29.7.10

tıme out


tıme out
Originally uploaded by André Beja

a deslıgar os motores (aında...)

27.7.10

bibliografia


bibliografia
Originally uploaded by André Beja

"O fim duma viagem é apenas o começo de outra.

É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que já se viu no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava.

É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e traçar caminhos novos ao lado deles.

É preciso recomeçar a viagem. Sempre.

O viajante volta já.”

José Saramago, Viagem a Portugal

24.7.10

#1
[o estado da arte]


Os gestos afloram-me à ponta dos dedos, não como um mecanismo oleado, mas como reflexos de uma memória difusa que a que a circunstância exige prontidão.
Sem que saiba onde as tenho guardadas, saem-me perguntas de rotina, avaliações padronizadas, luzes que piscam como que alertando para os sinais que podem ser reveladores.
As dúvidas são muitas e há que estar atento à confiança excessiva. Mas é preciso, sobretudo, não temer esta sensação de acordar de um músculo adormecido.

21.7.10

#1
[...]

Já sinto o cheiro da estrada.

15.7.10

#1
[da Matilde Rosa Araújo]e há mais por aqui

13.7.10

#2
[Um tipo Mal disposto]
Harvey Pekar, 1939-2010
#1
[treinadores de bancada]

Se há coisa de que me irrita é aquela malta que tem solução para tudo, que consegue olhar para o que já está feito e ter o descaramento de dizer que se devia ter feito isto ou aquilo enquanto era tempo, mas que, quando a coisa aperta, não abre o bico, arranja sempre outra coisa para fazer (nem que seja nada) ou deixa andar, a ver no que dá, e não mostra a fibra e a dedicação que podem fazer a diferença.
E depois ainda se admiram.

12.7.10


blurred hearth
Originally uploaded by André Beja

LONDRES REENCONTRADA

O passeio do outro lado da rua

Gente
Que não conhecerei nunca

Ninguém mais nesta mesa
De um café milenário –
Raras vezes
Terei estado menos só

A nave espacial chamada terra
Singra comigo tarde adiante

Tudo volve milenário
As pedras da rua
O cimento gasto do passeio
As recordações


Alberto Lacerda

10.7.10


Houston, we have a problem...
Originally uploaded by André Beja

Por vezes, há peças que se soltam irremediavelmente.

Resta-nos a memória do tempo em que, sólidas, formavam um todo.

9.7.10

#1
[...]

Sempre amei por palavras muito mais
do que devia

são um perigo
as palavras

quando as soltamos já não há
regresso possível
ninguém pode não dizer o que já disse
apenas esquecer e o esquecimento acredita
é a mais lenta das feridas mortais
espalha-se insidiosamente pelo nosso corpo
e vai cortando a pele como se um barco
nos atravessasse de madrugada

e de repente acordamos um dia
desprevenidos e completamente
indefesos

um perigo
as palavras

mesmo agora
aparentemente tão tranquilas
neste claro momento em que as deixo em desalinho
sacudindo o pó dos velhos dias
sobre a cama em que te espero

Alice Vieira
in O que Dói às Aves

8.7.10

#2
[estes putos são mesmo bons :) ]

Lisboa não passas deste Inverno
Trata de mim quando este chão ceder
Lisboa, Lisboa
Ai de mim desejar outra mulher

Os Pontos Negros
#1
[...]

Anda, faz uma pausa,
encosta o carro,
sai da corrida,
larga essa guerra,
que a tua meta,
está deste lado,
da tua vida.

7.7.10

#1
[questões de agenda]

Há um amigo que me diz que é mais difícil tomar café comigo do que com o Bin Laden.

6.7.10

#1

Queria dizer-te a palavra.
Não a lês dentro de mim?
Ficará entre nós
como um eterno silêncio?
Adivinha-a e fala.
Se eu te dissesse o fogo
que arde dentro de mim
a alma fugir-me-ia.

Félix Cucurull
in Vida Terrena

3.7.10

#1

[A farsa]

Texto publicado na Edição nº 9 do Correio de Sintra

A visita de Cavaco Silva a Sintra, no âmbito do Roteiro da Presidência para a Juventude, ficou marcada por um episódio que, não tendo sido muito falado, é revelador dos tempos que correm.

A presidencial comitiva começou o dia na casa da Juventude da Tapada das Mercês, equipamento fundamental para a comunidade onde está instalado, um bairro cujos problemas de ordenamento do espaço público tardam em ter solução e onde os sinais de tensão social e exclusão começam a ser indisfarçáveis. Seguiu-se uma deslocação até ao largo D. Rainha Amélia, defronte do Palácio da Vila, para visitar uma mostra de jovens empreendedores do Concelho.

23.6.10

#1
[do ofício desolado
de elevar torres sem andaimes]

Sonhamos com um leitor perfeito.
Superior a nós.
Melhor ainda do que a própria leitura
de nós mesmos.

Para ele escrevemos,
mesmo que não exista.
Não podemos deixar de sentir
que se esconde por trás desse silêncio
que arrasta as palavras
como uma túnica partida.

Talvez ao persistirmos
neste ofício desolado
de elevar torres sem andaimes
o leitor que não existe
desperte nalgum momento
lá onde o leitor
já não é necessário,
porque afinal toda a leitura se lê só.

Roberto Juarroz, Poesia Vertical,

Roubado no blog d'A Trama, a pensar neste texto que escrevi em Maio.

21.6.10

#1
[porque hoje é dia 21]

(...)
One of these mornings
You're going to rise up singing
Then you'll spread your wings
And you'll take to the sky

(...)

18.6.10

#1
[em jeito de tributo]


Levantado do Chão é um dos livros da minha vida.
Nele aprendi um pouco mais sobre o Alentejo a as eternas desigualdades deste país.
Foi o livro que me ajudou a perceber, de facto, o que é isso da luta de classes.

11.6.10

#1
[que voz...]


Experimentem também esta...

9.6.10

#1
[hoje deu-me para aqui]

E ao anoitecer

e ao anoitecer adquires nome de ilha ou de vulcão
deixas viver sobre a pele uma criança de lume
e na fria lava da noite ensinas ao corpo
a paciência o amor o abandono das palavras
o silêncio
e a difícil arte da melancolia

Al Berto