24.5.05

#1
[com uma vontade irreprimivel]

de ouvir Elvis Costello a dizer... Hail to the taxis/They go where I go

23.5.05

#2
[agora a sério]

tamos lixados com estes números e com os tecnocratas que, pelo interesse nacional, continuam obsecados com tudo isto.
31 anos de Abril, com o Socialismo escarrapachado na constituição, milhões de contos e euros esbanjados à custa dos contribuintes europeus e chegamos à beira destre abismo... oportunidades perdidas, é o que é.
O Soares, o Cavaco, o Guterres, o Durão, o Santana e o Sócrates, mais os respectivos ministros e a assessores, é que deveriam pagar tudo isto até ao último tostão, por terem escolhido o pragmatismo e a real politik, condenado Portugal à modernização conservadora em que estamos metidos...
mas a malta está contente e descontraida... tudo se desenrasca... mais a mais, o Benfica é campeão!
raça de gente!
#1
[6,...]*

está tão crescidinho o Deficit... quem o viu e quem o vê...
este composto vitaminico de neoliberalismo e populismo está-lhe a fazer bem.


*na ressaca do campeonato

20.5.05

#2
[avistados]

pelos lados da D. Carlos, os primeiros roxos dos jacarandás.
A primavera segue dentro de momentos, pedimos desculpa por esta interrupção.
#1
[terá sido engano?]

os títulos da página 10 do público de hoje mais parecem ser do inimigo público...

Governo equaciona aumento de impostos

CDS assume responsabilidade no défice

Cavaco teme desemprego

18.5.05

#2
[pescadinha de rabo na boca...]

Depois de uma sondagem onde uma larga maioria dos cidadãos do estado espanhol se declarava a favor da abertura de negociações entre o Governo do Estado Espanhol e a ETA (El Pais, 16 de Maio), as cortes de Madrid aprovaram ontem uma resolução de cujo preambulo se pode retirar a seguinte passagem:
se se apresentarem as condições apropriadas para pôr fim à violência pelo diálogo - com base numa clara vontade de acabar e em atitudes inequivocas que possam levar a essa convicção -, aprovamos um processo de diálogo entre as instituições competentes do Estado e os que decidam abandonar a violência
ou seja
A sociedade espanhola quer negociações que ponham fim ao conflito basco.
A ETA quer negociar com o Estado Espanhol para encontrar uma solução para o Pais Basco, fazendo depender desta negociação o abandono da luta armada.
O governo do Estado Espanhol quer o abandono da luta armada antes de se sentar à mesa com a ETA.
vão chegar a algum lado?
#1
[falta saber o tamanaho do quase...]

esta obra tem sido quase exemplar

Pedro Santana Lopes, sobre o túnel do Marquês
in Público, 18 de Maio 2005

16.5.05

#1
[uma imagem vale mais que mil palavras]



roubado aqui

15.5.05

#1
[e o benfica até ganhou...]

Just a perfect day,
Drink Sangria in the park,
And then later, when it gets dark,
We go home.
Just a perfect day,
Feed animals in the zoo
Then later, a movie, too,
And then home.

Oh it's such a perfect day,
I'm glad I spent it with you.
Oh such a perfect day,
You just keep me hanging on,
You just keep me hanging on.

Just a perfect day,
Problems all left alone,
Weekenders on our own.
It's such fun.
Just a perfect day,
You made me forget myself.
I thought I was someone else,
Someone good.

Oh it's such a perfect day,
I'm glad I spent it with you.
Oh such a perfect day,
You just keep me hanging on,
You just keep me hanging on.

You're going to reap just what you sow,
You're going to reap just what you sow,
You're going to reap just what you sow,
You're going to reap just what you sow...


Lou Reed

13.5.05

#1
[posso recomendá-los ao firme e hirto...]


Miterrand Assombra referendo francês

título do Público de hoje

12.5.05

#3
[como dizia a outra...]

a lingua inglesa fica sempre bem
#2
[eis um roteiro]
do mundo vegetariano de lisboa...
de fazer crescer água na boca!
#1
[like a movie]

1. Qual o último filme que viste no cinema?
ando com pouco tempo para cinema, apesar dos muitos filmes da minha vida.
o último filme que vi foi casa de los babys, uma viagem à pobreza do méxico e aos pequenos dramas de mulheres que procuram adoptar crianças em terra alheia.

2. Qual a tua sessão preferida?
final da tarde, 17 ou 19h

3. Qual o primeiro filme que te fascinou?
Robin dos Bosques, o primeiro que vi na tela, cinema alvalade, 1984,
Indiana Jones e os salteadores da arca perdida, o que mais vezes revi.
A lista segue com algumas dezenas largas de titulos.

4.Para que filme gostarias de ser transportado/a?
Os diários de guevara, para poder ter o prazer de atravessar a américa do sul em cima da ponderosa... ou para uma história simples, para atravessar o norte da américa num cortador de relva... ou então para guantanamera, para atravessar cuba ao volante de um carro funerário.

5.E já agora, qual a personagem de filme que terias gostado de conhecer um dia?
hum... o pai do indiana jones.

6. Que actor (actriz)/ realizador/ produtor(a)/ argumentista gostarias de convidar para jantar?
o Ken Loach, o Moretti, a Copolla, a Scarlet Johanson, o Bonovox, a milla Jovovic, a Amelie Poulain, a Juliet Binoche, o Kusturica... grande banquete!!!

7. A quem vais passar o testemunho?
acho que não vou... :p

11.5.05

#3
[Erica]*

A Erica tem 6 anos e uns enormes olhos pretos, cheios de doçura e curiosidade. Tem a energia e a travessura que a idade lhe impõe. Corre, salta e, ao fim de alguns minutos, não resiste a tentar compreender o estranho que a observa e fala com a mãe.
A Erica, com a ingenuidade dos 6 anos, não percebe porque é que a sua casa, o barraco onde vivia, foi deitada ao chão. A Mãe, que nasceu no bairro onde moram, está desesperada. Grita, chora, faz um discurso sobre a igualdade entre raças e credos, sobre direitos humanos, sobre a importância de ela e todos os vizinhos terem direito a uma casa, porque quem vive debaixo da ponte é o sapo e a estrada serve para os carros...
A Erica olha a mãe e não percebe a intrincada (des)organização que os grandes dão ao mundo. Por ela, tod@s seriam amigos como os meninos e as meninas lá do infantário. Olha a mãe com o rosto carregado, e logo rasga o sorriso traquina. Não sabe onde é que os senhores da Câmara guardaram os seus brinquedos, a sua cama, as suas roupas. Um dia chegou, com a mãe, e o barraco, que era do avô, tinha deixado de existir. Era o palácio dos seus sonhos.
A Erica não sabe quem é e o que é o presidente da Câmara. Não faz ideia de que este se recusa a resposta à mãe e aos vizinhos, que usa uma desculpa burocrata para não se ver obrigado a realojar as pessoas que os serviços camarários estão a pôr na rua.
A Erica tem 6 anos, uns enormes olhos pretos e a inocência que a idade recomenda. Não sei se, um dia, vai ter memória e a noção clara de tudo o que lhe aconteceu por estes dias.
O meu desejo é que sim, que se lembre e que a memória faça dela uma lutadora esclarecida e destemida. Desejo também que a memória nunca seja suficientemente rude para apagar a doçura do seu olhar.



o palácio dos sonhos, agora desfeito


*malditos sejam os burocratas e as razões que os movem

#2
[lindo, lindo]

é ver a Annabelle the sheep a dançar a heroin dos velvet underground.*



*com o alto patrocinio do realplayer
#1
[a régua e esquadro*]

Sobre a Tarde

Cai a tarde
Como sempre
Como sempre
Diferente
Cai a tarde
De onde não se sabe
Pela Farme
Sobre a gente
Cai a tarde
Sem parar
Cai a tarde
E tudo parda
Cai a tarde
Meu amor rega as plantas
Cai a tarde
A tarde toda
Na velocidade da luz
Cai a tarde
Que é seu fim
Cai a tarde
Que é sem fim?
Cai a tarde
Em sua finalidade
Cai a tarde
Cai a tarde

Adriana Calcanhotto


*pelas tardes do teu olhar

10.5.05

#2
[ai se descubro...]

a identidade de quem se lembrou de autorizar a presença de um tarado com um martelo pneumatico bem por baixo do meu gabinete...
#1
[verdades quase verdadinhas]

A música está na minha vida. No entanto, cantar e ritmar não são o meu forte.
Esta é uma verdade quase verdadinha que sei, pelo menos, desde os 5 anos, quando a professora da pré disse ao meu pai que eu não era muito dado a cantar...
Já levo a coisa com humor e boa disposição, e ontem, após me confrontar com evidencia pela milésiama vez, só me lembrei de trautear...

Você com sua música esqueceu o principal
É que no peito dos desafinados,
No fundo do peito bate calado,
É que no peito dos desafinados também bate um coração.

9.5.05

#1
[post a correr]

sem tempo para postar, estou vivo e recomendo-me stop
encontrei-me com a poesia stop
aguardam-se desenvolvimentos stop

saudações stop

5.5.05

#3
[dos antepassados]

Descoberto dinossauro que estava a tornar-se vegetariano

título do Público, 05 de Maio 2005
#2
[ora, os amigos são para as ocasiões]

Sob a forte liderança do ministro Portas, as forças armadas portuguesas tomaram passos de profunda transformação parase criarem forças modernas e flexiveis que tiveram um importante papel na estabilização do Afeganistão e do Iraque

excerto da nota que justifica a distinção a Paulo Portas
in
Público, 05 Maio 2005


#1
[e então?????]

Rumsfeld distingue Paulo Portas por méritos de ministério que não era da sua tutela

Título do Público, 5 de Maio de 2005

4.5.05

#1
[fare la portoghesa]

TAC "arrendado" foi objecto de inauguração em Macedo de Cavaleiros

A decisão de contratar um equipamento de TAC para o hospital de Macedo de Cavaleiros (a uma entidade privada) está a ser fortemente questionada por responsáveis autárquicos locais. No final do mês de Fevereiro, o ex-ministro da saúde, Luis Filipe Pereira, visitou o referido hospital transmontano, onde inaugurou uma Unidade de Acidentes Vasculares Cerebrais e um novo equipamento de TAC, supostamente adquirido para servir a população abrangida pelo Hospital de Macedo de Cavaleiros.
Segundo os deputados socialistas da Assembleia Municipal de Macedo de Cavaleiros, este aparelho foi contratado a uma empresa que presta serviços ao hospital desde o início do mês de Fevereiro. Esta empresa, o Instituto de Radiologia de Bragança, criada no Registo Comercial de Viana do Castelo, é detida por três sócios, um deles João Carlos Alves Costa. De acordo com o Semanário Transmontano, este médico, que se responsabilizou pela formação necessária à futura utilização do equipamento de TAC, tem ligações ao Hospital de Macedo de Cavaleiros e à entidade de Ressonância Magnética do Nordeste, sociedade bragantina também detida por Telmo Moreno, ex-presidente da distrital de Bragança do PSD.
Segundo o presidente da Assembleia Municipal de Macedo de Cavaleiros, Fernando Gomes, quem ganhará com este acordo será "o proprietário do aparelho, já que o hospital vai debitar o serviço e o utente é que terá de pagar".
Embora se desconheça as regras que regem este protocolo entre o Hospital de Macedo de Cavaleiros e a empresa privada em questão, quanto a valores e à duração de concessão do equipamento de TAC, está desde já instalada a controvérsia estre responsáveis autárquicos e de saúde locais,com base na legitimidade da contratação de um dispositivo de diagnóstico que poderia ser rentabilizado pelo próprio hospital.

In jornal Médico de Família, , 22-04-2005

3.5.05

#3
[da filosofia*]

- então e já leu alguma coisa de Sócrates?
- bem... li os 3 tomos do programa de governo. E bastou-me... Achei a sua escrita pouco concreta, há por alí uma espécie de pragmatismo frustrado que não me agarrou a leitura.
-...


* isto não é um gag ao lopes, mas podia ser.
#2
[ecg]



relatório
Onda P com alterações ligeiras na curvatura
Complexo QRS bem definido
Espaço QT com dimensão ligeiramente alterada
Ondas T e U com diferencial pouco acentuado

diagnóstico
Paixão ou estado amoroso avançado
#1
[mais alguma coisinha??]


Vou voltar a exercer advogacia, que é a minha profissão, vou dar umas aulas e vou trabalhar para um grupo financeiro na área internacional. Um ex-primeiro-ministro conhece muita gente, em África, na Europa, na América Latina.

Pedro Santana Lopes, sobre o seu futuro profissional, SIC, 2-5-2005

2.5.05

#3
[solidári@s]

CONCENTRAÇÃO DE PROTESTO
Dia 15 de Maio - 15 horas - Viseu (Praça do Rossio)

JÁ CONVOCAM: Amnistia Internacional; Horus - associação gay, lésbica, bissexual e transsexual de Viseu; SOS Racismo; Associação ILGA-Portugal; Clube Safo; PortugalGay.PT; Associação Não Te Prives; Olho Vivo - associação para a defesa do património, ambiente e direitos humanos; @t. - associação para o estudo e a defesa do direito à identidade de género; Associação Opus Gay; Panteras Rosa - Frente de Combate à Homofobia; APAV - Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, AJP-Acção Justiça e Paz;

Porque em pleno século XXI cidadãos são agredidos pelo simples facto de serem identificados como homossexuais.
Para erradicar a homofobia da sociedade portuguesa, para colocar um termo à discriminação. Antes que seja tarde!

Ø Solidariedade para com os homossexuais e demais cidadãos agredidos.
Ø Exigir a instauração de um inquérito independente à forma como as forças de segurança do distrito de Viseu lidaram com a actuação de milícias populares anti-homossexuais e a ineficiência perante as queixas de violência física e verbal de que foram vítimas.
Ø Exigir medidas do Governo Português para erradicar a homofobia da sociedade portuguesa e a discriminação.

Pelos direitos humanos - dia 15 de Maio
em Viseu a tua presença é vital!

Há camionetas organizadas a partir de Lisboa, Porto e Coimbra para Viseu: Os lugares são limitados, inscreve-te já em panteras.rosas@sapo.pt ou através do nº 21 887 39 18 (4ª a sábado, das 18h às 23h).
#2
[da arte poética]

Pousar no corpo *


Pousar no corpo do tempo
entreter-me na pele da carícia
e, na mais suave depressão
respirar o silêncio dos lábios.

como a calma da manhã despida
seduz o limiar do dia

como o tempo detém
o resplandescer do silêncio

quero-te

David Erlich, in Dnj 26 de Abril 2005


* ou a arte da sesta, digo eu
#1
[Ivo Ferreira]

Está a correr uma petição on-line pela libertação de Ivo Ferreira, preso no Dubai por fumar uns charritos. Não deixem de assinar e de divulgar.

1.5.05

#1
[e para acabar a noite...]
(...)
Uma gaivota voava, voava,
asas de vento,
coração de mar.
Como ela, somos livres,
somos livres de voar.

Uma papoila crescia, crescia,
grito vermelho
num campo qualquer.
Como ela somos livres,
somos livres de crescer.

Uma criança dizia, dizia
"quando for grande
não vou combater".
Como ela, somos livres,
somos livres de dizer.

Somos um povo que cerra fileiras,
parte à conquista
do pão e da paz.
Somos livres, somos livres,
não voltaremos atrás.

Ermelinda Duarte

29.4.05

#2 [...]

uma semana de 4 dias que pareceram 8...
vou dormir a sesta.
#1
[sempre ouvi dizer que]

a curiosidade matou o gato

27.4.05

#2
[o país dos favores]

Quando questionado, pela deputada Ana Drago, sobre a ausencia de um serviço de doenças infecto- contagiosas no caderno de encargos da parceria publico privada para a construção e gestão do novo hospital de Cascais, o actual Ministro da Saúde afirmou, sobre o processo lançado pelo seu antecessor:

(…) Infelizmente o problema não é tão simples como isso, o problema tem outras perversões implícitas, que estão muito para além mesmo da nossa capacidade de percepção. Mas, provavelmente, alguém estava interessado em que o Hospital de Cascais não tivesse infecciologia, não eram só os privados que vão concorrer a ele, eram provavelmente outros privados que estão interessados em que haja infecciologia concentrada noutros sítios. (…)

Correia de Campos, à comissão de saúde e toxicodependencia da AR, 26 de abril de 2005

Curioso é que Luis Filipe Pereira - que veio do grupo Mello para o governo e para lá voltou depois da derrota da direita -, sempre negou a existencia de interesses privados a presidir aos assuntos da saúde...

e esta heim??
#1
[o beijo]


foi leiloado uma das impressões originais do mais famoso beijo captado pela objectiva de Robert Doisneau.
apesar de ter ficado impressionado pelos 155 mil euros que um suiço pagou por ele, dei comigo a pensar que há beijos sem preço, apenas com muito valor.

26.4.05

#1
[pela avenida]


Flower Power

restará poder das flores
na república dos favores?

24.4.05

#1
[...]

diz-nos a soph, e com alguma razão

"É estranho...
...mas de facto, há coisas que mudam. Inevitavelmente. Por muito que se diga não."


detenho-me nas palavras. sintetizam o meu sentir do mundo.

21.4.05

#1
[prece*]

nunca te esqueças que foste tu...

quem escolheu esta via
quem fechou a porta
quem não quis agarrar a oportunidade
quem queimou a hipotese
quem contrariou o sentimento
quem negou o desejo.
quem não apostou no incerto.
quem evitou o obvio.
quem...

a vidinha segue dentro de momentos, num tempo novo.
Mais pobre, certamente.


* para outra noite de quase lua cheia

20.4.05

#3
[A força do PC...]

No momento em que toda a discussão na AR leva ao referendo como último reduto para a despenalização da IVG, o pcp e os verdes acabam por votar ao lado do pp contra a realização do mesmo.
Chamar-lhe cegueira politica é pouco...
#2
[...]

nice advice
#1
[das indecisões]

Jorge Sampaio não quer marcar um novo referendo sobre a despenalização da IVG.
ou é porque no verão é verão ou porque no outono é outono e temos o outro referendo para fazer e as autárquicas.
Há ainda a pressão do psd para que o referendo não aconteça e a posição dubia do ps, que diz que quer e acrescenta de seguida ai meu deus que vem aí.
E no inverno serão as presidenciais... Ora, a probabilidade de que o novo presidente seja de direita é grande, sobretudo pela ausencia quase crónica de candidat@s fortes à esquerda, o que vai tornar ainda mais complicada a alteração desta lei vergonhosa.

Raça de gente que prefere a diletância às atitudes dificeis, que não ousa arriscar no improvável, que prefere ficar benzito a curto prazo com a sua consciência , nem que para isso tenha de meter todos os esqueletos no armário, pensando te-los bem seguros e hipotecando desta forma o futuro - o seu e o dos outros.

19.4.05

#4
[das esperas]

Cinquenta e três anos, sete meses e onze dias foi o tempo que Florentino Ariza esperou por Fermina Daza.

O problema é que a vida não é um romance, e a paciência eterna reside apenas na imaginação grandiosa de gente como Garcia Marquez.
#3
[bento 16]

Ratzinger mudou de nome, mas mantém-se o seu perfil reaccionário e o branqueamento que tentou fazer da relação do vaticano com os nazis.
esperemos que dure 30 anos, para não termos de levar com outra estopada destas tão cedo.
#2
[fumo branco]

há fumo branco sobre a capela sistina.
Apenas se sabe que o papa não será uma mulher...*


*uma coprodução com Oliveirosa inc
#1
[no silêncio...]

maintenant qu'est ce que je fais...

18.4.05

#1
[infusões*]

nem sempre se sente quando a Saudade vem,
calma e serena,
como quando se levanta a madrugada.


*sem saber o que escrever, refugio-me nas palavras de uma nova/velha conhecida.

13.4.05

#4
[os verdes]

O Deputado Francisco Madeira Lopes acaba de fazer uma declaração política na AR envergando uma camisola com o dizer: OS verdes na primeira fila pelo desenvolvimento sustentável.
Não é inocente esta atitude desse mui distinto representante da classe dos cabeludos, barbudos & caixas de óculos... após as eleições de 20 de Fevereiro, o PEV foi afastado da primeira fila do plenário da AR, onde estão simbolicamente sentados elementos de todos os grupos parlamentares.
É preciso dizer com toda a frontalidade que Os Verdes deveriam trocar o seu girassol pela melancia, uma vez que são verdes por fora e vermelhos por dentro. Os Verdes são uma invenção do PCP e devem toda a sua projecção à relacção mutualista que têm com aquele partido. tendo sido fundados por elementos saidos do pcp, nunca foram a eleições sózinhos, pelo que ninguém sabe da sua real expressão, do seu real impacto. Na CDU ambos ganham: o PEV deputad@s e o PC um aliado a quem dispensa as preocupações do ambiente e que lhe dá uma capa de pluralidade unitária ... e assim lá se vão sacando alguns votos de quem pensa verde ou de quem nunca votaria no pc se este fosse sózinho às eleições.
A polémica está instalada. O Bloco ganhou mais um lugar devido ao seu crescimento, o PC, que manteve os 3 que tinha, não quis ceder um lugar ao seu parceiro de coligação (com amigos destes...) e o Ps, partido maioritário, não quis passar 1 cadeira para a direita, abrindo espaço ao PEV.
O PEV, lá da segunda fila, vai protestando como pode. E, apesar do seu carácter virtual, eu até simpatizo com o protesto... afinal eles são pequeninos e também uma espécie protegida (pelo pc, é certo), merecendo por isso um pouco mais de respeito.
#3
[em cadeia]

a Lia pergunta, eu respondo...

1-Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
ser livro para queimar? um bastante inutil, tipo da susana tamaro ou do paulo coelho

2.Já alguma vez ficaste apanhadinha(o) por um personagem de ficção?
já aconteceu foi perguntar-me se uma certa personagem por quem estou apanhadinho não será ficção...

3. Qual foi o último livro que compraste?
foram 5, a saber:
da comuna de paris ao maio de 68, de Ernest Mandel
Questões sobre o modo de Vida, de Leon Trotsky
Trincheiras, de de Viale Moutinho
Arte da Fuga, de Daniel Sampaio
Um ensaio sobre jazz de que não me lembro nome e autor

4. Qual o último livro que leste?
ao mesmo tempo e na mesma sintonia emocional, os últimso livros que li foram O Grande Gatsby de Scott Fitztgerald e as 5 semanas em balão de Julles Verne

5. Que livros estás a ler?
A arte da fuga de Daniel Sampaio, as Trincheiras de Viale Moutinho e uma catrefada de livros de poesia- alguém dizia que estes se lêem como as listas telefónicas: de vez em quando e ao acaso

6. Cinco livros que levarias para uma ilha deserta.
Alguns bem grandes que nunca li e estão na lista, a saber:
Quixote, de Cervantes
Ulysses, de Joyce
A Biblia, varios autores
O Capital, de Karl Marx
Poesia reunida de Nuno Júdice - a sophia é em 2 volumes....

7. Três pessoas a quem vais passar este testemunho e porquê?
À Still, à Carina e à C, três leitoras aplicadas de quem gostaria de saber as respostas
#2
[na distância]

Gosto de quando me invades as noites e te esgueiras entre as letras do meu livro, te insinuas nas memórias da minha música, te tornas presente no calor que me aquece, quando me ajeitas os lençois e me dás a volta aos sonhos.
Gosto quando surges de forma inesperada e te assenhoras de tudo o que é importante.
#1
[deveria era fechar às 9 da noite...]

Acha que o metro deveria funcionar até mais tarde?

Não concordo, porque quanto mais tarde o metro fechar mais malta andará na rua a fazer asneira.

Conceição Barata, 73 anos, reformada
in Público Local/Lisboa, 13 de Abril 2005

11.4.05

#1 [das flores]


Z
ma


8.4.05

#3
[firme & hirto]

Ontem conheci pessoalmente o famoso Alexandrino Firme e Hirto, um verdadeiro homem dos sete oficios na área da parapsicologia, bruxaria, embustes vários, show business e comunicação de massas.
Durante 15 minutos, e após ter apresentado o seu curriculum vitae, o homem tentou convencer um grupo de 10 pessoas sobre as suas capacidades de lidar com a mente humana, sobre a objectividade do subjectivo e sobre a pobreza interior que cada um de nós em si contém... a conversa acabou quando esta ilustre figura parou para atender o telemóvel, que polifonicava o cacarejar de um galo.
Esta é daquelas cenas que só vista, pois contada é mesmo muito dificil de acreditar nela. É por estas e por outras que às vezes dou comigo a pensar que tenho um certo jeito para encontar gente doida.
#2
[António]

Vitorino & Borges
ou o Sebastianismo versão bloco central
#1
[é disto que o meu povo gosta!!!!]

1- congresso do psd
2- funeral de Karol W
3- casamento de Carlos e Camila Papa-bolas
4- Rio ave/Benfica

este fim de semana, numa TV perto de si.

7.4.05

#5
[dá que pensar...]

Dizia ontem o Helder Macedo à Ana Sousa Dias:

se se está com medo de fazer alguma coisa então é porque se tem mesmo de a fazer ...
#4
[dos livros]

Estamos sempre à procura do livro que é necessário ler a seguir

Saul Bellow
#3
[algures no purgatório]

KV: finalmente alguém te põe os olhos em cima ò Renie... por dEUS, nunca chegas a horas a lado nenhum.
R: Rainier, Karol, já te disse que é Rainier... desculpa lá, mas a coisa estava complicada de resolver com a minha familia. As miúdas estão por aí?
KV: a santinha espera placidamente por ti, bem ao seu estilo - é uma mulher dos diabos, vais ver. A Terry estava muito agitada, com tanta fome e vontade de se mexer que acabei por lhe dar a benção e ela foi andado para a festa do Ronald
R: Ronald...?
KV: opá, aquele tipo que foi actor, não sei se estás a ver... trouxeste o protector e os óculos escuros? Olha que aquilo lá em baixo não está para brincadeiras...
R: ups.... será que a Gracinha vai estar nessa festa? como lhe explico que estou com a Lúci?
KV: Não te preocupes, a Grace Kelly anda de volta do Marlon Brando...
R: bolas...
KV: deixa lá isso... life's like. Temos é de aproveitar o descanso que a reforma nos dá. E vamos embora antes que o S. Pedro perceba que me estou a escapar da assepsia divina.
R: bora!
...
#2
[só não vê quem não quer]

(...)
ao nível da redução de riscos, há bairros onde não faz nenhum sentido ainda não existirem salas de injecção assistida. Porque elas já existem, improvisadas em barracos fechados, sem luz nem arejamento. E onde, por exemplo, a transmissão de tuberculose se faz maravilhosamente. Por isso é que doenças como a tuberculose, o HIV e a hepatite C têm indices epidemidémicos. A redução de riscos não consegue chegar lá.
(...)

Marta Pinto, co-autora de um estudo da universidade de psicologia do porto sobre a implementação e funcionamento das politicas de redução de riscos na área da toxicodependencia.
Público, 7 de Abril, 2005
#1
[já ouvi chamar muitas coisas ao capitalismo...]

Maremoto provocou dois milhões de novos pobres

título do público, 7 de Abril 2005

6.4.05

#2
[o adeus às armas]

O presidente do Sinn Fein, Gerry Adams, exortou hoje o IRA a tomar a decisão "histórica" de abandonar definitivamente a luta armada e empenhar-se num processo político.
"A luta pode ser conduzida por outros meios", declarou o chefe da ala política do Exército Republicano Irlandês (IRA), em conferência de imprensa na sede do Sinn Fein.
"No passado - lembrou -, defendi o direito do IRA a recorrer à luta armada. Fi-lo porque entendia não existir outra solução para os que recusavam ser postos de joelhos e queriam fazer face à opressão".
"Agora, há uma solução", acrescentou Adams, rodeado de membros do seu partido.
Para o líder do Sinn Fein, é chegada a altura de os militantes do IRA prosseguirem o seu empenhamento, "não arriscando voluntariamente a vida" e constituindo-se em "movimento nacional de luta pela independência e unidade"

in lusa
#1
[dos dias]

é impressão minha ou isto anda tudo um bocado empapado?

5.4.05

#2
[no café]

o tipo ao meu lado: quero uma italiana se faz favor!
pensamento, entre dois goles da minha bica cheia: eu também...
#1
[finalmente]
descobri a explicação lógica para as ideossincrasias recentes da minha vida:
fui 3 vezes a Roma e NUNCA vi o papa.

4.4.05

#4
[palavras para mastigar nº2]


Emptiness
#3
[imperdoável]


milhares de bandeiras nas janelas por este pais fora e nenhuma a meia haste, em luto pelo Voitila...
#2
[desilusões, umas atrás das outras]

O Partido Trabalhista escolheu o tema beautiful day dos U2 para hino da campanha que irá, com grande probabilidade, reeleger Blair.
Parece que o apoio de Bono ao parceiro de Bush na agressão ao iraque é entusiastico.
#1
[ouvido por aí, enquanto esperava]

aprendi que a vida é feita de situações circunstanciais

3.4.05

CHANGES

Still don't know what I was waiting for
And my time was running wild
A million dead-end streets and
Every time I thought I'd got it made
It seemed the taste was not so sweet
So I turned myself to face me
But I've never caught a glimpse
Of how the others must see the faker
I'm much too fast to take that test

Ch-ch-ch-ch-Changes
(Turn and face the strange)
Ch-ch-Changes
Don't wanna be a richer man
Ch-ch-ch-ch-Changes
(Turn and face the strange)
Ch-ch-Changes
Just gonna have to be a different man
Time may change me
But I can't trace time

Ooo yeah
I watch the ripples change their size
But never leave the stream
Of warm impermanence and
So the days float through my eyes
But still the days seem the same
And these children that you spit on
As they try to change their worlds
Are immune to your consultations
They're quite aware of what they're going through

Ch-ch-ch-ch-Changes
(Turn and face the strange)
Ch-ch-Changes
Don't tell them to grow up and out of it
Ch-ch-ch-ch-Changes
(Turn and face the strange)
Ch-ch-Changes
Where's your shame
You've left us up to our necks in it
Time may change me
But you can't trace time

Strange fascination, fascinating me
Ah Changes are taking the pace I'm going through

Ch-ch-ch-ch-Changes
(Turn and face the strange)
Ch-ch-Changes
Oh, look out you rock 'n rollers
Ch-ch-ch-ch-Changes
(Turn and face the strange)
Ch-ch-Changes
Pretty soon now you're gonna get older
Time may change me
But I can't trace time
I said that time may change me
But I can't trace time

David Bowie

2.4.05

OUVIR
Queria fazer-te entender
Que as palavras pesam como os sentimentos
E é tão difícil ouvir sem sentir
E é no silêncio
Que eu descubro os teus mistérios
Os olhos dizem o que vai no coração
E é tão difícil ouvir sem sentir

The Gift

1.4.05

#2
[palavras para mastigar nº1]

Santorini
#1
[das férias]

andando

podem encontrar mais algumas por aqui

31.3.05

#1
[dos regressos]

faz calor nesta terra. a primavera instalou-se definitivamente, aproveitando-se da minha ausencia.

28.3.05

#2
[o presente]

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
morre lentamente quem destroi o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar,
morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não muda de marca,
não se arrisca a vestir uma nova cor
ou não conversa com quem não conhece.
morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoínho de emoções,
justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.

morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida a fugir dos conselhos sensatos.
morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante...
morre lentamente, quem abandona um projecto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre
que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples facto de respirar.

Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio pleno de felicidade "
Pablo Neruda


ouvi dizer que estás triste...
não podes estar, há muito mais entre o ceu e a terrra do que imaginamos e há pessoas que nos estão sempre a fazer lembrar isso.
gosto muito de ti, a tua amizade fez muito desta pessoa que sou hoje.por isso o teu peito apertado dá um nó estrangulado no meu.
lê o texto com toda a seriedade que merece e que mereces, estarei cá no entanto para apanhar tudo o que se partir e acompanhar tudo o que se despoletar.
mil beijos

XXX
#1
[interludio]

hoje atravessei um lago, vi neve, ouvi o silencio, olhei para pessoas, explorei uma cidade vazia, fotografei a imensidao, senti...
hoje sonhei, irritei-me, tomei decisoes e voltei ao ponto de partida, tive a certeza do meu mais brilhante amor, levei com um balde de agua fria, fui parado por policias e ignorado por ladroes.
hoje uma das minhas melhores amigas deu-me um presente que me levou äs lagrimas. outra houve que disse que deveriamos fazer dele roupa interior para usar todos os dias, para nos lembrarmos sempre. outra havera que, em ultima instancia, dira que fica distante do seu entendimento.

22.3.05

#2
[até ao meu regresso]

o blogusita vai de férias e o blog também.
Ambos vão equacionar o presente e o futuro.
#1
[da poesia]

O autor propõe analisar
os efeitos do Amor

Eu cantarei de amor tão docemente
o instante em que fugir às suas dores
que o peito jamais sentiu amores
a confessar comece que amores sente.

Verá que não há dita permanente
aqui debaixo dos céus superiores,
e que as ditas altas ou menores
imitam sobre o chão sua corrente.

Verá que nem em amar alguém alcança
firmeza (embora a tenha no tormento
de idolatrar um marmor' com beleza).
porque se todo oo amor é esperança
e a esperança, é vinculo do vento,
- quem certo pode amar em tal firmeza?

Gabriel Bocángel (1603-1658)
in Antologia da poesia Espanhola do siglo de oro - barroco

21.3.05

#3
[deixasses tu e seriamos...]

The White Birds



I would that we were, my beloved, white birds on the foam of the sea!
We tire of the flame of the meteor, before it can fade and flee;
And the flame of the blue star of twilight, hung low on the rim of the sky,
Has awakened in our hearts, my beloved, a sadness that may not die.

A weariness comes from those dreamers, dew-dabbled, the lily and rose;
Ah, dream not of them, my beloved, the flame of the meteor that goes,
Or the flame of the blue star that lingers hung low in the fall of the dew:
For I would we were changed to white birds on the wandering foam: I and you!

I am haunted by numberless islands, and many a Danaan shore,
Where Time would surely forget us, and Sorrow come near us no more;
Soon far from the rose and the lily, and fret of the flames would we be,
Were we only white birds, my beloved, buoyed out on the foam of the sea!


W.B. Yeats,
The Rose (1893)
#1
[do fim de semana]

Há momentos em que não sei para onde me virar tamanha é a contradição...
No fim de contas, a forma justa que damos aos nossos actos acaba por se transformar, por excesso, no seu contrário.
#1
[da poesia]

18.3.05

#2
[...]


(...)
há momentos em que se faz luz
e depois regressamos os dois
à escuridão.

Jorge Palma, Norte
#1
[so blue...]

The Ocean



A picture in grey
Dorian Gray
Just me
By the sea

And I felt like a star
I felt the world could go far
If they listened
To what I said
By the sea

Washes my feet
Washed my feet
Splashes the soul of my shoes

U2
#1
[Continuas assim...]


e o José Manuel Fernanades ainda acaba por mandar o teu retrato para o Largo do Rato.


(...)
Mais do que esperança, o que os portugueses sentem, desde 20 de Fevereiro, é uma sensação de alívio. Sócrates pode governar bem ou mal, mas ninguém espera dele uma atitude de leviandade, enquadrada por uma constante e primária cobertura de propaganda e promoção da imagem.
Apesar deste nenhum tempo decorrido, há já quem reclame que os colunistas que antes criticavam Santana Lopes comecem já a fazer o mesmo com Sócrates, abolindo, como o fizeram com Santana, o tradicional período do "estado de graça". E, mais curioso ainda, até há quem o tenha já começado a fazer, com medo de que lhe chamem incoerente. Pois eu, que não só não respeitei o período de graça, como até comecei a criticar o Governo de Santana antes mesmo de ele ter tomado posse, não enfio o barrete. Porque as diferenças são, à partida, abissais: Sócrates não é Santana, e esse é o ponto essencial. O homem que escolhe os cargos políticos de acordo com as suas conveniências pessoais não merece dúvida nem condescendência - ou então acabemos com o choradinho sobre a falta de categoria da classe política. Por outro lado, Sócrates foi eleito por metade dos portugueses, e Santana foi cooptado, e também por razões de interesse pessoal, por aquele que eu, pessoalmente, considero o mais vazio e o mais profiteur de todos os políticos portugueses contemporâneos: Durão Barroso.
As tentativas de encontrar, desde já, terreno para atacar o Governo de Sócrates, de tão esforçadas, tornam-se ridículas. Vítor Constâncio abre a boca, defendendo impostos sobre o sector automóvel e, apenas porque é socialista, toda a gente toma as suas palavras como uma declaração do Governo, passando logo a criticar a "medida governamental". O ministro das Finanças diz uma coisa perfeitamente banal - que, se não se conseguir conter a despesa pública, será fatal aumentar impostos - e os mesmos que criticaram o descontrolo do défice, as manobras de encobrimento, como a expropriação das reformas dos pensionistas da Caixa Geral de Depósitos, ou o célebre discurso do "milagre das rosas" de Santana Lopes (aumento dos salários e das pensões, descida dos impostos), e que exigiram uma "política de verdade", caem-lhe em cima, como se ele fosse obrigado, em alternativa, e descobrir jazidas de ouro ou poços de petróleo.
(...)


Miguel Sousa Tavares, in Publico 18 de Março 2005

17.3.05

#2
[das viagens]


o bilhete está reservado. parto na 4ª.
a companhia que desejava fica em terra.
life's like.
#1
[nem mais]


hey
been trying to meet you
hey
must be a devil between us
or whores in my head
whores at my door
whores in my bed
but hey
where
have you
been if you go i will surely die
we're chained

uh said the man to the lady
uh said the lady to the man she adored
and the whores like a choir
go uh all night
and mary ain't you tired of this
uh
is
the
sound
that the mother makes when the baby breaks
we're chained"

Pixies

16.3.05

#2
[da poesia]


Rasgo o pudor,
a palavra maldita,
que arrefece
na sombra das tílias

Traço no vazio
o itinerário
da solidão


André
#1
[Limpando arquivos]


Favorecer os processos de reciclagem e síntese.
sacudir o pó acumulado pela imobilidade.
Vasculhar as marcas de uma existência, revendo os passos que deram corpo ao projecto.
Ordenar, arrumar, eliminar... verbos a conjugar.
Abrandar o emocional, procurando separar o essencial do acessório.
Respirar junto ao vidro, enquanto lá fora a primavera se espalha.

15.3.05

#2
[SG Gigante]


(...)
Mas isto é um canto
e não um lamento
já disse o que sinto
agora façamos o ponto
e mudemos de assunto
sim?
#1
[o tipo tem jeito...]


Arte poética II

Ver o mundo
como um cego o ouve

e, na mais profunda substância
dos sentidos
abraçar a habitação do tempo

tocar as palavras.


David Erlich
DNJ, 15 de Maio de 2005

14.3.05

#2
[do fim de semana II]

Memória

Tão nobre espírito
em tão estreita regra

tão vasta liberdade
em tão estreita
regra.

Sophia de Mello Breyner Andressen
in Ilhas

à C, procurando respostas
#1
[do fim de semana I]

Eram salgados
teus beijos
de maresia


roubado daqui

11.3.05

#3
[cara de pau]

Gostava de ter visto a cara dos deputados do PPM quando, ao terminar o seu discurso de ontem, o ainda presidente da AR deu um caloroso VIVA A REPÚBLICA, que foi ovacionado no hemiciclo.
#2
[sobre o papagaio delgado]

O estranho caso de Luís Delgado
Eduardo Prado Coelho, Público, 11 de Março de 2005

É mais um cronista e um administrador de jornalistas do que um jornalista propriamente dito. Nunca o vi fazer uma reportagem ou uma entrevista. Começou a ganhar alguma presença com uma coluna no Diário de Notícias correspondendo ao ponto de vista da direita mais convictamente liberal. Era, e é, uma coluna previsível. Luís Delgado aparece como um defensor da mais conservadora (no sentido amplo do termo) doutrina americana. Em determinada altura, assumia as funções de porta-voz, e, quando Bush começa a exercer o poder, escreve como se tivesse recolhido as suas confidências da véspera. Fala como se estivesse no segredo dos deuses - mas que deuses! Conhece números que só ele conhece.
De repente, deu-se uma metamorfose. Onde havia um discreto comentador, capaz de falar sobre as eleições americanas mas também sobre o euro, onde havia um ponto de vista que se cruzava com muitos outros, surge um potentado da imprensa portuguesa, com o mundo a seus pés. Ele é Lusa, grupos de imprensa, projectos de aquisição, retratos na comunicação social. O resultado foi um processo de comentarite aguda.
A gente acordava, ligava o rádio e lá estava Luís Delgado. A gente comprava o jornal e lá tinha a crónica de Luís Delgado. A gente ouvia um debate ao fim da tarde, e lá tínhamos, incansável e insone, a voz de Luís Delgado. A gente esperava um confronto no noticiário na televisão e Luís Delgado já tinha chegado. A gente adormecia, exausta, com a voz incessante de Luís Delgado, certa de que no dia seguinte lá teríamos a presença de Luís Delgado. Este homem não dorme, não descansa, não faz uma sesta, não vai a um cinema? Aparentemente, não. Indómito samurai da imprensa portuguesa, cultiva o ascetismo: é uma espécie de monge da palavra escrita e da administração de empresas. Como se os seus deuses tutelares estivessem sempre do lado de lá do telemóvel a enviar mensagens que são ordens: agora diga isto, agora digo aquilo. Na inequívoca "direitização" dos comentadores portugueses, em que Mário Bettencourt Resendes aparece como um homem de extrema-esquerda, um radical da política, Luís Delgado era o centro, a luz da evidência, o lugar de equilíbrio, o alfa e o ómega. Tudo isto ganhou o seu máximo esplendor nos tempos de Santana Lopes, embora já tivesse começado com a direita de Durão Barroso.
Na noite eleitoral, nesse estendal de desastres em torno de Santana Lopes, Luís Delgado ainda tentou dizer que as primeiras freguesias eram dos pardais, mas que depois é que íamos ver. Vimos, e ele próprio viu. Tivemos, mais tarde, um momento de extrema densidade dramática. Luís Delgado despiu a máscara que ele parece supor ser do comentarista neutro, e disse que ia falar do amigo, o Pedro. Porque o Pedro era uma vítima. E então veio a grande tese: era uma vítima de quem? De Durão Barroso, que tinha mentido ao Pedro e ao país. Sentimos a voz embargada pela emoção e tivemos direito em voz e em escrita a uma espantosa condenação daquele que tinha, num momento de precipitação, feito de Santana Lopes o nosso primeiro-ministro.
Nos últimos dias, sentimos a tristeza de Luís Delgado. Teve o seu quarto de hora de glória, parece estar a amarelecer. Já não aparece, já não comenta, já não tem música na voz. Vai-nos fazer muita falta.
#1
[um ano mais tarde]

A ignominia.
192 mortos.
milhares de vidas destroçadas.
O silêncio.

10.3.05

#1
[da bigamia]

Acordar com Ella, pensando na outra.

9.3.05

#1
[da tortura]

ouvir o cd da Carla Bruni enquanto a tarde cai lá fora.
desejar estar no teu regaço.

8.3.05

#2
[eis uma canção...]


que, desde que tenho memória dela, sempre me apareceu (e confortou) em momentos precisos e nos lugares mais inusitados: num restaurante em Dublin, num café à beira mar, numa loja de discos em Paris, numa livraria de Donostia, num cyber café em Florença, na planura de uma estrada alentejana...
Hoje foi numa estação de metro, em Lisboa.


When the day is long and the night, the night is yours alone,
When you’re sure you’ve had enough of this life, well hang on.
Don’t let yourself go, everybody cries and everybody hurts sometimes.

Sometimes everything is wrong. Now it’s time to sing along.
When your day is night alone, (hold on, hold on)
If you feel like letting go, (hold on)
When you think you’ve had too much of this life, well hang on.
(...)
REM
#1
[post ao acordar]

não me basta ser memória, quero construir memória.

7.3.05

#1
[post à José Luis Peixoto]


tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, , tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão, tudo é ilusão…

6.3.05

#1
[ora toma]

Cada Barreiro sua Cascais

José Neves, Público, 4 de Março 2005

A simpatia de alguns jornalistas em relação ao BE marcou o crescimento inicial deste mas, por si só, não o explica. Aquela simpatia inicial não chega para fazer uma tese e muito menos uma teoria da conspiração. Ela não se compara à simpatia de que em regra beneficiam PS ou PSD
Algumas das análises para o sentido do meu voto têm-me convidado a acreditar na minha leviandade social e na minha falta de cultura política. Perante os analistas que em tais termos me convidam sou tentado a concluir que eles são maus psicanalistas. E, todavia, o conhecimento e a inteligência por demais evidentes em alguns desses analistas impedem-me de cair na tentação. Tomo então as posições desses analistas em relação ao BE não propriamente enquanto análise, mas mais como contestação do Bloco. Em lugar de me indignar com essa legítima contestação, talvez que prefira compreender a razão das teses que sustentam essa contestação.
1) Gato escondido com o rabo de fora. Esta tese diz-nos que por detrás de um Bloco que se apresenta como uma novidade estarão os perigosos revolucionários de sempre. Pacheco Pereira e José Manuel Fernandes (J.M.F.), nomeadamente, denunciam Francisco Louçã por ser um herdeiro do trotskismo. O facto é efectivamente verdadeiro e Louçã nunca o escondeu. O que, a meu ver, não implica que ele tenha que se referir às hipóteses revolucionárias na China nos anos 20 para propor políticas de combate ao desemprego em Portugal. Atrás do novo Louçã de hoje estará em parte o velho Louçã de sempre - eis um facto que não chega para uma denúncia nem para uma acusação. E mesmo se Louçã guardasse esqueletos no seu armário político - se tivesse apoiado a Albânia ou o Camboja - ele ainda teria todo o direito à cidade, tal como têm J.M.F. ou Pacheco Pereira.
2) O efeito pernicioso desta tese é a redução da experiência política do BE a uma mera artimanha - ele não seria mais do que a "soma das partes", uma sigla ao serviço de velhas siglas. Ora, é esta ideia que desde logo impede que os nossos analistas juntem novas análises à sua contestação. Eles não chegam a encarar o BE como uma realidade com uma história própria ainda que curta; antes fazem dele o novo rosto do "Demónio Vermelho". Perdem assim a oportunidade de, pensando sobre a breve história do BE, juntarem mais argumentos à sua própria contestação. Mantendo viva uma polémica com argumentos da guerra fria, eles sintetizam com originalidade o antitrotskismo estalinista e o anticomunismo liberal.
3) O BE como produção mediática por excelência. Nesta tese, a incapacidade dos nossos analistas em explicar uma certa afinidade entre o BE e a comunicação social leva-os a sugerir essa relação em termos de teoria da conspiração. A mim parece claro que a simpatia de alguns jornalistas em relação ao BE marcou o crescimento inicial deste. Mas, por si só, ela não o explica. Aquela simpatia inicial não chega para fazer uma tese e muito menos uma teoria da conspiração. Ela não se compara à simpatia de que em regra beneficiam PS ou PSD. A este nível, parece-me sim plausível sugerir diferenças favoráveis ao BE em comparação com o PCP. Será contudo precipitado reduzir a capacidade mediática do BE ao "complexo de esquerda" dos "media" que Pacheco Pereira refere. Mantendo-nos por aspectos politicamente superficiais é hoje em dia bem mais evidente, desde logo, o encontro entre o tipo de retórica de Louçã e as gramáticas comunicacionais dominantes. Como, em geral, parece também claro que entre a "estética" do BE e as "estéticas" da comunicação social existem várias zonas de contacto. Isto não se explica por "cedências" do BE: por exemplo, onde este claramente cedeu - a personalização hierárquica da campanha num líder -, já o PCP há muito tinha cedido sem que tal resolvesse o seu divórcio com os "media". Em suma, creio que será sempre ridículo reduzir a questão à "forma" como são ditas as coisas, pois faz toda a diferença aquilo que é dito. É por exemplo evidente que a clareza da posição do BE face ao aborto ou face à guerra lhe garantiu algum protagonismo face a um PS que se contradisse em relação a ambas as questões.
As teorias da conspiração e os seus processos de intenção são pouco mais do que mistificações. J.M.F. - vezes sem conta primitivamente acusado de ser a "voz do dono" - e Pacheco Pereira - reduzido a "inimigo interno" do seu próprio partido - sabem-no melhor do que muitos.
4) O voto politicamente inculto. Avançada sobretudo na última campanha, esta tese assenta sobre a invenção de um conceito universal de "cultura política". Ela é arrogante não por defender que não se vote no BE, mas por argumentar em termos de autoridade: começando por destituir de qualquer racionalidade as razões políticas do voto no BE, ela acaba o debate antes de o começar. A tese é fraca a menos que se entenda que qualquer definição formal de "cultura política" depende estritamente dos conteúdos particulares da "cultura política" dos analistas que contestam o BE.
5) O voto elitista. Eis a tese mais criticável. Apetece caricaturá-la e dizer que, com os presentes resultados eleitorais, esta tese seria sustentável apenas deslocando a marina de Cascais para pleno Tejo, até à beira do Barreiro, onde o BE teve uma enorme votação. A tese diz que só vota no BE quem é rico e quem não tem problemas na vida. Mais do que relativizar a tese, interessa-nos atacar um pressuposto da mesma, o que concebe as questões de "moral" como assunto exclusivo de ricos e das suas "burguesias". O "povo", esse, será inconsciente e amoral. Porque sobrevive estupidificado pelas suas necessidades materiais de subsistência, ele não se preocupa com as "questões pós-materiais" e "pós-modernas" da agenda do BE.
Deixando de lado ícones bloquistas tão "materiais" e "modernos" como o desemprego e a guerra, peguemos então nos "pós-materiais": aborto, feminismo, homossexuais e droga. Sem sofisticar a análise, podemos ver como estas questões são profundamente "materiais" e imanentes à vida do "povo": A gravidez indesejada bate à porta de todas as casas; a violência doméstica chega tanto a operárias quanto a burguesas; a repressão da homossexualidade é pelo menos tão sentida na fábrica como na universidade; e a toxicodependência não respeita as fronteiras de classe.
A tese do "voto elitista" é ela sim elitista, porque a ela subjaze uma concepção de certos problemas como preocupações próprias de uma imaginada intimidade burguesa. Não por acaso, essa concepção alimenta tanto o pior da tradição marxista-leninista como o mais cínico conservadorismo. Em ambos os casos, a concepção limita os sentidos da qualidade de vida e os seus ícones "pós-materiais", no tempo de hoje, a uns poucos privilegiados. Em ambos os casos, o direito de todos ao sentido da qualidade de vida é apenas prometido para o tempo dos amanhãs que cantam. Como se a questão fosse "mais" e não "melhor".
5) A resposta de Bertolucci. Foi precisamente contra esta privatização do direito de todos à espiritualidade pessoal que Bertolucci um dia filmou um funcionário comunista em profunda depressão por causa de uma desilusão amorosa. Na cena seguinte, o funcionário pede ao seu superior que lhe explique como era possível que ele tivesse perdido a vontade de fazer o seu trabalho político apenas por razão de uma depressão amorosa. Este, um velho comunista romântico, disse-lhe que ele há muito deveria ter percebido que as "coisas do espírito" são sempre "coisas da matéria": "O amor não é uma superestrutura." Estou certo de que não foi por amor que tanta gente votou no BE. Mas também não foi por falta de cultura política.

4.3.05

#1
[em memória]

Avó

3.3.05

#1
[Da Lanterna Mágica]

Filmes da última semana

Vera Drake


Tal como nos dias de hoje em Portugal, na Inglaterra dos anos 50 quem tinha dinheiro pagava para abortar em segurança e anónimato, quem não tinha ficava à mercê do destino.

Mar Adentro



A história de Rámon Sanpedro e a sua luta pelo direito à dignidade na morte.


Sideways



A vida a correr.
A cor do vinho.
A natureza de ambos.