18.3.10

#1
[...]

Estrela

Legenda
para aquela estrela
azul
e fria
que me apontaste
já de madrugada:
amar é entristecer
sem corrompermos
nada.

Carlos de Oliveira

17.3.10

#1
[10]

Bastam dez minutos para atravessar a Kgaleria de uma ponta à outra e ver a exposição 10 de Alexandre Almeida.

A vistia é rápida (o espaço não é muito grande), mas o intervalo é suficiente para que algumas ideias comecem a fermentar.

Há, em cada um daqueles qua(dra)dos, uma história e um elemento dissonante, linhas de força e algo que lhes quebra a harmonia, novas narrativas que despontam.

Vale a pena dar lá um salto.


Site da Kgaleria

11.3.10

#2
[este homem é um senhor]

O PEC peca por parco

"Aquilo que os portugueses têm à cintura já não é um cinto há algum tempo: é um garrote."

Ricardo Araújo Pereira, Visão, 11 de Março de 2010


É irónico que os problemas económicos possam ser responsáveis pelas maiores desigualdades sociais mas que a economia, enquanto ciência, seja tão igualitária. Alguns dos maiores especialistas em economia previram tanto como eu o aparecimento da crise. A economia tem essa característica fascinante: por muito que alguém se dedique a estudá-la, aparentemente continua a ser um leigo. Um grande administrador tem tanta dificuldade em evitar a calamitosa falência de um banco como um merceeiro versado apenas em contas de somar. Por isso, é com a consciência invulgarmente tranquila que me dedico à análise económica: na pior das hipóteses, os meus comentários farão tão pouco sentido como os de um professor de economia.

Quando o governo propôs o Programa de Estabilidade e Crescimento, a minha primeira impressão foi a de que o PEC tinha um E a mais. Duvido de que a nossa economia precise da ajuda de um programa para estabilizar, uma vez que se encontra estável (no sentido em que um paciente em estado comatoso se mantém estável) há muitos anos. As críticas de alguma oposição parecem-me ainda menos pertinentes. É falso que o Programa de Estabilidade e Crescimento obrigue uma parte significativa dos portugueses a apertar o cinto. E é falso sobretudo na medida em que aquilo que os portugueses têm à cintura já não é um cinto há algum tempo: é um garrote. O que vai ser preciso apertar agora é o garrote.

O grande raciocínio que sustenta a actual estratégia económica é importado da caça: o importante é não afugentar. Não convém taxar os lucros dos bancos e das grandes empresas para não afugentar o investimento. É desaconselhável taxar as transacções da bolsa para não afugentar o capital. Quem sobra? Os trabalhadores - que, além de serem muitos, são gente que não se deixa afugentar, porque precisa mesmo do emprego. Um trabalhador por conta de outrem trabalha, na verdade, por conta de dois, digamos, outrens: por conta do empregador e por conta do Estado. São os trabalhadores, e não as empresas e os bancos, os grandes "criadores de riqueza". Criam a riqueza dos patrões e a do Estado, que depois toma essa parte da riqueza e a devolve às empresas e aos bancos, sob a forma de nacionalização do que der prejuízo e privatização do que der lucro. Nota-se muito que estou a assobiar a Internacional enquanto escrevo isto?

A política fiscal é igualmente clara: as pessoas que ganham menos do que eu pagam menos impostos do que eu; a generalidade das que ganham mais também paga menos impostos do que eu. O governo alega que irá aumentar a taxa de impostos a quem ganha mais de 150 mil euros por ano, o que seria uma excelente medida, mas não é exactamente verdadeiro. O governo vai aumentar a taxa de impostos a quem declara mais de 150 mil euros por ano, o que é ligeiramente diferente. Não há assim tantos contribuintes nessas condições.

Resta a consolação de constatar que o congelamento dos salários dos funcionários públicos não é uma medida assim tão áspera. Os salários, a bem dizer, têm estado no frigorífico. Não vão propriamente sofrer um choque térmico.

#1 [...]

à beira de água

Estive sempre sentado nesta pedra
Escutando, por assim dizer, o silêncio.
Ou no lago cair um fiozinho de água.
O lago é o tanque daquela idade
em que não tinha o coração
magoado. (Porque o amor, perdoa dizê-lo,
dói tanto! Todo o amor. Até o nosso,
tão feito de privação.) Estou onde
sempre estive: à beira de ser água.
Envelhecendo no rumor da bica
por onde corre apenas o silêncio.

Eugénio de Andrade

1.3.10

#1 [Correio de Sintra]

Artigo de opinião publicado no primeiro número do jornal Correio de Sintra.


Correio de Cintra: Jornal político, illustrado, litterario e commercial

A minha primeira reacção, depois do telefonema do Director deste jornal a convidar-me para escrever um artigo de opinião para a primeira edição, foi perguntar ao Google o que sabia sobre a nova publicação. Um gesto quase inconsciente, não fosse eu filho deste tempo de hiper comunicação.

Nada consegui apurar sobre o Correio de Sintra que hoje podemos ler. Mas esse googlar mecanizado não deixou de surpreender e encantar, já que me deu a conhecer o Correio de Cintra, semanário que, entre 1896 e 1904, noticiou os grandes acontecimentos, tragédias e avanços de Sintra nesse conturbado virar de século.

23.2.10

#1
[memória do futuro]

a formiga no carreiro, andava à roda da vida

21.2.10

#1
[um parênteses na vida normal]
A história de um tipo que um dia se desleixou e não cumpriu as regras da sua filosofia de vida. Quando deu por ela, já estava tramado. Já terei lido isto em algum lado?

18.2.10

#1
[é um rio que só eu sei]

Sei de um rio, sei de um rio
Em que as únicas estrelas nele sempre debruçadas
São as luzes da cidade
Sei de um rio, sei de um rio
Onde a própria mentira tem o sabor da verdade
Sei de um rio…
Meu amor dá-me os teus lábios, dá-me os lábios desse rio
Que nasceu na minha sede, mas o sonho continua
E a minha boca até quando ao separar-se da tua
Vai repetindo e lembrando
Sei de um rio, sei de um rio
Meu amor dá-me os teus lábios, dá-me os lábios desse rio
Que nasceu na minha sede, mas o sonho continua
E a minha boca até quando ao separar-se da tua
Vai repetindo e lembrando
Sei de um rio, sei de um rio
Sei de um rio, até quando

Pedro Homem de Melo

17.2.10

#1
[Jace Everett]

Lá no fundo, este gajo tem qualquer coisa que me faz lembrar os saudosos Morphine.

16.2.10

#1
[simple pleasures]

Acordar de madrugada, ao som da chuva.
Ver o amanhecer a cair, em silêncio.
Ler, pelo simples exercício de juntar as palavras.
Ouvir um disco antigo e descobrir novas sonoridades na voz de Stuart Staples.

12.2.10

#1
[Perhaps the world's empty]

Ninguém perde um livro
no comboio, ninguém o acha
inutilmente sublinhado
noutra terra, noutra cama.
Ninguém fuma na arcada
rente ao frio de Dezembro,
ninguém sangra no passeio
à mesma hora.
Ninguém parte de repente
à procura de mais mundo,
ninguém chega por acaso
ao seu nenhum sentido
olhando simplesmente
da varanda.

Rui Pires Cabral, em Oráculos de Cabeceira,

4.2.10

#1
[sons de uma adolescência distante :)]

3.2.10

#2
[onde está o wally??*]



* no minuto 5:55
#1
[contra natura??]

para quem diz que a adopção por casais de pessoas do mesmo sexo contraria a natureza, que tome nota:

Lesbian albatrosses to raise their chick
Two females set up 'unusual' family unit after successfully incubating egg
Ver

The independent, 03-02-2010

1.2.10

#1
[a ouvir]

Só mais uma volta

31.1.10

respeito e dignidade


respeito e dignidade
Originally uploaded by André Beja

25.1.10

#1
[coerência? estupidez?]

Há 183 dias (e noites sobretudo) que me faço as mesmas perguntas.
Há seis meses (qualquer coisa quatro mil e tal horas) que espero ver aparecer alguma resposta.

20.1.10

#1
[oh my... Placebo meets Pixies]

With your feet in the air and your head on the ground
Try this trick and spin it, yeah
Your head will collapse
If there's nothing in it
And you'll ask yourself

Where is my mind

19.1.10

#1
[vão lá, vão lá!]Segunda Escolha, por António Pedro Ferreira
Kgaleria, Lisboa

São duas dezenas de trabalhos que António Pedro Ferreira fez, no início dos anos 80, quando demandou França com uma bolsa do Ministério da Cultura para fotografar os emigrantes portugueses. A exposição chama-se Segunda escolha e está na galeria Kameraphoto, à rua da Rosa, no Bairro Alto, em Lisboa.
In Jornal de Letras Online

14.1.10

#1
[Mesmo com atraso, feliz aniversário Al]

noutros tempos
quando acreditávamos na existência da lua
foi-nos possível escrever poemas e
envenenávamo-nos boca a boca com o vidro moído
pelas salivas proibidas

al berto