31.1.10
25.1.10
[coerência? estupidez?]
Há 183 dias (e noites sobretudo) que me faço as mesmas perguntas.
Há seis meses (qualquer coisa quatro mil e tal horas) que espero ver aparecer alguma resposta.
20.1.10
[oh my... Placebo meets Pixies]
With your feet in the air and your head on the ground
Try this trick and spin it, yeah
Your head will collapse
If there's nothing in it
And you'll ask yourself
Where is my mind
19.1.10
In Jornal de Letras Online
14.1.10
13.1.10
[faltando outra canção do mesmo autor]
Piove, senti come piove
madonna come piove
senti come viene giu'!
piove, senti come piove
madonna come piove
12.1.10
11.1.10
10.1.10
[dos evangelhos]
O cobarde é uma pessoa que foge pra trás
o herói é uma pessoa que foge prá frente
em maior ou menor grau
todos nós fugimos ao
medo que faz o cobarde
medo que faz o valente
4.1.10
[posta restante]
Há muito tempo, sim, não te escrevo.
Ficaram velhas todas as notícias.
Eu mesmo envelheci: olha em relevo
estes sinais em mim, não das carícias
(tão leves) que fazias no meu rosto:
são golpes, são espinhos, são lembranças
da vida a teu menino, que a sol-posto
perde a sabedoria das crianças.
A falta que me fazes não é tanto
à hora de dormir, quando dizias
“Deus te abençoe”, e a noite abria em sonho.
É quando, ao despertar, revejo a um canto
a noite acumulada de meus dias,
e sinto que estou vivo, e que não sonho.
Carlos Drummond de Andrade
31.12.09
28.12.09
#1
[estranha forma de vida]
Tenho lido por aí alguns desses habituais balanços que se fazem por alturas do fim de ano. Decidi fazer o mesmo.
Tive um ano intenso e trabalhei que nem um mouro, muitas horas por dia e muitas semanas sem uma pausa digna desse nome. Chego ao fim de Dezembro e ainda tenho sete dias úteis de férias para gozar. Fiz coisas chatas, que não me deram gozo nenhum.
Averbei duas derrotas de vulto. Embora tenham sido colectivas e eu tenha feito tudo o que podia, pelo papel central que tinha nos dois processos, fico a sensação de que vi a minha vida para sempre transformada.
Ainda mantenho velhas contas por acertar com o mestrado. É uma história trágico-existencial, que me provoca inércia, come o tempo livre e me enche de remorsos.
Viajei menos do que gostava. Mas mais do que a maioria das pessoa que conheço. As duas viagens que fiz foram maravilhosas e, posso dizê-lo, a Argentina ganhou um lugar especial no meu coração.
Tive poucos momentos em que consegui desligar da realidade e relaxar. Mas vi filmes que me marcaram, li muitos livros (muitos mesmo), fotografei, ouvi velhas e novas músicas, dei asas à criatividade, comi petiscos de fazer água na boca.
Apesar das dores de cabeça, os copos que bebi souberam-me sempre bem. E os outros excessos também.
Em Setembro lesionei-me numa perna, tive de parar durante 3 semanas. Durante o resto do ano corri centenas de quilómetros, andei largas dezenas e fartei-me de pedalar.
Houve momentos em que me senti profundamente só. Mas teci novas cumplicidades e reforcei laços de toda uma vida. Vi gente contente à minha volta.
Ao contrário do que seria de esperar, não me deixo impressionar pelas nuvens negras. Feitas as contas, evitando olhar as coisas pelo ângulo morto, este foi um ano cheio, onde aprendi imenso em tantas situações de grande exigência e em momentos de grande emotividade.
Saboreei algumas vitórias e continuo com alguns assuntos por resolver. Há episódios e experiências que não quero repetir e outras que gostava de compreender melhor.
Há coisas que faria de outra forma e outras que, por incrível que pareça, repetiria sem hesitar. Sei que podia ter feito tantas outras escolhas. Azar, fiz as que fiz e não há volta a dar.
Sei também que há muitas decisões por tomar e toda uma vida por (re)construir. Desde já, não preciso chegar a 2010 para pensar no assunto.
26.12.09
[das palavras]
"Como tudo, as palavras têm os seus quês, os seus comos e os seus porquês. Algumas, solenes, interpelam-nos com um ar pomposo, dando-se importância, como se estivessem destinadas a grandes coisas, e, vai-se ver, não eram mais do que uma brisa leve que não conseguiria mover uma vela de moinho, outras, das comuns, das habituais, das de todos os dias, viriam a ter, afinal, consequências que ninguém se atreveria a prever, não tinham nascido para isso, e contudo abalaram o mundo."
José Saramago, in Caim
25.12.09
[for something completely different...]
Natal
Nasce um deus. Outros Morrem. A verdade
Nem sei se foi: o Erro mudou.
Temos Agora uma outra Eternidade,
E era sempre melhor o que passou.
Cega, a Ciência a inútil gleba lavra.
Louca, a fé vive o sonho do seu culto.
Um novo deus é só uma palavra.
Não procures nem creias: tudo é oculto.
Fernando Pessoa,
in Ficções do Interlúdio
















