28.4.08
Digo-vos: não há nada mais belo e poético que o empedrado das ruas de san Lorenzo, essa passadeira que liga todos os recantos do quartiere rosso. Quem se atreve a percorre-la entra na Itália profunda dos centros sociais e das pizzarias familiares, paredes meias com os apartamentos de estudantes, a velha sede do PCI ou as lojas freaks. Ali, as fachadas ainda guardam memória ( eo buraco das balas) da batalha de Roma e dos partingiani que ali cairam pela liberdade....
Recordo tudo isto com um misto de nostalgia e mágoa, ao saber que, nos próximos anos, o Município de Roma vai ser governado por um fascista.
26.4.08
20.4.08
18.4.08
11.4.08
[Descubra as diferenças]
Estado poupa 777 milhões com gestão privada na Saúde
Os grupos privados que vão gerir os hospitais de Cascais, Braga, Vila Franca de Xira e Loures garantem que gastarão menos 777 milhões do que o Estado.
(...)
Governo orçamenta PPP na saúde com almofada de 982 milhões de euros
Jornal de Negócios, 11 de Abril de 2008
Os custos que o Estado terá nas quatro parcerias público-privadas (PPP) já lançadas para a construção e gestão de novos hospitais (Cascais, Braga, Vila Franca de Xira e Loures) poderão ser bem mais altos do que o previsto nos concursos.
(...)
8.4.08
[...]
"Este Ricardo Reis não é o poeta, é apenas o hóspede de hotel que, ao sair do quarto , encontra uma folha de papel com verso e meio escritos, quem me terá deixado isto aqui, não foi, de certeza, a criada, não foi Lídia, esta ou a outra, que maçada, agora que está começado vai ser preciso acabá-lo, é como uma fatalidade, E as pessoas nem sonham que quem acaba uma coisa nunca é aquele que a começou, mesmo que ambos tenham um nome igual, que isso só é que se mantém constante, nada mais."
José Saramago,
in O Ano da Morte de Ricardo Reis
7.4.08
29.3.08
27.3.08
[quase Drummond]
Crédito Obras e Pequenas Reparações
Crédito Saúde e Beleza
Crédito Mobiliário e Decoração
Crédito Electrodomésticos
Crédito Informática e Multimédia
Crédito Férias
Crédito Formação
Crédito Festas e Eventos
Crédito Carta de Condução
Crédito Pessoal
Dinheiro Em Conta
Esta é a felicidade, com preço,
ao alcance da sua mão
23.3.08
21.3.08
18.3.08
16.3.08
[sem nexo]
Encontro uma passagem sem nexo, perdida algures nas 20 páginas de fraseologia pouco sólida que gira à frente dos meus olhos.
Pesam-me nas pálpebras, estas palavras.
Tento refazer a teia de raciocínio que as gerou, mas só encontro os buracos.
Não sei que lhes faça. Vontade de rasgá-las.
São desgastantes como um amor daqueles que já foi. Mas que volta de quando em vez.
Talvez guardá-las numa gaveta e perder a chave...
9.3.08
7.3.08
6.3.08
1.3.08
26.2.08
19.2.08
1. Untitled, 2. noventa graus, 3. Give piss a chance!, 4. la Unione, 5. Pela tarde, 6. Janela de Alfama, 7. Retrato do Artista Enquanto Jovem, 8. Roma
17.2.08
[Agora sim, terminou a guerra fria]
fria. Tudo foi diferente, depois dessa noite de Novembro de 89. O mundo tornou-se unipolar, o projecto capitalista, que procurava ser alternativo ao soviético, transformou-se num desígnio imperialista, onde, mais do que os estados nação, são as grandes multinacionais (e os seus interesses) que ditam as regras.
O colapso do bloco vermelho era por demais evidente. O fim do pacto de Varsóvia e a debandada dos Estados que estavam por detrás da cortina era uma questão de tempo. Sobravam poucos focos desse mundo que ombreou com a velha Europa e a América durante oito décadas.
Sobravam os regimes ditos comunistas na Ásia, que foram lentamente convertidos ao capitalismo de estado, Cuba, que, como então e apesar das dificuldades, foi mantida em isolamento, e um estado que, no coração da Europa, não entrara na onda Soviética e, talvez por isso, não se arriscava a ser arraso pelo fim da sua história.
Nesses dias do início da década de 90 era a Jugoslávia que importava começar a desmantelar. Foi um trabalho moroso e com vários episódios dramáticos.
As circunstâncias da história fizeram com que a Sérvia se tenha transformado no último bastião dessa ideia desalinhada que Tito criou e sabiamente geriu, tornando-se no inimigo público número um para meio mundo. É verdade que os seus dirigentes fizeram por merecer a fama, mas, e isso é que é sempre escamoteado, a violência e o cinismo não foram um exclusivo de Belgrado. Alias, esta é a história dos Balcãs desde os tempos mais remotos.
Durante os últimos 19 anos a Jugoslávia foi laboriosamente desarticulada. Contra a intolerância, pela liberdade, contra o nacionalismo e o fundamentalismo, foi-se alimentando uma política de interesses dos Estados Unidos da América, de diferentes Estados Europeus e de velhas famílias e oligarquias, baseada, precisamente, na intolerância, no extremismo religioso e no nacionalismo.
O último destes episódios é o Kosovo, território que hoje declarou a sua independência. Fazendo um paralelo, com as devidas distâncias, para o povo Sérvio a independência deste território tem o mesmo peso que teria para os portugueses uma secessão de Guimarães ou de Aljubarrota. A Sérvia foi hoje amputada do berço da sua nação.
Contrariamente ao que acontecia com os restantes territórios da Jugoslávia, o Kosovo nunca teve o estatuto de República. Nem podia ter tido, como já se percebeu. Mas o território, e a sua população maioritariamente Albanesa, sempre tiveram um tratamento de excepção, com um nível de autonomia e um peso muito grandes no quadro da Federação. A alteração desse relacionamento deu-se quando os Estados começam a abandonar a Federação e o nacionalismo Albanês começa a ganhar peso e a fazer-se ouvir pela voz de um braço armado que não era mais que uma guerrilha ligada ao tráfico de droga, de armas e de seres humanos, engrossado por criminosos das guerras da Croácia e da Bósnia – o primeiro Ministro Kosovar é um deles.
A loucura de Milosevic e da sua clique, em conjunto com a loucura dos líderes Kosovares radicais e a irresponsabilidade de quem os apoiou, tornaram intolerável e irresolúvel a tensão no território.
Hoje a Sérvia foi derrotada, fechando-se um dos últimos capítulos da guerra fria. Vejamos que consequências terá esta derrota.
14.2.08
13.2.08
"Às mães e pais, aos irmãos e irmãs, por termos separado famílias e comunidades, pedimos perdão (...) E pelo atentado à dignidade e a humilhação infligida a um povo orgulhoso de si mesmo e da sua cultura, pedimos perdão"
Kevin Rudd, Primeiro Ministro Australiano, no pedido de desculpa oficial à comunidade Aborígene pelos anos de discriminação
4.2.08
3.2.08
1.2.08
Não comentando o artigo em si, não deixo de me arrepiar com as obras em causa: Mamarrachos de gosto duvidoso que, disfarçados de modernos, descaracterizam a arquitectura e tornam o ambiente urbano mais intolerável.
Revelador...
29.1.08
24.1.08
[PAC: Danos colaterais]
A escassez de produção fez disparar os preços nos últimos meses. Nos Açores, região com forte concentração de produção leiteira, os agricultores reconhecem que não conseguem satisfazer a procura da indústria e que esta acumula o bolo maior dos aumentos sentidos recentemente pelos consumidores.
in Público, 24 de Janeiro de 2008
Durante anos ouvimos falar dos limites à produção impostos pela Politica Agrícola Comum (PAC). Dezenas de explorações foram fechadas e chegámos mesmo a ver os lavradores açorianos, em protesto, a despejar leite pelas ruas. Agora vêem-nos com esta...
15.1.08
8.1.08
[momento delicado]
há uma semana que a lei do tabaco está em vigor. este é um momento delicado para o seu sucesso.
Por um lado há sinais de cedências na polémica dos casinos - o director da ASAE deveria ser demitido pela provocação deliberada de que foi protagonista nos primeiros minutos do ano.
Por outro, os radicais do fumo começam a ficar impacientes com a brincadeira e a argumentar de forma quase descontrolada. No público de ontem Pedro Magalhães pôs esse desespero em evidência.
Entretanto, e em contra mão com as petições que exigem a alteração da lei, há por ai uma sondagem a correr na net, cujos resultados parecem dar razão a quem anda satisfeito por não levar com o fumo d@s outr@s.
[adenda ao post anterior]
Entretanto lembrei-me que: em Março, um dos jornais de Nova Iorque trazia uma comparação de várias sondagem onde se mostrava que Obama era o único candidato que poderia derrotar Giuliani, o Republicano que, nessa altura, estava melhor posicionado para a nomeação.
Quando contei por cá esta história, poucas foram as pessoas que acreditaram que, com o avançar da campanha, tal viesse a ser possível. As sondagens já começaram a virar e as perspectivas de Obama no New Hampshire estão a melhorar desde sexta feira, vejamos o resultado amanhã de manhã.
6.1.08
[outside is America]
Nos últimos dias várias têm sido as teorias dos comentaristas da nossa praça para explicar os bons resultados obtidos por Barak Obama, em contraste com a derrota de Clinton, no Caucus do Iowa: simpatia, franqueza, empenho, questões meteorológicas ou capacidade de mobilização são frequentemente apontados como tendo sido determinantes para um desfecho que é encarado com surpresa.
Este não é o meu campeonato, mas não deixa de ser interessante acompanhá-lo de perto.
O naipe de candidatos do Partido Democrático é completamente atípico. Os quatro primeiros classificados no Caucus são tudo aquilo que nunca esteve no currículo de um potencial ganhador das presidenciais: Uma mulher, casada com quem se sabe e com a fama de, em tempos, ter proposto à América um sistema de Saúde apelidado por muitos como socialista (!!??); um jovem negro filho de um imigrante e com raízes muçulmanas; um esquerdista, dentro do padrão; e um hispânico, cuja comunidade de origem, apesar de só ter eleitos a um nível mais secundário, constitui uma percentagem larga da população americana e tem bastante peso eleitoral (determinante na eleição de W. Bush).
O resultado de Obama foi, a todos os níveis, espantoso, até porque falamos de um estado interior, agrícola e com uma população 95% branca. Mas só surpreende quem não percebeu os sinais da onda que se tem vindo a levantar em torno deste homem, que, com a sinceridade e a coerência demonstradas em temas como a Guerra do Iraque, tem conseguido mobilizar a opinião pública de uma forma que muitos não julgavam possível.
No Final de Março de 2007 estive
Vejamos o que acontece no New Hampshire no próximo dia 8.
5.1.08
[dakar]
Muito se tem chorado pelo cancelamento do Lisboa/Dakar.
Eu estou contente: além de não assistirmos às eternas imagens de contraste entre os ricos que vão exibir a sua ociosidade aos africanos, a ausência de automóveis a circular pelo Sahara, bem como de todo o circo que os acompanha, tem um saldo ambiental muito positivo, poupando-se o consumo de milhares de litros de combustível - não havendo a respectiva a emissão de CO2, evitando-se também a produção de toneladas de lixo, cuja grande parte iria abandonado no percurso...
2.1.08
[nem mais]
(...)
Tenho pena que em Portugal uma lei tão sensata tenha sido implementada por um dos governos mais coerentemente e "espertamente" neo-liberais. Posso estar enganado, mas penso que nesta lei pesaram mais os técnicos do Ministério da Saúde, que o programa do governo PS.
Tenho pena que esta lei não tenha sido imposta pelos sindicatos, como uma das formas mais elementares de protecção dos trabalhadores - sobretudo dos que trabalham na restauração.
Tenho pena que tenha sido uma decisão da tecnocracia. É que é sabido, a tecnocracia, ainda que acerte às vezes, falha muitas outras.
Tenho pena que na esquerda, a liberdade de poluir surja como uma contraponto a outra coisa qualquer sempre apresentada como sendo muito (mas muito!) mais importante - a liberdade de ser informado (tanta gente que deve desconhecer os malefícios do tabaco, não é?), de ser estimulado de mil e uma maneiras a deixar o vício (mas então não somos livres de escolher?), a liberdade de ter tratamentos anti-tabágicos pagos (mas... mas... mas... os maços de tabaco, quem os paga afinal?).
Tenho pena que o meu partido tenha tomado a posição ridícula que tomou.
(...)
Um excelente texto do João Luc no Sem luz Não dá
16.12.07
the solid facts
este é um daqueles posts à Pacheco Pereira: uma imagem bucólica e um cumprimento sonolento...
have a nice day!
15.12.07
[prescrição]
Chiara Civello
Posologia - 2 cd's para usar e abusar
Modo de Utilização - tomar com parcimónia, apreciar com deleite.
Efeitos terapêuticos: potencia o reencontro com a música
Efeitos adversos mais comuns: alguma melancolia, especialmente em tardes solarengas de outono.
Não estão descritos casos de intoxicação aguda.
11.12.07
wathcing me
Clarice Lispector, in Um Sopro de Vida
10.12.07
[petição]
Os cerca de 150 sacos de plástico por pessoa produzidos anualmente acarretam graves consequências para o meio ambiente: para além de a sua produção implicar o consumo de combustíveis fósseis e a emissão de gases poluentes, cerca de 90% destes sacos acabam a sua vida em lixeiras, como lixo ou como contentores de desperdícios.
A distribuição gratuita de sacos de plástico por parte dos estabelecimentos comerciais, que é prática corrente Portugal é sinónimo de atraso em termos de consciência ambiental. Países europeus como a Bélgica, Irlanda e a Dinamarca taxam há anos os sacos de plástico, com benefícios óbvios para o meio-ambiente.
Taxar os sacos de plástico é a forma mais eficaz de incentivar os consumidores a usarem sacos reutilizáveis para as suas compras do dia-a-dia.
Por todas estas razões, os cidadãos abaixo-assinados pedem ao governo que não recue na sua intenção de introduzir uma taxa ecológica sobre os sacos de plástico.
9.12.07
O Vento
O vento sopra contra
As janelas fechadas
Na planície imensa
Na planície absorta,
Na planície que está morta
E os cabelos do ar ondulam loucos
Tão compridos que dão a volta ao mundo
Sento-me ao lado das coisas
E bordo toda a noite da minha vida
Aqueles dias tecidos
Que tinham um ar de fantasia
Quando vieram brincar dentro de mim
E o vento contra as janelas
Faz-me pensar que eu talvez seja um pássaro.
Sophia de Mello Breyner Andressen
In Coral
8.12.07
santinhos
Vou implorar aos apóstolos
mas é pior, que desgosto-os
com tanto pecado junto
não lhes pega nem o unto
Vou recorrer aos meus santos
esses, ao menos, são tantos
que há-de haver um que me acuda
senão ainda tenho o Buda
Maomé vai à montanha
o papa, ninguém o apanha
na Rússia, o rato rói a rolha
venha o diabo e escolha
(...)
Sérgio Godinho, O Elixir da Eterna Juventude
5.12.07
[...]
"Não existem construções fortuitas, erguidas à parte da sociedade humana que as edificou, das suas necessidades, esperanças e entendimentos, assim como na cantaria não se encontram linhas aleatórias nem formas sem sentido. A origem e a existência de qualquer construção grandiosa, bela e útil,bem como a sua relação com o lugar que adorna, carregam muitas vezes em si histórias e dramas complexos e misteriosos. Porém, uma coisa é certa: entre a vida dos habitantes da cidade e a ponte existiu sempre um vinculo íntimo e secular"
Ivo Andric, in A ponte sobre o Drina
4.12.07
2.12.07
28.11.07
[no comments]
Portugal ocupa o 29.º lugar da lista de 70 países que possuem um desenvolvimento humano elevado, lista que começa na Islândia e acaba no Brasil.
(...) no anterior relatório, referente a 2004, o País ficara em 28.º lugar. Agora, registamos um valor global do índice de desenvolvimento de 0,897 (na Islândia, é de 0,968 e, no Brasil, de 0,800). Antes, "tínhamos" 0,904.
(...)
in DN 28 de Novembro de 2007
27.11.07
[mijar contra o vento...]
Frente Comum pede a intervenção de Cavaco Silva
A Frente Comum de Sindicatos da Função Pública pediu ao Presidente da República a fiscalização preventiva do decreto-lei relativo ao sistema de vínculos, carreiras e remunerações da função pública, sustentando que este viola normas e princípios constitucionais.(...)
in Público on-line, 27 de Novembro de 2007
21.11.07
["Eu não sou um libertador, os libertadores não existem. O povo liberta-se a si mesmo." *]
A vossa atenção para o excelente artigo do José Neves, editado no publico de hoje e reproduzido no Zero de Conduta, onde o Zé era, até agora, blogger fantasma.
* Che Guevara
[é caso para dizer...]
que a incompetência era tal que os gajos nem conseguiram evitar a ida a tribunal...
19.11.07
[dá que pensar]
Fonte: Latinobarometro,via Arrastão
de caminho ainda me lembrei de um texto escrito em 2004, quando na Venezuela se fez um referendo à continuação de Chávez, exigido pela oposição e ganho pelo Presidente.
A este texto, só acrescento algo que, quando o escrevi, ainda não se sabia: o clareza do processo foi reconhecida por observadores internacionais dos mais diferentes quadrantes.
Agora, como então, continuo céptico ao populismo do senhor, e não me agradam algumas das suas medidas.
Mas recuso embarcar nessa onda politicamente correcta que o condena e o apelida de ditador, ao mesmo tempo que a grosseria do Rei do Estado Espanhol. Nem que seja pelo programa de cuidados de saúde primários e de formação de profissionais que, desde 1999, tem vindo a ser implementado na Venezuela. Além de interclassista (não é só para os pobres), é reconhecido pela OMS como verdadeiramente extraordinário nas metodologias aplicadas e na perspectiva de futuro que encerra.
16.11.07
[nem Rei nem Presidente, viva Zapata!]
Sem querer defender o Chavez, personagem que me suscita muitas dúvidas, deixo aqui uma opinião um pouco diferente daquela que tem feito feito os debates ...
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou ontem (14) a democracia da Venezuela, reiterou a importância do país tornar-se membro pleno do Mercosul e defendeu o presidente Hugo Chávez no polêmico episódio com o rei Juan Carlos da Espanha. “Podem criticar o Chávez por qualquer outra coisa. Inventem uma coisa para criticar o Chávez. Agora por falta de democracia na Venezuela não é.", disse Lula.
13.11.07
12.11.07
8.11.07
7.11.07
4.11.07
[com a verdade se enganam @s tol@s]
Num artigo sobre a acalmia que se vive dentro do PS, Medeiros Ferreira acusa Manuel Alegre de, com a passividade que o (re)tomou após as presidenciais, ter perdido a oportunidade de se afirmar como uma alternativa à esquerda.
Na resposta, Alegre reduz a força do voto de 1,2 milhões de concidadãos à mais pura insignificância: "a minha candidatura a Presidente foi a expressão mais alta da contestação interna [à liderança de Sócrates]. (...)" *
*Público, 4 de Novembro de 2007
22.10.07
change your country, vote.
15.10.07
[em todas as ruas te encontro]

Que o meu corpo se transfigura
Sintra, 13 de Outubro de 2007
Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
Mário Cesariny
9.10.07
[Hombre]

De quererte cantar sufro disnea
bastante más allá de los pulmones.
Tu sombra brilla hoy en la pelea
mayor de la conciencia y las razones.
Por ti canto de pecho,
como el sueño en que giro
y leve, como aún respiro.
Por ti adelanto trecho
a lo que falta en tono
y canto lo que no perdono.
Hombre, hombre y amigo,
aún queda para estar contigo.
Hombre, hombre sin templo
desciende a mi ciudad tu ejemplo.
Supiste cabalgar contra quien odia
desde su torre de odio y exterminio,
pero, en mi parecer, te dio más gloria
el alma que tallaste a tu dominio.
La medicina escasa,
la más insuficiente
es la de remediar la mente.
Y la locura pasa
risueña cuando engaña,
cual odio de la propia entraña.
Hombre sin apellido,
un poco de piedad te pido:
hombre, ay, todavía,
que un tanto más allá está el día.
De la melena inculta a la calvicie,
del número inicial a lo incontable,
desde la tumba hasta la superficie,
tras breve veinte tan multiplicable
me llega un canto alado
de fiebres de la infancia,
me brota la invención del ansia
y entero y mutilado,
furiosamente a besos,
te doy mi corazón travieso:
Hombre, hombre sin muerte,
la noche respiró tu suerte,
hombre de buen destino,
y hay luces puestas en camino.
Cuenta Silvio: «La compuse hace cinco años, cuando el Che cumplía veinte de asesinado. Ahora hace un cuarto de siglo y me estremece igual.»
7.10.07
4.10.07
A Cooperativa Culturas do Trabalho e Socialismo é uma cooperativa cultural que tem como objectivo a formação, divulgação e investigação nos domínios da História, da Ciência Política, da Economia, da Sociologia e das Culturas do Trabalho respeitantes às realidades da sociedade portuguesa e às de outros países, situações e organizações internacionais do mundo contemporâneo.mais informação aqui
2.10.07
[o estado da arte...]
Os cuidados prestados aos doentes valeram a Portugal o 19.º lugar num ranking que avaliou os sistemas de saúde 29 países europeus. Uma posição atrás de estados como o Chipre, a República Checa, a Estónia ou a Eslovénia, numa lista que tem como objectivo aferir quais os serviços mais amigos do doente. A comparação foi ontem divulgada pela Health Consumer Powerhouse, uma organização sueca que visa avaliar e defender o papel do cidadão perante os diferentes sistemas de saúde.
(...)
No ano passado, Portugal ocupava o 16.º lugar mas o alargamento da avaliação à Bulgária, Noruega e Roménia fez com que caísse três posições na lista - todos entraram com uma classificação superior. Num total de mil pontos possíveis, obteve 570 em cinco categorias, abrangendo 27 indicadores de desempenho. O melhor classificado foi a Áustria, com uma pontuação de 806, destronando a França que era, há um ano, considerada detentora do melhor serviço de saúde da Europa. Os autores do estudo consideram que Portugal "não está tão avançado como a vizinha Espanha".
(...)
In DN, 2 de Outubro de 2007
Relatório disponível aqui
27.9.07
[cromos da bola]
Santana Lopes saiu a meio de uma entrevista televisiva, na Sic Noticias, depois de esta ter sido interrompida para um directo do aeroporto. José Mourinho estava a chegar e o país precisava de ver.
Confesso que inicialmente até aplaudi a atitude de PSL, mas depois ouvi, na antena 1, o Ricardo Costa dizer duas coisas que dão que pensar:
1- a tal entrevista começou mais tarde do que o inicialmente previsto a pedido de Santana... por causa do Jogo do Sporting.
2- Santana foi avisado que a interrupção poderia acontecer... e não se terá oposto.
24.9.07
[direitos conquistados, não são pra ser roubados... ]
| Lusoponte pode receber compensação por causa de terceira ponte in www.tsf.pt 24 de Setembro 07 A Lusoponte poderá vir a receber uma compensação por causa da construção da terceira ponte sobre o Tejo. Um parecer da Procuradoria-geral da República confirma que a concessionária tem o exclusivo da travessia do Tejo a jusante da ponte de Vila Franca de Xira. | ||||
De acordo com este jornal, existe já um parecer da Procuradoria-geral da República sobre uma cláusula do contrato que dava o direito a que a concessionária das pontes 25 de Abril e Vasco da Gama ficasse com a terceira ponte sobre o Tejo.
Como o Estado pretende acrescentar um tabuleiro rodoviário à futura terceira ponte sobre o rio Tejo, depois de inicialmente apenas a projectar para o TGV, a Lusoponte terá mesmo de receber uma indemnização por este facto.
Segundo o contrato assinado em 1994, a Lusoponte tem o exclusivo rodoviário na travessia do Tejo a jusante da ponte de Vila Franca de Xira, um contrato que é único em Portugal.
Em 2000, quando o contrato com a Lusoponte, que é controlada por quatro construtoras, três delas portuguesas, foi renegociado, a cláusula que dava esta exclusividade à concessionária manteve-se.
18.9.07
[os pontos nos iis]
No público de Hoje, Rui Tavares põe o salazarismo de Maria José Nogueira Pinto a nu.
Num tempo de globalização, Helena Matos descasca a história da china town. São raras as vezes que estou tão de acordo com ela.
13.9.07
7.9.07
[mais vale rico e com saúde...]
do que pobre e doente...
*************************
Ricos vivem em média mais 30 anos do que os pobres
07.09.2007, www.publico.pt
A diferença da esperança média de vida entre os países mais pobres e os países mais ricos ultrapassa os 30 anos. Segundo uma versão provisória do relatório da Comissão Global sobre os Determinantes Socais da Saúde (CGDSS), da Organização Mundial de Saúde, o fosso não resulta apenas da probreza e da falta de condições adjacentes mas é também determinado pela hierarquia social.
O relatório provisório foi publicado pela revista científica "The Lancet" e a versão final deverá sair em Maio de 2007.
Segundo o documento, a esperança média de vida nos países mais ricos entre 2000 e 2005 cresceu sete anos em relação a igual período na década de 70 (78,8 anos), enquanto que nos países mais pobres só aumentou quatro meses (46,1 anos).
Mas a desigualdade não se verifica apenas entre países mas também dentro das hierarquias sociais nacionais. "Quando se pensa nas pessoas dos países subdesenvolvidos há a tendência para pensar em pobreza, falta de habitação e de saneamento e uma maior exposição a doenças infecciosas", disse ao "The Independent" Michael Marmont, director da CGDSS. "Mas há outra questão — o factor social —, a que chamei 'síndrome do estatuto'".
A teoria do "síndrome do estatuto" foi criada na década de 80, quando Marmont demonstrou que o risco de morte entre indivíduos dos quadros inferiores de uma profissão era quatro vezes maior do que entre os profissionais de topo. Segundo o relatório, os indivíduos mais pobres de Glasgow, na Escócia, têm uma esperança média de vida na casa dos 54 anos, o que é um índice menor do que o registado na Índia.
"Se as pessoas aumentarem o seu estatuto e tiverem maior controlo sobre as suas vidas vão melhorar as condições de saúde porque ficam menos vulneráveis à economia e às ameaças ambientais", disse o especialista ao "The Independent". "Soluções técnicas e médicas como melhores cuidados de saúde são sem dúvida necessárias. Mas são insuficientes", afirmou.
6.9.07
[carta ao Provedor]
Caro Senhor
Nos últimos meses, muitas foram as vezes que pensei escrever-lhe devidos à avalanche de erros, repetições, omissões e distorções jornalísticas que tomaram de assalto o Público e que se tornaram numa regra quase diária.
Hoje decidi não adiar mais, já perceberá a razão.
Na vossa edição de imprensa de hoje (6 de Setembro), a notícia sobre o vídeo que mostra uma cena de violência Policial em Lisboa tem como título: Vídeo de Violência no Parque das Nações divulgado no youtube tem duas versões, o que pressupõe a existência de dois vídeos que, em alguma parte, serão diferentes.
Ora, lendo a notícia, depressa se conclui que as duas versões a que se refere o título são duas interpretações do mesmo, a que se retira do visionamento das imagens, e defendida pelos autores do Blog ACAB Portugal, e aquela que foi a primeira explicação adiantada pela PSP para os acontecimentos.
Tido por muitos profissionais como uma escola, o Público foi, em tempos, uma referência no jornalismo feito em Portugal pelo rigor e clareza que o pautavam. Infelizmente, temos vindo a assistir ao seu progressivo definhar, especialmente depois da sua última remodelação.
Quanto a mim, esta e outras situações só se explicam pela inexistência de profissionais que façam uma revisão cuidada dos textos e da edição. É cansativo.
Deixo-lhe os melhores cumprimentos
4.9.07
3.9.07
[efeitos colaterais]
Após uma sessão de treino intenso, a maioria das pessoas começa a sentir dor nos músculos exercitados dentro de 24-48 horas, o que pode durar até uma semana após o seu aparecimento. Este tipo de dor é chamada de mialgia de esforço. Os cientistas não têm 100% de certeza sobre todas as causas das mialgias de esforço, mas têm uma ideia bastante aproximada.
(...)
[ainda os transgénicos]
Deixando de lado a polémica da destruição do milho, eis uma boa síntese do problema dos transgénicos, num artigo do Engenheiro Victor Louro, no Público de hoje.
2.9.07
31.8.07
Vivo naturalmente com isso. uma vez um muçulmano disse-me que todos temos algum deus, que não podemos viver sem ele.
em conversa com um padre ortodoxo, a minha recusa a uma religião também causou espanto.
que não, que vivo bem com as coisas terrenas e não me revejo nos sistemas de interpretação do mundo e do desconhecido que as religiões propõem... mas não deixo de me espantar com a fé dos outros, com a vivência da crença e o ritual, com a influência que tem em tantos aspectos da vida, no correr da história e na Arte... também influenciou o que há de pior na humanidade, mas essa é outra história.
Tenho viajado e encontrado lugares, pessoas e momentos que não deixo de recordar com emoção... a voz do almuaden em Fez, os tapetes das mesquitas de Sarajevo, o fervor dos ortodoxos na Roménia e na Sérvia, a cripta Romana da catedral de Auxerre, a devoção dos mexicanos que se confundem com os rituais pagãos, os monumentos funerários de new grange na Irlanda, as capelas perdidas nos Pirineus, marcadas com os signos da peregrinação...
enfim.






































