24.10.10
19.10.10
#1
[recomenda-se, acompanhado de gin]
ESTE LUGAR NÃO EXISTE
de Maud Téphany
Fotografias que convidam à associação de lugares e pessoas numa dialéctica presença da ausência/ausência da presença; paisagens urbanas, ladeiam o humano “em suspenso”.
Está no bar Agito, (Rua da Rosa, Bairro Alto) até a 21 de Novembro
13.10.10
#3
[fruta da época]
Carnudo, suculento, sedoso. Era assim o dióspiro que hoje comi.
É certo que se encontrava a milhas dos meus favoritos, cujo sabor e textura inigualáveis guardo na memória (mesmo que a memória seja sempre tão melhor que a realidade a que reporta...), mas com charme suficiente para não desfeitear.
Foi o primeiro da época.
[da crise]
Quando lhes falava da crise na Europa, os argentinos olhavam-me com um misto de curiosidade e resignação e disparavam... "bem, nós aqui sempre vivemos em crise".
Uma amiga polaca que vive em Lisboa dizia-me mais ou menos o mesmo " estou cá há vinte anos e sempre ouvi essa conversa de apertar o cinto".
Lembrei-me disto esta manhã, enquanto lia no jornal um excelente artigo do João Ramos de Almeida, onde se explica parte da crise que vivemos e mostra bem como os governos de PS/PSD/CDS nunca quiseram dar passos concretos para haver transparência e justiça fiscal, preferindo imputar a quem trabalha o peso dos impostos.
As duas primeiras frases do artigo são lapidares, mas recomendo a sua leitura integral e sua afixação em locais públicos...
"Os números oficiais mostram que o Programa e Estabilidade e Crescimento (PEC) anunciado está mal repartido entre grupos sociais. O investidor Joe Berardo já assumiu que não será tocado. Os cortes nos benefícios fiscais (BF) das empresas pouco contribuem. Pouco se sabe ainda sobre o imposto sobre a banca.
Muito do desequilíbrio advém da urgência. O Governo - sob pressão externa - cortou na massa de contribuintes. Mas será possível encontrar outras fontes de receita que evitassem os cortes nos grandes montantes orçamentais da função pública, das despesas sociais e dos impostos indirectos que recaem sobre toda a população?"
10.10.10
7.10.10
[mesmo cantando num péssimo italiano]

u2
Originally uploaded by André Beja
Este foi o momento em que, no passado sábado, Bono e os seus muchachos me arrebataram...
Dici che il fiume
Trova la via al mare
E come il fiume
Giungerai a me
Oltre i confini
E le terre assetate
Dici che come fiume
Come fiume...
L'amore giunger
L'amore...
E non so più pregare
E nell'amore non so più sperare
E quell'amore non so più aspettare...
Miss Sarajevo
1.10.10
#1
[morning song]
It starts to feel like a barricade that keep us away
to keep us away, it kind of does
It starts to feel like a barricade to keep us away
Keep us away
26.9.10
[Marcelo Montecino]

O Chileno Marcelo Montecino fotografou os 1000 dias de Allende e da Frente Popular, o golpe, o referendo, a transição.... e continua a fotografar o seu país até aos dias de hoje.
Viu de perto as revoluções e os golpes que vieram depois em toda a América Latina e outros grandes acontecimentos que marcaram e marcam a passagem do tempo.
É simplesmente fantástico...
Galeria no Flickr
http://www.marcelomontecino.com/
21.9.10
[serviço público]
Já mandei este mail a tanta gente que está na altura de partilhá-lo...
Queres começar a correr mas tens medo de não aguentar? Não te preocupes. O corpo é uma máquina poderosa. E o segredo está em encontrar o caminho para a forma física. Aqui tens um programa de três semanas de treino, cujo objectivo é por-te a correr 30 minutos seguidos. É retirado deste site. Podes segui-lo à risca ou adaptá-lo ao teu ritmo.
18.9.10
17.9.10
16.9.10
13.9.10
[Ah remember me, I used to live for music]
Enganou-se quem condenava o concerto de Leonard Cohen a um cerimonial decadente.
O velhinho deixou bem claro que, além de ser um gentleman, está cheio de estrica. Foram 3:30h em cima do palco do Pavilhão Atlântico, numa noite memorável feita de velhas canções vestidas a rigor por uma banda irrepreensível.
9.9.10
[Vamos ao que interessa!]

Calendário das iniciativas (sempre às 17h30) no Largo de S. Domingos (Ginginha) no Rossio:
Dia 16 de Setembro
Acabar com a Pobreza
+ Justiça na redistribuição da riqueza
Dia 23 de Setembro
Democracia? Só com cidadania e bons serviços públicos
DIA 30 de Setembro
Outra economia com direitos no trabalho
Dia 7 de Outubro
Globalizar e garantir a paz e a solidariedade
7.9.10
[...]
Suite
Talvez o que mais intensamente buscamos
o larguemos em seguida
num alheamento maior do que é habitual
o amor, o fio de aço, a curva sussurrante
que não conseguimos
Poisamos furtivamente
no rebordo de outros mundos
em comovente descoberta
com milhões de pontos de fino bordado
que se movem e resvalam
indiferentes à crueldade
José Tolentino Mendonça, in "O viajante sem sono"
6.9.10
#1
[Valha-nos São Precário]
Podem descansar os precários e as precárias deste país e de todo o mundo. O problema que lhes empata a vida tem afinal uma solução à dimensão da sua fé.
No início de Setembro, em missiva enviada à humanidade a propósito das Jornadas Mundiais da Juventude que terão lugar em Madrid em Agosto do ano que vem, Bento XVI é peremptório: " A procura de um posto fixo de trabalho, que permita terra firme sob os pés, é um problema grande e de peso". No entanto, o chefe do Vaticano esclarece que os verdadeiros pontos de referência dos jovens residem na fé e em estar próximo dos valores que são a base da sociedade" e que "provêm do evangelho".
Ratzinger não deixa de surpreender quem, mesmo não acreditando, está atento ao que a Igreja vai dizendo. E aqui diz-nos, nas entrelinhas, que estão bem vivas as velhas alianças com o poder e a ordem estabelecida, ordem essa que, no momento actual do capitalismo, tenta fazer valer a crença de que a precariedade é o sentido natural e lógico para o mundo do trabalho.
Não deixa de ser uma mensagem interessante, cheia de fé e esperança, onde o autor evoca a sua juventude (?!) para apelar a uma atitude contra o conformismo e a descrença. Palavras importantes, seguramente, e até libertadores, mas ensombradas pela indesculpável relativização que faz dessa violência que paira sobre as nossas vidas...
É caso para dizer: Valha-nos São Precário! E acender-lhe uma velinha para que não nos faltem as forças para lutar.
5.9.10
#1
[Por vezes, é preciso calcar a dor]
Depois de seis semanas e três dias de pausa forçada, ontem calcei os ténis e fiz-me à relva do Parque das Nações.
Considerando as recomendações do ortopedista, decidi ter chegado o momento de dar alta a mim mesmo. Há muito que ansiava por este momento, pois não há pior do que estar parado e, à nossa volta, ver os outros em movimento.
Foram apenas 40 minutos de corrida, suave, mas o meu pé fez questão de, a cada passo, avivar a razão pela qual estivemos parados. Não que os resquícios de dor tenham sido mais intensos do que aqueles que me preocuparam nos últimos dias, mas estão lá e às vezes, por motivos que não sei explicar (mas gostava), latejam com mais evidência.
Embora estas coisas durem sempre mais do que o desejado, o tempo e o Diclofenac têm feito o seu trabalho e vai chegar o dia que tudo isto não será mais do que memória.
Até lá, é preciso continuar a calcar a dor.
3.9.10
[Do foto-jornalismo]
Hoje, ao olhar esta fotografia, pensei: caramba, é uma imagem que diz tudo. Resume na perfeição os ecos do que tenho ouvido e lido sobre a agitação que Maputo tem vivido nos últimos dias: a fúria e a revolta popular, a destruição, a pobreza, o desafio, a injustiça..."
Além de espanto e admiração, a imagem também me acende uma chama de inveja e humildade. São sentimentos contraditórios, antagónicos diria, mas que se explicam.
A inveja dirijo-a, em jeito de tributo, ao Sérgio Costa, que estava lá no instante decisivo e registou um momento tão particular.
A humildade é a consciência de que tenho muito de aprender sobre essa arte de desenhar com a luz a realidade. Não basta ter uma máquina de qualidade, é preciso saber o que fazer com ela.
Esta fotografia causa-me ainda outra coisa: um profundo reconhecimento pelo trabalho dos editores de fotografia do jornal. A escolha que fizeram, entre tantas, é certeira e vai ao encontro da qualidade a que me habituaram.
29.8.10
[de passagem]
Explicação da Eternidade
devagar, o tempo transforma tudo em tempo.
o ódio transforma-se em tempo, o amor
transforma-se em tempo, a dor transforma-se
em tempo.
os assuntos que julgámos mais profundos,
mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis,
transformam-se devagar em tempo.
por si só, o tempo não é nada.
a idade de nada é nada.
a eternidade não existe.
no entanto, a eternidade existe.
os instantes dos teus olhos parados sobre mim eram eternos.
os instantes do teu sorriso eram eternos.
os instantes do teu corpo de luz eram eternos.
foste eterna até ao fim.
José Luís Peixoto, in "A Casa, A Escuridão"
26.8.10
#1
[outro post político...]
Dizem que é o mercado a funcionar...
O verão ia adiantado quando foram conhecidos os resultados do primeiro semestre das principais empresas que actuam no mercado português.
Apesar da crise, e de algumas quebras nos milhões acumulados aqui e ali, basta olhar para os ganhos do sector da energia para perceber que os capitalistas não se podem queixar.
A vida não correu tão bem para a “EDP Renováveis” e à REN, que viram os seus lucros baixar, quando comparados com o mesmo período do ano anterior. Ficaram-se, respectivamente, por uns míseros 43 milhões e 56,6 Milhões de Euros de lucro.
Comentando os resultados do primeiro semestre, António Mexia, presidente da EDP, registou a subida de 19% como “o melhor semestre de sempre da companhia”.
Já a Galp, viu os seus lucros crescerem 46,5 por cento face ao período homólogo, para os 148,05 milhões.
Sobre os resultados semestrais da espanhola Endesa, que em Portugal está presente quer na comercialização quer na produção de electricidade, ainda pouco se sabe. Mas os indicadores globais do primeiro trimestre desta empresa eram promissores.
Recorde-se que a Endesa entrou recentemente no mercado da distribuição para quebrar o monopólio da EDP.
Tudo números de perder o fôlego, tal é o sua enormidade. No entanto, soubemos agora que, no próximo ano, o preço da electricidade terá um agravamento adicional de um ponto percentual. Parece que as empresas terão de garantir fornecimento de electricidade à rede a qualquer hora no mercado liberalizado e que isso terá de ser pago por alguém.
Esta novidade vem, mais uma vez, demonstrar que o mercado e a concorrência não são sinónimo de benefício para o consumidor. Na verdade, as empresas aceitam entrar no jogo antecipando os ganhos e prometendo maravilhas derivados do sistema concorrencial. Mas, quando a coisa aperta, os custos adicionais são sempre rapados dos bolsos de quem deveria ter o direito de usufruir de um serviço em vez de ser parceiro à força de um negócio.
26 de Agosto de 2010
24.8.10
[um post político, para variar]
Dos três altos dirigentes do PC que se perfilavam para uma candidatura à Presidência da República apoiada pelo partido, dois tinham alguma vantagem na linha de partida.
Bernardino Soares seria o candidato mais jovem não só desta corrida como também, ao que julgo saber, de sempre.
Ilda Figueiredo seria a primeira (e única) candidata desde 1986, ano em que Pintassilgo acendeu as esperanças do povo da esquerda.
Tanto o líder parlamentar Comunista como a Eurodepuda são relativamente conhecidos da opinião pública, podendo por isso congregar com maior facilidade votos de sectores distantes do núcleo duro do eleitorado do partido.
Mesmo assim, o PCP optou por uma eminência parda.
Vá-se lá compreender...
[apesar de só dar para imaginar Buenos Aires, recomendo]
"O Segredo dos Seus Olhos tornar-se-á, acredito, um clássico do cinema, no futuro. Ilude em apresentar-se como mais um típico thriller baseado num romance, pois a forma como incorpora elementos de drama, noir e suspense distinguem-no como uma obra única que consegue ir buscar inspiração a Hitchcock e ao cinema americano em geral e mesmo assim manter-se distintamente sul-americano, conseguindo no entretanto agradar a Hollywood. O seu único defeito será o recurso frequente ao melodrama, que nunca ofusca o quão brilhantemente construído é, nem tão-pouco a sua extrema dedicação e atenção a detalhes, que o tornam natural e ao mesmo tempo imprevisível, qualidades insubstituíveis em qualquer thriller. Indiscutivelmente um dos melhores filmes de 2010, até ao momento e provavelmente depois do ano terminar."
Ler aqui toda a crítica de Pedro Ponte
23.8.10
19.8.10

Gonzo
Originally uploaded by André Beja
É bom reencontrar os amigos e saber que a vida lhes corre de feição :)

one year later, Uploaded by André Beja
um tipo anda de cabeça no ar pela cidade a captar momentos e a inventar estórias.
Na maior parte dos casos, as ideias meio torcidas desaparecem no momento e fico apenas a imagem sonhada. Ainda assim, alguns episódios dão mais alguns passos e ficam registados por palavras.
E depois há aqueles momentos que, mesmo banais, nos voltam a assaltar a imaginação, como que um fio de ariane a ligar os dias.
18.8.10
[Da bloguice de hoje]
Estes tipos começaram a correr. E estão a adorar a experiência.
A Sofia respondeu-me a uma pergunta que nunca lhe fiz.
Em síntese:
17.8.10

Istanbul classic
Originally uploaded by André Beja
Tenho andado à volta da recolha fotográfica que fiz durante estes 15 dias. Fica uma imagem cliché a que não consegui fugir.
Deixo-vos também uma sugestão musical, para aguçar o apetite
11.8.10
Regresseı à cidade pela água.
Está muito calor. Humıdade elevada.
Da Ásıa trago imagens que nao sei descrever, ideias florescentes e horizontes a explorar.
No terraço onde vou passar a noite, ao relento, contemplo os minaretes e os reflexos no mar de Marmara.
Há um barco que toma o rumo do Bósforo. Navegarei com ele esta noite.
10.8.10
İzmır

İzmır
Originally uploaded by André Beja
o melhor das vıagens é a possıbılıdade de, mesmo só sabendo 3 ou 4 palavras numa determinada liıngua, passar a tarde a falar com as pessoas sobre a sua vida, tao diferente da minha.
4.8.10
Kapadokya

Kapadokya
Originally uploaded by André Beja
nao há muito mais do que isto para dızer.
Ou talvez haja, mas falta-me vontade e talento para missoes impossíveis.
29.7.10
27.7.10
bibliografia

bibliografia
Originally uploaded by André Beja
"O fim duma viagem é apenas o começo de outra.
É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que já se viu no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava.
É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e traçar caminhos novos ao lado deles.
É preciso recomeçar a viagem. Sempre.
O viajante volta já.”
José Saramago, Viagem a Portugal
24.7.10
[o estado da arte]
Os gestos afloram-me à ponta dos dedos, não como um mecanismo oleado, mas como reflexos de uma memória difusa que a que a circunstância exige prontidão.
Sem que saiba onde as tenho guardadas, saem-me perguntas de rotina, avaliações padronizadas, luzes que piscam como que alertando para os sinais que podem ser reveladores.
As dúvidas são muitas e há que estar atento à confiança excessiva. Mas é preciso, sobretudo, não temer esta sensação de acordar de um músculo adormecido.
21.7.10
13.7.10
[treinadores de bancada]
Se há coisa de que me irrita é aquela malta que tem solução para tudo, que consegue olhar para o que já está feito e ter o descaramento de dizer que se devia ter feito isto ou aquilo enquanto era tempo, mas que, quando a coisa aperta, não abre o bico, arranja sempre outra coisa para fazer (nem que seja nada) ou deixa andar, a ver no que dá, e não mostra a fibra e a dedicação que podem fazer a diferença.
E depois ainda se admiram.
12.7.10

blurred hearth
Originally uploaded by André Beja
LONDRES REENCONTRADA
O passeio do outro lado da rua
Gente
Que não conhecerei nunca
Ninguém mais nesta mesa
De um café milenário –
Raras vezes
Terei estado menos só
A nave espacial chamada terra
Singra comigo tarde adiante
Tudo volve milenário
As pedras da rua
O cimento gasto do passeio
As recordações
Alberto Lacerda
10.7.10

Houston, we have a problem...
Originally uploaded by André Beja
Por vezes, há peças que se soltam irremediavelmente.
Resta-nos a memória do tempo em que, sólidas, formavam um todo.
9.7.10
#1
[...]
Sempre amei por palavras muito mais
do que devia
são um perigo
as palavras
quando as soltamos já não há
regresso possível
ninguém pode não dizer o que já disse
apenas esquecer e o esquecimento acredita
é a mais lenta das feridas mortais
espalha-se insidiosamente pelo nosso corpo
e vai cortando a pele como se um barco
nos atravessasse de madrugada
e de repente acordamos um dia
desprevenidos e completamente
indefesos
um perigo
as palavras
mesmo agora
aparentemente tão tranquilas
neste claro momento em que as deixo em desalinho
sacudindo o pó dos velhos dias
sobre a cama em que te espero
Alice Vieira
in O que Dói às Aves
8.7.10
[estes putos são mesmo bons :) ]
Lisboa não passas deste Inverno
Trata de mim quando este chão ceder
Lisboa, Lisboa
Ai de mim desejar outra mulher
Os Pontos Negros
[...]
Anda, faz uma pausa,
encosta o carro,
sai da corrida,
larga essa guerra,
que a tua meta,
está deste lado,
da tua vida.
7.7.10
6.7.10
3.7.10
#1
[A farsa]
Texto publicado na Edição nº 9 do Correio de Sintra
A visita de Cavaco Silva a Sintra, no âmbito do Roteiro da Presidência para a Juventude, ficou marcada por um episódio que, não tendo sido muito falado, é revelador dos tempos que correm.
A presidencial comitiva começou o dia na casa da Juventude da Tapada das Mercês, equipamento fundamental para a comunidade onde está instalado, um bairro cujos problemas de ordenamento do espaço público tardam em ter solução e onde os sinais de tensão social e exclusão começam a ser indisfarçáveis. Seguiu-se uma deslocação até ao largo D. Rainha Amélia, defronte do Palácio da Vila, para visitar uma mostra de jovens empreendedores do Concelho.
23.6.10
[do ofício desolado
de elevar torres sem andaimes]
Sonhamos com um leitor perfeito.
Superior a nós.
Melhor ainda do que a própria leitura
de nós mesmos.
Para ele escrevemos,
mesmo que não exista.
Não podemos deixar de sentir
que se esconde por trás desse silêncio
que arrasta as palavras
como uma túnica partida.
Talvez ao persistirmos
neste ofício desolado
de elevar torres sem andaimes
o leitor que não existe
desperte nalgum momento
lá onde o leitor
já não é necessário,
porque afinal toda a leitura se lê só.
Roberto Juarroz, Poesia Vertical,
Roubado no blog d'A Trama, a pensar neste texto que escrevi em Maio.
21.6.10
18.6.10
9.6.10
5.6.10

céu impressionista
Originally uploaded by André Beja
JIM CAIN
I started out in search of ordinary things
How much of a tree bends in the wind
I started telling the story without knowing the end
I used to be darker, then I got lighter, then I got dark again
Something to be seen was passing over and over me
Well it seemed like the routine case at first
With the death of the shadow came a lightness of verse
But the darkest of nights, in truth, still dazzles
And I woke myself until I'm frazzled
I ended up in search of ordinary things
Like how can a wave possibly be?
I started running, and the concrete turned to sand
I started running, and things didn't pan out as planned
In case things go poorly and I not return
Remember the good things I've done
In case things go poorly and I not return
Remember the good things I've done
Done me in
Bill Callahan , Sometimes I Wish we were an eagle
4.6.10
30.5.10
28.5.10
[Caixa de música]
Três dias de, pelo menos, 18h acordado? Ter dormido apenas 4h na última noite?
Tudo bem, desde que não faltem rimas e ritmos para acompanhar.
:)
26.5.10
25.5.10
Buenos Aires, Abril de 2009
É uma velhinha simpática, com as suas manias e os seus trejeitos, com as nódoas negras, os cadáveres no armário e os gloriosos momentos que o passado lhe deixou.
É uma terra encantadora, que se estende, literalmente, até ao fim do mundo, cujas gente, os lugares, as estradas, as cores e os sabores rapidamente se transformam em paixão.
Fica a nota da efeméride, com o desejo de, no próximo século argentino, lá voltar.
22.5.10
#1 [...]
Magoito
nesta primavera que
não sabe como começar,
sonho verão nos teus braços.
Perdido na orla,
fixo ondas, gaivotas,
a arriba em queda,
com ternura de te olhar.
Contradizendo os rochedos,
o mar encheu-te de areia
e promessas do beijo
que só as águas sabem.
No teu ventre, um rio
desafia o destino salgado:
Haverá tempo ainda
para nova ilusão?
Sintra, Maio de 2010
20.5.10
#2
[Linhas cruzadas]
Tenho a mania da poligamia literária. Não é raro andar agarrado a dois ou três livros ao mesmo tempo, num exercício de evasão que por vezes se revela uma estrada de múltiplas saídas, todas elas com bom argumentos para serem seguidas, ou então um ardiloso campo de obstáculos, onde tropeço e me chego a atolar.
Neste swing, por vezes as coisas misturam-se. Há personagens que têm por hábito dar uma perninha noutro livro e por lá armar grande confusão. Há escritores que se lembram de convidar outros escritores para as suas histórias, numa espécie de sessão de psicanálise ou de convocação de espíritos. Há momentos de premonição absoluta, em que um mistério se resolve nas páginas de outro tomo. Sobre tudo isto, muito haveria para dizer, mas do que quero falar é dos momentos de pura fusão, quando dois livros diferentes se interceptam num ponto nodal.
Como leitor poligâmico, sou suficientemente atento para não me perder e distraído quanto baste para me deixar enredar nestes negócios extra-sensoriais que os livros proporcionam. Deu-se o caso de, numa destas manhãs de primavera que convidam aos livros, ter lido sobre uma das angústias de Daniel Pennac (vénias!): para que escrevemos?
Escrevemos para nos sentirmos em paz mas também com o desejo de sermos lidos, não há maneira de escapar a esta contradição. É como se nos estivéssemos a afogar gritando “Olha mamã, sei nadar!”. Os que clamam mais alto por autenticidade lançam-se de um décimo quinto andar, dando o salto do anjo: “Vejam, sou apenas eu!”. Quando pretendemos escrever sem querermos ser lidos (manter um diário íntimo, por exemplo), equivale a prolongar até ao ridículo o sonho de ser autor e ao mesmo tempo leitor. (in O Ditador e a Cama de Rede).
Mais tarde dei comigo a reler o texto. Confirmei ter captado a ideia lida, mas achei que a abordagem era diversa. Foi então que percebi que tinha chegado a uma zona de interface entre o livro de Pennac e um dos que de momento me acompanham. Nesse Fim de Romance na Patagónia (um dia talvez vos fale das ironias não declaradas que os livros transportam), Mempo Giardinelli acabava de me revelar o ponto nodal:
A minha resposta é sempre a mesma: que não sei, embora saiba que escrevo para ser lido. Não consigo acreditar que alguém escreva, na realidade, para si próprio, ainda que muitos o proclamem. Não creio na escrita onanista e penso que temos sempre o que chamo um “leitor ideal implícito” (…).
Não é espantoso?
É neste momento que o leitor monogâmico – ou a leitora, pois curiosamente esta poligamia é sempre mais incompreendida entre as leitoras com que me vou cruzando - franze o nariz. É pueril a minha conclusão. Nada como um exercício de memória e de disciplinada leitura para juntar estes dois com os outros dois e fazer os quatro necessários à lógica que pretendo montar…
Tudo bem. Dou de barato. Mas não dispenso o prazer que este navegar sem rumo aparente me traz.
Lá dizia o outro, boa noite e bons livros!
19.5.10
#1
[Tu disseste]
Tu disseste "quero saborear o infinito"
Eu disse "a frescura das maçãs matinais revela-nos segredos insondáveis"
Tu disseste "sentir a aragem que balança os dependurados"
Eu disse "é o medo o que nos vem acariciar"
Tu disseste "eu também já tive medo. muito medo. recusava-me a abrir a janela, a transpor o limiar da porta"
Eu disse "acabamos a gostar do medo, do arrepio que nos suspende a fala"
Tu disseste "um dia fiquei sem nada. um mundo inteiro por descobrir"
Eu disse "..."
17.5.10
13.5.10
11.5.10
#1
[Algumas ironias de um fim-de-semana]
Matar vários coelhos, sem me socorrer da tradicional cajadada
Há a estratégia, a táctica e o resto.
Os filósofos que querem mudar o mundo pela acção também divagam pela inacção.
Há ilusões fáceis de criar. E há algumas fáceis de dinamitar.
O tempo passa e as caravanas ladram.
Descobri, ao nível do solo, que tenho queda para os patins.
O Benfica foi campeão.
6.5.10
4.5.10
[voltar aos poetas que me dizem tudo]
Neste espaço a si próprio condenado
Neste espaço a si próprio condenado
Dum momento para o outro pode entrar
Um pássaro que levante o céu
E sustente o olhar
....................................
Com a tristeza acender a alegria
Com a miséria atear a felicidade
E no céu inocente da visão
Fazer pulsar um pássaro por vir
Fazer voar um novo coração
Alexandre O'Neill, No Reino da Dinamarca
#1 [...]
Quando eu passo, as árvores ficam sempre*
Publicado no nº 5 do Correio de Sintra, 1 de Maio de 2010Há cerca de um ano recebi um telefonema que me encheu de tristeza. As árvores de Rio de Mouro, algumas plantadas com a minha ajuda, estavam a ser violentadas.
Alergias! Reclamações! Perigo! Argumentavam os responsáveis pela intervenção e o autarca que assistiam à “poda”.
As árvores da minha infância ficaram indefesas e, durante o verão, encheram-se de fungos. Os pássaros que as costumavam habitar viram-se despejados.
25.4.10
A Salgueiro Maia*

A Salgueiro Maia*
Originally uploaded by André Beja
Aquele que na hora da vitória
respeitou o vencido
Aquele que deu tudo e não pediu a paga
Aquele que na hora da ganância
Perdeu o apetite
Aquele que amou os outros e por isso
Não colaborou com a sua ignorância ou vício
Aquele que foi «Fiel à palavra dada à ideia tida»
como antes dele mas também por ele
Pessoa disse
Sophia de Mello Breyner Andresen
*a foto rouba o título ao poema, numa dupla homenagem muito pessoal a estes dois vultos de Abril.
20.4.10
11.4.10
9.4.10
ruta 40

ruta 40
Originally uploaded by André Beja
há um ano estava aqui. O horizonte era largo. Ou parecia ser.
7.4.10
[...]
Então, vendo que os Persas guardavam silêncio, sem se atrever a manifestar uma opinião contrária à que tinha sido proposta, Artabano, filho de Histaspes, que era tio paterno de Xerxes, confiando precisamente no dito parentesco, disse o seguinte:
(...)
"A precipitação, em suma, engendra erros em todo o tipo de assuntos; e dos erros costumam derivar graves danos. Na cautela, em contrapartida, radicam uma série de vantagens que, embora não se manifestem imediatamente, passado muito tempo, chegam a detectar-se"
(..)
Heródoto de Halicarnaso, in
A Batalha das Termópilas
6.4.10
Em Dezembro passado, o anúncio de aumento da electricidade para 2010 foi justificado pela existência de 2 mil milhões de défice de tarifário. Em 2006, o presidente da ERSE demitiu-se porque o governo se acobardou no momento de aplicar a sua recomendação de, pelas mesmas razões, aumentar a factura dos consumidores domésticos em cerca de 15%.No passado mês de Março, a CMVM foi informada de que, apesar de ter recuado 6% face ao ano anterior, o resultado líquido da EDP em 2009 foi de 1.024 milhões.
Agora ficámos a saber que António Mexia, Presidente do Conselho de Administração da EDP, foi, entre os CEO do PSI 20 (bonitos chavões), aquele que mais recebeu em 2009, empochando uns míseros 3,1 milhões (há quem fale em 3,3, mas acho que é um abuso...). Se Mexia conseguiu uma folha salarial melhor do que a de Steve Jobs, da Aple, nem quero imaginar os gastos com @s restantes colegas do CA**.
...
** ADENDA: entretando descobri, foram 17 milhões em prémios e remunerações...
4.4.10
O drama do corredor

O drama do corredor
Originally uploaded by André Beja
tantos km corridos, tantas horas de satisfação... que fazer com todos estes sapatos?
1.4.10
[that's it]
Viva a Preguiça
Tanta preguiça, tanto mar, tanto, para dar e vender
Tanta injustiça, tanto esconder, tanto não querer saber
Tanto soninho, fazer tudo sozinho
Quanto desleixo, quanto roubar ao próprio desejo
Quanto menos penso ainda menos aguento grande tormento
Poupar-te um beijo, volta desejo
Viva a preguiça, sem mexer um dedo, bocejar na missa
Tenho receio, metes-me medo, acordas-me a meio
Quanto lamento, dormir no parlamento
Viva a preguiça, mexer um dedo, dormir na missa
Tenho receio, metes-me medo, acordas-me a meio
Viva a preguiça, poupar-te um beijo, dormir na missa
Tenho receio, volta desejo, acorda-me a meio
GNR - para ouvir aqui
red vinyl

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Originally uploaded by André Beja
Março foi um mês de muitas fotos. Não sei se para celebrar o sol, distrair o raciocínio, afastar algumas nuvens negras ou se as novas lentes dos meus óculos me estão a dar outra perspectiva da vida e a muscular a imaginação.
Nunca, em quase 6 anos, tinha fotografado e partilhado tanto.
Espero que tenham gostado. Vou continuara a esforçar-me :)
30.3.10
Tenho a certeza que Nuri Belgi Ceilam passa os dias com o nariz no ar a perscrutar as nuvens.Só não sei se as suas nuvens existem de facto ou se são apenas fruto da sua imaginação e desejo.
A mim inquietam-me. As suas formas, textura e contraste contam-me histórias para lá do filme. Acendem-me silenciosas vontades. Transportam-me para longe e apertam-se dentro de mim com todas as perguntas que encerram.
Deste filme, fica também a urgência de Istambul
29.3.10
#1 [...]
ÍTACA
Se partires um dia rumo à Ítaca
Faz votos de que o caminho seja longo
repleto de aventuras, repleto de saber.
Nem lestrigões, nem ciclopes,
nem o colérico Posidon te intimidem!
Eles no teu caminho jamais encontrarás
Se altivo for teu pensamento
Se sutil emoção o teu corpo e o teu espírito. tocar
Nem lestrigões, nem ciclopes
Nem o bravio Posidon hás de ver
Se tu mesmo não os levares dentro da alma
Se tua alma não os puser dentro de ti.
Faz votos de que o caminho seja longo.
Numerosas serão as manhãs de verão
Nas quais com que prazer, com que alegria
Tu hás de entrar pela primeira vez um porto
Para correr as lojas dos fenícios
e belas mercancias adquirir.
Madrepérolas, corais, âmbares, ébanos
E perfumes sensuais de toda espécie
Quanto houver de aromas deleitosos.
A muitas cidades do Egito peregrinas
Para aprender, para aprender dos doutos.
Tem todo o tempo ítaca na mente.
Estás predestinado a ali chegar.
Mas, não apresses a viagem nunca.
Melhor muitos anos levares de jornada
E fundeares na ilha velho enfim.
Rico de quanto ganhaste no caminho
Sem esperar riquezas que Ítaca te desse.
Uma bela viagem deu-te Ítaca.
Sem ela não te ponhas a caminho.
Mais do que isso não lhe cumpre dar-te.
Ítaca não te iludiu
Se a achas pobre.
Tu te tornaste sábio, um homem de experiência.
E, agora, sabes o que significam Ítacas.
Constantino Kavafis
28.3.10
26.3.10
[KGlamour]
Conheci a São Trindade na noite. Foi em silêncio que fomos construindo uma certa cumplicidade. Um dia, a propósito da sua máquina fotográfica e de um retrato que com ela fiz, descobrimos uma paixão comum. E descobri também que, ao contrario de mim - que sou um mero aprendiz de feiticeiro -, aquela moça de tranças era (e é) uma fotógrafa a sério.Vem esta conversa a propósito da nova exposição da Kgaleria, um conjunto de retratos tirados pela São. Passem por lá, até 30 de Abril, porque a inspiração cinematográfica, a luz e os sentidos deste conjunto de imagens de composição clássica, além de deliciosas, dão muito que pensar.
Mais sobre a Kglamour
18.3.10
17.3.10
[10]
Bastam dez minutos para atravessar a Kgaleria de uma ponta à outra e ver a exposição 10 de Alexandre Almeida.
A vistia é rápida (o espaço não é muito grande), mas o intervalo é suficiente para que algumas ideias comecem a fermentar.
Há, em cada um daqueles qua(dra)dos, uma história e um elemento dissonante, linhas de força e algo que lhes quebra a harmonia, novas narrativas que despontam.
Vale a pena dar lá um salto.
11.3.10
#2
[este homem é um senhor]
O PEC peca por parco
"Aquilo que os portugueses têm à cintura já não é um cinto há algum tempo: é um garrote." Ricardo Araújo Pereira, Visão, 11 de Março de 2010
É irónico que os problemas económicos possam ser responsáveis pelas maiores desigualdades sociais mas que a economia, enquanto ciência, seja tão igualitária. Alguns dos maiores especialistas em economia previram tanto como eu o aparecimento da crise. A economia tem essa característica fascinante: por muito que alguém se dedique a estudá-la, aparentemente continua a ser um leigo. Um grande administrador tem tanta dificuldade em evitar a calamitosa falência de um banco como um merceeiro versado apenas em contas de somar. Por isso, é com a consciência invulgarmente tranquila que me dedico à análise económica: na pior das hipóteses, os meus comentários farão tão pouco sentido como os de um professor de economia.
Quando o governo propôs o Programa de Estabilidade e Crescimento, a minha primeira impressão foi a de que o PEC tinha um E a mais. Duvido de que a nossa economia precise da ajuda de um programa para estabilizar, uma vez que se encontra estável (no sentido em que um paciente em estado comatoso se mantém estável) há muitos anos. As críticas de alguma oposição parecem-me ainda menos pertinentes. É falso que o Programa de Estabilidade e Crescimento obrigue uma parte significativa dos portugueses a apertar o cinto. E é falso sobretudo na medida em que aquilo que os portugueses têm à cintura já não é um cinto há algum tempo: é um garrote. O que vai ser preciso apertar agora é o garrote.
O grande raciocínio que sustenta a actual estratégia económica é importado da caça: o importante é não afugentar. Não convém taxar os lucros dos bancos e das grandes empresas para não afugentar o investimento. É desaconselhável taxar as transacções da bolsa para não afugentar o capital. Quem sobra? Os trabalhadores - que, além de serem muitos, são gente que não se deixa afugentar, porque precisa mesmo do emprego. Um trabalhador por conta de outrem trabalha, na verdade, por conta de dois, digamos, outrens: por conta do empregador e por conta do Estado. São os trabalhadores, e não as empresas e os bancos, os grandes "criadores de riqueza". Criam a riqueza dos patrões e a do Estado, que depois toma essa parte da riqueza e a devolve às empresas e aos bancos, sob a forma de nacionalização do que der prejuízo e privatização do que der lucro. Nota-se muito que estou a assobiar a Internacional enquanto escrevo isto?
A política fiscal é igualmente clara: as pessoas que ganham menos do que eu pagam menos impostos do que eu; a generalidade das que ganham mais também paga menos impostos do que eu. O governo alega que irá aumentar a taxa de impostos a quem ganha mais de 150 mil euros por ano, o que seria uma excelente medida, mas não é exactamente verdadeiro. O governo vai aumentar a taxa de impostos a quem declara mais de 150 mil euros por ano, o que é ligeiramente diferente. Não há assim tantos contribuintes nessas condições.
Resta a consolação de constatar que o congelamento dos salários dos funcionários públicos não é uma medida assim tão áspera. Os salários, a bem dizer, têm estado no frigorífico. Não vão propriamente sofrer um choque térmico.
Estive sempre sentado nesta pedra
Escutando, por assim dizer, o silêncio.
Ou no lago cair um fiozinho de água.
O lago é o tanque daquela idade
em que não tinha o coração
magoado. (Porque o amor, perdoa dizê-lo,
dói tanto! Todo o amor. Até o nosso,
tão feito de privação.) Estou onde
sempre estive: à beira de ser água.
Envelhecendo no rumor da bica
por onde corre apenas o silêncio.
Eugénio de Andrade
1.3.10
#1 [Correio de Sintra]
Artigo de opinião publicado no primeiro número do jornal Correio de Sintra.
Correio de Cintra: Jornal político, illustrado, litterario e commercial
A minha primeira reacção, depois do telefonema do Director deste jornal a convidar-me para escrever um artigo de opinião para a primeira edição, foi perguntar ao Google o que sabia sobre a nova publicação. Um gesto quase inconsciente, não fosse eu filho deste tempo de hiper comunicação.
Nada consegui apurar sobre o Correio de Sintra que hoje podemos ler. Mas esse googlar mecanizado não deixou de surpreender e encantar, já que me deu a conhecer o Correio de Cintra, semanário que, entre 1896 e 1904, noticiou os grandes acontecimentos, tragédias e avanços de Sintra nesse conturbado virar de século.









