31.12.09

#2
[12 fotos para 2009]

Janeiro
desassossego
Desassossego

Fevereiro
detergente com cheirinho a flores
Detergente com cheirinho a flores

Março
As bandeiras dos nossos Pais
As bandeiras dos nossos pais

Abril
glaciar break
Glaciar Break

Maio
there's a tree
There's a tree

Junho
içar
Içar

Julho
oil
Oil

Agosto
is this love?
Is this love?

Setembro
chess
Chess

Outubro
roof on a table
roof on a table

Novembro
não há acordo
Não há acordo

Dezembro
s
S
#1
[o meu maior desejo para 2010]

É voltar a acreditar na poesia. E nos sinais.
Até lá, ofereçam-me apenas prosa e não me peçam para afinar nas entrelinhas.

30.12.09

#1
[a não perder]
Os barbudos de Alberto Korda
Korda DESconhecido
até 31/01/2010 na Cordoaria
www.korda.com.pt

28.12.09

#1

[estranha forma de vida]

Tenho lido por aí alguns desses habituais balanços que se fazem por alturas do fim de ano. Decidi fazer o mesmo.

Tive um ano intenso e trabalhei que nem um mouro, muitas horas por dia e muitas semanas sem uma pausa digna desse nome. Chego ao fim de Dezembro e ainda tenho sete dias úteis de férias para gozar. Fiz coisas chatas, que não me deram gozo nenhum.

Averbei duas derrotas de vulto. Embora tenham sido colectivas e eu tenha feito tudo o que podia, pelo papel central que tinha nos dois processos, fico a sensação de que vi a minha vida para sempre transformada.

Ainda mantenho velhas contas por acertar com o mestrado. É uma história trágico-existencial, que me provoca inércia, come o tempo livre e me enche de remorsos.

Viajei menos do que gostava. Mas mais do que a maioria das pessoa que conheço. As duas viagens que fiz foram maravilhosas e, posso dizê-lo, a Argentina ganhou um lugar especial no meu coração.

Tive poucos momentos em que consegui desligar da realidade e relaxar. Mas vi filmes que me marcaram, li muitos livros (muitos mesmo), fotografei, ouvi velhas e novas músicas, dei asas à criatividade, comi petiscos de fazer água na boca.

Apesar das dores de cabeça, os copos que bebi souberam-me sempre bem. E os outros excessos também.

Em Setembro lesionei-me numa perna, tive de parar durante 3 semanas. Durante o resto do ano corri centenas de quilómetros, andei largas dezenas e fartei-me de pedalar.

Houve momentos em que me senti profundamente só. Mas teci novas cumplicidades e reforcei laços de toda uma vida. Vi gente contente à minha volta.

Ao contrário do que seria de esperar, não me deixo impressionar pelas nuvens negras. Feitas as contas, evitando olhar as coisas pelo ângulo morto, este foi um ano cheio, onde aprendi imenso em tantas situações de grande exigência e em momentos de grande emotividade.

Saboreei algumas vitórias e continuo com alguns assuntos por resolver. Há episódios e experiências que não quero repetir e outras que gostava de compreender melhor.

Há coisas que faria de outra forma e outras que, por incrível que pareça, repetiria sem hesitar. Sei que podia ter feito tantas outras escolhas. Azar, fiz as que fiz e não há volta a dar.

Sei também que há muitas decisões por tomar e toda uma vida por (re)construir. Desde já, não preciso chegar a 2010 para pensar no assunto.

#1
[basta determinar a fronteira]


Vale mais tarde do que nunca, respondeu o anjo com prosápia, como se acabado de enunciar uma verdade primeira, Enganas-te, nunca não é o contrário de tarde, o contrário de tarde é demasiado tarde, respondeu-lhe caim.

José Saramago, in Caim

26.12.09

#1
[das palavras]

"Como tudo, as palavras têm os seus quês, os seus comos e os seus porquês. Algumas, solenes, interpelam-nos com um ar pomposo, dando-se importância, como se estivessem destinadas a grandes coisas, e, vai-se ver, não eram mais do que uma brisa leve que não conseguiria mover uma vela de moinho, outras, das comuns, das habituais, das de todos os dias, viriam a ter, afinal, consequências que ninguém se atreveria a prever, não tinham nascido para isso, e contudo abalaram o mundo."

José Saramago, in Caim

25.12.09

#1
[for something completely different...]


Natal
Nasce um deus. Outros Morrem. A verdade
Nem sei se foi: o Erro mudou.
Temos Agora uma outra Eternidade,
E era sempre melhor o que passou.

Cega, a Ciência a inútil gleba lavra.
Louca, a fé vive o sonho do seu culto.
Um novo deus é só uma palavra.
Não procures nem creias: tudo é oculto.

Fernando Pessoa,
in Ficções do Interlúdio

23.12.09

#1
[ainda podem ver]

Gangland, de João Pina
Kgaleria, Lisboa

22.12.09

#1
[do primeiro dia de inverno]

A parte boa é que, a partir de hoje, os dias começam a crescer.

18.12.09

#3
[Así es]

Onde começou problema das alterações climáticas? Quem é responsável? Se queremos salvar o planeta temos mudar o sistema capitalista.

Evo Morales, discursando hoje na cimeira de Copenhaga
#2
[manual para abordar miúdas giras I]

Ontem provoquei uma reacção em cadeia: derrubei um escaparate de livros.
Juro que não foi de propósito.
#1
[falta resolver o problema do Sahara]

Aminatu

"Isto é uma vitória para o direito internacional, para a justiça internacional e para a causa saharauí", declarou a activista antes de partir para El Aiún. Aminetu Haidar regressou à sua terra.

Aminetu Haidar em greve de fome há 32 dias, fez estas declarações à comunicação social no próprio hospital, onde tinha sido internada durante a madrugada desta quinta-feira, e antes de sair em direcção ao aeroporto de Lanzarote. Agora já está em sua casa, em El Aaiún, no Sáhara Ocidental. Partiu do aeroporto ontem à noite, às 22h23 (hora das Canárias) num avião medicalizado enviado pelo Governo espanhol.


ler mais

17.12.09

#2 [Vá-se lá perceber...]

A indefinição que paira sobre a cimeira de Copenhaga deixa o mundo em suspenso. Aguardamos para saber se há ou não acordo para diminuir as emissões e se os países ditos ricos estão ou não dispostos a compensar os países pobres e emergentes (pela exploração e por tudo o que lhes roubaram) para que a sua economia se possa adaptar às exigências globais.
Enquanto isso, e totalmente em contra ciclo, o país anda preocupado com uma corrida de aviões que, ao que parece, se vai transferir do Porto para Lisboa...
#1 [Dos terramotos]

As estruturas rijas não tremem. Às vezes caiem e nem se apercebem.
Outras vezes ficam estupidamente de pé, enquanto as ruínas se espalham à sua volta.

16.12.09

#1 [juro... isto vinha no Correio da Manhã]

Limpeza mais útil do que a Banca
CM, 15 de Dezembro de 2009

As empregadas de limpeza dos hospitais são muito mais úteis à sociedade do que, por exemplo, os banqueiros ou gestores, e por isso deveriam ter salários equiparados aos benefícios que trazem, afirma um estudo elaborado pela New Economics Foundation no Reino Unido. As funcionárias de limpeza criam uma riqueza de 11 euros por cada euro que ganham, ao passo que os banqueiros destroem 7,7 euros por cada euro que ganham.

ver estudo

14.12.09

#2
[grande porra, isto da poesia]

Desertei das falanges do ouro
para vir sitiar a tua sombra.
Movias-te como se jamais te prendesse
outra lealdade
que não a interrogação
de um cais. E, porém,
os teus olhos silenciosos,
somando as imagens.
Qual pano,
desce sobre a cidade o músculo
das coisas prementes.
Das safras de pólvora colhi a tua incerteza
de rapariga. Depois, perdi-te
entre os prodígios.

Vasco Gato,
in Cerco Voluntário
(Cadernos do Campo Alegre/13, 2009)

#1 [ensaio sobre a lucidez]

Tem dito que acredita que vai vencer, que Marrocos vai ceder. Mas, e se isso não acontecer?

Eu estou segura, tenho a certeza de que Marrocos prefere a minha morte. Estou segura, tenho a certeza. E que mantém a sua posição para me fazer perder tempo, que vai manter a sua posição à espera que me aconteça uma tragédia. Mas, ao mesmo tempo, confio na solidariedade internacional que se gerou. Eu não posso fazer previsões. Não posso dar nenhumas garantias. Não posso dizer que vou resistir. Mas também não posso dizer que não vou resistir. O momento pode chegar. Nem eu nem os médicos podemos controlar o meu estado. Entrei numa situação muito crítica. Tenho forças ainda, mas mesmo tendo forças, nada garante que num dado momento o meu coração não vá parar.

Aminetu Haidar, em entrevista ao Público, 14 de Dezembro de 2009
Ver entrevista completa

12.12.09

#1 [...]

Adiamento

Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã…
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não…
Não, hoje nada; hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjectividade objectiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um eléctrico…
Esta espécie de alma…
Só depois de amanhã…
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-rne para pensar amanhã no dia seguinte…
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos…
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o mundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã…
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro…

Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
Só depois de amanhã…
Quando era criança o circo de domingo divertia-me toda a semana.
Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha infância…
Depois de amanhã serei outro,
A minha vida triunfar-se-á,
Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e prático
Serão convocadas por um edital…
Mas por um edital de amanhã…
Hoje quero dormir, redigirei amanhã…
Por hoje, qual é o espectáculo que me repetiria a infância?
Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã,
Que depois de amanhã é que está bem o espectáculo…
Antes, não…
Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei.
Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser.

Só depois de amanhã…
Tenho sono como o frio de um cão vadio.
Tenho muito sono.
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã…
Sim, talvez só depois de amanhã…

O porvir…
Sim, o porvir…


Álvaro de Campos,

Ficções do Interlúdio

11.12.09

#1
[a inocência é uma virtude]

7.12.09

#1
[à medida]

O tempo aqui parou
Desde que te foste embora
Só a saudade ficou
já não aguento tanta demora