[ora aí está....]
5.1.11
3.1.11
Canto I, 70
Bloom procurava o insólito que não
sendo acontecimento mudo ou ruído, sendo
sítio, obriga a caminhar. Se o que procuro
chegasse à minha cadeira,
para que me serviriam os sapatos? Mas é já
um conhecimento clássico: acontecimentos novos
existem em espaços novos, e não em antigos.
Não deixes que a tua cadeira confortável prejudique
a tua curiosidade.
In Uma Viagem à Índia,
Gonçalo M Tavares
1.1.11

tradition says
Originally uploaded by André Beja
Tradition says...
Que é nos grandes momentos, sozinho ou (muito bem) acompanhado, que o copo vermelho se ergue.
31.12.10
*este post contou com a colaboração do eficiente serviço de "vendas quase on-line" da Livraria Trama.
29.12.10
Com Dezembro a chegar ao fim, e como já vem sendo hábito, apresento-vos as doze fotos que ilustram o meu ano.
Foi uma escolha difícil, porque os dias são muitos e as fotos também – publiquei no flickr 557 tiradas em 2010, o que deve corresponder a umas 5 mil imagens em arquivo…
Não consegui cumprir o desafio da fotografia diária, percebi que a disciplina e obrigação de fazê-lo podem ser muito bons ou péssimos para o trabalho criativo. Houve momentos em que a máquina não parou.
Ainda não dobrei as duas mil imagens on-line nem me atrevi a imprimir ou a pendurar na parece qualquer trabalho meu, mas conto resolver o assunto já em Janeiro.
As fotos escolhidas podem não ser as melhores que fiz, mas têm um significado especial que as valoriza. Pela partilha, pelo momento, pelo contexto, pelas ideias que me passaram na mente quando carreguei no obturador.
Há, no entanto, uma que se destaca, talvez pelas múltiplas leituras que desperta: a desgraça, a descoberta, a revelação daquilo de que somos feitos, a perda, o sentido de humor, a criatividade, o non sense, a impotência perante os factos, a beleza que tudo encerra…
Em vez de inclui-la na escolha final, ocupando o espaço destinado ao mês de Julho, decidi dar-lhe uma menção honrosa. É a foto do ano.
28.12.10
25.12.10
20.12.10

Garrano
Originally uploaded by André Beja
Hoje o Garrano recebeu-me inquieto e choroso. Rapidamente adivinhei que me estava a dizer que o Willy nos tinha deixado.
Não sei o que me tocou mais, se o destino (expectável) de um amigo de 15 anos, cão de nome composto, pêlo cor de mel, olhos doces e luvas brancas, se a tristeza com que este puto estovado me deu a notícia.
16.12.10
7.12.10
[centro de recursos poéticos]
Além de poeta e corredor, o José Mário Silva é crítico atento e um excelente divulgador.
Por tudo o que, ao longo dos últimos meses, tenho respigado no seu recanto, só tenho uma palavra: obrigado.
#2
[it's a secret desire]
O Instituto Cultural Romeno em Lisboa, em parceria com a Igreja Ortodoxa Romena em Portugal, apresenta entre 9 e 13 de Dezembro quatro concertos executados pelo Coral da Faculdade de Teologia Ortodoxa de Sibiu.
As obras apresentadas nesta série de concertos exploram as raízes da música ortodoxa romena e da música tradicional.
O Coral Teológico de Sibiu, formado por padres, diáconos, professores e estudantes, é regido pelo P. Sorin Dobre, professor daquela Faculdade.
[para memória futura]
E lá completei a segunda maratona, com um fantástico tempo de 4h25m e uns pós (diz que fiquei no lugar 816 da geral).
Foi mais dura e exigente que a primeira - relevo mais acentuado, menos treino, mais cansaço acumulado, uma dor residual no pé, muito vento e pouco apoio nas ruas - mas a satisfação de fazê-la com um sorriso e partilhar a alegria de chegar com quem estava ao nosso lado nesse momento (seja quem for) compensa.
Os meus companheiros de treino também se saíram bem, apesar de alguns percalços e desarranjos ;).
A próxima ainda não está marcada no mapa, mas, por via das dúvidas, é melhor começar já a treinar.
4.12.10
#2
[Breve inventário da tralha pousada nos 1,35 m2 do tampo da minha secretária]
Bilhetes de avião, viagens várias
Passaporte (o meu...)
Súmula das intervenções
Lenços de papel
Cabos USB de calibre diverso
Canetas para todos os gostos
Medalha da minha primeira (e até agora única) maratona corrida
Dorsais
Recibos e facturas
Cadernos
Livros e manuais de instruções
Fichas de adesão
CDs (o esse é minúsculo para indicar plural)
Post its
Rascunhos de poemas
Fotografias
Autocolantes
Mapas
Alfinetes de ama
Uma caixa de musica (a internacional)
Pioneses (ou lá como é que isso se escreve)
O computador onde estou a trabalhar
Um GPS
Peças de maquina fotográfica
Candeeiro
Crachás
Impressora
...
[9ª Mostra de Documentários sobre Direitos Humanos da AI Sintra]
A Amnistia Internacional Portugal – Grupo 19, em colaboração com o Centro Cultural Olga Cadaval, promove a realização, entre os dias 10 e 12 de Dezembro, da IX Mostra de Documentários sobre Direitos Humanos, com o objectivo de sensibilizar a comunidade para a necessidade de promoção e defesa dos Direitos Humanos.O certame inclui seis filmes, incluindo uma antestreia, Hortas Di Pobreza, de Sara De Sousa Correia, e seis debates, um a seguir a cada projecção, com a presença de convidados e de representantes da Amnistia Internacional.
VER Mais informações e programa
1.12.10
#1
[...]
ULISSES
Na minha juventude naveguei
ao longo das costas da Dalmácia. Ilhéus
à flor das ondas emergiam, onde raro
uma ave buscava a sua presa,
cobertos de algas, escorregadios, ao sol
belos como esmeraldas. Quando a noite
e a maré alta os ocultavam, as velas
sob o vento o largo demandavam,
para fugir da cilada. Hoje o meu reino
é essa terra de ninguém. No porto
acendem-se as luzes para outros; a mim para o alto mar
me leva ainda o não domado espírito,
e da vida o doloroso amor.
29.11.10
Madrid me mata

no patxaran!
Originally uploaded by André Beja
caminhar caminhar caminhar.
frio, sol, frio.
Cores, muitas cores,
o charme de Lavapies.
A multidao e os seus rostos.
Fiesta, copos, tapas, risos abertos.
Digerir memorias. Fazer planos.
Caminhar, caminhar, caminhar.
E correr um pouco
Frio, muito frio, neve,
:)
26.11.10
22.11.10
16.11.10
Uma casa, um lenhador]
Gostaria de ir ao teu encontro,
Procurar-te na vila, entre as pessoas,
Ou debaixo da magnólia do jardim.
A cascata corre & tu sentas-te a ouvir
Ao acaso as folhas que o vento espalha.
No teu rosto já só vejo o ar frio da serra,
As sombras dos que te abrem o caminho
Para que a cor do dia entre no jardim.
Faz com que a angústia nas palavras que usamos
Seja um bom presságio à nossa volta.
Tudo o que é divino é transitório,
Mas não o é em vão.
M.S. Lourenço, Nada Brahma, Assírio&Alvim, 1991
roubado aqui
15.11.10
#1
[Casablanca]
Lembrava-me pouco do filme de Michael Curtiz, mas a viagem que fiz no mês passado à cidade que lhe dá nome abriu-me o apetite para o rever. E fiz bem.
Além do enredo e da sonora memorável (play it again Sam!), há ali pormenores de realização, jogos de luz e sombra, trocadilhos e preciosismos de linguagem, que encantam e ajudam a ir atrás, tomar balanço, encher o peito e dar um salto. Porque o fundamental para um bom salto, é conseguir ver mais longe, antecipando a queda.
12.11.10
[A Batalha do Chile]
No domingo passado fui conhecer a Casa das Histórias de Paula Rego.
Andava para lá ir quase há um ano, para conhecer o que as fotografias que fui vendo anunciavam. Não me desiludi.
Além de duas interessantes exposições sobre a obra da anfitriã e de Victor Willing (o seu falecido marido), também assisti, no âmbito do Estoril Film Festival, à primeira parte de A Batalha do Chile.
Considerado um dos melhores e mais completos documentários latino-americanos, A Batalha do Chile é o resultado de seis anos de trabalho do cineasta Patrício Guzmán. Dividido em três partes (A insurreição da burguesia, O golpe militar e O poder popular), o filme cobre um dos períodos mais turbulentos da história do Chile, a partir dos esforços do presidente Salvador Allende em implantar um regime socialista (valendo-se da estrutura democrática) até as brutais consequências do golpe de estado que, em 1973, instaurou a ditadura do general Augusto Pinochet.
Saí da sala com um nó no estômago bem apertado. Sem conseguir falar muito do que vi, tenho andado a remoer nas histórias da história que ali se contam.
A insurreição da burguesia, apoiada pelo Estados Unidos, contra a dignidade que os pobres conquistaram nos mil dias da Unidade Popular foi, de facto, impressionante. Mas, como li ontem no novo livro do Luís Sepúlveda, “nunca um líder teve tanto apoio do seu povo como sucedeu com Salvador Allende, e a sua morte no Palácio de
Há que continuar a perseguir o sonho.
11.11.10
10.11.10
8.11.10
7.11.10
[Sempre os livros]
Por mudanças conjunturais, fui obrigado a desmontar e a remontar a estante onde guardo parte significativa da minha biblioteca.
No meio da transumância literária, dei comigo a pensar na quantidade de episódios a que estes silenciosos volumes assistiram, acumulando na superfície e entre as suas folhas, além do incontornável pó, memórias e vestígios de uma ou várias vidas: um prospecto escrito em catalão, o bilhete do autocarro de uma cidadezita no meio do México (com orações impressas), um arranhão, um postal de uma exposição de fotografia, um livro comprado aqui ou ali e transportados em mochilas várias, uma mancha de café, a receita com que me deliciei e aquelas que ainda estão por experimentar, um caderno com anotações sobre o deserto...
Os livros, estes que me aproximam de um ser recolector, são talvez o meu único sinal exterior de riqueza. O seu valor é impossível de calcular por olhos destreinados ou por gente de coração (
2.11.10
29.10.10
#1
[Um ano depois, a Dedicação Total já era*]
Se a paixão do presidente da Câmara pela bola não é segredo, uma novidade veio quebrar a monotonia e equilíbrio do triângulo que tem como vértices, além de Seara, Sintra e o Futebol.
Ao admitir disponibilidade para suceder a Gilberto Madaíl na Federação Portuguesa de Futebol, Fernando Seara fez o favor de esclarecer que a “Dedicação Total” com que a Coligação Mais Sintra se apresentou nas últimas eleições autárquicas era conversa de embalar.
Mas os exemplos de que o dedicado slogan não passava de enganosa propaganda abundam. Vou deter-me apenas em três.
28.10.10
26.10.10
24.10.10
19.10.10
#1
[recomenda-se, acompanhado de gin]
ESTE LUGAR NÃO EXISTE
de Maud Téphany
Fotografias que convidam à associação de lugares e pessoas numa dialéctica presença da ausência/ausência da presença; paisagens urbanas, ladeiam o humano “em suspenso”.
Está no bar Agito, (Rua da Rosa, Bairro Alto) até a 21 de Novembro
13.10.10
#3
[fruta da época]
Carnudo, suculento, sedoso. Era assim o dióspiro que hoje comi.
É certo que se encontrava a milhas dos meus favoritos, cujo sabor e textura inigualáveis guardo na memória (mesmo que a memória seja sempre tão melhor que a realidade a que reporta...), mas com charme suficiente para não desfeitear.
Foi o primeiro da época.
[da crise]
Quando lhes falava da crise na Europa, os argentinos olhavam-me com um misto de curiosidade e resignação e disparavam... "bem, nós aqui sempre vivemos em crise".
Uma amiga polaca que vive em Lisboa dizia-me mais ou menos o mesmo " estou cá há vinte anos e sempre ouvi essa conversa de apertar o cinto".
Lembrei-me disto esta manhã, enquanto lia no jornal um excelente artigo do João Ramos de Almeida, onde se explica parte da crise que vivemos e mostra bem como os governos de PS/PSD/CDS nunca quiseram dar passos concretos para haver transparência e justiça fiscal, preferindo imputar a quem trabalha o peso dos impostos.
As duas primeiras frases do artigo são lapidares, mas recomendo a sua leitura integral e sua afixação em locais públicos...
"Os números oficiais mostram que o Programa e Estabilidade e Crescimento (PEC) anunciado está mal repartido entre grupos sociais. O investidor Joe Berardo já assumiu que não será tocado. Os cortes nos benefícios fiscais (BF) das empresas pouco contribuem. Pouco se sabe ainda sobre o imposto sobre a banca.
Muito do desequilíbrio advém da urgência. O Governo - sob pressão externa - cortou na massa de contribuintes. Mas será possível encontrar outras fontes de receita que evitassem os cortes nos grandes montantes orçamentais da função pública, das despesas sociais e dos impostos indirectos que recaem sobre toda a população?"
10.10.10
7.10.10
[mesmo cantando num péssimo italiano]

u2
Originally uploaded by André Beja
Este foi o momento em que, no passado sábado, Bono e os seus muchachos me arrebataram...
Dici che il fiume
Trova la via al mare
E come il fiume
Giungerai a me
Oltre i confini
E le terre assetate
Dici che come fiume
Come fiume...
L'amore giunger
L'amore...
E non so più pregare
E nell'amore non so più sperare
E quell'amore non so più aspettare...
Miss Sarajevo
1.10.10
#1
[morning song]
It starts to feel like a barricade that keep us away
to keep us away, it kind of does
It starts to feel like a barricade to keep us away
Keep us away
26.9.10
[Marcelo Montecino]

O Chileno Marcelo Montecino fotografou os 1000 dias de Allende e da Frente Popular, o golpe, o referendo, a transição.... e continua a fotografar o seu país até aos dias de hoje.
Viu de perto as revoluções e os golpes que vieram depois em toda a América Latina e outros grandes acontecimentos que marcaram e marcam a passagem do tempo.
É simplesmente fantástico...
Galeria no Flickr
http://www.marcelomontecino.com/
21.9.10
[serviço público]
Já mandei este mail a tanta gente que está na altura de partilhá-lo...
Queres começar a correr mas tens medo de não aguentar? Não te preocupes. O corpo é uma máquina poderosa. E o segredo está em encontrar o caminho para a forma física. Aqui tens um programa de três semanas de treino, cujo objectivo é por-te a correr 30 minutos seguidos. É retirado deste site. Podes segui-lo à risca ou adaptá-lo ao teu ritmo.
18.9.10
17.9.10
16.9.10
13.9.10
[Ah remember me, I used to live for music]
Enganou-se quem condenava o concerto de Leonard Cohen a um cerimonial decadente.
O velhinho deixou bem claro que, além de ser um gentleman, está cheio de estrica. Foram 3:30h em cima do palco do Pavilhão Atlântico, numa noite memorável feita de velhas canções vestidas a rigor por uma banda irrepreensível.
9.9.10
[Vamos ao que interessa!]

Calendário das iniciativas (sempre às 17h30) no Largo de S. Domingos (Ginginha) no Rossio:
Dia 16 de Setembro
Acabar com a Pobreza
+ Justiça na redistribuição da riqueza
Dia 23 de Setembro
Democracia? Só com cidadania e bons serviços públicos
DIA 30 de Setembro
Outra economia com direitos no trabalho
Dia 7 de Outubro
Globalizar e garantir a paz e a solidariedade
7.9.10
[...]
Suite
Talvez o que mais intensamente buscamos
o larguemos em seguida
num alheamento maior do que é habitual
o amor, o fio de aço, a curva sussurrante
que não conseguimos
Poisamos furtivamente
no rebordo de outros mundos
em comovente descoberta
com milhões de pontos de fino bordado
que se movem e resvalam
indiferentes à crueldade
José Tolentino Mendonça, in "O viajante sem sono"
6.9.10
#1
[Valha-nos São Precário]
Podem descansar os precários e as precárias deste país e de todo o mundo. O problema que lhes empata a vida tem afinal uma solução à dimensão da sua fé.
No início de Setembro, em missiva enviada à humanidade a propósito das Jornadas Mundiais da Juventude que terão lugar em Madrid em Agosto do ano que vem, Bento XVI é peremptório: " A procura de um posto fixo de trabalho, que permita terra firme sob os pés, é um problema grande e de peso". No entanto, o chefe do Vaticano esclarece que os verdadeiros pontos de referência dos jovens residem na fé e em estar próximo dos valores que são a base da sociedade" e que "provêm do evangelho".
Ratzinger não deixa de surpreender quem, mesmo não acreditando, está atento ao que a Igreja vai dizendo. E aqui diz-nos, nas entrelinhas, que estão bem vivas as velhas alianças com o poder e a ordem estabelecida, ordem essa que, no momento actual do capitalismo, tenta fazer valer a crença de que a precariedade é o sentido natural e lógico para o mundo do trabalho.
Não deixa de ser uma mensagem interessante, cheia de fé e esperança, onde o autor evoca a sua juventude (?!) para apelar a uma atitude contra o conformismo e a descrença. Palavras importantes, seguramente, e até libertadores, mas ensombradas pela indesculpável relativização que faz dessa violência que paira sobre as nossas vidas...
É caso para dizer: Valha-nos São Precário! E acender-lhe uma velinha para que não nos faltem as forças para lutar.
5.9.10
#1
[Por vezes, é preciso calcar a dor]
Depois de seis semanas e três dias de pausa forçada, ontem calcei os ténis e fiz-me à relva do Parque das Nações.
Considerando as recomendações do ortopedista, decidi ter chegado o momento de dar alta a mim mesmo. Há muito que ansiava por este momento, pois não há pior do que estar parado e, à nossa volta, ver os outros em movimento.
Foram apenas 40 minutos de corrida, suave, mas o meu pé fez questão de, a cada passo, avivar a razão pela qual estivemos parados. Não que os resquícios de dor tenham sido mais intensos do que aqueles que me preocuparam nos últimos dias, mas estão lá e às vezes, por motivos que não sei explicar (mas gostava), latejam com mais evidência.
Embora estas coisas durem sempre mais do que o desejado, o tempo e o Diclofenac têm feito o seu trabalho e vai chegar o dia que tudo isto não será mais do que memória.
Até lá, é preciso continuar a calcar a dor.
3.9.10
[Do foto-jornalismo]
Hoje, ao olhar esta fotografia, pensei: caramba, é uma imagem que diz tudo. Resume na perfeição os ecos do que tenho ouvido e lido sobre a agitação que Maputo tem vivido nos últimos dias: a fúria e a revolta popular, a destruição, a pobreza, o desafio, a injustiça..."
Além de espanto e admiração, a imagem também me acende uma chama de inveja e humildade. São sentimentos contraditórios, antagónicos diria, mas que se explicam.
A inveja dirijo-a, em jeito de tributo, ao Sérgio Costa, que estava lá no instante decisivo e registou um momento tão particular.
A humildade é a consciência de que tenho muito de aprender sobre essa arte de desenhar com a luz a realidade. Não basta ter uma máquina de qualidade, é preciso saber o que fazer com ela.
Esta fotografia causa-me ainda outra coisa: um profundo reconhecimento pelo trabalho dos editores de fotografia do jornal. A escolha que fizeram, entre tantas, é certeira e vai ao encontro da qualidade a que me habituaram.
29.8.10
[de passagem]
Explicação da Eternidade
devagar, o tempo transforma tudo em tempo.
o ódio transforma-se em tempo, o amor
transforma-se em tempo, a dor transforma-se
em tempo.
os assuntos que julgámos mais profundos,
mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis,
transformam-se devagar em tempo.
por si só, o tempo não é nada.
a idade de nada é nada.
a eternidade não existe.
no entanto, a eternidade existe.
os instantes dos teus olhos parados sobre mim eram eternos.
os instantes do teu sorriso eram eternos.
os instantes do teu corpo de luz eram eternos.
foste eterna até ao fim.
José Luís Peixoto, in "A Casa, A Escuridão"
26.8.10
#1
[outro post político...]
Dizem que é o mercado a funcionar...
O verão ia adiantado quando foram conhecidos os resultados do primeiro semestre das principais empresas que actuam no mercado português.
Apesar da crise, e de algumas quebras nos milhões acumulados aqui e ali, basta olhar para os ganhos do sector da energia para perceber que os capitalistas não se podem queixar.
A vida não correu tão bem para a “EDP Renováveis” e à REN, que viram os seus lucros baixar, quando comparados com o mesmo período do ano anterior. Ficaram-se, respectivamente, por uns míseros 43 milhões e 56,6 Milhões de Euros de lucro.
Comentando os resultados do primeiro semestre, António Mexia, presidente da EDP, registou a subida de 19% como “o melhor semestre de sempre da companhia”.
Já a Galp, viu os seus lucros crescerem 46,5 por cento face ao período homólogo, para os 148,05 milhões.
Sobre os resultados semestrais da espanhola Endesa, que em Portugal está presente quer na comercialização quer na produção de electricidade, ainda pouco se sabe. Mas os indicadores globais do primeiro trimestre desta empresa eram promissores.
Recorde-se que a Endesa entrou recentemente no mercado da distribuição para quebrar o monopólio da EDP.
Tudo números de perder o fôlego, tal é o sua enormidade. No entanto, soubemos agora que, no próximo ano, o preço da electricidade terá um agravamento adicional de um ponto percentual. Parece que as empresas terão de garantir fornecimento de electricidade à rede a qualquer hora no mercado liberalizado e que isso terá de ser pago por alguém.
Esta novidade vem, mais uma vez, demonstrar que o mercado e a concorrência não são sinónimo de benefício para o consumidor. Na verdade, as empresas aceitam entrar no jogo antecipando os ganhos e prometendo maravilhas derivados do sistema concorrencial. Mas, quando a coisa aperta, os custos adicionais são sempre rapados dos bolsos de quem deveria ter o direito de usufruir de um serviço em vez de ser parceiro à força de um negócio.
26 de Agosto de 2010
24.8.10
[um post político, para variar]
Dos três altos dirigentes do PC que se perfilavam para uma candidatura à Presidência da República apoiada pelo partido, dois tinham alguma vantagem na linha de partida.
Bernardino Soares seria o candidato mais jovem não só desta corrida como também, ao que julgo saber, de sempre.
Ilda Figueiredo seria a primeira (e única) candidata desde 1986, ano em que Pintassilgo acendeu as esperanças do povo da esquerda.
Tanto o líder parlamentar Comunista como a Eurodepuda são relativamente conhecidos da opinião pública, podendo por isso congregar com maior facilidade votos de sectores distantes do núcleo duro do eleitorado do partido.
Mesmo assim, o PCP optou por uma eminência parda.
Vá-se lá compreender...
[apesar de só dar para imaginar Buenos Aires, recomendo]
"O Segredo dos Seus Olhos tornar-se-á, acredito, um clássico do cinema, no futuro. Ilude em apresentar-se como mais um típico thriller baseado num romance, pois a forma como incorpora elementos de drama, noir e suspense distinguem-no como uma obra única que consegue ir buscar inspiração a Hitchcock e ao cinema americano em geral e mesmo assim manter-se distintamente sul-americano, conseguindo no entretanto agradar a Hollywood. O seu único defeito será o recurso frequente ao melodrama, que nunca ofusca o quão brilhantemente construído é, nem tão-pouco a sua extrema dedicação e atenção a detalhes, que o tornam natural e ao mesmo tempo imprevisível, qualidades insubstituíveis em qualquer thriller. Indiscutivelmente um dos melhores filmes de 2010, até ao momento e provavelmente depois do ano terminar."
Ler aqui toda a crítica de Pedro Ponte
23.8.10
19.8.10

Gonzo
Originally uploaded by André Beja
É bom reencontrar os amigos e saber que a vida lhes corre de feição :)

one year later, Uploaded by André Beja
um tipo anda de cabeça no ar pela cidade a captar momentos e a inventar estórias.
Na maior parte dos casos, as ideias meio torcidas desaparecem no momento e fico apenas a imagem sonhada. Ainda assim, alguns episódios dão mais alguns passos e ficam registados por palavras.
E depois há aqueles momentos que, mesmo banais, nos voltam a assaltar a imaginação, como que um fio de ariane a ligar os dias.
18.8.10
[Da bloguice de hoje]
Estes tipos começaram a correr. E estão a adorar a experiência.
A Sofia respondeu-me a uma pergunta que nunca lhe fiz.
Em síntese:
17.8.10

Istanbul classic
Originally uploaded by André Beja
Tenho andado à volta da recolha fotográfica que fiz durante estes 15 dias. Fica uma imagem cliché a que não consegui fugir.
Deixo-vos também uma sugestão musical, para aguçar o apetite
11.8.10
Regresseı à cidade pela água.
Está muito calor. Humıdade elevada.
Da Ásıa trago imagens que nao sei descrever, ideias florescentes e horizontes a explorar.
No terraço onde vou passar a noite, ao relento, contemplo os minaretes e os reflexos no mar de Marmara.
Há um barco que toma o rumo do Bósforo. Navegarei com ele esta noite.
10.8.10
İzmır

İzmır
Originally uploaded by André Beja
o melhor das vıagens é a possıbılıdade de, mesmo só sabendo 3 ou 4 palavras numa determinada liıngua, passar a tarde a falar com as pessoas sobre a sua vida, tao diferente da minha.
4.8.10
Kapadokya

Kapadokya
Originally uploaded by André Beja
nao há muito mais do que isto para dızer.
Ou talvez haja, mas falta-me vontade e talento para missoes impossíveis.
29.7.10
27.7.10
bibliografia

bibliografia
Originally uploaded by André Beja
"O fim duma viagem é apenas o começo de outra.
É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que já se viu no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava.
É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e traçar caminhos novos ao lado deles.
É preciso recomeçar a viagem. Sempre.
O viajante volta já.”
José Saramago, Viagem a Portugal
24.7.10
[o estado da arte]
Os gestos afloram-me à ponta dos dedos, não como um mecanismo oleado, mas como reflexos de uma memória difusa que a que a circunstância exige prontidão.
Sem que saiba onde as tenho guardadas, saem-me perguntas de rotina, avaliações padronizadas, luzes que piscam como que alertando para os sinais que podem ser reveladores.
As dúvidas são muitas e há que estar atento à confiança excessiva. Mas é preciso, sobretudo, não temer esta sensação de acordar de um músculo adormecido.
21.7.10
13.7.10
[treinadores de bancada]
Se há coisa de que me irrita é aquela malta que tem solução para tudo, que consegue olhar para o que já está feito e ter o descaramento de dizer que se devia ter feito isto ou aquilo enquanto era tempo, mas que, quando a coisa aperta, não abre o bico, arranja sempre outra coisa para fazer (nem que seja nada) ou deixa andar, a ver no que dá, e não mostra a fibra e a dedicação que podem fazer a diferença.
E depois ainda se admiram.
12.7.10

blurred hearth
Originally uploaded by André Beja
LONDRES REENCONTRADA
O passeio do outro lado da rua
Gente
Que não conhecerei nunca
Ninguém mais nesta mesa
De um café milenário –
Raras vezes
Terei estado menos só
A nave espacial chamada terra
Singra comigo tarde adiante
Tudo volve milenário
As pedras da rua
O cimento gasto do passeio
As recordações
Alberto Lacerda
10.7.10

Houston, we have a problem...
Originally uploaded by André Beja
Por vezes, há peças que se soltam irremediavelmente.
Resta-nos a memória do tempo em que, sólidas, formavam um todo.
9.7.10
#1
[...]
Sempre amei por palavras muito mais
do que devia
são um perigo
as palavras
quando as soltamos já não há
regresso possível
ninguém pode não dizer o que já disse
apenas esquecer e o esquecimento acredita
é a mais lenta das feridas mortais
espalha-se insidiosamente pelo nosso corpo
e vai cortando a pele como se um barco
nos atravessasse de madrugada
e de repente acordamos um dia
desprevenidos e completamente
indefesos
um perigo
as palavras
mesmo agora
aparentemente tão tranquilas
neste claro momento em que as deixo em desalinho
sacudindo o pó dos velhos dias
sobre a cama em que te espero
Alice Vieira
in O que Dói às Aves
8.7.10
[estes putos são mesmo bons :) ]
Lisboa não passas deste Inverno
Trata de mim quando este chão ceder
Lisboa, Lisboa
Ai de mim desejar outra mulher
Os Pontos Negros
[...]
Anda, faz uma pausa,
encosta o carro,
sai da corrida,
larga essa guerra,
que a tua meta,
está deste lado,
da tua vida.
7.7.10
6.7.10
3.7.10
#1
[A farsa]
Texto publicado na Edição nº 9 do Correio de Sintra
A visita de Cavaco Silva a Sintra, no âmbito do Roteiro da Presidência para a Juventude, ficou marcada por um episódio que, não tendo sido muito falado, é revelador dos tempos que correm.
A presidencial comitiva começou o dia na casa da Juventude da Tapada das Mercês, equipamento fundamental para a comunidade onde está instalado, um bairro cujos problemas de ordenamento do espaço público tardam em ter solução e onde os sinais de tensão social e exclusão começam a ser indisfarçáveis. Seguiu-se uma deslocação até ao largo D. Rainha Amélia, defronte do Palácio da Vila, para visitar uma mostra de jovens empreendedores do Concelho.
























