19.5.10
#1
[Tu disseste]
Tu disseste "quero saborear o infinito"
Eu disse "a frescura das maçãs matinais revela-nos segredos insondáveis"
Tu disseste "sentir a aragem que balança os dependurados"
Eu disse "é o medo o que nos vem acariciar"
Tu disseste "eu também já tive medo. muito medo. recusava-me a abrir a janela, a transpor o limiar da porta"
Eu disse "acabamos a gostar do medo, do arrepio que nos suspende a fala"
Tu disseste "um dia fiquei sem nada. um mundo inteiro por descobrir"
Eu disse "..."
17.5.10
13.5.10
11.5.10
#1
[Algumas ironias de um fim-de-semana]
Matar vários coelhos, sem me socorrer da tradicional cajadada
Há a estratégia, a táctica e o resto.
Os filósofos que querem mudar o mundo pela acção também divagam pela inacção.
Há ilusões fáceis de criar. E há algumas fáceis de dinamitar.
O tempo passa e as caravanas ladram.
Descobri, ao nível do solo, que tenho queda para os patins.
O Benfica foi campeão.
6.5.10
4.5.10
[voltar aos poetas que me dizem tudo]
Neste espaço a si próprio condenado
Neste espaço a si próprio condenado
Dum momento para o outro pode entrar
Um pássaro que levante o céu
E sustente o olhar
....................................
Com a tristeza acender a alegria
Com a miséria atear a felicidade
E no céu inocente da visão
Fazer pulsar um pássaro por vir
Fazer voar um novo coração
Alexandre O'Neill, No Reino da Dinamarca
#1 [...]
Quando eu passo, as árvores ficam sempre*
Publicado no nº 5 do Correio de Sintra, 1 de Maio de 2010Há cerca de um ano recebi um telefonema que me encheu de tristeza. As árvores de Rio de Mouro, algumas plantadas com a minha ajuda, estavam a ser violentadas.
Alergias! Reclamações! Perigo! Argumentavam os responsáveis pela intervenção e o autarca que assistiam à “poda”.
As árvores da minha infância ficaram indefesas e, durante o verão, encheram-se de fungos. Os pássaros que as costumavam habitar viram-se despejados.
25.4.10
A Salgueiro Maia*

A Salgueiro Maia*
Originally uploaded by André Beja
Aquele que na hora da vitória
respeitou o vencido
Aquele que deu tudo e não pediu a paga
Aquele que na hora da ganância
Perdeu o apetite
Aquele que amou os outros e por isso
Não colaborou com a sua ignorância ou vício
Aquele que foi «Fiel à palavra dada à ideia tida»
como antes dele mas também por ele
Pessoa disse
Sophia de Mello Breyner Andresen
*a foto rouba o título ao poema, numa dupla homenagem muito pessoal a estes dois vultos de Abril.
20.4.10
11.4.10
9.4.10
ruta 40

ruta 40
Originally uploaded by André Beja
há um ano estava aqui. O horizonte era largo. Ou parecia ser.
7.4.10
[...]
Então, vendo que os Persas guardavam silêncio, sem se atrever a manifestar uma opinião contrária à que tinha sido proposta, Artabano, filho de Histaspes, que era tio paterno de Xerxes, confiando precisamente no dito parentesco, disse o seguinte:
(...)
"A precipitação, em suma, engendra erros em todo o tipo de assuntos; e dos erros costumam derivar graves danos. Na cautela, em contrapartida, radicam uma série de vantagens que, embora não se manifestem imediatamente, passado muito tempo, chegam a detectar-se"
(..)
Heródoto de Halicarnaso, in
A Batalha das Termópilas
6.4.10
Em Dezembro passado, o anúncio de aumento da electricidade para 2010 foi justificado pela existência de 2 mil milhões de défice de tarifário. Em 2006, o presidente da ERSE demitiu-se porque o governo se acobardou no momento de aplicar a sua recomendação de, pelas mesmas razões, aumentar a factura dos consumidores domésticos em cerca de 15%.No passado mês de Março, a CMVM foi informada de que, apesar de ter recuado 6% face ao ano anterior, o resultado líquido da EDP em 2009 foi de 1.024 milhões.
Agora ficámos a saber que António Mexia, Presidente do Conselho de Administração da EDP, foi, entre os CEO do PSI 20 (bonitos chavões), aquele que mais recebeu em 2009, empochando uns míseros 3,1 milhões (há quem fale em 3,3, mas acho que é um abuso...). Se Mexia conseguiu uma folha salarial melhor do que a de Steve Jobs, da Aple, nem quero imaginar os gastos com @s restantes colegas do CA**.
...
** ADENDA: entretando descobri, foram 17 milhões em prémios e remunerações...
4.4.10
O drama do corredor

O drama do corredor
Originally uploaded by André Beja
tantos km corridos, tantas horas de satisfação... que fazer com todos estes sapatos?
1.4.10
[that's it]
Viva a Preguiça
Tanta preguiça, tanto mar, tanto, para dar e vender
Tanta injustiça, tanto esconder, tanto não querer saber
Tanto soninho, fazer tudo sozinho
Quanto desleixo, quanto roubar ao próprio desejo
Quanto menos penso ainda menos aguento grande tormento
Poupar-te um beijo, volta desejo
Viva a preguiça, sem mexer um dedo, bocejar na missa
Tenho receio, metes-me medo, acordas-me a meio
Quanto lamento, dormir no parlamento
Viva a preguiça, mexer um dedo, dormir na missa
Tenho receio, metes-me medo, acordas-me a meio
Viva a preguiça, poupar-te um beijo, dormir na missa
Tenho receio, volta desejo, acorda-me a meio
GNR - para ouvir aqui