5.4.09

#1 [tutta la vita davanti]
Entre as risadas que o burlesco gera, há uma infinita tristeza que cresce, uma profunda inquietação que se instala e um nó que se vai apertando.

Tutta la vida davanti

29.3.09

#1
[Roça a genialidade]
Será da idade?

8.3.09

Acerca do sentido

1
Aproxima-te. É assim que consegues encontrar algumas palavras. Estão juntas. Têm um sentido
capaz de vir acompanhar-te como se pelos dedos escorresse um pouco de água, a sua transparência
súbita. Recebe o que elas te podem dar agora, a respiração que fica tranquila e o mesmo aceno
só para que depois consigas compreender como é fácil que tudo se perca nos teus olhos.

2
Que limites existem para a luz? Veio alguém acender esta candeia. À nossa volta, uma pequena chama principia a erguer-se, mas em vão é que ela se conserva perto de nós, quando abrimos devagar as leves páginas cujo sentido se ignora e as fechamos depois sem esperança, como se fosse este o seu destino no interior da noite. Estamos ali adormecidos e havemos de encontrar uma outra luz, maior, que as permita ler.

3
A verdade cabia nos teus olhos, mas estes fecham-se
com um movimento que se torna simples. Apenas a espuma
era trazida pelas ondas e outros vestígios chegaram
de um dia humedecido; depois, vimos como se deteve
e ficou de novo submersa. Mas é dela que talvez se receba
um aviso. Ainda hoje a esperamos quando junto de nós
finalmente se encontra uma nova imagem abandonada
pela proximidade da noite. Sabias que a verdade é um aviso?

4
Quem veio escrever estas palavras? Abre
sem pressa o livro, mas nem sequer o leias
todo. Deixa que fiquem algumas dessas páginas
caídas ao teu lado. Assim talvez encontres
a imobilidade que finalmente existe
no seu interior. É tudo o que recebes
de alguém que nem sequer te pode conhecer
quando faz para ti um derradeiro gesto.

5
As mãos uniram-se e é mais perto que conservam
a dimensão de uma palavra, a última. A elas pertencem
igualmente as trevas que vinham ao encontro de tudo, leves
asas feridas pelo seu movimento, sem qualquer cor
e cada vez mais nossas. Aprendemos a acreditar neste voo,
na altura de uma haste, no próprio olhar atento
a uma linha mais alta para assim encontrarmos
no que nos rodeava a vinda destas aves.

6
Coloquemos um lenço sobre o rosto. Não para o ocultar
mas para que fique mais nítido o que vemos. Essa
há-de ser a margem das nossas feições, a sua mais próxima
brancura. A respiração nem o toca sequer. Outra brisa
começava a atravessar o peito. Ela vem agora ao nosso encontro
sem qualquer ruído, como se as mesmas folhas estivessem
ausentes. Sabemos há muito que é assim. Depois o silêncio
chega, porque foi sempre a ele que estas vozes pertenceram.

7
O que podemos esperar? É mais perto que vês
um caminho. A ele nos habituamos. É deste modo
que consegues compreender-me melhor. Reparas agora
como os gestos podem ficar reduzidos a um único
movimento e as cores à mesma transparência
que as há-de tornar maiores. Encontras o sentido
que pertencia a tudo, para que finalmente seja
apenas nosso, como se olhássemos para longe.

Fernando Guimarães

3.3.09

#1 [...]

As primeiras linhas são sempre as mais complicadas.

28.2.09

#1
[so happy!]

(...)
Bicycle bicycle bicycle
I want to ride my bicycle bicycle bicycle
I want to ride my bicycle
I want to ride my bike
I want to ride my bicycle
I want to ride my
Bicycle races are coming your way
So forget all your duties oh yeah!

(...)

Queen, Bycicle Races

22.2.09

#1
[Gigante]

(...)
Património Mundial
é orgulho com certeza

Falta pôr num pedestal
Aqui não entra a pobreza...

SG, In Domingo no Mundo

16.2.09

#1

[já chega! ]

A história do BPN é uma vergonha. Ainda não se sabe tudo, mas já percebemos que a morasca é grande. É tempo de levantar a voz da cidadania.

Sem condenar ninguém em antecipação, considero que a mentira de Dias Loureiro na comissão parlamentar de inquérito é motivo suficiente para exigir a sua saída do Conselho de Estado.

Por iniciativa própria ou sendo demitido por Cavaco.

Por isso assinei a petição e convido-vos a fazê-lo também.

Passem a Palavra

Ver aqui


"Os cidadãos portugueses abaixo-assinados apelam ao ainda conselheiro Manuel Dias Loureiro que, a bem do bom-nome daquele órgão de soberania e da democracia e dando um sinal claro de que não vê o seu cargo como forma de protecção e que quer o cabal esclarecimento de todos os factos, se demita do Conselho de Estado.

E que, caso este teime em não o fazer, o Presidente da República, que o indicou para o cargo, deixe claro que este conselheiro de Estado já não conta com a sua confiança."



15.2.09

#1
[Milk]
É um lugar comum classificar Milk como um filme notável. Pela interpretação de Sean Pen, diz-se.
Mas também pela história que conta, que eu desconhecia. Harvey Milk era um homem de coragem e teve um papel determinante na luta pelos civil rigths e pelo reconhecimento de um estatuto de "normalidade" a pessoas que, no fim de contas, amam outras pessoas.
E há também a forma intensa como nos faz sentir todo o despertar de um movimento. Para um activista, Milk tem esa dimensão particular, a de retratar a importância da estratégia, da liderança e do colectivo, da esperança e da mensagem, da capacidade de ler os acontecimentos e das escolhas necessárias(concorde-se ou não com elas).
Depois de A Valsa com Bashir e do Complexo Baden-Meinhof, aqui está mais um filme incontornável para quem quer compreender o século XX.

Sobre o filme, vale a pena ler o artigo Eles somos nós do Zé Soeiro.

12.2.09

#1
[Em tempo de reedição]


As Cidadãs, pelas palavras da autora

6.2.09

#1
[Phelps]

No verão passado, vibrei com todas as braçadas que Michael Phelps deu no Cubo de Água, em Pequim.
Dizia-se então que ele era uma máquina. Entretanto, algum amigo da onça pôs uma fotografia a circular, mostrando o nadador a fumar um charro numa festa de universidade.
Embora estivesse de férias desportivas e a consumir uma substância que não faz parte do index do dopping, a indignação foi geral e a condenação por parte da federação e de um dos seus patrocinadores não demoraram a aparecer.
Cá para mim, este o episódio só reforça a simpatia que já tinha por Phelps, uma vez que mostra a sua parte mais humana. O moralismo que hoje o condena será derrotado.

5.2.09

#1
[...]

Só não é belo o que não se deseja
ou que ao nosso desejo mal responde

Jorge de Sena, Exorcismos

4.2.09

#1
[Terra do Fogo]

Há ilhas que, dentro de nós, vão ganhando espaço ao silêncio.

3.2.09

#1
[...]

Hans Beck, o criador dos Playmobil, morreu na sexta-feira aos 79 anos, vítima de doença grave, noticiaram ontem as agências.
(...)
Beck levou três anos a desenvolver os famosos bonecos que se queriam rígidos - deviam ser capazes de segurar pequenos obejctos nas mãos - e resistentes.

O sucesso dos bonecos de sete centímetros de altura e "tamanho ideal para a mão de uma criança" pode também dever-se a uma crise do petróleo que disparou o preço do plástico e dos brinquedos de maiores dimensões.

31.1.09

#1

[...]

Diário de reportagem

Com palavras precisas

(e fina ironia)

relatas o improvável

trajecto do projéctil,

as casas esventradas,

os milagres quotidianos,

a morte lenta e particular

de um povo inteiro.


Se a tensão adensa

e o grito já sufoca,

dizes-nos da dignidade,

oferecendo ao papel

pequenos morangos

cuja doçura, em Gaza,

é antagonista dessa miséria

nada humana.


Pergunto:

haverá suficiente lucidez,

ternura ou raiva,

para escrever tudo

o que os teus olhos

nos querem contar?


Sintra, 31 de Janeiro de 2009

À Alexandra Lucas Coelho, que está em Gaza

30.1.09

#2
[e o aquecimento global também...]


Cavaco Silva teme que nova lei do divórcio aumente número de "novos pobres"
In Público on-line, 30/01/2009
#1
[não estou bem a ver porquê...]

dizem que este anúncio, com Kilie Minogue, foi considerado o mais popular de sempre, entre os que passaram nas salas de cinema britânicas...

27.1.09

#1
[como castigo, fica sem sobremesa durante uma semana...]

"O tio do primeiro-ministro, Júlio Monteiro, confirmou hoje que o filho teve uma reunião com os responsáveis do Freeport, na sequência de um email onde invocava ser familiar de José Sócrates."

Público, 26 de Janeiro de 2009

24.1.09

#2
[diário de reportagem]

Alexandra Lucas Coelho conhece um pouco de Israel e da Palestina. Tem amigos dos dois lados e acompanhou de perto os últimos anos deste conflito.
Desde o início desta ofensiva Israelita na faixa de Gaza, há mais de um mês, que se pressentia, nas entrelinhas dos seus textos, uma indomável vontade de deixar Lisboa e ir ver com os próprios olhos aquilo que lhe iam dizendo por telefone ou chat.
Já lá está, testemunhando e cumprindo o seu ofício de relatar - não deixem de a ler.

#1

[não me venham cá dizer "ah e tal e os rockets..."]

A melhor escola no chão

Alexandra Lucas Coelho, Público, 24.01.2009

É como se um meteorito gigante tivesse caído e esmagado a Escola Americana Internacional de Gaza. Com investimento palestiniano e curriculum americano, era a melhor escola do território, e agora professores e alunos andam entre as ruínas em estado de choque.

Uma mulher encontra um livro de Ciência e agarra-o contra o peito. É Alia, a bibliotecária. Fatin, uma das professoras, abraça Zena, de nove anos, ambas voltadas para os destroços. "Isto aconteceu no dia 3 de Janeiro." Porquê aqui, se à volta não há nada? "Pergunte-lhes", sugere Fatin. "O corpo do guarda foi encontrado em partes, uma metade aqui na frente, outra metade nas traseiras."

Quantos alunos tem a escola? "230", responde logo, num óptimo inglês, a pequena Zena, que mora em Gaza, e até hoje não tem vidro nas janelas. O que fazem para não ter frio? "Vestimos mais roupas."

"Agora não sabemos o que fazer aos estudantes", diz Fatin.

Duas delas estão ao cimo das escadas a discutir. Nur, que tem rabo-de-cavalo e 14 anos, está indignada. "Usam as casas para disparar rockets e se as pessoas não querem têm que deixar a sua casa!" Depois conta que uma das suas melhores amigas morreu na guerra, até que a voz lhe falta, ela baixa a cabeça para se controlar, e começam a pingar lágrimas do nariz.

Fatin, a professora, corre a abraçá-la, e então Nur chora convulsivamente. Quando recupera, diz: "Estou muito zangada com o Hamas. Acho que isto tudo aconteceu por causa dos rockets".

À volta, as colegas contestam. "Não é por causa dos rockets que Israel tem o direito de destruir uma escola destas", clama Habir, de 16 anos. "Eles querem destruir tudo o que é novo, histórico, educacional. Isto é um crime." Dana, de 16 anos com muito acne, concorda, e Habir continua, apaixonadamente. "Se isto é contra o Hamas, porque é que tantos mortos não são do Hamas? E dizem que se estão a defender! Defendem-se de uns rockets que são uma desculpa, só causam um buraco no chão."

Esta discussão sobre o papel do Hamas é geral? "Estamos a discutir desde o princípio da guerra. É difícil não questionar quando não podemos dormir e ir a qualquer lado, e estão a usar armas do céu, da terra e do mar contra nós."

O que querem agora?

"Queremos um governo de unidade nacional", diz Habir. "Só queremos continuar a estudar nesta escola", acrescenta um rapaz, Adam, que veio com os colegas ver a destruição. "Trabalhámos tanto para isto acabar assim."

Yunis, de 18 anos, aparece de chinelos numa pilha de entulho. É irmão do guarda morto. Conta que o pai teve um primeiro filho Salim, que foi morto há anos, e um segundo filho Salim, que morreu - e o terceiro filho Salim era o guarda que foi desfeito em pedaços aqui.

Israel alega que estavam a ser disparados tiros do interior. "Mas a escola estava vazia, e se estivesse aqui alguém o guarda tinha-nos dito", contrapõe Lucy, outra professora. "Eu acordei às três da manhã com o primeiro míssil e antes não ouvi nada", acrescenta o irmão do guarda. "O meu irmão sentia-se seguro, porque era uma escola americana. Antes de morrer, telefonou à família e disse: 'Se sentirem perigo, venham para aqui'.

22.1.09

#1
[A aquecer os motores]
É já no domingo. Apesar dos primeiros 11km serem (quase) sempre a trepar, é das corridas mais bonitas conheço. Começa bem perto do sitio onde nasci (e quase à porta de casa), atravessa a Serra onde cresci e termina no fim da Europa.

20.1.09

#2
[Get on your boots]

Future needs a big kiss
Winds blow with a twist
Never seen a move like this
Can you see it too
Night is falling everywhere
Rockets hit the funfair
Satan loves a bomb scare
But it won’t scare you

Chorus
Yeah sexy boots
Get on your boots yeah

Free me from the dark dream
Candy bars, ice cream
All the kids are screaming but the ghosts aren’t real
Here’s what you gotta be
Love and community
Laughter is eternity if the joy is real

You don’t know how beautiful (2x)
You are
You don’t know
You get it do you
You don’t know
How beautiful you are

If someone’s into blowing up
We’re into growing up
Women are the future
All the big revelations
I’ve gotta submarine, you’ve got gasoline
I don’t wanna talk about wars between nations

Not right now

Sexy boots yeah (no no no)
Get on your boots yeah (Not right now)
Foxy boots

You don’t know how beautiful (2x)
You are
You don’t know
You get it do you
You don’t know
How beautiful you are

Sexy boots
I don’t wanna talk about wars between nations

Let me in the sound (3x)
Sound
Let me in the sound sound
Let me in the sound
anekatips.com
My God I’m going down
I don’t wanna drown now
Let me in the sound

Let me in the sound (3x)
Sound
Let me in the sound sound
Let me in the sound

Get on your boots
Get on your boots
Get on your boots
Yea yeaah
Get on your boots
Get on your boots
Get on your boots

U2
#1
[U2]

O novo disco, No line on the horizon, está prometido para dia 2 de Março.
Mas o primeiro som - Get on your boots - já está disponível aqui (abrir em internet explorer e esperar um minuto).
é uma grande malha!

19.1.09

#1
[vida de marinheiro]

14.1.09

#1
[...]

desassossego
Desassossego

Tenho de escolher o que detesto - ou o sonho, que a minha inteligência odeia, ou a acção, que a minha sensibilidade repugna; ou a acção, para onde não nasci, ou o sonho, para que ninguém nasceu.
Resulta que, como detesto ambos, não escolho nenhum; mas, coo hei-de, em certas ocasiões, ou sonhar ou agir, misturo uma coisa com outra.

Bernardo Soares, Livro do Desassossego

13.1.09

#1
[este post é uma experiência]

Aviso à navegação: estou a navegar no louco mundo dos feed readers...
Vá... Sorriam com condescendência :)

12.1.09

#1
[aquele bar]

11.1.09

#2
[...]

um tipo mete-se em cada 31...
#1
[854 mortos, 270 crianças]


Shalom Palestina - José Mário Branco

8.1.09

#1
[Praying with Polly Jean]

I can't believe life's so complex
When I just wanna' sit here and watch you undress
* This is love that I'm feeling
Does it have to be a life full of dread?
I wanna' chase you round the table, I wanna' touch your head
* This is love that I'm feeling
I can't believe that the axis turns on suffering
When you taste so good
I can't believe that the axis turns on suffering
While my head burns
* This is love that I'm feeling
Even in the summer, even in the spring
You can never get too much of a wonderful thing

(...)

PJHarvey, this is love

4.1.09

#2
[ainda a Valsa]

Escondida por detrás de um filme de animação, a Valsa com Bashir é uma dura viagem, feita a uma distância de 25 anos, às profundezas da existência de um rapaz enviado para uma guerra que não sabe explicar e que depressa procurou esquecer.

E é também um relato do massacre de Sabra e Chatila, a matança que Ariel Sharon, na altura ministro da defesa de Israel, não quis evitar e a que os soldados Israelitas assistiram sem reagir, ficando no ar a dúvida se não terá existido apoio logístico à intervenção dos falangista.

Com esta viagem ao (seu) passado, conduzida pelas recordações dos companheiros de guerra, Folman não tentou expiar a culpa nem aliviar a responsabilidade daquilo a que assistiu no Libano. Procurou, isso sim, reconstruir episódios que tinha deixado de fora do seu sistema emocional.

Num momento em que a violência e a brutalidade do Tsall se abate novamente sobre os Palestinianos, este filme é cheio de actualidade, mostrando bem como poderá acabar a agressão em curso a Gaza.

Por outro lado, deixa claro que a procura da solução para o problema palestiano não teve grandes cambiantes em três décadas, bem como a grande falta de memória dos líderes Israelitas que conduzem mais esta guerra: esqueceram-se das vítimas, de todas as vítimas, e da forma como o seu povo foi tratado no passado.
#1 [Valsa com Bashir]
Site do filme
Entrevista do realizador Ari Folman ao Ipsilon

Uma noite, num bar, o israelita Ari Folman encontra um amigo que lhe conta como um pesadelo recorrente o atormenta cada vez mais. No sonho, o amigo de Ari é perseguido por uma matilha de 26 cães enraivecidos. 26, exactamente o mesmo número de pessoas que matou durante a guerra com o Líbano, no início dos anos 80. No dia seguinte, Ari sente uma necessidade vital de relembrar e descobrir a verdade sobre esse período da sua vida. Decide então entrevistar velhos amigos e camaradas. E quanto mais Ari mergulha no interior da sua memória, mais imagens esquecidas e perturbadoras vêm à tona. Realizado por Ari Folman, "A Valsa com Bashir" é um filme de animação autobiográfico.
In Cinecartaz, Público

31.12.08

#1
[um ano em imagens*]

just thinking
Dezembro - Just Thinking

sleeping
Novembro - Sleeping

there's many li(f)es for an envelope
Outubro- There's many li(f)es for an envelope

linha azul
Setembro - Linha Azul

ray ban
Agosto - Ray Ban

Bottari
Julho - Bottari

the match
Junho - the match

Lazy Bird
Maio - Lazy Bird

wash & Dry
Abril - Wash & Dry

um mar de profs
Março
- Um Mar de Profes

margens
Fevereiro - Margens

fish eye
Janeiro - Fish Eye

*Para a C, que, quando não foi modelo, esteve a meu lado ou partilhou o entusiasmo destas fotos. Apesar de tudo, foi um ano cheio de coisas boas

30.12.08

#1
[ainda bem...]

(...)
A noite passada um paredão ruiu
pela fresta aberta o meu peito fugiu
estavas do outro lado a tricotar janelas
vias-me em segredo ao debruçar-te nelas
cheguei-me a ti disse baixinho "olá",
toquei-te no ombro e a marca ficou lá
o sol inteiro caiu entre os montes
e então olhaste
depois sorriste
disseste "ainda bem que voltaste"

(...)
Sérgio Godinho

29.12.08

#1
[sometimes you just need to cross the road]
Bridget Jones - Portrait of Sydney Jones Chandler, 2006
Ver mais


to find important things

28.12.08

#1
[niet rabut]

view is falling, please insert the correct plugin

26.12.08

#2
[É a natureza das coisas]

Bato à porta da pedra.
- Sou eu, deixa-me entrar,
quero ver-te por dentro,
saber como és,
respirar-te.

Vai-te embora - diz a pedra.
Estou fechada a sete chaves.
Mesmo feitas em pedaços
estaremos fechadas a sete chaves.
Mesmo reduzidas a areia
não deixaremos ninguém entrar.

Bato à porta da pedra.
- Sou eu, deixa-me entrar.
Venho por pura curiosidade.
Só em vida tenho esta oportunidade.
Gostaria de passear-me pelo teu palácio,
depois visitar ainda a folha e a gota de água.
Não tenho muito tempo para tudo isto.
A minha mortalidade deveria comover-te.

- Sou de pedra - diz a pedra
e isso obriga à seriedade.
Vai-te embora.
Não tenho os músculos do riso.

Conversa com a pedra de Wisława Szymborska
#1
[sem grande rede]

Não sei se é do período natalício, mas as redes de comunicação estão completamente maradas.
É um grande transtorno.

23.12.08

#1
[a Dona do Castelo]

Amor perfeito
Amor quase perfeito
Amor de perdição paixão que cobre
Todo o meu pobre peito pela vida afora
Vou-me embora, embromadora
Você para mim agora
Passa como jogadora
Sem graça nem surpresa
Diga que perdi a cabeça
Seu eu me levantar da mesa e partir
Antes do final do jogo
Louco seria prosseguir essa partida
Peça falsa que se enraíza
E faz negro todo meu desejo pela vida afora
Vou-me embora, embromadora
E quando eu saltar de banda
E quanto eu saltar de lado
Vou desabar seu castelo de cartas marcadas
E tramas variadas
Sim
Seu castelo de baralho vai se desmanchar
Desmantelado
Decifrado
Sobre o borralho da sarjeta
Chegou o inverno!


Adriana Calcanhotto

21.12.08

#1
[os operários]
No fio da memória - vozes e rostos dos operários
da fábrica da Pólvora de Barcarena

Fotografia de Autor sobre uma das imagens da Exposição

Ver mais imagens da Exposição

Os operários vestiram os seus fatos domingueiros e levaram os netos e as memórias a passear.

- Não és tu quem estás ali?

- Maria, aquele é o teu pai!

- Olha, vês aqui? É o avô Malheiro.

Rapazes e raparigas de outros tempos foram o centro das atenções. A fábrica encheu-se e eram as suas vidas que contavam para quem, entre eles, circulava.

- Aqui era a sala de enchimento.

- Está tudo tão diferente… o espaço ficou muito bonito depois de ser limpo.

Histórias antigas, dos que sobreviveram à explosão e de quem já não a pode recordar.

- Este é o Sr. João, este é o Manel, o ti Zé, o Afonso da Mira… já cá não está nenhum.

Trabalhadores especializados ou serventes, a família inteira viveu da fábrica. Era perigoso, mas garantia a segurança de um salário fixo.

- Vocês são raparigas novas, não sabem como a vida foi dura para nós. Ganhava 18 escudos, uma miséria.

Vinham para o vale a pé e de bicicleta. Moravam em Queluz de baixo, Barcarena, S. Marcos, da Agualva, Rio de Mouro e em tantos outros sítios.

No sol de Inverno, os dedos retorcidos acariciaram-se nas fotografias.

Riram orgulhosos de se verem na televisão. Os operários estavam contentes.


Sintra, 21 de Dezembro de 2008

20.12.08

#1[...]

(...)

Vamos correr contra o tempo

E ficar em forma

Para fingir que estamos vivos

E que nada nos transtorna


Ainda falta muito tempo

Para a nossa sepultura

Não sei se me aguento

Com os teus métodos

De tortura

(...)
Os Pontos Negros

13.12.08

1#
[aqui tão perto]

foto de Enric Vives-Rubio

Há 15 anos que a Lua Cheia não estava tão perto da Terra. São 30 mil quilómetros a menos do que o normal. A lua tem uma órbita elíptica à volta da Terra, por isso não está sempre à mesma distância do planeta. Hoje está só a 363.000 quilómetros, por isso apresenta-se aos nossos olhos 14 por cento maior e 30 por cento mais brilhante.
in Público, 13 de Dezembro de 2008

12.12.08

#1
[boa ideia]

11.12.08

#1
[porca miseria...]

28.11.08

#1
[Xanana]

Esta manhã, ainda meio a dormir, ouvi a entrevista que Xanana Gusmão deu a Maria Flor Pedroso.
Dizer que senti nojo pelo que ouvi da boca do ex-comandante e agora primeiro ministro timorense é uma forma suave de encarar a situação.
Não podia ter começado o dia de pior maneira.

Ouvir aqui

23.11.08

#1
[em código, para não assustar ninguém*]

el Kavakismo està enkavakado...



*vcs sabem do que estou a falar...

18.11.08

#2
[sem comentários...]

PSD: Ferreira Leite pergunta se "não é bom haver seis meses sem democracia" para pôr "tudo na ordem"

18 de Novembro de 2008, 16:16

A presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, perguntou hoje se "não é bom haver seis meses sem democracia" para "pôr tudo na ordem", a propósito da reforma do sistema de justiça.

No final de um almoço promovido pela Câmara de Comércio Luso-Americana, Manuela Ferreira Leite elegeu a reforma do sistema de justiça "como primeira prioridade" para ajudar as empresas portuguesas.

Questionada sobre o que faria para melhorar o sistema de justiça, a presidente do PSD demarcou-se da atitude do primeiro-ministro, José Sócrates, que "na tomada de posse anunciou como grande medida reduzir as férias do juiz".

Defendendo a ideia de que não se deve tentar fazer reformas contra as classes profissionais, Manuela Ferreira Leite declarou: "Eu não acredito em reformas, quando se está em democracia...".

"Quando não se está em democracia é outra conversa, eu digo como é que é e faz-se", observou em seguida a presidente do PSD, acrescentando: "E até não sei se a certa altura não é bom haver seis meses sem democracia, mete-se tudo na ordem e depois então venha a democracia".

"Agora em democracia efectivamente não se pode hostilizar uma classe profissional para de seguida ter a opinião pública contra essa classe profissional e então depois entrar a reformar - porque nessa altura estão eles todos contra. Não é possível fazer uma reforma da justiça sem os juízes, fazer uma reforma da saúde sem os médicos", completou Manuela Ferreira Leite.

Lusa/Fim

#1
[é da sua natureza...]

15.11.08

#1
[sort of allergy]

De há uns meses para cá, deixei de ler o Fugas, .
Simplesmente não consigo. Nem sequer os artigos do amigo Milagre.
Primeiro pensei que era do cansaço, mas, depois das férias, os sintomas de ansiedade ao folhear o suplemento de viagens do Público persistiam. Não eram tão intensos, mas estavam lá.
Depois culpei o papel - faz-me impressão o seu brilho. Mas não me satisfiz com a pena aplicada.
Começo a desconfiar que é frustração. Falta-me a estrada e o tempo sem fim para saboreá-la.
Falta-me também aliviar esse peso que trago escondido. Talvez nessa altura possa ter a certeza de que isto não é uma alergia.

14.11.08

#1
[em jeito de tributo]

Carta aberta a João Cravinho
Público, 7 de Maio de 1999
João Martins Pereira
Meu caro João,

Desde os tempos do 40.900 [luta estudantil de 1959*] até hoje, estivemos várias vezes no mesmo barco, ou em barcos próximos. Mas mesmo quando o teu barco se afastou para águas socialistas, já lá vão uns 20 anos, nem por isso deixámos estiolar a nossa velha amizade e com mais ou menos frequência nos fomos encontrando e sempre comentando apimentadamente a política do tempo.

No momento presente, pareceu-me que seria insuficiente, para mim, mais um desses encontros, em que, entre duas garfadas de cozido, debatêssemos o que vai por cá, e pelo mundo. É que o que vai pelo mundo, mais propriamente por esta Europa que se dá a ver como berço e estandarte da “civilização ocidental”, é grave demais para ficar balizado por uma bela hora de conversa bem-humorada, finda a qual cada um vai à sua vida. Tu, em particular, à tua de ministro de um governo em guerra.

Na verdade, por mais voltas que lhe dê e por mais que pondere as diferenças de contexto, os bombardeamentos da Sérvia não podem deixar de me lembrar o crime gratuito de Dresden em 45, e os dos Estados Unidos no Vietname, isto para só lembrar casos protagonizados pelos aliados de hoje. Todos têm em comum a arrogância dos estados-maiores militares, quando em situação de esmagadora superioridade de meios e o desprezo absoluto pelas populações civis que, supostamente, se pretende “libertar” e reconduzir à “convivência democrática”. Como se, antes de serem “salvas”, essas populações tivessem de ser castigadas. Em suma, têm em comum o facto de serem bárbaras, o que é justamente o oposto de “civilizado”, na acepção mais corrente.

Ponho-me a imaginar o que pensaríamos nós, ao tempo de Salazar, se uma qualquer grande potência do momento, a pretexto dos métodos insuportáveis de tal ditadura, aqui e nas colónias, decidisse arrasar o país, como prelúdio para a “instauração da democracia”. Vejo-me, vejo-nos a todos nós, a unirmo-nos decididamente contra o abominável agressor. Mas não. Nesse tempo a potência dominante, a mesma de hoje, andava entretida muito simplesmente a sustentar ditadores ao pé dos quais o Salazar era um aprendiz: Franco (que teria no seu activo bem mais vítimas do que Milosevic), Somoza, Batista, Trujillo, Perez Jimenez e tantos outros. Isto antes de colocar no poder Pinochet, e enquanto os seus aliados europeus faziam o mesmo em África com os Bokassa, Mobuto ou Hassan (o amigo do dr. Soares).

Por isso mesmo, não me venhas falar em direitos humanos ou em protecção de populações (minoritárias ou não). Duvido que os albaneses do Kosovo estejam agradecidos à NATO pela “protecção” que, alegadamente, teria estado na origem das operações. Uma coisa é certa: pelo menos adquiriram o direito a “refugiar-se”, nas terríveis condições que se conhecem. E adquiriram outro, esse em comum com os sérvios : nunca mais se irão ver livres dos seus intitulados protectores. Porque, acabada a violência e a destruição (e hão-de acabar, talvez em breve, evitando, se assim for, os sérios riscos de alargamento do conflito), os “senhores da guerra” virão generosamente presidir à reconstrução, pois se até já se fala dos famigerados protectorados!

Aos negócios da guerra — pense-se só nas indústrias (e na investigação) de armamentos e munições — sucederão os negócios “da paz”: novas pontes, novas centrais, novas estradas, novos aeroportos, novos edifícios, novas televisões. Os aliados de hoje precipitar-se-ão com meios financeiros e materiais, com engenheiros, arquitectos, economistas, peritos, consultores, assessores. Os Balcãs tornar-se-ão num imenso estaleiro, mas os homens que lá viviam não serão mais os mesmos e, ainda que regressem, mal se reconhecerão no novo “território” que lhes será outorgado. Perder a vida não é só tornar-se cadáver: é perder a dignidade, perder o habitat, quando não perder a família, porventura dispersa por países ignorados.

Ainda há algo mais. A guerra é sempre detestável. Mas a guerra dita “limpa”, em que à partida o agressor se dá ao luxo de não ter vítimas, de nem sequer ser forçado a olhar de frente aqueles que vai matar ou destruir, isto é, a guerra dispensada de sofrimento próprio, a guerra-passeio de quem está seguro de ganhar em pouco tempo, a guerra-teste de armamentos, essa guerra tem algo de obsceno. Só terá um pequeno inconveniente: também se dispensam os heróis. Isso será apenas, para os militares, inebriados com as suas altas tecnologias, um “dano colateral”.

A Europa, nisto tudo, fez um pouco a figura das claques futebolísticas, que gritam quanto podem, mas não jogam. Blair e Chirac têm sido os grandes chefes de claque e, diga-se, também muito contribuíram para pôr a bola em jogo. Mas, a partir daí, ficaram nas mãos da sra. Albright e dos estados-maiores da NATO, que, bem vistas as coisas, bem precisavam de uma coisa destas para redefinirem o seu papel no pós-guerra fria. Depois disto, a Europa também não será a mesma, se é que ainda será alguma coisa.

Para que não restem dúvidas: os perdedores nesta tragédia serão obviamente os kosovares, que não têm culpa que o “Ocidente” tenha apostado no UÇK para a sua “libertação”, e os sérvios, que não souberam, ou quiseram, ou puderam livrar-se do Milosevic, pelos meios apropriados, enquanto era tempo.

Meu caro João, (também) eu “tive um sonho”: que uma eventual saída tua do Governo (de que falam alguns jornais) se não devesse a uma suposta escassez de obras públicas em período pré-eleitoral, ou a uma promoção à Comissão de Bruxelas, mas a um vigoroso murro na mesa em protesto contra esta guerra inacreditável!
Embora não possamos esquecer o precedente trágico da engrenagem aparentemente imparável que levou à Grande Guerra (“pourquoi ont-ils tué Jaurès?”), nenhuma guerra é inevitável. Disso falaremos talvez um dia, a uma qualquer sobremesa. Engenheiro

* A nota introduzida no texto refere a data de 1959, mas foi em 1957 (ou mesmo, mais precisamente, em 31 de Dezembro de 1956) que teve início a luta estudantil contra o decreto n.º 40.900, que punha fim à autonomia das associações de estudantes e as colocava sob a tutela da Mocidade Portuguesa.

João Cravinho, então presidente da Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico, foi, assim como João Martins Pereira, um dos líderes dessa luta, que terminaria com a suspensão do diploma.

13.11.08

#1
[ouvindo Rita Lee]

Meu bem você me dá
Água na boca
Vestindo fantasias
Tirando a roupa
Molhada de suor
De tanto a gente se beijar
De tanto imaginar
Imaginar!
Loucuras...

A gente faz o amor
Por telepatia
No chão, no mar, na lua
Na melodia
Mania de você
De tanto a gente se beijar
De tanto imaginar
Imaginar!
Loucuras...

Nada melhor
Do que não fazer nada
Só prá deitar
E rolar com você...

11.11.08

#1
[nevermind]


Eis o remake da imagem que marcou toda uma geração: 17 anos depois, Spencer Elden voltou a mergulhar na piscina atrás de uma nota de dólar.

7.11.08

#1
[fiquei impressionado]

Na primeira pessoa Omer Goldman
Prenderam a filha pacifista do ex-número dois da Mossad0

Público, 5.11.2008

Ela tem 19 anos. Regressa hoje a uma base militar para um terceiro ciclo de 21 dias de detenção. Recusa-se a servir num "exército
de ocupação". É mais um desgosto para o seu pai, que desistiu
de ser chefe dos espiões de Israel. Por Margarida Santos Lopes O meu pai é Natalin Granot, um especialista em Irão que se demitiu de "número dois" da Mossad, em 2007, quando não o promoveram a chefe da principal agência de espionagem de Israel. Eu, Omer Goldman, 19 anos, sou uma pacifista e, hoje, regresso à prisão nº 400, numa base militar próxima de Telavive. Recuso-me a servir num exército que comete, todos os dias, crimes de guerra nos territórios palestinianos ocupados.
Fui recrutada para o serviço militar obrigatório aos 18 anos, mas já no liceu eu decidira que não queria ir para a tropa. Assim que deixei a escola, e antes de me inscrever na faculdade, dei aulas a crianças pobres num bairro de judeus etíopes. Quando me chamaram, entreguei uma declaração aos oficiais onde afirmava: "Recuso alistar-me nas Forças de Defesa de Israel (IDF). Não farei parte deste exército que, desnecessariamente, pratica actos de violência e viola os mais básicos direitos humanos."
No dia 23 de Setembro, sem ter sido julgada, fui cumprir 21 dias de detenção. Fui libertada a 10 de Outubro, mas voltei para um segundo período, desta vez apenas de 14 dias, porque fiquei doente. Saí novamente em liberdade, na sexta-feira, dia 30 de Outubro. Estes ciclos irão repetir-se até que o exército se canse, porque eu não vou desistir.
Conheço pessoas que passam muito tempo reclusas. Um exemplo é Jonathan "Yoni" Ben-Artzi, sobrinho do líder da oposição, Benjamin Netanyahu. Esteve detido um total de 18 meses ao longo de oito anos. Em 2007, conseguiu que o Supremo Tribunal validasse os seus argumentos para não ser soldado (ele era completamente contra qualquer forma de luta - nem quando era miúdo aceitou aulas de judo), mas fracassou no intuito de ver reconhecido o estatuto de objector de consciência em Israel.
Neste país, as IDF são um "exército do povo", quase mitológico. Não podemos recusar-nos a servi-lo por motivos políticos. Há quem cite David Ben Gurion, o primeiro chefe de Governo, para justificar que um exército politizado não permite a sobrevivência da nação, e que quem quer ser um dissidente político deve levar as suas causas para o terreno civil.
Mas foi Ben Gurion que permitiu a isenção do serviço militar aos ultra-ortodoxos que frequentem as yeshivot ou escolas talmúdicas. É um sistema de dois pesos e duas medidas, que favorece os religiosos porque eles têm peso político.
Uma bala de borracha
Eu soube que seria para sempre uma refusenik depois de ter participado num protesto contra a construção ilegal do muro de separação que atravessa a Cisjordânia. Eu e outras amigas estávamos na aldeia de Ni'alim e, de repente, reparei que o inimigo não eram os palestinianos sentados ao meu lado, como sempre me disseram, mas um soldado israelita que disparou contra mim uma bala de borracha. Fiquei ferida num braço, felizmente sem gravidade, mas uma palestiniana de 17 anos foi morta. As balas de borracha matam como as munições reais.
As minhas convicções ficaram mais fortes depois da Segunda Guerra do Líbano, no Verão de 2006. Comecei a questionar a sério a ética do exército, o uso de armas não convencionais, o envio de soldados para a frente de batalha onde morriam sem objectivos definidos. Comecei a ir mais aos territórios ocupados, e vi soldados a disparar sobre civis inocentes.
Antes de ser detida, procurei apoio psicológico, todas as semanas, durante um mês. A terapia deixou-me mais calma e mais forte. Sinto que a prisão será uma experiência, para o bem ou para o mal, que me deixará mais adulta.
A última coisa que fiz antes de entrar na minha cela foi deliciar-me com um prato de hummus [pasta de grão com azeite] - a minha comida favorita. Quando me libertaram, fui para uma festa dançar e ver pessoas que me fizeram sentir bem. Perdi muitos amigos, e até familiares, por causa das minhas posições. Aqui, em Israel, todos pensam que todos devemos ser soldados.
Depois do divórcio dos meus pais, eu vivo com a minha mãe em Ramat HaSharon, localidade de gente rica, nos arredores de Telavive. Ela compreende-me, mas tem medo que me façam mal. Tenho uma irmã mais velha, de 27 anos, que já foi militar e não vive connosco. Eu gosto muito do meu pai, mas ele nunca me foi ver à prisão, ao contrário da minha mãe. Ficou escandalizado por eu ser uma refusenik. Afinal, ele era uma espécie de general. É claro que se opõe, veementemente, ao que eu faço, mas a relação afectiva pai-filha nunca foi abalada.
Também não creio que a carreira do meu pai seja prejudicada pelas minhas acções, embora eu tenha a certeza de que o meu caso está a ter mais repercussão pública por eu ser filha de Natalin Granot. Ele já se demitira em Junho de 2007. Segundo o escritor e jornalista israelita Igal Sarna, o meu pai era um operacional da Mossad que os jornais identificavam apenas como N. Subiu até chegar a adjunto do "número um", Meir Dagan, e sucessor designado. Ao contrário do que se esperava, Dagan não se reformou. Permaneceu no cargo e o meu pai preferiu demitir-se. Não havia lugar para dois "patrões" com demasiado poder.
E, para avaliar o poder do rival do meu pai, leia-se o que disse - numa sala em que a audiência explodiu de aplausos - o colunista político Emmanuel Rosen, que fez parte do painel de jurados que, em Outubro, atribuiu a Meir Dagan o prémio Man of the Year (Homem do Ano) de Israel. "Ele ganhou fama por cortar cabeças de palestinianos com uma espada japonesa. Ele nasceu com uma faca entre os dentes".
Uma farda americana
Não chamem à minha atitude uma rebeldia de adolescente ou um acto de revolta por o meu pai ter saído de casa da minha mãe. É muito mais do que isso. Fui uma de 40 estudantes liceais que assinou a "Declaração 2008 dos Alunos do 12º ano" - altura em que somos recrutados pelo exército. Foi em Abril de 1970 que surgiu a primeira iniciativa, com carta enviada à primeira-ministra Golda Meir. Causou imenso furor. Já era um protesto contra a ocupação da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, conquistadas na guerra de 1967. Depois disso, houve mais três declarações, embora já não haja tanta polémica.
Na prisão - uma prisão para raparigas dentro de uma prisão para rapazes -, tenho sorte porque estou com mais quatro alunas signatárias da "Declaração 2008", e duas delas são grandes amigas minhas, Tamar Katz e Mia Tamarin. É engraçado porque só enviam para aqui os "mais perigosos". Como podem classificar-nos como perigosas se somos pacifistas?
Somos 60 raparigas no total, entre os 19 e os 20 anos, divididas em dois grupos de 30 para duas celas. Dormimos em colchões no chão e, todas as noites, uma de nós tem de ficar acordada para vigiar as outras... envergando um uniforme do exército norte-americano! É engraçado, não é?
Acordamos às 5 da manhã e fazemos limpezas até à hora do pequeno-almoço. Retomamos as limpezas até à hora do almoço, e depois novamente até à hora do jantar. Na realidade, não há nada para limpar. Fingimos que limpamos - e nisto desperdiçamos imensa água, que Israel não tem - ou então pintamos umas pedras e tijolos
Todos os que nos guardam são mulheres. Para mim, são elas as prisioneiras, e não nós. Questionam a nossa lealdade ao Estado e à religião. Gritam connosco a toda a hora e por razão nenhuma. Espezinham os nossos direitos, negando-nos o acesso a advogados. Só conseguimos, e nem sempre, alguns minutos por dia para falarmos com a família.
Há um telefone fixo, quase sempre ocupado. Não há autorização para usar telemóvel. Podemos ler os livros que trazemos, mas as cartas que nos enviam do exterior são abertas previamente e nem sempre chegam até nós. Eles, os comandantes, não querem ceder porque sabem que, se o fizerem, estão a reconhecer que estão errados.
Sonhos bonitos sem Deus
Não somos sujeitas a tortura física, mas frequentemente conseguem quebrar-nos o espírito. Vamos dormir por volta das 22h00-23h00. Não somos nós que decidimos apagar a luz, nem quando podemos ir à casa de banho. São as guardas. Não é difícil adormecer porque quando caímos na cama estamos exaustas. Eu não tenho pesadelos. Só sonhos bonitos. Sonho que sou livre e estou a viajar pelo mundo. Quando me sinto mais triste, penso em coisas boas.
Na prisão, nenhuma de nós acredita em Deus. Usamos a nossa cabeça e o nosso coração para encontrar forças. Falamos muito umas com as outras, e escrevemos cartas umas às outras durante a noite. Algumas raparigas, ainda que objectoras de consciência, nunca viram a realidade violenta e opressiva nos territórios ocupados que eu testemunhei. Começam agora a aperceber-se da necessidade de exigir mais respeito pelos direitos humanos.
Não quero ficar na prisão muito tempo. Se me propuserem a possibilidade de serviço cívico aceitarei. Quero participar e ser solidária com a sociedade onde vivo. Se quiserem que eu seja voluntária a vida toda, sê-lo-ei.
Gostava de ir para a faculdade, talvez estudar Direito, mas o meu grande amor é a representação. Acho que vai ser muito difícil o meu futuro num país onde as pessoas são mais conhecidas pela unidade do exército a que pertenceram do que pela profissão que exercem.
Talvez dentro de dez ou 20 anos as pessoas me compreendam e deixem de pensar em termos de judeu, negro, branco, cristão... Eu não acredito que a violência se combata com a violência. Esse nunca será o meu caminho, digam o que quiserem.
Ficarei muito feliz se me escreverem. A minha morada nos próximos dias é esta:
Omer Granot
Military ID 5398532
Military Prison nº 400
Military Postal Code 02447, IDF
Israel

A partir de uma entrevista com
Omer Goldman por telefone
e e-mail, e notícias dos jornais
The Times, The Guardian, Jerusalem Post, Ha'aretz e Al-Ahram

4.11.08

#1
[falta de descaramento]


Pensei que Manuela Ferreira Leite tinha batido no fundo quando declarou que a aposta do Governo nas obras públicas pode ajudar a reduzir o desemprego em Cabo verde e na Ucrânia ou quando se indignou com o anúncio do aumento do salário mínimo.
Hoje, quando a ouvi dizer, com o seu ar de permanente indignação, que o engano do governo no cálculo do défice deixado pelos governos PSD/PP era revelador da natureza do governo de Sócrates, percebi que a senhora está num túnel escuro.
É verdade que o buraco não correspondia aos 6,83% inicialmente apontados, mas a versão final de 6,1% devia fazer a senhora corar de vergonha e nem sequer aflorar o assunto...

1.11.08

#1
[contabilidade]

Fazer a contabilidade dos nossos dias ajuda-nos a ver mais longe.

30.10.08

#1
[histórias que se cruzam]


Paris, de Cédric Klapisch

29.10.08

#1[...]
um dos sítios onde cresci está cada vez mais famoso...

26.10.08

#2
[...]

It was a dirty day, dirty day.
Looking for explanations I don't even understand.
If you need someone to blame, throw a rock in the air,
you'll hit someone guilty.
#1 [...]

Carta aberta ao Presidente da Câmara de Sintra sobre a urbanização de Monte Santos


Cerca de meia centena de cidadãos e cidadãs subscrevem, em conjunto com 5 organizações ambientalistas, uma carta aberta ao Presidente da Câmara de Sintra, exigindo a imediata suspensão do projecto da urbanização de Monte Santos, em Sintra. Entre os subscritores encontram-se o Professor Galopim de Carvalho, os ambientalistas Flora Silva e Eugénio Sequeira, juristas, professores universitários, vários nomes da cultura sintrense, bem como cidadãos e cidadãs civicamente empenhados na defesa do património.

Podes ler e assinar a carta e encontrar toda a informação sobre esta iniciativa aqui

24.10.08

#1
[em jeito de celebração dos 79 anos do crash de wall strett]

BCP BES BPI E TOTTA avisaram CMVM que admitem recorrer ao fundo de garantia criado pelo Governo...
O Teixeira dos Santos deve estar a tentar esquecer o momento em que disse ter esperança de que isto não acontecesse...

18.10.08

#1
[...]

Lição de Música

Na pauta
o trilho,
o compasso,
que embalam.

Os teus dedos
tocando a clave
e o sol, o ritmo
da exaltação.

18 Outubro 2008

15.10.08

#2
[mau pressagio - até o Magalhães o sentia...]

(...)

A história é curta, mas demorou horas. O Governo marcara para as 16h a entrega do OE na Assembleia da República (AR), um dia antes do fim do prazo legal. Vinte minutos depois dessa hora, os serviços da AR avisaram que o executivo adiara a entrega para as 19h30. A essa hora, quando o ministro Teixeira dos Santos entregou a pen que supostamente continha o documento ao presidente da AR, gracejou dizendo: "Até o Magalhães o abria".
Jaime Gama prometeu que o Parlamento "ia mergulhar" no orçamento, mas a verdade é que só duas horas depois, às 21h30, é que parte do documento entrou no sistema informático da AR. Por apresentar ficou o relatório explicativo e os mapas anexos, precisamente os documentos onde estão os números que vão guiar o país ao longo do próximo ano.
"O OE entrou incompleto, estamos à espera do documento", afirmou ao PÚBLICO a secretária-geral, Adelina Sá Carvalho, pouco antes das 21h, assegurando estar uma equipa pronta para o colocar no site assim que chegasse.

(...)

In Público, 15 de Outubro de 2008
#1
[missing NY]

no stoppinf anytime

Nos últimos dias, talvez influenciado pelos dois livros que ando a ler (não perco o vicio da leitura simultânea), tenho sentido saudades de Nova Iorque.

10.10.08

#1
[onde está??]

onde está?

Contrariamente ao que algumas pessoas por ai dizem, a função da reprodução está ligada à biologia, nada tem a ver com o casamento.
Este é uma entidade simbólica, celebrada por um contrato com funções de regulação social.
Por isso é que é tão urgente mudá-lo, para acabar de vez com a discriminação.
Chegará o dia.

26.9.08

#1
[sei um ninho...]

Sei um ninho.
E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho,
Tem lá dentro um passarinho
Novo.

Mas escusam de me atentar:
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
E guardar
Este segredo comigo.
E ter depois um amigo
Que faça o pino
A voar...

Miguel Torga

22.9.08

#1
[lembrei-me disto...]

Maçã com Bicho

Letra: Sérgio Godinho
Música: Nuno Rafael e João Cardoso

O tempo passa
e lembras com saudade
o saudoso tempo da universidade
foste caloiro
e quintanista
já comes caviar
esquece o alpista

P`ra entrar na universidade
é preciso
prender o humor
na gaiola do riso
ter médias altas
hi-hon, ão-ão
zurrar, ladrar
lamber de quatro o chão

Mas há quem ache
graça à praxe
É divertida (Hi-hon)
Lição de vida (Ão-ão)
Maçã com bicho
acho eu da praxe
É divertida (Mé-mé)
Lição de vida (Piu-piu)
Maçã com bicho
acho eu da praxe

Chamar-se a si mesmo
besta anormal
dá sempre atenuante ao tribunal
é formativo
p`ró estudante
que não quer ser popriamente
um ingnorante

Empurrar fósforos com o nariz
tirar à estupidez a bissectriz
eis causas nobres
estruturantes

eis tradição
sem ser o que era dantes

Mas há quem ache
graça à praxe
É divertida (Hi-hon)
Lição de vida (Ão-ão)
Maçã com bicho
acho eu da praxe
É divertida (Mé-mé)
Lição de vida (Piu-piu)
Maçã com bicho
acho eu da praxe

Não vou usar
mais exemplos concretos
é rastejando
que se ascende aos tectos?
Então vejamos
preto no branco
as cores da razão
porque a praxe eu desanco

Mas há quem ache
graça à praxe
É divertida (Hi-hon)
Lição de vida (Ão-ão)
Maçã com bicho
acho eu da praxe
É divertida (Mé-mé)
Lição de vida (Piu-piu)
Maçã com bicho
acho eu da praxe"

18.9.08

#1
[o crime compensa...?]
A Autoridade da Concorrência (AdC) acusou sete empresas que fornecem refeições a instituições públicas, nomeadamente a hospitais e a escolas, de concertarem preços nos serviços que prestam, actuação que é ilegal por configurar a prática de cartelização.
(...)
A AdC estima em 172 milhões de euros o prejuízo para o Estado desta actuação ilícita e concertada entre estas sete empresas.

In Público, 19-9-2008

Parece que a multa será de 38 milhões... o crime compensa.
# 1
[ainda se fosse sobre o divorcio das gasolineiras com os consumidores...*]

O Presidente da República, Cavaco Silva, escusou-se a comentar a possibilidade de o Estado intervir para fazer baixar os preços dos combustíveis para os consumidores, referindo apenas que a questão é "complexa" e que exige reflexão.


*ou: este gajo não diz nada de nada...
#1
[tá tudo doido...]

Na discussão da proposta de código de trabalho apresentada pelo PS, Arménio Santos, deputado do PSD e sindicalista, acusa o governo de neoliberalismo.

15.9.08

#1
[diz que é uma espécie de fusão]

Duas notas positivas sobre o novo Arrastão:
A redacção cresceu em quantidade e qualidade, com a entrada do Pedro Sales (do Zero de Conduta) e do Pedro Vieira (do irmão Lúcia).
Do grafismo desapareceu aquela estranha (!!???) imagem do Daniel a fazer castelos na praia.

11.9.08

#1
[35 anos depois]

(...)
Trabajadores de mi patria, tengo fe en Chile y su destino. Superarán otros hombres este momento gris y amargo, donde la traición pretende imponerse. Sigan ustedes sabiendo que, mucho más temprano que tarde, se abrirán las grandes alamedas por donde pase el hombre libre para construir una sociedad mejor.

¡Viva Chile, viva el pueblo, vivan los trabajadores!

(...)

último discurso de Salvador Allende, antes de ser assassinado

9.9.08

#1
[impossível não reparar]

Lisboa está hoje repleta de belas nuvens.

5.9.08

#1
[A protecção civil alerta]

Aproxima-se uma tempestade.

3.9.08

#1
[em jeito de provocação]


Ricardo Quaresma é de origem cigana. Tem orgulho na sua gente e na sua cultura.
Vai jogar para Itália, tem contrato milionário para alinhar na equipa treinada por Mourinho.
Pergunto-me: será que as autoridades italianas, cada vez mais intolerantes, lhe vão impor as medidas especiais que levaram, nos últimos meses, ao cadastramento dos ciganos naquele país?...

2.9.08

#1
[Projecto: 17]

mais um argumento, menos uma desculpa...

1.9.08

#1
[contraditório]

Muito se tem dito sobre a escalada do conflito entre a Rússia e o resto do mundo.
Estava no Báltico quando a coisa estalou. A pouca informação a que tive acesso na altura era muito influência pelo medo daquilo que os Russos poderiam vir a fazer.
Quando voltei percebi mais algumas coisas, e não me espantei ao constatar que, também por cá, o tom do discurso é, quase sempre, de ataque aos russos.
Não estando de acordo com a intervenção na Geórgia, penso que é útil ouvir o que Moscovo tem para dizer...

***************************
A Geórgia foi a gota de água para a Rússia

Público, 01.09.2008,
Oleg Shchedrov, Moscovo

Uma sensação aguda de que o Ocidente enganou Moscovo em relação a melhores laços depois da guerra fria explica por que é que a Rússia, recuperada do colapso pós-soviético, não ignorou a acção da Geórgia e exigiu ser ouvida.
"Podia ter sido a Geórgia ou outra coisa, mas qualquer espécie de gota de água estava aí para vir", comentou um responsável do Kremlin. "Não podemos retirar sempre com um sorriso."
A resposta militar da Rússia à tentativa da Geórgia de retomar as suas províncias separatistas, apoiadas por Moscovo, da Ossétia do Sul e da Abkházia - e agora o reconhecimento da sua independência - aumentou a especulação no Ocidente de um contra-ataque de um ressurgido império soviético. Mas, vista de Moscovo, a situação parece completamente diferente. A Rússia está frustrada com o que vê como sendo o falhanço do Ocidente em cumprir a promessa de pôr as suas relações em planos iguais e com as suas tentativas de cercar a Rússia com um novo "cordão sanitário".
A amargura vem já da década de 1990, quando o Presidente soviético Mikhail Gorbatchov, ansioso por lançar uma nova era nas relações com o Ocidente, concordou com a retirada de tropas da Alemanha de Leste e em dar luz verde à unificação da Alemanha. A Rússia diz que a NATO renegou uma promessa crucial. "A única condição de Moscovo era que a NATO não colocasse tropas na Alemanha de Leste", diz um diplomata russo envolvido nas negociações. "A promessa foi feita, mas logo foi esquecida." Alguns responsáveis da NATO negam esta afirmação.
Nos anos seguintes, as relações com o Ocidente foram levadas a um ponto ainda mais tenso, quando a NATO integrou os países satélites da época soviética do Leste europeu e as antigas repúblicas soviéticas do Báltico - Estónia, Letónia e Lituânia. A Polónia e os Estados bálticos tornaram-se críticos da Rússia dentro da aliança.
Em 1999 a Rússia protestou contra os bombardeamentos da NATO em Belgrado numa campanha militar que acabou por levar, em última análise, a que o Ocidente reconhecesse a independência da província separatista sérvia do Kosovo em Fevereiro deste ano.
Altos responsáveis russos queixaram-se de que a cooperação de Moscovo com o Ocidente em questões fulcrais como a luta contra o terrorismo, o Afeganistão, o Irão e a Coreia do Norte não se têm traduzido numa melhoria das relações. "Há uma sensação de que o Ocidente trata a Rússia apenas como o perdedor da guerra fria, que tem de seguir as regras dos vencedores", disse uma vez Vladimir Putin.
Nos anos 1990, quando a economia russa estava em ruínas, Moscovo escondeu o seu orgulho. Mas o boom dos últimos oito anos permitiu que a Rússia tivesse um papel mais assertivo na economia global e diplomacia internacional. Moscovo decidiu usar um tom diferente. O Ocidente não notou a diferença.
Putin e o seu sucessor Medvedev pediram ao Ocidente que tratasse a Rússia como um parceiro igual num contexto europeu alargado e revisse os acordos de segurança para ter em conta os seus interesses. Mas os protestos russos foram ignorados mais uma vez, diz Moscovo, quando Washington decidiu estacionar elementos do seu escudo antimíssil na Europa de Leste. A acção foi vista por Moscovo como uma ameaça directa à sua segurança, apesar da insistência dos EUA de que serve para repelir um potencial ataque do Irão e não é uma ameaça à Rússia.
Os EUA também pressionaram muito para a integração na NATO da Geórgia e Ucrânia - algo a que Moscovo se opõe fortemente pelos seus profundos laços históricos com estes países.
A Rússia enviou sinais de que a paciência estava a esgotar-se, mas o Ocidente desvalorizou-os, tomando como retórica um discurso duro de Putin em Munique em 2007. De modo semelhante, o Ocidente não reagiu a outros "tiros de aviso" de Moscovo, como voltar a fazer voar bombardeiros sobre o Atlântico e suspender as obrigações da Rússia num pacto sobre armas convencionais na Europa. A intervenção na Geórgia mostra que a Rússia tinha estabelecido um limite.
"A 'entente cordiale' não funcionou", disse o embaixador da Rússia à NATO, Dmitri Rogozin. "As relações devem agora ser pragmáticas", afirmou. "A boa prestação do nosso Exército na Ossétia deixou uma impressão nos nossos parceiros", acrescentou. "Devemos fazer tudo para manter esta impressão e terminar de uma vez por todas com qualquer tentação de os nossos parceiros resolverem os problemas pela força."

26.8.08

#1
[Para Marco Fortes]

Finalmente está disponível o excelente texto do Rui Tavares que vinha no público de ontem.
É sobre o alvoroço que os desportistas de sofá fizeram em torno do insucesso (!!??) da delegação portuguesa em Pequim.
Não podia estar mais de acordo.

25.8.08

#1
[...]


Se os resultados provarem que os portugueses não querem uma Esquerda alternativa, será altura de voltar a escrever livros?

Tenho escrito sempre. Este Verão espero acabar outro livro.


Francisco Louçã, em entrevista ao JN, 24 de Agosto de 2008

1.8.08

#1
[Valentão...]

"não trocava os problemas da Europa por os de outra região do Mundo".

Durão Barroso

31.7.08

#1
[Contradições do Capitalismo: caso prático]

O Governo Regional da Madeira vai passar a definir os preços máximos dos combustíveis na Região a partir de sexta-feira por considerar que a liberalização dos preços é ineficaz e devido à "instabilidade dos mercados", anunciou fonte oficial.
(Lusa 31 de Julho)

Ora ora…
Sendo o IVA e o ISP mais baixos na Madeira, temos a prova concreta de que a sua baixa, defendida pelo CDS, pelas gasolineiras e pelos revendedores, não é solução…

30.7.08

#2
[No lugar certo]
O Público de hoje traz uma peça sobre o camaleónico percurso pessoal e político de Berlusconi.
O artigo fala da obsessão estética do chefe do governo italiano, contando que, nos últimos anos, Il Cavaliere tudo fez, do lifting ao implante capilar, para retocar a sua imagem e disfarçar a idade.

Mas, neste artigo, aquilo que melhor define Berlusconi não está escrito. A imagem da capa do suplemento é o melhor enquadramento da vida Sílvio, conjugando a sua faceta pública, o seu amor por Itália (com as cores nacionais em destaque) e a omnipresença do crime organizado: P2 é a designação mais comum para a Loja Maçónica italiana Propaganda Due (Propaganda Dois), organização ilegalizada por suspeita de actividade ilícita e com a qual Berlusconi terá tido relações de proximidade.

Brilhante!

#1
[inimigo Público rules]

Marinha proíbe massagens nas praias algarvias pois 'todos sabem como começam mas ninguém sabe como acabam'

Qualquer gesto que possa ser interpretado como uma "situação mais íntima" nas praias algarvias está proibido, por ordem do Comando Marítimo do Sul (CMS). Pedir ajuda para espalhar protector solar nas costas, ainda vá que não vá, mas se o movimento deslizar para uma prática que possa ser interpretada como massagem, a Polícia Marítima avança para aplicar uma coima, não vá algum turista queixar-se de atentado ao pudor.

(...)

In Público, 30.07.2008

28.7.08

#1
[silly season]

inbox do fim de semana
1- mail pessoal
1 - nota de imprensa
6 - chain letters
2 - mails de divulgação cultural
1- mail de divulgação comercial

26.7.08

#1
[em contra mão]

José Sócrates assinou hoje um protocolo para construir 2 fábricas de produção de peças para aviões, considerando o momento como "um salto, um pulo"na produção tecnológica do nosso país. Isto numa altura em que o terceiro choque pretolifero, aquele que estamos a atravessar, mostra bem da necessidade de mudança deste paradigma de consumo energético que faz andar os aviões...

22.7.08

#1
[compreensão lenta...]

Sarkozy, presidente em exercício da União Europeia, fez ontem uma visita relâmpago a Dublin para "tentar perceber" as razões dos opositores ao tratado de Lisboa.

18.7.08

#1
[quase imperceptível]

O ar carregado da delicada fusão entre a maresia e o odor do arvoredo.
Esta manhã, para começar o dia.

10.7.08

#1
[gato no telhado]

Gato no telhado,
pêlo-sol,
lânguido no menear
da tarde.

Pergunto:
que fiz eu à voz
com que admirei
a tua liberdade?

Lx, 10 de Julho de 2008

2.7.08

#1
[Directiva da Vergonha]

Se a Europa não servir para defender os direitos humanos, não serve para nada.

artigo completo

José Vitor Malheiros
Público, 2 de Julho de 2008

13.6.08

#1
[Irish Times]

Num universo de 495 milhões de cidadãs e cidadãs, só aos irlandeses e Irlandesas é que não foi sonegado o direito de votar a aceitação do tratado de Lisboa.
Eles e elas, com melhores ou piores argumentos - a democracia também é feita disso -, falaram pelas muitas pessoas da União que não se revêem na primazia do mercado, do militarismo e numa visão de funcionamento distorcido das instituições, traves mestras de um tratado que tem o nome de uma cidade linda mas que, em tempos, teve o nome de constituição.
Grande galo...

12.6.08

#2
[cromos da bola]

Descobri que o melhor de ir à bola (...??...) é olhar para tudo menos para o jogo.
Um tratado de sociologia...
#1 [não é genial]

mas também não é tão mau como o pintam...

boa banda sonora, óptima fotografia, uma narrativa mediana e um trio de luxo.

6.6.08

#1
[so proud...]

Filomena Marona Beja vence Prémio Romance e Novela APE 2007
06 de Junho de 2008, Lisboa, 06 Jun (Lusa)

Filomena Marona Beja
FOTO DE AUTOR

A escritora Filomena Marona Beja venceu o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (APE) de 2007 pela obra "A cova do lagarto", anunciou hoje o júri do galardão.
De acordo com o júri, "A Cova do Lagarto" foi escolhido por unanimidade, de entre os 117 romances e novelas editados em 2007 e apresentados a concurso, um número recorde nesta edição do prémio, com o valor de 15 mil euros.
"A cova do lagarto", romance biográfico sobre Duarte Pacheco editado em 2007 pela Sextante Editora, é a quinta obra literária de Filomena Marona Beja, juntando-se a "A Duração dos Crepúsculos" (2006), "A Sopa" (2004), "Betânia" (2000) e "As Cidadãs" (1998).
Filomena Marona Beja, que completa 64 anos no dia 09 de Junho, é natural de Lisboa. O júri foi presidido por José Correia Tavares e incluiu Annabela Rita, Fernando Martinho, José Luís Peixoto, Júlio Moreira e Serafina Martins.
O Grande Prémio de Romance e Novela APE/DGLB é atribuído desde 1982, premiando autores como Agustina Bessa-Luís, António Lobo Antunes e Maria Gabriela Llansol, recentemente falecida. As 117 obras a concurso, a maioria de autores masculinos, foram apresentadas por um total de 51 editoras, também aqui um recorde absoluto em 26 edições consecutivas do prémio.

28.5.08

#1
[o culpado não era o preço do Barril?]

Apesar do preço do barril de petróleo ter registado uma diminuição, a GALP e a Repsol voltaram a aumentar, à meia-noite desta quarta-feira, o preço dos combustíveis. Esta é a vigésima primeira subida do preço dos combustíveis desde o início do ano e o litro de gasolina já ultrapassou os 1,5 euros nas bombas da GALP. Por cá e no resto da Europa sucedem-se os protestos.

22.5.08

#1
[eu não fui...]

Para quem gosta de efemérides, fiquem sabendo que faz hoje dez anos que abriu a expo 98. O tempo passa.
Devo ter sido das poucas pessoas que não foi à Expo por opção (por falta de dinheiro houve muitos de certeza). Desagradavam-me as desigualdades em que assentava o evento e que iam contra a filosofia - os desalojados que, anos depois, ainda viviam em condições miseráveis, a cultura a preço exorbitante, a oportunidade de enriquecimento fácil, a operação de especulação imobiliária que se preparava... Em resumo, a histeria em torno dessa obra do regime afrontava-me.
Uns dias antes da abertura, no ensaio geral, os telejornais abriam com Jorge Coelho e António Vitorino abraçados dizendo que "somos um grande país". Era o tempo das vacas gordas. Todas Guterristas, claro está.
Olhar o país, dez anos depois e com os herdeiros do Guterrismo no poder, é um exercício interessante.
O atraso estrutural não foi ultrapassado.
A riqueza continua mal dividida e os negociatas continuam a fazer-se.
A privatização do ensino, denunciada pel@s estudantes à porta da exposição no dia da abertura, avança a todo o vapor.
O trabalho precário, que nesse verão foi pago a peso de ouro, é agora mal pago e regra.
A cultura do país, ou melhor, de Lisboa, ganhou outro animo, mas nunca mais teve a pujança desse verão.
O recinto do certame é uma das zonas mais aprazíveis de Lisboa, com uma arquitectura fascinante e uma relação privilegiada com o rio. No entanto, a especulação imobiliária continua.
Há uma grande cidade dentro da cidade, sendo a falta de equipamentos um dos grandes problemas que enfrenta.
Os espaços de estacionamento estão, progressivamente a ser substituidos por torres cuja sombra priva de sol muitos metros de rua.
O Pavilhão do futuro, suprema ironia, virou casino e o espólio de muitos outros foi perdido.

Enfim... Não fui e não me arrependo.

18.5.08

#1
[profundamente humano]

O segredo de um cuscuz

Na cidade costeira de Sète, França, o Sr. Beiji, pai de família de sessenta anos com um emprego precário, esforça-se por manter a família unida, apesar de todas as tensões que os rodeiam e que parecem estar perto de entrar em ebulição. Sente que falhou e o seu sonho é abrir um restaurante. Aos poucos, a família começa a apoiá-lo nesse sonho que talvez consiga vir a concretizar.