20.5.10

#1
[das férias]

Hoje tomei o meu primeiro banho de mar do ano. E que bom que foi.

19.5.10

#1

[Tu disseste]

Tu disseste "quero saborear o infinito"
Eu disse "a frescura das maçãs matinais revela-nos segredos insondáveis"
Tu disseste "sentir a aragem que balança os dependurados"
Eu disse "é o medo o que nos vem acariciar"
Tu disseste "eu também já tive medo. muito medo. recusava-me a abrir a janela, a transpor o limiar da porta"
Eu disse "acabamos a gostar do medo, do arrepio que nos suspende a fala"
Tu disseste "um dia fiquei sem nada. um mundo inteiro por descobrir"
Eu disse "..."

"o que é que isso interessa?"

Tu disseste "...nada

17.5.10

1
[ashes to ashes]

aqui vou eu enfrentar o vulcao. Vejamos se a mae natureza nao me prega uma partida :)

13.5.10

[Mesmo a calhar]

Hoje, voltando a pensar no caso, a multiplica,cao do papa nos ecras de televisao (que nao deu origem 'a dos paes), e mais geralmente toda a especie de duplica,coes com que nos satura o nosso culto da imagem, tem alguma coisa a ver com esta histo'ria de so'osias encaixados uns nos outros. Um mundo semelhante 'a Vache qui rit, e' este o sonho dos nossos "comunicadores". Todos apanhados pela voragem...

Daniel Pennac (o meu escritor fetiche)
in O Ditador e a Cama de Rede

11.5.10

#1

[Algumas ironias de um fim-de-semana]

Matar vários coelhos, sem me socorrer da tradicional cajadada

Há a estratégia, a táctica e o resto.

Os filósofos que querem mudar o mundo pela acção também divagam pela inacção.

Há ilusões fáceis de criar. E há algumas fáceis de dinamitar.

O tempo passa e as caravanas ladram.

Descobri, ao nível do solo, que tenho queda para os patins.

O Benfica foi campeão.

6.5.10

#2
[deve ser do facebook]


Tantos meses depois, ainda há gente que pára na rua a olhar e a dizer que tem ideia de me conhecer de algum lado...
#1
[Sábias palavras]

Quero dizer-lhe leitor: "Ouça, a Patagónia vale a pena, mas juro-lhe que o mais belo de viajar por ela, é descobri-la por si mesmo, por si só. Vá e devore-a com os seus próprios olhos!"

Mempo Giardinelli
In Final de Romance na Patagónia

4.5.10

#2
[voltar aos poetas que me dizem tudo]

Neste espaço a si próprio condenado


Neste espaço a si próprio condenado
Dum momento para o outro pode entrar
Um pássaro que levante o céu
E sustente o olhar
....................................
Com a tristeza acender a alegria
Com a miséria atear a felicidade
E no céu inocente da visão
Fazer pulsar um pássaro por vir
Fazer voar um novo coração

Alexandre O'Neill, No Reino da Dinamarca

#1 [...]

Quando eu passo, as árvores ficam sempre*

Publicado no nº 5 do Correio de Sintra, 1 de Maio de 2010

Há cerca de um ano recebi um telefonema que me encheu de tristeza. As árvores de Rio de Mouro, algumas plantadas com a minha ajuda, estavam a ser violentadas.

Alergias! Reclamações! Perigo! Argumentavam os responsáveis pela intervenção e o autarca que assistiam à “poda”.

As árvores da minha infância ficaram indefesas e, durante o verão, encheram-se de fungos. Os pássaros que as costumavam habitar viram-se despejados.

25.4.10

A Salgueiro Maia*


A Salgueiro Maia*
Originally uploaded by André Beja

Aquele que na hora da vitória
respeitou o vencido

Aquele que deu tudo e não pediu a paga

Aquele que na hora da ganância
Perdeu o apetite

Aquele que amou os outros e por isso
Não colaborou com a sua ignorância ou vício

Aquele que foi «Fiel à palavra dada à ideia tida»
como antes dele mas também por ele
Pessoa disse

Sophia de Mello Breyner Andresen

*a foto rouba o título ao poema, numa dupla homenagem muito pessoal a estes dois vultos de Abril.

23.4.10

#1
[outra variação]

Contra grandes males (e nenhum remédio), decisões radicais.

20.4.10

#1
[variação do efeito borboleta]

Um vulcão arrota na Islândia e os produtores do Quénia vêm-se obrigados a destruir toneladas de rosas devido ao cancelamento de voos para a Europa.

11.4.10

#1
[...]

Quando a vida de alguém nos escapa entre os dedos todas as questões são válidas (e retóricas).
Há muito que não me acontecia. O embate lembrou-me de como tudo pode ser relativo.

9.4.10

ruta 40


ruta 40
Originally uploaded by André Beja

há um ano estava aqui. O horizonte era largo. Ou parecia ser.

7.4.10

#2
[...]

Então, vendo que os Persas guardavam silêncio, sem se atrever a manifestar uma opinião contrária à que tinha sido proposta, Artabano, filho de Histaspes, que era tio paterno de Xerxes, confiando precisamente no dito parentesco, disse o seguinte:
(...)
"A precipitação, em suma, engendra erros em todo o tipo de assuntos; e dos erros costumam derivar graves danos. Na cautela, em contrapartida, radicam uma série de vantagens que, embora não se manifestem imediatamente, passado muito tempo, chegam a detectar-se"
(..)

Heródoto de Halicarnaso, in
A Batalha das Termópilas
#1
[una musica brutal]

6.4.10

#1 [O capitalismo dá-me crises]
Em Dezembro passado, o anúncio de aumento da electricidade para 2010 foi justificado pela existência de 2 mil milhões de défice de tarifário. Em 2006, o presidente da ERSE demitiu-se porque o governo se acobardou no momento de aplicar a sua recomendação de, pelas mesmas razões, aumentar a factura dos consumidores domésticos em cerca de 15%.
No passado mês de Março, a CMVM foi informada de que, apesar de ter recuado 6% face ao ano anterior, o resultado líquido da EDP em 2009 foi de 1.024 milhões.
Agora ficámos a saber que António Mexia, Presidente do Conselho de Administração da EDP, foi, entre os CEO do PSI 20 (bonitos chavões), aquele que mais recebeu em 2009, empochando uns míseros 3,1 milhões (há quem fale em 3,3, mas acho que é um abuso...). Se Mexia conseguiu uma folha salarial melhor do que a de Steve Jobs, da Aple, nem quero imaginar os gastos com @s restantes colegas do CA**.
...


** ADENDA: entretando descobri, foram 17 milhões em prémios e remunerações...

4.4.10

O drama do corredor


O drama do corredor
Originally uploaded by André Beja

tantos km corridos, tantas horas de satisfação... que fazer com todos estes sapatos?

2.4.10

#1
[mão morta revisitada]

A esperança é a trela da submissão
Raoul Vaneigem

eles andam aí

1.4.10

#2
[that's it]

Viva a Preguiça

Tanta preguiça, tanto mar, tanto, para dar e vender
Tanta injustiça, tanto esconder, tanto não querer saber
Tanto soninho, fazer tudo sozinho
Quanto desleixo, quanto roubar ao próprio desejo
Quanto menos penso ainda menos aguento grande tormento
Poupar-te um beijo, volta desejo
Viva a preguiça, sem mexer um dedo, bocejar na missa
Tenho receio, metes-me medo, acordas-me a meio
Quanto lamento, dormir no parlamento
Viva a preguiça, mexer um dedo, dormir na missa
Tenho receio, metes-me medo, acordas-me a meio
Viva a preguiça, poupar-te um beijo, dormir na missa
Tenho receio, volta desejo, acorda-me a meio

GNR - para ouvir aqui