27.8.07
Sulina fica à beira de um dos braços do Danúbio. partindo do cais de Rio, rapidamente se chega ao mar negro.
só se chega a Sulina após 4h de navegação. São 60 km de distância num barco de carreira. Este trajecto é frequentado por alguns turistas e alguns viajantes, mas, no essencial, quem o percorre é porque ali vive e faz do tio o seu canal de ligação com o mundo.
Delta do Danúbio, 7 de Agosto de 2007
Canon 20D
Do Eduardo Prado Coelho não direi generalidades.
Reconheço-lhe a importância e o papel que representa na cultura portuguesa dos últimos 50 anos, apesar do indisfarçável vaidosismo e uma certa tendência para a auto proclamação.
Ficam apenas as palavras.
Eduardo
só que nos faz muita falta, que gostávamos da sua
presença, de saber que nos trazia uma relação diferente
com o mundo e connosco e que também isso
era inquietação, conhecimento e alegria. e há-de ser
sempre duro e difícil aceitar
que a voz que ele tinha, os gestos que fazia,
os seus encantamentos, até as suas manias, a sua maneira de andar,
ficam só na memória entre outras sombras e silêncios.
a vida continua, sim, o mundo continua,
todos dizemos isso e sente-se uma precária segurança,
uma surda música de alívio porque não é ainda a nossa vez,
e continuam os rios e os mares, as nuvens e os continentes,
as derivas da história, as coisas do dia-a-dia,
mesmo que um amigo morra, e continuam
os homens e os seus conflitos, e continuam
as coisas mais belas e as mais sórdidas, as mais pungentes e as
que nos marcam a esperança, mesmo que morra
um amigo que não voltaremos a ver e se tenha tornado
apenas uma íntima presença.
nós pressentimos tudo isso porque temos
de agarrar-nos a qualquer coisa, e ainda mais
quando morre um amigo e nos vem a certeza
de que uma parte de nós, do que nos explica, do que é
a nossa geração morre com ele.
Vasco Graça Moura
In Público, 27.08.2007
24.8.07
[resumo]
Eis um resumo do caso Maddie, construido a partir de impressões que a cobertura de imprensa transmite a pessoas mais desatentas...
22.8.07
[querem-nos mansinhos e domesticados]
De volta a esta ponta da europa, tenho tido vontade de escrever, mas, confesso-vos, não sei bem o quê.
Sobre a Roménia?
Foi uma viagem imensa, cheia de tropoelias. mas as palavras para a contar parecem ser sempre as mesmas... por mais voltas que dê, esbarro constantemente em banalidades, nada se apróxima. Talvez as fotografias ajudem a desatar este nó, e, com a sua preciosa ajuda, consiga consiga inventar novos vocábulos ou, pelo menos, conjugar os que jáconheço sem resvalar para o lugar comum.
Sobre a minha caixa de correio com 320 mensagens de spam?
o unico comentário que me ocorre é de indignação. Se o administrador de sistema se dedicasse a ajustar o filtro em vez de me enviar, com milimétrica regularidade, uma mensagem que diz o obvio: a sua caixa de correio atingiu os limites de armazenamento...
Sobre a tese?
nevermind... haverá tempo para essa temática.
Sobre a silly season ou as novidades da política?
... tem mesmo de ser?
bom... resta-me o milho.
Grande polémica se levantou com a ceifa simbólica de 1 hectare (em 50, daí o simbolismo) de milho transgénico por um grupo de jovens.
O país que limpa sempre os cantos da boca à parte macia do guardanapo está em estado de choque com tal atitude.
Destruir a propriedade privada, imagine-se lá! qualquer dia isto está transformado numa grande Torre Bela, dizem eles entre dentes. Esquecem-se de que são eles que, em Troia, Grandola ou na costa Algarvia, andam a destruir o que é de nós todos, protegidos pelos PINs, que mais não são do que um expediente para o betão.
É preciso é respeitar quem trabalha, gritam os que defendem a flexibilização das leis laborais. Para o país bem pensante, e para o seu governo liberal, pouco importa que o dito milho seja um veneno potencial.
A bofia deveria era ter dado com força, reclamam os amantes desta ordem que temos...
As opiniões, e a manipulação das mesmas, vão-se sucedendo, veiculando o nojo e a repulsa de qeum nos quer mansinhos, acríticos, domesticados e formatados para o consumo sem questionar... Lá dizia a Natália Correia.
Eu não andei na ceifa da dito milharal. mas apaludo quem o fez. Contrariamente à opinião geral, não creio que tenha sido um acto irreflectido, irresponsável, sem sentido ou mesmo egoísta. Foi uma provocação à ideoliogia dominante, também ela destruidora, que os seus arautos não perdoam.
10.8.07
clean
Originally uploaded by André Beja
Na Romenia profunda, perto da Moldova e da Ucrania, Patrauti, Bukovina, Romenia
10 de Agosto de 2007
6.8.07
[algumas impressoes]
Bucuresti e' uma cidade marcada pela arquitectura do p'os guerra, versao "socialismo" real. Entre os mastadonjtes, encontram-se edificios do inicio do sec XX muito interessantes.
Conheci um especulador imobiliario. descobri que todos os meus preconceitos teem um fundo de verdade...
ha duas palavras para descrever o Sul da Romenia: rural e plano.
Estou em Tulcea, a ultima grande cidade na margem do Danubio. Amanha vamos conhece ro local onde este rio transcontinental encontra o mar negro. o seu delta e' patrimonio da humanidade. depois vos direi se e' caso para tanto. Entretanto, ja decidimos que, numa proxima viagem, iremos ver o lugar onde ele nasce, na floresta negra.
at'e ja'
A
2.8.07
[...]
Penso nas palavras. Procuro moldá-las ao que quero dizer. Para descrever a urgência de subir à tona de água e respirar ou apenas para descobrir as voltas que lhes posso dar com a ponta dos dedos. Não sei.
Penso nas palavras e no que está por detrás delas.
Sinto o apelo do desconhecido, a inquietação da viagem.
é hora de voltar a partir.
30.7.07
[Vantagens de ter democracia do tipo ocidental]
Pela primeira vez na sua história, o Iraque ganhou a taça da Ásia em futebol.
26.7.07
[com as devidas correcções...]
foi editada esta capa alternativa para a edição da El Jueves da semana passada.
Aguarda-se o veredicto del lapís azul
Sobre a vergonha da não aplicação da lei da IVG na Madeira por recusa (birra? prepotência?) do Governo Regional e do PSD local, recomendo-se a leitura do artigo da Ana Matos Pires que vem no Público de hoje.
* adaptação livre do título do artigo, as minhas desculpas à autora ;)
25.7.07
[Este gajo é um frouxo]
Manuel Alegre insurge-se contra o "medo" instalado no PS
Público, 25.07.2007, Sofia Branco
"Agora e sempre contra o medo, pela liberdade." Assim termina o artigo de Manuel Alegre hoje publicado na íntegra pelo PÚBLICO, no espaço reservado à opinião. O histórico socialista fala de um "clima propício" ao cerceamento das liberdades e reclama que "o PS não pode auto-amordaçar-se"."No PS sempre houve sensibilidades, contestatários, críticos, pessoas que não tinham medo de dizer o que pensam e de ser contra quando entendiam que deviam ser contra", recorda, contrapondo que agora há o "medo de pensar pela própria cabeça, medo de discordar, medo de não ser completamente alinhado".
São "casos pontuais", reconhece o vice-presidente da Assembleia da República, mas, mesmo assim, "inquietantes", porque relevam de "um clima propício a comportamentos com raízes profundas na nossa história, desde os esbirros do Santo Ofício até aos bufos da PIDE".Os ataques de Alegre às políticas seguidas pelo Governo de José Sócrates são muitos: à "progressiva destruição do Serviço Nacional de Saúde"; ao regime do vínculo da Administração Pública; ao Estatuto dos Jornalistas; ao "precedente grave" do cruzamento de dados na função pública; à "tendência privatizadora" de "sectores estratégicos", como a electricidade, a água e o ensino superior."Não tenho qualquer questão pessoal com José Sócrates, de quem muitas vezes discordo mas em quem aprecio o gosto pela intervenção política. O que ponho em causa é a redução da política à sua pessoa", refere, lamentando a falta de "alternativas à sua liderança", dentro do próprio PS, mas também no PSD.Manuel Alegre recusa o "álibi" nacional da "necessidade de reduzir o défice" e também "o álibi da presidência da União Europeia" - que, até agora, merece o seu "aplauso". "O que não merece palmas é um certo estilo parecido com o que o PS criticou noutras maiorias", diz, lamentando a "tradição governamentalista", que leva um partido, quando está no Governo, a transformar o "seguidismo" "em virtude".Analisando as eleições presidenciais - nas quais ele próprio, concorrendo sem apoio partidário, obteve mais de 20 por cento dos votos - e as intercalares de Lisboa - em que Helena Roseta e Carmona Rodrigues concorreram como independentes e somaram cerca de 27 por cento dos votos -, Alegre diz que os cidadãos demonstraram, com a abstenção ou o voto, que "há mais vida para além das lógicas de aparelho". "Não tenho qualquer questão pessoal com Sócrates. Ponho em causa é a redução da política à sua pessoa"
23.7.07
20.7.07
Sete poetisas, uma artista e um palco. Juntos são os «ingredientes» principais da peça «Ela uma vez» que estreia no Teatro da Comuna dia 20 de Julho, e aí se mantém por mais dois dias. Três sessões únicas de um trabalho concebido a partir de textos poéticos de sete escritoras portuguesas e brasileiras.Os trabalhos literários de Adélia Prado, Adília Lopes, Ana Hatherly, Ana Luísa Amaral, Elisa Lucinda, Natália Correia e Marina Colasanti são o ponto de partida de uma viagem ao universo feminino concebido por estas mulheres que se juntaram para criar o espectáculo.
O teatro ganha forma numa linha temporal organizada pelas quatro etapas da vida de uma mulher: a infância (a estreia da voz, dos jogos, da sombra e da imaginação); a juventude (sinónimo de sensualidade, amor); a idade adulta (transformação, reflexão e a passagem do tempo) e por fim a velhice. Etapa caracterizada pelo despojamento, morte e o desvanecimento do corpo.

A peça fala sobretudo de mulheres de forma poética. Explicações conseguidas a partir de palavras. E porquê? Cláudia Andrade responsável pela concepção artística desta peça explica: «Desde cedo senti que as palavras dos outros funcionavam como explicação, como legendas à minha própria vida, tantas vezes completamente indecifráveis para mim. Cresci com palavras, aprendi a combiná-las e a aceitar pacífica e deslumbradamente o efeito que elas tinham sobre mim. É esta a dívida de gratidão que tenho para com esses escritores».
No palco são utilizadas diferentes linguagens artísticas. Teatro, música, artes plásticas, vídeo e animação. Tudo junto misturado priveligiando a expressividade do corpo, do gesto e do movimento.A interpretação e concepção artística é da responsabilidade de Cláudia Andrade. A concepção plástica de Joana Patrício e Maria João Marques e a música de Teresa Gentil. A produção de André Luz e Cláudia Andrade
19.7.07
18.7.07
11.7.07
[nem o cónego lhe valeu...]
«É a primeira vez na história da democracia portuguesa que alguém vai ser julgado por tentar subornar um eleito e espero que sirva de aviso a todos aqueles que pensem voltar a fazer o mesmo»
22.6.07
[...]
o novo Cartaz de Fernando Negrão deve ter sido sugerido por Alberto João Jardim... quando o vi no Sol pensei que era piada. mas já está na rua.
21.6.07
[adenda]
GArcia Pereira não só esteve com o facho, como ainda o exibe no seu site. As fotos são más, mas a nódoa está lá.
Sem mais comentários.
20.6.07
[furar o bloqueio]
O relatório da Comissão para a Sustentabilidade do Financiamento do SNS que o Ministro tem em sua posse há uns 4 meses, e insiste em não divulgar, foi disponibilizado num blog.
A discussão sobre o SNS ganha agora outros contornos.
[ensandeceu de vez...]
Diz quem viu que Garcia Pereira prestou declarações conjuntas com o candidato fascista, mostrando indignação pela exclusão do debate de ontem na SIC.
Compreendo a indignação do MRPP com a situação, até porque as sondagens dão o seu candidato como um potencial concorrente do Telmo Correia na disputa do 8º lugar na corrida (e dos 3% dos votos), mas há limites!
[dos livros]
Nos últimos meses, não tenho tido muito tempo para ler mais do que o estritamente necessário para responder ao desafio do mestrado. Mas os livros são uma constante na minha vida. Há sempre muitos em lista de espera, leituras simultâneas e abandonos.
Depois de uma pesquisa, eis o resumo das últimas leituras.
O Pintor de Batalhas, de Arturo Pérez Reverte
A história de um fotógrafo de guerra reformado que pinta uma eterna batalha. Profundamente inquietante.
Andanças com Heródoto, de Ryszard Kapuscinski
Um livro de viagens que conta as primeiras deambulações do autor pelo lado de cá da cortina de ferro, acompanhado daquele que terá sido o primeiro livro de viagens da história da humanidade, Histórias de Heródoto
A Cova do Lagarto, de Filomena Marona Beja
Este só o li já impresso, não tive direito à primeira prova. Ao quinto romance, a escrita está mais seca e depurada.
Russendisko, de Wladimir Kaminer
Uma visão muito especial sobre a diáspora russa na Alemanha nos anos que se seguiram ao fim da URSS. Apesar de manter o tom mordaz, falta-lhe o fôlego de Militar Musik, o primeiro livro de Kaminer.
Ardinas da Mentira, de Renato Teixeira
Um ensaio sobre o moderno jornalismo feito em Portugal e no Mundo.
Poesia Reunida, de Nuno Júdice
Nunca li este livro. Desde há 2 anos e meio que o venho lendo.
18.6.07
[piruetas]
Quando a JS propos ao governo que se legalizasse o casamento entre homossexuais, José Socrates mandou Pedro Nuno Santos estar caladinho, que essas coisas fracturantes só estão na agenda pós 2009.
António Costa vem agora dizer que, enquanto presidente da CML, irá abrir a sede do municipio a Casamentos Gay. espero vê-lo. ainda durante esta campanha, sugerir ao grupo parlamentar do PS que aceite agendar a proposta que o BE fez entrar na AR no ano passado.
17.6.07
15.6.07
14.6.07
[galeria]
Uma das responsáveis pelas minhas viagens no mundo da fotografia resolveu deixar-se de preguiças e abrir uma conta no Flickr.
Nas últimas semanas tenho-me limitado a observar, mas agora, olhando para estas texturas emocionais, achei que era tempo de partilhá-las com vocês.
bom proveito.
Thanks P.
[Itália: quando o activismo se torna num risco]
Na noite do passado dia 12, Vicenzo Russo, sindicalista, activista social, militante da Refundação Comunista e da associação Sinistra Crítica em Casoria (um subúrbio de Nápoles), foi brutalmente espancado por 4 desconhecidos que o interceptaram quando regressava a casa após uma reunião. Da agressão resultaram alguns ferimentos, tendo Russo perdido dois dentes e ficado com a face deformada pela violência das pancadas sofridas.
Embora não tenha sido possível identificar os agressores, que se puseram em fuga quando Russo foi socorrido pelos seus vizinhos, tudo indica que esta agressão será obra da Camorra (a Máfia Napolitana), em resposta à forma militante e empenhada como Russo e os seus companheiros e companheiras do núcleo local do PRC têm denunciado o mau governo da autarquia e as relações entre autoridades locais e interesses obscuros. Estas denúncias levaram a que, em 2005, o executivo de centro esquerda fosse dissolvido pelo tribunal, passando a autarquia a ser gerida por uma comissão administrativa, após se ter comprovado a infiltração da Camorra nas suas estruturas.
Ao longo dos anos, o trabalho junto da comunidade imigrante, o activismo sindical, o envolvimento em movimentos pela água pública ou contra a destruição de acampamentos de ciganos, a luta contra as elevadas taxas de resíduos sólidos urbanos ou a denuncia de negócios pouco claros da autarquia com funerárias contribuíram para que Russo e @s seus/suas camaradas se tenham tornado em inimig@s de quem tem sido prejudicado pelo seu activismo cívico.
Em solidariedade com Russo, realizar-se-á no dia 15 uma concentração contra a Camorra, à qual já aderiram, além das estruturas do PRC, o Partido dos Comunistas de Itália, Os Verdes e um conjunto alargado de organizações sociais. Na Câmara Alta do Parlamento, o Senador Franco Turigliatto abordou o episódio, questionando o Ministro da Administração Interna sobre a luta contra o crime organizado.
9.6.07
[as vidas dos outros] 6.6.07
4.6.07
[...]
Hoje meditei numa distante falésia
Depois de muito tempo bruma e nuvens retiram-se
Um só caminho: o curso da fria água clara
Ao longe o cimo dos montes verdejantes
Calma a sombra matinal das nuvens brancas
A luz do luar brilhante flutua
No meu corpo não há pó nem sujidade
Porque está meu coração inquieto?
In O Vagabundo do Dharma
25 poemas de Han-Shan
31.5.07
27.5.07
[all about bananas]
Eis algumas pistas para o que não imaginamos estar por detrás de uma prazenteira banana ...
Um texto de PETER CHAPMAN, publicado no Financial Times. Tradução para a Folha de S. Paulo, adaptada pelo Esquerda.net.
O Bom pastor está a olhar para ti.
26.5.07
[compreensão lenta]
Pedro Santana Lopes lamentava-se ontem, no Diário Económico, pelo facto de Portugal ainda não o ter desculpado.
Alguém lhe deveria explicar que, desde 20 de Fevereiro de 2005, andamos tod@s a fazer um esforço, não por perdoá-lo mas sim por esquecer de que existe e foi, em determinado periodo, Primeiro Minístro deste país.
[rectidão*]
1- Qualidade, caracteristica, atributo do que é recto.
2- Virtude de seguir, sem desvio, a direcção indicada pelo senso e pela justiça, pela equidade(...), integridade, lisura.
3- Atributo, (...) Justiça, regra, correcção.
In Dicionário Houaiss da Lingua Portuguesa
* nunca é demais lembrar o que é tão fácil de perder.
23.5.07
21.5.07
[ideias que fermentam em silêncio]
Às Vezes
Às vezes tenho ideias felizes,
Ideias subitamente felizes, em ideias
E nas palavras em que naturalmente se despegam...
Depois de escrever, leio...
Por que escrevi isto?
Onde fui buscar isto?
De onde me veio isto? Isto é melhor do que eu...
Seremos nós neste mundo apenas canetas com tinta
Com que alguém escreve a valer o que nós aqui traçamos?...
Álvaro de Campos
15.5.07
[pela boca morre o Peixe]
Pergunto-me: depois disto, irá a Ana Gomes manter a sua militância no PS?
Não defendo a sua expulsão, sou favorável à liberdade de opinião, à diferença de pensamento e ao direito de tendencia dentro dos partidos.
A questão é outra: não percebo como é que alguém consegue fazer uma crítica destas e continuar a militar num partido onde, ao que parece, se convive com naturalidade com estes episódio.
7.5.07

A notícia é do Público de hoje.
Não é bem uma notícia, mas sim uma crónica de costumes digna do final do século XIX, não fossem os automóveis a ocupar o lugar dos carros electricos.
Ainda assim, mais do que uma notícia ou de uma crónica neo Queiroziana, estamos perante um instrumento de propaganda que não fala toda a verdade.
Aqui se descreve o suposto segundo acidente no túnel do Marquês, dando-se nota do daquele que terá sido o primeiro.
No entanto, nenhum deles corresponde aquele que eu vi, dentro do túnel (no sentido de quem desce das amoreiras), no dia 30 de Abril, pelas 19h. A polícia estava lá, deve ter-se esquecido de registar...
Túnel do Marquês registou ontem o segundo acidente
07.05.2007
O recém-inaugurado túnel do Marquês, em Lisboa, registou no sábado o segundo acidente da sua curta história, com uma colisão entre dois ligeiros, junto à saída para a Avenida Fontes Pereira de Melo, que apenas provocou danos materiais.
Fonte da Divisão de Trânsito da Polícia de Segurança Pública de Lisboa adiantou à agência Lusa que a colisão, verificada entre duas viaturas ligeiras que circulavam entre as Amoreiras e a Fontes Pereira de Melo, ocorreu cerca das 21h00 de sábado, tendo provocado o corte da circulação por apenas alguns minutos.
A colisão registou-se junto à cabine de controlo da circulação do túnel, tendo os veículos envolvidos sido quase de imediato removidos para uma única das vias de circulação ali existentes.
Depois de registada a ocorrência e preenchida a Declaração Amigável entre os condutores, a Polícia Municipal ficou no local a aguardar a chegada dos reboques da assistência em viagem e a regular a circulação, sem que se tivessem registado quaisquer problemas.
A mesma fonte policial adiantou que o primeiro acidente da história do polémico túnel, inaugurado no passado dia 25 de Abril, foi uma colisão em cadeia entre três viaturas ligeiras, ocorrida na sexta-feira às 14h30, junto à saída para o Marquês de Pombal, e que também não provocou mais do que danos materiais nos automóveis envolvidos. Uma vez que a colisão se deu mesmo à saída do túnel, as viaturas foram retiradas para fora deste enquanto aguardavam a chegada da polícia para tomar conta da ocorrência.
O túnel, que ainda não tem aberta a saída para a Avenida António Augusto de Aguiar, possui uma extensão de 1725 metros, inclui três entradas e cinco saídas e tem um limite de velocidade de 50 quilómetros por hora. A inclinação da galeria tem sido criticada por diversos técnicos e autarcas da oposição.
No dia da inauguração, José Fernandes, vereador eleito pelo Bloco de Esquerda, chamou a atenção para a "inclinação muito grande do túnel, que acaba numa curva só com uma faixa".
Nesse mesmo dia, o comandante do Regimento de Sapadores Bombeiros garantiu que a obra recolhia todas as condições de segurança, depois de efectuada uma vistoria e melhoramentos. A polémica em torno do túnel, porém, iniciou-se ainda antes do início da sua construção. Em Janeiro de 2004, Sá Fernandes, por considerar que a obra era ilegal, interpôs uma providência cautelar pedindo a suspensão dos trabalhos, que foram interrompidos durante sete meses, na sequência dessa iniciativa.
Entre as alegadas irregularidades apontadas pelo autarca estava a ausência de um estudo de impacto ambiental e de tráfego, a inexistência de consulta pública do processo, a não audição do Instituto Português do Património Arquitectónico (Ippar) e o arranque das obras sem que o projecto de execução estivesse concluído. A Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados, por seu lado, afirma que existem problemas de traçado, de sinalização e de segurança no túnel do Marquês.
Nenhum dos dois acidentes já registados teve origem na acentuada inclinação existente num dos troços da galeria. Em ambos os casos, as colisões verificaram-se nas saídas do túnel, sendo que a da Avenida Fontes Pereira de Melo é particularmente perigosa.
2.5.07
[dar a cara por lisboa]
Segundo notícia do site da Visão, Marques Mendes vai aguentar o PSD de Lisboa, não forçando a sua demissão e (as mais que necessárias) eleições antecipadas.
Se assim for, verifica-se que Mendes prefere ver a sua liderança ser cozinhada em lume brando.
Sócrates agradece. Quem se trama é Lisboa e as suas gentes.
24.4.07
[o homem de quem
23.4.07
20.4.07
7.4.07
[parábola da ONU]
A senhora que conduziu a visita pela sede da ONU alertou-nos, a certa altura, para a o facto de existir uma emissao de selos postais propria da Organizacao, apressando-se a esclarecer que estes so servem se forem usados em cartas colocadas na agencia do edificio.
Estaria o mundo bem melhor se isto acontecesse so com os selos...
31.3.07
New York, Mar,co 2007
A cidade faz a catarse do dia que a transformou, do dia que mudou o mundo.
enquanto vagueva entre as pessoas e as suas memorias, recordando a imagem pixelizada do que aqui se passou, nao pude deixar de me lembrar que nao ha muito que chore as vitimas da guerra que Bush foi fazer par ao iraque.
30.3.07
[primeiras impressoes]
um tipo esta na fila da imigra,cao e leva com a cnn durante 20 minutos. o assunto, claro esta, e' o Iraque e as imagens sao de guerra. estes tipos vivem aterrorizados...
nos comboios, cartazes apelam aa dela,cao de actos estranhos (o que quer que isso queira dizer).
caminhando perdidos pelas ruas de jersey, somos abordados com simpatia e ajudados a encontrar o noss ocaminho para casa.
ao chegar ao 14.o andar, uma vista incrivel sobre a big aple. tudo tao silencioso... parece faltar qq coisa...
vejamos o que nos espera neste porto do novo mundo.
27.3.07
[Butterfly dreams]
Mayday oh my
I'm the one to make you cry
Mayday it's all gone wrong
I turn around and now she's gone
Mayday oh my
I'm the one to make you cry
Mayday, what do you know
One comes, the other goes
(...)
Booth and the Bad Angel
Let's Dance
Let's dance put on your red shoes and dance the blues
Let's dance to the song
they're playin' on the radio
Let's sway
while color lights up your face
Let's sway
sway through the crowd to an empty space
If you say run, I'll run with you
If you say hide, we'll hide
Because my love for you
Would break my heart in two
If you should fall
Into my arms
And tremble like a flower
Let's dance for fear
your grace should fall
Let's dance for fear tonight is all
Let's sway you could look into my eyes
Let's sway under the moonlight,
this serious moonlight
If you say run, I'll run with you
If you say hide, we'll hide
Because my love for you
Would break my heart in two
If you should fall
Into my arms
And tremble like a flower
Let's dance put on your red shoes
and dance the blues
Let's dance to the song
they're playin' on the radio
Let's sway you could look into my eyes
Let's sway under the moonlight,
this serious moonlight
David Bowie
23.3.07
22.3.07
[guiquices]
Já não me bastava um telemóvel frenético (com substituição em linha de espera), um Portátil, duas maquinas fotográficas, o photoshop, dois espaços virtuais, um passe de comboio, lugares de representação, uma bicicleta, um mp3, uma viagem transatlantica, projectos de edição, cargos de coordenação, um mestrado em ebulição, e logo agora tinha de arranjar um pseudónimo...
21.3.07
[celebração da poesia]
Caminante, son tus huellas
el camino, y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante, no hay camino,
sino estelas en la mar.
António Machado
[O que diz Machado II]
(...)
Uma coisa de que se orgulhe neste seu tempo?
O pundonor das pessoas que lutam para melhorar o mundo. Che Guevara é um exemplo marcante e que felizmente continua vivo.
Disse ainda na tal entrevista a Clara Ferreira Alves: "Não encontrei Deus e Deus não me encontrou." Oito anos depois, alguma coisa de novo, nesta frente?
Continuo no mesmo sítio, no chamado sítio em que um gajo tem uma venda nos olhos e não sabe bem como é. Acho que a resposta de Deus não é convincente nunca. Tem um ar determinista em que não acredito. No entanto, talvez no caminho para Deus um gajo encontre qualquer coisa de significativo. O mundo vai melhorar? Duvido disso.
Nesta sua frase - "não encontrei Deus e Deus não me encontrou" - senti subjacente a ideia de que se tal tivesse acontecido sentir-se-ia muito mais feliz.
Seria interessante. Pelo menos tinha esse problema resolvido...
In Público, 21 de Março de 2007
Nos 77 anos de Dinis Machado e nos 30 anos da Sua obra
[O que diz Machado I]
(...)
Escreveu durante 60 anos. Agora que parou, as frases continuam a surgir-lhe na mente?
Aparecem. Estou sempre cheio de frases. Coisas que não têm aplicação. É uma espécie de exercício que eu tenho. E que faço com facilidade e prazer.
Disse, a propósito, numa entrevista a Clara Ferreira Alves, no Expresso, em 1999: "Se tivesse que me descrever, diria que sou uma pessoa à procura de palavras e que às vezes as encontra."
É isso.
Qual é a palavra de que continua à procura ainda?
A palavra que esclarece. Não é fácil de encontrar. Encontramos só sucedâneos.
Esclarece o que o autor quer dizer?
Tudo. O que queremos dizer e à volta disso.
(...)
In Público, 21 de Março de 2007
Nos 77 anos de Dinis Machado e nos 30 anos da Sua obra
13.3.07
[m***s da vida]
Embaixador Alcoolizado e nu
A polícia de El Salvador só percebeu que aquele homem alcoolizado e nu - à excepção de alguns acessórios sado-maso - era o embaixador de Israel depois de lhe retirarem uma bola de borracha da boca, o que lhe permitiu falar, descreve a bbc. na sequência do incidente embaraçoso, o embaixador tzuriel refael foi chamado de regresso a israel e despertou no país o debate sobre o modo como são escolhidos os representantes diplomáticos.
O incidente ocorreu há duas semanas e é o último de uma série de escândalos envolvendo responsáveis israelitas.
in Público, 13 de Março de 2007
A emissão nº 10 d’Os Cantos da Casa faz-se com uma visita a O Mundo de Rodrigo Leão, a música contida na Music Box de Yolanda Soares, Pratica(mente), o rap em português de Sam the Kid, tudo publicações de 2006 e, ainda, Amélia Muge, com o seu mais recente trabalho, Não sou daqui, já do ano corrente.
Os Cantos da Casa, uma forma de ouvir a música portuguesa.
12.3.07
Sintra, 10 de Março de 2007 - Projecto Março
7.3.07
[Agita-se o conservadorismo]
Nas últimas semanas temos assistido ao desdobrar de esforços de alguns defensores do Não no sentido de aplainar a sua derrota e subverter o sentido do voto de 11 de Fevereiro.
Primeiro foi o CDS a agitar a bandeira do carácter não vinculativo do referendo.
Seguiu-se a exigência da cúpula do PSD, acompanhada por algumas eleitas PS, em introduzir na nova lei o pressuposto do aconselhamento obrigatório, numa tentativa de transformar o seu Não em lavagem cerebral mascarada de Sim.
No entretanto, os porta estandartes do conservadorismo procuraram desenhar uma falsa dicotomia entre um Sim moderado e um Sim radical, tentando desta forma chamar o PS à razão, e, ao mesmo tempo, (im)pressionar o Presidente da República, na esperança de que Cavaco não promulgue, por excesso de esquerdismo, o projecto aprovado no parlamento.
Esta vã campanha tem vindo a público através de anúncios pagos em jornais de referência, em intervenções públicas e em artigos de opinião onde, na defesa das ideias mais descabidas, se mostra a natureza desumana de quem se advoga defensor da vida. Vejamos dois exemplos de hoje, protagonizados por Bagão Félix (na Antena 1) e Gentil Martins (no Público).
Ao manifestar-se indignado pela introdução da opção da mulher na realização da IVG prevista no diploma em discussão, Bagão Félix, enchendo a boca com a palavra liberalização, põe mais uma vez a nu o seu desdém pelas mulheres e pela sua capacidade de escolha.
Já Gentil Martins brinda-nos com um artigo bem ao seu jeito. Começando por agitar Hipócrates e o código deontológico, critica fortemente a opção de impedir os objectores de consciência em participar na consulta de esclarecimento. Mas o pior vem mesmo no último parágrafo do texto, altura em que o autor se atreve a dizer em voz alta aquilo que muitos pensam: nos casos de aborto, a lei actual (e a que será aprovada) é demasiado permissiva. Para este senhor, a mulher violada tem tempo suficiente para, no prazo de dez semanas, decidir.
É a falta de sensibilidade e de humanismo no seu expoente máximo.
5.3.07
3.3.07
26.2.07
23.2.07

A canção é, como assinala José Barata Moura, em “Estética da Canção Política”, o reflexo de condições materiais determinadas, como aliás os outros produtos culturais. Nessa medida, o canto novo de Zeca Afonso será a expressão viva de uma necessidade de mudança sentida colectivamente, e que se concretizará, funcionando as suas canções como o ponto de ruptura com tudo o que sendo objectivamente passadista e alienante, contribuía para a manutenção de estado de coisas que só poucos (por conveniência de classe) podiam ainda suportar.
(…)
José Jorge Letria
in A Canção Política em Portugal, pp. 33
Acordei com a música do velho Philips.
Não havia escola nessa manhã.
O dia estava nublado, mas a janela do quarto que dá para o jardim estava aberta para arejar os lençóis da cama. Ainda assim é.
Estava mais gente em casa àquela hora do que de costume. Agitações matinais de uma família grande em debandada.
A casa esvaziou-se. Mergulhei no seu reino de silêncios.
Na agenda da Unicef, que repousava em cima da mesa-de-cabeceira do quarto que dá para o jardim, escrevi, para a posteridade e com letra torta, a frase com que a minha irmã me despertara: Morreu o Zé Cáfonso.





































