4.9.09
3.9.09
#1
[...]
you know my love goes with you as your love stays with me,
it's just the way it changes, like the shoreline and the sea,
but let's not talk of love or chains and things we can't untie,
your eyes are soft with sorrow,
Hey, that's no way to say goodbye.
2.9.09
[para memória futura]
"Presto homenagem aos 60 milhões de mortos causados por esta guerra desencadeada pela Alemanha. Não existem palavras que possam descrever o sofrimento causado por esta guerra e pelo holocausto."
Angela Merkel, Chanceler Alemã, discursando na cerimónia que assinalou os 70 anos do início da II Grande Guerra.
[de passagem]
E quando tu olhares para o lado
Será que tens alguém
Alguém que sinta e que queira
Tanto mais que tu e eu
há muitos que um disco dos Xutos não me entusiasmava tanto.
31.8.09
#1 [há frases que valem por todo um livro]
(…)
Estávamos sentados à mesa quando ela, dando continuidade a algum pensamento do qual não nos deu pormenores, disse de repente, Quando às vezes vejo que se cometem tantos erros e que muitas coisas se fazem mal, dói-me e fico irritada, mas, ao contrário do que acontece a alguns, não me dá vontade de abandonar o barco, mas sim de trabalhar mais para deixar bem claro aos incompetentes, aos burocratas, aos preguiçosos e até a mim própria que não permitiremos que se deite a nosso Revolução a perder porque não voltaremos a ter outra oportunidade como esta e isso sabemos nós, os pobres, melhor que ninguém. (…)
29.8.09
22.8.09
[reflexos de um certo amanhecer com a Sicília]
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Alberto Caeiro, in Pastor Amoroso
20.8.09
18.8.09
O que na verdade sou e a verdade
Pode ser elevada à coisa sonhada
Reinventada por muito se querer
E eu quero ser o teu amante
13.8.09
(...)
I've given all I can
It's not enough
I've given all I can
But we're still on the payroll
Radiohead, Karma Police
9.8.09
6.8.09
2.8.09
A memória é tramada. Tentamos pôr-lhe portas corta fogo para controlar estragos, mas ela acaba sempre por nos apanhar desprevenidos.
Este ano, por razões diversas, chego a dois de Agosto e dou comigo em casa, sentado no sofá, a ver o céu raiado de vermelho e a lembrar-me por onde andei em anos anteriores: Estocolmo e Riga, Bucareste, Graz, Miranda do Douro, Florença. Em 2003 não me lembro onde andava, mas estava algures na estrada (disse-me o blog) e, faz hoje 7 anos, foi neste dia que acabei o curso.
Aqui continuarei, pela noite fora, a ler e a pensar no que tenho para fazer nos próximos dias, sonhando com a libertação.
31.7.09
[tão simples quanto isto...]
(...)
se parece tanto com a eternidade
e que o amor, na verdade
só se cansa de ti
se de ti mesmo te cansas
(...)
Sérgio Godinho, in Definição do Amor
26.7.09
20.7.09
#1 [tributo a Buzz Aldrin, Neil Armstrong e Michael Collins]*
Há Muito tempoPassos descalços restolhando pela estrada de macadame
pernas curtidas descrevendo arcos desengonçados
O destino incerto, a dúvida quente
O céu descoberto, o futuro longe
E o passado incapaz de conter a ambição imprudente
Há muito tempo, há muito tempo...
Demos tudo o que tivemos
Para agarrar o tempo
Teias de ferro fortificam a cidade industrial
Que se alimenta do suor dos corpos mecanizados
O aço temperado, a manufactura
O montro acordado, o inconsciente activo
E ninguém sabe aonde irá desembocar a aventura
Há muito tempo, há muito tempo...
Nós passámos tento tempo
Para estragar o tempo
Domingo à tarde, o planeta está colado à televisão
O astronauta domestica a lua com gestos lentos
O mar entulhado, o céu mais cinzento
A publicidade, o perigo iminente
E a sensação da alma não acompanhar o movimento
Há muito tempo, há muito tempo...
Ninguém fica indiferente
Ao sabor do tempo
Jorge Palma
* e ainda há quem não acredite que, faz hoje 40 anos, a Apolo 11 chegou à Lua...
11.7.09
#1
[Perfeito Vazio]
Aqui estou eu
Sou uma folha de papel vazia
Pequenas coisas
Pequenos pontos
Vão me mostrando o caminho
Às vezes aqui faz frio
Às vezes eu fico imóvel
Pairando no Vazio
As vezes aqui faz frio
Sei que me esperas
Não sei se vou lá chegar
Tenho coisas p’ra fazer
Tenho vidas para a acompanhar
Às vezes lá faz mais frio
Às vezes eu fico imóvel
Pairando no vazio
No perfeito vazio
Às vezes lá faz mais frio
(lá fora faz tanto frio)
Bem-vindos a minha casa
Ao meu lar mais profundo
De onde saio por vezes
Para conquistar o mundo
Às vezes tu tens mais frio
Às vezes eu fico imóvel
Pairando no vazio
No perfeito vazio
Às vezes lá faz mais frio
No teu peito vazio
Xutos e pontapés, 2009
6.7.09
15.6.09
3.6.09
[três lágrimas por Cavaco]
Aníbal serviu o capital durante anos. Era um homem sem mácula, bom aluno, dedicado e sisudo.
Preparou o país para um futuro de quimeras...
Amigos teve que lhe prometeram o sossego na reforma. Feitas as contas, muito se terá perdido das economias de uma vida.
Aníbal está triste, caiu no conto de um vigário da sua congregação.
16.5.09
#1 [...]
Adiantamento
Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã...
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não...
Não, hoje nada; hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjectividade objectiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um eléctrico...
Esta espécie de alma...
Só depois de amanhã...
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-me para pensar amanhã no dia seguinte...
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos...
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o mundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã...
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro...
Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
Só depois de amanhã...
Quando era criança o circo de domingo divertia-rne toda a semana.
Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha infância...
Depois de amanhã serei outro,
A minha vida triunfar-se-á,
Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e prático
Serão convocadas por um edital...
Mas por um edital de amanhã...
Hoje quero dormir, redigirei amanhã...
Por hoje, qual é o espectáculo que me repetiria a infância?
Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã,
Que depois de amanhã é que está bem o espectáculo...
antes, não...
Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei. Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser.
Só depois de amanhã...
Tenho sono como o frio de um cão vadio.
Tenho muito sono.
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã...
Sim, talvez só depois de amanhã...
Sim, o porvir...
Álvaro de Campos
8.5.09
5.4.09
Gravei, no telemóvel, um lembrete: hoje começam as férias. Temia não me lembrar delas e marcar algum compromisso.
Ainda não me habituei à ideia de desligar. Há mil coisas que parecem ter ficado esquecidas e outras tantas preocupações conexas. Tentarei sobreviver.
A mochila já tem o essencial. Falta apenas um caderno para anotar o essencial que não se mete na mochila.
É tempo de partir.
Entre as risadas que o burlesco gera, há uma infinita tristeza que cresce, uma profunda inquietação que se instala e um nó que se vai apertando.Tutta la vida davanti
29.3.09
8.3.09
1
Aproxima-te. É assim que consegues encontrar algumas palavras. Estão juntas. Têm um sentido
capaz de vir acompanhar-te como se pelos dedos escorresse um pouco de água, a sua transparência
súbita. Recebe o que elas te podem dar agora, a respiração que fica tranquila e o mesmo aceno
só para que depois consigas compreender como é fácil que tudo se perca nos teus olhos.
2
Que limites existem para a luz? Veio alguém acender esta candeia. À nossa volta, uma pequena chama principia a erguer-se, mas em vão é que ela se conserva perto de nós, quando abrimos devagar as leves páginas cujo sentido se ignora e as fechamos depois sem esperança, como se fosse este o seu destino no interior da noite. Estamos ali adormecidos e havemos de encontrar uma outra luz, maior, que as permita ler.
3
A verdade cabia nos teus olhos, mas estes fecham-se
com um movimento que se torna simples. Apenas a espuma
era trazida pelas ondas e outros vestígios chegaram
de um dia humedecido; depois, vimos como se deteve
e ficou de novo submersa. Mas é dela que talvez se receba
um aviso. Ainda hoje a esperamos quando junto de nós
finalmente se encontra uma nova imagem abandonada
pela proximidade da noite. Sabias que a verdade é um aviso?
4
Quem veio escrever estas palavras? Abre
sem pressa o livro, mas nem sequer o leias
todo. Deixa que fiquem algumas dessas páginas
caídas ao teu lado. Assim talvez encontres
a imobilidade que finalmente existe
no seu interior. É tudo o que recebes
de alguém que nem sequer te pode conhecer
quando faz para ti um derradeiro gesto.
5
As mãos uniram-se e é mais perto que conservam
a dimensão de uma palavra, a última. A elas pertencem
igualmente as trevas que vinham ao encontro de tudo, leves
asas feridas pelo seu movimento, sem qualquer cor
e cada vez mais nossas. Aprendemos a acreditar neste voo,
na altura de uma haste, no próprio olhar atento
a uma linha mais alta para assim encontrarmos
no que nos rodeava a vinda destas aves.
6
Coloquemos um lenço sobre o rosto. Não para o ocultar
mas para que fique mais nítido o que vemos. Essa
há-de ser a margem das nossas feições, a sua mais próxima
brancura. A respiração nem o toca sequer. Outra brisa
começava a atravessar o peito. Ela vem agora ao nosso encontro
sem qualquer ruído, como se as mesmas folhas estivessem
ausentes. Sabemos há muito que é assim. Depois o silêncio
chega, porque foi sempre a ele que estas vozes pertenceram.
7
O que podemos esperar? É mais perto que vês
um caminho. A ele nos habituamos. É deste modo
que consegues compreender-me melhor. Reparas agora
como os gestos podem ficar reduzidos a um único
movimento e as cores à mesma transparência
que as há-de tornar maiores. Encontras o sentido
que pertencia a tudo, para que finalmente seja
apenas nosso, como se olhássemos para longe.
Fernando Guimarães
3.3.09
28.2.09
22.2.09
16.2.09
#1
[já chega! ]
A história do BPN é uma vergonha. Ainda não se sabe tudo, mas já percebemos que a morasca é grande. É tempo de levantar a voz da cidadania.
Sem condenar ninguém em antecipação, considero que a mentira de Dias Loureiro na comissão parlamentar de inquérito é motivo suficiente para exigir a sua saída do Conselho de Estado.
Por iniciativa própria ou sendo demitido por Cavaco.
Por isso assinei a petição e convido-vos a fazê-lo também.
Passem a Palavra
"Os cidadãos portugueses abaixo-assinados apelam ao ainda conselheiro Manuel Dias Loureiro que, a bem do bom-nome daquele órgão de soberania e da democracia e dando um sinal claro de que não vê o seu cargo como forma de protecção e que quer o cabal esclarecimento de todos os factos, se demita do Conselho de Estado.
E que, caso este teime em não o fazer, o Presidente da República, que o indicou para o cargo, deixe claro que este conselheiro de Estado já não conta com a sua confiança."
15.2.09
[Milk]

É um lugar comum classificar Milk como um filme notável. Pela interpretação de Sean Pen, diz-se.
Mas também pela história que conta, que eu desconhecia. Harvey Milk era um homem de coragem e teve um papel determinante na luta pelos civil rigths e pelo reconhecimento de um estatuto de "normalidade" a pessoas que, no fim de contas, amam outras pessoas.
E há também a forma intensa como nos faz sentir todo o despertar de um movimento. Para um activista, Milk tem esa dimensão particular, a de retratar a importância da estratégia, da liderança e do colectivo, da esperança e da mensagem, da capacidade de ler os acontecimentos e das escolhas necessárias(concorde-se ou não com elas).
Depois de A Valsa com Bashir e do Complexo Baden-Meinhof, aqui está mais um filme incontornável para quem quer compreender o século XX.
Sobre o filme, vale a pena ler o artigo Eles somos nós do Zé Soeiro.
6.2.09
[Phelps]

No verão passado, vibrei com todas as braçadas que Michael Phelps deu no Cubo de Água, em Pequim.
Dizia-se então que ele era uma máquina. Entretanto, algum amigo da onça pôs uma fotografia a circular, mostrando o nadador a fumar um charro numa festa de universidade.
Embora estivesse de férias desportivas e a consumir uma substância que não faz parte do index do dopping, a indignação foi geral e a condenação por parte da federação e de um dos seus patrocinadores não demoraram a aparecer.
Cá para mim, este o episódio só reforça a simpatia que já tinha por Phelps, uma vez que mostra a sua parte mais humana. O moralismo que hoje o condena será derrotado.
5.2.09
3.2.09
#1[...]
Hans Beck, o criador dos Playmobil, morreu na sexta-feira aos 79 anos, vítima de doença grave, noticiaram ontem as agências.
(...)
Beck levou três anos a desenvolver os famosos bonecos que se queriam rígidos - deviam ser capazes de segurar pequenos obejctos nas mãos - e resistentes.
O sucesso dos bonecos de sete centímetros de altura e "tamanho ideal para a mão de uma criança" pode também dever-se a uma crise do petróleo que disparou o preço do plástico e dos brinquedos de maiores dimensões.
31.1.09
#1
[...]
Diário de reportagem
Com palavras precisas
(e fina ironia)
relatas o improvável
trajecto do projéctil,
as casas esventradas,
os milagres quotidianos,
a morte lenta e particular
de um povo inteiro.
Se a tensão adensa
e o grito já sufoca,
dizes-nos da dignidade,
oferecendo ao papel
pequenos morangos
cuja doçura, em Gaza,
é antagonista dessa miséria
nada humana.
Pergunto:
haverá suficiente lucidez,
ternura ou raiva,
para escrever tudo
o que os teus olhos
nos querem contar?
Sintra, 31 de Janeiro de 2009
À Alexandra Lucas Coelho, que está em Gaza30.1.09
[não estou bem a ver porquê...]
dizem que este anúncio, com Kilie Minogue, foi considerado o mais popular de sempre, entre os que passaram nas salas de cinema britânicas...
27.1.09
24.1.09
[diário de reportagem]
Alexandra Lucas Coelho conhece um pouco de Israel e da Palestina. Tem amigos dos dois lados e acompanhou de perto os últimos anos deste conflito.
Desde o início desta ofensiva Israelita na faixa de Gaza, há mais de um mês, que se pressentia, nas entrelinhas dos seus textos, uma indomável vontade de deixar Lisboa e ir ver com os próprios olhos aquilo que lhe iam dizendo por telefone ou chat.
Já lá está, testemunhando e cumprindo o seu ofício de relatar - não deixem de a ler.
#1
[não me venham cá dizer "ah e tal e os rockets..."]
A melhor escola no chão
Alexandra Lucas Coelho, Público, 24.01.2009
É como se um meteorito gigante tivesse caído e esmagado a Escola Americana Internacional de Gaza. Com investimento palestiniano e curriculum americano, era a melhor escola do território, e agora professores e alunos andam entre as ruínas em estado de choque.
Uma mulher encontra um livro de Ciência e agarra-o contra o peito. É Alia, a bibliotecária. Fatin, uma das professoras, abraça Zena, de nove anos, ambas voltadas para os destroços. "Isto aconteceu no dia 3 de Janeiro." Porquê aqui, se à volta não há nada? "Pergunte-lhes", sugere Fatin. "O corpo do guarda foi encontrado em partes, uma metade aqui na frente, outra metade nas traseiras."
Quantos alunos tem a escola? "230", responde logo, num óptimo inglês, a pequena Zena, que mora em Gaza, e até hoje não tem vidro nas janelas. O que fazem para não ter frio? "Vestimos mais roupas."
"Agora não sabemos o que fazer aos estudantes", diz Fatin.
Duas delas estão ao cimo das escadas a discutir. Nur, que tem rabo-de-cavalo e 14 anos, está indignada. "Usam as casas para disparar rockets e se as pessoas não querem têm que deixar a sua casa!" Depois conta que uma das suas melhores amigas morreu na guerra, até que a voz lhe falta, ela baixa a cabeça para se controlar, e começam a pingar lágrimas do nariz.
Fatin, a professora, corre a abraçá-la, e então Nur chora convulsivamente. Quando recupera, diz: "Estou muito zangada com o Hamas. Acho que isto tudo aconteceu por causa dos rockets".
À volta, as colegas contestam. "Não é por causa dos rockets que Israel tem o direito de destruir uma escola destas", clama Habir, de 16 anos. "Eles querem destruir tudo o que é novo, histórico, educacional. Isto é um crime." Dana, de 16 anos com muito acne, concorda, e Habir continua, apaixonadamente. "Se isto é contra o Hamas, porque é que tantos mortos não são do Hamas? E dizem que se estão a defender! Defendem-se de uns rockets que são uma desculpa, só causam um buraco no chão."
Esta discussão sobre o papel do Hamas é geral? "Estamos a discutir desde o princípio da guerra. É difícil não questionar quando não podemos dormir e ir a qualquer lado, e estão a usar armas do céu, da terra e do mar contra nós."
O que querem agora?
"Queremos um governo de unidade nacional", diz Habir. "Só queremos continuar a estudar nesta escola", acrescenta um rapaz, Adam, que veio com os colegas ver a destruição. "Trabalhámos tanto para isto acabar assim."
Yunis, de 18 anos, aparece de chinelos numa pilha de entulho. É irmão do guarda morto. Conta que o pai teve um primeiro filho Salim, que foi morto há anos, e um segundo filho Salim, que morreu - e o terceiro filho Salim era o guarda que foi desfeito em pedaços aqui.
Israel alega que estavam a ser disparados tiros do interior. "Mas a escola estava vazia, e se estivesse aqui alguém o guarda tinha-nos dito", contrapõe Lucy, outra professora. "Eu acordei às três da manhã com o primeiro míssil e antes não ouvi nada", acrescenta o irmão do guarda. "O meu irmão sentia-se seguro, porque era uma escola americana. Antes de morrer, telefonou à família e disse: 'Se sentirem perigo, venham para aqui'.
22.1.09
É já no domingo. Apesar dos primeiros 11km serem (quase) sempre a trepar, é das corridas mais bonitas conheço. Começa bem perto do sitio onde nasci (e quase à porta de casa), atravessa a Serra onde cresci e termina no fim da Europa.
20.1.09
#2
[Get on your boots]
Future needs a big kiss
Winds blow with a twist
Never seen a move like this
Can you see it too
Night is falling everywhere
Rockets hit the funfair
Satan loves a bomb scare
But it won’t scare you
Chorus
Yeah sexy boots
Get on your boots yeah
Free me from the dark dream
Candy bars, ice cream
All the kids are screaming but the ghosts aren’t real
Here’s what you gotta be
Love and community
Laughter is eternity if the joy is real
You don’t know how beautiful (2x)
You are
You don’t know
You get it do you
You don’t know
How beautiful you are
If someone’s into blowing up
We’re into growing up
Women are the future
All the big revelations
I’ve gotta submarine, you’ve got gasoline
I don’t wanna talk about wars between nations
Not right now
Sexy boots yeah (no no no)
Get on your boots yeah (Not right now)
Foxy boots
You don’t know how beautiful (2x)
You are
You don’t know
You get it do you
You don’t know
How beautiful you are
Sexy boots
I don’t wanna talk about wars between nations
Let me in the sound (3x)
Sound
Let me in the sound sound
Let me in the sound
anekatips.com
My God I’m going down
I don’t wanna drown now
Let me in the sound
Let me in the sound (3x)
Sound
Let me in the sound sound
Let me in the sound
Get on your boots
Get on your boots
Get on your boots
Yea yeaah
Get on your boots
Get on your boots
Get on your boots
U2
[U2]
O novo disco, No line on the horizon, está prometido para dia 2 de Março.
Mas o primeiro som - Get on your boots - já está disponível aqui (abrir em internet explorer e esperar um minuto).
é uma grande malha!
19.1.09
14.1.09
[...]
Resulta que, como detesto ambos, não escolho nenhum; mas, coo hei-de, em certas ocasiões, ou sonhar ou agir, misturo uma coisa com outra.
Bernardo Soares, Livro do Desassossego
13.1.09
12.1.09
11.1.09
8.1.09
[Praying with Polly Jean]
I can't believe life's so complex
When I just wanna' sit here and watch you undress
* This is love that I'm feeling
Does it have to be a life full of dread?
I wanna' chase you round the table, I wanna' touch your head
* This is love that I'm feeling
I can't believe that the axis turns on suffering
When you taste so good
I can't believe that the axis turns on suffering
While my head burns
* This is love that I'm feeling
Even in the summer, even in the spring
You can never get too much of a wonderful thing
(...)
PJHarvey, this is love
4.1.09
[ainda a Valsa]
Escondida por detrás de um filme de animação, a Valsa com Bashir é uma dura viagem, feita a uma distância de 25 anos, às profundezas da existência de um rapaz enviado para uma guerra que não sabe explicar e que depressa procurou esquecer.
E é também um relato do massacre de Sabra e Chatila, a matança que Ariel Sharon, na altura ministro da defesa de Israel, não quis evitar e a que os soldados Israelitas assistiram sem reagir, ficando no ar a dúvida se não terá existido apoio logístico à intervenção dos falangista.
Com esta viagem ao (seu) passado, conduzida pelas recordações dos companheiros de guerra, Folman não tentou expiar a culpa nem aliviar a responsabilidade daquilo a que assistiu no Libano. Procurou, isso sim, reconstruir episódios que tinha deixado de fora do seu sistema emocional.
Num momento em que a violência e a brutalidade do Tsall se abate novamente sobre os Palestinianos, este filme é cheio de actualidade, mostrando bem como poderá acabar a agressão em curso a Gaza.
Por outro lado, deixa claro que a procura da solução para o problema palestiano não teve grandes cambiantes em três décadas, bem como a grande falta de memória dos líderes Israelitas que conduzem mais esta guerra: esqueceram-se das vítimas, de todas as vítimas, e da forma como o seu povo foi tratado no passado.

Site do filme
Entrevista do realizador Ari Folman ao Ipsilon
Uma noite, num bar, o israelita Ari Folman encontra um amigo que lhe conta como um pesadelo recorrente o atormenta cada vez mais. No sonho, o amigo de Ari é perseguido por uma matilha de 26 cães enraivecidos. 26, exactamente o mesmo número de pessoas que matou durante a guerra com o Líbano, no início dos anos 80. No dia seguinte, Ari sente uma necessidade vital de relembrar e descobrir a verdade sobre esse período da sua vida. Decide então entrevistar velhos amigos e camaradas. E quanto mais Ari mergulha no interior da sua memória, mais imagens esquecidas e perturbadoras vêm à tona. Realizado por Ari Folman, "A Valsa com Bashir" é um filme de animação autobiográfico.
31.12.08
[um ano em imagens*]

Dezembro - Just Thinking

Novembro - Sleeping

Outubro- There's many li(f)es for an envelope

Setembro - Linha Azul

Agosto - Ray Ban

Julho - Bottari

Junho - the match

Maio - Lazy Bird

Abril - Wash & Dry

Março - Um Mar de Profes

Fevereiro - Margens

*Para a C, que, quando não foi modelo, esteve a meu lado ou partilhou o entusiasmo destas fotos. Apesar de tudo, foi um ano cheio de coisas boas
30.12.08
[ainda bem...]
(...)
A noite passada um paredão ruiu
pela fresta aberta o meu peito fugiu
estavas do outro lado a tricotar janelas
vias-me em segredo ao debruçar-te nelas
cheguei-me a ti disse baixinho "olá",
toquei-te no ombro e a marca ficou lá
o sol inteiro caiu entre os montes
e então olhaste
depois sorriste
disseste "ainda bem que voltaste"
(...)
Sérgio Godinho
29.12.08
28.12.08
26.12.08
[É a natureza das coisas]
Bato à porta da pedra.
- Sou eu, deixa-me entrar,
quero ver-te por dentro,
saber como és,
respirar-te.
Vai-te embora - diz a pedra.
Estou fechada a sete chaves.
Mesmo feitas em pedaços
estaremos fechadas a sete chaves.
Mesmo reduzidas a areia
não deixaremos ninguém entrar.
Bato à porta da pedra.
- Sou eu, deixa-me entrar.
Venho por pura curiosidade.
Só em vida tenho esta oportunidade.
Gostaria de passear-me pelo teu palácio,
depois visitar ainda a folha e a gota de água.
Não tenho muito tempo para tudo isto.
A minha mortalidade deveria comover-te.
- Sou de pedra - diz a pedra
e isso obriga à seriedade.
Vai-te embora.
Não tenho os músculos do riso.
Conversa com a pedra de Wisława Szymborska
23.12.08
[a Dona do Castelo]
Amor perfeito
Amor quase perfeito
Amor de perdição paixão que cobre
Todo o meu pobre peito pela vida afora
Vou-me embora, embromadora
Você para mim agora
Passa como jogadora
Sem graça nem surpresa
Diga que perdi a cabeça
Seu eu me levantar da mesa e partir
Antes do final do jogo
Louco seria prosseguir essa partida
Peça falsa que se enraíza
E faz negro todo meu desejo pela vida afora
Vou-me embora, embromadora
E quando eu saltar de banda
E quanto eu saltar de lado
Vou desabar seu castelo de cartas marcadas
E tramas variadas
Sim
Seu castelo de baralho vai se desmanchar
Desmantelado
Decifrado
Sobre o borralho da sarjeta
Chegou o inverno!
Adriana Calcanhotto
21.12.08
[os operários]
Fotografia de Autor sobre uma das imagens da Exposição
Os operários vestiram os seus fatos domingueiros e levaram os netos e as memórias a passear.
- Não és tu quem estás ali?
- Maria, aquele é o teu pai!
- Olha, vês aqui? É o avô Malheiro.
Rapazes e raparigas de outros tempos foram o centro das atenções. A fábrica encheu-se e eram as suas vidas que contavam para quem, entre eles, circulava.
- Aqui era a sala de enchimento.
- Está tudo tão diferente… o espaço ficou muito bonito depois de ser limpo.
Histórias antigas, dos que sobreviveram à explosão e de quem já não a pode recordar.
- Este é o Sr. João, este é o Manel, o ti Zé, o Afonso da Mira… já cá não está nenhum.
Trabalhadores especializados ou serventes, a família inteira viveu da fábrica. Era perigoso, mas garantia a segurança de um salário fixo.
- Vocês são raparigas novas, não sabem como a vida foi dura para nós. Ganhava 18 escudos, uma miséria.
Vinham para o vale a pé e de bicicleta. Moravam em Queluz de baixo, Barcarena, S. Marcos, da Agualva, Rio de Mouro e em tantos outros sítios.
No sol de Inverno, os dedos retorcidos acariciaram-se nas fotografias.
Riram orgulhosos de se verem na televisão. Os operários estavam contentes.
20.12.08
E ficar em forma
Para fingir que estamos vivos
E que nada nos transtorna
Ainda falta muito tempo
Para a nossa sepultura
Não sei se me aguento
Com os teus métodos
De tortura
Os Pontos Negros
13.12.08
[aqui tão perto]
Há 15 anos que a Lua Cheia não estava tão perto da Terra. São 30 mil quilómetros a menos do que o normal. A lua tem uma órbita elíptica à volta da Terra, por isso não está sempre à mesma distância do planeta. Hoje está só a 363.000 quilómetros, por isso apresenta-se aos nossos olhos 14 por cento maior e 30 por cento mais brilhante.
in Público, 13 de Dezembro de 2008
11.12.08
28.11.08
[Xanana]
Esta manhã, ainda meio a dormir, ouvi a entrevista que Xanana Gusmão deu a Maria Flor Pedroso.
Dizer que senti nojo pelo que ouvi da boca do ex-comandante e agora primeiro ministro timorense é uma forma suave de encarar a situação.
Não podia ter começado o dia de pior maneira.
Ouvir aqui
23.11.08
18.11.08
[sem comentários...]
PSD: Ferreira Leite pergunta se "não é bom haver seis meses sem democracia" para pôr "tudo na ordem"
18 de Novembro de 2008, 16:16
A presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, perguntou hoje se "não é bom haver seis meses sem democracia" para "pôr tudo na ordem", a propósito da reforma do sistema de justiça.
No final de um almoço promovido pela Câmara de Comércio Luso-Americana, Manuela Ferreira Leite elegeu a reforma do sistema de justiça "como primeira prioridade" para ajudar as empresas portuguesas.
Questionada sobre o que faria para melhorar o sistema de justiça, a presidente do PSD demarcou-se da atitude do primeiro-ministro, José Sócrates, que "na tomada de posse anunciou como grande medida reduzir as férias do juiz".
Defendendo a ideia de que não se deve tentar fazer reformas contra as classes profissionais, Manuela Ferreira Leite declarou: "Eu não acredito em reformas, quando se está em democracia...".
"Quando não se está em democracia é outra conversa, eu digo como é que é e faz-se", observou em seguida a presidente do PSD, acrescentando: "E até não sei se a certa altura não é bom haver seis meses sem democracia, mete-se tudo na ordem e depois então venha a democracia".
"Agora em democracia efectivamente não se pode hostilizar uma classe profissional para de seguida ter a opinião pública contra essa classe profissional e então depois entrar a reformar - porque nessa altura estão eles todos contra. Não é possível fazer uma reforma da justiça sem os juízes, fazer uma reforma da saúde sem os médicos", completou Manuela Ferreira Leite.
Lusa/Fim
15.11.08
[sort of allergy]
De há uns meses para cá, deixei de ler o Fugas, .
Simplesmente não consigo. Nem sequer os artigos do amigo Milagre.
Primeiro pensei que era do cansaço, mas, depois das férias, os sintomas de ansiedade ao folhear o suplemento de viagens do Público persistiam. Não eram tão intensos, mas estavam lá.
Depois culpei o papel - faz-me impressão o seu brilho. Mas não me satisfiz com a pena aplicada.
Começo a desconfiar que é frustração. Falta-me a estrada e o tempo sem fim para saboreá-la.
Falta-me também aliviar esse peso que trago escondido. Talvez nessa altura possa ter a certeza de que isto não é uma alergia.
14.11.08
[em jeito de tributo]
Carta aberta a João Cravinho
Desde os tempos do 40.900 [luta estudantil de 1959*] até hoje, estivemos várias vezes no mesmo barco, ou em barcos próximos. Mas mesmo quando o teu barco se afastou para águas socialistas, já lá vão uns 20 anos, nem por isso deixámos estiolar a nossa velha amizade e com mais ou menos frequência nos fomos encontrando e sempre comentando apimentadamente a política do tempo.
No momento presente, pareceu-me que seria insuficiente, para mim, mais um desses encontros, em que, entre duas garfadas de cozido, debatêssemos o que vai por cá, e pelo mundo. É que o que vai pelo mundo, mais propriamente por esta Europa que se dá a ver como berço e estandarte da “civilização ocidental”, é grave demais para ficar balizado por uma bela hora de conversa bem-humorada, finda a qual cada um vai à sua vida. Tu, em particular, à tua de ministro de um governo em guerra.
Na verdade, por mais voltas que lhe dê e por mais que pondere as diferenças de contexto, os bombardeamentos da Sérvia não podem deixar de me lembrar o crime gratuito de Dresden em 45, e os dos Estados Unidos no Vietname, isto para só lembrar casos protagonizados pelos aliados de hoje. Todos têm em comum a arrogância dos estados-maiores militares, quando em situação de esmagadora superioridade de meios e o desprezo absoluto pelas populações civis que, supostamente, se pretende “libertar” e reconduzir à “convivência democrática”. Como se, antes de serem “salvas”, essas populações tivessem de ser castigadas. Em suma, têm em comum o facto de serem bárbaras, o que é justamente o oposto de “civilizado”, na acepção mais corrente.
Ponho-me a imaginar o que pensaríamos nós, ao tempo de Salazar, se uma qualquer grande potência do momento, a pretexto dos métodos insuportáveis de tal ditadura, aqui e nas colónias, decidisse arrasar o país, como prelúdio para a “instauração da democracia”. Vejo-me, vejo-nos a todos nós, a unirmo-nos decididamente contra o abominável agressor. Mas não. Nesse tempo a potência dominante, a mesma de hoje, andava entretida muito simplesmente a sustentar ditadores ao pé dos quais o Salazar era um aprendiz: Franco (que teria no seu activo bem mais vítimas do que Milosevic), Somoza, Batista, Trujillo, Perez Jimenez e tantos outros. Isto antes de colocar no poder Pinochet, e enquanto os seus aliados europeus faziam o mesmo em África com os Bokassa, Mobuto ou Hassan (o amigo do dr. Soares).
Por isso mesmo, não me venhas falar em direitos humanos ou em protecção de populações (minoritárias ou não). Duvido que os albaneses do Kosovo estejam agradecidos à NATO pela “protecção” que, alegadamente, teria estado na origem das operações. Uma coisa é certa: pelo menos adquiriram o direito a “refugiar-se”, nas terríveis condições que se conhecem. E adquiriram outro, esse em comum com os sérvios : nunca mais se irão ver livres dos seus intitulados protectores. Porque, acabada a violência e a destruição (e hão-de acabar, talvez em breve, evitando, se assim for, os sérios riscos de alargamento do conflito), os “senhores da guerra” virão generosamente presidir à reconstrução, pois se até já se fala dos famigerados protectorados!
Aos negócios da guerra — pense-se só nas indústrias (e na investigação) de armamentos e munições — sucederão os negócios “da paz”: novas pontes, novas centrais, novas estradas, novos aeroportos, novos edifícios, novas televisões. Os aliados de hoje precipitar-se-ão com meios financeiros e materiais, com engenheiros, arquitectos, economistas, peritos, consultores, assessores. Os Balcãs tornar-se-ão num imenso estaleiro, mas os homens que lá viviam não serão mais os mesmos e, ainda que regressem, mal se reconhecerão no novo “território” que lhes será outorgado. Perder a vida não é só tornar-se cadáver: é perder a dignidade, perder o habitat, quando não perder a família, porventura dispersa por países ignorados.
Ainda há algo mais. A guerra é sempre detestável. Mas a guerra dita “limpa”, em que à partida o agressor se dá ao luxo de não ter vítimas, de nem sequer ser forçado a olhar de frente aqueles que vai matar ou destruir, isto é, a guerra dispensada de sofrimento próprio, a guerra-passeio de quem está seguro de ganhar em pouco tempo, a guerra-teste de armamentos, essa guerra tem algo de obsceno. Só terá um pequeno inconveniente: também se dispensam os heróis. Isso será apenas, para os militares, inebriados com as suas altas tecnologias, um “dano colateral”.
A Europa, nisto tudo, fez um pouco a figura das claques futebolísticas, que gritam quanto podem, mas não jogam. Blair e Chirac têm sido os grandes chefes de claque e, diga-se, também muito contribuíram para pôr a bola em jogo. Mas, a partir daí, ficaram nas mãos da sra. Albright e dos estados-maiores da NATO, que, bem vistas as coisas, bem precisavam de uma coisa destas para redefinirem o seu papel no pós-guerra fria. Depois disto, a Europa também não será a mesma, se é que ainda será alguma coisa.
Para que não restem dúvidas: os perdedores nesta tragédia serão obviamente os kosovares, que não têm culpa que o “Ocidente” tenha apostado no UÇK para a sua “libertação”, e os sérvios, que não souberam, ou quiseram, ou puderam livrar-se do Milosevic, pelos meios apropriados, enquanto era tempo.
Meu caro João, (também) eu “tive um sonho”: que uma eventual saída tua do Governo (de que falam alguns jornais) se não devesse a uma suposta escassez de obras públicas em período pré-eleitoral, ou a uma promoção à Comissão de Bruxelas, mas a um vigoroso murro na mesa em protesto contra esta guerra inacreditável!
Embora não possamos esquecer o precedente trágico da engrenagem aparentemente imparável que levou à Grande Guerra (“pourquoi ont-ils tué Jaurès?”), nenhuma guerra é inevitável. Disso falaremos talvez um dia, a uma qualquer sobremesa. Engenheiro
* A nota introduzida no texto refere a data de 1959, mas foi em 1957 (ou mesmo, mais precisamente, em 31 de Dezembro de 1956) que teve início a luta estudantil contra o decreto n.º 40.900, que punha fim à autonomia das associações de estudantes e as colocava sob a tutela da Mocidade Portuguesa.
João Cravinho, então presidente da Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico, foi, assim como João Martins Pereira, um dos líderes dessa luta, que terminaria com a suspensão do diploma.13.11.08
[ouvindo Rita Lee]
Meu bem você me dá
Água na boca
Vestindo fantasias
Tirando a roupa
Molhada de suor
De tanto a gente se beijar
De tanto imaginar
Imaginar!
Loucuras...
A gente faz o amor
Por telepatia
No chão, no mar, na lua
Na melodia
Mania de você
De tanto a gente se beijar
De tanto imaginar
Imaginar!
Loucuras...
Nada melhor
Do que não fazer nada
Só prá deitar
E rolar com você...
7.11.08
[fiquei impressionado]
Na primeira pessoa Omer Goldman
Prenderam a filha pacifista do ex-número dois da Mossad0
Público, 5.11.2008
Ela tem 19 anos. Regressa hoje a uma base militar para um terceiro ciclo de 21 dias de detenção. Recusa-se a servir num "exército
de ocupação". É mais um desgosto para o seu pai, que desistiu
de ser chefe dos espiões de Israel. Por Margarida Santos Lopes O meu pai é Natalin Granot, um especialista em Irão que se demitiu de "número dois" da Mossad, em 2007, quando não o promoveram a chefe da principal agência de espionagem de Israel. Eu, Omer Goldman, 19 anos, sou uma pacifista e, hoje, regresso à prisão nº 400, numa base militar próxima de Telavive. Recuso-me a servir num exército que comete, todos os dias, crimes de guerra nos territórios palestinianos ocupados.
Fui recrutada para o serviço militar obrigatório aos 18 anos, mas já no liceu eu decidira que não queria ir para a tropa. Assim que deixei a escola, e antes de me inscrever na faculdade, dei aulas a crianças pobres num bairro de judeus etíopes. Quando me chamaram, entreguei uma declaração aos oficiais onde afirmava: "Recuso alistar-me nas Forças de Defesa de Israel (IDF). Não farei parte deste exército que, desnecessariamente, pratica actos de violência e viola os mais básicos direitos humanos."
No dia 23 de Setembro, sem ter sido julgada, fui cumprir 21 dias de detenção. Fui libertada a 10 de Outubro, mas voltei para um segundo período, desta vez apenas de 14 dias, porque fiquei doente. Saí novamente em liberdade, na sexta-feira, dia 30 de Outubro. Estes ciclos irão repetir-se até que o exército se canse, porque eu não vou desistir.
Conheço pessoas que passam muito tempo reclusas. Um exemplo é Jonathan "Yoni" Ben-Artzi, sobrinho do líder da oposição, Benjamin Netanyahu. Esteve detido um total de 18 meses ao longo de oito anos. Em 2007, conseguiu que o Supremo Tribunal validasse os seus argumentos para não ser soldado (ele era completamente contra qualquer forma de luta - nem quando era miúdo aceitou aulas de judo), mas fracassou no intuito de ver reconhecido o estatuto de objector de consciência em Israel.
Neste país, as IDF são um "exército do povo", quase mitológico. Não podemos recusar-nos a servi-lo por motivos políticos. Há quem cite David Ben Gurion, o primeiro chefe de Governo, para justificar que um exército politizado não permite a sobrevivência da nação, e que quem quer ser um dissidente político deve levar as suas causas para o terreno civil.
Mas foi Ben Gurion que permitiu a isenção do serviço militar aos ultra-ortodoxos que frequentem as yeshivot ou escolas talmúdicas. É um sistema de dois pesos e duas medidas, que favorece os religiosos porque eles têm peso político.
Uma bala de borracha
Eu soube que seria para sempre uma refusenik depois de ter participado num protesto contra a construção ilegal do muro de separação que atravessa a Cisjordânia. Eu e outras amigas estávamos na aldeia de Ni'alim e, de repente, reparei que o inimigo não eram os palestinianos sentados ao meu lado, como sempre me disseram, mas um soldado israelita que disparou contra mim uma bala de borracha. Fiquei ferida num braço, felizmente sem gravidade, mas uma palestiniana de 17 anos foi morta. As balas de borracha matam como as munições reais.
As minhas convicções ficaram mais fortes depois da Segunda Guerra do Líbano, no Verão de 2006. Comecei a questionar a sério a ética do exército, o uso de armas não convencionais, o envio de soldados para a frente de batalha onde morriam sem objectivos definidos. Comecei a ir mais aos territórios ocupados, e vi soldados a disparar sobre civis inocentes.
Antes de ser detida, procurei apoio psicológico, todas as semanas, durante um mês. A terapia deixou-me mais calma e mais forte. Sinto que a prisão será uma experiência, para o bem ou para o mal, que me deixará mais adulta.
A última coisa que fiz antes de entrar na minha cela foi deliciar-me com um prato de hummus [pasta de grão com azeite] - a minha comida favorita. Quando me libertaram, fui para uma festa dançar e ver pessoas que me fizeram sentir bem. Perdi muitos amigos, e até familiares, por causa das minhas posições. Aqui, em Israel, todos pensam que todos devemos ser soldados.
Depois do divórcio dos meus pais, eu vivo com a minha mãe em Ramat HaSharon, localidade de gente rica, nos arredores de Telavive. Ela compreende-me, mas tem medo que me façam mal. Tenho uma irmã mais velha, de 27 anos, que já foi militar e não vive connosco. Eu gosto muito do meu pai, mas ele nunca me foi ver à prisão, ao contrário da minha mãe. Ficou escandalizado por eu ser uma refusenik. Afinal, ele era uma espécie de general. É claro que se opõe, veementemente, ao que eu faço, mas a relação afectiva pai-filha nunca foi abalada.
Também não creio que a carreira do meu pai seja prejudicada pelas minhas acções, embora eu tenha a certeza de que o meu caso está a ter mais repercussão pública por eu ser filha de Natalin Granot. Ele já se demitira em Junho de 2007. Segundo o escritor e jornalista israelita Igal Sarna, o meu pai era um operacional da Mossad que os jornais identificavam apenas como N. Subiu até chegar a adjunto do "número um", Meir Dagan, e sucessor designado. Ao contrário do que se esperava, Dagan não se reformou. Permaneceu no cargo e o meu pai preferiu demitir-se. Não havia lugar para dois "patrões" com demasiado poder.
E, para avaliar o poder do rival do meu pai, leia-se o que disse - numa sala em que a audiência explodiu de aplausos - o colunista político Emmanuel Rosen, que fez parte do painel de jurados que, em Outubro, atribuiu a Meir Dagan o prémio Man of the Year (Homem do Ano) de Israel. "Ele ganhou fama por cortar cabeças de palestinianos com uma espada japonesa. Ele nasceu com uma faca entre os dentes".
Uma farda americana
Não chamem à minha atitude uma rebeldia de adolescente ou um acto de revolta por o meu pai ter saído de casa da minha mãe. É muito mais do que isso. Fui uma de 40 estudantes liceais que assinou a "Declaração 2008 dos Alunos do 12º ano" - altura em que somos recrutados pelo exército. Foi em Abril de 1970 que surgiu a primeira iniciativa, com carta enviada à primeira-ministra Golda Meir. Causou imenso furor. Já era um protesto contra a ocupação da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, conquistadas na guerra de 1967. Depois disso, houve mais três declarações, embora já não haja tanta polémica.
Na prisão - uma prisão para raparigas dentro de uma prisão para rapazes -, tenho sorte porque estou com mais quatro alunas signatárias da "Declaração 2008", e duas delas são grandes amigas minhas, Tamar Katz e Mia Tamarin. É engraçado porque só enviam para aqui os "mais perigosos". Como podem classificar-nos como perigosas se somos pacifistas?
Somos 60 raparigas no total, entre os 19 e os 20 anos, divididas em dois grupos de 30 para duas celas. Dormimos em colchões no chão e, todas as noites, uma de nós tem de ficar acordada para vigiar as outras... envergando um uniforme do exército norte-americano! É engraçado, não é?
Acordamos às 5 da manhã e fazemos limpezas até à hora do pequeno-almoço. Retomamos as limpezas até à hora do almoço, e depois novamente até à hora do jantar. Na realidade, não há nada para limpar. Fingimos que limpamos - e nisto desperdiçamos imensa água, que Israel não tem - ou então pintamos umas pedras e tijolos
Todos os que nos guardam são mulheres. Para mim, são elas as prisioneiras, e não nós. Questionam a nossa lealdade ao Estado e à religião. Gritam connosco a toda a hora e por razão nenhuma. Espezinham os nossos direitos, negando-nos o acesso a advogados. Só conseguimos, e nem sempre, alguns minutos por dia para falarmos com a família.
Há um telefone fixo, quase sempre ocupado. Não há autorização para usar telemóvel. Podemos ler os livros que trazemos, mas as cartas que nos enviam do exterior são abertas previamente e nem sempre chegam até nós. Eles, os comandantes, não querem ceder porque sabem que, se o fizerem, estão a reconhecer que estão errados.
Sonhos bonitos sem Deus
Não somos sujeitas a tortura física, mas frequentemente conseguem quebrar-nos o espírito. Vamos dormir por volta das 22h00-23h00. Não somos nós que decidimos apagar a luz, nem quando podemos ir à casa de banho. São as guardas. Não é difícil adormecer porque quando caímos na cama estamos exaustas. Eu não tenho pesadelos. Só sonhos bonitos. Sonho que sou livre e estou a viajar pelo mundo. Quando me sinto mais triste, penso em coisas boas.
Na prisão, nenhuma de nós acredita em Deus. Usamos a nossa cabeça e o nosso coração para encontrar forças. Falamos muito umas com as outras, e escrevemos cartas umas às outras durante a noite. Algumas raparigas, ainda que objectoras de consciência, nunca viram a realidade violenta e opressiva nos territórios ocupados que eu testemunhei. Começam agora a aperceber-se da necessidade de exigir mais respeito pelos direitos humanos.
Não quero ficar na prisão muito tempo. Se me propuserem a possibilidade de serviço cívico aceitarei. Quero participar e ser solidária com a sociedade onde vivo. Se quiserem que eu seja voluntária a vida toda, sê-lo-ei.
Gostava de ir para a faculdade, talvez estudar Direito, mas o meu grande amor é a representação. Acho que vai ser muito difícil o meu futuro num país onde as pessoas são mais conhecidas pela unidade do exército a que pertenceram do que pela profissão que exercem.
Talvez dentro de dez ou 20 anos as pessoas me compreendam e deixem de pensar em termos de judeu, negro, branco, cristão... Eu não acredito que a violência se combata com a violência. Esse nunca será o meu caminho, digam o que quiserem.
Ficarei muito feliz se me escreverem. A minha morada nos próximos dias é esta:
Omer Granot
Military ID 5398532
Military Prison nº 400
Military Postal Code 02447, IDF
Israel
A partir de uma entrevista com
Omer Goldman por telefone
e e-mail, e notícias dos jornais
The Times, The Guardian, Jerusalem Post, Ha'aretz e Al-Ahram
4.11.08
[falta de descaramento]
Pensei que Manuela Ferreira Leite tinha batido no fundo quando declarou que a aposta do Governo nas obras públicas pode ajudar a reduzir o desemprego em Cabo verde e na Ucrânia ou quando se indignou com o anúncio do aumento do salário mínimo.
Hoje, quando a ouvi dizer, com o seu ar de permanente indignação, que o engano do governo no cálculo do défice deixado pelos governos PSD/PP era revelador da natureza do governo de Sócrates, percebi que a senhora está num túnel escuro.
É verdade que o buraco não correspondia aos 6,83% inicialmente apontados, mas a versão final de 6,1% devia fazer a senhora corar de vergonha e nem sequer aflorar o assunto...
29.10.08
26.10.08
Carta aberta ao Presidente da Câmara de Sintra sobre a urbanização de Monte Santos
Cerca de meia centena de cidadãos e cidadãs subscrevem, em conjunto com 5 organizações ambientalistas, uma carta aberta ao Presidente da Câmara de Sintra, exigindo a imediata suspensão do projecto da urbanização de Monte Santos, em Sintra. Entre os subscritores encontram-se o Professor Galopim de Carvalho, os ambientalistas Flora Silva e Eugénio Sequeira, juristas, professores universitários, vários nomes da cultura sintrense, bem como cidadãos e cidadãs civicamente empenhados na defesa do património.
Podes ler e assinar a carta e encontrar toda a informação sobre esta iniciativa aqui
24.10.08
18.10.08
15.10.08
[mau pressagio - até o Magalhães o sentia...]
(...)
A história é curta, mas demorou horas. O Governo marcara para as 16h a entrega do OE na Assembleia da República (AR), um dia antes do fim do prazo legal. Vinte minutos depois dessa hora, os serviços da AR avisaram que o executivo adiara a entrega para as 19h30. A essa hora, quando o ministro Teixeira dos Santos entregou a pen que supostamente continha o documento ao presidente da AR, gracejou dizendo: "Até o Magalhães o abria".
Jaime Gama prometeu que o Parlamento "ia mergulhar" no orçamento, mas a verdade é que só duas horas depois, às 21h30, é que parte do documento entrou no sistema informático da AR. Por apresentar ficou o relatório explicativo e os mapas anexos, precisamente os documentos onde estão os números que vão guiar o país ao longo do próximo ano.
"O OE entrou incompleto, estamos à espera do documento", afirmou ao PÚBLICO a secretária-geral, Adelina Sá Carvalho, pouco antes das 21h, assegurando estar uma equipa pronta para o colocar no site assim que chegasse.
(...)
In Público, 15 de Outubro de 2008
10.10.08
[onde está??]
Este é uma entidade simbólica, celebrada por um contrato com funções de regulação social.
Por isso é que é tão urgente mudá-lo, para acabar de vez com a discriminação.
Chegará o dia.
26.9.08
22.9.08
[lembrei-me disto...]
Maçã com Bicho
Letra: Sérgio Godinho
Música: Nuno Rafael e João Cardoso
O tempo passa
e lembras com saudade
o saudoso tempo da universidade
foste caloiro
e quintanista
já comes caviar
esquece o alpista
P`ra entrar na universidade
é preciso
prender o humor
na gaiola do riso
ter médias altas
hi-hon, ão-ão
zurrar, ladrar
lamber de quatro o chão
Mas há quem ache
graça à praxe
É divertida (Hi-hon)
Lição de vida (Ão-ão)
Maçã com bicho
acho eu da praxe
É divertida (Mé-mé)
Lição de vida (Piu-piu)
Maçã com bicho
acho eu da praxe
Chamar-se a si mesmo
besta anormal
dá sempre atenuante ao tribunal
é formativo
p`ró estudante
que não quer ser popriamente
um ingnorante
Empurrar fósforos com o nariz
tirar à estupidez a bissectriz
eis causas nobres
estruturantes
eis tradição
sem ser o que era dantes
Mas há quem ache
graça à praxe
É divertida (Hi-hon)
Lição de vida (Ão-ão)
Maçã com bicho
acho eu da praxe
É divertida (Mé-mé)
Lição de vida (Piu-piu)
Maçã com bicho
acho eu da praxe
Não vou usar
mais exemplos concretos
é rastejando
que se ascende aos tectos?
Então vejamos
preto no branco
as cores da razão
porque a praxe eu desanco
Mas há quem ache
graça à praxe
É divertida (Hi-hon)
Lição de vida (Ão-ão)
Maçã com bicho
acho eu da praxe
É divertida (Mé-mé)
Lição de vida (Piu-piu)
Maçã com bicho
acho eu da praxe"
18.9.08
[o crime compensa...?]
A Autoridade da Concorrência (AdC) acusou sete empresas que fornecem refeições a instituições públicas, nomeadamente a hospitais e a escolas, de concertarem preços nos serviços que prestam, actuação que é ilegal por configurar a prática de cartelização.
(...)
A AdC estima em 172 milhões de euros o prejuízo para o Estado desta actuação ilícita e concertada entre estas sete empresas.
In Público, 19-9-2008
Parece que a multa será de 38 milhões... o crime compensa.
[ainda se fosse sobre o divorcio das gasolineiras com os consumidores...*]
O Presidente da República, Cavaco Silva, escusou-se a comentar a possibilidade de o Estado intervir para fazer baixar os preços dos combustíveis para os consumidores, referindo apenas que a questão é "complexa" e que exige reflexão.
*ou: este gajo não diz nada de nada...
15.9.08
11.9.08
[35 anos depois]
(...)
Trabajadores de mi patria, tengo fe en Chile y su destino. Superarán otros hombres este momento gris y amargo, donde la traición pretende imponerse. Sigan ustedes sabiendo que, mucho más temprano que tarde, se abrirán las grandes alamedas por donde pase el hombre libre para construir una sociedad mejor.
¡Viva Chile, viva el pueblo, vivan los trabajadores!
(...)
último discurso de Salvador Allende, antes de ser assassinado
9.9.08
5.9.08
3.9.08

Ricardo Quaresma é de origem cigana. Tem orgulho na sua gente e na sua cultura.
Vai jogar para Itália, tem contrato milionário para alinhar na equipa treinada por Mourinho.
Pergunto-me: será que as autoridades italianas, cada vez mais intolerantes, lhe vão impor as medidas especiais que levaram, nos últimos meses, ao cadastramento dos ciganos naquele país?...














