bem-sucedida do Portugal da ditadura.
Já agora, leiam também este do Carlos Carujo
5.1.11
[Ratatui]
Há que olhar o mundo com olhos de cozinheiro. Saímos para a rua e devemos estar atentos a tudo: aos novos produtos, mas também às campanhas publicitárias que os promovem. Em relação aos novos produtos, interrogarmo-nos: "O que poderei ou não fazer com isto na cozinha?" Devemos ter capacidade de assombro! Capacidade de nos espantarmos. Para se ser grande na cozinha há uma coisa imprescindível: pensar como uma criança. As crianças são pura imaginação. Nunca fazem uma coisa da mesma maneira. Há que ter espírito de criança. A cozinha é liberdade. Se não gostas do que alguém faz, deixa-o sossegado. Não te metas com ele. Não manifestes publicamente a tua discordância. Olha outra vez para o que ele faz e pode ser que aprendas. Tem que se ser humilde. Eu sei de cozinha, mas não sou um deus. Sou é muito curioso e muito perguntador. E não tenho dúvidas em perguntar tudo."
Juan Mari Arzak,
o Grande Chef da cozinha Basca, na P2
3.1.11
Canto I, 70
Bloom procurava o insólito que não
sendo acontecimento mudo ou ruído, sendo
sítio, obriga a caminhar. Se o que procuro
chegasse à minha cadeira,
para que me serviriam os sapatos? Mas é já
um conhecimento clássico: acontecimentos novos
existem em espaços novos, e não em antigos.
Não deixes que a tua cadeira confortável prejudique
a tua curiosidade.
In Uma Viagem à Índia,
Gonçalo M Tavares
1.1.11

tradition says
Originally uploaded by André Beja
Tradition says...
Que é nos grandes momentos, sozinho ou (muito bem) acompanhado, que o copo vermelho se ergue.
31.12.10
*este post contou com a colaboração do eficiente serviço de "vendas quase on-line" da Livraria Trama.
29.12.10
Com Dezembro a chegar ao fim, e como já vem sendo hábito, apresento-vos as doze fotos que ilustram o meu ano.
Foi uma escolha difícil, porque os dias são muitos e as fotos também – publiquei no flickr 557 tiradas em 2010, o que deve corresponder a umas 5 mil imagens em arquivo…
Não consegui cumprir o desafio da fotografia diária, percebi que a disciplina e obrigação de fazê-lo podem ser muito bons ou péssimos para o trabalho criativo. Houve momentos em que a máquina não parou.
Ainda não dobrei as duas mil imagens on-line nem me atrevi a imprimir ou a pendurar na parece qualquer trabalho meu, mas conto resolver o assunto já em Janeiro.
As fotos escolhidas podem não ser as melhores que fiz, mas têm um significado especial que as valoriza. Pela partilha, pelo momento, pelo contexto, pelas ideias que me passaram na mente quando carreguei no obturador.
Há, no entanto, uma que se destaca, talvez pelas múltiplas leituras que desperta: a desgraça, a descoberta, a revelação daquilo de que somos feitos, a perda, o sentido de humor, a criatividade, o non sense, a impotência perante os factos, a beleza que tudo encerra…
Em vez de inclui-la na escolha final, ocupando o espaço destinado ao mês de Julho, decidi dar-lhe uma menção honrosa. É a foto do ano.
28.12.10
25.12.10
20.12.10

Garrano
Originally uploaded by André Beja
Hoje o Garrano recebeu-me inquieto e choroso. Rapidamente adivinhei que me estava a dizer que o Willy nos tinha deixado.
Não sei o que me tocou mais, se o destino (expectável) de um amigo de 15 anos, cão de nome composto, pêlo cor de mel, olhos doces e luvas brancas, se a tristeza com que este puto estovado me deu a notícia.
16.12.10
7.12.10
[centro de recursos poéticos]
Além de poeta e corredor, o José Mário Silva é crítico atento e um excelente divulgador.
Por tudo o que, ao longo dos últimos meses, tenho respigado no seu recanto, só tenho uma palavra: obrigado.
#2
[it's a secret desire]
O Instituto Cultural Romeno em Lisboa, em parceria com a Igreja Ortodoxa Romena em Portugal, apresenta entre 9 e 13 de Dezembro quatro concertos executados pelo Coral da Faculdade de Teologia Ortodoxa de Sibiu.
As obras apresentadas nesta série de concertos exploram as raízes da música ortodoxa romena e da música tradicional.
O Coral Teológico de Sibiu, formado por padres, diáconos, professores e estudantes, é regido pelo P. Sorin Dobre, professor daquela Faculdade.
[para memória futura]
E lá completei a segunda maratona, com um fantástico tempo de 4h25m e uns pós (diz que fiquei no lugar 816 da geral).
Foi mais dura e exigente que a primeira - relevo mais acentuado, menos treino, mais cansaço acumulado, uma dor residual no pé, muito vento e pouco apoio nas ruas - mas a satisfação de fazê-la com um sorriso e partilhar a alegria de chegar com quem estava ao nosso lado nesse momento (seja quem for) compensa.
Os meus companheiros de treino também se saíram bem, apesar de alguns percalços e desarranjos ;).
A próxima ainda não está marcada no mapa, mas, por via das dúvidas, é melhor começar já a treinar.
4.12.10
#2
[Breve inventário da tralha pousada nos 1,35 m2 do tampo da minha secretária]
Bilhetes de avião, viagens várias
Passaporte (o meu...)
Súmula das intervenções
Lenços de papel
Cabos USB de calibre diverso
Canetas para todos os gostos
Medalha da minha primeira (e até agora única) maratona corrida
Dorsais
Recibos e facturas
Cadernos
Livros e manuais de instruções
Fichas de adesão
CDs (o esse é minúsculo para indicar plural)
Post its
Rascunhos de poemas
Fotografias
Autocolantes
Mapas
Alfinetes de ama
Uma caixa de musica (a internacional)
Pioneses (ou lá como é que isso se escreve)
O computador onde estou a trabalhar
Um GPS
Peças de maquina fotográfica
Candeeiro
Crachás
Impressora
...
[9ª Mostra de Documentários sobre Direitos Humanos da AI Sintra]
A Amnistia Internacional Portugal – Grupo 19, em colaboração com o Centro Cultural Olga Cadaval, promove a realização, entre os dias 10 e 12 de Dezembro, da IX Mostra de Documentários sobre Direitos Humanos, com o objectivo de sensibilizar a comunidade para a necessidade de promoção e defesa dos Direitos Humanos.O certame inclui seis filmes, incluindo uma antestreia, Hortas Di Pobreza, de Sara De Sousa Correia, e seis debates, um a seguir a cada projecção, com a presença de convidados e de representantes da Amnistia Internacional.
VER Mais informações e programa
1.12.10
#1
[...]
ULISSES
Na minha juventude naveguei
ao longo das costas da Dalmácia. Ilhéus
à flor das ondas emergiam, onde raro
uma ave buscava a sua presa,
cobertos de algas, escorregadios, ao sol
belos como esmeraldas. Quando a noite
e a maré alta os ocultavam, as velas
sob o vento o largo demandavam,
para fugir da cilada. Hoje o meu reino
é essa terra de ninguém. No porto
acendem-se as luzes para outros; a mim para o alto mar
me leva ainda o não domado espírito,
e da vida o doloroso amor.
29.11.10
Madrid me mata

no patxaran!
Originally uploaded by André Beja
caminhar caminhar caminhar.
frio, sol, frio.
Cores, muitas cores,
o charme de Lavapies.
A multidao e os seus rostos.
Fiesta, copos, tapas, risos abertos.
Digerir memorias. Fazer planos.
Caminhar, caminhar, caminhar.
E correr um pouco
Frio, muito frio, neve,
:)
26.11.10
22.11.10
16.11.10
Uma casa, um lenhador]
Gostaria de ir ao teu encontro,
Procurar-te na vila, entre as pessoas,
Ou debaixo da magnólia do jardim.
A cascata corre & tu sentas-te a ouvir
Ao acaso as folhas que o vento espalha.
No teu rosto já só vejo o ar frio da serra,
As sombras dos que te abrem o caminho
Para que a cor do dia entre no jardim.
Faz com que a angústia nas palavras que usamos
Seja um bom presságio à nossa volta.
Tudo o que é divino é transitório,
Mas não o é em vão.
M.S. Lourenço, Nada Brahma, Assírio&Alvim, 1991
roubado aqui
15.11.10
#1
[Casablanca]
Lembrava-me pouco do filme de Michael Curtiz, mas a viagem que fiz no mês passado à cidade que lhe dá nome abriu-me o apetite para o rever. E fiz bem.
Além do enredo e da sonora memorável (play it again Sam!), há ali pormenores de realização, jogos de luz e sombra, trocadilhos e preciosismos de linguagem, que encantam e ajudam a ir atrás, tomar balanço, encher o peito e dar um salto. Porque o fundamental para um bom salto, é conseguir ver mais longe, antecipando a queda.
12.11.10
[A Batalha do Chile]
No domingo passado fui conhecer a Casa das Histórias de Paula Rego.
Andava para lá ir quase há um ano, para conhecer o que as fotografias que fui vendo anunciavam. Não me desiludi.
Além de duas interessantes exposições sobre a obra da anfitriã e de Victor Willing (o seu falecido marido), também assisti, no âmbito do Estoril Film Festival, à primeira parte de A Batalha do Chile.
Considerado um dos melhores e mais completos documentários latino-americanos, A Batalha do Chile é o resultado de seis anos de trabalho do cineasta Patrício Guzmán. Dividido em três partes (A insurreição da burguesia, O golpe militar e O poder popular), o filme cobre um dos períodos mais turbulentos da história do Chile, a partir dos esforços do presidente Salvador Allende em implantar um regime socialista (valendo-se da estrutura democrática) até as brutais consequências do golpe de estado que, em 1973, instaurou a ditadura do general Augusto Pinochet.
Saí da sala com um nó no estômago bem apertado. Sem conseguir falar muito do que vi, tenho andado a remoer nas histórias da história que ali se contam.
A insurreição da burguesia, apoiada pelo Estados Unidos, contra a dignidade que os pobres conquistaram nos mil dias da Unidade Popular foi, de facto, impressionante. Mas, como li ontem no novo livro do Luís Sepúlveda, “nunca um líder teve tanto apoio do seu povo como sucedeu com Salvador Allende, e a sua morte no Palácio de
Há que continuar a perseguir o sonho.
11.11.10
10.11.10
8.11.10
7.11.10
[Sempre os livros]
Por mudanças conjunturais, fui obrigado a desmontar e a remontar a estante onde guardo parte significativa da minha biblioteca.
No meio da transumância literária, dei comigo a pensar na quantidade de episódios a que estes silenciosos volumes assistiram, acumulando na superfície e entre as suas folhas, além do incontornável pó, memórias e vestígios de uma ou várias vidas: um prospecto escrito em catalão, o bilhete do autocarro de uma cidadezita no meio do México (com orações impressas), um arranhão, um postal de uma exposição de fotografia, um livro comprado aqui ou ali e transportados em mochilas várias, uma mancha de café, a receita com que me deliciei e aquelas que ainda estão por experimentar, um caderno com anotações sobre o deserto...
Os livros, estes que me aproximam de um ser recolector, são talvez o meu único sinal exterior de riqueza. O seu valor é impossível de calcular por olhos destreinados ou por gente de coração (
2.11.10
29.10.10
#1
[Um ano depois, a Dedicação Total já era*]
Se a paixão do presidente da Câmara pela bola não é segredo, uma novidade veio quebrar a monotonia e equilíbrio do triângulo que tem como vértices, além de Seara, Sintra e o Futebol.
Ao admitir disponibilidade para suceder a Gilberto Madaíl na Federação Portuguesa de Futebol, Fernando Seara fez o favor de esclarecer que a “Dedicação Total” com que a Coligação Mais Sintra se apresentou nas últimas eleições autárquicas era conversa de embalar.
Mas os exemplos de que o dedicado slogan não passava de enganosa propaganda abundam. Vou deter-me apenas em três.
28.10.10
26.10.10
24.10.10
19.10.10
#1
[recomenda-se, acompanhado de gin]
ESTE LUGAR NÃO EXISTE
de Maud Téphany
Fotografias que convidam à associação de lugares e pessoas numa dialéctica presença da ausência/ausência da presença; paisagens urbanas, ladeiam o humano “em suspenso”.
Está no bar Agito, (Rua da Rosa, Bairro Alto) até a 21 de Novembro
13.10.10
#3
[fruta da época]
Carnudo, suculento, sedoso. Era assim o dióspiro que hoje comi.
É certo que se encontrava a milhas dos meus favoritos, cujo sabor e textura inigualáveis guardo na memória (mesmo que a memória seja sempre tão melhor que a realidade a que reporta...), mas com charme suficiente para não desfeitear.
Foi o primeiro da época.
[da crise]
Quando lhes falava da crise na Europa, os argentinos olhavam-me com um misto de curiosidade e resignação e disparavam... "bem, nós aqui sempre vivemos em crise".
Uma amiga polaca que vive em Lisboa dizia-me mais ou menos o mesmo " estou cá há vinte anos e sempre ouvi essa conversa de apertar o cinto".
Lembrei-me disto esta manhã, enquanto lia no jornal um excelente artigo do João Ramos de Almeida, onde se explica parte da crise que vivemos e mostra bem como os governos de PS/PSD/CDS nunca quiseram dar passos concretos para haver transparência e justiça fiscal, preferindo imputar a quem trabalha o peso dos impostos.
As duas primeiras frases do artigo são lapidares, mas recomendo a sua leitura integral e sua afixação em locais públicos...
"Os números oficiais mostram que o Programa e Estabilidade e Crescimento (PEC) anunciado está mal repartido entre grupos sociais. O investidor Joe Berardo já assumiu que não será tocado. Os cortes nos benefícios fiscais (BF) das empresas pouco contribuem. Pouco se sabe ainda sobre o imposto sobre a banca.
Muito do desequilíbrio advém da urgência. O Governo - sob pressão externa - cortou na massa de contribuintes. Mas será possível encontrar outras fontes de receita que evitassem os cortes nos grandes montantes orçamentais da função pública, das despesas sociais e dos impostos indirectos que recaem sobre toda a população?"
10.10.10
7.10.10
[mesmo cantando num péssimo italiano]

u2
Originally uploaded by André Beja
Este foi o momento em que, no passado sábado, Bono e os seus muchachos me arrebataram...
Dici che il fiume
Trova la via al mare
E come il fiume
Giungerai a me
Oltre i confini
E le terre assetate
Dici che come fiume
Come fiume...
L'amore giunger
L'amore...
E non so più pregare
E nell'amore non so più sperare
E quell'amore non so più aspettare...
Miss Sarajevo
1.10.10
#1
[morning song]
It starts to feel like a barricade that keep us away
to keep us away, it kind of does
It starts to feel like a barricade to keep us away
Keep us away
26.9.10
[Marcelo Montecino]

O Chileno Marcelo Montecino fotografou os 1000 dias de Allende e da Frente Popular, o golpe, o referendo, a transição.... e continua a fotografar o seu país até aos dias de hoje.
Viu de perto as revoluções e os golpes que vieram depois em toda a América Latina e outros grandes acontecimentos que marcaram e marcam a passagem do tempo.
É simplesmente fantástico...
Galeria no Flickr
http://www.marcelomontecino.com/
21.9.10
[serviço público]
Já mandei este mail a tanta gente que está na altura de partilhá-lo...
Queres começar a correr mas tens medo de não aguentar? Não te preocupes. O corpo é uma máquina poderosa. E o segredo está em encontrar o caminho para a forma física. Aqui tens um programa de três semanas de treino, cujo objectivo é por-te a correr 30 minutos seguidos. É retirado deste site. Podes segui-lo à risca ou adaptá-lo ao teu ritmo.
18.9.10
17.9.10
16.9.10
13.9.10
[Ah remember me, I used to live for music]
Enganou-se quem condenava o concerto de Leonard Cohen a um cerimonial decadente.
O velhinho deixou bem claro que, além de ser um gentleman, está cheio de estrica. Foram 3:30h em cima do palco do Pavilhão Atlântico, numa noite memorável feita de velhas canções vestidas a rigor por uma banda irrepreensível.

























