3.9.10

#1
[Do foto-jornalismo]
Sérgio Costa,
Maputo, Setembro de 2010


Há dias em que, ao abrir o jornal, encontro fotografias que, de tão boas, me agitam. Fico a pensar nelas durante horas.
Hoje, ao olhar esta fotografia, pensei: caramba, é uma imagem que diz tudo. Resume na perfeição os ecos do que tenho ouvido e lido sobre a agitação que Maputo tem vivido nos últimos dias: a fúria e a revolta popular, a destruição, a pobreza, o desafio, a injustiça..."
Além de espanto e admiração, a imagem também me acende uma chama de inveja e humildade. São sentimentos contraditórios, antagónicos diria, mas que se explicam.
A inveja dirijo-a, em jeito de tributo, ao Sérgio Costa, que estava lá no instante decisivo e registou um momento tão particular.
A humildade é a consciência de que tenho muito de aprender sobre essa arte de desenhar com a luz a realidade. Não basta ter uma máquina de qualidade, é preciso saber o que fazer com ela.
Esta fotografia causa-me ainda outra coisa: um profundo reconhecimento pelo trabalho dos editores de fotografia do jornal. A escolha que fizeram, entre tantas, é certeira e vai ao encontro da qualidade a que me habituaram.

1.9.10

#2
#1
[o nome da cidade]

29.8.10

#1
[de passagem]

Explicação da Eternidade


devagar, o tempo transforma tudo em tempo.
o ódio transforma-se em tempo, o amor
transforma-se em tempo, a dor transforma-se
em tempo.

os assuntos que julgámos mais profundos,
mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis,
transformam-se devagar em tempo.

por si só, o tempo não é nada.
a idade de nada é nada.
a eternidade não existe.
no entanto, a eternidade existe.

os instantes dos teus olhos parados sobre mim eram eternos.
os instantes do teu sorriso eram eternos.
os instantes do teu corpo de luz eram eternos.

foste eterna até ao fim.

José Luís Peixoto, in "A Casa, A Escuridão"

26.8.10

#2
[gosto do optimismo desta canção]

#1

[outro post político...]

Dizem que é o mercado a funcionar...

O verão ia adiantado quando foram conhecidos os resultados do primeiro semestre das principais empresas que actuam no mercado português.

Apesar da crise, e de algumas quebras nos milhões acumulados aqui e ali, basta olhar para os ganhos do sector da energia para perceber que os capitalistas não se podem queixar.

A vida não correu tão bem para a “EDP Renováveis” e à REN, que viram os seus lucros baixar, quando comparados com o mesmo período do ano anterior. Ficaram-se, respectivamente, por uns míseros 43 milhões e 56,6 Milhões de Euros de lucro.

Comentando os resultados do primeiro semestre, António Mexia, presidente da EDP, registou a subida de 19% como “o melhor semestre de sempre da companhia”.
Já a Galp, viu os seus lucros crescerem 46,5 por cento face ao período homólogo, para os 148,05 milhões.

Sobre os resultados semestrais da espanhola Endesa, que em Portugal está presente quer na comercialização quer na produção de electricidade, ainda pouco se sabe. Mas os indicadores globais do primeiro trimestre desta empresa eram promissores.

Recorde-se que a Endesa entrou recentemente no mercado da distribuição para quebrar o monopólio da EDP.

Tudo números de perder o fôlego, tal é o sua enormidade. No entanto, soubemos agora que, no próximo ano, o preço da electricidade terá um agravamento adicional de um ponto percentual. Parece que as empresas terão de garantir fornecimento de electricidade à rede a qualquer hora no mercado liberalizado e que isso terá de ser pago por alguém.

Esta novidade vem, mais uma vez, demonstrar que o mercado e a concorrência não são sinónimo de benefício para o consumidor. Na verdade, as empresas aceitam entrar no jogo antecipando os ganhos e prometendo maravilhas derivados do sistema concorrencial. Mas, quando a coisa aperta, os custos adicionais são sempre rapados dos bolsos de quem deveria ter o direito de usufruir de um serviço em vez de ser parceiro à força de um negócio.

26 de Agosto de 2010

24.8.10

#2
[um post político, para variar]

Dos três altos dirigentes do PC que se perfilavam para uma candidatura à Presidência da República apoiada pelo partido, dois tinham alguma vantagem na linha de partida.
Bernardino Soares seria o candidato mais jovem não só desta corrida como também, ao que julgo saber, de sempre.
Ilda Figueiredo seria a primeira (e única) candidata desde 1986, ano em que Pintassilgo acendeu as esperanças do povo da esquerda.
Tanto o líder parlamentar Comunista como a Eurodepuda são relativamente conhecidos da opinião pública, podendo por isso congregar com maior facilidade votos de sectores distantes do núcleo duro do eleitorado do partido.
Mesmo assim, o PCP optou por uma eminência parda.
Vá-se lá compreender...
#1
[apesar de só dar para imaginar Buenos Aires, recomendo]

"O Segredo dos Seus Olhos tornar-se-á, acredito, um clássico do cinema, no futuro. Ilude em apresentar-se como mais um típico thriller baseado num romance, pois a forma como incorpora elementos de drama, noir e suspense distinguem-no como uma obra única que consegue ir buscar inspiração a Hitchcock e ao cinema americano em geral e mesmo assim manter-se distintamente sul-americano, conseguindo no entretanto agradar a Hollywood. O seu único defeito será o recurso frequente ao melodrama, que nunca ofusca o quão brilhantemente construído é, nem tão-pouco a sua extrema dedicação e atenção a detalhes, que o tornam natural e ao mesmo tempo imprevisível, qualidades insubstituíveis em qualquer thriller. Indiscutivelmente um dos melhores filmes de 2010, até ao momento e provavelmente depois do ano terminar."

Ler aqui toda a crítica de Pedro Ponte

23.8.10

#1
[Contributos para uma história da Fotografia]

"Disparando" a revolução
Por Emília Tavares*
in Público, 23 de Agosto de 2010

Política, fotografia e imprensa cruzam-se no início do século XX. Há que mostrar uma sociedade em mudança e essa não escapa ao instantâneo do fotojornalista.

19.8.10


Gonzo
Originally uploaded by André Beja


É bom reencontrar os amigos e saber que a vida lhes corre de feição :)


one year later, Uploaded by André Beja

um tipo anda de cabeça no ar pela cidade a captar momentos e a inventar estórias.
Na maior parte dos casos, as ideias meio torcidas desaparecem no momento e fico apenas a imagem sonhada. Ainda assim, alguns episódios dão mais alguns passos e ficam registados por palavras.
E depois há aqueles momentos que, mesmo banais, nos voltam a assaltar a imaginação, como que um fio de ariane a ligar os dias.

18.8.10

#1
[Da bloguice de hoje]

Estes tipos começaram a correr. E estão a adorar a experiência.
A Sofia respondeu-me a uma pergunta que nunca lhe fiz.

Em síntese:

17.8.10


Istanbul classic
Originally uploaded by André Beja

Tenho andado à volta da recolha fotográfica que fiz durante estes 15 dias. Fica uma imagem cliché a que não consegui fugir.
Deixo-vos também uma sugestão musical, para aguçar o apetite

11.8.10

[Constantınopla]

Regresseı à cidade pela água.
Está muito calor. Humıdade elevada.
Da Ásıa trago imagens que nao sei descrever, ideias florescentes e horizontes a explorar.
No terraço onde vou passar a noite, ao relento, contemplo os minaretes e os reflexos no mar de Marmara.
Há um barco que toma o rumo do Bósforo. Navegarei com ele esta noite.

10.8.10

İzmır


İzmır
Originally uploaded by André Beja

o melhor das vıagens é a possıbılıdade de, mesmo só sabendo 3 ou 4 palavras numa determinada liıngua, passar a tarde a falar com as pessoas sobre a sua vida, tao diferente da minha.

4.8.10

Kapadokya


Kapadokya
Originally uploaded by André Beja

nao há muito mais do que isto para dızer.
Ou talvez haja, mas falta-me vontade e talento para missoes impossíveis.

29.7.10

tıme out


tıme out
Originally uploaded by André Beja

a deslıgar os motores (aında...)

27.7.10

bibliografia


bibliografia
Originally uploaded by André Beja

"O fim duma viagem é apenas o começo de outra.

É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que já se viu no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava.

É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e traçar caminhos novos ao lado deles.

É preciso recomeçar a viagem. Sempre.

O viajante volta já.”

José Saramago, Viagem a Portugal

24.7.10

#1
[o estado da arte]


Os gestos afloram-me à ponta dos dedos, não como um mecanismo oleado, mas como reflexos de uma memória difusa que a que a circunstância exige prontidão.
Sem que saiba onde as tenho guardadas, saem-me perguntas de rotina, avaliações padronizadas, luzes que piscam como que alertando para os sinais que podem ser reveladores.
As dúvidas são muitas e há que estar atento à confiança excessiva. Mas é preciso, sobretudo, não temer esta sensação de acordar de um músculo adormecido.

21.7.10

#1
[...]

Já sinto o cheiro da estrada.