14.1.07
13.1.07
[sapos radioactivos que temos de engolir...]
"É injusto dizer que quem defende o SIM é apologista de uma cultura de morte, pois isso cria o equivoco de que se vai promover a prática do aborto"
Teresa Caeiro, Deputada do CDS/PP
in Expresso, 13 de Janeiro de 2007
Laborinho Lúcio rompe o silêncio, em declarações ao DN, para revelar o seu sentido de voto no referendo à interrupção voluntária da gravidez do próximo dia 11: vai optar pelo "sim". Ex-ministro da Justiça no último dos governos liderados pelo actual Presidente da República, Cavaco Silva, Laborinho defende a despenalização do aborto por considerar que a actual moldura legal gera "situações injustas para as mulheres", uma vez que "na prática só estão impedidas de fazer o aborto aquelas que não têm condições económicas para interromperem a gravidez num país estrangeiro".
in DN, 13 de Janeiro de 2007
11.1.07
8.1.07
[007 - Ano Bond]
Não cheguei atrasado a 2007, mas umas curtas férias mantiveram-me um pouco desligado do mundo virtual onde me costumo mover.
Entre a ressaca das festas, as passas, uma boda e diversas vagas invasoras (o guest book lá de casa ganhou mais umas entradas), ainda aproveitei para uma menage à trois com a bio-estatistica e a Epidemiologia - duas gajas tramadas, quando se juntam tornam-se dificeis de acompanhar.
Para 2007 algumas palavras que me acendem o desejo: SIM, boas notas, fotografia, exposição, Viagem, Nova Iorque, palavras, paz.
a ver vamos.
29.12.06
[Memória]
A perda de memória(s) e da noção do tempo, do que se foi passando, da forma como as coisas se ligam entre si - apesar da compreensão de algumas ligações ser demorada ou nunca acontecer - é um dos piores cenários que posso imaginar. De facto, a perda da memória é um medo que, não paralizando, está lá e ocupa um lugar cimeiro na galeria das emoções.
Talvez por isso goste tanto de ler, de cinema, da fotografia. Talvez por isso tenha um dia decidido escrever um blogue, este blogue. Para dar espaço à memória, para a conseguir alargar.
com as mudanças de servidor, parte desta memória digital ficou retida algures. não os posts - acho que estão todos em arquivo, mas outras pequenas coisas que também fazem parte desta construção. A ver vamos se as consigo recuperar.
Curioso é ver o silêncio dos ditos defensores da vida quando os argumentos são estes.
É para que o acompanhamento médico das mulheres seja uma realidade que votarei sim e é também por isso, mas não só, que faço campanha activamente.
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Medicamento com efeito abortivo já matou em Portugal
in Público, 29 de Dezembro de 2006
A utilização do medicamento para o estômago misoprostol, com efeitos abortivos, sem supervisão médica é "muito perigosa", pois estes fármacos podem ser fatais, existindo já alguns casos mortais em Portugal, disse à Lusa um especialista.
Luís Graça, presidente do colégio da especialidade de ginecologia e obstetrícia da Ordem dos Médicos, falava a propósito da detenção, na quarta-feira, de duas pessoas em Madrid por venda do misoprostol através da Internet. De acordo com as autoridades espanholas, os detidos venderam doses deste medicamento para várias cidades espanholas e para outros países, incluindo Portugal.
Em Portugal, este medicamento só pode ser vendido em farmácias e mediante receita médica. É indicado para o tratamento da úlcera péptica e prevenção de lesões gastroduodenais, embora seja usado na indução do trabalho de parto ou no aborto terapêutico. Uma das suas reacções adversas é o risco de provocar aborto, sendo, por isso, utilizado para a interrupção voluntária da gravidez.
Luís Graça lembrou um caso recente em que uma jovem de 14 anos foi hospitalizada e acabou por morrer, depois de ingerir, sem qualquer acompanhamento médico, 60 comprimidos de misoprostol.
com LUSA
27.12.06
26.12.06
24.12.06
21.12.06
Fidelidade e abstinência contra a sida
Uma vez casados, fiéis. E antes do casamento, a abstinência. São estas as armas para combater a sida, de acordo com o cardeal Javier Lozano Barragan, que preparou um estudo sobre o uso do preservativo feito a pedido do Papa Bento XVI.
O responsável pelo Conselho Pontifício para a Pastoral da Saúde não sabe se o Vaticano vai emitir um documento sobre o uso do preservativo depois de analisar o seu trabalho. Mas sublinhou, à margem de uma conferência sobre sida, em Roma, que o facto de Bento XVI ter solicitado o estudo mostra que é seu desejo combater a doença. O estudo aborda apenas a possibilidade de dentro do casal um dos parceiros poder ficar infectado com o HIV - a Igreja opõe-se à utilização de preservativo.
Ontem, na conferência, Karen Stanecki, da agência das Nações Unidas para a sida (Unaids), aplaudiu o facto de o Papa estar a falar mais sobre a doença. Depois, lembrou que nalguns países, como o Gana, a sida está a aumentar entre as mulheres casadas ao ponto de estas correrem três vezes mais risco de ser infectadas do que as solteiras.
20.12.06
18.12.06
Catlunha: Casas devolutas podem ser expropriadas
in Público, 18 de Dezembro de 2006
O governo regional da Catalunha aprovou uma lei que obriga o proprietário a arrendar os seus apartamentos sempre que estejam vazios há mais de dois anos. Caso se recusem a fazê-lo poderão, em casos extremos, ser temporariamente expropriados, passando as autoridades a deter o poder de pôr os imóveis devolutos no mercado de arrendamento por um período até seis anos. Combater a especulação e regular o mercado imobiliário são os objectivos da medida, intitulada lei do direito à habitação. Os proprietários poderão receber um subsídio do governo regional como incentivo à reabilitação das suas casas. Em contrapartida, se se provar que assediaram os inquilinos - uma prática muito comum em Espanha, destinada a fazer com que os ocupantes se vão embora - arriscam-se a multas que podem chegar aos 900 mil euros.
15.12.06
O único incidente [durante as exequias de Pinochet] ocorreu quando um homem cuspiu no vidro, de acordo com o Exército. Foi detido por soldados e libertado pouco tempo depois. Foi identificado como Francisco Cuadrados Prats, neto do general Carlos Prats, que antecedeu Pinochet como comandante do Exército e foi assassinado no exílio, na Argentina, em 1974.
in Público, 15 de Dezembro de 2006
14.12.06
O novo cartaz da plataforma "não obrigada" é um reles hino à demagogia.
ao dar com os olhos em tamanha barbaridade, pergunto-me
os meus impostos para pagar o cancro do pulmão dos 20% da população portuguesa que fuma, não fazendo eu parte dessa percentagem?
os meus impostos para pagar a patologia cardiaca de alguns obesos que polulam na direcção do CDS?
os meus impostos para ...
Bom, custa-me ver o meu dinehiro aplicado desta forma, sobretudo porque se conhecem bem os mecanismos que previnem estas situações que referi e as escolhas e comportamentos de cada um é que estão na origem de muitas delas...
Mas a saúde da população tem custos.
e o problema do aborto clandestino é um problema de saúde pública grave, com consequências directas nas mulheres e outras que vão muito para lá disso.
Num estado social e solidário, cabe ao SNS dar resposta a esta problemática.
Num estado social à moda destes senhores não há lugar nem para o disparate que se escreve no cartaz...
Curiosamente muitos deles têm lutado para ver implementado o cheque ensino, uma medida que permitiria aos país escolher a escola privada para pos seus filhotes, sendo subsidiados directamente pelo OGE.
10.12.06
[em festa]
No chile há quem chore e há quem dance.
Deste lado do Mundo, bem longe do Pacífico e da memória do terror, lembro as últimas palavras de Allende e as memórias de Sepúlveda.
Venha o Pisco Sur para comemorar, o torcionário filha da puta morreu!
7.12.06
[os valores da família]
Todos os casais que vivam em união de facto, sejam heterossexuais ou constituídos por pessoas do mesmo sexo, vão poder requerer junto das entidades oficiais de Pádua um certificado que atesta que são uma "família baseada em vínculos afectivos". Isso mesmo está previsto num diploma, que está a suscitar duras críticas, aprovado anteontem à noite no conselho comunal desta cidade do Norte de Itália.
(...)
Enrico La Loggia, do partido conservador Forza Italia, disse por seu lado que a medida "representa um perigoso ataque à família". Riccardo Pedrizzi, da Alleanza Nazionale, considerou que a medida é "inconstitucional".Já o bispo Antonio Mattiazzo fez saber, em declarações a meios de comunicação social locais, que teme "um naufrágio dos valores da família".
A ministra da família, Rosi Bindi, pertencente à ala católica do Governo italiano (de centro esquerda), tem outra opinião. A medida aprovada em Pádua, afirmou, "confirma o valor da família".
in Público, 7 de Dezembro de 2006
#1
[guerra suja]
Depois de muito provocados, os mentores deste estudo publicam a ficha técnica da sua "sondagem".
Olhando para a ficha técnica, encontram-se algumas debilidades que convem sublinhar... vejamos apenas 3
1- Universo
O universo consistiu nos residentes (portugueses) no continente português com 18 ou mais anos.
Mas a primeira pergunta que apresentam é dirigida apenas a mulheres :
Se estivesse Gravida e atravessasse um mau momento (...)
2- A Amostra
1. Foram obtidos 1880 inquéritos válidos.
2. Foram definidos 36 pontos de amostragem, correspondentes a outras tantas freguesias.
3. As freguesias foram seleccionadas aleatoriamente em cada região do Continente.
Mas não se diz como foram seleccionados @s respondentes aos inquéritos. foi aleatoriamente? foi à porta da Igreja? foi no centro de saúde, no lar da terceira idade, na sede local da ajuda de berço ou do CDS?....
3 - O instrumento de recolha de dados
O instrumento de recolha da informação foi constituído por um inquérito estruturado, com perguntas fechadas.
para lá da parcialidade das questões, continuamos sem saber a quem foram colocadas e como foram colocadas. Por telefone? em papel, garantindo-se anonimato?
Enfim... se o estudo já parecia feito de encomenda, a ficha técnica ainda reforça mais esta opinião.
6.12.06
[anti americanismo?]
Cheira-me que o José Manuel Fernandes vai ficar sózinho a defender a guerra do Iraque...
Grupo de Estudos sobre o Iraque propõe retirada da maioria das tropas americanas até 2008
in Público 06.12.2006
O Grupo de Estudos sobre o Iraque, liderado pelo ex-secretário de Estado norte-americano James Baker, propôs à Administração Bush a retirada da maioria das tropas até 2008, o desenvolvimento de uma nova iniciativa de paz para o conflito israelo-palestiniano e o diálogo directo com a Síria e com o Irão.
O relatório do grupo de peritos, que vai ser apresentado hoje oficialmente, já foi entregue ao Presidente George W. Bush, que prometeu estudá-lo "de forma muito séria".De acordo com a CNN, o grupo evitou fixar um calendário para a retirada de tropas, mas propõe que a maioria dos soldados saia do Iraque até ao início de 2008."A missão primordial das forças norte-americanas no Iraque deveria evoluir para uma missão de apoio ao Exército iraquiano", lê-se no documento, que descreve a situação como "grave e perigosa"."É claro que o Governo iraquiano vai precisar da ajuda dos Estados Unidos durante um tempo", admitem os peritos. No entanto, o grupo de estudos sublinha que os EUA nunca se comprometam a manter um elevado número de efectivos no Iraque.EUA devem dialogar com Irão e SíriaOs autores do documento aconselham também a Administração Bush a desenvolver uma nova iniciativa diplomática para resolver o conflito israelo-palestiniano. O relatório avança que os EUA só poderão alcançar os seus objectivos no Médio Oriente se encetarem "um compromisso renovado e sustentado com um plano de paz em todas as frentes". É igualmente sugerido que os Estados Unidos encetem conversações directas com a Síria e com o Irão, algo a que Administração Bush tem resistido. "Os vizinhos do Iraque e os países-chave dentro e fora da região deveriam formar um grupo de apoio" para ajudar à reconciliação política no Iraque, lê-se no documento."O que recomendamos requer uma quantidade enorme de vontade política e cooperação entre os braços executivo e legislativo do Governo norte-americano", advertem os conselheiros. E concluem: "A política externa está condenada ao fracasso — bem como qualquer acção no Iraque — se não for apoiada por consenso".
[os ricos que paguem a crise]
Dois por cento da população mundial reparte metade da riqueza
in Público 06.12.2006
Dois por cento das pessoas mais ricas do planeta repartem entre si mais de metade da riqueza de todo o mundo, enquanto 50 por cento da população mundial divide pouco mais do que um por cento, de acordo com um estudo das Nações Unidas.
Segundo o estudo do Instituto Mundial de Investigação do Desenvolvimento Económico, da Universidade das Nações Unidas, para que uma pessoa seja incluída na metade mais rica do planeta basta que o conjunto dos seus bens financeiros e materiais, após a subtracção das dívidas, valha 1650 euros."Trata-se de um estudo pioneiro", afirmou o director da universidade, Anthony Shorrocks, durante a apresentação do relatório na Associação de Imprensa Estrangeira, em Londres, precisando que a investigação se baseia em dados de 2000.Segundo o documento, um por cento dos adultos mais ricos é dono de 40 por cento dos activos mundiais, enquanto dez por cento desse grupo possuem 85 por cento de toda a riqueza.Por zonas geográficas, "a riqueza está concentrada na América do Norte, Europa e em países da Ásia-Pacífico. A população destas nações possui colectivamente 90 por cento da riqueza total", refere o relatório.Um por cento dos adultos mais ricos do planeta reside nos Estados Unidos, Japão, Reino Unido, França, Itália, Alemanha, Canadá, Holanda, Espanha, Suíça e Taiwan.O estudo admite que os dados podem já estar ultrapassados, porque não reflectem economias emergentes como a China, a Índia e o Brasil.
[prevenção...]
Sempre que se fala em aborto, os grupos ditos pela vida (pela vida miserável das mulheres e das crianças, entenda-se) ficam eriçados. Para disfarçar o seu profundo conservadorismo, tratam logo de pôr a tónica do seu discurso na prevenção das causas do aborto clandestino, como forma de resolver a coisa.
É indesmentivel que, desde 98, estas almas cristãs têm feito muito para apoiar jovens mães, trazendo-as ao seu caridoso rebanho. Mas também é indesmentivel que pouco mais têm feito para acabar com as causas da gravidez indesejada. Aliás, até têm feito o contrário...
Depois do referendo de 98, as ditas associações pela vida lançaram-se numa campanha de ataque cerrado à unica ONG que, no nosso país, fez algo pela Educação Sexual nas Escolas, a Associação para o Planeamento Familiar (APF). Atacando a APF, estes grupos radicais procuraram abrir espaço nas escolas para fazerem a sua educação sexual . E quando o conseguiram (com o apoio dos governos de direita) trataram de ensinar às crianças medidas tão eficazes como a importância da abstinência e o método do calendário...
Em 2005, na senda do descrédito, fundou-se o MOVE, uma associação de encarregados de educação que pretende "liberdade de escolha" dos pais para a educação sexual dos seus filhos (desconfio que seria nenhuma...).
Desde o início das suas actividades que estes senhores têm tentado mostrar o quanto a APF tem procurado atacar as pobres crianças do nosso país, ensinando-lhes coisas muito impróprias. nesse sentido, produziram várias apresentações de Slides que são chocantes. Chocantes e caluniosas, uma vez que o ponto de partida - um suposto manual da APF, que não existe...
Uma das responsáveis pelo Move, Isabel Carmo Pedro, é mandatária da petição que "Os Juntos pela Vida" estão a fazer para terem tempo de antena no referendo de 2007.
Já agora, recomendo este slide, que está numa das apresentações disponiveis no Site. Uma pérola digna do Diácono Remédios.
3.12.06
[feira do 31]
Ó cidade de ilusão
que te vestes de cimento
e alcatrão
não me encontro
nem a ti
nos muros que fazem de ti prisão
Vamos fazer uma festa e dançar
a alegria de podermos cantar
sem barreiras na maneira de pensar
que as palavras são pontes a atravessar
Ó caminho
sem destino
só tu sabes o que podemos esperar
nossa aposta em criar
novas formas de nos aproximar
KUMPANIA ALGAZARRA
28.11.06
27.11.06
[em memória]
(...)
Ao longo da muralha que habitamos
Há palavras de vida há palavras de morte
Há palavras imensas,que esperam por nós
E outras frágeis,que deixaram de esperar
Há palavras acesas como barcos
E há palavras homens,palavras que guardam
O seu segredo e a sua posição
(...)
in You're Welcome to Elsinore
(não me canso deste poema)
Mario Cesariny de Vasconcelos
24.11.06
#1
[a pergunta que se impõe]
O Puto sabia o que estava a fazer ou foi um momento "portugal no seu melhor"?
16.11.06
[valha-nos a laicidade do Estado...]
Nas conclusões do segundo dia de trabalhos da Conferência Episcopal Portuguesa, sublinha-se que “a lei [da Procriação Medicamente Assistida] não está de acordo com as exigências morais do Cristianismo".
Estes senhores vivem numa dilacerente encruzilhada: negam o sexo que não seja destinado à reprodução e negam a reprodução que não meta sexo à mistura...
Sinais de uma visão redutora do ser humano e da sua liberdade. Se vivessemos num estado confecional, este seria tão fundamentalista quanto outros que se conhecem...
15.11.06
[de crime inqualificável a filme premiado]
"ERA UMA VEZ UM ARRASTÃO" GANHA MENÇÃO HONROSA
in Esquerda
Diana Andringa, realizadora do vídeo "Era Uma Vez um Arrastão", recebeu uma menção honrosa na Primeira Edição do Prémio de Jornalismo "Direitos Humanos, Tolerância e Luta contra a Discriminação na Comunicação Social", promovido pela Comissão Nacional da UNESCO e pelo Instituto de Comunicação Social. O vídeo foi divulgado exclusivamente pela Internet, com o objectivo de denunciar a farsa montada em torno de um crime, um "arrastão" no dia 10 de Junho na Praia de Carcavelos, que na verdade nunca existiu. E também expor a atitude dos média perante uma história explosiva e as consequências políticas e sociais de uma notícia falsa. Mesmo depois de ter ficado amplamente reconhecido que o arrastão realmente nunca existiu, este vídeo nunca foi exibido nas televisões. Mas ainda pode ser visto aqui.
O Prémio teve dois vencedores ex-aequo: Bernardo Ferrão, pela peça "A um salto", apresentada na SIC, e Jaime Cravo, pela peça "Meio de Fuga" apresentada na Sport TV.
Além da menção honrosa a Diana Andringa, o júri, constituído por Guilherme d'Oliveira Martins e pelos jornalistas Ana Sousa Dias e José Solano de Almeida, decidiu atribuir menções honrosas a Anabela Saint Maurice, pela peça "Agora Existo", apresentada na RTP1 e a Luís Miguel Loureiro, pela peça "Flutuantes", apresentada na RTP1.
[ode ao meu burocrático carimbo]
O Guardador de Rebanhos
Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela mão das Estações
A seguir e a olhar.
Toda a paz da Natureza sem gente
Vem sentar-se a meu lado.
Mas eu fico triste como um pôr de sol
Para a nossa imaginação,
Quando esfria no fundo da planície
E se sente a noite entrada
Como uma borboleta pela janela.
Alberto Caeiro
13.11.06
[Keith Jarrett]
Não há dúvida, o gajo é bom.
Os avozinhos que o acompanham (Gary Peacock no contrabaixo e Jack de DeJohnette na bateria) não lhe ficam atrás.
Estiveram à altura das expectativas, percebe-se porque é que a sala esgotou num ápice e houve muita gente triste por não ter um lugarzinho. Mas... um concerto de jazz onde a tosse tem de ser engolida e as palmas após um solo são repridas, não tem o mesmo sabor.
7.11.06
*ou Estes gajos andaram a fumar umas de má qualidade
6.11.06
[mitos urbanos]
Alguma vez perdeu um órgão numa loja chinesa?
Elsa Costa e Silva e Paula Ferreira, in DN 29 Outubro de 2006 (mais notícias aqui e aqui)
Já quase todos ouviram a história: o pai deixou a filha à porta de uma loja chinesa e aguardou no estacionamento. Após uma longa espera, procurou-a no interior da casa comercial, mas ninguém a tinha visto. Num gesto de desespero, chamou a polícia, que, ajudada por cães treinados, conseguiu detectar a jovem. Estava escondida numa zona obscura, de acesso por alçapão, e em várias partes do seu corpo havia marcas enigmáticas. A jovem é libertada... pouco antes de ser "morta para tráfico de órgãos".
A mensagem navegou na Internet, reenviada de amigo para amigo, daqui para um conhecido, e não tardou a correr de boca em boca por cidades e aldeias. Como qualquer boato, muitas vezes repetido, torna-se em "verdade". Uma verdade construída, ampliada pelo medo.
E o que há, afinal, de verdade nesta história? Nada. Estamos perante um mito urbano, sustentado num rumor. Neste relato de tráfico de órgãos até entra a polícia, uma técnica usada para dar credibilidade. Contactadas pelo DN, as forças de segurança desmentem ter sido chamadas a qualquer loja chinesa. No departamento de relações públicas da GNR conhecem a mensagem, mas na sua área de jurisdição nunca foi solicitada a presença em casas comerciais de asiáticos. "Até à data não temos qualquer registo", esclarece o major Damião Ferreira, do Comando do Carmo da GNR, que cobre toda a região norte. Da Polícia Judiciária, resposta no mesmo sentido: "Não há qualquer investigação ou processo de investigação sobre essa matéria."
(...)
[Outra coisa não seria de esperar...]
Ao comentar a condenação à morte de Saddam Hussein, George W Bush considerou este julgamento como "uma grande conquista para a jovem democracia Iraquiana e o seu governo constitucional".
No editorial do Público de hoje, o seu acólito José Manuel Fernandes subscreve totalmente esta opinião.
Um bárbaro diz mata, o outro bate palmas e diz esfola.
5.11.06
1.11.06
Alpinismo: morreu português integrado na expedição de João Garcia ao Tibete
01.11.2006 - 18h34 Lusa
Bruno Carvalho, um dos portugueses que integrava a expedição de João Garcia à montanha Shisha Pangma, no Tibete, morreu ontem à tarde na sequência de uma queda, avançou a SIC-Notícias.
O acidente deu-se quando o alpinista, de 31 anos, descia do cume de oito mil metros, que tinha alcançado horas antes, na companhia de outros dois portugueses.
Foi encontrado já sem vida pelos companheiros de escalada, na sequência de uma queda, por razões ainda desconhecidas.
Fonte da Secretaria de Estado das Comunidades disse que já foram accionados os serviços diplomáticos para "tentar entrar em contacto com a expedição, no sentido de disponibilizar o apoio necessário".
Bruno Carvalho era um dos valores confirmados do alpinismo português e participava numa iniciativa patrocinada pelo "Millenium bcp" que consiste na conquista do topo das 14 montanhas com mais de oito mil metros de altitude para inscrever o nome de Portugal no clube restrito que já alcançou este feito.
A equipa, liderada pelo alpinista João Garcia, é exclusivamente portuguesa e composta pelos alpinistas Hélder Santos, Rui Rosado, Bruno Carvalho e Ana Santos Silva.
A expedição à montanha Shisha Pangma, entre 16 de Setembro e 18 de Novembro, é também acompanhada pelo jornalista da SIC, Aurélio Faria.
A escalada da montanha com 8046 metros de altitude, também conhecida como Trono dos Deuses, insere-se no projecto "À conquista dos Picos do Mundo", que decorrerá até 2010.
31.10.06
Foi ontem apresentado em Londres um estudo sobre a Economia das Alterações Climáticas, da responsabilidade do economista britânico Nicholas Stern, um ex-responsável do Banco Mundial, A verificarem-se as previsões avançadas, o impacto das alterações climáticas na economia mundial poderá ser superior ao das grandes guerras mundiais ou ao da Grande Depressão - custos na ordem dos 5,5 biliões (milhões de milhões) de euros.
Ficam as principais conclusões do dito relatório e algumas pistas para a sua inversão.
***********************************************
Principais pontos do relatório Stern
- As alterações climáticas são uma realidade, comprovada em centenas de relatórios científicos que calculam que, se nada se fizer, as temperaturas globais aumentarão entre dois a três graus nos próximos 50 anos
- Provocarão grandes impactos sobre a vida humana e o ambiente. Todos os países serão afectados. Os mais vulneráveis serão os primeiros a sofrer consequências
- Se nada for feito, os custos globais das alterações climáticas ascenderão a cinco por cento da riqueza gerada no planeta anualmente, podendo atingir 20 por cento do PIB, enquanto a adopção de medidas para as combater custará um por cento desta riqueza. Adiar estas acções levará a uma subida dos custos
- É essencial promover a adaptação às consequências deste fenómeno, o que custará muitos milhões de dólares. Nesse sentido, é fundamental que os países desenvolvidos aumentem a ajuda às nações em desenvolvimento
- Os riscos podem ser reduzidos substancialmente, se a concentração dos gases de efeito de estufa na atmosfera estabilizar entre os 450-550 partes por milhão (antes da era industrial: 280 ppm). Isto significa reduzir as emissões em 25 por cento até 2050
- O sector energético mundial terá de ficar, pelo menos, 60 por cento descarbonizado em 2050 e o sector dos transportes terá de reduzir a sua contribuição para o problema
- Os combustíveis fósseis continuarão a representar mais de metade da oferta energética em 2050. O carvão terá uma importância crescente, sobretudo nas economias emergentes, pelo que é fundamental desenvolver as técnicas de captura e armazenamento do carbono
- É essencial reduzir a desflorestação e modificar algumas práticas agrícolas e industriais que contribuem para as emissões
- Os custos para estabilizar o clima são importantes, mas não incomportáveis. A luta contra as alterações climáticas está a gerar grandes oportunidades de negócio
- Para uma resposta efectiva, há que pôr em prática um mercado global do carbono, apoiar a inovação e o desenvolvimento de tecnologias com baixas emissões e remover as barreiras à eficiência energética, enquanto se sensibiliza a opinião pública
in Público, 31 Outubro de 2006
Fui ver Uma Verdade Incoveniente, filme/documentáriode Davis Guggenheim que nos mostra a cruzada de Al Gore (o tal que, apesar de mais votada, ninca chegou a presidente dos USA) contra o aquecimento global.
Pese o o gap cultural - é claro que, embora comprometido, o esquema de raciocinio de Gore esbarra num patriotismo americano a meu ver desnecessário - este filme é um interessante documento de reflexão, que mostra a necessidade de uma política global de combate às emissões de carbono e ao aquecimento global. Estamos perante um alerta que convem não ignorar.
Este documentário tem um carácter auto-promocional muito marcado - não sabemos se Gore pretende relançar a sua corrida À casa Branca ou apenas garantir que o seu nome fica na história por motivos bem mais nobres do que as "derrotas" de 1988 e 2000 contra o clã Bush. No entanto, conhecendo ós interesses da industria do petróleo dentro da administração de GW Bush, ficamos com a nitida sensação que, caso tivesse sido empossado em 2000, o mundo poderia ser hoje diferente.
Esperemos que daqui a 50 anos este filme seja um marco que dá inicio à viragem.
29.10.06
no tasco mais cooll cá do bairro faz-se serviço público: wireless à pala.
Armado do meu Horácio Pimpinelo (vénias, vénias) divirto-me a navegar fora de expediente em vez de estudar.
Parece-me que este moleskine virtual e o laboratório digital vão ganhar outro ritmo...
26.10.06
[fazer pela vida]
Barbara Kruger
talvez fosse boa ideia fazer um cartaz destes com fotos de alguns ditos defensires da vida da nossa praça. por estes dia, quando se aproxima uma nova e ardua discussão sobre a IVG, haverá muito "pró-vida" por aí a tentar esquecer-se que apoiou as guerras no Iraque e Afeganistão.
25.10.06
[Eh, faz favor, mais uma bica e um pastel de nata...*]
o Artigo que abaixo se apresenta trouxe-me à memória um dos momentos mais intensos da carreira musical daquele que é um dos nossos mais valorosos cantautores.
São 25 minutos de poesia e realidade numa catarse que hoje, quase 30 anos depois, ainda é tão actual...
Uma voltita pela net trouxe-me a letra e o som desta epopeia trágica. Não percam.
* José Mário Branco in FMI
[Dida didadi dadi dadi da didi]
O FMI gosta de Nós
Francisco Louçã, in Esquerda
Foi ontem divulgado um relatório do FMI sobre o futuro da economia portuguesa, coincidindo com o dia em que o ministro das finanças estava no Parlamento a apresentar o Orçamento para 2007. O relatório elogia as medidas que o governo está a tomar para reduzir o emprego na função pública e para diminuir as pensões, embora suspeite de que os efeitos destas medidas serão distantes no tempo e que a recuperação da economia para um ritmo de aproximação à média europeia esteja atrasado. É portanto pessimista, embora reafirme o apoio ao governo, que vai no bom caminho como toda a gente sabe. O FMI gosta de nós e está contente com o que se passa neste recanto.
O mesmo têm dito os empresários: este é o governo que mais os satisfaz, mas ainda é pouco. Sugere o FMI que continuem os ajustamentos na função pública. Propõe o Compromisso Portugal que sejam despedidos 200 mil funcionários. Argumenta o embaixador dos Estados Unidos - só o Bloco comentou este facto espantoso - que a lei laboral portuguesa devia ser flexibilizada para facilitar os despedimentos. Tudo vai bem, mas devia ir mais depressa.
O governo ouve os conselhos. Mais uma tranche da GALP foi privatizada, depois vem o resto da EDP, grande parte da Rede Eléctrica Nacional, outra parte da EDP. Aumentam os preços da electricidade porque assim se fazem pagar os custos sociais pelos consumidores e, já agora, porque é a condição para as empresas espanholas, como a Iberdrola de Pina Moura, poderem entrar no mercado da electricidade com lucros elevados e garantidos. Como é que o FMI não havia de gostar de nós?
Entretanto, foi-se sabendo que o governo tinha decidido criar mais uma isenção fiscal, mais uma vez para os bancos. A história conta-se em poucas palavras: os bancos têm a obrigação de deduzir 20% de IRS ou IRC às pessoas ou empresas a quem pagam juros, mas não o fizeram quando os juros se deviam a obrigações emitidas por sucursais instaladas em offshores. O governo não só aceitou a isenção, como a prolongou até ao final do ano, convidando assim os bancos a criarem novas obrigações cujos juros ficam isentos de impostos desde que sejam operações fantasma, feitas por sucursais fantasma e para clientes fantasma. Na verdade, os bancos portugueses não têm agências nas Ilhas Cayman, apenas fingem que têm, para que alguns clientes possam fingir que fizeram aí as suas operações, para que o fisco possa fingir que não viu nada.
Porque é que o FMI não havia de gostar de nós?
17.10.06
[notícias da frente norte*]
companheiros,
prossegue a ocupação do rivoli, contra a privatização de um equipamento que deve estar ao serviço dos cidadãos, da cultura, da diversidade da criação e da formação de públicos.
É uma luta pela dignidade da nossa cidade contra quem quer tudo mercadorizar. É a resistência de quem não aceita a prepotência do Rui Rio e a sua visão contabilística sobre a cultura.
Todos são precisos. alguns de nós vão hoje passar lá a noite. Estaremos muito cansados de manhã. precisamos de vocês. sobretudo a partir do meio da tarde, é indispensável que estejamos lá centenas.
Se for preciso, ocuparemos de novo. Até que alguém vá lá.
Está tudo nas nossas mãos. nas tuas.
até já.
Z.
*recebido por e-mail.
3.10.06
20.9.06
17 dias a marchar pelo pais, tantas histórias...
no Vale do Ave nem o calor derreteu a determinação de uma marcha que começava para mostrar uma face do pais menos brilhante.
em Gaia houve um desfile de moda onde se mostraram as novas tendencias do trabalho, com a precariedade à cabeça...
em Esmoriz visitámos uma fabrica à beira do encerramento fraudolento, cujas operárias mantinham sobre vigilência para evitar que o patrão levasse as máquinas...
na Marinha Grande fomos recebidos pelos velhos operários emocionados com a nossa militância andarilha...
no Tramagal fizemos uma festa de improviso no mercado do peixe, numa noite a lembrar o PREC...
em Sacavém visitámos o museu da real fabrica de sacavém e terminámos o dia numa grande Algazarra.
Em Sintra passámos por terrenos onde a especulação imobiliária deixou marcas...
ao chegar a Lisboa, foi grande a festa... 300 km a pé foram só o começo do muito que ainda há por caminhar.
em breve colocarei fotos desta quinzena na galeria, por agora só mesmo aqui
31.8.06
[a mão que embala o berço...]

o verde luxuriante das palmeiras e os destroços em redor levariam a pensar que esta fotografia foi tirada num qualquer pais do chamado terceiro mundo. Ainda mais porque se trata de um bairro de lata que, por ordem das autoridades, está a ser demolido (o que não é mau), deixando sem alternativa de habitação muitos dos seus moradores (isso sim é lamentável).
28.8.06
25.8.06
[o caso Plutão]
Por decisão da Comunidade Cientifica, Plutão deixou de ser considerado como planeta.
Consta que o visado já apresentou uma providencia cautelar para suspender esta decisão, o que poderá trazer atrasos e transtornos ao processo de redifinição dos mapas astrais por esse universo fora.
23.8.06
22.8.06
[post it]
Mestrado de Saúde e Desenvolvimento pretende promover formação interdisciplinar de profissionais da saúde e do sector social que têm interesse pelos problemas de saúde e do desenvolvimento num contexto local e pelo conhecimento profundo das evidências que, globalmente, se têm acumulado sobre pobreza, desenvolvimento e saúde. É destinado aos profissionais que se queiram equipar com competências no sentido de conseguir dinamizar acções, projectos e programas - nos sectores público, privado ou social – medir, monitorizar, vigiar e avaliar o estado de saúde de indivíduos, grupos ou comunidades, assim como os determinantes desse estado de saúde, definir e implementar, de uma forma participada, as soluções adequadas.
diários da Bósnia 3
Sarajevo é uma cidade cosmopolita, onde se encontram todas as religiões. contrariamente a todos os locais por onde fomos passando, nesta cidade as marcas da guerra são mais discretas. mas existem: a biblioteca Nacional Queimada, o Hotel Europa destruido, alguns remendos, alguns monumentos e o cemitério no antigo estádio Olimpico, um vale de silência onde milhares de lápides recordam...
a memória está dentro de quem vê a cidade e se recorda do que viu pela tv, está na curiosidade em perceber o que foi a vida naquele lugar durante os anos de chumbo.
a memória está também em quem nos no mercado, nos transpotes, em frente às ruinas, debruçando-nos sobre o café.
várias vezes me questionei: que faço eu aqui? um encontro com história? um olhar a realidade de outros olhos? a expiação de fantasmas? a resposta não estava escrita nem nas paredes de Sarajevo nem nos celeiros, nem nos vales, nem nas florestas, nem no pinaculo dos minaretes ou de todas as outras igrejas. não estava nos buracos das balas, nos campos minados, nas casas queimadas e nos edificios reconstruidos...
a resposta será assim um processo que ainda estou a digerir.
13.8.06
Diarios da Bosnia 2
A primeira impressao com que se fica ao sair de Mostar em direccao a norte e' que na Bosnia nao existem aldeias, mas sim meios lugares: 11 anos depois do fim oficial da guerra, o cenario de destruicao e desolacao e' uma realidade. Passando nas aldeias, consegue-se perceber qual das comunidades foi ali massacrada vitima da violencia da outra. basta olhar para as casas que ainda se apresentam destruidas e queimadas e para os cemiterios de beira de estrada, nos jardins publicos ou junto a ruinas de templos.
tudo isto a contrastar com um cenario natural edilico...
11.8.06
Diarios da bosnia
ao fim de dez dias de estrada, entramos finalmente em territorio da Bosnia Herzgovina. Depois de Dubrovnik, exemplarmente reconstruida e cartao de visita da costa Balcanica, a realidade.
ao longo das estradas algumas casas em ruinas sao, a par dos cemiterios, monumentos a memoria do que aqui se passou.
Mostar significa Guarda da Ponte. A ponte velha, que os Croatas diligentemente bombardearam na tentativa de vergar a resistencia dos Mučulmanos, foi reconstruida e une as duas margens do rio, an tentaiva de reconciliar duas comunidades desavindas. Vejamos o que o futuro lhes reserva.
Dubrovnikar
neologismo.
Referente a estado de espirito positivo, boa disposičao e elevados niveis de alegria.
Sinais e sintomas mais frequentes ao final da tarde, afectando principalmente andorinhas e gatos, podendo atingir alguns viajantes mais desatento aos fenomenos do turismo de massa e que se encontrem perdidos pelas vielas do casario.
9.8.06
nem sem bem a que dia estamos, tenho o telemovel desligado e os mails vao-se acumulando na caixa do correio... no outro dia subi a um castelo para ver o anoitecer, ontem andeia a navegar por um Fiorde, hoje atravessei uma fronteira a pe e voltei a montar a tenda, amanha logo se ve.
numa so palavra: ferias!
saluti
A
4.8.06
depois de girar por esta cidade, depois de perceber que eles falam a mesma lingua que os vizinhos e que comem as mesmas coisas, depois de sentir o respeito que todos patecem ter a tito e ao ver a forma como as grandes empresas multinacionais estao a predar a S'ervia, consegui ter um maior entendimento do Sonho Jugoslavo...
e de cada vez que vejo os edificios que ainda ostentam os sinais que a NATO lhes deixou em 99, tenho receio de que algu'em nos venha pedir contas, uma vez que Portugal tambem esteve em guerra com esta gente...
um abraco para quem le este retomado pasquim.
A
31.7.06
[dos mitos]
Todas as familias têm o seu imaginário. Então se a familia for grande e turbolenta, com gente de diversas idades, tod@s fãs da leitura e devotos do telejornal, o campo é ainda mais fértil para a criação de mitos.
Há uns 15 anos atrás, o grande mito lá de casa era a Bósnia. A um qualquer indicio de disparate, o prevaricador ou a prevaricadora eram logo contemplados com um bilhete virtual de ida e volta (sem passar na casa de partida nem receber dois contos) para esse longinquo País onde tudo parecia ser estranho. Face à ameaça de ir parar à Bósnia, o purgatório até parecia um lugar agradável.
A Bósnia entrou no nosso imaginário via TV. Nesse tempo tudo era simples: os sérvios eram os maus, os bósnios os coitadinhos e os croatas os oportunistas vira casacas, que disparavam para onde quisessem. A guerra, estúpida como todas as guerras, era-nos servida com uma tendenciosa dose de maniqueismo, que fazia crer que só os Muçulmanos é que eram, tolerantes, só as suas casa eram destruidas, que só a sua cultura era ameaçada e que só os eus mercados eram destruidos...
Enquanto eu te escrevo Sarajevo Morre Lenta, Uma morte amordaçada No silêncio dos tiros.
Sarajevo tornou-se num mito, embora diferente do lá de casa. A cidade mártir, onde se dera o inicio do fim dos impérios do inicio do séc XX, era o fetiche da intelectualidade de todo o mundo. Pedro Abrunhosa, Pavarotti e toda uma panóplia de artistas dedicaram-se a cantar as desgraças e a impotência da Europa e do Mundo face ao drama e ao horror.
A mim, confesso que me impressionou bastante a imagem da Biblioteca daquela cidade em chamas. foi talvez nessa altura que desejei conhecer essa terra longinquo.
Desde 1995 que a Bósnia está em paz. A guerra fraticida que desmembrou a Jugoslávia estava quase a atingir os propósitos inscritos na sua agenda oculta: terminar o processo aberto com a queda do Muro de Berlim e ajustar contas com o comunismo, abrir novas posições geo estratégicas na entrada da Ásia e restituir poder a alguns dos grandes oligarcas desapossados depois de 1945. Uma Viagem pelos filmes de Kosturika ou uma leitura a livros como "Cruzada de Cegos - Jugoslávia, a primeira guerra da globalização", da jornalista Norte Americana Diana Johnstone dão-nos bons argumentos para a compreensão desta guerra.
Fuck the past, kiss the future, Viva Sarajevo!
Foi com uma voz rouca e emocionada que Bono vox, em directo de Sarajevo para todo o mundo, anunciou ao mundo a libertação da cidade. O concerto dos U2 de Setembro de 1997, transmitido entre nós pela Antena 3, teve o mérito de reabrir linhas de comboio e fazer o mundo suspirar de alivio.
17 anos depois da quesda do Muro, morta a Jugoslávia e Milosevic, tudo parece ser diferente.
não perdi a vontade de ir a Sarajevo e de conehcer os Balcãs. Por isso parto, que, apesar da tensão, ir para a bósnia já não é ameaça de inferno nem sinónimo de disparate...
[explicação dos Pássaros]
Hoje o público anuncia em grandes parangonas que o Serviço Nacional de Saúde gasta 20 milhões de euros por dia ao herário Público.
Muito se fala da necessária redução da despesa. Mas, na minha modesta opinião. com a saúde a coisa não pode ser só matemática.
Primeiro é urgente assumir que a saúde não é um negócio e que os gastos com a saúde são a bem do futuro, uma vez que têm relação directa com o bem estar da população. Devido ao avanço da tecnologia e às questões demográficas, este é um sector em cuja despesa irá crescer. Mas se fosse só despesa que se tratasse, não haveria tanto interesse da parte das seguradoras e dos bancos em abocanhar o SNS.
Em Segundo lugar é importante começar a canalizar cada vez mais verbas do bolo para os cuidados preventivos, de forma a reduzir, a médio e longo prazo, a necessidade de cudiados curativos.
Em terceiro, é preciso criar um sistema justo de contribuições para o SNS, onde quem mais tem mais deve pagar. obviamente que a isto se tem de associar uma resposta eficaz e eficiente dos serviços.
Em quarto lugar, o tão urgente e necessário o corte do despesismo. A partir do momento em que o despesismo for substancialmente reduzido, cada centimo gasto com o SNS é um centimo bem gasto.
cortar o despesismo... algumas ideias
1- diminuir os privilégios das direcções hospitalares - acabam-se os carttões de crédito, limita-se a utilização de viaturas oficiais, reduz-se o número de gestores por nomeação investindo-se numa carreira pública.
2- criar um regime de separação efectiva Publico/privado, dando incentivos aos profissionais para exclusividade ao SNS. consegue-se com isto ter profissionais durante mais horas, reduzindo-se nas horas extraordinárias.
3- Criar mecanismos de cobrança aos subsistemas - a ADSE, a segurança social ou o SAMS devem milhões ao SNS.
4- criar mecanismos de aprovisionamento de escala e de pagamento célere aos fornecedores. com pagamentos a 400 dias não vamos a lado nenhum.
5- Possibilitar e incentivar formas de gestão eficiente dos serviços. dois exemplos:
1) a gestão de stocks do Hospital de Sta Maria, em Lisboa, está em implementação. O diagnóstico feito permitiu identificar desvios de material para consumo privado, quer dos funcionários quer de clínicas privadas.
2) o simples ajuste dos autoclismos dos Hospitais da Universidade de Coimbra, reduzindo o volume de água por descarga (mantendo-o, no entanto, dentro dos limites considerados recomendáveis para higiene e segurança) permitiu uma considerável poupança mensa, com beneficios para a instituição e para o meio ambiente...
6- criação de serviços de retaguarda para cuidados continuados e de cuidados paleativos, ligados ao SNS. Os custos de uma cama nestas unidades de cuidados específcicos estão muito abaixo dos custos de uma cama de hospital.
7- investir nos cuidados primários, na saúde preventiva. só assim se poderá reduzir a necessidade dos outros cuidados. O desinvestimento nestes cuidados foram, a par da limitação de vagas nas universidades, o maior acto de despesismo cometido nas últimas décadas, uma vez que, ao poupar nestes campos no imediato, se originou uma despesa tamanha a longo prazo.
enfim...
29.7.06
Israel usou o rapto de 3 soldados como pretexto para atacar o Hezbollah e, de caminho, deitar gasolina na fogueira do médio oriente.
Desde então que temos vindo a observar uma escalada do conflito, com a morte de civis e a destruição. De ambos os lados, mas em diferentes proporções.
Quanto aos reféns, continuam em lugar desconhecido, tendo o exército Sionista sofrido consideráveis baixas na "tentativa" de os libertar...
10.7.06
Há três anos começava este blog. Numa outra casa, num dia mais quente e com uma pessoa um bocadinho diferente daquela que hoje escreve.
Por diversas vezes apeteceu-me acabar com o blog, apagá-lo de vez, dizer-lhe adeus para sempre, mas sei que mais tarde ou mais cedo aparece a vontade de regressar e depois... construir outro espaço de raiz não é a mesma coisa. Volto sempre que me apetecer. E vocês também...
Sofia, in Uns e Outros
21.4.06
18.4.06
[afinidades]
pessoas que nao se conhecem e rapidamente se entendem.
conceitos desconhecidos mas de conteudo e pratricas familiares.
encontar outras maneiras de olhar a realidade, tantas formas para definir intervencao. E, no entanto, reforcar a ideia de que, deste lado ou desse, e' igual a raiz dos problemas.
o mundo e' redondo e nem um oceano tao azul como o atlantico quebra as correntes que o fazem girar.
14.4.06
13.4.06
11.4.06
[uffffffffff]

Mas, no fim das contas, tudo se resolveu: 49,8% para a coligação de Esquerda, 49,7% para a coligação de Direita.
Apesar desta diferença residual (cerca de 25 mil votos) a Esquerda conta com maioria absoluta na Camera dei Diputati ( o Parlamento), fruto de uma alteração eleitoral, feita em Outubro passado e que dita que a coligação vencedora tem direito a um bonos de quase 60 deputados... Esta alteração fora introduzida por Berlusconi, convencido de estar a garantir uma vitória futura.
No Senado a coisa também teve um volte de face. Depois de contados os votos do Exterior, vitória tangencial da Direita não se verificou. A Esquerda elege a maioria dos Senadores, mas fica a 4 votos da maioria absoluta, tendo agora de negociar com 4 dos senadores vitalicios...
A Romano Prodi tem agora a tarefa de governar Itália e gerir o saco de gatos que é a grande coligação que formou – La Unione. Aquilo é tão diverso que tem desde os democratas cristãos de esquerda (os “demo cristhi” da margherita) até aos dois partidos comunistas, passando pelos verdes, por duas ou três formações autonomistas e pelos comunistas reciclados em Sociais Democratas…
Deixo-vos uma foto minha que ilustra o espírito da União. Como poderão verificar, até prodi aparece, com o seu ar apaziguador, a tentar mediar a tensão…
[a vibrar...*]
Faltam menos de 5 mil circunscrições para os resultados das eleições italianas estarem apurados.
A emoção começou pelas 17h, quando um amigo me informou da derrota de Berlusconi. de então para cá, os resultados foram aparecendo e a vantagem da coligação que suporta Prodi tem vindo a diminuir... vai em 0,5%. correspondentes a menos de 200 mil votos.
Apesar de ter menos votos, a sua distribuição pelos circulos, pode significar determinar 70 deputados para a direita.
Sofro como só um italiano comunista sofrerá. bom.. eles talvez sofram mais do que eu, pois a hipótese de Berlusconi e a sua pandilha de fascistas s e manter por mais 5 anos toca-lhes a eles.
CASO DI DIO!!!!
* emoções de um fazedor de eleições
5.4.06
31.3.06
que Luis Filipe Pereira, ministro da Saúde dos Governos Durão/Portas/Bagão/Santana tentou salvar o SNS:
30 gestores lesam Estado em 1,2 milhões de euros
DN, 31 de Março de 2005
29.3.06
23.3.06
Durante estes 3 anos de guerra no Iraque, muito se tem ouvido falar nos mais de dois mil soldados americanos mortos.
dos 30 mil civis Iraquianos que perdeream a vida também há referências.
já sobre os estrupiados que a guerra deixou de ambos os lados, a informação é quase nula.
hoje descobri que, do lado do US ARMY, são cerca de 17 mil. Jovens.
*freedom Import/export SA
22.3.06
[um novo tempo que se abre...]
(...)
A ETA decidiu declarar um cessar-fogo permanente a partir de 24 de Março de 2006", indica o comunicado intitulado "Mensagem de Euskadi Ta Askatasuna [Pátria Basca e Liberdade] ao povo basco", do qual a AFP obteve uma cópia.
"O objectivo desta decisão é lançar o processo democrático no País Basco com o objectivo de edificar um novo quadro no seio do qual serão reconhecidos os direitos que nos assistem enquanto povo", lê-se no documento.
"No final do processo, os cidadãos bascos deverão ter a palavra e o poder de decisão sobre o seu futuro", continua o comunicado, referindo ainda a reivindicação do direito de autodeterminação do País Basco espanhol.
A organização apela ainda às autoridades espanhola e francesa para que "respondam de maneira positiva a esta nova situação, deixando de lado toda a repressão".
O comunicado, em jeito de "mensagem ao povo basco", apela a todos os agentes para que "actuem com responsabilidade" e para que "sejam consequentes com o passo dado" pela organização terrorista.
"A ETA mostra o desejo e vontade de que o processo aberto chega ao final e assim se consiga uma situação democrática para Euskal Herria, superando o conflito de largos anos e construindo uma paz baseada na justiça", refere ainda.
No comunicado, a organização reafirma o "compromisso" de "continuar a dar passos no futuro, de acordo com essa vontade" expressa pelos cidadãos.
(...)
in Publico on-line 22/03/2006
21.3.06
[Aquele Bar]
A geografia sentimental de cada um faz-se de episódios coleccionados, de encontros, de lugares de convívio e, sobretudo, das pessoas que vamos encontrando.
Segundo os meus cálculos, a primeira vez que entrei num bar, depois de posto o sol e sem qualquer presença tutelar, terá sido nessa longínqua primavera de 1994. O espaço eleito era, por assim dizer, o menos elitista da noite de Sintra: sem consumo obrigatório, preços acessíveis, gente diversificada e música ao gosto de quem aqui escreve.
Foi ali que me cruzei com o Augusto, personagem que o tempo ensina a conhecer. Dono da casa, fazia do espaço entre a barra e a cozinha o seu mundo conhecido. E que grande mundo! Cheio de histórias e boa disposição, acolhendo da melhor maneira quem viesse por bem. A sangria servida pela Susana era, já se sabe, a melhor.
Durante algumas temporadas, com maior ou menor assiduidade, aquela foi paragem obrigatória para mim e para muitos amigos e amigas, que fui fazendo e que ali fiz. A mística das pessoas e do lugar, disfarçada de simplicidade, foram sempre o chamariz.
Um dia desafiei o Augusto a ceder o seu espaço para um debate sobre a legalização das drogas leves, tema que, por essa altura, começava a deixar de ser tabu.
Este é um espaço de liberdade, aberto à diferença e a quem mexer o mundo. Não sei ao certo se terão sido estas as palavras com que me abriu a porta, mas foi este o espírito com que o fez.
Com o passar dos anos, e com a maldita crise (a económica e a de tolerância pela diferença), o bar perdeu fôlego. Mantiveram-se os afectos e as cumplicidades geradas. Já não encontrava o Augusto com tanta frequência, mas, se nos cruzávamos por aí ou quando me ligava na véspera de natal, era como que para fazer o ponto da situação dos caminhos percorridos. Como só os bons amigos sabem fazer.
A última vez que falámos foi na noite das eleições presidências. A luta é dura, há que continuar! Tem de ser amigo, força! Dissemo-nos.
Hoje, ao ouvir a voz da Susana do outro lado do telefone, soube de imediato o que ela tinha para me dizer. A luta do Augusto terminara.
Revejo, no silêncio, as linhas do mapa onde se traçam as emoções. Nele, o Augusto, a quem dedico a reflexão deste dia, é incontornável. Afinal, foi também com ele que aprendi que geografia sentimental de cada um se faz, sobretudo, das pessoas que vamos encontrando.
[dia mundial da poesia]
O Al Berto tinha um plano quinquenal terrivel para pôr as pessoas a ler poesia. Eu não vejo interesse nenhum nisso. A poesia é uma forma de felicidade como outra qualquer - e por acaso até acho que as pessoas que fazem poesia e as pessoas que lêem poesia são as mesmas. Mesmo que não mostrem, têm de certeza sonetos na mesinha-de-cabeceira, com água a rimar com mágoa. As 300 pessoas que em Portugal compram livros de poesia são as 300 pessoas que escrevem poesia também - já pensei juntá-las numa jantarada.
Manuel António Pina
in Público, 21/03/2006





















