#1
[nos 58 anos do nascimento de Al Berto]
Há-de flutuar uma cidade
há-de flutuar uma cidade no crepúscolo da vida
pensava eu... como seriam felizes as mulheres
à beira mar debruçadas para a luz caiada
remendando o pano das velas espiando o mar
e a longitude do amor embarcado
por vezes
uma gaivota pousava nas águas
outras era o sol que cegava
e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite
os dias lentíssimos... sem ninguém
e nunca me disseram o nome daquele oceano
esperei sentada à porta... dantes escrevia cartas
punha-me a olhar a risca de mar ao fundo da rua
assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar
se espantasse com a minha solidão
(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no coração. mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)
um dia houve
que nunca mais avistei cidades crepusculares
e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta
inclino-me de novo para o pano deste século
recomeço a bordar ou a dormir
tanto faz
sempre tive dúvidas que alguma vez me visite a felicidade
Al Berto
11.1.06
3.1.06
#1
[a não perder]
Um texto de Mário Tomé, publicado no ultimo número de A COMUNA, ideal para avivar a memória dos distraidos ou para abrir os olhos a quem não percebe muito bem o que foram os dez anos de cavaquismo...
Cavaco,
um homem de fé, um homem de mão
Cavaco Silva despertou para o serviço público quando a AD traçou o seu projecto de regresso a um marcelismo pós-colonial. Tal projecto tinha como alicerces as personalidades de Sá Carneiro e Soares Carneiro um general fascista, admirador confesso de Hitler, responsável pelo Campo de Concentração de S. Nicolau, em Angola .
Em 1980 a AD une todas as camadas sociais e forças políticas, à excepção do PS, que se haviam conjurado para liquidar o movimento popular e, após o 25 de Novembro, acabar com a Constituição aprovada por todos os partidos políticos com assento parlamentar exceptuando o CDS.
A base social da AD queria impor ordem no arraial, a rápida recuperação do poder económico perdido, a reconquista de todos os privilégios postos em causa pelo 25 de Abril.
Para isso já não bastava um militar como Eanes ainda que de óculos escuros. Era preciso um militar “nato” fascista, que isso em militar disfarça melhor que em civil.
Esta rememoração é importante para ver com quem lidamos. O projecto de Sá Carneiro passava pela marginalização da Assembleia da República, apesar de nela dispor de maioria, para não ter que responder formalmente perante a oposição. Sá Carneiro recusou apresentar programa de governo depois das eleições de Outubro de 1980 e, em vez disso, apresentou uma moção de confiança sem qualquer sustentação. Tratava-se de um projecto golpista a contar com a eleição de Soares Carneiro para Presidente da República que imporia, então, como constava do seu programa, o referendo contra a Constituição.
Cavaco era o ministro das finanças desta espécie de comissão eleitoral cuja actividade se destinava à propaganda do já dado como vitorioso general de S. Nicolau
de delfim de Sá Carneiro...
Todavia a AD não descuidava a acção no terreno e cedo se distinguiu pelo ataque àquilo que classificava como excesso de keynesianismo vindo da governação anterior.
Cavaco Silva avançou então com a desregulação administrativa da economia, o ataque ao sector público, à reforma agrária, redução da inflação através da contracção do poder de compra, perspectivar o desemprego como um fenómeno de curto prazo, apostando no investimento privado estimulado pelos baixos salários e pelo controlo da inflação. Para isso os trabalhadores “têm de colaborar”, baixando as suas reivindicações. Enfim, imposição do pacto social, ou nacional ou patriótico, a bem ou a mal. Cavaco no seu melhor então como em 1985/91 ou em 2006 se lhe dessem rédea.
O projecto de Soares Carneiro era apresentado como “Reencontro histórico com Portugal para repensar o seu futuro”. E esse reencontro histórico passava pela tentativa de revogar, por referendo, o texto fundamental do 25 de Abril, a Constituição. Um plebiscito contra a Constituição..
Na altura, em Outubro de 1980, o deputado da ASDI Jorge Miranda dizia, a propósito da questão: “ A democracia constrói-se através da democracia. A democracia é acima de tudo uma atitude moral”.
Cavaco achava, já nesse tempo, que não. Achava, como hoje, que a democracia se constrói na libertinagem do mercado que a Constituição entravava..
Preparando o golpe, a AD lançou um forte ataque à liberdade de informação, impedindo os Conselhos de Redacção de funcionar, chegando-se ao ponto de os testas de ferro na RDP chamarem a polícia para impedir o Conselho de Redacção de reunir.
Grande parte dos melhores jornalistas da RDP e da RTP foram irradiados ou colocados na prateleira sendo substituídos por comissariozinhos políticos e analfabetos
O próprio Marcelo Rebelo de Sousa dizia no Expresso em Outubro de 1980: “temos, deste modo, à frente da gestão das instituições informativas controladas pelo Estado pessoas escolhidas de acordo com um critério político e que obviamente actuarão de acordo com esse critério”
A RTP e a RDP, ao serviço da eleição de Soares Carneiro, chamavam ao campo de concentração de S. Nicolau, de que aquele fora responsável, “granja de recupração de indígenas”.
Sá Carneiro dizia na RTP que, se o seu candidato perdesse, as “grandes batalhas políticas se travariam no Parlamento”. Portanto, ganhando Soares Carneiro, as grandes batalhas políticas deixavam de se fazer no Parlamento. Sá Carneiro já morreu e Soares Carneiro já não vai a jogo . Cavaco, então membro do Governo, saberá onde iriam travar-se as grandes batalhas políticas se o seu candidato presidencial ganhasse!
Assim nasceu, pois, a vocação política e democrática de Cavaco Silva que o iria levar à Figueira da Foz em 1985 para repor o projecto inicial da AD, o repescado projecto ideológico que ainda hoje conduz, como um bolsar incontinente, os impulsos estratégicos do PSD – uma maioria, um governo, um presidente... e tudo será nosso.
... a paladino do neoliberalismo
O eleito da Figueira iria acabar com o Bloco Central enquanto aliança governativa. E a sua vitória nas legislativas de 1985 de novo esperava pela eleição de um presidente que desse corpo ao desígnio carneirista. Porém a derrota de Freitas do Amaral deixou Cavaco sem presidente mas com com apoio oportuno do PRD .
Diga-se, em abono da verdade, que o anterior governo do Bloco Central dirigido por Mário Soares lhe abrira um largo e bem asfaltado caminho. Assim, a Cavaco bastou-lhe ressuscitar a proposta de lei dos depedimentos do Bloco Central em que tudo passou a ser motivo de despedimento com justa causa: inadequação à evolução tecnológica, necessidade de extinção do posto de trabalho, pois claro, e motivos económicos, tecnológicos e estruturais de mercado. Ou seja, quando o patrão quiser.
A reprivatização, ainda ao arrepio da Constituição, do sector nacionalizado, nomeadamente os sectores básicos da economia, foi também inspirada numa proposta governamental do Bloco Central que argumentava, nomeadamente, ser “um contrasenso a absolutização da irreversibilidade das nacionalizações” pois não permitiria a introdução de novas tecnologias ou a alienação de alguns equipamentos!...
Ninguém como Cavaco Silva foi tão activo ao serviço dos velhos interesses monopolistas. Ele foi, dentro da inspiração neoliberal, o seu homem de mão mais eficaz.
A reestruturação dos impérios financeiros, numa primeira fase mascarados de industriais, veio articulada com o ataque à indústria pesada metalomecânica.
A grande crise do distrito de Setúbal resultante do ataque concertado à produção da Lisnave, Setenave, Quimigal, Siderurgia, teve origem na política já traçada desde o início dos anos oitenta, mas Cavaco Silva deu-lhe o impulso decisivo. Nos finais de 1994 todo o processo de liquidção da Lisnave – o mais emblemático - com o despedimento final de mais 4 mil trabalhadores chegava ao fim, abrindo espaço à especulação imobiliária e conduzindo à morte da indústria de construção naval em larga escala.
A Siderurgia Nacional foi divida em três partes e vendida ao desbarato A SN/Empresa de Serviços ficou nas mãos do então IPE,hoje Parapública, para resolver o problema do despedimento de centenas de trabalhadores.
O ataque à Sorefame, como todos os ataques cavaquistas em forma, começa com grandes investimentos sem sentido e sem consequência na produção de material necessário aos caminhos de ferro, passando-se a alugar material de circulação a Espanha! O objectivo, nunca confessado mas alcançado, era o de dar liberdade de acção, sem concorrência, ao negócio das rodoviárias privadas, através do fecho de estações e apeadeiros e mesmo de linhas dos Caminhos de Ferro.
Já em 1986 D. Manuel Martins, bispo de Setúbal , alertava para o facto de nos três últimos anos terem fechado mais de setenta empresas no distrito aumentando o desemprego, a precariedade e os salários em atraso.
Tratou-se de processos cheios de fintas, cambalachos, torcidelas e violaçõs da lei e da Constituição, numa cumplicidade pornográfica entre o grande capital e Cavaco, que lenta mas dolorosamente iam acabando com o emprego e com o tecido industrial, lançando a praga do trabalho precário a seguir à dos salários em atraso.
Mas para estes tinha Cavaco uma solução: os trabalhadores que rescindissem amigavelmente os contratos teriam direito à indemnização e ainda a seis meses de subsídio de desemprego.
Aliás para Cavaco não havia salários em atraso: o que “há é falências em atraso” (sic).
O primeiro período, em 85, de governação em minoria, foi dos mais frutuosos para a direita e para o capital. Foi aí que Cavaco lançou as bases do que iria ser a sua governação até 1995. Ainda sem maioria absoluta mas contando com um discreto apoio do PRD até 1987.
Por essa altura, Dezembro de 1985, José António Saraiva lia-lhe o destino na palma da mão: “Cavaco não pertence à classe política. Cavaco é um tecnocrata com fé”
A fé de Cavaco era alimentada por uma conjuntura internacional favorável (baixa do dólar, das taxas de juro e dos preços do petróleo) e pelo maná dos fundos comunitários que chegou a ser de um milhão de contos por dia, grosso modo. Traduzia-se no apoio do governo aos capitalistas que lançaram os trabalhadores no desemprego, pagaram salários competitivos (mais baixos que no 3º mundo) que disfarçavam os despedimentos colectivos atirando milhares de trabalhadores para a inactividade dentro das empresas, em processos de chantagem e de uma violência moral inaudita, enfraquecendo energias a fim de impor a rescisão “voluntária”, enquanto eram alugados, à hora, trabalhadores de empreitada sem direitos.
Um homem de fé
Foi tal fé que inspirou a grande ofensiva para privatização dos sectores fundamentais da economia: agricultura, pescas, indústria, transportes.
Os grandes industriais, entretanto, iam preparando a passagem com armas e bagagens para o sector financeiro e imobiliário.
O ataque alastra ao serviço público do Estado: na saúde Leonor Beleza, prepara a lenta mas inexoravel caminhada para a privatização, desinvestindo nos hospitais. Os médicos, Ordem e Sindicatos, protestam que as verbas da saúde não permitem as condições mínimas para o exercício da medicina. Em Portugal gastava-se 15 contos por habitante enquanto na Grécia esse valor era de 36 contos e na RFA 150 contos. Por isso mesmo Leonor Beleza reintroduziu nos hospitais as taxas moderadoras que o governo do Bloco Central (o grande percursor), em Julho de 85, tentara impor mas vira serem consideradas inconstitucionais pelo TC. E para que tudo corresse pelo melhor, Beleza acabou com os gestores eleitos.
O plano de indemnizações pelas nacionalizações foi um autêntico forrobodó com a decuplicação do valor da cotação das empresas na Bolsa. Champallimaud, Mello e Quina, entre outros, felizes, puderam retomar o seu projecto de salvação do país.
O INE dá a garantia que os empresários estão optimistas e também temos a notícia que os salários nos têxteis estão abaixo do Terceiro Mundo, designadamente Coreia, Hong-Kong e Síria.
Cavaco distinguia o sucesso, a competição e a concorrência. Dos fracos não reza a história. É desta fase o lançamento do programa Jovens Empresários de Elevado Potencial, com o estimulante acrónimo JEEP. Eles levaram a coisa a sério e desataram a comprar jeep’s com os dinheiros do Fundo Social Europeu e dos fundos que a PAC destinou para acabar com a maior parte da produção agrícola. Assim, o verdadeiro e único projecto cavaquista para a agricultura foi o financiamento do milionário Thierry Russel que arrecadou milhões de contos a fundo perdido. De “O futuro da agricultura portuguesa”, como foi classificado por Cavaco, restaram centenas de hectares de plástico a apodrecer e a envenenar a terra, na zona de estufas do Brejão, depois de um ano e meio de brilhante investimento. O Russel foi à vida sem dizer água vai, deixando um monte de dívidas aos fornecedores, trabalhadores no desemprego e ao Deus dará “o futuro da agricultura portuguesa” que, entrando “em queda livre desde 1991” fez perder 142,7 milhões de contos em dois anos, ficando atrás de 1986 quanto ao rendimento líquido..
Enquanto privatiza o que pode à espera da grande revisão constitucional de 1989 que há-de revogar a cláusula de salvaguarda dos 51% nas mãos do Estado, Cavaco lança aquela que vai ser a sua marca de água: a política do betão, a contratualização gigantesca e duradoura com os grandes empreiteiros da construção civil (auto-estradas, ponte Vasco da Gama, Expo 98, Centro Cultural de Belém).
Porém Cavaco não se esquece dos pobrezinhos.. Entre 86 e 88 o poder dos salários aumentou 7 a 8% e o investimento aumentou 5%. E o desemprego baixou para 5% graças à precarização acelerada do trabalho.
No orçamento para 1989 atribuiu à educação 310 milhões de contos prevendo, para a modernização do sector educativo nos quatro anos seguintes, 340 milhões de contos. Só que essa verba anunciada para garantir o acesso e modernizar o ensino, tinha outro objectivo: o estrangulamento do ensino público universitário e o financiamento estatal das universidades privadas que devem a Cavaco o ímpeto do seu surgimento. As universidades privadas, desprovidas de base histórico-cultural que as justificasse, apareceram como cogumelos sem a mínima garantia ou exigência de qualidade do ensino. Tratou-se de abrir à gestão pró-lucro o sector mais sensível para o futuro do país. O slogan universal de Sá Carneiro e Cavaco Silva, alargou, assim, o seu âmbito – “ quem quer ensino paga-o”.
O mundo do negócio é, todavia, perverso: o ensino público, com garantia de qualidade, mas muito mais barato, acaba por ficar reservado para os filhos das elites e das classes com poder de compra, pois são essas que asseguram aos rebentos as condições básicas para poderem competir com o numerus clausus.. Os filhos dos menos felizardos, se querem estudar, têm de ir para as privadas onde deixam os olhos da cara e onde tiram cursos a metro.
O reitor da Universidade de Aveiro move um processo contra o Governo por violação da lei da concorrência.
Tudo o que mexe é para abater
Com Cavaco, ao mesmo tempo que íamos ficando sem caça, ficámos também sem pesca e sem indústria conserveira que vai praticamente desaparecer deitando milhares para o desemprego.
num abrir e fechar de olhos. Mais uma vez o impulso já vinha do governo do Bloco Central.
Toda a frota das empresas nacionalizadas, como a CPP, a SNAPA, SNAB e SAAP, de grande capacidade e produtividade na pesca industrial, foi entregue por tuta e meia aos armadores privados, colocando no desemprego centenas de trabalhadores. Tratava-se de entrada na CEE a todo o custo mais que a todo o vapor!
Cavaco Silva geriu, depois, com o maior secretismo um dossier com a Comunidade Europeia, escondendo a total ausência de política para o sector. Daí os grandes recursos financeiros para abater embarcações indiscriminadamente. De uma Tonelagem de Arqueação Bruta (TAB) de 106 mil em 1987, passou-se para 62 mil TAB em 1994. Só nessa altura perderam-se 10% dos postos de trabalho. O efeito comulativo fez com que se entrasse na fase de quebras permanentes nas capturas, numa queda acumulada de 120 mil toneladas. A importação de pescado disparou então e passou-se de 35 milhões de contos para 90 milhões em 1993.
Foi também durante o consulado cavaquista que a indústria mineira sofreu uma ofensiva sem precedentes. A luta dos trabalhadores mineiros foi longa e dura. O governo e o capital mancomunaram-se e, depois de milhões e milhões atribuídos supostamente para sanar os buracos financeiros e arrancar para novos voos, o que foi ficando semeado pelo caminho foi trabalhadores no desemprego e minas fechadas com as galerias abertas. Pejão, Panasqueira, Aljustrel, Borralha, Vale das Gatas, Arcozelo, Montesinho, Urgeiriça, Jales, Nelas são nomes que já preenchem o imaginário popular de homens esgotados pelo trabalho penoso, a silicose como recompensa, atirados para o desemprego, para fora das suas próprias casas a que julgavam ter direito. Porque o mercado mundial não garantia os lucros necessários e o Estado não estava disposto a assegurar a extracção do volfrâmio, do cobre, do urânio, do ouro nem que fosse para salvar a face e o bom nome.
O emprego vai, qualquer dia há-de vir. Diz Cavaco. Passou o tempo do emprego garantido. Flexibilidade – precariedade - é a palavra de ordem.
Com efeito, depois da assinatura em 1992 do novo acordo social entre o Governo e o patronato contra a lei da greve com o apoio da UGT, a precariedade passou a ser a situação normal : contratos a prazo e flexibilidade nos despedimentos.
Empresas emblemáticas do ponto de vista industrial e cultural foram liquidadas sem dó nem piedade. A Fábrica Escola Irmãos Stephan na Marinha Grande foi uma delas. Aliás, a luta dos vidreiros da Marinha Grande ao longo dos anos passou por sequestros, ocupações da estação da CP, arrancamento de 200 metros de linha, cortes de estradas, marchas sobre Lisboa, contando sempre ou quase sempre, com as respectivas cargas policiais que culminaram no Outono quente de 1994 com a invasão da própria CM da Marinha Grande pela polícia em perseguição dos trabalhadores..
Na Marinha Grande contra os vidreiros, na luta dos estudantes frente à Assembleia da República e na revolta da ponte 25 de Abril a polícia cavaquista deu sempre bboa conta do prestígio do patrão.
O Luís Miguel Figueiredo ficou hemiplégico por ter apanhado um tiro da polícia no primeiro dia da luta da ponte. Provou-se que o tiro foi disparado pela polícia...mas como os polícias eram muitos e não se sabe qual foi, a culpa morreu solteira e o Luís Miguel até hoje, passados onze anos, não teve direito a uma indemnização.
O mesmo aconteceu com as viúvas dos mortos no afundamento do Bolama. E com as famílias dos hemofílicos assassinados por sangue contaminado. O caso em que a responsável, a ministra Leonor Beleza, viu o processo prescrever e ainda queria que lhe pedissem desculpa pelo incómodo.
Estramos pois na fase do salve-se quem puder.
Cavaco, através do Ministro Falcão e Cunha, autoisenta o Estado de fiscalização das condições laborais. A Inspecção do Trabalho ficou, portanto, impedida de actuar junta das administrações central, regional e local, onde trabalhavam mais de 500 mil trabalhadores.
Rui Amaral (PSD), que presidiu à Comissão de Transportes do PE considerou que se “confundiu a política de transportes com infraestruturas, não se atribuiu a devida prioridade ao transporte urbano e sub-urbano, área que não é compatível com o livre jogo das regras do mercado, dado as obrigações de serviço público”
Bruxelas acusava o governo de tentar, por motivs eleitorais, que no QCA de 94/99 as ajudas se concentrassem em 95 e 96 e não de forma contínua até 99. Aliás o Director Geral do Desenvolvimento não se ensaiou nada para admitir “uma agenda escondida de fundos”, em que o Governo maquilhou o défice orçamenta l(fugindo às decisões de Edimburgo de Dezembro de 2002) fazendo os projectos deslizar para 2005.
Eis o Professor no seu esplendor, traçando a sua mais conhecida teoria económica e financeira, deixando Manuela Ferreira Leite e Bagão Félix como razoáveis aprendizes e empenhados discípulos.
O frenesi do saque
Depois da revisão constitucional de 1989 as privatizações passaram a ser o desígnio de salvação nacional. Das privatizações resultou o desmembramento das empresas, a constituição de holdings e cada vez mais dificuldades para as organizações dos trabalhadores, paralelamente a um ataque desenfreado contra os seus direitos. Salve-se quem puder, o emprego seguro é uma reliquia do passado, entrámos na modernidade, diziam os testas de ferro Cadilhe, Catroga, Braga de Macedo e repetiam as vozes do dono espalhadas pela comunicação social.
Tudo isto com selo cavaquista: o da total falta de transparência, do casuísmo e de obediência directa e pessoal aos especuladores e financeiros interessados.
Os cambalachos eram a regra. José Roquete dizia publicamente que se tinha conluiado com José Manuel de Mello, antes de concorrer à compra do Totta & Açores; o Grupo Espírito Santo exigiu publicamente a Tranquilidade e o BESCL, sem outros concorrentes; o Grupo Mello impôs a compra da Sociedade Financeira Portuguesa sem oposição. António Champallimaud apoiou-se num “acordo de cavalheiros” para concorrer sozinho e adquirir, por metade do preço considerado justo internacionalmente, a Mundial Confiança. Ricardo Espírito Santo Silva ao retomar o controlo da Tranquilidade pelo Grupo Espírito Santo reconheceu ter havido subavaliação do património imobiliário.
Convém lembrar que, por vezes, era o próprio grupo interessado que procedia à avaliação, como aconteceu com o grupo que adquiriu o Fonsecas & Burnay. E quando assim não era o Governo de Cavaco, sem justificação conhecida, chegava a fixar os valores base da privatização a níveis inferiores aos propostos pelas empresas avaliadoras, como aconteceu no caso da Tranquilidade e na primeira fase de privatização do BPA.
Mas nesta competição de criatividade no cambalacho Champallimaud levou a palma: contra a opinião da CMVM adquiriu 50% do Totta sem uma OPA geral e com o dinheiro do próprio banco, alegando muito candidamente que se esse dinheiro, afinal, feita a compra, passava a ser seu, não fazia diferença!
No meio disto tudo ninguém se arriscaria a chamar incendiário a António Champalimaud. E de facto não era. No entanto, nos inícios de 94, Cavaco deu ordem aos seus ministros do Planeamento, Agricultura e Ambiente para o deixarem construir um empreendimento turístico na Quinta da Marinha exactamente onde ocorreram os piores incêndios de 1990, estando por isso proibida qualquer construção até ao ano de 2000.
A marca de Cavaco por todo o lado
Mas nem só de medidas de vanguarda na economia vive o país.
Durante a guerra Irão-Iraque um navio português é apresado na Grécia com armas israelitas e portuguesas, da INDEP, a caminho do Irão. Por essa altura a polícia de Cavaco espancava brutalmente os trabalhadores da INDEP e o governo de traficantes suspendia as respectivas organizações representativas.
Sete anos mais tarde o caso do desaparecimento do Bolama veio mostrar como Cavaco Silva foi a uma bruxa russa que afirmava que o navio andava perto de Cabo Verde. Para aí deslocou a marinha os seus meios para depois o navio ter sido encontrado afundado a algumas milhas da costa ao largo do Cabo da Roca, como sempre fora dito pelo Presidente do Sindicato Livre dos Pescadores, Joaquim Piló. Mas entretanto houvera tempo para retirar a carga que motivara saída do navio sem as devidas autorizações e o seu posterior afundamento com trinta pessoas a bordo para sempre desaparecidas . Curiosamente, exactamente por essa altura , desapareceram quantidades substanciais de urânio, facto noticiado largamente. A recusa do Governo de Cavaco Silva em averiguar tudo o que se passou compromete-o.
Na madrugada de 16 de Abril de 1986, 18 aviões F-111 estadounidenses, atravessaram o espaço aéreo português para irem bombardear a Líbia. Cavaco em íntima afinidade com o ataque, manda expulsar vários cidadãos líbios pelo simples facto de o serem.
Dias depois, o Parlamento Europeu condenava violentamente aquele acto de agressão dos Estados Unidos á Líbia.
Em Janeiro de 1995 rebenta o escândalo: as OGMA reparavam helicópteros indonésios, os mesmos que iriam bombardear depois a resistência timorense.
Na cultura e na acção cívica Cavaco e os seus governos também marcaram a agenda: o Subsecretário de Estado Sousa Lara, com o apoio do Secretário de Estado Santana Lopes e o aval circunspecto de Cavaco Silva, proibiram José Saramago de concorrer com o seu romance “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” a um prémio internacional. Consta que o livro era herético.
Cavaco e a sua equipa recusam, em Janeiro de 95, apoiar as comemorações em memória de Humberto Delgado.
Cavaco marcou a sua época com a nomeação de uma personalidade de primeira água, o Dr. Ladeiro Monteiro, para dirigir o SIS (1986-94) criado pelo Governo do Bloco Central um ano antes. Monteiro ficou célebre pelas escutas ilegais efectuadas durante anos, nomeadamente a dirigentes políticos. A secreta portuguesa no tempo de Cavaco contou ainda com a DINFO, secreta militar, que recrutou agentes para os GAL que em Espanha sequestravam e assassinavam militantes da ETA, patriotas bascos e outros que não eram nem uma coisa nem outra. Em Espanha o ministro e outros altos responsáveis pela guerra suja foram julgados e condenados. Ao contrário do que se passou em Portugal, onde, aliás, os próprios agentes estavam impedidos por Cavaco de depor em Tribunal.
No entanto, impoluto e rigoroso professor viu a sua carreira ferida pela proposta de demissão da Função Pública, avançada pelo Conselho de Reitores em 1985. O motivo foi ter-se ausentado do serviço docente que lhe fora atribuído. Atenuantes, pressurosamente surgidas, impediram que a proposta fosse de expulsão. Afinal, Deus Pinheiro, ministro da Educação do Bloco Central, tinha-lhe concedido licença sem vencimento sem que para isso tivesse qualquer competência. Era matéria do Conselho de Reitores.( Foi assim: Oh João, safa-me lá que tenho de ir à Figueira fazer a rodagem ao carro.)
E, mais tarde, já nos últimos estertores governamentais, quando decide não arriscar a ida às urnas para ser julgado pelos desmandos e pela situação a que conduziu o país, ainda se insurge contra a notícia de uma investigação da PGR a obras em sua casa. Seriam, no caso, obras a mais e IVA a menos, com 348 contos por pagar. Mas aí a culpa terá sido de D. Maria.
Perante a evidência do pagamento ilegal de subsídios à fundação do PSD, Cavaco encontra o argumento de que o IPSD apenas é dirigido por uma pessoa próxima do PSD: Leonor Beleza.
Quem se viu atrapalhado foi Pacheco Pereira que, para tentar esconder a desagregação vertiginosa da maioria cavaquista, teve que impor uma espécie de censura prévia aos jornalistas que trabalhavam no Parlamento, ou seja os corredores para onde davam as portas dos gabinetes do PSD, não podiam ser frequentados pelos jornalistas parlamentares. A bronca foi grande e Pacheco não sendo tão fero quanto o seu vetusto antepassado, não conseguiu impor os seus intentos. Mas certamente que, a partir daí, passou a ser considerado o paradigma do político democrata e paladino da liberdade de imprensa.
Cavaco e os cavaquistas não passam disto. A mediocridade impante e voraz. Quer se encontrem em estado de Tabú – a sua grande criação - quer falem a várias vozes, todos eles e elas evocam o golpista Sá Carneiro e invocam a sua sabedoria para servir a finança. O “Portugal precisa de si” de hoje e o “ Reecontro com a história de Portugal...” de há vinte anos são, afinal, a expressão de uma espécie parasita de velha estirpe que mantém uma considerável fixação e pensa ser, agora, finalmente, que de forma um tanto espúria, vai ter um presidente, um governo e uma maioria.
Belmiro de Azevedo já profetizou: Cavaco e Sócratas, uma só voz
Os portugueses vão mostrar que não estão pelos ajustes.
[a não perder]
Um texto de Mário Tomé, publicado no ultimo número de A COMUNA, ideal para avivar a memória dos distraidos ou para abrir os olhos a quem não percebe muito bem o que foram os dez anos de cavaquismo...
Cavaco,
um homem de fé, um homem de mão
Cavaco Silva despertou para o serviço público quando a AD traçou o seu projecto de regresso a um marcelismo pós-colonial. Tal projecto tinha como alicerces as personalidades de Sá Carneiro e Soares Carneiro um general fascista, admirador confesso de Hitler, responsável pelo Campo de Concentração de S. Nicolau, em Angola .
Em 1980 a AD une todas as camadas sociais e forças políticas, à excepção do PS, que se haviam conjurado para liquidar o movimento popular e, após o 25 de Novembro, acabar com a Constituição aprovada por todos os partidos políticos com assento parlamentar exceptuando o CDS.
A base social da AD queria impor ordem no arraial, a rápida recuperação do poder económico perdido, a reconquista de todos os privilégios postos em causa pelo 25 de Abril.
Para isso já não bastava um militar como Eanes ainda que de óculos escuros. Era preciso um militar “nato” fascista, que isso em militar disfarça melhor que em civil.
Esta rememoração é importante para ver com quem lidamos. O projecto de Sá Carneiro passava pela marginalização da Assembleia da República, apesar de nela dispor de maioria, para não ter que responder formalmente perante a oposição. Sá Carneiro recusou apresentar programa de governo depois das eleições de Outubro de 1980 e, em vez disso, apresentou uma moção de confiança sem qualquer sustentação. Tratava-se de um projecto golpista a contar com a eleição de Soares Carneiro para Presidente da República que imporia, então, como constava do seu programa, o referendo contra a Constituição.
Cavaco era o ministro das finanças desta espécie de comissão eleitoral cuja actividade se destinava à propaganda do já dado como vitorioso general de S. Nicolau
de delfim de Sá Carneiro...
Todavia a AD não descuidava a acção no terreno e cedo se distinguiu pelo ataque àquilo que classificava como excesso de keynesianismo vindo da governação anterior.
Cavaco Silva avançou então com a desregulação administrativa da economia, o ataque ao sector público, à reforma agrária, redução da inflação através da contracção do poder de compra, perspectivar o desemprego como um fenómeno de curto prazo, apostando no investimento privado estimulado pelos baixos salários e pelo controlo da inflação. Para isso os trabalhadores “têm de colaborar”, baixando as suas reivindicações. Enfim, imposição do pacto social, ou nacional ou patriótico, a bem ou a mal. Cavaco no seu melhor então como em 1985/91 ou em 2006 se lhe dessem rédea.
O projecto de Soares Carneiro era apresentado como “Reencontro histórico com Portugal para repensar o seu futuro”. E esse reencontro histórico passava pela tentativa de revogar, por referendo, o texto fundamental do 25 de Abril, a Constituição. Um plebiscito contra a Constituição..
Na altura, em Outubro de 1980, o deputado da ASDI Jorge Miranda dizia, a propósito da questão: “ A democracia constrói-se através da democracia. A democracia é acima de tudo uma atitude moral”.
Cavaco achava, já nesse tempo, que não. Achava, como hoje, que a democracia se constrói na libertinagem do mercado que a Constituição entravava..
Preparando o golpe, a AD lançou um forte ataque à liberdade de informação, impedindo os Conselhos de Redacção de funcionar, chegando-se ao ponto de os testas de ferro na RDP chamarem a polícia para impedir o Conselho de Redacção de reunir.
Grande parte dos melhores jornalistas da RDP e da RTP foram irradiados ou colocados na prateleira sendo substituídos por comissariozinhos políticos e analfabetos
O próprio Marcelo Rebelo de Sousa dizia no Expresso em Outubro de 1980: “temos, deste modo, à frente da gestão das instituições informativas controladas pelo Estado pessoas escolhidas de acordo com um critério político e que obviamente actuarão de acordo com esse critério”
A RTP e a RDP, ao serviço da eleição de Soares Carneiro, chamavam ao campo de concentração de S. Nicolau, de que aquele fora responsável, “granja de recupração de indígenas”.
Sá Carneiro dizia na RTP que, se o seu candidato perdesse, as “grandes batalhas políticas se travariam no Parlamento”. Portanto, ganhando Soares Carneiro, as grandes batalhas políticas deixavam de se fazer no Parlamento. Sá Carneiro já morreu e Soares Carneiro já não vai a jogo . Cavaco, então membro do Governo, saberá onde iriam travar-se as grandes batalhas políticas se o seu candidato presidencial ganhasse!
Assim nasceu, pois, a vocação política e democrática de Cavaco Silva que o iria levar à Figueira da Foz em 1985 para repor o projecto inicial da AD, o repescado projecto ideológico que ainda hoje conduz, como um bolsar incontinente, os impulsos estratégicos do PSD – uma maioria, um governo, um presidente... e tudo será nosso.
... a paladino do neoliberalismo
O eleito da Figueira iria acabar com o Bloco Central enquanto aliança governativa. E a sua vitória nas legislativas de 1985 de novo esperava pela eleição de um presidente que desse corpo ao desígnio carneirista. Porém a derrota de Freitas do Amaral deixou Cavaco sem presidente mas com com apoio oportuno do PRD .
Diga-se, em abono da verdade, que o anterior governo do Bloco Central dirigido por Mário Soares lhe abrira um largo e bem asfaltado caminho. Assim, a Cavaco bastou-lhe ressuscitar a proposta de lei dos depedimentos do Bloco Central em que tudo passou a ser motivo de despedimento com justa causa: inadequação à evolução tecnológica, necessidade de extinção do posto de trabalho, pois claro, e motivos económicos, tecnológicos e estruturais de mercado. Ou seja, quando o patrão quiser.
A reprivatização, ainda ao arrepio da Constituição, do sector nacionalizado, nomeadamente os sectores básicos da economia, foi também inspirada numa proposta governamental do Bloco Central que argumentava, nomeadamente, ser “um contrasenso a absolutização da irreversibilidade das nacionalizações” pois não permitiria a introdução de novas tecnologias ou a alienação de alguns equipamentos!...
Ninguém como Cavaco Silva foi tão activo ao serviço dos velhos interesses monopolistas. Ele foi, dentro da inspiração neoliberal, o seu homem de mão mais eficaz.
A reestruturação dos impérios financeiros, numa primeira fase mascarados de industriais, veio articulada com o ataque à indústria pesada metalomecânica.
A grande crise do distrito de Setúbal resultante do ataque concertado à produção da Lisnave, Setenave, Quimigal, Siderurgia, teve origem na política já traçada desde o início dos anos oitenta, mas Cavaco Silva deu-lhe o impulso decisivo. Nos finais de 1994 todo o processo de liquidção da Lisnave – o mais emblemático - com o despedimento final de mais 4 mil trabalhadores chegava ao fim, abrindo espaço à especulação imobiliária e conduzindo à morte da indústria de construção naval em larga escala.
A Siderurgia Nacional foi divida em três partes e vendida ao desbarato A SN/Empresa de Serviços ficou nas mãos do então IPE,hoje Parapública, para resolver o problema do despedimento de centenas de trabalhadores.
O ataque à Sorefame, como todos os ataques cavaquistas em forma, começa com grandes investimentos sem sentido e sem consequência na produção de material necessário aos caminhos de ferro, passando-se a alugar material de circulação a Espanha! O objectivo, nunca confessado mas alcançado, era o de dar liberdade de acção, sem concorrência, ao negócio das rodoviárias privadas, através do fecho de estações e apeadeiros e mesmo de linhas dos Caminhos de Ferro.
Já em 1986 D. Manuel Martins, bispo de Setúbal , alertava para o facto de nos três últimos anos terem fechado mais de setenta empresas no distrito aumentando o desemprego, a precariedade e os salários em atraso.
Tratou-se de processos cheios de fintas, cambalachos, torcidelas e violaçõs da lei e da Constituição, numa cumplicidade pornográfica entre o grande capital e Cavaco, que lenta mas dolorosamente iam acabando com o emprego e com o tecido industrial, lançando a praga do trabalho precário a seguir à dos salários em atraso.
Mas para estes tinha Cavaco uma solução: os trabalhadores que rescindissem amigavelmente os contratos teriam direito à indemnização e ainda a seis meses de subsídio de desemprego.
Aliás para Cavaco não havia salários em atraso: o que “há é falências em atraso” (sic).
O primeiro período, em 85, de governação em minoria, foi dos mais frutuosos para a direita e para o capital. Foi aí que Cavaco lançou as bases do que iria ser a sua governação até 1995. Ainda sem maioria absoluta mas contando com um discreto apoio do PRD até 1987.
Por essa altura, Dezembro de 1985, José António Saraiva lia-lhe o destino na palma da mão: “Cavaco não pertence à classe política. Cavaco é um tecnocrata com fé”
A fé de Cavaco era alimentada por uma conjuntura internacional favorável (baixa do dólar, das taxas de juro e dos preços do petróleo) e pelo maná dos fundos comunitários que chegou a ser de um milhão de contos por dia, grosso modo. Traduzia-se no apoio do governo aos capitalistas que lançaram os trabalhadores no desemprego, pagaram salários competitivos (mais baixos que no 3º mundo) que disfarçavam os despedimentos colectivos atirando milhares de trabalhadores para a inactividade dentro das empresas, em processos de chantagem e de uma violência moral inaudita, enfraquecendo energias a fim de impor a rescisão “voluntária”, enquanto eram alugados, à hora, trabalhadores de empreitada sem direitos.
Um homem de fé
Foi tal fé que inspirou a grande ofensiva para privatização dos sectores fundamentais da economia: agricultura, pescas, indústria, transportes.
Os grandes industriais, entretanto, iam preparando a passagem com armas e bagagens para o sector financeiro e imobiliário.
O ataque alastra ao serviço público do Estado: na saúde Leonor Beleza, prepara a lenta mas inexoravel caminhada para a privatização, desinvestindo nos hospitais. Os médicos, Ordem e Sindicatos, protestam que as verbas da saúde não permitem as condições mínimas para o exercício da medicina. Em Portugal gastava-se 15 contos por habitante enquanto na Grécia esse valor era de 36 contos e na RFA 150 contos. Por isso mesmo Leonor Beleza reintroduziu nos hospitais as taxas moderadoras que o governo do Bloco Central (o grande percursor), em Julho de 85, tentara impor mas vira serem consideradas inconstitucionais pelo TC. E para que tudo corresse pelo melhor, Beleza acabou com os gestores eleitos.
O plano de indemnizações pelas nacionalizações foi um autêntico forrobodó com a decuplicação do valor da cotação das empresas na Bolsa. Champallimaud, Mello e Quina, entre outros, felizes, puderam retomar o seu projecto de salvação do país.
O INE dá a garantia que os empresários estão optimistas e também temos a notícia que os salários nos têxteis estão abaixo do Terceiro Mundo, designadamente Coreia, Hong-Kong e Síria.
Cavaco distinguia o sucesso, a competição e a concorrência. Dos fracos não reza a história. É desta fase o lançamento do programa Jovens Empresários de Elevado Potencial, com o estimulante acrónimo JEEP. Eles levaram a coisa a sério e desataram a comprar jeep’s com os dinheiros do Fundo Social Europeu e dos fundos que a PAC destinou para acabar com a maior parte da produção agrícola. Assim, o verdadeiro e único projecto cavaquista para a agricultura foi o financiamento do milionário Thierry Russel que arrecadou milhões de contos a fundo perdido. De “O futuro da agricultura portuguesa”, como foi classificado por Cavaco, restaram centenas de hectares de plástico a apodrecer e a envenenar a terra, na zona de estufas do Brejão, depois de um ano e meio de brilhante investimento. O Russel foi à vida sem dizer água vai, deixando um monte de dívidas aos fornecedores, trabalhadores no desemprego e ao Deus dará “o futuro da agricultura portuguesa” que, entrando “em queda livre desde 1991” fez perder 142,7 milhões de contos em dois anos, ficando atrás de 1986 quanto ao rendimento líquido..
Enquanto privatiza o que pode à espera da grande revisão constitucional de 1989 que há-de revogar a cláusula de salvaguarda dos 51% nas mãos do Estado, Cavaco lança aquela que vai ser a sua marca de água: a política do betão, a contratualização gigantesca e duradoura com os grandes empreiteiros da construção civil (auto-estradas, ponte Vasco da Gama, Expo 98, Centro Cultural de Belém).
Porém Cavaco não se esquece dos pobrezinhos.. Entre 86 e 88 o poder dos salários aumentou 7 a 8% e o investimento aumentou 5%. E o desemprego baixou para 5% graças à precarização acelerada do trabalho.
No orçamento para 1989 atribuiu à educação 310 milhões de contos prevendo, para a modernização do sector educativo nos quatro anos seguintes, 340 milhões de contos. Só que essa verba anunciada para garantir o acesso e modernizar o ensino, tinha outro objectivo: o estrangulamento do ensino público universitário e o financiamento estatal das universidades privadas que devem a Cavaco o ímpeto do seu surgimento. As universidades privadas, desprovidas de base histórico-cultural que as justificasse, apareceram como cogumelos sem a mínima garantia ou exigência de qualidade do ensino. Tratou-se de abrir à gestão pró-lucro o sector mais sensível para o futuro do país. O slogan universal de Sá Carneiro e Cavaco Silva, alargou, assim, o seu âmbito – “ quem quer ensino paga-o”.
O mundo do negócio é, todavia, perverso: o ensino público, com garantia de qualidade, mas muito mais barato, acaba por ficar reservado para os filhos das elites e das classes com poder de compra, pois são essas que asseguram aos rebentos as condições básicas para poderem competir com o numerus clausus.. Os filhos dos menos felizardos, se querem estudar, têm de ir para as privadas onde deixam os olhos da cara e onde tiram cursos a metro.
O reitor da Universidade de Aveiro move um processo contra o Governo por violação da lei da concorrência.
Tudo o que mexe é para abater
Com Cavaco, ao mesmo tempo que íamos ficando sem caça, ficámos também sem pesca e sem indústria conserveira que vai praticamente desaparecer deitando milhares para o desemprego.
num abrir e fechar de olhos. Mais uma vez o impulso já vinha do governo do Bloco Central.
Toda a frota das empresas nacionalizadas, como a CPP, a SNAPA, SNAB e SAAP, de grande capacidade e produtividade na pesca industrial, foi entregue por tuta e meia aos armadores privados, colocando no desemprego centenas de trabalhadores. Tratava-se de entrada na CEE a todo o custo mais que a todo o vapor!
Cavaco Silva geriu, depois, com o maior secretismo um dossier com a Comunidade Europeia, escondendo a total ausência de política para o sector. Daí os grandes recursos financeiros para abater embarcações indiscriminadamente. De uma Tonelagem de Arqueação Bruta (TAB) de 106 mil em 1987, passou-se para 62 mil TAB em 1994. Só nessa altura perderam-se 10% dos postos de trabalho. O efeito comulativo fez com que se entrasse na fase de quebras permanentes nas capturas, numa queda acumulada de 120 mil toneladas. A importação de pescado disparou então e passou-se de 35 milhões de contos para 90 milhões em 1993.
Foi também durante o consulado cavaquista que a indústria mineira sofreu uma ofensiva sem precedentes. A luta dos trabalhadores mineiros foi longa e dura. O governo e o capital mancomunaram-se e, depois de milhões e milhões atribuídos supostamente para sanar os buracos financeiros e arrancar para novos voos, o que foi ficando semeado pelo caminho foi trabalhadores no desemprego e minas fechadas com as galerias abertas. Pejão, Panasqueira, Aljustrel, Borralha, Vale das Gatas, Arcozelo, Montesinho, Urgeiriça, Jales, Nelas são nomes que já preenchem o imaginário popular de homens esgotados pelo trabalho penoso, a silicose como recompensa, atirados para o desemprego, para fora das suas próprias casas a que julgavam ter direito. Porque o mercado mundial não garantia os lucros necessários e o Estado não estava disposto a assegurar a extracção do volfrâmio, do cobre, do urânio, do ouro nem que fosse para salvar a face e o bom nome.
O emprego vai, qualquer dia há-de vir. Diz Cavaco. Passou o tempo do emprego garantido. Flexibilidade – precariedade - é a palavra de ordem.
Com efeito, depois da assinatura em 1992 do novo acordo social entre o Governo e o patronato contra a lei da greve com o apoio da UGT, a precariedade passou a ser a situação normal : contratos a prazo e flexibilidade nos despedimentos.
Empresas emblemáticas do ponto de vista industrial e cultural foram liquidadas sem dó nem piedade. A Fábrica Escola Irmãos Stephan na Marinha Grande foi uma delas. Aliás, a luta dos vidreiros da Marinha Grande ao longo dos anos passou por sequestros, ocupações da estação da CP, arrancamento de 200 metros de linha, cortes de estradas, marchas sobre Lisboa, contando sempre ou quase sempre, com as respectivas cargas policiais que culminaram no Outono quente de 1994 com a invasão da própria CM da Marinha Grande pela polícia em perseguição dos trabalhadores..
Na Marinha Grande contra os vidreiros, na luta dos estudantes frente à Assembleia da República e na revolta da ponte 25 de Abril a polícia cavaquista deu sempre bboa conta do prestígio do patrão.
O Luís Miguel Figueiredo ficou hemiplégico por ter apanhado um tiro da polícia no primeiro dia da luta da ponte. Provou-se que o tiro foi disparado pela polícia...mas como os polícias eram muitos e não se sabe qual foi, a culpa morreu solteira e o Luís Miguel até hoje, passados onze anos, não teve direito a uma indemnização.
O mesmo aconteceu com as viúvas dos mortos no afundamento do Bolama. E com as famílias dos hemofílicos assassinados por sangue contaminado. O caso em que a responsável, a ministra Leonor Beleza, viu o processo prescrever e ainda queria que lhe pedissem desculpa pelo incómodo.
Estramos pois na fase do salve-se quem puder.
Cavaco, através do Ministro Falcão e Cunha, autoisenta o Estado de fiscalização das condições laborais. A Inspecção do Trabalho ficou, portanto, impedida de actuar junta das administrações central, regional e local, onde trabalhavam mais de 500 mil trabalhadores.
Rui Amaral (PSD), que presidiu à Comissão de Transportes do PE considerou que se “confundiu a política de transportes com infraestruturas, não se atribuiu a devida prioridade ao transporte urbano e sub-urbano, área que não é compatível com o livre jogo das regras do mercado, dado as obrigações de serviço público”
Bruxelas acusava o governo de tentar, por motivs eleitorais, que no QCA de 94/99 as ajudas se concentrassem em 95 e 96 e não de forma contínua até 99. Aliás o Director Geral do Desenvolvimento não se ensaiou nada para admitir “uma agenda escondida de fundos”, em que o Governo maquilhou o défice orçamenta l(fugindo às decisões de Edimburgo de Dezembro de 2002) fazendo os projectos deslizar para 2005.
Eis o Professor no seu esplendor, traçando a sua mais conhecida teoria económica e financeira, deixando Manuela Ferreira Leite e Bagão Félix como razoáveis aprendizes e empenhados discípulos.
O frenesi do saque
Depois da revisão constitucional de 1989 as privatizações passaram a ser o desígnio de salvação nacional. Das privatizações resultou o desmembramento das empresas, a constituição de holdings e cada vez mais dificuldades para as organizações dos trabalhadores, paralelamente a um ataque desenfreado contra os seus direitos. Salve-se quem puder, o emprego seguro é uma reliquia do passado, entrámos na modernidade, diziam os testas de ferro Cadilhe, Catroga, Braga de Macedo e repetiam as vozes do dono espalhadas pela comunicação social.
Tudo isto com selo cavaquista: o da total falta de transparência, do casuísmo e de obediência directa e pessoal aos especuladores e financeiros interessados.
Os cambalachos eram a regra. José Roquete dizia publicamente que se tinha conluiado com José Manuel de Mello, antes de concorrer à compra do Totta & Açores; o Grupo Espírito Santo exigiu publicamente a Tranquilidade e o BESCL, sem outros concorrentes; o Grupo Mello impôs a compra da Sociedade Financeira Portuguesa sem oposição. António Champallimaud apoiou-se num “acordo de cavalheiros” para concorrer sozinho e adquirir, por metade do preço considerado justo internacionalmente, a Mundial Confiança. Ricardo Espírito Santo Silva ao retomar o controlo da Tranquilidade pelo Grupo Espírito Santo reconheceu ter havido subavaliação do património imobiliário.
Convém lembrar que, por vezes, era o próprio grupo interessado que procedia à avaliação, como aconteceu com o grupo que adquiriu o Fonsecas & Burnay. E quando assim não era o Governo de Cavaco, sem justificação conhecida, chegava a fixar os valores base da privatização a níveis inferiores aos propostos pelas empresas avaliadoras, como aconteceu no caso da Tranquilidade e na primeira fase de privatização do BPA.
Mas nesta competição de criatividade no cambalacho Champallimaud levou a palma: contra a opinião da CMVM adquiriu 50% do Totta sem uma OPA geral e com o dinheiro do próprio banco, alegando muito candidamente que se esse dinheiro, afinal, feita a compra, passava a ser seu, não fazia diferença!
No meio disto tudo ninguém se arriscaria a chamar incendiário a António Champalimaud. E de facto não era. No entanto, nos inícios de 94, Cavaco deu ordem aos seus ministros do Planeamento, Agricultura e Ambiente para o deixarem construir um empreendimento turístico na Quinta da Marinha exactamente onde ocorreram os piores incêndios de 1990, estando por isso proibida qualquer construção até ao ano de 2000.
A marca de Cavaco por todo o lado
Mas nem só de medidas de vanguarda na economia vive o país.
Durante a guerra Irão-Iraque um navio português é apresado na Grécia com armas israelitas e portuguesas, da INDEP, a caminho do Irão. Por essa altura a polícia de Cavaco espancava brutalmente os trabalhadores da INDEP e o governo de traficantes suspendia as respectivas organizações representativas.
Sete anos mais tarde o caso do desaparecimento do Bolama veio mostrar como Cavaco Silva foi a uma bruxa russa que afirmava que o navio andava perto de Cabo Verde. Para aí deslocou a marinha os seus meios para depois o navio ter sido encontrado afundado a algumas milhas da costa ao largo do Cabo da Roca, como sempre fora dito pelo Presidente do Sindicato Livre dos Pescadores, Joaquim Piló. Mas entretanto houvera tempo para retirar a carga que motivara saída do navio sem as devidas autorizações e o seu posterior afundamento com trinta pessoas a bordo para sempre desaparecidas . Curiosamente, exactamente por essa altura , desapareceram quantidades substanciais de urânio, facto noticiado largamente. A recusa do Governo de Cavaco Silva em averiguar tudo o que se passou compromete-o.
Na madrugada de 16 de Abril de 1986, 18 aviões F-111 estadounidenses, atravessaram o espaço aéreo português para irem bombardear a Líbia. Cavaco em íntima afinidade com o ataque, manda expulsar vários cidadãos líbios pelo simples facto de o serem.
Dias depois, o Parlamento Europeu condenava violentamente aquele acto de agressão dos Estados Unidos á Líbia.
Em Janeiro de 1995 rebenta o escândalo: as OGMA reparavam helicópteros indonésios, os mesmos que iriam bombardear depois a resistência timorense.
Na cultura e na acção cívica Cavaco e os seus governos também marcaram a agenda: o Subsecretário de Estado Sousa Lara, com o apoio do Secretário de Estado Santana Lopes e o aval circunspecto de Cavaco Silva, proibiram José Saramago de concorrer com o seu romance “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” a um prémio internacional. Consta que o livro era herético.
Cavaco e a sua equipa recusam, em Janeiro de 95, apoiar as comemorações em memória de Humberto Delgado.
Cavaco marcou a sua época com a nomeação de uma personalidade de primeira água, o Dr. Ladeiro Monteiro, para dirigir o SIS (1986-94) criado pelo Governo do Bloco Central um ano antes. Monteiro ficou célebre pelas escutas ilegais efectuadas durante anos, nomeadamente a dirigentes políticos. A secreta portuguesa no tempo de Cavaco contou ainda com a DINFO, secreta militar, que recrutou agentes para os GAL que em Espanha sequestravam e assassinavam militantes da ETA, patriotas bascos e outros que não eram nem uma coisa nem outra. Em Espanha o ministro e outros altos responsáveis pela guerra suja foram julgados e condenados. Ao contrário do que se passou em Portugal, onde, aliás, os próprios agentes estavam impedidos por Cavaco de depor em Tribunal.
No entanto, impoluto e rigoroso professor viu a sua carreira ferida pela proposta de demissão da Função Pública, avançada pelo Conselho de Reitores em 1985. O motivo foi ter-se ausentado do serviço docente que lhe fora atribuído. Atenuantes, pressurosamente surgidas, impediram que a proposta fosse de expulsão. Afinal, Deus Pinheiro, ministro da Educação do Bloco Central, tinha-lhe concedido licença sem vencimento sem que para isso tivesse qualquer competência. Era matéria do Conselho de Reitores.( Foi assim: Oh João, safa-me lá que tenho de ir à Figueira fazer a rodagem ao carro.)
E, mais tarde, já nos últimos estertores governamentais, quando decide não arriscar a ida às urnas para ser julgado pelos desmandos e pela situação a que conduziu o país, ainda se insurge contra a notícia de uma investigação da PGR a obras em sua casa. Seriam, no caso, obras a mais e IVA a menos, com 348 contos por pagar. Mas aí a culpa terá sido de D. Maria.
Perante a evidência do pagamento ilegal de subsídios à fundação do PSD, Cavaco encontra o argumento de que o IPSD apenas é dirigido por uma pessoa próxima do PSD: Leonor Beleza.
Quem se viu atrapalhado foi Pacheco Pereira que, para tentar esconder a desagregação vertiginosa da maioria cavaquista, teve que impor uma espécie de censura prévia aos jornalistas que trabalhavam no Parlamento, ou seja os corredores para onde davam as portas dos gabinetes do PSD, não podiam ser frequentados pelos jornalistas parlamentares. A bronca foi grande e Pacheco não sendo tão fero quanto o seu vetusto antepassado, não conseguiu impor os seus intentos. Mas certamente que, a partir daí, passou a ser considerado o paradigma do político democrata e paladino da liberdade de imprensa.
Cavaco e os cavaquistas não passam disto. A mediocridade impante e voraz. Quer se encontrem em estado de Tabú – a sua grande criação - quer falem a várias vozes, todos eles e elas evocam o golpista Sá Carneiro e invocam a sua sabedoria para servir a finança. O “Portugal precisa de si” de hoje e o “ Reecontro com a história de Portugal...” de há vinte anos são, afinal, a expressão de uma espécie parasita de velha estirpe que mantém uma considerável fixação e pensa ser, agora, finalmente, que de forma um tanto espúria, vai ter um presidente, um governo e uma maioria.
Belmiro de Azevedo já profetizou: Cavaco e Sócratas, uma só voz
Os portugueses vão mostrar que não estão pelos ajustes.
21.12.05
#2
[Evangelho Boliviano]
(...)
Muito anos depois, já o foco libertador há muito se extinguira e fora enclausurado num mausoleu, O Socialismo, com toda a sua força criadora e regeneradora, retirou uma costela do seu semelhante, moldou-a e criou-a à imagem da América do Sul. Deu-lhe vida e chamou-lhe Evo (Morales).
Destinou-o a morder sempre o pecado, que não tem forma de maçã mas sim a das canelas de todos os filhos da puta que atentam contra a dignidade d@s pobres.
(...)
[Evangelho Boliviano]
(...)
Muito anos depois, já o foco libertador há muito se extinguira e fora enclausurado num mausoleu, O Socialismo, com toda a sua força criadora e regeneradora, retirou uma costela do seu semelhante, moldou-a e criou-a à imagem da América do Sul. Deu-lhe vida e chamou-lhe Evo (Morales).
Destinou-o a morder sempre o pecado, que não tem forma de maçã mas sim a das canelas de todos os filhos da puta que atentam contra a dignidade d@s pobres.
(...)
16.12.05
#2
[espírito de Guimarães]
Botelho Ribeiro, um candidato a candidato presidencial, pretende, entre outras coisas duvidosas, restaurar o espírito de Guimarães.
Calculo que , antes de sair de casa para vir a lisboa entregar as assinaturas no Tribunal Constitucional, o aspirante a chefe de estado, em nome da tradição, tenha dado uns valentes tabefes na senhora sua mãe...
[espírito de Guimarães]
Botelho Ribeiro, um candidato a candidato presidencial, pretende, entre outras coisas duvidosas, restaurar o espírito de Guimarães.
Calculo que , antes de sair de casa para vir a lisboa entregar as assinaturas no Tribunal Constitucional, o aspirante a chefe de estado, em nome da tradição, tenha dado uns valentes tabefes na senhora sua mãe...
#1
[orgias???]
Para não ser traido pelos seus preconceitos, Jerónimo de Sousa defendeu ontem, no debate com Louçã, um maior envolvimento da sociedade antes de se avançar para uma legalização do casamento entre homossexuais.
Ficou por saber como é que o camarada quer corporizar esta necessidade de debate.
[orgias???]
Para não ser traido pelos seus preconceitos, Jerónimo de Sousa defendeu ontem, no debate com Louçã, um maior envolvimento da sociedade antes de se avançar para uma legalização do casamento entre homossexuais.
Ficou por saber como é que o camarada quer corporizar esta necessidade de debate.
14.12.05
#1
[para mais tarde recordar...]
Marcado para morrer
Nuno Pacheco
in Público, 14 de Dezembro de 2005
A execução de Stanley Williams na Califórnia prova, mais uma vez, que o sistema baseado na pena de morte é não apenas injusto como repelente
Soube-se logo de manhã: executaram Stanley Williams. Como n" A Colónia Penal de Kafka, alguém quis provar que a máquina funciona, na sua fria implacabilidade. Sem atentar nos pormenores sórdidos da execução, estava em causa não apenas uma vida (o que é essencial para quem se opõe, em qualquer caso, à pena de morte) mas também uma lógica. Que homem morreu, na madrugada de ontem? O violento Stanley que aos 17 anos criou um temível gang de marginais em Los Angeles, os Crips? O condenado à pena máxima em 1981, acusado de ter morto a tiro quatro pessoas? O militante pacifista que em 1996 denunciou, em vários livros dirigidos aos estudantes do básico, a violência dos gangs quer outrora ajudou a criar? O autor do livro Life In Prison? O promotor do projecto "para a paz nas ruas", lançado na Internet com jovens de diferentes países? O homem nomeado várias vezes para o Nobel da Paz e pelo menos uma para o Nobel da Literatura? O laureado pelo Presidente dos Estados Unidos pela sua acção cívica?
Quantos homens habitam um homem? Quantos por ele passam, tornando-o diferente, outro, ainda que sob a mesma identidade? Quem dirige, hoje, os destinos da América? O alcoólico displicente dos anos 70? Ou o republicano liberal e religioso dos anos 90? E quem se senta na cadeira da presidência da Comissão Europeia? O maoísta convicto dos anos 70? Ou o social-democrata dos anos 90? O que pesa mais na vida de um homem que ascende a cargos vitais para o seu país ou para o mundo? O seu passado? Ou o seu presente? Nos casos, citados, de Bush Jr. e Durão Barroso, ninguém duvidará: o seu presente. No caso de Stanley, sucedeu o inverso: apesar do caminho percorrido, apesar de uma absoluta (e reconhecida, até pelo Presidente dos EUA) mudança na sua vida e personalidade, o que pesou foi apenas o passado. E por isso o mataram. Dir-se-á: uma coisa são devaneios ou erros de percurso, outra são crimes. Sem dúvida. Mas Stanley terá sido, de facto, o autor material das quatro mortes contabilizadas nos anos 70? As provas, como alertou por diversas vezes a insuspeita Amnistia Internacional, foram produzidas com base "em testemunhos de criminosos que estavam presos ou no corredor da morte pelos mais variados crimes e que beneficiaram de reduções de pena ou foram libertados em troca de testemunhos". Na sordidez de San Quentin, a vida é apenas um negócio passageiro. Não, A Colónia Penal de Kafka não está assim tão longe da Califórnia. Porque a morte, ou melhor, o abate impiedoso de Stanley Williams serviu apenas para provar que a máquina funciona e é cega para sobreviver. Assim como sobreviveram os que, à custa da morte de Stanley, salvaram a própria pele. O mais absurdo, ainda, é o facto de um homem passar 24 anos atrás das grades, ser modificado por elas, alterar por completo o seu comportamento e atitude perante o mundo e, no preciso momento em que é louvado e aplaudido, tirarem-lhe a vida por um crime supostamente praticado há quase três décadas. Kafka? Não só: a execução de Stanley prova, mais uma vez, que o sistema baseado na pena de morte é não apenas injusto como repelente. Porque conseguiu o prodígio de poupar um criminoso e, muitos anos depois, matar o homem decente que nele nascera. Para ser abatido em seu lugar.
[para mais tarde recordar...]
Marcado para morrer
Nuno Pacheco
in Público, 14 de Dezembro de 2005
A execução de Stanley Williams na Califórnia prova, mais uma vez, que o sistema baseado na pena de morte é não apenas injusto como repelente
Soube-se logo de manhã: executaram Stanley Williams. Como n" A Colónia Penal de Kafka, alguém quis provar que a máquina funciona, na sua fria implacabilidade. Sem atentar nos pormenores sórdidos da execução, estava em causa não apenas uma vida (o que é essencial para quem se opõe, em qualquer caso, à pena de morte) mas também uma lógica. Que homem morreu, na madrugada de ontem? O violento Stanley que aos 17 anos criou um temível gang de marginais em Los Angeles, os Crips? O condenado à pena máxima em 1981, acusado de ter morto a tiro quatro pessoas? O militante pacifista que em 1996 denunciou, em vários livros dirigidos aos estudantes do básico, a violência dos gangs quer outrora ajudou a criar? O autor do livro Life In Prison? O promotor do projecto "para a paz nas ruas", lançado na Internet com jovens de diferentes países? O homem nomeado várias vezes para o Nobel da Paz e pelo menos uma para o Nobel da Literatura? O laureado pelo Presidente dos Estados Unidos pela sua acção cívica?
Quantos homens habitam um homem? Quantos por ele passam, tornando-o diferente, outro, ainda que sob a mesma identidade? Quem dirige, hoje, os destinos da América? O alcoólico displicente dos anos 70? Ou o republicano liberal e religioso dos anos 90? E quem se senta na cadeira da presidência da Comissão Europeia? O maoísta convicto dos anos 70? Ou o social-democrata dos anos 90? O que pesa mais na vida de um homem que ascende a cargos vitais para o seu país ou para o mundo? O seu passado? Ou o seu presente? Nos casos, citados, de Bush Jr. e Durão Barroso, ninguém duvidará: o seu presente. No caso de Stanley, sucedeu o inverso: apesar do caminho percorrido, apesar de uma absoluta (e reconhecida, até pelo Presidente dos EUA) mudança na sua vida e personalidade, o que pesou foi apenas o passado. E por isso o mataram. Dir-se-á: uma coisa são devaneios ou erros de percurso, outra são crimes. Sem dúvida. Mas Stanley terá sido, de facto, o autor material das quatro mortes contabilizadas nos anos 70? As provas, como alertou por diversas vezes a insuspeita Amnistia Internacional, foram produzidas com base "em testemunhos de criminosos que estavam presos ou no corredor da morte pelos mais variados crimes e que beneficiaram de reduções de pena ou foram libertados em troca de testemunhos". Na sordidez de San Quentin, a vida é apenas um negócio passageiro. Não, A Colónia Penal de Kafka não está assim tão longe da Califórnia. Porque a morte, ou melhor, o abate impiedoso de Stanley Williams serviu apenas para provar que a máquina funciona e é cega para sobreviver. Assim como sobreviveram os que, à custa da morte de Stanley, salvaram a própria pele. O mais absurdo, ainda, é o facto de um homem passar 24 anos atrás das grades, ser modificado por elas, alterar por completo o seu comportamento e atitude perante o mundo e, no preciso momento em que é louvado e aplaudido, tirarem-lhe a vida por um crime supostamente praticado há quase três décadas. Kafka? Não só: a execução de Stanley prova, mais uma vez, que o sistema baseado na pena de morte é não apenas injusto como repelente. Porque conseguiu o prodígio de poupar um criminoso e, muitos anos depois, matar o homem decente que nele nascera. Para ser abatido em seu lugar.
13.12.05
#1
[progressistas ma non tropo]
Segundo notícia do público de hoje, entre os correlegionários de Tomás Hirch, o candidato mais à esquerda nas presidenciais do Chile de domingo passado, há quem entenda que o país ainda não está pronto para ter uma mulher a liderá-lo...
Talvez por isso, até agora ainda não decidiram apoiar a Socialista Michelle Bachelet na segunda volta, deixando-a mais vulnerável a ser derrotada pelas direitas - a democrática e a saudosista de Pinochet - que, entretanto, já se uniram.
[progressistas ma non tropo]
Segundo notícia do público de hoje, entre os correlegionários de Tomás Hirch, o candidato mais à esquerda nas presidenciais do Chile de domingo passado, há quem entenda que o país ainda não está pronto para ter uma mulher a liderá-lo...
Talvez por isso, até agora ainda não decidiram apoiar a Socialista Michelle Bachelet na segunda volta, deixando-a mais vulnerável a ser derrotada pelas direitas - a democrática e a saudosista de Pinochet - que, entretanto, já se uniram.
9.12.05
6.12.05
5.12.05
2.12.05
25.11.05
#1
[Sem Comentários]
O PCP mantém relações com países não-democráticos?
[Pausa] O entendimento do que é democrático ou não dava-nos matéria para outra entrevista... De que é que fala? De países onde não há eleições ou pluripartidarismo?
Por exemplo...
Nós procuramos manter relações com partidos progressistas e democráticos de todo o mundo. Nessas relações, nós afirmamos, com muita clareza, que a sociedade por que nos batemos em Portugal diferencia-se de qualquer outra, seja de Cuba, seja da China, seja do Brasil. Temos um projecto próprio. Isto não invalida que acompanhemos os esforços de tal ou tal partido, para a defesa do seu povo. Mas não copiamos modelos, não temos um modelo de referência.
há dias um jovem chinês foi condenado a 12 anos de prisao pelo que escreveu , na Internet. Acha isto tolerável?
[Pausa] Eu já estive na China algumas vezes e fico mpressionado porque nós, os chamados ocidentais, temos valores e formas de estar totalmente diferentes dos chineses. Tratar com ligeireza este ou aquele aspecto pontual, positivo ou negativo, e não estou a fazer qualquer apreciação, é um erro. Aquela é outra cultura.
Jerónimo de Sousa in Visão, 24 Novembro de 2005
[Sem Comentários]
O PCP mantém relações com países não-democráticos?
[Pausa] O entendimento do que é democrático ou não dava-nos matéria para outra entrevista... De que é que fala? De países onde não há eleições ou pluripartidarismo?
Por exemplo...
Nós procuramos manter relações com partidos progressistas e democráticos de todo o mundo. Nessas relações, nós afirmamos, com muita clareza, que a sociedade por que nos batemos em Portugal diferencia-se de qualquer outra, seja de Cuba, seja da China, seja do Brasil. Temos um projecto próprio. Isto não invalida que acompanhemos os esforços de tal ou tal partido, para a defesa do seu povo. Mas não copiamos modelos, não temos um modelo de referência.
há dias um jovem chinês foi condenado a 12 anos de prisao pelo que escreveu , na Internet. Acha isto tolerável?
[Pausa] Eu já estive na China algumas vezes e fico mpressionado porque nós, os chamados ocidentais, temos valores e formas de estar totalmente diferentes dos chineses. Tratar com ligeireza este ou aquele aspecto pontual, positivo ou negativo, e não estou a fazer qualquer apreciação, é um erro. Aquela é outra cultura.
Jerónimo de Sousa in Visão, 24 Novembro de 2005
17.11.05
#2
[redução de riscos]
33.965.851 - numero de recolhidas nas farmácias entre 1993 e 31 de maio de 2005 ao abrigo do programa "diz não a uma seringa em segunda mão"
8 milhões de euros de investimento, que evitaram que 7 em cada 10 utilizadores fossem infectados, calculando-se um beneficio potencial de 1700 milhões de euros.
dados da Associação Nacional de Farmácias
[redução de riscos]
33.965.851 - numero de recolhidas nas farmácias entre 1993 e 31 de maio de 2005 ao abrigo do programa "diz não a uma seringa em segunda mão"
8 milhões de euros de investimento, que evitaram que 7 em cada 10 utilizadores fossem infectados, calculando-se um beneficio potencial de 1700 milhões de euros.
dados da Associação Nacional de Farmácias
16.11.05
#3
[para variar, um post pessoal]
há muito tempo que decretei o fim do natal
a coisa não tem piada, é chata, é um hino ao consumismo, irritam-me as luzes, as cores, a amizade e compaixão de pacote, a generosidade obrigada para com aqueles a que andamos a desdenhar durante todo o ano... enfim, a banalidade.
mas este ano há algo diferente. depois de um pequeno desvio ideológico no ano passado, fruto de uma fotografia bem tirada e melhor ampliada, este ano espero o natal como há muito não acontecia.
como fui um menino bem comportado, sei que terei uma prenda, só para mim, vinda do frio. :)
[para variar, um post pessoal]
há muito tempo que decretei o fim do natal
a coisa não tem piada, é chata, é um hino ao consumismo, irritam-me as luzes, as cores, a amizade e compaixão de pacote, a generosidade obrigada para com aqueles a que andamos a desdenhar durante todo o ano... enfim, a banalidade.
mas este ano há algo diferente. depois de um pequeno desvio ideológico no ano passado, fruto de uma fotografia bem tirada e melhor ampliada, este ano espero o natal como há muito não acontecia.
como fui um menino bem comportado, sei que terei uma prenda, só para mim, vinda do frio. :)
#2
[trago notícias da guerra...]
- Rumsfeld admitiu que a smoking gun de Collin Powell era uma mentira. Dizem as más linguas que foram os serviços secretos italianos que criaram o embuste, Berlusconi nega.
- O Exercito Americano admite ter usado fósforo branco em Fallujah, negando te-lo aplicado em civis. Diz o guardian e a RAI que os civis não foram poupados.
- A CIA fretou aviões para transporte de prisioneiros para prisões secretas, situadas em diversas partes do mundo, onde a convenção de genebra e os direitos humanos... diz a revista focus de hoje que esses aviões terão feito escala em território nacional.
[trago notícias da guerra...]
- Rumsfeld admitiu que a smoking gun de Collin Powell era uma mentira. Dizem as más linguas que foram os serviços secretos italianos que criaram o embuste, Berlusconi nega.
- O Exercito Americano admite ter usado fósforo branco em Fallujah, negando te-lo aplicado em civis. Diz o guardian e a RAI que os civis não foram poupados.
- A CIA fretou aviões para transporte de prisioneiros para prisões secretas, situadas em diversas partes do mundo, onde a convenção de genebra e os direitos humanos... diz a revista focus de hoje que esses aviões terão feito escala em território nacional.
14.11.05
#1
[um país de privilegiados...]
alguns números que mostram o quanto o nosso país está desenvolvido:
- 385 mil pessoas ganham o salário mínimo nacional - cerca de 380 euros, enquanto o salário médio ronda os 700 euros
- 620 mil desempregados
- 2,4 milhões de pensionistas, dos quais metade recebe menos de 300 euros mensais - a pensão média em Portugal ronda os 280 euros.
ou seja, por alto, mais de 1/4 da população portuguesa vive no limiar da pobreza.
pensemos então em quem nos governou nos últimos 30 anos?
o PS de Mário Soares, Guterres e Sócrates - sempre apoiados pelo deputado/poeta Manuel Alegre...
O PSD dos desejados Sá Carneiro e Cavaco Silva, e dos erros de casting Durão e Santana ...
O PP de Portas e Bagão...
[um país de privilegiados...]
alguns números que mostram o quanto o nosso país está desenvolvido:
- 385 mil pessoas ganham o salário mínimo nacional - cerca de 380 euros, enquanto o salário médio ronda os 700 euros
- 620 mil desempregados
- 2,4 milhões de pensionistas, dos quais metade recebe menos de 300 euros mensais - a pensão média em Portugal ronda os 280 euros.
ou seja, por alto, mais de 1/4 da população portuguesa vive no limiar da pobreza.
pensemos então em quem nos governou nos últimos 30 anos?
o PS de Mário Soares, Guterres e Sócrates - sempre apoiados pelo deputado/poeta Manuel Alegre...
O PSD dos desejados Sá Carneiro e Cavaco Silva, e dos erros de casting Durão e Santana ...
O PP de Portas e Bagão...
11.11.05
#1
[educação sexual II*]
Na semana passada faleceu, em Viseu, uma prostituta que, entre colegas de profissão e muitos homens, era conhecida por prestar serviços sem preservativo, como o papa manda e os machos de verdade gostam.
o grande problema é que a senhora estaria infectada por VIH, tendo falecido de uma patologia associada. Parece que em viseu há muito homem (desses que são machos de verdade) que anda enrascado...
*ou: não consigo deixar de me espantar com estas coisas...
ou ainda: como 50 anos de deus pátria e familia, 10 anos de novo riquismo cavaquista e muita conservadorismo são responsáveis pelo atraso intelectual de uma população...
[educação sexual II*]
Na semana passada faleceu, em Viseu, uma prostituta que, entre colegas de profissão e muitos homens, era conhecida por prestar serviços sem preservativo, como o papa manda e os machos de verdade gostam.
o grande problema é que a senhora estaria infectada por VIH, tendo falecido de uma patologia associada. Parece que em viseu há muito homem (desses que são machos de verdade) que anda enrascado...
*ou: não consigo deixar de me espantar com estas coisas...
ou ainda: como 50 anos de deus pátria e familia, 10 anos de novo riquismo cavaquista e muita conservadorismo são responsáveis pelo atraso intelectual de uma população...
9.11.05
#1
[educação sexual]
"se queres ser lésbica, és das portas da minha escola para fora, não admito esse tipo de comportamentos aqui".
dito a uma Aluna de 17 pela vice-presidente do Conselho Executivo da Escola António Sérgio, em Gaia, in DN, 9 de Novembro de 2005
[educação sexual]
"se queres ser lésbica, és das portas da minha escola para fora, não admito esse tipo de comportamentos aqui".
dito a uma Aluna de 17 pela vice-presidente do Conselho Executivo da Escola António Sérgio, em Gaia, in DN, 9 de Novembro de 2005
31.10.05
#2
[(in)discreto charme da burguesia* ...]
Cavaco vai ganhar e vai ser um excelente Presidente, para trabalhar com um excelente primeiro ministro.
Belmiro de Azevedo, in Público, 31 de Outubro de 2005
* ou mais elementos para sustentar a teoria que a direcção do PS se empenha na vitória do seu verdadeiro candidato:
[(in)discreto charme da burguesia* ...]
Cavaco vai ganhar e vai ser um excelente Presidente, para trabalhar com um excelente primeiro ministro.
Belmiro de Azevedo, in Público, 31 de Outubro de 2005
* ou mais elementos para sustentar a teoria que a direcção do PS se empenha na vitória do seu verdadeiro candidato:
#1
[diplomacia]
O Governo da Republica Federal da Servia e Montenegro nomeou, recentemente, Dusan Kovacevic como seu embaixador em Lisboa.
Até aqui tudo bem, são procedimentos normais.
O pormenor curioso (e divertido) de tudo isto é que Kovacevic não é diplomata de carreira, mas sim escritor, tendo sido autor, no inicio da década de 90, do guião de Underground, era uma vez um país, filme que pôs Emir Kusturica nas bocas do mundo.
cheira-me que, depois de uma temporada neste cantinho à beira mar plantado, Kusturica terá argumentos para acrescentar ao seu naipe de surrealidades.
[diplomacia]
O Governo da Republica Federal da Servia e Montenegro nomeou, recentemente, Dusan Kovacevic como seu embaixador em Lisboa.
Até aqui tudo bem, são procedimentos normais.
O pormenor curioso (e divertido) de tudo isto é que Kovacevic não é diplomata de carreira, mas sim escritor, tendo sido autor, no inicio da década de 90, do guião de Underground, era uma vez um país, filme que pôs Emir Kusturica nas bocas do mundo.
cheira-me que, depois de uma temporada neste cantinho à beira mar plantado, Kusturica terá argumentos para acrescentar ao seu naipe de surrealidades.
27.10.05
26.10.05
13.10.05
10.10.05
#1
[chuva]
Chove. Há silêncio, porque a mesma chuva
Não faz ruído senão com sossego.
Chove. O céu dorme. Quando a alma é viúva
Do que não sabe, o sentimento é cego.
Chove. Meu ser (quem sou) renego...
Tão calma é a chuva que se solta no ar
(Nem parece de nuvens) que parece
Que não é chuva, mas um sussurrar
Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece.
Chove. Nada apetece...
Não paira vento, não há céu que eu sinta.
Chove longínqua e indistintamente,
Como uma coisa certa que nos minta,
Como um grande desejo que nos mente.
Chove. Nada em mim sente...
Fernando Pessoa, Cancioneiro
[chuva]
Chove. Há silêncio, porque a mesma chuva
Não faz ruído senão com sossego.
Chove. O céu dorme. Quando a alma é viúva
Do que não sabe, o sentimento é cego.
Chove. Meu ser (quem sou) renego...
Tão calma é a chuva que se solta no ar
(Nem parece de nuvens) que parece
Que não é chuva, mas um sussurrar
Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece.
Chove. Nada apetece...
Não paira vento, não há céu que eu sinta.
Chove longínqua e indistintamente,
Como uma coisa certa que nos minta,
Como um grande desejo que nos mente.
Chove. Nada em mim sente...
Fernando Pessoa, Cancioneiro
6.10.05
#1
[ponto de ordem à mesa]
trabalho e mais trabalho. não tenho feito mais do que isso.
há momentos (raros) em me esqueço do frenesim, e julgo apreciar este verão que se prolonga por Outubro dentro. faz-me lembrar dias de infância.
mas volta o turbilhão, não me deixando aperciar devidamente o cheiro das flores de nespereira ou a desgarrada dos passaros ao final do dia.
está a acabar. u Esta etapa, pelo menos, porque depois haverá mais trabalho, muito mais.
Cada vez percebo melhor os motivos que levam Xanana Gusmão a querer deixar a vida e dedicar-se à agricultura. o descanso é uma ilusão.
Sinto o corpo a chamar-me para a estrada. desejo ardentemente desligar o telefone e cortar o cordão umbilical com a realidade. Na semana que vem parto... ainda saberei como ler um mapa? ainda conseguirei adivinhar o tempo pelo vento, ainda existirão estrelas a indicar o norte?
o meu desejo é tão grande que não há palavras que o possam abarcar.
[ponto de ordem à mesa]
trabalho e mais trabalho. não tenho feito mais do que isso.
há momentos (raros) em me esqueço do frenesim, e julgo apreciar este verão que se prolonga por Outubro dentro. faz-me lembrar dias de infância.
mas volta o turbilhão, não me deixando aperciar devidamente o cheiro das flores de nespereira ou a desgarrada dos passaros ao final do dia.
está a acabar. u Esta etapa, pelo menos, porque depois haverá mais trabalho, muito mais.
Cada vez percebo melhor os motivos que levam Xanana Gusmão a querer deixar a vida e dedicar-se à agricultura. o descanso é uma ilusão.
Sinto o corpo a chamar-me para a estrada. desejo ardentemente desligar o telefone e cortar o cordão umbilical com a realidade. Na semana que vem parto... ainda saberei como ler um mapa? ainda conseguirei adivinhar o tempo pelo vento, ainda existirão estrelas a indicar o norte?
o meu desejo é tão grande que não há palavras que o possam abarcar.
28.9.05
26.9.05
22.9.05
#1
[descomprimir]
hoje tinha uma lista de tarefas. prioridades urgentes que necessitavam de resposta. tudo anotado numa folha.
o telefone começou a tocar cedo, mau sinal.
apareceu uma tarefa de ultima hora que se adiantou às prioridades definidas. E depois outra e mais outra.
comboios daqui para ali, entregas e procuras. matemáticas bicudas e gestão romboédrica das semsibilidades. e o telefone sempre a tocar.
mais coisas para fazer. a adrenalina a voar nas veias. o ruido maquinal da cidade a atravessar-me os olhos.
às 18h ligo o computador. começo a pensar na tão distante lista de prioridadesurgentes ainda por responder. o corpo começa a ceder, o silêncio assalta-me.
onde estou? o que andei a fazer este tempo todo longe de mim? que sentimento é este que tão depressa é de confiança e plenitude como de impotência e angustia? que respostas procuro e que perguntas tenho para fazer?
apercebo-me do silêncio e que o verão acabou enquanto eu corria. não sei quem correu mais nestes três meses, se o verão se eu. ainda o ouço morrer ao longe, lá para os lados do tejo.
[descomprimir]
hoje tinha uma lista de tarefas. prioridades urgentes que necessitavam de resposta. tudo anotado numa folha.
o telefone começou a tocar cedo, mau sinal.
apareceu uma tarefa de ultima hora que se adiantou às prioridades definidas. E depois outra e mais outra.
comboios daqui para ali, entregas e procuras. matemáticas bicudas e gestão romboédrica das semsibilidades. e o telefone sempre a tocar.
mais coisas para fazer. a adrenalina a voar nas veias. o ruido maquinal da cidade a atravessar-me os olhos.
às 18h ligo o computador. começo a pensar na tão distante lista de prioridadesurgentes ainda por responder. o corpo começa a ceder, o silêncio assalta-me.
onde estou? o que andei a fazer este tempo todo longe de mim? que sentimento é este que tão depressa é de confiança e plenitude como de impotência e angustia? que respostas procuro e que perguntas tenho para fazer?
apercebo-me do silêncio e que o verão acabou enquanto eu corria. não sei quem correu mais nestes três meses, se o verão se eu. ainda o ouço morrer ao longe, lá para os lados do tejo.
13.9.05
#1
[out side is américa]
limpeza da secretária. hard work.
entre dicionários, CD's, disquetes, livros vários e papel disperso, encontrei um exemplar do Dn de 31 de Agosto. A chamada da capa fala de uma grande inundação em Nova Orleãe, no coração do império americano... não fosse tão tragico e pareceria ironico.
Passo os olhos pela imprensa, lembo os noticiarios e os comentaristas, e tenho a sensação de que aquilo que fui lendo e ouvindo parece uma história de terror mal contada. tudo parece mentira.
hoje, ao olhar para um jornal perdido na minha secretária, 15 dias depois, volto a ter a mesma dor incrédula: é mau de mais para ser verdade...
mas aconteceu, está a acontecer.
[out side is américa]
limpeza da secretária. hard work.
entre dicionários, CD's, disquetes, livros vários e papel disperso, encontrei um exemplar do Dn de 31 de Agosto. A chamada da capa fala de uma grande inundação em Nova Orleãe, no coração do império americano... não fosse tão tragico e pareceria ironico.
Passo os olhos pela imprensa, lembo os noticiarios e os comentaristas, e tenho a sensação de que aquilo que fui lendo e ouvindo parece uma história de terror mal contada. tudo parece mentira.
hoje, ao olhar para um jornal perdido na minha secretária, 15 dias depois, volto a ter a mesma dor incrédula: é mau de mais para ser verdade...
mas aconteceu, está a acontecer.
9.9.05
[interregno no silência]
9 meses sem chuva e ela chega logo neste fim de semana...
mala vitta!
não ando com vontade de escrever sobre as banalidades do dia a dia, ando demasiado ocupado para ter uma perspectiva existencial da coisa.
regresso à minha imersão de trabalho, escrevo quando me apetecer.
até já.
9 meses sem chuva e ela chega logo neste fim de semana...
mala vitta!
não ando com vontade de escrever sobre as banalidades do dia a dia, ando demasiado ocupado para ter uma perspectiva existencial da coisa.
regresso à minha imersão de trabalho, escrevo quando me apetecer.
até já.
30.8.05
#2
[o nono sense dos outros]
a minha pátria não é a minha língua.
a minha pátria são os meus afectos.
a minha pátria começa nas minhas mãos
e tem nas tuas a única fronteira.
as nossas mãos dadas não precisam de palavras
e por isso escrevem-se do mesma maneira
em qualquer língua. (enganou-se
o poeta. os poetas enganam-se muitas vezes.
mas a poesia é isso mesmo - uma procura
e muitos erros.)
obrigadinho pedro
[o nono sense dos outros]
a minha pátria não é a minha língua.
a minha pátria são os meus afectos.
a minha pátria começa nas minhas mãos
e tem nas tuas a única fronteira.
as nossas mãos dadas não precisam de palavras
e por isso escrevem-se do mesma maneira
em qualquer língua. (enganou-se
o poeta. os poetas enganam-se muitas vezes.
mas a poesia é isso mesmo - uma procura
e muitos erros.)
obrigadinho pedro
#1
[a loucura...]
hoje tive uma surpresa inquietante... o hotmail alargou a capacidade da sua caixa de correio de 2 para 25 megas! doidões! generosos! malukos! beneméritos! visionários!!!!
Aposto que o yahoo e o gmail estão cheios de medo que esta atempada medida, esta jogada de antecipação (!), me faça fechar as contas que ali tenho... obrigadinho bill gates!
[a loucura...]
hoje tive uma surpresa inquietante... o hotmail alargou a capacidade da sua caixa de correio de 2 para 25 megas! doidões! generosos! malukos! beneméritos! visionários!!!!
Aposto que o yahoo e o gmail estão cheios de medo que esta atempada medida, esta jogada de antecipação (!), me faça fechar as contas que ali tenho... obrigadinho bill gates!
29.8.05
26.8.05
25.8.05
#2
[paridos irmãos]
no numero de hoje do avante há referencia aos partidos irmãos do pcp que estarão representados na festa deste ano. Como não podia deixar de ser, entre muitos encontram-se esses mui comunistas e democratas PCChinês e o MPLA.
A novidade é que, na lista, falta um habitué, o PC da Coreia Norte... será que o pcp finalemnete percebeu, ou têm apenas vergonha de admitir que estes progressistas de olho em bico também têm lugar marcado na atalaia?
[paridos irmãos]
no numero de hoje do avante há referencia aos partidos irmãos do pcp que estarão representados na festa deste ano. Como não podia deixar de ser, entre muitos encontram-se esses mui comunistas e democratas PCChinês e o MPLA.
A novidade é que, na lista, falta um habitué, o PC da Coreia Norte... será que o pcp finalemnete percebeu, ou têm apenas vergonha de admitir que estes progressistas de olho em bico também têm lugar marcado na atalaia?
24.8.05
#2
[vistas largas]
Como vão os palestinianos responder à retirada unilateral israelita?
Amos Oz, Escritor israelita
in Público, 24 de Agosto 2005
Os colonos judeus na Faixa de Gaza e na Cisjordânia têm um sonho para o futuro de Israel. Também eu tenho um sonho para o futuro de Israel. Mas o doce sonho deles é o meu pesadelo, enquanto os meus sonhos são, para eles, veneno.
O sonho dos colonos é criar um "Grande Israel" com colonatos judaicos colados uns aos outros. Nesses colonatos só os judeus podem viver e os palestinianos só lá podem trabalhar, empregos modestos com salários baixos. Num Estado assim, a democracia teria de se submeter aos rabis. O Knesset [Parlamento], o Governo, o Supremo Tribunal só seriam autorizados a existir se os rabis aprovassem as suas decisões. Os colonos acreditam que, logo que o Grande Israel se torne numa entidade religiosa e numa "Nação Sagrada", o Messias virá e a total redenção do povo judeu se materializará.
Nesta fantasia dos colonos não há lugar para o povo palestiniano excepto como humildes servos e trabalhadores agradecidos. Mais, na fantasia dos colonos não há lugar para mim, não há lugar para um Israel secular, moderno. Eu e os meus amigos estamos "fora" a não ser que nos arrependamos. Pelo menos não devemos ser obstáculo à construção de mais colonatos nem à expansão dos que já existem. Se nós, israelitas laicos, apagarmos a nossa própria existência, os colonos farão cair sobre nós o seu amor fraterno. Mas se insistirmos que temos uma visão diferente para Israel, imediatamente nos tornaremos traidores, amigos dos árabes, ou até nazis.
No entanto, também nós temos um sonho para Israel, totalmente diferente da fantasia religiosa dos colonos. Queremos viver em paz e em liberdade, mas não sob o poder dos rabis, nem sequer sob o poder do Messias, mas sujeitos a um governo eleito por nós.
Temos um sonho de nos libertarmos da longa ocupação dos territórios palestinianos. Israel e Palestina são, há quase 40 anos, como um carcereiro e um prisioneiro, algemados um ao outro. Depois de tantos anos já quase não há diferença - o carcereiro não é livre e o prisioneiro não é livre. Israel só será uma nação livre quando acabarem a ocupação e os colonatos e a Palestina se tornar um país vizinho independente.
Há 30 anos que os colonos controlam Israel através de vários governos. Eles impuseram a sua visão e esmagaram os nossos sonhos. Eles eram os senhores do país.
O primeiro-ministro Ariel Sharon anda por estes dias a tentar lançar uma espécie de putsch contra o poder dos colonos. Esta é uma tentativa de restaurar a autoridade do governo eleito. Se isto resultar, o sonho dos colonos poderá ser bloqueado e a visão dos israelitas seculares poderá reviver.
A luta em Gaza não é, no essencial, uma luta entre o exército e os colonos, nem sequer entre "falcões" e "pombas". Não. É uma luta entre Igreja e Estado (para ser mais fiel, entre Sinagoga e Estado). Isto é algo por que passaram muitas nações: quais devem ser a posição e a influência da religião e dos clérigos na governação de um país? Alguns países já resolveram isto há séculos. Outras nações andam a tentar resolver isto há tempos infindáveis. O mundo muçulmano, à excepção da Turquia, nem sequer começou.
Nestes últimos dias, em Gaza, testemunhámos o que pode, em retrospectiva, ser a primeira batalha entre a Sinagoga e o Estado em Israel, o primeiro confronto sobre o carácter judaico do único Estado judaico. Somos nós, acima de tudo, uma religião, ou somos nós, acima de tudo, uma nação?
Neste primeiro round parece que o Israel pragmático, racional, secular prevaleceu dolorosamente sobre o Israel fanático. Mas não esqueçamos de que este é apenas o primeiro round. Os colonos e os outros israelitas como nós podem sentir-se orgulhosos com o facto de, ao contrário de muitas guerras sangrentas entre a Igreja e o Estado em vários países, ao longo da História, o primeiro round em Gaza ter sido violento mas não mortífero. Houve muita fúria e ruído mas não massacre. As outras fases serão assim? Será assim quando chegar a altura de desistir da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental em troca da paz com os palestinianos? Estas questões dependem não só dos israelitas, religiosos e laicos, "falcões" e "pombas", da esquerda e da direita.
Estas questões dependem muito da resposta dos palestinianos. Será que os palestinianos olham para tudo isto como um corajoso passo de Israel em direcção a um compromisso histórico com eles? Irão eles retribuir dando passos corajosos em relação aos seus próprios fanáticos? Ou será que eles olham para os confrontos entre judeus e judeus como o primeiro síndroma da desintegração de Israel e vão tentar inflamar a situação interna israelita lançando uma nova vaga de violência e terrorismo?
Diz um velho provérbio árabe que "não se bate palmas só com uma mão". Muito vai depender do modo como os palestinianos interpretarão a luta entre judeus e judeus em Gaza.
[vistas largas]
Como vão os palestinianos responder à retirada unilateral israelita?
Amos Oz, Escritor israelita
in Público, 24 de Agosto 2005
Os colonos judeus na Faixa de Gaza e na Cisjordânia têm um sonho para o futuro de Israel. Também eu tenho um sonho para o futuro de Israel. Mas o doce sonho deles é o meu pesadelo, enquanto os meus sonhos são, para eles, veneno.
O sonho dos colonos é criar um "Grande Israel" com colonatos judaicos colados uns aos outros. Nesses colonatos só os judeus podem viver e os palestinianos só lá podem trabalhar, empregos modestos com salários baixos. Num Estado assim, a democracia teria de se submeter aos rabis. O Knesset [Parlamento], o Governo, o Supremo Tribunal só seriam autorizados a existir se os rabis aprovassem as suas decisões. Os colonos acreditam que, logo que o Grande Israel se torne numa entidade religiosa e numa "Nação Sagrada", o Messias virá e a total redenção do povo judeu se materializará.
Nesta fantasia dos colonos não há lugar para o povo palestiniano excepto como humildes servos e trabalhadores agradecidos. Mais, na fantasia dos colonos não há lugar para mim, não há lugar para um Israel secular, moderno. Eu e os meus amigos estamos "fora" a não ser que nos arrependamos. Pelo menos não devemos ser obstáculo à construção de mais colonatos nem à expansão dos que já existem. Se nós, israelitas laicos, apagarmos a nossa própria existência, os colonos farão cair sobre nós o seu amor fraterno. Mas se insistirmos que temos uma visão diferente para Israel, imediatamente nos tornaremos traidores, amigos dos árabes, ou até nazis.
No entanto, também nós temos um sonho para Israel, totalmente diferente da fantasia religiosa dos colonos. Queremos viver em paz e em liberdade, mas não sob o poder dos rabis, nem sequer sob o poder do Messias, mas sujeitos a um governo eleito por nós.
Temos um sonho de nos libertarmos da longa ocupação dos territórios palestinianos. Israel e Palestina são, há quase 40 anos, como um carcereiro e um prisioneiro, algemados um ao outro. Depois de tantos anos já quase não há diferença - o carcereiro não é livre e o prisioneiro não é livre. Israel só será uma nação livre quando acabarem a ocupação e os colonatos e a Palestina se tornar um país vizinho independente.
Há 30 anos que os colonos controlam Israel através de vários governos. Eles impuseram a sua visão e esmagaram os nossos sonhos. Eles eram os senhores do país.
O primeiro-ministro Ariel Sharon anda por estes dias a tentar lançar uma espécie de putsch contra o poder dos colonos. Esta é uma tentativa de restaurar a autoridade do governo eleito. Se isto resultar, o sonho dos colonos poderá ser bloqueado e a visão dos israelitas seculares poderá reviver.
A luta em Gaza não é, no essencial, uma luta entre o exército e os colonos, nem sequer entre "falcões" e "pombas". Não. É uma luta entre Igreja e Estado (para ser mais fiel, entre Sinagoga e Estado). Isto é algo por que passaram muitas nações: quais devem ser a posição e a influência da religião e dos clérigos na governação de um país? Alguns países já resolveram isto há séculos. Outras nações andam a tentar resolver isto há tempos infindáveis. O mundo muçulmano, à excepção da Turquia, nem sequer começou.
Nestes últimos dias, em Gaza, testemunhámos o que pode, em retrospectiva, ser a primeira batalha entre a Sinagoga e o Estado em Israel, o primeiro confronto sobre o carácter judaico do único Estado judaico. Somos nós, acima de tudo, uma religião, ou somos nós, acima de tudo, uma nação?
Neste primeiro round parece que o Israel pragmático, racional, secular prevaleceu dolorosamente sobre o Israel fanático. Mas não esqueçamos de que este é apenas o primeiro round. Os colonos e os outros israelitas como nós podem sentir-se orgulhosos com o facto de, ao contrário de muitas guerras sangrentas entre a Igreja e o Estado em vários países, ao longo da História, o primeiro round em Gaza ter sido violento mas não mortífero. Houve muita fúria e ruído mas não massacre. As outras fases serão assim? Será assim quando chegar a altura de desistir da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental em troca da paz com os palestinianos? Estas questões dependem não só dos israelitas, religiosos e laicos, "falcões" e "pombas", da esquerda e da direita.
Estas questões dependem muito da resposta dos palestinianos. Será que os palestinianos olham para tudo isto como um corajoso passo de Israel em direcção a um compromisso histórico com eles? Irão eles retribuir dando passos corajosos em relação aos seus próprios fanáticos? Ou será que eles olham para os confrontos entre judeus e judeus como o primeiro síndroma da desintegração de Israel e vão tentar inflamar a situação interna israelita lançando uma nova vaga de violência e terrorismo?
Diz um velho provérbio árabe que "não se bate palmas só com uma mão". Muito vai depender do modo como os palestinianos interpretarão a luta entre judeus e judeus em Gaza.
#1
[copy/paste]
as ideias martelam duras, arestadas e espinhosas, balançando entre formas incontinentes e rumores intangiveis.
as palavras são esparças, são esperanças, são teias que se tecem e destecem e retecem.
burilar a frase que desperte o sentimento colectivo, que vá ao amago, que se torne numa razão, que absorva a causa. imagina-la perdida para sempre, uma certeza na boca das massas anónimas.
é urgente apreendeer a realidade e modelar-lhe o gosto.
há que esventrar o texto, rasga-lo com as tesouras figurativas, abrir-lhe a solução de continuidade que lhe permite libertar-se, faze-lo sangrar a redenção,cambiar os ossos do seu esqueleto, enche-lo de paracetamol linguistico e emagrecer as suas formas sem quebrar as intenções...dar forma ideal ao best seller de estação de comboio. ser agente do pré revisionismo ou do revisionismo que nunca o chega a ser porque é preventivo.
Num acto de contrição, fazer a história acontecer.
[copy/paste]
as ideias martelam duras, arestadas e espinhosas, balançando entre formas incontinentes e rumores intangiveis.
as palavras são esparças, são esperanças, são teias que se tecem e destecem e retecem.
burilar a frase que desperte o sentimento colectivo, que vá ao amago, que se torne numa razão, que absorva a causa. imagina-la perdida para sempre, uma certeza na boca das massas anónimas.
é urgente apreendeer a realidade e modelar-lhe o gosto.
há que esventrar o texto, rasga-lo com as tesouras figurativas, abrir-lhe a solução de continuidade que lhe permite libertar-se, faze-lo sangrar a redenção,cambiar os ossos do seu esqueleto, enche-lo de paracetamol linguistico e emagrecer as suas formas sem quebrar as intenções...dar forma ideal ao best seller de estação de comboio. ser agente do pré revisionismo ou do revisionismo que nunca o chega a ser porque é preventivo.
Num acto de contrição, fazer a história acontecer.
23.8.05
#1
[noticias]
a tita está desde o fim de junho em stromboli, uma ilha vulcanica no meio do mediterraneo, a trabalhar. de vez em quando manda noticias, dando-nos eco dos rugidos do vulcão, das tempestasdes e da dura vida que, até meio de setembro, vai levando...
hoje o, decidi postar-lhe uma resposta, para dizer que por cá vai tudo bem, que lisboa em agosto é o apeadeiro antes do deserto, que a lampada esquerda do 4º candeeiro do meu gabinete pisca insistente e irritantemente, que as noites continuam humidas para os lados do mar, que o seara continua apaixonado por sintra e o joão soares tenta a sua sorte, que o ps já tem candidato a presidente da republica e o cavaco tem soares (...) frios só de pensar, que a bola voltou aos relvados, que a C vai melhor da gripe, que alguém tem ocupado o teu lugar com vista para a tv na hora do jantar, que a tvi vai fazer um novo reality show com o conde, que o pais vai ardendo...
enfim, como podes ver pela amostra, um mundo excitante espera por ti, volta depressa!
[noticias]
a tita está desde o fim de junho em stromboli, uma ilha vulcanica no meio do mediterraneo, a trabalhar. de vez em quando manda noticias, dando-nos eco dos rugidos do vulcão, das tempestasdes e da dura vida que, até meio de setembro, vai levando...
hoje o, decidi postar-lhe uma resposta, para dizer que por cá vai tudo bem, que lisboa em agosto é o apeadeiro antes do deserto, que a lampada esquerda do 4º candeeiro do meu gabinete pisca insistente e irritantemente, que as noites continuam humidas para os lados do mar, que o seara continua apaixonado por sintra e o joão soares tenta a sua sorte, que o ps já tem candidato a presidente da republica e o cavaco tem soares (...) frios só de pensar, que a bola voltou aos relvados, que a C vai melhor da gripe, que alguém tem ocupado o teu lugar com vista para a tv na hora do jantar, que a tvi vai fazer um novo reality show com o conde, que o pais vai ardendo...
enfim, como podes ver pela amostra, um mundo excitante espera por ti, volta depressa!
22.8.05
#1
[gaza, palestina]
Dó de quem?
Alexandra Lucas Coelho, Jerusalém
Publico, 20 de Agosto de 2005
Dó dos colonos.
A mulher a imolar-se pelo fogo, os velhos rabis a correrem com a Tora nos braços, os ortodoxos a rezarem a última oração, as mães a apertarem bebés ao colo, os jovens a serem arrastados por braços e pernas, o soldado a chorar amparado à sua irmã, os tanques, os gritos, as chamas, a guerra.
Dó?
Perguntem a Mohammad.
Quando os seus foram expulsos não ocupavam terra alheia. Não receberam compensações financeiras. Não tiveram caravillas, moshav, kibbutz, cidades que os acolhessem. Não causaram dó em directo. Eram centenas de milhares e não tinham um país seu.
Até agora não têm.
Ou como Mohammad diz: "Tenho 18 anos e ainda não vivi um dia bonito."
Os colonos viveram muitos dias bonitos, nas suas casas bonitas, com jardins bonitos, à beira de praias bonitas. Gush Katif era o paraíso que Deus prometeu, Israel alimentou e os homens fizeram, a partir dos anos 1970. Sharon lá estava, soprando para que crescessem. Seculares e religiosos, funcionários e agricultores, nascidos em Israel ou recém-chegados. Por que não? Se o lugar era tão fértil. Se o clima era tão bom. Se o governo pagava.
Assim foi, em Gaza. Quase 9000 colonos para os dias bonitos. Quase um milhão e meio de palestinianos para os dias feios.
Um dia de Mohammed Abu Adel, por exemplo. "Acordo com os tiros israelitas e durmo com os tiros israelitas." Entre os dois tiroteios, tenta ir às aulas, subindo todos os dias os 40 quilómetros que vão de Rafah, no Sul, onde mora, à Cidade de Gaza, no Norte, onde estuda. Fica preso nos checkpoints, às vezes horas, às vezes dias.
Não sabe o que é um espaço aberto a perder de vista. Porque em Gaza não há espaço e Mohammad nunca saiu de Gaza.
Tudo o que conhece são estes 40 e tantos quilómetros de comprimento por uma dezena de largura onde se apertaram os palestinianos expulsos por Israel em 1948, se voltaram a apertar ainda mais quando Israel ocupou Gaza em 1967, e ainda mais quando os colonos chegaram.
Dó dos colonos?
Não perguntem a Mohammed.
Ele só quer acreditar que a retirada israelita vai mesmo mudar os seus dias. Os tiros de manhã, os tiros à noite, a demolição das casas, a humilhação dos checkpoints, a claustrofobia de quem não pode passar a fronteira e estar no Egipto, passar a fronteira e ir a Jerusalém, à Cisjordânia, aos países árabes, à Europa. "Gostava muito de ir a Paris, a Londres, a qualquer outro país..."
Anda na universidade a estudar Comércio com uma ideia fixa metida na cabeça, entrar na Polícia, para poder circular livremente. Sair daqui.
E não o demovem as palavras do homem que, nesta praça da Cidade de Gaza, em plena retirada israelita, espera como ele que o checkpoint abra para poder descer a Rafah, e se mete na conversa.
- Todos os muçulmanos têm que estar aqui - protesta o homem, inflamado.
- A Palestina será sempre a Palestina nos nossos corações. Mas a situação pede-nos para sair - responde Mohammed.
Mohammed gostava de estar mesmo feliz, mas sabe que "a situação" não acaba aqui. Que o céu por cima da sua cabeça continuará a ser domínio de Israel. Que o mar lá ao fundo continuará a ser patrulhado por Israel. Que tudo o que entra e sai de Gaza continuará a estar nas mãos de Israel. Tudo o que se mexe, tudo o que se come, tudo o que se usa.
Dó de quem?
[gaza, palestina]
Dó de quem?
Alexandra Lucas Coelho, Jerusalém
Publico, 20 de Agosto de 2005
Dó dos colonos.
A mulher a imolar-se pelo fogo, os velhos rabis a correrem com a Tora nos braços, os ortodoxos a rezarem a última oração, as mães a apertarem bebés ao colo, os jovens a serem arrastados por braços e pernas, o soldado a chorar amparado à sua irmã, os tanques, os gritos, as chamas, a guerra.
Dó?
Perguntem a Mohammad.
Quando os seus foram expulsos não ocupavam terra alheia. Não receberam compensações financeiras. Não tiveram caravillas, moshav, kibbutz, cidades que os acolhessem. Não causaram dó em directo. Eram centenas de milhares e não tinham um país seu.
Até agora não têm.
Ou como Mohammad diz: "Tenho 18 anos e ainda não vivi um dia bonito."
Os colonos viveram muitos dias bonitos, nas suas casas bonitas, com jardins bonitos, à beira de praias bonitas. Gush Katif era o paraíso que Deus prometeu, Israel alimentou e os homens fizeram, a partir dos anos 1970. Sharon lá estava, soprando para que crescessem. Seculares e religiosos, funcionários e agricultores, nascidos em Israel ou recém-chegados. Por que não? Se o lugar era tão fértil. Se o clima era tão bom. Se o governo pagava.
Assim foi, em Gaza. Quase 9000 colonos para os dias bonitos. Quase um milhão e meio de palestinianos para os dias feios.
Um dia de Mohammed Abu Adel, por exemplo. "Acordo com os tiros israelitas e durmo com os tiros israelitas." Entre os dois tiroteios, tenta ir às aulas, subindo todos os dias os 40 quilómetros que vão de Rafah, no Sul, onde mora, à Cidade de Gaza, no Norte, onde estuda. Fica preso nos checkpoints, às vezes horas, às vezes dias.
Não sabe o que é um espaço aberto a perder de vista. Porque em Gaza não há espaço e Mohammad nunca saiu de Gaza.
Tudo o que conhece são estes 40 e tantos quilómetros de comprimento por uma dezena de largura onde se apertaram os palestinianos expulsos por Israel em 1948, se voltaram a apertar ainda mais quando Israel ocupou Gaza em 1967, e ainda mais quando os colonos chegaram.
Dó dos colonos?
Não perguntem a Mohammed.
Ele só quer acreditar que a retirada israelita vai mesmo mudar os seus dias. Os tiros de manhã, os tiros à noite, a demolição das casas, a humilhação dos checkpoints, a claustrofobia de quem não pode passar a fronteira e estar no Egipto, passar a fronteira e ir a Jerusalém, à Cisjordânia, aos países árabes, à Europa. "Gostava muito de ir a Paris, a Londres, a qualquer outro país..."
Anda na universidade a estudar Comércio com uma ideia fixa metida na cabeça, entrar na Polícia, para poder circular livremente. Sair daqui.
E não o demovem as palavras do homem que, nesta praça da Cidade de Gaza, em plena retirada israelita, espera como ele que o checkpoint abra para poder descer a Rafah, e se mete na conversa.
- Todos os muçulmanos têm que estar aqui - protesta o homem, inflamado.
- A Palestina será sempre a Palestina nos nossos corações. Mas a situação pede-nos para sair - responde Mohammed.
Mohammed gostava de estar mesmo feliz, mas sabe que "a situação" não acaba aqui. Que o céu por cima da sua cabeça continuará a ser domínio de Israel. Que o mar lá ao fundo continuará a ser patrulhado por Israel. Que tudo o que entra e sai de Gaza continuará a estar nas mãos de Israel. Tudo o que se mexe, tudo o que se come, tudo o que se usa.
Dó de quem?
19.8.05
#1
[direita volver!!]
A Endemol e a TVI querem gravar um reality show onde se simula a vida de um grupo de recrutas durante a instrução militar.
Garantida a presença do Recruta Zero, personificado por Castelo Branco, essa joia de moço, o estado maior do telelixo nacional pediu ao Parque Natural de Sintra Cascais e à Sociedade Monte da Lua, que explora os parques e monumentos da serra de sintra, autorização para montar um quartel na Tapada do Mouco, situada no Parque da Pena.
E, qual não é o espanto, foi dada luz verde, as tropas podem avançar.
Parece que as contrapartidas financeiras e a promessa de pagar um programa de reabilitação do espaço foram suficientes para esquecer o impacto ambiental negativo que esta utilização vai trazer ao local... afinal o que é uma equipa ruidosa a filmar, um grupo de soldados a viver ali e o ruido causado por toda a gente que por lá vai andar, quando comparado com uns milhares de euros que vão entrar nos falidos cofres daquelas duas entidades???
eu cá, chamem-me parvo, sou da opinião que a recuperação da natureza e do património deve ser de responsabilidade Publica e que aos mecenas não deve ser permitido tudo em troca de dinheiro... é certamente a minha miopia esquerdista a distorcer a coisa.
A cereja em cima do bolo é o aval do PCP a toda esta história. Em comunicado, a estrutra de Sitnra realça os beneficios que se proporcionam para a zona, dando assim o perdão ao seu camarada António Abreu por ter autorizado, enquanto admnistrador da Monte da Lua, tamanho disparate.
[direita volver!!]
A Endemol e a TVI querem gravar um reality show onde se simula a vida de um grupo de recrutas durante a instrução militar.
Garantida a presença do Recruta Zero, personificado por Castelo Branco, essa joia de moço, o estado maior do telelixo nacional pediu ao Parque Natural de Sintra Cascais e à Sociedade Monte da Lua, que explora os parques e monumentos da serra de sintra, autorização para montar um quartel na Tapada do Mouco, situada no Parque da Pena.
E, qual não é o espanto, foi dada luz verde, as tropas podem avançar.
Parece que as contrapartidas financeiras e a promessa de pagar um programa de reabilitação do espaço foram suficientes para esquecer o impacto ambiental negativo que esta utilização vai trazer ao local... afinal o que é uma equipa ruidosa a filmar, um grupo de soldados a viver ali e o ruido causado por toda a gente que por lá vai andar, quando comparado com uns milhares de euros que vão entrar nos falidos cofres daquelas duas entidades???
eu cá, chamem-me parvo, sou da opinião que a recuperação da natureza e do património deve ser de responsabilidade Publica e que aos mecenas não deve ser permitido tudo em troca de dinheiro... é certamente a minha miopia esquerdista a distorcer a coisa.
A cereja em cima do bolo é o aval do PCP a toda esta história. Em comunicado, a estrutra de Sitnra realça os beneficios que se proporcionam para a zona, dando assim o perdão ao seu camarada António Abreu por ter autorizado, enquanto admnistrador da Monte da Lua, tamanho disparate.
18.8.05
16.8.05
9.8.05
#1
[ um tipo vai de férias...]
e fazem logo uma festa lá na rua...
Brigada Antiterrorista investiga empresa árabe na área de Sintra
[ um tipo vai de férias...]
e fazem logo uma festa lá na rua...
Brigada Antiterrorista investiga empresa árabe na área de Sintra
8.8.05
#2
[post em atraso]
Rosa de Hiroshima
Pensem nas crianças
Mudas telepáticas,
Pensem nas meninas
Cegas inexatas,
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas,
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas.
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa, da rosa!
Da rosa de Hiroshima,
A rosa hereditária,
A rosa radioativa
Estúpida e inválida,
A rosa com cirrose,
A anti-rosa atômica.
Sem cor, sem perfume,
Sem rosa, sem nada.
Vinicius de Moraes
[post em atraso]
Rosa de Hiroshima
Pensem nas crianças
Mudas telepáticas,
Pensem nas meninas
Cegas inexatas,
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas,
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas.
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa, da rosa!
Da rosa de Hiroshima,
A rosa hereditária,
A rosa radioativa
Estúpida e inválida,
A rosa com cirrose,
A anti-rosa atômica.
Sem cor, sem perfume,
Sem rosa, sem nada.
Vinicius de Moraes
29.7.05
28.7.05
26.7.05
25.7.05
21.7.05
20.7.05
#4
[que espanto....]
40 dias e muita tinta depois, chega-se à conclusão que não houve mesmo arrastão...
PSP diz que não existiu arrastão em Carcavelos
JN, 20 de Julho de 2005
Não houve arrastão. A conclusão é da PSP que, num relatório final sobre os acontecimentos do dia 10 de Junho, na praia de Carcavelos, Cascais, admite que os jovens que apareciam nas imagens estavam, na realidade, a fugir dos agentes de autoridade e não a provocar uma onda de assaltos, conforme foi divulgado na altura. Confirma-se, assim, a tese defendida por diversos sectores, designadamente o Bloco de Esquerda e a jornalista Diana Andringa, de que houve uma distorção dos factos, com a consequente manipulação da opinião pública. O comandante da PSP de Lisboa já admitira ter sido "pressionado" a falar em cerca de 400 jovens, mas só agora é que a Direcção Nacional da Polícia de Segurança Pública e o Governo assumem que o arrastão não passou de uma ficção."Verifica-se que as primeiras informações fornecidas que davam conta de um enorme arrastão a ocorrer na praia de Carcavelos não se confirmaram", refere o relatório que a PSP entregou, no passado dia 12, ao ministro da Administração Interna (MAI) e que foi apresentando, ontem, na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias pelo secretário de Estado adjunto do ministro da Administração Interna. "A inexistência de denúncias de furtos ou roubos na praia não sustenta a tese do arrastão", conclui o documento que descarta também a possibilidade de se tratar de um grupo organizado. "Não estamos em crer que se tenha tratado de uma acção generalizada previamente concertada."O "efeito visual do arrastão" - patente nas imagens divulgadas pela Comunicação Social - é explicado pela PSP com a existência de "diversos indivíduos" a "correr desenfreadamente " com receio da iminente "intervenção policial", desmentindo, dessa forma, as informações que os jovens estavam a encetar uma onda de assaltos aos banhistas.O documento refere, contudo, que a 10 de Junho, na praia de Carcavelos, se assistiu a "inúmeras incivilidades generalizadas" e "alguns furtos e roubos", o que terá causado "um ambiente de pouca tranquilidade provocado por alguns distúrbios entre indivíduos de origem africana e outros de nacionalidade brasileira e ainda com indivíduos de Leste". Inicialmente, a PSP de Lisboa divulgou a ocorrência de "uma onda de criminalidade", levada a cabo por "cerca de 500 indivíduos negros", recorrendo ao método "conhecido como arrastão".
[que espanto....]
40 dias e muita tinta depois, chega-se à conclusão que não houve mesmo arrastão...
PSP diz que não existiu arrastão em Carcavelos
JN, 20 de Julho de 2005
Não houve arrastão. A conclusão é da PSP que, num relatório final sobre os acontecimentos do dia 10 de Junho, na praia de Carcavelos, Cascais, admite que os jovens que apareciam nas imagens estavam, na realidade, a fugir dos agentes de autoridade e não a provocar uma onda de assaltos, conforme foi divulgado na altura. Confirma-se, assim, a tese defendida por diversos sectores, designadamente o Bloco de Esquerda e a jornalista Diana Andringa, de que houve uma distorção dos factos, com a consequente manipulação da opinião pública. O comandante da PSP de Lisboa já admitira ter sido "pressionado" a falar em cerca de 400 jovens, mas só agora é que a Direcção Nacional da Polícia de Segurança Pública e o Governo assumem que o arrastão não passou de uma ficção."Verifica-se que as primeiras informações fornecidas que davam conta de um enorme arrastão a ocorrer na praia de Carcavelos não se confirmaram", refere o relatório que a PSP entregou, no passado dia 12, ao ministro da Administração Interna (MAI) e que foi apresentando, ontem, na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias pelo secretário de Estado adjunto do ministro da Administração Interna. "A inexistência de denúncias de furtos ou roubos na praia não sustenta a tese do arrastão", conclui o documento que descarta também a possibilidade de se tratar de um grupo organizado. "Não estamos em crer que se tenha tratado de uma acção generalizada previamente concertada."O "efeito visual do arrastão" - patente nas imagens divulgadas pela Comunicação Social - é explicado pela PSP com a existência de "diversos indivíduos" a "correr desenfreadamente " com receio da iminente "intervenção policial", desmentindo, dessa forma, as informações que os jovens estavam a encetar uma onda de assaltos aos banhistas.O documento refere, contudo, que a 10 de Junho, na praia de Carcavelos, se assistiu a "inúmeras incivilidades generalizadas" e "alguns furtos e roubos", o que terá causado "um ambiente de pouca tranquilidade provocado por alguns distúrbios entre indivíduos de origem africana e outros de nacionalidade brasileira e ainda com indivíduos de Leste". Inicialmente, a PSP de Lisboa divulgou a ocorrência de "uma onda de criminalidade", levada a cabo por "cerca de 500 indivíduos negros", recorrendo ao método "conhecido como arrastão".
#3
[pax americana]
Pelo menos 25 mil civis mortos no Iraque desde o início da guerra
Perto de 25 mil civis morreram de forma violenta no Iraque desde o início da guerra, em Março de 2003, mais de um terço dos quais vitimados pela coligação anglo-americana ocupante, refere um estudo ontem divulgado em Londres.
"Em média, 34 cidadãos iraquianos" terão sido mortos diariamente, referiu John Sloboda, director do Oxford Research Group e co-fundador do Iraq Body count (contagem de corpos no Iraque), os dois organismos universitários que conduziram o inquérito, integrados por acaqdémicos e activistas pela paz.
(...)
Esta estimativa é quatro vezes inferior aos 98 mil mortos civis avaliados em outubro de 2004 pela revista médica norte americana the lancet. Este anterior inquérito, elaborado a partir de entrevistas, comparava os períodos anterior e após o início da guerra e projectava um número de "mortos em excesso", não apenas devido a causas violentas, mas também por pobreza, ausência de cuidados médicos e outros factores. Considerava dessa forma que o risco de morte era 2,5 vezes mais elevado após a invasão, uma taxa que era reduzida para 1,5 caso fosse retirado o "caso falllujah", o bastião rebelde sunita alvo de uma ofensiva militar dos EUA em finais de 2004.
in Público, 20 de Julho 2005
[pax americana]
Pelo menos 25 mil civis mortos no Iraque desde o início da guerra
Perto de 25 mil civis morreram de forma violenta no Iraque desde o início da guerra, em Março de 2003, mais de um terço dos quais vitimados pela coligação anglo-americana ocupante, refere um estudo ontem divulgado em Londres.
"Em média, 34 cidadãos iraquianos" terão sido mortos diariamente, referiu John Sloboda, director do Oxford Research Group e co-fundador do Iraq Body count (contagem de corpos no Iraque), os dois organismos universitários que conduziram o inquérito, integrados por acaqdémicos e activistas pela paz.
(...)
Esta estimativa é quatro vezes inferior aos 98 mil mortos civis avaliados em outubro de 2004 pela revista médica norte americana the lancet. Este anterior inquérito, elaborado a partir de entrevistas, comparava os períodos anterior e após o início da guerra e projectava um número de "mortos em excesso", não apenas devido a causas violentas, mas também por pobreza, ausência de cuidados médicos e outros factores. Considerava dessa forma que o risco de morte era 2,5 vezes mais elevado após a invasão, uma taxa que era reduzida para 1,5 caso fosse retirado o "caso falllujah", o bastião rebelde sunita alvo de uma ofensiva militar dos EUA em finais de 2004.
in Público, 20 de Julho 2005
#1
[nem se acredita...]
Grupo católico denuncia Feytor Pinto ao Vaticano
Por António Marujo, In publico, 2005-07-16
Sítio na Internet divulga carta e dá a conhecer endereços aos interessados.
A redacção de um sítio na Internet ligado a um grupo de católicos pôs a circular uma carta sugerindo aos eventuais interessados que "informassem" três organismos do Vaticano das declarações do padre Vítor Feytor Pinto ao PÚBLICO, domingo passado, a propósito do aborto e do preservativo. Na carta, os responsáveis do grupo, identificado como a redacção do sítio Internet www.pensabem.net, dizem que as declarações de Feytor Pinto os deixam "pelo menos, muito perplexos".
Na entrevista, o actual responsável da Comissão Nacional da Pastoral da Saúde e pároco do Campo Grande, em Lisboa, admitia o uso do preservativo, quando esteja em causa o "não matar", numa referência implícita à luta contra a sida. E admitia, em relação ao aborto que, em casos extremos - como a violação -, se a pessoa "não encontra uma alternativa", deve ser ajudada "ao máximo para que não destrua uma vida". "Mas, se a destruir, compreendemos que o conflito interior foi de tal natureza que não encontrou outra saída. Não vamos dizer que esta pessoa é uma criminosa."
Ontem, em declarações ao PÚBLICO, o padre Feytor Pinto reiterou o conteúdo das suas afirmações na entrevista (ver frases), dizendo que não quer alimentar polémicas. Já o grupo que dinamizou a iniciativa, apesar da tentativa de contacto via correio electrónico, não respondeu à solicitação. Mas, a avaliar pelo conteúdo da página, o grupo aparenta ser católico.
Na carta, assinada pela redacção do Pensar Bem e enviada a um conjunto de pessoas, começa-se por dizer ser "com muita pena" que se envia cópia da entrevista. Tendo em conta o "grande relevo de que goza" o pároco do Campo Grande junto da opinião pública, "é evidente" que as "afirmações controversas podem suscitar confusão em muitas consciências, já bastante confusas, ou até encaminhá-las por sendas gravemente erradas", acrescenta o texto.
É isso que leva os responsáveis do sítio Internet a pensar que seja "oportuno informar deste assunto as autoridades vaticanas competentes". A quem concorde com a iniciativa, dão-se a conhecer os endereços electrónicos e de correio da Congregação para a Doutrina da Fé, do Conselho Pontifício para a Família e do arcebispo Elio Sgreccia, presidente da Academia Pontifícia para a Vida.
"Não me preocupa nada"
Curiosamente, não é sugerido o envio da mesma carta ao presidente do Conselho Pontifício da Pastoral da Saúde, cardeal Javier Lozano, que Feytor Pinto citava nas declarações ao PÚBLICO sobre o preservativo.
"Não me preocupa nada o que estão a fazer, sei que sou profundamente fiel à Igreja e à sua doutrina", afirmou. O pároco do Campo Grande acrescenta que, sobre o preservativo, as declarações que citou são do cardeal Lozano. "Há um princípio ético que diz que toda a regra tem excepção quando está em causa o bem da pessoa", acrescenta. E recorda o exemplo da legítima defesa ou da pena de morte, que a doutrina da Igreja admitiu, como excepções, precisamente quando estava em causa o bem comum.
A carta foi enviada pelo grupo logo às 11h32 de domingo passado, pouco antes de se iniciar, no Campo Grande, a missa que assinalava os 50 anos de padre de Vítor Feytor Pinto. Presidida pelo cardeal-patriarca de Lisboa, a missa teve também a participação do núncio apostólico (embaixador do Vaticano), que leu uma mensagem do secretário de Estado do Vaticano, cardeal Angelo Sodano, escrita em nome do Papa, felicitando o homenageado.
Vítor Feytor Pinto foi até Maio último assistente da Federação Internacional de Médicos Católicos, cargo que exerceu durante dez anos. E integra, até fim de 2006, o Conselho Pontifício para a Pastoral da Saúde, onde trabalha há 14 anos.
Sobre o preservativo:
(...) [Recentemente], o cardeal-presidente do Conselho Pontifício [para a Saúde] disse à imprensa que estão em questão dois mandamentos: o sexto, [que se relaciona com] os nossos comportamentos sexuais, e o quinto, "não matarás". E que, quando o que está em questão é o não matar, e a única forma de não matar é o uso de um profilático, ele pode justificar-se.
Sobre o aborto:
A pessoa pode dispor da própria vida, não da vida dos outros. Dispor da vida dos outros é egoísmo, oferecer a minha vida pela dos outros é generosidade. [A pessoa] pode ter uma pressão de tal natureza que, em consciência, não é capaz de encontrar outra saída. Não vou dizer que, em teoria, é bem. No caso de uma violação, a pessoa não encontra uma alternativa. Vamos ajudá-la ao máximo para que não destrua uma vida. Mas, se a destruir, compreendemos que o conflito interior foi de tal natureza que não encontrou outra saída. Não
vamos dizer que esta pessoa é uma criminosa. (...)
[nem se acredita...]
Grupo católico denuncia Feytor Pinto ao Vaticano
Por António Marujo, In publico, 2005-07-16
Sítio na Internet divulga carta e dá a conhecer endereços aos interessados.
A redacção de um sítio na Internet ligado a um grupo de católicos pôs a circular uma carta sugerindo aos eventuais interessados que "informassem" três organismos do Vaticano das declarações do padre Vítor Feytor Pinto ao PÚBLICO, domingo passado, a propósito do aborto e do preservativo. Na carta, os responsáveis do grupo, identificado como a redacção do sítio Internet www.pensabem.net, dizem que as declarações de Feytor Pinto os deixam "pelo menos, muito perplexos".
Na entrevista, o actual responsável da Comissão Nacional da Pastoral da Saúde e pároco do Campo Grande, em Lisboa, admitia o uso do preservativo, quando esteja em causa o "não matar", numa referência implícita à luta contra a sida. E admitia, em relação ao aborto que, em casos extremos - como a violação -, se a pessoa "não encontra uma alternativa", deve ser ajudada "ao máximo para que não destrua uma vida". "Mas, se a destruir, compreendemos que o conflito interior foi de tal natureza que não encontrou outra saída. Não vamos dizer que esta pessoa é uma criminosa."
Ontem, em declarações ao PÚBLICO, o padre Feytor Pinto reiterou o conteúdo das suas afirmações na entrevista (ver frases), dizendo que não quer alimentar polémicas. Já o grupo que dinamizou a iniciativa, apesar da tentativa de contacto via correio electrónico, não respondeu à solicitação. Mas, a avaliar pelo conteúdo da página, o grupo aparenta ser católico.
Na carta, assinada pela redacção do Pensar Bem e enviada a um conjunto de pessoas, começa-se por dizer ser "com muita pena" que se envia cópia da entrevista. Tendo em conta o "grande relevo de que goza" o pároco do Campo Grande junto da opinião pública, "é evidente" que as "afirmações controversas podem suscitar confusão em muitas consciências, já bastante confusas, ou até encaminhá-las por sendas gravemente erradas", acrescenta o texto.
É isso que leva os responsáveis do sítio Internet a pensar que seja "oportuno informar deste assunto as autoridades vaticanas competentes". A quem concorde com a iniciativa, dão-se a conhecer os endereços electrónicos e de correio da Congregação para a Doutrina da Fé, do Conselho Pontifício para a Família e do arcebispo Elio Sgreccia, presidente da Academia Pontifícia para a Vida.
"Não me preocupa nada"
Curiosamente, não é sugerido o envio da mesma carta ao presidente do Conselho Pontifício da Pastoral da Saúde, cardeal Javier Lozano, que Feytor Pinto citava nas declarações ao PÚBLICO sobre o preservativo.
"Não me preocupa nada o que estão a fazer, sei que sou profundamente fiel à Igreja e à sua doutrina", afirmou. O pároco do Campo Grande acrescenta que, sobre o preservativo, as declarações que citou são do cardeal Lozano. "Há um princípio ético que diz que toda a regra tem excepção quando está em causa o bem da pessoa", acrescenta. E recorda o exemplo da legítima defesa ou da pena de morte, que a doutrina da Igreja admitiu, como excepções, precisamente quando estava em causa o bem comum.
A carta foi enviada pelo grupo logo às 11h32 de domingo passado, pouco antes de se iniciar, no Campo Grande, a missa que assinalava os 50 anos de padre de Vítor Feytor Pinto. Presidida pelo cardeal-patriarca de Lisboa, a missa teve também a participação do núncio apostólico (embaixador do Vaticano), que leu uma mensagem do secretário de Estado do Vaticano, cardeal Angelo Sodano, escrita em nome do Papa, felicitando o homenageado.
Vítor Feytor Pinto foi até Maio último assistente da Federação Internacional de Médicos Católicos, cargo que exerceu durante dez anos. E integra, até fim de 2006, o Conselho Pontifício para a Pastoral da Saúde, onde trabalha há 14 anos.
Sobre o preservativo:
(...) [Recentemente], o cardeal-presidente do Conselho Pontifício [para a Saúde] disse à imprensa que estão em questão dois mandamentos: o sexto, [que se relaciona com] os nossos comportamentos sexuais, e o quinto, "não matarás". E que, quando o que está em questão é o não matar, e a única forma de não matar é o uso de um profilático, ele pode justificar-se.
Sobre o aborto:
A pessoa pode dispor da própria vida, não da vida dos outros. Dispor da vida dos outros é egoísmo, oferecer a minha vida pela dos outros é generosidade. [A pessoa] pode ter uma pressão de tal natureza que, em consciência, não é capaz de encontrar outra saída. Não vou dizer que, em teoria, é bem. No caso de uma violação, a pessoa não encontra uma alternativa. Vamos ajudá-la ao máximo para que não destrua uma vida. Mas, se a destruir, compreendemos que o conflito interior foi de tal natureza que não encontrou outra saída. Não
vamos dizer que esta pessoa é uma criminosa. (...)
19.7.05
12.7.05
8.7.05
7.7.05
#2
[na luta]
Por se encontar numa zona priveligiada, perto da cidade e de vários acessos viários, a Serra da Carregueira é alvo da cobiça dos agentes imobiliários.
É preciso estar atento e salvá-la, antes que seja tarde.
[na luta]
Por se encontar numa zona priveligiada, perto da cidade e de vários acessos viários, a Serra da Carregueira é alvo da cobiça dos agentes imobiliários.
É preciso estar atento e salvá-la, antes que seja tarde.
#1
[londres]
6 explosões, numero de mortos e de feridos indeterminado, pânico.
As razões são desconhecidas, talvez sejam as de sempre.
À barbarie do terrorismo de estado que ocupou o iraque e o afeganistão, que tem o mundo a saque, que se permite fazer caridade e continuar a colonizar o chamado terceiro mundo através da exigência de privatização dos serviços públicos ou da exploração dos recursos, os autores deste atentado respondem com a guerra sem quartel. Injustificável, inaceitável, intolerável.
Estive em Edimburgo por estes dias, participando nas actividades alternativas à cimeira do G8. Fui à grande marcha make poverty history, que juntou 220 mil pessoas nas ruas daquela cidade na exigendia de um mundo gerido por outras regras, e que foi completamente abafada pelo show off mediatico do live aid/8, a caridadezinha que Bono Vox e Bob Geldof promoveram.
Fui à cimeira alternativa. Ouvi, entre outros, a mãe de Carlo Giuliani falar da importância da educação, da maneira como as mães e os professores devem educar as crianças para as escolhas e para a luta, de modo a que não sejam pisados pelos mais fortes.
Estive no grande carnaval contra a precariedade e a miséria promovidas pelas grandes organizações financeiras do mundo, do qual apenas se ouviram ecos de violência - existiu muita, especialmente porque a polícia a provocou.
Fui a Dungavel exigir o encerramento de um centro de detenção de imigrantes. É um lugar lindo, no meio do verde. Mas ali há centro de detenção que, em termos de direitos civis, não está muito longe de guantanamo. manifestei-me ao lado de pacifistas, de anarquistas violentos, de velhinhas amorosas, de imigrantes de todo o mundo, de miúdos de todas as acores, de deputados de vários parlamentos, de gente que quer, apenas, encerrar estes campos de concentração que~são cada vez mais comuns na Europa de Schengen.
Não estive ontem em Glenneagles, mas gostava de ter estado.
O meu cabelo comprido, a barba e tez morena deixam qualquer policia nervoso, pelo que, ao abrigo da secção 60 da lei antiterrorista, fui filmado, fotografado, interrogado e olhado com desconfiança. Não promovi nem promovo a violência gratuita em manifestações, não defendo a luta armada contra civis indefesos, seja em londres ou no iraque, promovida por terroristas ou pelos exercítos das democracias ocidentais. Mas fui violentado por um sistema que só admite dois tipos de gente: os que estão do seu lado e os que, não estando, estão ao lado dos sanguinários que hoje fazem as notícias.
Não estou em nenhum dos lados. Luto com ética por outro mundo, possível e necessário, onde a exploração dos homens e das mulheres pelo sistema e pelos seus iguais não exista, onde a discriminação seja uma miragem, onde a utilização dos recursos seja racional e justa, onde o lucro de alguns não se sobreponha às pessoas e ao colectivo. Luto ao lado de gente séria que não se revê no mundo em que vivemos, que propõe alternativas e se bate por elas. Luto ao lado da Senhora Heidi Giullianni, que fala sempre de voz embargada mas não baixa os olhos.
[londres]
6 explosões, numero de mortos e de feridos indeterminado, pânico.
As razões são desconhecidas, talvez sejam as de sempre.
À barbarie do terrorismo de estado que ocupou o iraque e o afeganistão, que tem o mundo a saque, que se permite fazer caridade e continuar a colonizar o chamado terceiro mundo através da exigência de privatização dos serviços públicos ou da exploração dos recursos, os autores deste atentado respondem com a guerra sem quartel. Injustificável, inaceitável, intolerável.
Estive em Edimburgo por estes dias, participando nas actividades alternativas à cimeira do G8. Fui à grande marcha make poverty history, que juntou 220 mil pessoas nas ruas daquela cidade na exigendia de um mundo gerido por outras regras, e que foi completamente abafada pelo show off mediatico do live aid/8, a caridadezinha que Bono Vox e Bob Geldof promoveram.
Fui à cimeira alternativa. Ouvi, entre outros, a mãe de Carlo Giuliani falar da importância da educação, da maneira como as mães e os professores devem educar as crianças para as escolhas e para a luta, de modo a que não sejam pisados pelos mais fortes.
Estive no grande carnaval contra a precariedade e a miséria promovidas pelas grandes organizações financeiras do mundo, do qual apenas se ouviram ecos de violência - existiu muita, especialmente porque a polícia a provocou.
Fui a Dungavel exigir o encerramento de um centro de detenção de imigrantes. É um lugar lindo, no meio do verde. Mas ali há centro de detenção que, em termos de direitos civis, não está muito longe de guantanamo. manifestei-me ao lado de pacifistas, de anarquistas violentos, de velhinhas amorosas, de imigrantes de todo o mundo, de miúdos de todas as acores, de deputados de vários parlamentos, de gente que quer, apenas, encerrar estes campos de concentração que~são cada vez mais comuns na Europa de Schengen.
Não estive ontem em Glenneagles, mas gostava de ter estado.
O meu cabelo comprido, a barba e tez morena deixam qualquer policia nervoso, pelo que, ao abrigo da secção 60 da lei antiterrorista, fui filmado, fotografado, interrogado e olhado com desconfiança. Não promovi nem promovo a violência gratuita em manifestações, não defendo a luta armada contra civis indefesos, seja em londres ou no iraque, promovida por terroristas ou pelos exercítos das democracias ocidentais. Mas fui violentado por um sistema que só admite dois tipos de gente: os que estão do seu lado e os que, não estando, estão ao lado dos sanguinários que hoje fazem as notícias.
Não estou em nenhum dos lados. Luto com ética por outro mundo, possível e necessário, onde a exploração dos homens e das mulheres pelo sistema e pelos seus iguais não exista, onde a discriminação seja uma miragem, onde a utilização dos recursos seja racional e justa, onde o lucro de alguns não se sobreponha às pessoas e ao colectivo. Luto ao lado de gente séria que não se revê no mundo em que vivemos, que propõe alternativas e se bate por elas. Luto ao lado da Senhora Heidi Giullianni, que fala sempre de voz embargada mas não baixa os olhos.
3.7.05
#2
[barnabe]
O barnabe encerra hoje. Por ser amigo do Daniel Oliveira, durante alguns meses vivi freneticamente a energia que alimentou uma das armas de combate politico mais contundentes e eficazes que o nosso pais conheceu nos ultimos anos, pelo que e uma pena assistir a este fim.
Fica a memoria de um tempo que o pais foi desgovernado por um cherne desalmado, e depois, por um santana descarado, e do combate sem quartel que se lhes fez, a eles e as ideias que os movem.
Longa vida ao Barnabe.
[barnabe]
O barnabe encerra hoje. Por ser amigo do Daniel Oliveira, durante alguns meses vivi freneticamente a energia que alimentou uma das armas de combate politico mais contundentes e eficazes que o nosso pais conheceu nos ultimos anos, pelo que e uma pena assistir a este fim.
Fica a memoria de um tempo que o pais foi desgovernado por um cherne desalmado, e depois, por um santana descarado, e do combate sem quartel que se lhes fez, a eles e as ideias que os movem.
Longa vida ao Barnabe.
#
[...]
em edimburgo, na senda de um outro mundo possivel, a apreciar a tensao de uma chuva que insiste em anunciar-se e nao cair.
Confesso que a imagem do vento a beijar o verde das montanhas, dando a erva um ar de quem se ri, me deixou com vontade de voar.
225 mil pessoas fizeram ontem uma manifestacao (com cedilha, faz favor) sob o lema make poverty history, lema esse que foi transmutado e multiplicado em make capitalism history, make racism history, make stupidity history, make bush&blair history...
culminou nos jardins da universidade, com uma grande festa,lembrand aos senhores do G8 que eles sao 8 e nos seis milhoes.
hoje ha um mar de conferencias, oportunidade de por empratica a mais importatne maxima leninista: aprender, aprender, aprender.
o material falhou, as fotos insistem em nao sair da maquina para o computador... tentarei resolver isto em tempo util. caso nao consiga, terao de esperar ate quinta feira.
ate ja
[...]
em edimburgo, na senda de um outro mundo possivel, a apreciar a tensao de uma chuva que insiste em anunciar-se e nao cair.
Confesso que a imagem do vento a beijar o verde das montanhas, dando a erva um ar de quem se ri, me deixou com vontade de voar.
225 mil pessoas fizeram ontem uma manifestacao (com cedilha, faz favor) sob o lema make poverty history, lema esse que foi transmutado e multiplicado em make capitalism history, make racism history, make stupidity history, make bush&blair history...
culminou nos jardins da universidade, com uma grande festa,lembrand aos senhores do G8 que eles sao 8 e nos seis milhoes.
hoje ha um mar de conferencias, oportunidade de por empratica a mais importatne maxima leninista: aprender, aprender, aprender.
o material falhou, as fotos insistem em nao sair da maquina para o computador... tentarei resolver isto em tempo util. caso nao consiga, terao de esperar ate quinta feira.
ate ja
30.6.05
#2
[as hordas monárquicas aproximam-se...]
Nuno da Câmara Pereira foi eleito presidente do PPM a 5 de Junho, com 61 votos a favor e 31 contra. Os congressistas não chegavam aos cem mas, à falta de ficheiros do partido, não havia forma de comprovar a sua inscrição. "Não se sabia se todos eram militantes e houve muitos militantes que nem souberam que havia congresso", relata Ferreira do Amaral.
Câmara Pereira reconhece que "os ficheiros andam dispersos", por isso não sabe quantos são e quem são os militantes do PPM. Ao DN, explica que lançou um processo de refiliação e já tem "perfeitamente situados" 500 militantes. Mas acredita que, no total, serão "entre 5 mil e 10 mil".
in Dn, 30 de Junho, 2005
[as hordas monárquicas aproximam-se...]
Nuno da Câmara Pereira foi eleito presidente do PPM a 5 de Junho, com 61 votos a favor e 31 contra. Os congressistas não chegavam aos cem mas, à falta de ficheiros do partido, não havia forma de comprovar a sua inscrição. "Não se sabia se todos eram militantes e houve muitos militantes que nem souberam que havia congresso", relata Ferreira do Amaral.
Câmara Pereira reconhece que "os ficheiros andam dispersos", por isso não sabe quantos são e quem são os militantes do PPM. Ao DN, explica que lançou um processo de refiliação e já tem "perfeitamente situados" 500 militantes. Mas acredita que, no total, serão "entre 5 mil e 10 mil".
in Dn, 30 de Junho, 2005
29.6.05
#1
[o mentirão]
ERA UMA VEZ UM ARRASTÃO
Um vídeo de Diana Andringa
Dez de Junho, praia de Carcavelos.
Muitos jovens juntam-se ao sol. Há tensão e insultos. Depois chegará a polícia. Às 20h, as televisões apresentam ao país “o arrastão”, um crime massivo, centenas de assaltantes negros, em pleno Dia de Portugal. O noticiário torna-se narrativa apaixonada de um país de insegurança e “gangs”, terror e vigilância. A maré engole o desmentido policial da primeira versão dos incidentes e vários testemunhos sobre uma inventona. “Era uma vez um arrastão” passa em revista um crime que nunca existiu, a atitude dos media perante uma história explosiva e as consequências políticas e sociais de uma notícia falsa. Antes que esta nova crise de pânico passe ao arquivo morto, é necessário inscrevê-la na história da manipulação de massas em Portugal.
Apresentação pública
Quinta-feira, 30 de Junho, 21:30h
Videoteca Municipal de Lisboa,
Largo do Calvário (Alcântara)
A apresentação será seguida de debate com a presença de:
Miguel Gaspar (jornalista, DN)
Rui Pena Pires (sociólogo, ISCTE)
José Rebelo (jornalista, sociólogo, ISCTE)
Mário Mesquita (jornalista, professor universitário)*
Nuno Guedes (jornalista, A Capital)*
* a confirmar
[o mentirão]
ERA UMA VEZ UM ARRASTÃO
Um vídeo de Diana Andringa
Dez de Junho, praia de Carcavelos.
Muitos jovens juntam-se ao sol. Há tensão e insultos. Depois chegará a polícia. Às 20h, as televisões apresentam ao país “o arrastão”, um crime massivo, centenas de assaltantes negros, em pleno Dia de Portugal. O noticiário torna-se narrativa apaixonada de um país de insegurança e “gangs”, terror e vigilância. A maré engole o desmentido policial da primeira versão dos incidentes e vários testemunhos sobre uma inventona. “Era uma vez um arrastão” passa em revista um crime que nunca existiu, a atitude dos media perante uma história explosiva e as consequências políticas e sociais de uma notícia falsa. Antes que esta nova crise de pânico passe ao arquivo morto, é necessário inscrevê-la na história da manipulação de massas em Portugal.
Apresentação pública
Quinta-feira, 30 de Junho, 21:30h
Videoteca Municipal de Lisboa,
Largo do Calvário (Alcântara)
A apresentação será seguida de debate com a presença de:
Miguel Gaspar (jornalista, DN)
Rui Pena Pires (sociólogo, ISCTE)
José Rebelo (jornalista, sociólogo, ISCTE)
Mário Mesquita (jornalista, professor universitário)*
Nuno Guedes (jornalista, A Capital)*
* a confirmar
28.6.05
#2
[um mundo assim governado é um mundo condenado]
"países do G8 são os responsáveis pela venda de 80% das armas mundiais e continuam a vendê-las, oprimindo as pessoas mais pobres e vulneráveis do mundo", disse Barbara Stocking, directora da Oxfam - que, juntamente, com a Amnistia Internacional e a Rede Internacional de Acção contra Armas Ligeiras lançaram a CCA. (...) O relatório da CCA põe em causa os países do G8 ao dar exemplos concretos para cada um deles. Por exemplo, para a Alemanha, as organizações não governamentais denunciam a utilização de motores alemães nos veículos militares da junta birmanesa. Já o Canadá é acusado de exportar blindados ligeiros e helicópteros para a Arábia Saudita e armas ligeiras para as Filipinas. Os EUA "apoiaram militarmente países acusados de violar os direitos humanos", como o Paquistão, o Nepal ou Israel. Bombas, granadas, munições e minas são exportadas pela França para países aos quais a União Europeia impõe embargos, como a Birmânia ou o Sudão, revela ainda o relatório. "
in DN, 23 de Junho 2005
[um mundo assim governado é um mundo condenado]
"países do G8 são os responsáveis pela venda de 80% das armas mundiais e continuam a vendê-las, oprimindo as pessoas mais pobres e vulneráveis do mundo", disse Barbara Stocking, directora da Oxfam - que, juntamente, com a Amnistia Internacional e a Rede Internacional de Acção contra Armas Ligeiras lançaram a CCA. (...) O relatório da CCA põe em causa os países do G8 ao dar exemplos concretos para cada um deles. Por exemplo, para a Alemanha, as organizações não governamentais denunciam a utilização de motores alemães nos veículos militares da junta birmanesa. Já o Canadá é acusado de exportar blindados ligeiros e helicópteros para a Arábia Saudita e armas ligeiras para as Filipinas. Os EUA "apoiaram militarmente países acusados de violar os direitos humanos", como o Paquistão, o Nepal ou Israel. Bombas, granadas, munições e minas são exportadas pela França para países aos quais a União Europeia impõe embargos, como a Birmânia ou o Sudão, revela ainda o relatório. "
in DN, 23 de Junho 2005
26.6.05
23.6.05
22.6.05
#2
[podem chamar-me cão...]
mas preciso de desabafar.
isto não anda nem desanda...
estou cheio de coisas para fazer. não tenho parado, não tenho tempo nem pachorra para escrever. Mas há luz ao fundo do meu túnel...
vou a Edimburgo na semana que vem...
à Galiza no fim do mês...
acampar quatro dias na serra da estrela, à sombra, na beira de um rio
ao Douro Internacional, de burro, no inicio de Agosto
e ao intercéltico de Sendim...
auf auf
beu beu
ao ao
bau bau
[podem chamar-me cão...]
mas preciso de desabafar.
isto não anda nem desanda...
estou cheio de coisas para fazer. não tenho parado, não tenho tempo nem pachorra para escrever. Mas há luz ao fundo do meu túnel...
vou a Edimburgo na semana que vem...
à Galiza no fim do mês...
acampar quatro dias na serra da estrela, à sombra, na beira de um rio
ao Douro Internacional, de burro, no inicio de Agosto
e ao intercéltico de Sendim...
auf auf
beu beu
ao ao
bau bau
20.6.05
#1
[esclarecimento]
...Antes de iniciarem a curta marcha até ao Rossio, os manifestantes - "não só skinheads, deve haver apenas 30 ou 40 no meio de 300 pessoas", dizia Mário Machado* - fizeram um minuto de silêncio "pelos portugueses mortos na África do Sul e pelos portugueses que sofrem na linha de Sintra e que têm medo de sair de casa".
in DN, 19 de Junho de 2005
Sou português, ou seja sou resultado de uma enorme mistura de genes. Ssou rafeiro como tod@s nós, e tenho prazer em ser assim, tão degenerado. Conheço portugueses e portuguesas de todas as cores e credos. A eles e elas, a tod@s @s meus irmãos da raça humana só desejo o melhor, só desejo que possam ter os mesmos direitos que eu, num país onde tod@s cabem.
A minha pele é daquela cor que se convencionou como branca, apesar de ser beje e até já estar um tanto ou quanto morena do sol de verão. No entanto, sou de todas as cores: branco como os suecos, preto como os senegaleses, azul como os berberes, amarelo como os chineses, dourado os são tomenses, verde como os marcianos e vermelho como os comunistas e os indios norte americanos.
Moro na linha de Sintra, sempre morei. E não preciso de minutos de silêncio de gente como este filho da puta assassino que aqui em cima é citado.
*esteve envolvido no espancamento até à morte de Alcino Monteiro, por ser negro, no dia dez de junho de 1995. Ontem, na publica, entre outras barbaridades, louvava hitler e afirmava textualmente não pagar impostos...
[esclarecimento]
...Antes de iniciarem a curta marcha até ao Rossio, os manifestantes - "não só skinheads, deve haver apenas 30 ou 40 no meio de 300 pessoas", dizia Mário Machado* - fizeram um minuto de silêncio "pelos portugueses mortos na África do Sul e pelos portugueses que sofrem na linha de Sintra e que têm medo de sair de casa".
in DN, 19 de Junho de 2005
Sou português, ou seja sou resultado de uma enorme mistura de genes. Ssou rafeiro como tod@s nós, e tenho prazer em ser assim, tão degenerado. Conheço portugueses e portuguesas de todas as cores e credos. A eles e elas, a tod@s @s meus irmãos da raça humana só desejo o melhor, só desejo que possam ter os mesmos direitos que eu, num país onde tod@s cabem.
A minha pele é daquela cor que se convencionou como branca, apesar de ser beje e até já estar um tanto ou quanto morena do sol de verão. No entanto, sou de todas as cores: branco como os suecos, preto como os senegaleses, azul como os berberes, amarelo como os chineses, dourado os são tomenses, verde como os marcianos e vermelho como os comunistas e os indios norte americanos.
Moro na linha de Sintra, sempre morei. E não preciso de minutos de silêncio de gente como este filho da puta assassino que aqui em cima é citado.
*esteve envolvido no espancamento até à morte de Alcino Monteiro, por ser negro, no dia dez de junho de 1995. Ontem, na publica, entre outras barbaridades, louvava hitler e afirmava textualmente não pagar impostos...
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