4.2.05

#1
[noticias da bola]

A FIFA está prestes a anunciar que os jogos de futebol em Portugal servirão de palco à introdução de um novo equipamento que irá melhorar as performances dos árbitros de futebol: a pulseira electrónica.

3.2.05

#1
[para acrescentar às palavras ditas]


Tenho que fingir que a tua boca não foi assim tão dulcíssima e que afinal a tua respiração não era assim tão ciclónica. Tenho que me convencer que o que carrego no peito não são brasas. Acreditar que a tua língua já não me encerra nos sonhos.

E acima de tudo tenho que me amarrar, cada vez que me lembro que também tu derivas numa vida que julgas ser a certa.

(roubado aqui.)

2.2.05

#1
[post de dizer]


que me sinto leve, aliviado.

1.2.05

#1
[porque]


há palavras, pequenas, simples, casuais, repentinas, que mudam a disposição dos nossos dias.

Há palavras que nos beijam

Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

Alexandre O'Neill

31.1.05

#1
[post de dizer...]

que estou sem palavras.

28.1.05

#3
[procura-se]

post simples, desempoeirado, poetico, literário, aberto ao sonho, original, inteligente, apaixonado, apaixonante, com substância e cultura, arejado, viajado, letrado, dinâmico, aventureiro, bem disposto...
para compromisso sério e durador num blogue perto de si.
resposta endereçada ao contacto desta espelunca.
agradecido
a gerencia
#2
[post de dizer....]

que há coisas que me deixam muito bem disposto.
bacalhau espiritual, por exemplo.

#1
[de fazer inveja]

Algumas razões que me levam a classificar Santana como um ditadorzeco sul americano em potência:
- a forma como chegou ao poder
- a evocação constante do pai fundador - este tem estátua no Areeiro e não se chama Simon.
- aquele ar grave e sério de quem moi um sentimento
- a postura de estadista solitário que enfrenta ventos e marés,
- a vitimização constante
- a sesta que não dormiu e os seguranças que despediu por um deles ter bufado essa obvia e caluniosa mentira
- Ter-se mudado de facto (e com todo o guarda fatos) para a residencia oficial, algo que já não se via desde a morte do único ditador a sério tivemos no último século.
- o kit de emergência requisitado ao INEM desde Julho e que o acompanaha diariamente - note-se que, no nosso país, existem apenas 3 daqueles equipamentos e que Sampaio, que tem alto risco cardiaco, só se faz acompanhar de um quando sai para fora do país...
- as gafes que mete, os disparates que diz, a incompetencia que demonstra, as ratoeiras onde constantemente se deixa cair.
- as ameaças às agencias de sondagens
- os inimigos velados que cultiva nas suas fileiras.
- o estilo informal que pratica em alguns circulos
- a cabeleira cuspidinha para trás - dizem que lhe dá charme...
- ...

São argumentos de fazer inveja a qualquer ditator sul americano, dos veraddeiros ou daqueles que, à imagem do real, Garcia Marquez satirizou...

27.1.05

#3
[ o busto]

(...) aquela cabeça continua perfeita, organizada.

ibidem, sobre a cabeça de Álvaro Cunhal
#2
[mesa de pé de galo?!?]

Já te encontraste com o camarada Álvaro Cunhal?
Já, e foi um encontro muito bom (...)

Jerónimo de Sousa, em entrevista ao Avante

#1
[isto não é normal]

o Soares a elogiar o Bloco?
o Freitas a apoiar o PS?
Eu disse: ò Afonso isto não é normal!

26.1.05

#3
[em memória]

Comemoram-se agora os 60 anos da libertação do campo de Auschwitz pelas tropas do exercito vermelho. Foi em janeiro que o mundo teve de abrir os olhos e parar de fingir que o holocausto era uma parte menor da cruzada de hitler. As organizações internacionais sionistas já vinham denunciando o terror vivido nos campos e nos ghetos, mas poucos foram os governos que confrontaram o reich com esta situação - salazar, por exemplo, encheu os cofres do estado com ouro vindo directamente das proteses arrancadas aos prisioneiros, entregou suspeitos e fez de tudo para agradar a berlim, como retirar a nacionalidade portuguesa a Vieira da Silva, por esta ser casada com um judeu.
Para lá da desgraça, ficam gestos de homens e mulheres, como Aristides de Souza Mendes - consul português em Bordéus que, contrariando as ordens do governo, facilitou milhares de passaportes a fugitivos -, que nos fazem acreditar um pouco mais no bicho humano.
Deixo-vos um texto retirado do meu caderno de viagem, quando, durante um interrail, visitei Auschwitz.
Antes de terminar, não queria deixar de lamentar que, tantos anos, mortos e horrores depois, o estado de Israel esteja a fazer na Palestina algo que, não se comparando na dimensão fisica, tem uma dimensão ética e simbólica muito similares.

********************
18 de Agosto de 2000

(...) vamos a caminho do campo de concentração. A R ainda não decidiu se o vai visitar. Eu tenho de ir, preciso de ver com os meus olhos como é esse lugar maquiavélico... por mim, pela memória das vitimas de toda aquela loucura, por Anne Frank, pelo não esquecimento.
Há anos que me interesso pela guerra: vi filmes, li e estudei muito, já estive em alguns lugares... tenho de ir ali, por mais que custe, por mais que doa.
(...)
Não sei muito bem o que dizer sobre a visita.
A história, já a sabia, mas os pormenores, as imagens... imagens impressionantes que são uma fracção mínima do terror que ali se viveu e da loucura a que o III reich chegou. Toneladas de cabelos, que serviriam para fazer têxteis, milhares de sapatos, que seriam entregues a quem, na Alemanha, deles tivesse necessidade, tal como as roupas e os utensílios pessoais...
Casas frias, tarimbas alinhadas, formando longas camas comuns onde dormiam milhares de pessoas, refeições escassas, trabalhos forçados...
Na entrada do campo de Auschwitz (o nome dado pelos Alemães ao lugar de Oswiecien) era dito aos prisioneiros, já no período final da guerra, que dali só tinham uma saída: a chaminé do crematório... logo se fazia uma selecção: as crianças, as mulheres e os incapacitados para o trabalho eram, geralmente, gaseados e cremados, servindo as cinzas como fertilizante. Os homens capazes eram orientados para o trabalho, que faziam quase ininterruptamente, de forma desumana e escrava.
Durante 5 anos, neste campo e nos que o rodeavam – existia ali uma extensa e “bem pensada” rede de campos – morreram cerca de 1,5 milhões de pessoas, entre judeus, ciganos, presos políticos, presos de guerra, homossexuais e outros. Além da Polónia e da Alemanha, chegavam também de Roma, Lyon, da Hungria, da Rússia e de outras paragens longínquas.
Hoje o espaço até é bonito: verde, ordenado e silencioso. Mas a Memória torna aquele sitio num lugar maldito, onde, diariamente, acorrem milhares de pessoas para recordar, pessoas que, com atitudes de todo o género – há quem mantenha o silêncio, há quem converse ao telemóvel dentro da câmara de gás... -, são olhadas à distância pelos habitantes da povoação que dá nome à estação de comboio mais próxima. E é preciso recordar, não deixar que o horror fique escondido atrás dos muros, para que se esgotem as possibilidades de repetição de tudo isto, de acontecer qualquer coisa semelhante.
Saí do campo com vontade de muitas coisa, de gritar, de chorar, de não dizer nada... com muita raiva de toda a crua realidade da história, de todo o ódio que, em nome das ideias, se pode gerar.
Não me arrependo nada de ter ido.
#2
[Sousa Tavares]

Miguel Sousa Tavares tem dias.
dias em que acorda de esquerda, dias em que acorda de direita e dias em que acorda, simplesmente, parvo. foi num destes últimos que, há duas semanas, escreveu um texto onde atacava Sónia Fertuzinhos, uma das mais destacadas deputadas do PS na última legislatura, dizendo desconhecer o seu trabalho, bem como a importância das questões do género na política.
hoje tem a resposta que merece.

Os Homens
MADALENA BARBOSA *
Publico, 26 de Janeiro de 2005

Miguel Sousa Tavares é sem dúvida um homem abençoado. Bem-nascido, recebida a melhor educação, com o dom da palavra (mais escrita que oral), este nosso "troca-letras" escreve crónicas brilhantes desde que não toquem num assunto tabu: as mulheres. Para MST, as mulheres não são assunto de que se fale, pois não têm problemas nenhuns, não constituem uma das tais "espécies ameaçadas", nem nada justifica que se juntem em grupos de defesa de interesses próprios, pois não os têm. Se não, como a pergunta "O que será uma mulher socialista?".
Para o elucidar, eu conto-lhe - uma mulher socialista é uma mulher, antes de tudo: nasce-se mulher ou homem, não se nasce socialista ou comunista, ou social-democrata. Se não, teríamos o proverbial anúncio do bebé, na maternidade, quando se comunica à família o nascimento, em vez de "é uma menina ou é um menino", dir-se-ia "é comunista ou é PP".
Portanto, é-se primeiro mulher ou homem. Depois, normalmente já na idade da razão, escolhe-se uma ideologia que nos parece mais justa, mais de acordo com o nosso ideal de sociedade. E há mulheres que escolheram ser socialistas, daí o termo mulher socialista. Aos homens chama-se simplesmente socialistas. Afinal eles são o padrão, os representantes da espécie humana.
Não se diz homem socialista, porque eles são o partido, são o grupo. E sendo todos os partidos, grupos de rapazes (eu sei que não gostam que os chamem assim, mas enfim, também não gosto de ser espécie protegida), tornou-se clara e urgente e necessária a formação de grupos de mulheres nos partidos. E eles existem em todas as partes do mundo, creio que MST o deve saber, dada a vastidão da sua cultura geral, embora, nestas coisas do mulherio, pretenda sempre apresentar todas as questões como uma "carolice nacional". Existem grupos de mulheres nos partidos porque estas são discriminadas e precisam de uma voz colectiva que se faça ouvir. Porque têm coisas a dizer e a fazer que os homens não dizem nem fazem. Porque as suas experiências de vida são diferentes e essa diferença é uma mais valia para a política, ou seja, para a gestão das coisas públicas, feita para mulheres e homens.
Partidos sempre de maioria masculina, feitos por homens para homens, dizem representar o povo português, mas acabam representando apenas parte dele. De facto, pode-se chamar ao PS, ao PCP, ao PSD, ao PP, ao Bloco de Esquerda, a todos eles afinal, grupos dos homens socialistas, comunistas, etc.etc. Provas? As tais listas de deputados, de todos os partidos, ao longo de todos estes anos de democracia. Ou os governos, em todos este anos de democracia. Ou os directores gerais, em todos estes anos de democracia. Ou os membros das Comissões, os Presidentes dos Institutos, os patrões, os mandantes, enfim, o poder, neste pobre e mal governado país.
Não é portanto carolice que as mulheres se juntem num partido para conseguir, não protecção, mas aquilo a que têm direito - justiça, no cumprimento da Constituição Portuguesa, usufruto dos Direitos Humanos, participação na democracia, que, por enquanto, mais não é do que uma fantasia em que queremos acreditar. Enquanto as mulheres, 52 por cento da população, forem 20 por cento na AR e 13,5 por cento no Governo, é uma democracia paraplégica. Como dizia a ex-Secretária Geral do Conselho da Europa, esta democracia só vê com um olho, mexe um braço e anda com uma perna. Meninos, estamos a brincar ou quê? Talvez a voltar à ortodoxia da democracia grega, só cidadãos, mulheres ao gineceu.
Que todos os partidos, ou quase, falem de igualdade, é um lugar comum. Que se comportem em função dessa declaração de princípios, é um lugar vazio. Que o PS escolha não pôr nas suas listas a pessoa que foi eleita para ser a porta voz da consciência do partido que, tal como o grilo do Pinóquio, diria, de vez em quando - olhem que as mulheres existem - é uma ofensa a todas as mulheres que votaram em Sónia Fertuzinhos para que defendesse os seus interesses. Essa eleição não interessa? É menos do que os tais órgãos locais? Tem menos vozes? Ou são apenas mulheres?
Em 2005, as mulheres não precisam de protecção - organizam-se e lutam pelos direitos de cidadania que, garantidos por lei, lhes são tirados na prática. Um deles é ser eleita. Direito que lhe vem a ser negado pela tal escolha das tais listas. Elaboradas no segredo dos deuses, seguem que critérios? 90 por cento dos deputados entram e saem da A.R. sem nada que se saiba deles. Competências? Aptidões? Se fossem escolhidos por concursos, a Assembleia estaria repleta de mulheres, como as universidades, os centros de investigação, e cada vez mais todos os lugares que não são de nomeação.
E por isso estou de acordo com o que Inês Pedrosa diz, que a mulher, no dicionário mental da política portuguesa, pode ser usada nas campanhas eleitorais "Em caso de aguda necessidade podem utilizar-se mulheres notórias ou mesmo notáveis - mas por curtos períodos de modo a não perturbar as instituições". Repetidos estão os argumentos, que um passado Comandante da PSP exprimiu há anos - a entrada das mulheres na polícia, em número significativo, iria mudar a cultura da instituição. Esta, como outras, que estão em urgente necessidade de mudança, mas que persistem, caducas, mal geridas, mantendo o poder graças a que interesses?
Pois é MST, se o feminismo não lhe parece que esteja na moda, asseguro-lhe que a misoginia também não. E quanto ao aborto... sempre lhe digo que ao fim de 25 anos de tentar a sua descriminalização, é difícil de acreditar que venha naturalmente a acontecer. E é escusado acusar quem a defende de a prejudicar. Quer dizer que se todos e todas se calassem a evolução seria para a sociedade perfeita? Porque não deixa então de escrever e defender o que pensa? Tudo virá naturalmente a acontecer ou não - o fim da corrupção, a péssima governação, a cultura do povo, a distribuição justa da riqueza, o fim da fome e da pobreza, a justiça, enfim. Meu não amigo, já ninguém acredita na história teleológica, que tudo caminha para o bem comum. Nem tão pouco na maldição e perversidade das mulheres, filhas de Eva, como na Idade Média. Lembre-se doutra, limite-se às suas competências que são muitas. O assunto "mulheres" não é o seu forte.

*Feminista, socialista e mulher, chamada em outros lugares do mundo "gender expert"
#1
[crónicas do influenza]

Ao fim de quase 3 dias de hibernação forçada (gripe a quanto obrigas!!), o blogger saiu de casa para fazer coisas importantes, a saber:
1- pagar contas :(
2- beber café :)))
3- comprar laranjas no supermercado - os saldos do psd só começam na noite de dia 20 e não penso que a oferta venha a ser de interesse.
4- vir à biblioteca e encher-me de net à pala do Seara.
5- apagar 50 mails e ler os 5 que valiam realmente a pena.
6- postar, postar e repostar.

E amanhã volto ao trabalho, não vá o grande chefe acusar-me de baixa fraudulenta.

24.1.05

#4
[homenagem ao fdp]

eis um texto que me agrada muito.

Discurso do filho-da-puta

Balada ditirâmbica
do pequeno e do grande filho-da-puta

Pela mão de Alberto Pimenta
#3
[em memória...]


Bésame, bésame mucho,
Como si fuera esta noche la última vez.
Besame, besame mucho,
Que tengo miedo perderte,
Perderte otra vez.

Quiero tenerte muy
Cerca, mirarme en tus
Ojos, verte junto a mí,
Piensa que tal vez
Mañana yo ya estaré
Lejos, muy lejos de ti.

Bésame, bésame mucho,
Como si fuera esta noche la última vez.
Bésame mucho,
Que tengo miedo perderte,
Perderte después.

Consuelo Velazquez
1924-2005
#2
[Encontros de fim de semana II]




a mostra retrospectiva da obra de Vieira da Silva nas colecções internacionais vale mesmo a pena ser visitada, na fundação Vieira da Silva Arpad Szenes, para os lados da mãe d'água. termina a 30 deste mês.
#1
[encontros de fim de semana]


não terá sido o melhor encontro que tive este fim de semana, mas o influenza, responsável pela gripe que carrego, deixou-me de rastos


21.1.05

#2
[sobre a vida]

Não sei se, do ponto de vista estratégico, isto traz algo à questão do aborto ou ao Bloco de Esquerda, mas deu muito gozo ver o Portas entalado desta maneira....

Os líderes do CDS/PP, Paulo Portas, e do Bloco de Esquerda (BE), Francisco Louçã, travaram ontem à noite um aceso debate na SIC Notícias, com troca de acusações a propósito do aborto e da banca.
No final do debate, que durou cerca de uma hora, Paulo Portas acusou o BE de não defender o direito ao nascimento e Francisco Louçã reagiu, argumentando que o líder do CDS/PP "não tem direito a falar de vida"."Há uma vida que tem o direito a nascer, ou não. De acordo com o BE, não tem; de acordo connosco, tem", disse Paulo Portas, para justificar a posição do CDS/PP a favor do "actual quadro legal" que penaliza o aborto com pena de prisão até três anos.
"Não me fale de vida, não tem direito a falar de vida", interrompeu o dirigente do BE.
"Quem é o senhor para me dar ou não o direito de falar?", protestou Paulo Portas, levando Louçã a responder: "O senhor não sabe o que é gerar uma vida. Eu tenho uma filha. Sei o que é o sorriso de uma criança".

última Hora, Público, sobre o debate da SIC notícas de ontem.
#1
[da doçaria II]

diz-me a amaranta, via e-mail

Então tu achas improvável amoras e framboesas com chocolate quente??? De onde é que tu vens??? É essa gente do sul que não sabe o que é bom e de vez em quando apanha surpresas. Qualquer dos frutos vermelhos tipo baga (aquela secção imensa que em inglês acaba sempre em berry) fica bem com chocolate. Aliás, se gostaste dessa combinação prova o bolo conhecido como Floresta Negra (da região indicada). consiste em várias camadas de 2/3 cm de bolo de chocolate intercaladas com frutos vermelhos variados e natas batidas, tudo coberto com frutos vermelhos e raspas de chocolate. Isso sim é um manjar dos deuses.

Pronto, não se fala mais nisso...