16.12.09

#1 [juro... isto vinha no Correio da Manhã]

Limpeza mais útil do que a Banca
CM, 15 de Dezembro de 2009

As empregadas de limpeza dos hospitais são muito mais úteis à sociedade do que, por exemplo, os banqueiros ou gestores, e por isso deveriam ter salários equiparados aos benefícios que trazem, afirma um estudo elaborado pela New Economics Foundation no Reino Unido. As funcionárias de limpeza criam uma riqueza de 11 euros por cada euro que ganham, ao passo que os banqueiros destroem 7,7 euros por cada euro que ganham.

ver estudo

14.12.09

#2
[grande porra, isto da poesia]

Desertei das falanges do ouro
para vir sitiar a tua sombra.
Movias-te como se jamais te prendesse
outra lealdade
que não a interrogação
de um cais. E, porém,
os teus olhos silenciosos,
somando as imagens.
Qual pano,
desce sobre a cidade o músculo
das coisas prementes.
Das safras de pólvora colhi a tua incerteza
de rapariga. Depois, perdi-te
entre os prodígios.

Vasco Gato,
in Cerco Voluntário
(Cadernos do Campo Alegre/13, 2009)

#1 [ensaio sobre a lucidez]

Tem dito que acredita que vai vencer, que Marrocos vai ceder. Mas, e se isso não acontecer?

Eu estou segura, tenho a certeza de que Marrocos prefere a minha morte. Estou segura, tenho a certeza. E que mantém a sua posição para me fazer perder tempo, que vai manter a sua posição à espera que me aconteça uma tragédia. Mas, ao mesmo tempo, confio na solidariedade internacional que se gerou. Eu não posso fazer previsões. Não posso dar nenhumas garantias. Não posso dizer que vou resistir. Mas também não posso dizer que não vou resistir. O momento pode chegar. Nem eu nem os médicos podemos controlar o meu estado. Entrei numa situação muito crítica. Tenho forças ainda, mas mesmo tendo forças, nada garante que num dado momento o meu coração não vá parar.

Aminetu Haidar, em entrevista ao Público, 14 de Dezembro de 2009
Ver entrevista completa

12.12.09

#1 [...]

Adiamento

Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã…
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não…
Não, hoje nada; hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjectividade objectiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um eléctrico…
Esta espécie de alma…
Só depois de amanhã…
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-rne para pensar amanhã no dia seguinte…
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos…
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o mundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã…
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro…

Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
Só depois de amanhã…
Quando era criança o circo de domingo divertia-me toda a semana.
Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha infância…
Depois de amanhã serei outro,
A minha vida triunfar-se-á,
Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e prático
Serão convocadas por um edital…
Mas por um edital de amanhã…
Hoje quero dormir, redigirei amanhã…
Por hoje, qual é o espectáculo que me repetiria a infância?
Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã,
Que depois de amanhã é que está bem o espectáculo…
Antes, não…
Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei.
Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser.

Só depois de amanhã…
Tenho sono como o frio de um cão vadio.
Tenho muito sono.
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã…
Sim, talvez só depois de amanhã…

O porvir…
Sim, o porvir…


Álvaro de Campos,

Ficções do Interlúdio

11.12.09

#1
[a inocência é uma virtude]

7.12.09

#1
[à medida]

O tempo aqui parou
Desde que te foste embora
Só a saudade ficou
já não aguento tanta demora

6.12.09

#1
[e a liberdade uma maluca]


que sabe quanto vale um beijo
#1
[Companheiro Victor Jara...]

Presente!!!

5.12.09

#1 [...]

Isso pode resvalar para o saudosismo, os bons tempos e semelhantes asnices, não há bons tempos, só há tempos. Nada de saudosismo, saudosismo é uma espécie de masturbação sem verdadeiro prazer, uma inutilidade atranvancadora, que no máximo pode ser empregada para brincadeiras, mas geralmente é perca de tempo mesmo. Não, nada disso. Aqueles tempos tinham o seu charme, mas eram duros também, cada tempo tem a sua dureza , com mil perdões pela filosofia de botequim.

João Ubaldo Ribeiro,
in A Casa dos Budas Ditosos

4.12.09

#1[...]

Chega um tempo em que um homem se interroga
sobre o último sentido ou o sem sentido
o como o quê o para quê e o para onde
um tempo de balanço em que se mede
o vivido e o não vivido. E o poema escreve-se

nesse pensar o que podia ter sido e que não foi
um amor adiado para sempre perdido
como parte da vida que fica para o dia seguinte
para aquela ocasião que nunca chega
e o poema escreve-se nesse quase remorso

ou essa nostalgia de si mesmo
(…)

Manuel Alegre, in Sete Partidas

3.12.09

#1 [Tetro] A história e a forma como é contada, o preto e o branco, as sombras e a luz, o Gallo e a Maribel Verdú... e Buenos Aires.

2.12.09

#1 [A pastelaria Suíça esclarece]

Informam-se os estimados clientes que as pirâmides de chocolate à venda neste estabelecimento não devem ser confundidas com minaretes.

A Gerência

1.12.09

#1
[...]

Now I've heard there was a secret chord
That David played, and it pleased the Lord
But you don't really care for music, do you?
It goes like this
The fourth, the fifth
The minor fall, the major lift
The baffled king composing
Hallelujah
Hallelujah
Hallelujah

30.11.09

#1
[efemérides]

Há cinco anos, mais ou menos por esta hora, Sampaio anunciava a Santana Lopes que o seu (des)governo tinha chegado ao fim da linha.

29.11.09

#1
[a mastigar]


(...)
Num dia emigram as pessoas de um ano, nunca mais os "abraça-me" nem caroços de azeitona.
Eu fico e pelos menos esta noite não sinto falta deles.
Adormeço à mesa, acordo um pouco antes do amanhecer.
Tenho de recomeçar e habituar-me aos dias de boca calada.
Pego no livro suspenso na marca, volto a acertar o passo pelo dele, pela respiração de um outro que conta. Se também eu sou um outro é porque os livros mais do que os anos e as viagens mudam os homens.
Passadas muitas páginas acaba-se por aprender uma variante, um movimento diferente do executado e que se cria inevitável.
Afasto-me daquele que sou quando aprendo a tratar de outro modo a mesma vida.

(...)

Erri de Luca,
in Três cavalos

27.11.09

#1
[nem se acredita...]

A activista iraniana dos direitos humanos Shirin Ebadi revelou que as autoridades iranianas lhe confiscaram a medalha e o diploma recebidos quando foi premiada com o Nobel da Paz, em 2003.
Ebadi foi juíza até à revolução islâmica de 1979, altura em que foi "despromovida" a secretária do ministério da justiça. Mais tarde conseguiu, ao fim de muitos anos de luta com as autoridades, reabrir um escritório para exercer advocacia.
Enquanto escritora, tornou-se conhecida com A Gaiola de Ouro, livro onde relata a história verídica de três irmãos que, durante as décadas de 70 e 80, se dividiram nas três principais facções da política iraniana - os apoiantes do Xá, os apoiantes do república islâmica e os comunistas.
O prémio Nobel da paz foi-lhe atribuído pelo papel de defesa dos direitos humanos e de denúncia dos atropelos cometidos pelo regime dos mullah.

24.11.09

#1
[Separados à nascença?]















Digam lá que o PR e o personagem do filme deste natal não são parecidos?

23.11.09

#2
[antes que me esqueça]


A crítica é demolidora. Eu adorei.
# [já ouvi isto em algum lado...*]

And so she woke up
Woke up from where she was
Lying still
Said I gotta do something
About where we're going


(...)


*é uma das minhas favoritas dos 4 irlandeses

22.11.09

#1 [pure]

21.11.09

#1 [Acordai**]

VOZ

Na sua aparente invisibilidade, a precariedade está em muito do que são as nossas vidas, por detrás dos pequenos gestos do dia a dia, como aquele SMS onde dizemos do amor, da comida que nos mitiga a fome ou da roupa que conforta.

A precariedade está também na cultura. Não só no trabalho de quem a faz, como na lógica que procura determinar a sua produção.

Foi em defesa da cultura que se levantou um amplo movimento de contestação a uma alteração legal promotora da elitização, e consequente precarização, do ensino da música. O momento mais visível desta onda foi uma manifestação em frente à Assembleia da Republica, em Fevereiro de 2008.

Foi o protesto mais belo onde alguma vez estive. As massas trabalhadoras eram agora um coro, uma orquestra, um naipe, uma turma de iniciação. No meio de cartazes e pancartas, violinos, violoncelos e um piano. Por entre palavras de ordem, claves de sol.

A substituir os discursos inflamados, a música. Ainda hoje consigo ouvir o eco daquela heróica de Lopes Graça que, no conforto do sol invernal, a todos e todas incitava... Acordai!


** Este texto e esta foto são um contributo para a campanha Recibos Verdes: antes da Dívida temos Direitos

20.11.09

#1 [...]

19.11.09

#1
[da literatura]

A EDP escreveu ao coronel.

17.11.09

#1
[a arte de nomear]

Dar um nome às coisas, aos sentimentos ou a alguns objectos quotidianos, é um primeiro passo para um convívio mais confortável, para (des)construir ideias persistentes.
Ontem burilei uma palavra. Talvez agora consiga aprimorar.

10.11.09

#1

[As minhas memórias do muro]

I

A cidade abria-se debaixo dos nossos pés. Estava sol.

De repente, dei com o seu sorriso expectante. Soube de imediato que ela vira algo que me ia surpreender.

Rodei sobre mim e foi então que vi o Muro. Ou um pouco do dele sobrava .

Emocionado, acariciei o betão, tentando roubar-lhe um pouco de memória.

II

A fúria de apagar as diferenças era por demais evidente. Mas, apesar dos esforços, havia ainda, nesse verão de 2000, um muro que se pressentia.

A cidade era desigual na arquitectura, com a do socialismo dito real e a degradação da arte nova nos nos bairros de leste a contrastar com o clean ocidental. Mas também a simpatia diferenciava aqueles que, anos antes, haviam recordado ao mundo que eram um só povo.

As gruas pareciam ser um elemento natural da paisagem. Foi a partir daí que a imagem desses gigantes que espreitam por entre os espaços abertos das cidade passou a ser por mim designada como “paisagem berlinense”.

III

No bolso trazíamos moedas de 2,5 escudos, tão parecidas com as de meio marco que as máquinas de chocolates as multiplicavam por 40 e ainda davam troco.

Procurávamos sinais do passado, o ar que inspirara David Bowie ou os U2, os restos dessa efusiva felicidade que me recordava ter visto na TV numa noite de quinta-feira (haverá algum convénio para que os grandes dias sejam à quinta?). Encontrámos um pouco de tudo isso e ainda mais: um sonho de uma noite de verão à beira do Spree com lua cheia, um chá e a vodka na casa de amizade da RDA e da República Soviética do Cazakistão, uma tempestade de verão, os restaurantes turcos, os jardins nos logradouros, os bares cheios de vida, gente a cuspir fogo, o inconfundível som dos trabants...

IV

Nos dias que se seguiram à queda, Stefan insistiu em dar o seu contributo para desmantelar a cortina de ferro. Como era um visionário, apesar de ter 6 anos, insistiu em guardar aquelas pedras. Martina, que já devia estar a sentir uma certa ostalgia bem disposta que a caracteriza, não teve como recusar a exigência do filho.

O Muro ficou lá por casa, como se fosse parte da família. E ainda hoje lá devam estar alguns desses pedaços de memória, guardados numa caixa de sapatos que se vai esvaziando à medida que viajantes ocasionais ou amigos de outras latitudes, como eu, lhes vão ocupando o sofá.

8.11.09

#2 [...]
bye

Encontro
Visito esse lugar.
Procuro-te nesse recanto habitual.
Sei que não estarás lá,
mas finjo ignorá-lo.
Procuro pensar que saíste,
que saíste há pouco,
numa ausência breve,
como se tivesses saído
para logo regressares.
Quando tu chegasses, se chegasses,
dir-te-ia: tu lembras-te?
E o verbo acordaria ecos,
nostalgias distantes,
velhos mitos privados.
Sei que não virás,
conjecturo até, por vezes,
teus distantes, inúteis,
diálogos numa praça gris
que imagino em tarde de invernia.
Então disfarço, ponho-me
a inventar, por exemplo,
uma longilínea praia deserta,
uma fina, fria, nebulosa
praia,
muito silenciosa e deserta.
Pensando nela fito de novo
este lugar e digo para mim
que apenas partiste
por um breve instante
E sigo. E de novo protelo
este encontro impossível.

Rui Knofli, in Álbum
#1 [...]

(...)
Todas as utopias começam com conversões. As pessoas despedem-se das suas antigas religiões, convicções e modos de vida e empenham-se num projecto utópico. Despedir-se e empenhar-se - é isso que uma conversão significa, e não um raio caindo do céu, ou um renascer, ou um êxtase ou qualquer coisa do género. Embora isso também possa acontecer. (...)


Bernhard Schlink, in O outro homem e outras histórias

5.11.09

#1
[Os dias sem ti]

Megafone 5

Ao primeiro embate, algum desconforto.

Naquele álbum de título ligeiramente leninista, o “punk vermelhusco” estava cada vez mais travestido e o som entrava por territórios inesperados. A voz do João era mais grave, apesar de manter a alegria e a energia que já lhe conhecia. Dava vida à poesia e atrevia-se cada vez mais pelo fado, o que era difícil de encaixar.

A pouco e pouco fui digerindo tudo aquilo e o disco (já gravado numa cassete que rodou até se cansar) ganhou estatuto de indispensável. Além de transpirar ironia e boa disposição, aquelas canções falavam de coisas que eu vivia e sentia. Ainda hoje é assim. Tenho o dobro da idade e já não estou apaixonado pela colega da carteira da frente, mas o amor continua a ser um bicho e eu, cada vez mais, uma noz.

A releitura do primeiro tomo dos Sitiados foi o passo seguinte, porque, se a vida de marinheiro era já um clássico, muito havia ainda para descobrir.

Passei a acompanhar, ao longo dos anos, o trabalho do João e de seus comparsas. Nunca o conheci pessoalmente, mas as nossas estradas foram-se cruzando, já que tínhamos amigos e referências em comum.

Lembrei-me de tudo isto ontem no CCB. Estive no Megafone 5, uma bela festa que os amigos e as amigas do João lhe fizeram. Foi uma noite de boa música e de muitas emoções. Gostei muito dos Dead Combo, achei os Gaiteiros de Lisboa um pouco abaixo do que já lhes vi e, apesar de lhes reconhecer o virtuosismo, continuo sem me encontrar com os Oquestrada.

No princípio do espectáculo, o Carlos Guerreiro tratou de desmentir que “os dias sem ti são dias a mais”, essa frase que nos ecoa no íntimo desde Janeiro. Dizia o gaiteiro que estávamos ali para uma festa e não para uma homenagem. Era assim que o João gostava e, de facto, por mais dura que seja a realidade, não há dias a mais.

A fechar a noite, A Naifa. A Sandra ocupou o lugar do seu companheiro de sempre ao baixo e tudo rolou, com direito a confissões sobre o trabalho criativo e a subida ao palco dos pais do João, para um discurso emocionado (e emocionante).

Foi uma bela noite.

4.11.09

#2 [happy birthday]

As personagens de plasticina da série Wallace & Gromit , criada por Nick Park em 1989, celebram hoje o seu vigésimo aniversário.

2.11.09

#1
[Alda Merini, 1931-2009]

Torna amore
vela delicata e libera
che occupi
il pensiero della mia terra

sto morendo sulla grandiosità di un fiume
che è rosso di desiderio
e vorrebbe
travolgere il tuo amore.

1.11.09

#1
[...]

Os muros. Todos
os muros. Um
só muro. E toda
a sede. E todo
o sal
do mar

no peito.

Albano Martins,
in
As vogais aliterantes

28.10.09

#1
[...]

...
Drummer bleeding
It's his pulse you're feeling
Singer screaming
Words you been feeling

Oh you see it working
You and me been hurting
All the time we're being spun
Just to sing song
Sing song sung
...

Air - Sing Song sung

13.10.09

#1
[Isto é um até já...* ]

Allegria di naufragi

E subito riprende
il viaggio
come
dopo il naufragio
un superstite
lupo di mare

Giuseppe Ungaretti

* com pena que haja quem tenha escolhido ficar em terra
 

12.10.09

#1 [um dia que acaba, outro que começa]

Apesar das ruínas e da morte,
Onde sempre acabou cada ilusão,
A força dos meus sonhos é tão forte,
Que de tudo renasce a exaltação
E nunca as minhas mãos ficam vazias.

Sophia de Mello Breyner Andresen, Poesia (1944)

10.10.09

#1
[there's hope]
there's hope
Depois de meses a mirrar, a buganvília cá de casa volta a encher-se de vida, como que uma esperança que se sobrepõe à incerteza.

25.9.09

#1
[...]

falou-me com duas pedras na mão
eu atirei-lhas de volta
por pouco não lhe rachei a cabeça
parti o vidro duma montra
ficou parecida com uma teia de aranha
chovesse, então, era uma maravilha
veio um polícia e levou-me
bem lhe expliquei a situação
visivelmente não compreendeu
que uma metáfora por vezes
tem consequências pouco legais
multou-me e aconselhou-me
a não reincidir
coisa que fiz logo de seguida

Bénédict Houard,
[in Aluimentos, Cotovia, 2009]

21.9.09

#1
[that i've never forgotten]

(...)
We lean against railings
Describing the colours
And the smells of our homelands
Acting like lovers
How did we get here?
To this point of living?
I held my breath
And you said something

18.9.09

#1
[...]

I dreamed it was a dream that you were gone
I woke up feeling so ripped by reality
Yeah, love is the king of the beasts
And when it gets hungry it must kill to eat
Yeah, love is the king of the beasts
A lion walking down city streets


Bill Callahan

12.9.09

#1
[matinal]

Passa, lento vapor, passa e não fiques... Passa de mim, passa da minha vista, Vai-te de dentro do meu coração, Perde-te no Longe, no Longe, bruma de Deus, Perde-te, segue o teu destino e deixa-me... Eu quem sou para que chore e interrogue? Eu quem sou para que te fale e te ame? Eu quem sou para que me perturbe ver-te? Larga do cais, cresce o sol, ergue-se ouro, Luzem os telhados dos edifícios do cais, Todo o lado de cá da cidade brilha...

Álvaro de Campos In “Ode Marítima”

6.9.09

#1
[Velhas canções]


Please open your hand when you don't know how to do,
You want my life, but you've just said no more,
Everything is just my fault, the life well done,
I can't understand you more yeah

4.9.09

#1 [dos sonhos]

Ignorar as mensagem que o subconsciente nos transmite é não ter coragem de olhar para nós próprios.

3.9.09

#1 
[...]

you know my love goes with you as your love stays with me,
it's just the way it changes, like the shoreline and the sea,
but let's not talk of love or chains and things we can't untie,
your eyes are soft with sorrow,
Hey, that's no way to say goodbye.

2.9.09

#2
[para memória futura]

"Presto homenagem aos 60 milhões de mortos causados por esta guerra desencadeada pela Alemanha. Não existem palavras que possam descrever o sofrimento causado por esta guerra e pelo holocausto."

Angela Merkel, Chanceler Alemã, discursando na cerimónia que assinalou os 70 anos do início da II Grande Guerra.
#1
[de passagem]


E quando tu olhares para o lado
Será que tens alguém
Alguém que sinta e que queira
Tanto mais que tu e eu

há muitos que um disco dos Xutos não me entusiasmava tanto.

31.8.09

#1 [há frases que valem por todo um livro]

(…)

Estávamos sentados à mesa quando ela, dando continuidade a algum pensamento do qual não nos deu pormenores, disse de repente, Quando às vezes vejo que se cometem tantos erros e que muitas coisas se fazem mal, dói-me e fico irritada, mas, ao contrário do que acontece a alguns, não me dá vontade de abandonar o barco, mas sim de trabalhar mais para deixar bem claro aos incompetentes, aos burocratas, aos preguiçosos e até a mim própria que não permitiremos que se deite a nosso Revolução a perder porque não voltaremos a ter outra oportunidade como esta e isso sabemos nós, os pobres, melhor que ninguém. (…)

Senel Paz, in No céu com diamantes

29.8.09

#1
[noite de verão]

falta quem queira
partilhar os grilos

24.8.09

# [da insónia]

Continuo sem perceber em que curva nos perdemos do caminho.

22.8.09

#1
[reflexos de um certo amanhecer com a Sicília]

Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.

Alberto Caeiro, in Pastor Amoroso

20.8.09

#1
[antes que o dia termine*]

Hoje o dia foi um pouco mais luminoso: Nasceu a Clara.
Sumo na vida é o que eu lhe desejo.

*Afinal nasceu a 19. tudo o resto é válido.

19.8.09

#1
[..]

eu perco a hora
eu chego no fim
eu deixo a porta aberta
eu não moro mais em mim


18.8.09

#1 [...]

O que na verdade sou e a verdade
Pode ser elevada à coisa sonhada
Reinventada por muito se querer
E eu quero ser o teu amante


13.8.09

#1[it's a Karma]

(...)
I've given all I can
It's not enough
I've given all I can
But we're still on the payroll

Radiohead, Karma Police

9.8.09

#1 [lost sounds]

6.8.09

#1 [...]

2.8.09

#1 [porque hoje é 2 de Agosto]

A memória é tramada. Tentamos pôr-lhe portas corta fogo para controlar estragos, mas ela acaba sempre por nos apanhar desprevenidos.
Este ano, por razões diversas, chego a dois de Agosto e dou comigo em casa, sentado no sofá, a ver o céu raiado de vermelho e a lembrar-me por onde andei em anos anteriores: Estocolmo e Riga, Bucareste, Graz, Miranda do Douro, Florença. Em 2003 não me lembro onde andava, mas estava algures na estrada (disse-me o blog) e, faz hoje 7 anos, foi neste dia que acabei o curso.
Aqui continuarei, pela noite fora, a ler e a pensar no que tenho para fazer nos próximos dias, sonhando com a libertação.

31.7.09

#1
[tão simples quanto isto...]


(...)

se parece tanto com a eternidade
e que o amor, na verdade
só se cansa de ti
se de ti mesmo te cansas

(...)

Sérgio Godinho, in Definição do Amor

26.7.09

20.7.09

#1 [tributo a Buzz Aldrin, Neil Armstrong e Michael Collins]*

Há Muito tempo
Passos descalços restolhando pela estrada de macadame
pernas curtidas descrevendo arcos desengonçados
O destino incerto, a dúvida quente
O céu descoberto, o futuro longe
E o passado incapaz de conter a ambição imprudente

Há muito tempo, há muito tempo...
Demos tudo o que tivemos
Para agarrar o tempo

Teias de ferro fortificam a cidade industrial
Que se alimenta do suor dos corpos mecanizados
O aço temperado, a manufactura
O montro acordado, o inconsciente activo
E ninguém sabe aonde irá desembocar a aventura

Há muito tempo, há muito tempo...
Nós passámos tento tempo
Para estragar o tempo

Domingo à tarde, o planeta está colado à televisão
O astronauta domestica a lua com gestos lentos
O mar entulhado, o céu mais cinzento
A publicidade, o perigo iminente
E a sensação da alma não acompanhar o movimento

Há muito tempo, há muito tempo...
Ninguém fica indiferente
Ao sabor do tempo

Jorge Palma

* e ainda há quem não acredite que, faz hoje 40 anos, a Apolo 11 chegou à Lua...

11.7.09

#1

[Perfeito Vazio]

Aqui estou eu
Sou uma folha de papel vazia
Pequenas coisas
Pequenos pontos
Vão me mostrando o caminho

Às vezes aqui faz frio
Às vezes eu fico imóvel
Pairando no Vazio
As vezes aqui faz frio

Sei que me esperas
Não sei se vou lá chegar
Tenho coisas p’ra fazer
Tenho vidas para a acompanhar

Às vezes lá faz mais frio
Às vezes eu fico imóvel
Pairando no vazio
No perfeito vazio
Às vezes lá faz mais frio

(lá fora faz tanto frio)

Bem-vindos a minha casa
Ao meu lar mais profundo
De onde saio por vezes
Para conquistar o mundo

Às vezes tu tens mais frio
Às vezes eu fico imóvel
Pairando no vazio
No perfeito vazio
Às vezes lá faz mais frio
No teu peito vazio

Xutos e pontapés, 2009

Ouvir aqui

6.7.09

#1
[vou embarcar, mordam-se!!]

não sei quem me mandou este SMS nem para onde ia.... mas fiquei cheio de inveja.

15.6.09

#1 [O Leitor]

Não vi aquele que foi considerado um dos filmes do ano. Tenho pena.
Ontem li o livro. De uma ponta à outra, quase sem respirar.
Apesar da escuridão, sinto-me luminoso.

3.6.09

#1
[três lágrimas por Cavaco]

Aníbal serviu o capital durante anos. Era um homem sem mácula, bom aluno, dedicado e sisudo.
Preparou o país para um futuro de quimeras...
Amigos teve que lhe prometeram o sossego na reforma. Feitas as contas, muito se terá perdido das economias de uma vida.
Aníbal está triste, caiu no conto de um vigário da sua congregação.

1.6.09

#1
[no dia 7, responde ao PS]Vital entrou na graça e reforçou: ”São duas candidatas fantasmas de carne e osso que existem” e Ana Gomes respondeu prontamente “ fazem assombrações, somos especializadas em assombrar”.

16.5.09

#1 [...]

Adiantamento

Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã...
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não...
Não, hoje nada; hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjectividade objectiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um eléctrico...
Esta espécie de alma...
Só depois de amanhã...

Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-me para pensar amanhã no dia seguinte...
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos...
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o mundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã...
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro...

Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
Só depois de amanhã...
Quando era criança o circo de domingo divertia-rne toda a semana.
Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha infância...
Depois de amanhã serei outro,
A minha vida triunfar-se-á,
Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e prático
Serão convocadas por um edital...
Mas por um edital de amanhã...
Hoje quero dormir, redigirei amanhã...
Por hoje, qual é o espectáculo que me repetiria a infância?
Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã,
Que depois de amanhã é que está bem o espectáculo...
antes, não...
Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei. Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser.
Só depois de amanhã...
Tenho sono como o frio de um cão vadio.
Tenho muito sono.
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã...
Sim, talvez só depois de amanhã...

O porvir...
Sim, o porvir...

Álvaro de Campos

8.5.09

#2
[ainda não é desta que largo o P]

Tal como no primeiro número, a segunda edição do jornal I traz uma manchete xenófoba.
#1
[Já voltei....]

As férias (e as viagens) são efémeras.
Mas deixam marcas.

5.4.09

#2 [...]

Gravei, no telemóvel, um lembrete: hoje começam as férias. Temia não me lembrar delas e marcar algum compromisso.
Ainda não me habituei à ideia de desligar. Há mil coisas que parecem ter ficado esquecidas e outras tantas preocupações conexas. Tentarei sobreviver.
A mochila já tem o essencial. Falta apenas um caderno para anotar o essencial que não se mete na mochila.
É tempo de partir.
#1 [tutta la vita davanti]
Entre as risadas que o burlesco gera, há uma infinita tristeza que cresce, uma profunda inquietação que se instala e um nó que se vai apertando.

Tutta la vida davanti

29.3.09

#1
[Roça a genialidade]
Será da idade?

8.3.09

Acerca do sentido

1
Aproxima-te. É assim que consegues encontrar algumas palavras. Estão juntas. Têm um sentido
capaz de vir acompanhar-te como se pelos dedos escorresse um pouco de água, a sua transparência
súbita. Recebe o que elas te podem dar agora, a respiração que fica tranquila e o mesmo aceno
só para que depois consigas compreender como é fácil que tudo se perca nos teus olhos.

2
Que limites existem para a luz? Veio alguém acender esta candeia. À nossa volta, uma pequena chama principia a erguer-se, mas em vão é que ela se conserva perto de nós, quando abrimos devagar as leves páginas cujo sentido se ignora e as fechamos depois sem esperança, como se fosse este o seu destino no interior da noite. Estamos ali adormecidos e havemos de encontrar uma outra luz, maior, que as permita ler.

3
A verdade cabia nos teus olhos, mas estes fecham-se
com um movimento que se torna simples. Apenas a espuma
era trazida pelas ondas e outros vestígios chegaram
de um dia humedecido; depois, vimos como se deteve
e ficou de novo submersa. Mas é dela que talvez se receba
um aviso. Ainda hoje a esperamos quando junto de nós
finalmente se encontra uma nova imagem abandonada
pela proximidade da noite. Sabias que a verdade é um aviso?

4
Quem veio escrever estas palavras? Abre
sem pressa o livro, mas nem sequer o leias
todo. Deixa que fiquem algumas dessas páginas
caídas ao teu lado. Assim talvez encontres
a imobilidade que finalmente existe
no seu interior. É tudo o que recebes
de alguém que nem sequer te pode conhecer
quando faz para ti um derradeiro gesto.

5
As mãos uniram-se e é mais perto que conservam
a dimensão de uma palavra, a última. A elas pertencem
igualmente as trevas que vinham ao encontro de tudo, leves
asas feridas pelo seu movimento, sem qualquer cor
e cada vez mais nossas. Aprendemos a acreditar neste voo,
na altura de uma haste, no próprio olhar atento
a uma linha mais alta para assim encontrarmos
no que nos rodeava a vinda destas aves.

6
Coloquemos um lenço sobre o rosto. Não para o ocultar
mas para que fique mais nítido o que vemos. Essa
há-de ser a margem das nossas feições, a sua mais próxima
brancura. A respiração nem o toca sequer. Outra brisa
começava a atravessar o peito. Ela vem agora ao nosso encontro
sem qualquer ruído, como se as mesmas folhas estivessem
ausentes. Sabemos há muito que é assim. Depois o silêncio
chega, porque foi sempre a ele que estas vozes pertenceram.

7
O que podemos esperar? É mais perto que vês
um caminho. A ele nos habituamos. É deste modo
que consegues compreender-me melhor. Reparas agora
como os gestos podem ficar reduzidos a um único
movimento e as cores à mesma transparência
que as há-de tornar maiores. Encontras o sentido
que pertencia a tudo, para que finalmente seja
apenas nosso, como se olhássemos para longe.

Fernando Guimarães

3.3.09

#1 [...]

As primeiras linhas são sempre as mais complicadas.

28.2.09

#1
[so happy!]

(...)
Bicycle bicycle bicycle
I want to ride my bicycle bicycle bicycle
I want to ride my bicycle
I want to ride my bike
I want to ride my bicycle
I want to ride my
Bicycle races are coming your way
So forget all your duties oh yeah!

(...)

Queen, Bycicle Races

22.2.09

#1
[Gigante]

(...)
Património Mundial
é orgulho com certeza

Falta pôr num pedestal
Aqui não entra a pobreza...

SG, In Domingo no Mundo

16.2.09

#1

[já chega! ]

A história do BPN é uma vergonha. Ainda não se sabe tudo, mas já percebemos que a morasca é grande. É tempo de levantar a voz da cidadania.

Sem condenar ninguém em antecipação, considero que a mentira de Dias Loureiro na comissão parlamentar de inquérito é motivo suficiente para exigir a sua saída do Conselho de Estado.

Por iniciativa própria ou sendo demitido por Cavaco.

Por isso assinei a petição e convido-vos a fazê-lo também.

Passem a Palavra

Ver aqui


"Os cidadãos portugueses abaixo-assinados apelam ao ainda conselheiro Manuel Dias Loureiro que, a bem do bom-nome daquele órgão de soberania e da democracia e dando um sinal claro de que não vê o seu cargo como forma de protecção e que quer o cabal esclarecimento de todos os factos, se demita do Conselho de Estado.

E que, caso este teime em não o fazer, o Presidente da República, que o indicou para o cargo, deixe claro que este conselheiro de Estado já não conta com a sua confiança."



15.2.09

#1
[Milk]
É um lugar comum classificar Milk como um filme notável. Pela interpretação de Sean Pen, diz-se.
Mas também pela história que conta, que eu desconhecia. Harvey Milk era um homem de coragem e teve um papel determinante na luta pelos civil rigths e pelo reconhecimento de um estatuto de "normalidade" a pessoas que, no fim de contas, amam outras pessoas.
E há também a forma intensa como nos faz sentir todo o despertar de um movimento. Para um activista, Milk tem esa dimensão particular, a de retratar a importância da estratégia, da liderança e do colectivo, da esperança e da mensagem, da capacidade de ler os acontecimentos e das escolhas necessárias(concorde-se ou não com elas).
Depois de A Valsa com Bashir e do Complexo Baden-Meinhof, aqui está mais um filme incontornável para quem quer compreender o século XX.

Sobre o filme, vale a pena ler o artigo Eles somos nós do Zé Soeiro.

12.2.09

#1
[Em tempo de reedição]


As Cidadãs, pelas palavras da autora

6.2.09

#1
[Phelps]

No verão passado, vibrei com todas as braçadas que Michael Phelps deu no Cubo de Água, em Pequim.
Dizia-se então que ele era uma máquina. Entretanto, algum amigo da onça pôs uma fotografia a circular, mostrando o nadador a fumar um charro numa festa de universidade.
Embora estivesse de férias desportivas e a consumir uma substância que não faz parte do index do dopping, a indignação foi geral e a condenação por parte da federação e de um dos seus patrocinadores não demoraram a aparecer.
Cá para mim, este o episódio só reforça a simpatia que já tinha por Phelps, uma vez que mostra a sua parte mais humana. O moralismo que hoje o condena será derrotado.

5.2.09

#1
[...]

Só não é belo o que não se deseja
ou que ao nosso desejo mal responde

Jorge de Sena, Exorcismos

4.2.09

#1
[Terra do Fogo]

Há ilhas que, dentro de nós, vão ganhando espaço ao silêncio.

3.2.09

#1
[...]

Hans Beck, o criador dos Playmobil, morreu na sexta-feira aos 79 anos, vítima de doença grave, noticiaram ontem as agências.
(...)
Beck levou três anos a desenvolver os famosos bonecos que se queriam rígidos - deviam ser capazes de segurar pequenos obejctos nas mãos - e resistentes.

O sucesso dos bonecos de sete centímetros de altura e "tamanho ideal para a mão de uma criança" pode também dever-se a uma crise do petróleo que disparou o preço do plástico e dos brinquedos de maiores dimensões.

31.1.09

#1

[...]

Diário de reportagem

Com palavras precisas

(e fina ironia)

relatas o improvável

trajecto do projéctil,

as casas esventradas,

os milagres quotidianos,

a morte lenta e particular

de um povo inteiro.


Se a tensão adensa

e o grito já sufoca,

dizes-nos da dignidade,

oferecendo ao papel

pequenos morangos

cuja doçura, em Gaza,

é antagonista dessa miséria

nada humana.


Pergunto:

haverá suficiente lucidez,

ternura ou raiva,

para escrever tudo

o que os teus olhos

nos querem contar?


Sintra, 31 de Janeiro de 2009

À Alexandra Lucas Coelho, que está em Gaza

30.1.09

#2
[e o aquecimento global também...]


Cavaco Silva teme que nova lei do divórcio aumente número de "novos pobres"
In Público on-line, 30/01/2009
#1
[não estou bem a ver porquê...]

dizem que este anúncio, com Kilie Minogue, foi considerado o mais popular de sempre, entre os que passaram nas salas de cinema britânicas...

27.1.09

#1
[como castigo, fica sem sobremesa durante uma semana...]

"O tio do primeiro-ministro, Júlio Monteiro, confirmou hoje que o filho teve uma reunião com os responsáveis do Freeport, na sequência de um email onde invocava ser familiar de José Sócrates."

Público, 26 de Janeiro de 2009

24.1.09

#2
[diário de reportagem]

Alexandra Lucas Coelho conhece um pouco de Israel e da Palestina. Tem amigos dos dois lados e acompanhou de perto os últimos anos deste conflito.
Desde o início desta ofensiva Israelita na faixa de Gaza, há mais de um mês, que se pressentia, nas entrelinhas dos seus textos, uma indomável vontade de deixar Lisboa e ir ver com os próprios olhos aquilo que lhe iam dizendo por telefone ou chat.
Já lá está, testemunhando e cumprindo o seu ofício de relatar - não deixem de a ler.

#1

[não me venham cá dizer "ah e tal e os rockets..."]

A melhor escola no chão

Alexandra Lucas Coelho, Público, 24.01.2009

É como se um meteorito gigante tivesse caído e esmagado a Escola Americana Internacional de Gaza. Com investimento palestiniano e curriculum americano, era a melhor escola do território, e agora professores e alunos andam entre as ruínas em estado de choque.

Uma mulher encontra um livro de Ciência e agarra-o contra o peito. É Alia, a bibliotecária. Fatin, uma das professoras, abraça Zena, de nove anos, ambas voltadas para os destroços. "Isto aconteceu no dia 3 de Janeiro." Porquê aqui, se à volta não há nada? "Pergunte-lhes", sugere Fatin. "O corpo do guarda foi encontrado em partes, uma metade aqui na frente, outra metade nas traseiras."

Quantos alunos tem a escola? "230", responde logo, num óptimo inglês, a pequena Zena, que mora em Gaza, e até hoje não tem vidro nas janelas. O que fazem para não ter frio? "Vestimos mais roupas."

"Agora não sabemos o que fazer aos estudantes", diz Fatin.

Duas delas estão ao cimo das escadas a discutir. Nur, que tem rabo-de-cavalo e 14 anos, está indignada. "Usam as casas para disparar rockets e se as pessoas não querem têm que deixar a sua casa!" Depois conta que uma das suas melhores amigas morreu na guerra, até que a voz lhe falta, ela baixa a cabeça para se controlar, e começam a pingar lágrimas do nariz.

Fatin, a professora, corre a abraçá-la, e então Nur chora convulsivamente. Quando recupera, diz: "Estou muito zangada com o Hamas. Acho que isto tudo aconteceu por causa dos rockets".

À volta, as colegas contestam. "Não é por causa dos rockets que Israel tem o direito de destruir uma escola destas", clama Habir, de 16 anos. "Eles querem destruir tudo o que é novo, histórico, educacional. Isto é um crime." Dana, de 16 anos com muito acne, concorda, e Habir continua, apaixonadamente. "Se isto é contra o Hamas, porque é que tantos mortos não são do Hamas? E dizem que se estão a defender! Defendem-se de uns rockets que são uma desculpa, só causam um buraco no chão."

Esta discussão sobre o papel do Hamas é geral? "Estamos a discutir desde o princípio da guerra. É difícil não questionar quando não podemos dormir e ir a qualquer lado, e estão a usar armas do céu, da terra e do mar contra nós."

O que querem agora?

"Queremos um governo de unidade nacional", diz Habir. "Só queremos continuar a estudar nesta escola", acrescenta um rapaz, Adam, que veio com os colegas ver a destruição. "Trabalhámos tanto para isto acabar assim."

Yunis, de 18 anos, aparece de chinelos numa pilha de entulho. É irmão do guarda morto. Conta que o pai teve um primeiro filho Salim, que foi morto há anos, e um segundo filho Salim, que morreu - e o terceiro filho Salim era o guarda que foi desfeito em pedaços aqui.

Israel alega que estavam a ser disparados tiros do interior. "Mas a escola estava vazia, e se estivesse aqui alguém o guarda tinha-nos dito", contrapõe Lucy, outra professora. "Eu acordei às três da manhã com o primeiro míssil e antes não ouvi nada", acrescenta o irmão do guarda. "O meu irmão sentia-se seguro, porque era uma escola americana. Antes de morrer, telefonou à família e disse: 'Se sentirem perigo, venham para aqui'.

22.1.09

#1
[A aquecer os motores]
É já no domingo. Apesar dos primeiros 11km serem (quase) sempre a trepar, é das corridas mais bonitas conheço. Começa bem perto do sitio onde nasci (e quase à porta de casa), atravessa a Serra onde cresci e termina no fim da Europa.

20.1.09

#2
[Get on your boots]

Future needs a big kiss
Winds blow with a twist
Never seen a move like this
Can you see it too
Night is falling everywhere
Rockets hit the funfair
Satan loves a bomb scare
But it won’t scare you

Chorus
Yeah sexy boots
Get on your boots yeah

Free me from the dark dream
Candy bars, ice cream
All the kids are screaming but the ghosts aren’t real
Here’s what you gotta be
Love and community
Laughter is eternity if the joy is real

You don’t know how beautiful (2x)
You are
You don’t know
You get it do you
You don’t know
How beautiful you are

If someone’s into blowing up
We’re into growing up
Women are the future
All the big revelations
I’ve gotta submarine, you’ve got gasoline
I don’t wanna talk about wars between nations

Not right now

Sexy boots yeah (no no no)
Get on your boots yeah (Not right now)
Foxy boots

You don’t know how beautiful (2x)
You are
You don’t know
You get it do you
You don’t know
How beautiful you are

Sexy boots
I don’t wanna talk about wars between nations

Let me in the sound (3x)
Sound
Let me in the sound sound
Let me in the sound
anekatips.com
My God I’m going down
I don’t wanna drown now
Let me in the sound

Let me in the sound (3x)
Sound
Let me in the sound sound
Let me in the sound

Get on your boots
Get on your boots
Get on your boots
Yea yeaah
Get on your boots
Get on your boots
Get on your boots

U2
#1
[U2]

O novo disco, No line on the horizon, está prometido para dia 2 de Março.
Mas o primeiro som - Get on your boots - já está disponível aqui (abrir em internet explorer e esperar um minuto).
é uma grande malha!

19.1.09

#1
[vida de marinheiro]

14.1.09

#1
[...]

desassossego
Desassossego

Tenho de escolher o que detesto - ou o sonho, que a minha inteligência odeia, ou a acção, que a minha sensibilidade repugna; ou a acção, para onde não nasci, ou o sonho, para que ninguém nasceu.
Resulta que, como detesto ambos, não escolho nenhum; mas, coo hei-de, em certas ocasiões, ou sonhar ou agir, misturo uma coisa com outra.

Bernardo Soares, Livro do Desassossego

13.1.09

#1
[este post é uma experiência]

Aviso à navegação: estou a navegar no louco mundo dos feed readers...
Vá... Sorriam com condescendência :)

12.1.09

#1
[aquele bar]

11.1.09

#2
[...]

um tipo mete-se em cada 31...
#1
[854 mortos, 270 crianças]


Shalom Palestina - José Mário Branco

8.1.09

#1
[Praying with Polly Jean]

I can't believe life's so complex
When I just wanna' sit here and watch you undress
* This is love that I'm feeling
Does it have to be a life full of dread?
I wanna' chase you round the table, I wanna' touch your head
* This is love that I'm feeling
I can't believe that the axis turns on suffering
When you taste so good
I can't believe that the axis turns on suffering
While my head burns
* This is love that I'm feeling
Even in the summer, even in the spring
You can never get too much of a wonderful thing

(...)

PJHarvey, this is love

4.1.09

#2
[ainda a Valsa]

Escondida por detrás de um filme de animação, a Valsa com Bashir é uma dura viagem, feita a uma distância de 25 anos, às profundezas da existência de um rapaz enviado para uma guerra que não sabe explicar e que depressa procurou esquecer.

E é também um relato do massacre de Sabra e Chatila, a matança que Ariel Sharon, na altura ministro da defesa de Israel, não quis evitar e a que os soldados Israelitas assistiram sem reagir, ficando no ar a dúvida se não terá existido apoio logístico à intervenção dos falangista.

Com esta viagem ao (seu) passado, conduzida pelas recordações dos companheiros de guerra, Folman não tentou expiar a culpa nem aliviar a responsabilidade daquilo a que assistiu no Libano. Procurou, isso sim, reconstruir episódios que tinha deixado de fora do seu sistema emocional.

Num momento em que a violência e a brutalidade do Tsall se abate novamente sobre os Palestinianos, este filme é cheio de actualidade, mostrando bem como poderá acabar a agressão em curso a Gaza.

Por outro lado, deixa claro que a procura da solução para o problema palestiano não teve grandes cambiantes em três décadas, bem como a grande falta de memória dos líderes Israelitas que conduzem mais esta guerra: esqueceram-se das vítimas, de todas as vítimas, e da forma como o seu povo foi tratado no passado.
#1 [Valsa com Bashir]
Site do filme
Entrevista do realizador Ari Folman ao Ipsilon

Uma noite, num bar, o israelita Ari Folman encontra um amigo que lhe conta como um pesadelo recorrente o atormenta cada vez mais. No sonho, o amigo de Ari é perseguido por uma matilha de 26 cães enraivecidos. 26, exactamente o mesmo número de pessoas que matou durante a guerra com o Líbano, no início dos anos 80. No dia seguinte, Ari sente uma necessidade vital de relembrar e descobrir a verdade sobre esse período da sua vida. Decide então entrevistar velhos amigos e camaradas. E quanto mais Ari mergulha no interior da sua memória, mais imagens esquecidas e perturbadoras vêm à tona. Realizado por Ari Folman, "A Valsa com Bashir" é um filme de animação autobiográfico.
In Cinecartaz, Público