31.12.08

#1
[um ano em imagens*]

just thinking
Dezembro - Just Thinking

sleeping
Novembro - Sleeping

there's many li(f)es for an envelope
Outubro- There's many li(f)es for an envelope

linha azul
Setembro - Linha Azul

ray ban
Agosto - Ray Ban

Bottari
Julho - Bottari

the match
Junho - the match

Lazy Bird
Maio - Lazy Bird

wash & Dry
Abril - Wash & Dry

um mar de profs
Março
- Um Mar de Profes

margens
Fevereiro - Margens

fish eye
Janeiro - Fish Eye

*Para a C, que, quando não foi modelo, esteve a meu lado ou partilhou o entusiasmo destas fotos. Apesar de tudo, foi um ano cheio de coisas boas

30.12.08

#1
[ainda bem...]

(...)
A noite passada um paredão ruiu
pela fresta aberta o meu peito fugiu
estavas do outro lado a tricotar janelas
vias-me em segredo ao debruçar-te nelas
cheguei-me a ti disse baixinho "olá",
toquei-te no ombro e a marca ficou lá
o sol inteiro caiu entre os montes
e então olhaste
depois sorriste
disseste "ainda bem que voltaste"

(...)
Sérgio Godinho

29.12.08

#1
[sometimes you just need to cross the road]
Bridget Jones - Portrait of Sydney Jones Chandler, 2006
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to find important things

28.12.08

#1
[niet rabut]

view is falling, please insert the correct plugin

26.12.08

#2
[É a natureza das coisas]

Bato à porta da pedra.
- Sou eu, deixa-me entrar,
quero ver-te por dentro,
saber como és,
respirar-te.

Vai-te embora - diz a pedra.
Estou fechada a sete chaves.
Mesmo feitas em pedaços
estaremos fechadas a sete chaves.
Mesmo reduzidas a areia
não deixaremos ninguém entrar.

Bato à porta da pedra.
- Sou eu, deixa-me entrar.
Venho por pura curiosidade.
Só em vida tenho esta oportunidade.
Gostaria de passear-me pelo teu palácio,
depois visitar ainda a folha e a gota de água.
Não tenho muito tempo para tudo isto.
A minha mortalidade deveria comover-te.

- Sou de pedra - diz a pedra
e isso obriga à seriedade.
Vai-te embora.
Não tenho os músculos do riso.

Conversa com a pedra de Wisława Szymborska
#1
[sem grande rede]

Não sei se é do período natalício, mas as redes de comunicação estão completamente maradas.
É um grande transtorno.

23.12.08

#1
[a Dona do Castelo]

Amor perfeito
Amor quase perfeito
Amor de perdição paixão que cobre
Todo o meu pobre peito pela vida afora
Vou-me embora, embromadora
Você para mim agora
Passa como jogadora
Sem graça nem surpresa
Diga que perdi a cabeça
Seu eu me levantar da mesa e partir
Antes do final do jogo
Louco seria prosseguir essa partida
Peça falsa que se enraíza
E faz negro todo meu desejo pela vida afora
Vou-me embora, embromadora
E quando eu saltar de banda
E quanto eu saltar de lado
Vou desabar seu castelo de cartas marcadas
E tramas variadas
Sim
Seu castelo de baralho vai se desmanchar
Desmantelado
Decifrado
Sobre o borralho da sarjeta
Chegou o inverno!


Adriana Calcanhotto

21.12.08

#1
[os operários]
No fio da memória - vozes e rostos dos operários
da fábrica da Pólvora de Barcarena

Fotografia de Autor sobre uma das imagens da Exposição

Ver mais imagens da Exposição

Os operários vestiram os seus fatos domingueiros e levaram os netos e as memórias a passear.

- Não és tu quem estás ali?

- Maria, aquele é o teu pai!

- Olha, vês aqui? É o avô Malheiro.

Rapazes e raparigas de outros tempos foram o centro das atenções. A fábrica encheu-se e eram as suas vidas que contavam para quem, entre eles, circulava.

- Aqui era a sala de enchimento.

- Está tudo tão diferente… o espaço ficou muito bonito depois de ser limpo.

Histórias antigas, dos que sobreviveram à explosão e de quem já não a pode recordar.

- Este é o Sr. João, este é o Manel, o ti Zé, o Afonso da Mira… já cá não está nenhum.

Trabalhadores especializados ou serventes, a família inteira viveu da fábrica. Era perigoso, mas garantia a segurança de um salário fixo.

- Vocês são raparigas novas, não sabem como a vida foi dura para nós. Ganhava 18 escudos, uma miséria.

Vinham para o vale a pé e de bicicleta. Moravam em Queluz de baixo, Barcarena, S. Marcos, da Agualva, Rio de Mouro e em tantos outros sítios.

No sol de Inverno, os dedos retorcidos acariciaram-se nas fotografias.

Riram orgulhosos de se verem na televisão. Os operários estavam contentes.


Sintra, 21 de Dezembro de 2008

20.12.08

#1[...]

(...)

Vamos correr contra o tempo

E ficar em forma

Para fingir que estamos vivos

E que nada nos transtorna


Ainda falta muito tempo

Para a nossa sepultura

Não sei se me aguento

Com os teus métodos

De tortura

(...)
Os Pontos Negros

13.12.08

1#
[aqui tão perto]

foto de Enric Vives-Rubio

Há 15 anos que a Lua Cheia não estava tão perto da Terra. São 30 mil quilómetros a menos do que o normal. A lua tem uma órbita elíptica à volta da Terra, por isso não está sempre à mesma distância do planeta. Hoje está só a 363.000 quilómetros, por isso apresenta-se aos nossos olhos 14 por cento maior e 30 por cento mais brilhante.
in Público, 13 de Dezembro de 2008

12.12.08

#1
[boa ideia]

11.12.08

#1
[porca miseria...]

28.11.08

#1
[Xanana]

Esta manhã, ainda meio a dormir, ouvi a entrevista que Xanana Gusmão deu a Maria Flor Pedroso.
Dizer que senti nojo pelo que ouvi da boca do ex-comandante e agora primeiro ministro timorense é uma forma suave de encarar a situação.
Não podia ter começado o dia de pior maneira.

Ouvir aqui

23.11.08

#1
[em código, para não assustar ninguém*]

el Kavakismo està enkavakado...



*vcs sabem do que estou a falar...

18.11.08

#2
[sem comentários...]

PSD: Ferreira Leite pergunta se "não é bom haver seis meses sem democracia" para pôr "tudo na ordem"

18 de Novembro de 2008, 16:16

A presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, perguntou hoje se "não é bom haver seis meses sem democracia" para "pôr tudo na ordem", a propósito da reforma do sistema de justiça.

No final de um almoço promovido pela Câmara de Comércio Luso-Americana, Manuela Ferreira Leite elegeu a reforma do sistema de justiça "como primeira prioridade" para ajudar as empresas portuguesas.

Questionada sobre o que faria para melhorar o sistema de justiça, a presidente do PSD demarcou-se da atitude do primeiro-ministro, José Sócrates, que "na tomada de posse anunciou como grande medida reduzir as férias do juiz".

Defendendo a ideia de que não se deve tentar fazer reformas contra as classes profissionais, Manuela Ferreira Leite declarou: "Eu não acredito em reformas, quando se está em democracia...".

"Quando não se está em democracia é outra conversa, eu digo como é que é e faz-se", observou em seguida a presidente do PSD, acrescentando: "E até não sei se a certa altura não é bom haver seis meses sem democracia, mete-se tudo na ordem e depois então venha a democracia".

"Agora em democracia efectivamente não se pode hostilizar uma classe profissional para de seguida ter a opinião pública contra essa classe profissional e então depois entrar a reformar - porque nessa altura estão eles todos contra. Não é possível fazer uma reforma da justiça sem os juízes, fazer uma reforma da saúde sem os médicos", completou Manuela Ferreira Leite.

Lusa/Fim

#1
[é da sua natureza...]

15.11.08

#1
[sort of allergy]

De há uns meses para cá, deixei de ler o Fugas, .
Simplesmente não consigo. Nem sequer os artigos do amigo Milagre.
Primeiro pensei que era do cansaço, mas, depois das férias, os sintomas de ansiedade ao folhear o suplemento de viagens do Público persistiam. Não eram tão intensos, mas estavam lá.
Depois culpei o papel - faz-me impressão o seu brilho. Mas não me satisfiz com a pena aplicada.
Começo a desconfiar que é frustração. Falta-me a estrada e o tempo sem fim para saboreá-la.
Falta-me também aliviar esse peso que trago escondido. Talvez nessa altura possa ter a certeza de que isto não é uma alergia.

14.11.08

#1
[em jeito de tributo]

Carta aberta a João Cravinho
Público, 7 de Maio de 1999
João Martins Pereira
Meu caro João,

Desde os tempos do 40.900 [luta estudantil de 1959*] até hoje, estivemos várias vezes no mesmo barco, ou em barcos próximos. Mas mesmo quando o teu barco se afastou para águas socialistas, já lá vão uns 20 anos, nem por isso deixámos estiolar a nossa velha amizade e com mais ou menos frequência nos fomos encontrando e sempre comentando apimentadamente a política do tempo.

No momento presente, pareceu-me que seria insuficiente, para mim, mais um desses encontros, em que, entre duas garfadas de cozido, debatêssemos o que vai por cá, e pelo mundo. É que o que vai pelo mundo, mais propriamente por esta Europa que se dá a ver como berço e estandarte da “civilização ocidental”, é grave demais para ficar balizado por uma bela hora de conversa bem-humorada, finda a qual cada um vai à sua vida. Tu, em particular, à tua de ministro de um governo em guerra.

Na verdade, por mais voltas que lhe dê e por mais que pondere as diferenças de contexto, os bombardeamentos da Sérvia não podem deixar de me lembrar o crime gratuito de Dresden em 45, e os dos Estados Unidos no Vietname, isto para só lembrar casos protagonizados pelos aliados de hoje. Todos têm em comum a arrogância dos estados-maiores militares, quando em situação de esmagadora superioridade de meios e o desprezo absoluto pelas populações civis que, supostamente, se pretende “libertar” e reconduzir à “convivência democrática”. Como se, antes de serem “salvas”, essas populações tivessem de ser castigadas. Em suma, têm em comum o facto de serem bárbaras, o que é justamente o oposto de “civilizado”, na acepção mais corrente.

Ponho-me a imaginar o que pensaríamos nós, ao tempo de Salazar, se uma qualquer grande potência do momento, a pretexto dos métodos insuportáveis de tal ditadura, aqui e nas colónias, decidisse arrasar o país, como prelúdio para a “instauração da democracia”. Vejo-me, vejo-nos a todos nós, a unirmo-nos decididamente contra o abominável agressor. Mas não. Nesse tempo a potência dominante, a mesma de hoje, andava entretida muito simplesmente a sustentar ditadores ao pé dos quais o Salazar era um aprendiz: Franco (que teria no seu activo bem mais vítimas do que Milosevic), Somoza, Batista, Trujillo, Perez Jimenez e tantos outros. Isto antes de colocar no poder Pinochet, e enquanto os seus aliados europeus faziam o mesmo em África com os Bokassa, Mobuto ou Hassan (o amigo do dr. Soares).

Por isso mesmo, não me venhas falar em direitos humanos ou em protecção de populações (minoritárias ou não). Duvido que os albaneses do Kosovo estejam agradecidos à NATO pela “protecção” que, alegadamente, teria estado na origem das operações. Uma coisa é certa: pelo menos adquiriram o direito a “refugiar-se”, nas terríveis condições que se conhecem. E adquiriram outro, esse em comum com os sérvios : nunca mais se irão ver livres dos seus intitulados protectores. Porque, acabada a violência e a destruição (e hão-de acabar, talvez em breve, evitando, se assim for, os sérios riscos de alargamento do conflito), os “senhores da guerra” virão generosamente presidir à reconstrução, pois se até já se fala dos famigerados protectorados!

Aos negócios da guerra — pense-se só nas indústrias (e na investigação) de armamentos e munições — sucederão os negócios “da paz”: novas pontes, novas centrais, novas estradas, novos aeroportos, novos edifícios, novas televisões. Os aliados de hoje precipitar-se-ão com meios financeiros e materiais, com engenheiros, arquitectos, economistas, peritos, consultores, assessores. Os Balcãs tornar-se-ão num imenso estaleiro, mas os homens que lá viviam não serão mais os mesmos e, ainda que regressem, mal se reconhecerão no novo “território” que lhes será outorgado. Perder a vida não é só tornar-se cadáver: é perder a dignidade, perder o habitat, quando não perder a família, porventura dispersa por países ignorados.

Ainda há algo mais. A guerra é sempre detestável. Mas a guerra dita “limpa”, em que à partida o agressor se dá ao luxo de não ter vítimas, de nem sequer ser forçado a olhar de frente aqueles que vai matar ou destruir, isto é, a guerra dispensada de sofrimento próprio, a guerra-passeio de quem está seguro de ganhar em pouco tempo, a guerra-teste de armamentos, essa guerra tem algo de obsceno. Só terá um pequeno inconveniente: também se dispensam os heróis. Isso será apenas, para os militares, inebriados com as suas altas tecnologias, um “dano colateral”.

A Europa, nisto tudo, fez um pouco a figura das claques futebolísticas, que gritam quanto podem, mas não jogam. Blair e Chirac têm sido os grandes chefes de claque e, diga-se, também muito contribuíram para pôr a bola em jogo. Mas, a partir daí, ficaram nas mãos da sra. Albright e dos estados-maiores da NATO, que, bem vistas as coisas, bem precisavam de uma coisa destas para redefinirem o seu papel no pós-guerra fria. Depois disto, a Europa também não será a mesma, se é que ainda será alguma coisa.

Para que não restem dúvidas: os perdedores nesta tragédia serão obviamente os kosovares, que não têm culpa que o “Ocidente” tenha apostado no UÇK para a sua “libertação”, e os sérvios, que não souberam, ou quiseram, ou puderam livrar-se do Milosevic, pelos meios apropriados, enquanto era tempo.

Meu caro João, (também) eu “tive um sonho”: que uma eventual saída tua do Governo (de que falam alguns jornais) se não devesse a uma suposta escassez de obras públicas em período pré-eleitoral, ou a uma promoção à Comissão de Bruxelas, mas a um vigoroso murro na mesa em protesto contra esta guerra inacreditável!
Embora não possamos esquecer o precedente trágico da engrenagem aparentemente imparável que levou à Grande Guerra (“pourquoi ont-ils tué Jaurès?”), nenhuma guerra é inevitável. Disso falaremos talvez um dia, a uma qualquer sobremesa. Engenheiro

* A nota introduzida no texto refere a data de 1959, mas foi em 1957 (ou mesmo, mais precisamente, em 31 de Dezembro de 1956) que teve início a luta estudantil contra o decreto n.º 40.900, que punha fim à autonomia das associações de estudantes e as colocava sob a tutela da Mocidade Portuguesa.

João Cravinho, então presidente da Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico, foi, assim como João Martins Pereira, um dos líderes dessa luta, que terminaria com a suspensão do diploma.

13.11.08

#1
[ouvindo Rita Lee]

Meu bem você me dá
Água na boca
Vestindo fantasias
Tirando a roupa
Molhada de suor
De tanto a gente se beijar
De tanto imaginar
Imaginar!
Loucuras...

A gente faz o amor
Por telepatia
No chão, no mar, na lua
Na melodia
Mania de você
De tanto a gente se beijar
De tanto imaginar
Imaginar!
Loucuras...

Nada melhor
Do que não fazer nada
Só prá deitar
E rolar com você...

11.11.08

#1
[nevermind]


Eis o remake da imagem que marcou toda uma geração: 17 anos depois, Spencer Elden voltou a mergulhar na piscina atrás de uma nota de dólar.