23.4.10

#1
[outra variação]

Contra grandes males (e nenhum remédio), decisões radicais.

20.4.10

#1
[variação do efeito borboleta]

Um vulcão arrota na Islândia e os produtores do Quénia vêm-se obrigados a destruir toneladas de rosas devido ao cancelamento de voos para a Europa.

11.4.10

#1
[...]

Quando a vida de alguém nos escapa entre os dedos todas as questões são válidas (e retóricas).
Há muito que não me acontecia. O embate lembrou-me de como tudo pode ser relativo.

9.4.10

ruta 40


ruta 40
Originally uploaded by André Beja

há um ano estava aqui. O horizonte era largo. Ou parecia ser.

7.4.10

#2
[...]

Então, vendo que os Persas guardavam silêncio, sem se atrever a manifestar uma opinião contrária à que tinha sido proposta, Artabano, filho de Histaspes, que era tio paterno de Xerxes, confiando precisamente no dito parentesco, disse o seguinte:
(...)
"A precipitação, em suma, engendra erros em todo o tipo de assuntos; e dos erros costumam derivar graves danos. Na cautela, em contrapartida, radicam uma série de vantagens que, embora não se manifestem imediatamente, passado muito tempo, chegam a detectar-se"
(..)

Heródoto de Halicarnaso, in
A Batalha das Termópilas
#1
[una musica brutal]

6.4.10

#1 [O capitalismo dá-me crises]
Em Dezembro passado, o anúncio de aumento da electricidade para 2010 foi justificado pela existência de 2 mil milhões de défice de tarifário. Em 2006, o presidente da ERSE demitiu-se porque o governo se acobardou no momento de aplicar a sua recomendação de, pelas mesmas razões, aumentar a factura dos consumidores domésticos em cerca de 15%.
No passado mês de Março, a CMVM foi informada de que, apesar de ter recuado 6% face ao ano anterior, o resultado líquido da EDP em 2009 foi de 1.024 milhões.
Agora ficámos a saber que António Mexia, Presidente do Conselho de Administração da EDP, foi, entre os CEO do PSI 20 (bonitos chavões), aquele que mais recebeu em 2009, empochando uns míseros 3,1 milhões (há quem fale em 3,3, mas acho que é um abuso...). Se Mexia conseguiu uma folha salarial melhor do que a de Steve Jobs, da Aple, nem quero imaginar os gastos com @s restantes colegas do CA**.
...


** ADENDA: entretando descobri, foram 17 milhões em prémios e remunerações...

4.4.10

O drama do corredor


O drama do corredor
Originally uploaded by André Beja

tantos km corridos, tantas horas de satisfação... que fazer com todos estes sapatos?

2.4.10

#1
[mão morta revisitada]

A esperança é a trela da submissão
Raoul Vaneigem

eles andam aí

1.4.10

#2
[that's it]

Viva a Preguiça

Tanta preguiça, tanto mar, tanto, para dar e vender
Tanta injustiça, tanto esconder, tanto não querer saber
Tanto soninho, fazer tudo sozinho
Quanto desleixo, quanto roubar ao próprio desejo
Quanto menos penso ainda menos aguento grande tormento
Poupar-te um beijo, volta desejo
Viva a preguiça, sem mexer um dedo, bocejar na missa
Tenho receio, metes-me medo, acordas-me a meio
Quanto lamento, dormir no parlamento
Viva a preguiça, mexer um dedo, dormir na missa
Tenho receio, metes-me medo, acordas-me a meio
Viva a preguiça, poupar-te um beijo, dormir na missa
Tenho receio, volta desejo, acorda-me a meio

GNR - para ouvir aqui

red vinyl


red vinyl
Originally uploaded by André Beja

Março foi um mês de muitas fotos. Não sei se para celebrar o sol, distrair o raciocínio, afastar algumas nuvens negras ou se as novas lentes dos meus óculos me estão a dar outra perspectiva da vida e a muscular a imaginação.
Nunca, em quase 6 anos, tinha fotografado e partilhado tanto.
Espero que tenham gostado. Vou continuara a esforçar-me :)

30.3.10

#1 [O Homem que gosta de nuvens]

Tenho a certeza que Nuri Belgi Ceilam passa os dias com o nariz no ar a perscrutar as nuvens.
Só não sei se as suas nuvens existem de facto ou se são apenas fruto da sua imaginação e desejo.
A mim inquietam-me. As suas formas, textura e contraste contam-me histórias para lá do filme. Acendem-me silenciosas vontades. Transportam-me para longe e apertam-se dentro de mim com todas as perguntas que encerram.
Deste filme, fica também a urgência de Istambul

29.3.10

#1 [...]

ÍTACA

Se partires um dia rumo à Ítaca
Faz votos de que o caminho seja longo
repleto de aventuras, repleto de saber.
Nem lestrigões, nem ciclopes,
nem o colérico Posidon te intimidem!
Eles no teu caminho jamais encontrarás
Se altivo for teu pensamento
Se sutil emoção o teu corpo e o teu espírito. tocar
Nem lestrigões, nem ciclopes
Nem o bravio Posidon hás de ver
Se tu mesmo não os levares dentro da alma
Se tua alma não os puser dentro de ti.

Faz votos de que o caminho seja longo.
Numerosas serão as manhãs de verão
Nas quais com que prazer, com que alegria
Tu hás de entrar pela primeira vez um porto
Para correr as lojas dos fenícios
e belas mercancias adquirir.
Madrepérolas, corais, âmbares, ébanos
E perfumes sensuais de toda espécie
Quanto houver de aromas deleitosos.
A muitas cidades do Egito peregrinas
Para aprender, para aprender dos doutos.

Tem todo o tempo ítaca na mente.
Estás predestinado a ali chegar.
Mas, não apresses a viagem nunca.
Melhor muitos anos levares de jornada
E fundeares na ilha velho enfim.
Rico de quanto ganhaste no caminho
Sem esperar riquezas que Ítaca te desse.

Uma bela viagem deu-te Ítaca.
Sem ela não te ponhas a caminho.
Mais do que isso não lhe cumpre dar-te.
Ítaca não te iludiu

Se a achas pobre.
Tu te tornaste sábio, um homem de experiência.
E, agora, sabes o que significam Ítacas.

Constantino Kavafis

28.3.10

#1
[Tiago]

Decidiste aparecer três semanas mais cedo e dar razão à sabedoria popular, que diz que é na lua cheia que nascem as criaturas.
A partir de hoje deixei de ser o menino da família. Sê bem vindo.
Tio André

26.3.10

#1
[KGlamour]

Conheci a São Trindade na noite. Foi em silêncio que fomos construindo uma certa cumplicidade. Um dia, a propósito da sua máquina fotográfica e de um retrato que com ela fiz, descobrimos uma paixão comum. E descobri também que, ao contrario de mim - que sou um mero aprendiz de feiticeiro -, aquela moça de tranças era (e é) uma fotógrafa a sério.
Vem esta conversa a propósito da nova exposição da Kgaleria, um conjunto de retratos tirados pela São. Passem por lá, até 30 de Abril, porque a inspiração cinematográfica, a luz e os sentidos deste conjunto de imagens de composição clássica, além de deliciosas, dão muito que pensar.

Mais sobre a Kglamour

18.3.10

#1
[...]

Estrela

Legenda
para aquela estrela
azul
e fria
que me apontaste
já de madrugada:
amar é entristecer
sem corrompermos
nada.

Carlos de Oliveira

17.3.10

#1
[10]

Bastam dez minutos para atravessar a Kgaleria de uma ponta à outra e ver a exposição 10 de Alexandre Almeida.

A vistia é rápida (o espaço não é muito grande), mas o intervalo é suficiente para que algumas ideias comecem a fermentar.

Há, em cada um daqueles qua(dra)dos, uma história e um elemento dissonante, linhas de força e algo que lhes quebra a harmonia, novas narrativas que despontam.

Vale a pena dar lá um salto.


Site da Kgaleria

11.3.10

#2
[este homem é um senhor]

O PEC peca por parco

"Aquilo que os portugueses têm à cintura já não é um cinto há algum tempo: é um garrote."

Ricardo Araújo Pereira, Visão, 11 de Março de 2010


É irónico que os problemas económicos possam ser responsáveis pelas maiores desigualdades sociais mas que a economia, enquanto ciência, seja tão igualitária. Alguns dos maiores especialistas em economia previram tanto como eu o aparecimento da crise. A economia tem essa característica fascinante: por muito que alguém se dedique a estudá-la, aparentemente continua a ser um leigo. Um grande administrador tem tanta dificuldade em evitar a calamitosa falência de um banco como um merceeiro versado apenas em contas de somar. Por isso, é com a consciência invulgarmente tranquila que me dedico à análise económica: na pior das hipóteses, os meus comentários farão tão pouco sentido como os de um professor de economia.

Quando o governo propôs o Programa de Estabilidade e Crescimento, a minha primeira impressão foi a de que o PEC tinha um E a mais. Duvido de que a nossa economia precise da ajuda de um programa para estabilizar, uma vez que se encontra estável (no sentido em que um paciente em estado comatoso se mantém estável) há muitos anos. As críticas de alguma oposição parecem-me ainda menos pertinentes. É falso que o Programa de Estabilidade e Crescimento obrigue uma parte significativa dos portugueses a apertar o cinto. E é falso sobretudo na medida em que aquilo que os portugueses têm à cintura já não é um cinto há algum tempo: é um garrote. O que vai ser preciso apertar agora é o garrote.

O grande raciocínio que sustenta a actual estratégia económica é importado da caça: o importante é não afugentar. Não convém taxar os lucros dos bancos e das grandes empresas para não afugentar o investimento. É desaconselhável taxar as transacções da bolsa para não afugentar o capital. Quem sobra? Os trabalhadores - que, além de serem muitos, são gente que não se deixa afugentar, porque precisa mesmo do emprego. Um trabalhador por conta de outrem trabalha, na verdade, por conta de dois, digamos, outrens: por conta do empregador e por conta do Estado. São os trabalhadores, e não as empresas e os bancos, os grandes "criadores de riqueza". Criam a riqueza dos patrões e a do Estado, que depois toma essa parte da riqueza e a devolve às empresas e aos bancos, sob a forma de nacionalização do que der prejuízo e privatização do que der lucro. Nota-se muito que estou a assobiar a Internacional enquanto escrevo isto?

A política fiscal é igualmente clara: as pessoas que ganham menos do que eu pagam menos impostos do que eu; a generalidade das que ganham mais também paga menos impostos do que eu. O governo alega que irá aumentar a taxa de impostos a quem ganha mais de 150 mil euros por ano, o que seria uma excelente medida, mas não é exactamente verdadeiro. O governo vai aumentar a taxa de impostos a quem declara mais de 150 mil euros por ano, o que é ligeiramente diferente. Não há assim tantos contribuintes nessas condições.

Resta a consolação de constatar que o congelamento dos salários dos funcionários públicos não é uma medida assim tão áspera. Os salários, a bem dizer, têm estado no frigorífico. Não vão propriamente sofrer um choque térmico.

#1 [...]

à beira de água

Estive sempre sentado nesta pedra
Escutando, por assim dizer, o silêncio.
Ou no lago cair um fiozinho de água.
O lago é o tanque daquela idade
em que não tinha o coração
magoado. (Porque o amor, perdoa dizê-lo,
dói tanto! Todo o amor. Até o nosso,
tão feito de privação.) Estou onde
sempre estive: à beira de ser água.
Envelhecendo no rumor da bica
por onde corre apenas o silêncio.

Eugénio de Andrade

1.3.10

#1 [Correio de Sintra]

Artigo de opinião publicado no primeiro número do jornal Correio de Sintra.


Correio de Cintra: Jornal político, illustrado, litterario e commercial

A minha primeira reacção, depois do telefonema do Director deste jornal a convidar-me para escrever um artigo de opinião para a primeira edição, foi perguntar ao Google o que sabia sobre a nova publicação. Um gesto quase inconsciente, não fosse eu filho deste tempo de hiper comunicação.

Nada consegui apurar sobre o Correio de Sintra que hoje podemos ler. Mas esse googlar mecanizado não deixou de surpreender e encantar, já que me deu a conhecer o Correio de Cintra, semanário que, entre 1896 e 1904, noticiou os grandes acontecimentos, tragédias e avanços de Sintra nesse conturbado virar de século.