31.3.05

#1
[dos regressos]

faz calor nesta terra. a primavera instalou-se definitivamente, aproveitando-se da minha ausencia.

28.3.05

#2
[o presente]

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
morre lentamente quem destroi o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar,
morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não muda de marca,
não se arrisca a vestir uma nova cor
ou não conversa com quem não conhece.
morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoínho de emoções,
justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.

morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida a fugir dos conselhos sensatos.
morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante...
morre lentamente, quem abandona um projecto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre
que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples facto de respirar.

Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio pleno de felicidade "
Pablo Neruda


ouvi dizer que estás triste...
não podes estar, há muito mais entre o ceu e a terrra do que imaginamos e há pessoas que nos estão sempre a fazer lembrar isso.
gosto muito de ti, a tua amizade fez muito desta pessoa que sou hoje.por isso o teu peito apertado dá um nó estrangulado no meu.
lê o texto com toda a seriedade que merece e que mereces, estarei cá no entanto para apanhar tudo o que se partir e acompanhar tudo o que se despoletar.
mil beijos

XXX
#1
[interludio]

hoje atravessei um lago, vi neve, ouvi o silencio, olhei para pessoas, explorei uma cidade vazia, fotografei a imensidao, senti...
hoje sonhei, irritei-me, tomei decisoes e voltei ao ponto de partida, tive a certeza do meu mais brilhante amor, levei com um balde de agua fria, fui parado por policias e ignorado por ladroes.
hoje uma das minhas melhores amigas deu-me um presente que me levou äs lagrimas. outra houve que disse que deveriamos fazer dele roupa interior para usar todos os dias, para nos lembrarmos sempre. outra havera que, em ultima instancia, dira que fica distante do seu entendimento.

22.3.05

#2
[até ao meu regresso]

o blogusita vai de férias e o blog também.
Ambos vão equacionar o presente e o futuro.
#1
[da poesia]

O autor propõe analisar
os efeitos do Amor

Eu cantarei de amor tão docemente
o instante em que fugir às suas dores
que o peito jamais sentiu amores
a confessar comece que amores sente.

Verá que não há dita permanente
aqui debaixo dos céus superiores,
e que as ditas altas ou menores
imitam sobre o chão sua corrente.

Verá que nem em amar alguém alcança
firmeza (embora a tenha no tormento
de idolatrar um marmor' com beleza).
porque se todo oo amor é esperança
e a esperança, é vinculo do vento,
- quem certo pode amar em tal firmeza?

Gabriel Bocángel (1603-1658)
in Antologia da poesia Espanhola do siglo de oro - barroco

21.3.05

#3
[deixasses tu e seriamos...]

The White Birds



I would that we were, my beloved, white birds on the foam of the sea!
We tire of the flame of the meteor, before it can fade and flee;
And the flame of the blue star of twilight, hung low on the rim of the sky,
Has awakened in our hearts, my beloved, a sadness that may not die.

A weariness comes from those dreamers, dew-dabbled, the lily and rose;
Ah, dream not of them, my beloved, the flame of the meteor that goes,
Or the flame of the blue star that lingers hung low in the fall of the dew:
For I would we were changed to white birds on the wandering foam: I and you!

I am haunted by numberless islands, and many a Danaan shore,
Where Time would surely forget us, and Sorrow come near us no more;
Soon far from the rose and the lily, and fret of the flames would we be,
Were we only white birds, my beloved, buoyed out on the foam of the sea!


W.B. Yeats,
The Rose (1893)
#1
[do fim de semana]

Há momentos em que não sei para onde me virar tamanha é a contradição...
No fim de contas, a forma justa que damos aos nossos actos acaba por se transformar, por excesso, no seu contrário.
#1
[da poesia]

18.3.05

#2
[...]


(...)
há momentos em que se faz luz
e depois regressamos os dois
à escuridão.

Jorge Palma, Norte
#1
[so blue...]

The Ocean



A picture in grey
Dorian Gray
Just me
By the sea

And I felt like a star
I felt the world could go far
If they listened
To what I said
By the sea

Washes my feet
Washed my feet
Splashes the soul of my shoes

U2
#1
[Continuas assim...]


e o José Manuel Fernanades ainda acaba por mandar o teu retrato para o Largo do Rato.


(...)
Mais do que esperança, o que os portugueses sentem, desde 20 de Fevereiro, é uma sensação de alívio. Sócrates pode governar bem ou mal, mas ninguém espera dele uma atitude de leviandade, enquadrada por uma constante e primária cobertura de propaganda e promoção da imagem.
Apesar deste nenhum tempo decorrido, há já quem reclame que os colunistas que antes criticavam Santana Lopes comecem já a fazer o mesmo com Sócrates, abolindo, como o fizeram com Santana, o tradicional período do "estado de graça". E, mais curioso ainda, até há quem o tenha já começado a fazer, com medo de que lhe chamem incoerente. Pois eu, que não só não respeitei o período de graça, como até comecei a criticar o Governo de Santana antes mesmo de ele ter tomado posse, não enfio o barrete. Porque as diferenças são, à partida, abissais: Sócrates não é Santana, e esse é o ponto essencial. O homem que escolhe os cargos políticos de acordo com as suas conveniências pessoais não merece dúvida nem condescendência - ou então acabemos com o choradinho sobre a falta de categoria da classe política. Por outro lado, Sócrates foi eleito por metade dos portugueses, e Santana foi cooptado, e também por razões de interesse pessoal, por aquele que eu, pessoalmente, considero o mais vazio e o mais profiteur de todos os políticos portugueses contemporâneos: Durão Barroso.
As tentativas de encontrar, desde já, terreno para atacar o Governo de Sócrates, de tão esforçadas, tornam-se ridículas. Vítor Constâncio abre a boca, defendendo impostos sobre o sector automóvel e, apenas porque é socialista, toda a gente toma as suas palavras como uma declaração do Governo, passando logo a criticar a "medida governamental". O ministro das Finanças diz uma coisa perfeitamente banal - que, se não se conseguir conter a despesa pública, será fatal aumentar impostos - e os mesmos que criticaram o descontrolo do défice, as manobras de encobrimento, como a expropriação das reformas dos pensionistas da Caixa Geral de Depósitos, ou o célebre discurso do "milagre das rosas" de Santana Lopes (aumento dos salários e das pensões, descida dos impostos), e que exigiram uma "política de verdade", caem-lhe em cima, como se ele fosse obrigado, em alternativa, e descobrir jazidas de ouro ou poços de petróleo.
(...)


Miguel Sousa Tavares, in Publico 18 de Março 2005

17.3.05

#2
[das viagens]


o bilhete está reservado. parto na 4ª.
a companhia que desejava fica em terra.
life's like.
#1
[nem mais]


hey
been trying to meet you
hey
must be a devil between us
or whores in my head
whores at my door
whores in my bed
but hey
where
have you
been if you go i will surely die
we're chained

uh said the man to the lady
uh said the lady to the man she adored
and the whores like a choir
go uh all night
and mary ain't you tired of this
uh
is
the
sound
that the mother makes when the baby breaks
we're chained"

Pixies

16.3.05

#2
[da poesia]


Rasgo o pudor,
a palavra maldita,
que arrefece
na sombra das tílias

Traço no vazio
o itinerário
da solidão


André
#1
[Limpando arquivos]


Favorecer os processos de reciclagem e síntese.
sacudir o pó acumulado pela imobilidade.
Vasculhar as marcas de uma existência, revendo os passos que deram corpo ao projecto.
Ordenar, arrumar, eliminar... verbos a conjugar.
Abrandar o emocional, procurando separar o essencial do acessório.
Respirar junto ao vidro, enquanto lá fora a primavera se espalha.

15.3.05

#2
[SG Gigante]


(...)
Mas isto é um canto
e não um lamento
já disse o que sinto
agora façamos o ponto
e mudemos de assunto
sim?
#1
[o tipo tem jeito...]


Arte poética II

Ver o mundo
como um cego o ouve

e, na mais profunda substância
dos sentidos
abraçar a habitação do tempo

tocar as palavras.


David Erlich
DNJ, 15 de Maio de 2005

14.3.05

#2
[do fim de semana II]

Memória

Tão nobre espírito
em tão estreita regra

tão vasta liberdade
em tão estreita
regra.

Sophia de Mello Breyner Andressen
in Ilhas

à C, procurando respostas
#1
[do fim de semana I]

Eram salgados
teus beijos
de maresia


roubado daqui

11.3.05

#3
[cara de pau]

Gostava de ter visto a cara dos deputados do PPM quando, ao terminar o seu discurso de ontem, o ainda presidente da AR deu um caloroso VIVA A REPÚBLICA, que foi ovacionado no hemiciclo.