#1 [Em tempo de reedição]
As Cidadãs, pelas palavras da autora

#1#1
[...]
Diário de reportagem
Com palavras precisas
(e fina ironia)
relatas o improvável
trajecto do projéctil,
as casas esventradas,
os milagres quotidianos,
a morte lenta e particular
de um povo inteiro.
Se a tensão adensa
e o grito já sufoca,
dizes-nos da dignidade,
oferecendo ao papel
pequenos morangos
cuja doçura, em Gaza,
é antagonista dessa miséria
nada humana.
Pergunto:
haverá suficiente lucidez,
ternura ou raiva,
para escrever tudo
o que os teus olhos
nos querem contar?
Sintra, 31 de Janeiro de 2009
À Alexandra Lucas Coelho, que está em Gaza#1
[não me venham cá dizer "ah e tal e os rockets..."]
A melhor escola no chão
Alexandra Lucas Coelho, Público, 24.01.2009
É como se um meteorito gigante tivesse caído e esmagado a Escola Americana Internacional de Gaza. Com investimento palestiniano e curriculum americano, era a melhor escola do território, e agora professores e alunos andam entre as ruínas em estado de choque.
Uma mulher encontra um livro de Ciência e agarra-o contra o peito. É Alia, a bibliotecária. Fatin, uma das professoras, abraça Zena, de nove anos, ambas voltadas para os destroços. "Isto aconteceu no dia 3 de Janeiro." Porquê aqui, se à volta não há nada? "Pergunte-lhes", sugere Fatin. "O corpo do guarda foi encontrado em partes, uma metade aqui na frente, outra metade nas traseiras."
Quantos alunos tem a escola? "230", responde logo, num óptimo inglês, a pequena Zena, que mora em Gaza, e até hoje não tem vidro nas janelas. O que fazem para não ter frio? "Vestimos mais roupas."
"Agora não sabemos o que fazer aos estudantes", diz Fatin.
Duas delas estão ao cimo das escadas a discutir. Nur, que tem rabo-de-cavalo e 14 anos, está indignada. "Usam as casas para disparar rockets e se as pessoas não querem têm que deixar a sua casa!" Depois conta que uma das suas melhores amigas morreu na guerra, até que a voz lhe falta, ela baixa a cabeça para se controlar, e começam a pingar lágrimas do nariz.
Fatin, a professora, corre a abraçá-la, e então Nur chora convulsivamente. Quando recupera, diz: "Estou muito zangada com o Hamas. Acho que isto tudo aconteceu por causa dos rockets".
À volta, as colegas contestam. "Não é por causa dos rockets que Israel tem o direito de destruir uma escola destas", clama Habir, de 16 anos. "Eles querem destruir tudo o que é novo, histórico, educacional. Isto é um crime." Dana, de 16 anos com muito acne, concorda, e Habir continua, apaixonadamente. "Se isto é contra o Hamas, porque é que tantos mortos não são do Hamas? E dizem que se estão a defender! Defendem-se de uns rockets que são uma desculpa, só causam um buraco no chão."
Esta discussão sobre o papel do Hamas é geral? "Estamos a discutir desde o princípio da guerra. É difícil não questionar quando não podemos dormir e ir a qualquer lado, e estão a usar armas do céu, da terra e do mar contra nós."
O que querem agora?
"Queremos um governo de unidade nacional", diz Habir. "Só queremos continuar a estudar nesta escola", acrescenta um rapaz, Adam, que veio com os colegas ver a destruição. "Trabalhámos tanto para isto acabar assim."
Yunis, de 18 anos, aparece de chinelos numa pilha de entulho. É irmão do guarda morto. Conta que o pai teve um primeiro filho Salim, que foi morto há anos, e um segundo filho Salim, que morreu - e o terceiro filho Salim era o guarda que foi desfeito em pedaços aqui.
Israel alega que estavam a ser disparados tiros do interior. "Mas a escola estava vazia, e se estivesse aqui alguém o guarda tinha-nos dito", contrapõe Lucy, outra professora. "Eu acordei às três da manhã com o primeiro míssil e antes não ouvi nada", acrescenta o irmão do guarda. "O meu irmão sentia-se seguro, porque era uma escola americana. Antes de morrer, telefonou à família e disse: 'Se sentirem perigo, venham para aqui'.
É já no domingo. Apesar dos primeiros 11km serem (quase) sempre a trepar, é das corridas mais bonitas conheço. Começa bem perto do sitio onde nasci (e quase à porta de casa), atravessa a Serra onde cresci e termina no fim da Europa.
#2
[Get on your boots]
Future needs a big kiss
Winds blow with a twist
Never seen a move like this
Can you see it too
Night is falling everywhere
Rockets hit the funfair
Satan loves a bomb scare
But it won’t scare you
Chorus
Yeah sexy boots
Get on your boots yeah
Free me from the dark dream
Candy bars, ice cream
All the kids are screaming but the ghosts aren’t real
Here’s what you gotta be
Love and community
Laughter is eternity if the joy is real
You don’t know how beautiful (2x)
You are
You don’t know
You get it do you
You don’t know
How beautiful you are
If someone’s into blowing up
We’re into growing up
Women are the future
All the big revelations
I’ve gotta submarine, you’ve got gasoline
I don’t wanna talk about wars between nations
Not right now
Sexy boots yeah (no no no)
Get on your boots yeah (Not right now)
Foxy boots
You don’t know how beautiful (2x)
You are
You don’t know
You get it do you
You don’t know
How beautiful you are
Sexy boots
I don’t wanna talk about wars between nations
Let me in the sound (3x)
Sound
Let me in the sound sound
Let me in the sound
anekatips.com
My God I’m going down
I don’t wanna drown now
Let me in the sound
Let me in the sound (3x)
Sound
Let me in the sound sound
Let me in the sound
Get on your boots
Get on your boots
Get on your boots
Yea yeaah
Get on your boots
Get on your boots
Get on your boots
U2