8.1.09
[Praying with Polly Jean]
I can't believe life's so complex
When I just wanna' sit here and watch you undress
* This is love that I'm feeling
Does it have to be a life full of dread?
I wanna' chase you round the table, I wanna' touch your head
* This is love that I'm feeling
I can't believe that the axis turns on suffering
When you taste so good
I can't believe that the axis turns on suffering
While my head burns
* This is love that I'm feeling
Even in the summer, even in the spring
You can never get too much of a wonderful thing
(...)
PJHarvey, this is love
4.1.09
[ainda a Valsa]
Escondida por detrás de um filme de animação, a Valsa com Bashir é uma dura viagem, feita a uma distância de 25 anos, às profundezas da existência de um rapaz enviado para uma guerra que não sabe explicar e que depressa procurou esquecer.
E é também um relato do massacre de Sabra e Chatila, a matança que Ariel Sharon, na altura ministro da defesa de Israel, não quis evitar e a que os soldados Israelitas assistiram sem reagir, ficando no ar a dúvida se não terá existido apoio logístico à intervenção dos falangista.
Com esta viagem ao (seu) passado, conduzida pelas recordações dos companheiros de guerra, Folman não tentou expiar a culpa nem aliviar a responsabilidade daquilo a que assistiu no Libano. Procurou, isso sim, reconstruir episódios que tinha deixado de fora do seu sistema emocional.
Num momento em que a violência e a brutalidade do Tsall se abate novamente sobre os Palestinianos, este filme é cheio de actualidade, mostrando bem como poderá acabar a agressão em curso a Gaza.
Por outro lado, deixa claro que a procura da solução para o problema palestiano não teve grandes cambiantes em três décadas, bem como a grande falta de memória dos líderes Israelitas que conduzem mais esta guerra: esqueceram-se das vítimas, de todas as vítimas, e da forma como o seu povo foi tratado no passado.

Site do filme
Entrevista do realizador Ari Folman ao Ipsilon
Uma noite, num bar, o israelita Ari Folman encontra um amigo que lhe conta como um pesadelo recorrente o atormenta cada vez mais. No sonho, o amigo de Ari é perseguido por uma matilha de 26 cães enraivecidos. 26, exactamente o mesmo número de pessoas que matou durante a guerra com o Líbano, no início dos anos 80. No dia seguinte, Ari sente uma necessidade vital de relembrar e descobrir a verdade sobre esse período da sua vida. Decide então entrevistar velhos amigos e camaradas. E quanto mais Ari mergulha no interior da sua memória, mais imagens esquecidas e perturbadoras vêm à tona. Realizado por Ari Folman, "A Valsa com Bashir" é um filme de animação autobiográfico.
31.12.08
[um ano em imagens*]

Dezembro - Just Thinking

Novembro - Sleeping

Outubro- There's many li(f)es for an envelope

Setembro - Linha Azul

Agosto - Ray Ban

Julho - Bottari

Junho - the match

Maio - Lazy Bird

Abril - Wash & Dry

Março - Um Mar de Profes

Fevereiro - Margens

*Para a C, que, quando não foi modelo, esteve a meu lado ou partilhou o entusiasmo destas fotos. Apesar de tudo, foi um ano cheio de coisas boas
30.12.08
[ainda bem...]
(...)
A noite passada um paredão ruiu
pela fresta aberta o meu peito fugiu
estavas do outro lado a tricotar janelas
vias-me em segredo ao debruçar-te nelas
cheguei-me a ti disse baixinho "olá",
toquei-te no ombro e a marca ficou lá
o sol inteiro caiu entre os montes
e então olhaste
depois sorriste
disseste "ainda bem que voltaste"
(...)
Sérgio Godinho
29.12.08
28.12.08
26.12.08
[É a natureza das coisas]
Bato à porta da pedra.
- Sou eu, deixa-me entrar,
quero ver-te por dentro,
saber como és,
respirar-te.
Vai-te embora - diz a pedra.
Estou fechada a sete chaves.
Mesmo feitas em pedaços
estaremos fechadas a sete chaves.
Mesmo reduzidas a areia
não deixaremos ninguém entrar.
Bato à porta da pedra.
- Sou eu, deixa-me entrar.
Venho por pura curiosidade.
Só em vida tenho esta oportunidade.
Gostaria de passear-me pelo teu palácio,
depois visitar ainda a folha e a gota de água.
Não tenho muito tempo para tudo isto.
A minha mortalidade deveria comover-te.
- Sou de pedra - diz a pedra
e isso obriga à seriedade.
Vai-te embora.
Não tenho os músculos do riso.
Conversa com a pedra de Wisława Szymborska
23.12.08
[a Dona do Castelo]
Amor perfeito
Amor quase perfeito
Amor de perdição paixão que cobre
Todo o meu pobre peito pela vida afora
Vou-me embora, embromadora
Você para mim agora
Passa como jogadora
Sem graça nem surpresa
Diga que perdi a cabeça
Seu eu me levantar da mesa e partir
Antes do final do jogo
Louco seria prosseguir essa partida
Peça falsa que se enraíza
E faz negro todo meu desejo pela vida afora
Vou-me embora, embromadora
E quando eu saltar de banda
E quanto eu saltar de lado
Vou desabar seu castelo de cartas marcadas
E tramas variadas
Sim
Seu castelo de baralho vai se desmanchar
Desmantelado
Decifrado
Sobre o borralho da sarjeta
Chegou o inverno!
Adriana Calcanhotto
21.12.08
[os operários]
Fotografia de Autor sobre uma das imagens da Exposição
Os operários vestiram os seus fatos domingueiros e levaram os netos e as memórias a passear.
- Não és tu quem estás ali?
- Maria, aquele é o teu pai!
- Olha, vês aqui? É o avô Malheiro.
Rapazes e raparigas de outros tempos foram o centro das atenções. A fábrica encheu-se e eram as suas vidas que contavam para quem, entre eles, circulava.
- Aqui era a sala de enchimento.
- Está tudo tão diferente… o espaço ficou muito bonito depois de ser limpo.
Histórias antigas, dos que sobreviveram à explosão e de quem já não a pode recordar.
- Este é o Sr. João, este é o Manel, o ti Zé, o Afonso da Mira… já cá não está nenhum.
Trabalhadores especializados ou serventes, a família inteira viveu da fábrica. Era perigoso, mas garantia a segurança de um salário fixo.
- Vocês são raparigas novas, não sabem como a vida foi dura para nós. Ganhava 18 escudos, uma miséria.
Vinham para o vale a pé e de bicicleta. Moravam em Queluz de baixo, Barcarena, S. Marcos, da Agualva, Rio de Mouro e em tantos outros sítios.
No sol de Inverno, os dedos retorcidos acariciaram-se nas fotografias.
Riram orgulhosos de se verem na televisão. Os operários estavam contentes.
20.12.08
E ficar em forma
Para fingir que estamos vivos
E que nada nos transtorna
Ainda falta muito tempo
Para a nossa sepultura
Não sei se me aguento
Com os teus métodos
De tortura
Os Pontos Negros
13.12.08
[aqui tão perto]
Há 15 anos que a Lua Cheia não estava tão perto da Terra. São 30 mil quilómetros a menos do que o normal. A lua tem uma órbita elíptica à volta da Terra, por isso não está sempre à mesma distância do planeta. Hoje está só a 363.000 quilómetros, por isso apresenta-se aos nossos olhos 14 por cento maior e 30 por cento mais brilhante.
in Público, 13 de Dezembro de 2008
11.12.08
28.11.08
[Xanana]
Esta manhã, ainda meio a dormir, ouvi a entrevista que Xanana Gusmão deu a Maria Flor Pedroso.
Dizer que senti nojo pelo que ouvi da boca do ex-comandante e agora primeiro ministro timorense é uma forma suave de encarar a situação.
Não podia ter começado o dia de pior maneira.
Ouvir aqui
23.11.08
18.11.08
[sem comentários...]
PSD: Ferreira Leite pergunta se "não é bom haver seis meses sem democracia" para pôr "tudo na ordem"
18 de Novembro de 2008, 16:16
A presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, perguntou hoje se "não é bom haver seis meses sem democracia" para "pôr tudo na ordem", a propósito da reforma do sistema de justiça.
No final de um almoço promovido pela Câmara de Comércio Luso-Americana, Manuela Ferreira Leite elegeu a reforma do sistema de justiça "como primeira prioridade" para ajudar as empresas portuguesas.
Questionada sobre o que faria para melhorar o sistema de justiça, a presidente do PSD demarcou-se da atitude do primeiro-ministro, José Sócrates, que "na tomada de posse anunciou como grande medida reduzir as férias do juiz".
Defendendo a ideia de que não se deve tentar fazer reformas contra as classes profissionais, Manuela Ferreira Leite declarou: "Eu não acredito em reformas, quando se está em democracia...".
"Quando não se está em democracia é outra conversa, eu digo como é que é e faz-se", observou em seguida a presidente do PSD, acrescentando: "E até não sei se a certa altura não é bom haver seis meses sem democracia, mete-se tudo na ordem e depois então venha a democracia".
"Agora em democracia efectivamente não se pode hostilizar uma classe profissional para de seguida ter a opinião pública contra essa classe profissional e então depois entrar a reformar - porque nessa altura estão eles todos contra. Não é possível fazer uma reforma da justiça sem os juízes, fazer uma reforma da saúde sem os médicos", completou Manuela Ferreira Leite.
Lusa/Fim
15.11.08
[sort of allergy]
De há uns meses para cá, deixei de ler o Fugas, .
Simplesmente não consigo. Nem sequer os artigos do amigo Milagre.
Primeiro pensei que era do cansaço, mas, depois das férias, os sintomas de ansiedade ao folhear o suplemento de viagens do Público persistiam. Não eram tão intensos, mas estavam lá.
Depois culpei o papel - faz-me impressão o seu brilho. Mas não me satisfiz com a pena aplicada.
Começo a desconfiar que é frustração. Falta-me a estrada e o tempo sem fim para saboreá-la.
Falta-me também aliviar esse peso que trago escondido. Talvez nessa altura possa ter a certeza de que isto não é uma alergia.




