#1
[da doçaria]
ontem experimentei uma improvável combinação: amoras e framboesas com chocolate quente.
DELICIOSO!
20.1.05
18.1.05
#4
[da ideologia]
José Victor Malheiros sintetiza, no publico de hoje, uma ideia que há muito defendo: as ideologias não morreram, são necessárias e fazem sentido no contexto social do ser humano. Dizer o contrário é, por si só, uma atitude ideológica, de quem lida só até certo ponto com o contraditório.
Ideologia
Por JOSÉ VITOR MALHEIROS
Publico, 18 de Janeiro de 2005
Há uns dias, numa reunião no Centro Cultural de Belém, José Sócrates afirmava que, caso o PS ganhasse as eleições legislativas, iria introduzir alterações ao Código do Trabalho aprovado pela actual maioria, mas que mas não iria revogá-lo "apenas por objecções ideológicas".
As razões ideológicas têm, é evidente, má imagem e, desse ponto de vista Sócrates pode ter marcado um ponto. As pessoas estão habituadas a ouvir falar de erros (quando não de massacres) cometidos em nome da ideologia e alguém que apresente "razões ideológicas" para os seus actos parece na melhor das hipóteses um velho casmurro caminhando para o abismo.
"Razões ideológicas" soam a sectarismo partidário, a irracionalidade, a fanatismo, enquanto a sua recusa tem a imagem do pragmatismo, da flexibilidade e da razoabilidade.
Acontece porém que o que se espera de um partido político é que ele possua de facto uma ideologia - que possua uma visão do mundo e objectivos para a sua mudança, que possua um sistema de ideias racionais e práticas que (entre outras coisas) nos permita ter uma ideia da sua actuação futura, caso ele seja eleito para fazer leis e formar governo. Claro que um partido político não pode usar a sua ideologia como uma doutrina cega e tomar decisões com base em preconceitos. Um partido precisa também de ser pragmático e de se adaptar tacticamente à realidade - não se pode seguir uma receita ignorando quais os ingredientes disponíveis. Mas o pragmatismo deve apenas fornecer o grau de liberdade com que se tentam atingir os grandes objectivos da ideologia.
É evidente que a ideologia vai mudando - e, em geral, por imposição da realidade. Houve uma altura em que ser de esquerda significava inevitavelmente defender a propriedade estatal dos meios de produção - o que hoje parece não só manifestamente desfasado da realidade, como até desservir os objectivos igualitários que a medida pretendia atingir.
Mas há sempre algo que se mantém. Um partido com a ideologia na gaveta é um grupo oportunista que não pode oferecer qualquer garantia de coerência - não é por acaso que o Bloco de Esquerda escolheu como "slogan" da sua campanha "Esquerda de confiança". Uma "objecção ideológica" não é uma birra sem sentido.
É evidente que o PS possui uma ideologia, mas seria útil e pedagógico que não o esquecesse e que não fingisse não a ter. A escolha de um governo numa democracia tem de ter como base uma visão do mundo que é sancionada pelos eleitores. Não o guarda-roupa do líder, nem as "boutades" de campanha. A fuga da ideologia está no ar do tempo e é um luxo a que a direita (economicamente) liberal se pode dar, entregando como entrega tanto da política às mãos invisíveis do mercado e de Deus (o que é ideológico, mas pode dar-se ao luxo de ser menos voluntarista). Mas a esquerda, se não viver da sua ideologia e do sonho de querer mudar o mundo, não viverá de todo. Será indistinguível da direita tecnocrática da boa gestão, para quem os objectivos da política se resumem a encontrar as melhores medidas do ponto de vista técnico, ideologicamente neutras, com que acreditam que o mundo gerará mais riqueza - o que permitirá resolver todos os problemas.
O pragmatismo da esquerda envergonhada foi visível esta semana também nas declarações de Sampaio sobre a China. Não é possível manifestar compreensão a respeito dos atropelos dos direitos humanos na China apenas porque o seu poder económico é imenso. Pode-se sim, pragmaticamente, considerar que a defesa dos direitos humanos naquele país deve ser um esforço a prosseguir numa via não confrontacional e de diálogo, porque essa parece ser a melhor táctica, mas a prosseguir com tenacidade e sem recuos.
Para eleger um homem ou uma mulher não nos basta saber se é hábil ou inteligente. Queremos saber para onde vai, o que o/a faz mover, qual é o seu sonho. A ideologia é a ambição que os partidos têm para a sociedade, o seu sonho (as vezes o nosso pesadelo). Se um partido não tem grandes ambições, tem apenas para nos oferecer a pequenez das suas invejas.
[da ideologia]
José Victor Malheiros sintetiza, no publico de hoje, uma ideia que há muito defendo: as ideologias não morreram, são necessárias e fazem sentido no contexto social do ser humano. Dizer o contrário é, por si só, uma atitude ideológica, de quem lida só até certo ponto com o contraditório.
Ideologia
Por JOSÉ VITOR MALHEIROS
Publico, 18 de Janeiro de 2005
Há uns dias, numa reunião no Centro Cultural de Belém, José Sócrates afirmava que, caso o PS ganhasse as eleições legislativas, iria introduzir alterações ao Código do Trabalho aprovado pela actual maioria, mas que mas não iria revogá-lo "apenas por objecções ideológicas".
As razões ideológicas têm, é evidente, má imagem e, desse ponto de vista Sócrates pode ter marcado um ponto. As pessoas estão habituadas a ouvir falar de erros (quando não de massacres) cometidos em nome da ideologia e alguém que apresente "razões ideológicas" para os seus actos parece na melhor das hipóteses um velho casmurro caminhando para o abismo.
"Razões ideológicas" soam a sectarismo partidário, a irracionalidade, a fanatismo, enquanto a sua recusa tem a imagem do pragmatismo, da flexibilidade e da razoabilidade.
Acontece porém que o que se espera de um partido político é que ele possua de facto uma ideologia - que possua uma visão do mundo e objectivos para a sua mudança, que possua um sistema de ideias racionais e práticas que (entre outras coisas) nos permita ter uma ideia da sua actuação futura, caso ele seja eleito para fazer leis e formar governo. Claro que um partido político não pode usar a sua ideologia como uma doutrina cega e tomar decisões com base em preconceitos. Um partido precisa também de ser pragmático e de se adaptar tacticamente à realidade - não se pode seguir uma receita ignorando quais os ingredientes disponíveis. Mas o pragmatismo deve apenas fornecer o grau de liberdade com que se tentam atingir os grandes objectivos da ideologia.
É evidente que a ideologia vai mudando - e, em geral, por imposição da realidade. Houve uma altura em que ser de esquerda significava inevitavelmente defender a propriedade estatal dos meios de produção - o que hoje parece não só manifestamente desfasado da realidade, como até desservir os objectivos igualitários que a medida pretendia atingir.
Mas há sempre algo que se mantém. Um partido com a ideologia na gaveta é um grupo oportunista que não pode oferecer qualquer garantia de coerência - não é por acaso que o Bloco de Esquerda escolheu como "slogan" da sua campanha "Esquerda de confiança". Uma "objecção ideológica" não é uma birra sem sentido.
É evidente que o PS possui uma ideologia, mas seria útil e pedagógico que não o esquecesse e que não fingisse não a ter. A escolha de um governo numa democracia tem de ter como base uma visão do mundo que é sancionada pelos eleitores. Não o guarda-roupa do líder, nem as "boutades" de campanha. A fuga da ideologia está no ar do tempo e é um luxo a que a direita (economicamente) liberal se pode dar, entregando como entrega tanto da política às mãos invisíveis do mercado e de Deus (o que é ideológico, mas pode dar-se ao luxo de ser menos voluntarista). Mas a esquerda, se não viver da sua ideologia e do sonho de querer mudar o mundo, não viverá de todo. Será indistinguível da direita tecnocrática da boa gestão, para quem os objectivos da política se resumem a encontrar as melhores medidas do ponto de vista técnico, ideologicamente neutras, com que acreditam que o mundo gerará mais riqueza - o que permitirá resolver todos os problemas.
O pragmatismo da esquerda envergonhada foi visível esta semana também nas declarações de Sampaio sobre a China. Não é possível manifestar compreensão a respeito dos atropelos dos direitos humanos na China apenas porque o seu poder económico é imenso. Pode-se sim, pragmaticamente, considerar que a defesa dos direitos humanos naquele país deve ser um esforço a prosseguir numa via não confrontacional e de diálogo, porque essa parece ser a melhor táctica, mas a prosseguir com tenacidade e sem recuos.
Para eleger um homem ou uma mulher não nos basta saber se é hábil ou inteligente. Queremos saber para onde vai, o que o/a faz mover, qual é o seu sonho. A ideologia é a ambição que os partidos têm para a sociedade, o seu sonho (as vezes o nosso pesadelo). Se um partido não tem grandes ambições, tem apenas para nos oferecer a pequenez das suas invejas.
#2
[like a movie]
Estava encostado à entrada do metro. Escondido no casaco, tentava esquivar-se do frio, aquele frio seco e cortante que faz em Janeiro, e que se torna mais seco e cortante quando, após um dia de sol, a noite cai.
De vez em quando, olhava para a saída da terra, para todos os lados da rua, para o telemóvel. Esperava.
De um momento para o outro, surge, ao fundo do passeio, um vulto escuro, que se aproxima.
Olhou. Tornou a olhar, com mais atenção. Afastou-se do encosto e avançou. Primeiro a medo, depois mais seguro. Avançava para o vulto que começava a assemelhar-se ao de uma bela mulher.
Entre eles, 50 metros de calçada branca, cortada longitudinalmente por uma tira de pedra preta.
Enveredaram, ambos, pelo escuro corredor. Ele resoluto, ela definindo-se. Avançavam sem desarmar o olhar.
Encontraram-se a meio caminho. Disseram-se, em sintonia, olá como estás? agarravam os antebraços um do outro.
Os Restauradores desertos, com os carros a passar. Só eles os dois, absortos. E eu, a presenciar a cena como quem saboreia um clássico do cinema.
[contra todas as expectativas, o beijo foi na face]
[like a movie]
Estava encostado à entrada do metro. Escondido no casaco, tentava esquivar-se do frio, aquele frio seco e cortante que faz em Janeiro, e que se torna mais seco e cortante quando, após um dia de sol, a noite cai.
De vez em quando, olhava para a saída da terra, para todos os lados da rua, para o telemóvel. Esperava.
De um momento para o outro, surge, ao fundo do passeio, um vulto escuro, que se aproxima.
Olhou. Tornou a olhar, com mais atenção. Afastou-se do encosto e avançou. Primeiro a medo, depois mais seguro. Avançava para o vulto que começava a assemelhar-se ao de uma bela mulher.
Entre eles, 50 metros de calçada branca, cortada longitudinalmente por uma tira de pedra preta.
Enveredaram, ambos, pelo escuro corredor. Ele resoluto, ela definindo-se. Avançavam sem desarmar o olhar.
Encontraram-se a meio caminho. Disseram-se, em sintonia, olá como estás? agarravam os antebraços um do outro.
Os Restauradores desertos, com os carros a passar. Só eles os dois, absortos. E eu, a presenciar a cena como quem saboreia um clássico do cinema.
[contra todas as expectativas, o beijo foi na face]
17.1.05
#2
[Tão solidários que eles são...]
Se o puto tivesse vestida uma camisola às riscas, desprovida de significantes, seria apenas mais um sobrevivente.
Graças à camisola das Quinas, tornou-se alvo das atenções e solidariedade do rei Scolári e da tribo do futebol.
E assim se lavfa a consciência colectiva.
[Tão solidários que eles são...]
Se o puto tivesse vestida uma camisola às riscas, desprovida de significantes, seria apenas mais um sobrevivente.
Graças à camisola das Quinas, tornou-se alvo das atenções e solidariedade do rei Scolári e da tribo do futebol.
E assim se lavfa a consciência colectiva.
#1
[Se não combates o Bicho, ele acaba por te morder...]
Há trinta anos, procurando combater a precariedade e melhorar as condições de vida, centenas de homens e mulheres levantavam-se de madrugada e, antes de irem trabalhar, faziam, à porta das fábricas e nos locais de grande passagem, a venda militante de jornais como a Luta Popular, o Avante ou o Combate Operário.
Hoje, procurando combater a precariedade e melhorar as condições de vida, centenas de homens e mulheres levantam-se de madrugada e, antes de irem trabalhar, fazem biscates nos locais de grande passagem, distribuindo jornais como o Destak e o Metro.
[Se não combates o Bicho, ele acaba por te morder...]
Há trinta anos, procurando combater a precariedade e melhorar as condições de vida, centenas de homens e mulheres levantavam-se de madrugada e, antes de irem trabalhar, faziam, à porta das fábricas e nos locais de grande passagem, a venda militante de jornais como a Luta Popular, o Avante ou o Combate Operário.
Hoje, procurando combater a precariedade e melhorar as condições de vida, centenas de homens e mulheres levantam-se de madrugada e, antes de irem trabalhar, fazem biscates nos locais de grande passagem, distribuindo jornais como o Destak e o Metro.
14.1.05
#2
[pelas ruas de Lisboa]
chegou-me aos ouvidos a memória daquele que foi, seguramente, o primeiro grande disco da minha vida (no sentido de obra total), A OPERA DO MALANDRO.
quase 20 anos depois, cantei com alegria o que me lembrava desta...
Opera do covil
Ai, quem me dera ser cantor
Quem dera ser tenor
Quem sabe ter a voz
Igual aos rouxinóis
Igual ao trovador
Que canta os arrebóis
Pra te dizer gentil
Bem-vinda
Deixa eu cantar tua beleza
Tu és a mais linda princesa
Aqui deste covil
Ai, quem me dera ser doutor
Formado em Salvador
Ter um diploma, anel
E voz de bacharel
Fazer em teu louvor
Discursos a granel
Pra te dizer gentil
Bem-vinda
Tu és a dama mais formosa
E, ouso dizer a mais gostosa
Aqui deste covil
Ai, quem dera ser garçom
Ter um sapato bom
Quem sabe até talvez
Ser um garçom francês
Falar de champinhom
Falar de molho inglês
Pra te dizer gentil
Bem-vinda
És tão graciosa e tão miúda
Tu és a dama mais tesuda
Aqui deste covil
Ai, quem me dera ser Gardel
Tenor e bacharel
Francês e rouxinol
Doutor em champinhom
Garçom em Salvador
E locutor de futebol
Pra te dizer febril
Bem-vinda
Tua beleza é quase um crime
Tu és a bunda mais sublime
Aqui deste covil
Chico Buarque
[pelas ruas de Lisboa]
chegou-me aos ouvidos a memória daquele que foi, seguramente, o primeiro grande disco da minha vida (no sentido de obra total), A OPERA DO MALANDRO.
quase 20 anos depois, cantei com alegria o que me lembrava desta...
Opera do covil
Ai, quem me dera ser cantor
Quem dera ser tenor
Quem sabe ter a voz
Igual aos rouxinóis
Igual ao trovador
Que canta os arrebóis
Pra te dizer gentil
Bem-vinda
Deixa eu cantar tua beleza
Tu és a mais linda princesa
Aqui deste covil
Ai, quem me dera ser doutor
Formado em Salvador
Ter um diploma, anel
E voz de bacharel
Fazer em teu louvor
Discursos a granel
Pra te dizer gentil
Bem-vinda
Tu és a dama mais formosa
E, ouso dizer a mais gostosa
Aqui deste covil
Ai, quem dera ser garçom
Ter um sapato bom
Quem sabe até talvez
Ser um garçom francês
Falar de champinhom
Falar de molho inglês
Pra te dizer gentil
Bem-vinda
És tão graciosa e tão miúda
Tu és a dama mais tesuda
Aqui deste covil
Ai, quem me dera ser Gardel
Tenor e bacharel
Francês e rouxinol
Doutor em champinhom
Garçom em Salvador
E locutor de futebol
Pra te dizer febril
Bem-vinda
Tua beleza é quase um crime
Tu és a bunda mais sublime
Aqui deste covil
Chico Buarque
#1
[&]
Melinda & Melinda
[&]
Melinda & Melinda
O aparecimento inesperado de Melinda é o agente desencadeador de duas histórias que um grupo de amigos vai construindo à mesa do café. Dois cenários pintados, que não são mais que duas formas de ver a vida e o amor, situadas entre a tragédia e a comédia, lembrando sempre a subjectividade de quem as olha. Uma reflexão sobre o sentido da criação artistica.
Um filme de Woody Allen, sem o próprio mas com a sua indelével marca.
Fui ver e gostei... considero-me à beira da perdição intelectual.
13.1.05
#1
[farto de...]
convenções
conveniencias
conxavos
consilios
consensos
complexidades
covardias
coligações
contradições
convalescenças
estou farto das merdas que metemos (e nos metem) na cabeça, coisas que nos limitam a capacidade de decidir, de assumir as nossas escolhas, de enfrentar o mundo, doa a quem doer.
[farto de...]
convenções
conveniencias
conxavos
consilios
consensos
complexidades
covardias
coligações
contradições
convalescenças
estou farto das merdas que metemos (e nos metem) na cabeça, coisas que nos limitam a capacidade de decidir, de assumir as nossas escolhas, de enfrentar o mundo, doa a quem doer.
12.1.05
11.1.05
#1
[hoje, no poemário]
Escrevo-te a sentir tudo isto
e num instante de maior lucidez poderia ser o rio
as cabras escondendo o delicado tilintar dos guizos nos sais de prata da fotografia
poderia erguer-me como o castanheiro dos contos sussurrados junto ao fogo
e deambular trémulo com as aves
ou acompanhar a sulfúrica borboleta revelando-se na saliva dos lábios.
poderia imitar aquele pastor
ou confundir-me com o sonho de cidade que a pouco e pouco morde a sua imobilidade
habito neste país de água por engano
são-me necessárias imagens radiografias de ossos
rostos desfocados
mãos sobre corpos impressos no papel e nos espelhos
repara
nada mais possuo
a não ser este recado que hoje segue manchado de finos bagos de romã
repara
como o coração de papel amareleceu no esquecimento de te amar.
Al Berto,
(que faria hoje 57 anos)
[hoje, no poemário]
Escrevo-te a sentir tudo isto
e num instante de maior lucidez poderia ser o rio
as cabras escondendo o delicado tilintar dos guizos nos sais de prata da fotografia
poderia erguer-me como o castanheiro dos contos sussurrados junto ao fogo
e deambular trémulo com as aves
ou acompanhar a sulfúrica borboleta revelando-se na saliva dos lábios.
poderia imitar aquele pastor
ou confundir-me com o sonho de cidade que a pouco e pouco morde a sua imobilidade
habito neste país de água por engano
são-me necessárias imagens radiografias de ossos
rostos desfocados
mãos sobre corpos impressos no papel e nos espelhos
repara
nada mais possuo
a não ser este recado que hoje segue manchado de finos bagos de romã
repara
como o coração de papel amareleceu no esquecimento de te amar.
Al Berto,
(que faria hoje 57 anos)
7.1.05
#4
[Inês de Castro II]
Ausência
Quero dizer-te uma coisa simples: a tua
ausência dói-me. Refiro-me a essa dor que não
magoa, que se limita à alma; mas que não deixa,
por isso, de deixar alguns sinais - um peso
nos olhos, no lugar da tua imagem, e
um vazio nas mãos, como se as tuas mãos lhes
tivessem roubado o tacto. São estas as formas
do amor, podia dizer-te; e acrescentar que
as coisas simples também podem ser
complicadas, quando nos damos conta da
diferença entre o sonho e a realidade. Porém,
é o sonho que me traz a tua memória; e a
realidadeaproxima-me de ti, agora que
os dias correm mais depressa, e as palavras
ficam presas numa refracção de instantes,
quando a tua voz me chama de dentro de
mim - e me faz responder-te uma cosia simples,
como dizer que a tua ausência me dói.
Nuno Júdice in
Pedro, lembrando Inês
[Inês de Castro II]
Ausência
Quero dizer-te uma coisa simples: a tua
ausência dói-me. Refiro-me a essa dor que não
magoa, que se limita à alma; mas que não deixa,
por isso, de deixar alguns sinais - um peso
nos olhos, no lugar da tua imagem, e
um vazio nas mãos, como se as tuas mãos lhes
tivessem roubado o tacto. São estas as formas
do amor, podia dizer-te; e acrescentar que
as coisas simples também podem ser
complicadas, quando nos damos conta da
diferença entre o sonho e a realidade. Porém,
é o sonho que me traz a tua memória; e a
realidadeaproxima-me de ti, agora que
os dias correm mais depressa, e as palavras
ficam presas numa refracção de instantes,
quando a tua voz me chama de dentro de
mim - e me faz responder-te uma cosia simples,
como dizer que a tua ausência me dói.
Nuno Júdice in
Pedro, lembrando Inês
#1
[Inês de Castro, 650 anos depois]
Pedro, olhando Inês*
Sei que estás aí,
que me observas na distância,
procurando infimos sinais
que te digam
da minha luta incansável
para que retornes
nesse caminho já feito.
Sei que existes
para lá desta
possibilidade irreal
a que a vida nos condenou.
Existes tu
e o desejo de sermos apenas
um com o outro.
Sei
- não me perguntes,
não há como explicá-lo -
que este amor se estenderá
pelos tempos do tempo,
e que, apesar de decapitado,
ainda tem tudo para contar.
André, 7 de Janeiro 2005
* Titulo roubado a Nuno Júdice,
[Inês de Castro, 650 anos depois]
Pedro, olhando Inês*
Sei que estás aí,
que me observas na distância,
procurando infimos sinais
que te digam
da minha luta incansável
para que retornes
nesse caminho já feito.
Sei que existes
para lá desta
possibilidade irreal
a que a vida nos condenou.
Existes tu
e o desejo de sermos apenas
um com o outro.
Sei
- não me perguntes,
não há como explicá-lo -
que este amor se estenderá
pelos tempos do tempo,
e que, apesar de decapitado,
ainda tem tudo para contar.
André, 7 de Janeiro 2005
* Titulo roubado a Nuno Júdice,
6.1.05
#1
[dos desencontros]
Os desencontros servem para manter acesa uma luz. Não sei porquê, nem qual nem onde. Só sei que a esperança de estarmos errados acende o brilho no olhar. A correcção integral é a morte.Passamos os dias sentados num colo desencorajado. Envergonhados por amar mais que a conta. A revolução é silenciosa. Explana-se nos sonhos mas retira-se quando acordamos.Espero bem não ter razão. Ou então que alguém ma tire numa montanha grávida de emoções.
desencontrado no eter pela mão do João.
[dos desencontros]
Os desencontros servem para manter acesa uma luz. Não sei porquê, nem qual nem onde. Só sei que a esperança de estarmos errados acende o brilho no olhar. A correcção integral é a morte.Passamos os dias sentados num colo desencorajado. Envergonhados por amar mais que a conta. A revolução é silenciosa. Explana-se nos sonhos mas retira-se quando acordamos.Espero bem não ter razão. Ou então que alguém ma tire numa montanha grávida de emoções.
desencontrado no eter pela mão do João.
5.1.05
#4
[a sangue frio]
Tu nunca choras ao ver sangue
Tu nunca sangras quando sofres
Guardas a dor dentro do cofre
Se alguém decifra o segredo
E se pica no teu ferrão azedo
Tu lambes-lhe o sangue do dedo
Tu nunca choras ao ver sangue
Tu nunca ficas transparente
És daquela raça tão rara
Que tem no olhar o gelo quente
Se alguém te atinge o coração
Aguentas o baque
De frente
E sentes uma oscilação
Defendes-te com uma paixão competente
E encarnas tão impunemente
A pele de um animal de sangue quente
Que ama a sangue frio
Tu nunca choras ao ver sangue
Tu nunca ficas transparente
És daquela raça tão rara
Que tem no olhar o gelo quente
Gelo quente
Quente e frio
Letra de Carlos tê para a voz de Manuela Azevedo.
[a sangue frio]
Tu nunca choras ao ver sangue
Tu nunca sangras quando sofres
Guardas a dor dentro do cofre
Se alguém decifra o segredo
E se pica no teu ferrão azedo
Tu lambes-lhe o sangue do dedo
Tu nunca choras ao ver sangue
Tu nunca ficas transparente
És daquela raça tão rara
Que tem no olhar o gelo quente
Se alguém te atinge o coração
Aguentas o baque
De frente
E sentes uma oscilação
Defendes-te com uma paixão competente
E encarnas tão impunemente
A pele de um animal de sangue quente
Que ama a sangue frio
Tu nunca choras ao ver sangue
Tu nunca ficas transparente
És daquela raça tão rara
Que tem no olhar o gelo quente
Gelo quente
Quente e frio
Letra de Carlos tê para a voz de Manuela Azevedo.
4.1.05
#3
[amigos de estrada, amigos para a vida]
¿Se iría de viaje de nuevo con el Che?
—Sí, con un tipo como ése, yo salgo a cualquier parte.
Alberto Granado,
Lá Rebelion, 27 de Dezembro 2004
[amigos de estrada, amigos para a vida]
¿Se iría de viaje de nuevo con el Che?
—Sí, con un tipo como ése, yo salgo a cualquier parte.
Alberto Granado,
Lá Rebelion, 27 de Dezembro 2004
#2
[da arte poética]
Beijas-me
3.1.05
Metrografismos porque fala de tudo um pouco
vá, vão lá espreitar quem me acompanha na galeria da fama do il matto
31.12.04
#1
[2004]
5 discos
José Mario Branco - Resistir é Vencer
Rodrigo Leão - Cinema
Ella & Louis - Our love is here to stay
PJ Harvey - hu hu her
Lhasa - the living road
5 filmes
Lost in translation
2046
Motorcicle diaries
A melhor juventude
Before sunset
5 livros
Um amor feliz - David Mourão Ferreira
Poesia Completa - Nuno Júdice
o Cheiro da Noite - Andrea Camalieri
O amante do Vulcão - Susan Sotang
As cidades invisiveis - Italo Calvino
5 Concertos
José Mario Branco no coliseu
Festa da Música- CCB
Lhasa - Forum Lisboa
Pixies- SBSR
Rodrigo Leão - CCB
5 descobertas
Ella Fitzgerald
Fundação Vieira da Silva/ Arpad Szenes
Jardins de Serralves
David Mourão Ferreira
Calabria
A não esquecer
Sophia
Henry C. Bresson
Mestre Paredes
Arafat e Palestina
Alguns Lugares
Casa (a minha)
Golfo de Taranto
Cratera Vesúvio
Stromboli
Ruesta
Cais do Ginjal
Il pigmalion
Estrada Velha
A não repetir
Tortura no Iraque
Bush
11 de Março
Julgamento do Aborto
Darfur
Santana e Portas
A repetir
Derrota das direitas em Portugal e na Europa
Grandes viagens à aventura
Quebrar barreiras e reinventar fronteiras
Descobrir outras pessoas
Algumas palavras chave
Bandiera rossa
Paleariza
fotografia
Poesia
Enquanto houver estrada para andar...
Poderia escrever muito mais, mas fico-me por aqui.
Desejo-me e desejo-vos um ano cheio e em cheio.
[2004]
5 discos
José Mario Branco - Resistir é Vencer
Rodrigo Leão - Cinema
Ella & Louis - Our love is here to stay
PJ Harvey - hu hu her
Lhasa - the living road
5 filmes
Lost in translation
2046
Motorcicle diaries
A melhor juventude
Before sunset
5 livros
Um amor feliz - David Mourão Ferreira
Poesia Completa - Nuno Júdice
o Cheiro da Noite - Andrea Camalieri
O amante do Vulcão - Susan Sotang
As cidades invisiveis - Italo Calvino
5 Concertos
José Mario Branco no coliseu
Festa da Música- CCB
Lhasa - Forum Lisboa
Pixies- SBSR
Rodrigo Leão - CCB
5 descobertas
Ella Fitzgerald
Fundação Vieira da Silva/ Arpad Szenes
Jardins de Serralves
David Mourão Ferreira
Calabria
A não esquecer
Sophia
Henry C. Bresson
Mestre Paredes
Arafat e Palestina
Alguns Lugares
Casa (a minha)
Golfo de Taranto
Cratera Vesúvio
Stromboli
Ruesta
Cais do Ginjal
Il pigmalion
Estrada Velha
A não repetir
Tortura no Iraque
Bush
11 de Março
Julgamento do Aborto
Darfur
Santana e Portas
A repetir
Derrota das direitas em Portugal e na Europa
Grandes viagens à aventura
Quebrar barreiras e reinventar fronteiras
Descobrir outras pessoas
Algumas palavras chave
Bandiera rossa
Paleariza
fotografia
Poesia
Enquanto houver estrada para andar...
Poderia escrever muito mais, mas fico-me por aqui.
Desejo-me e desejo-vos um ano cheio e em cheio.
30.12.04
29.12.04
#3
[para 2005]
Lá diz o poeta que um fato de marinheiro não chega para se entender o mar. Tenho-me como um navegador e não me conformo com o navegar com a costa à vista. Dai que acredite que o meu destino são as grandes apostas, o mar alto e as tempestades, .
Quando estou envolvido com algo em que acredito, a ideia de abdicar, de não me fazer ao mar, é-me inconcebivel. No entanto, uma das minhas maiores duvidas é se será mais dificil tomar a decisão de pôr o barco no mar ou, depois de o ter feito, segurar a vela na tempestade.
Continuar a navegar, mesmo que contra a maré, mesmo que pareça mais fácil encontrar um porto seguro, é meu voto para dois mil e cinco - esperando que se estenda até dois mil e setenta e cinco.
[para 2005]
Lá diz o poeta que um fato de marinheiro não chega para se entender o mar. Tenho-me como um navegador e não me conformo com o navegar com a costa à vista. Dai que acredite que o meu destino são as grandes apostas, o mar alto e as tempestades, .
Quando estou envolvido com algo em que acredito, a ideia de abdicar, de não me fazer ao mar, é-me inconcebivel. No entanto, uma das minhas maiores duvidas é se será mais dificil tomar a decisão de pôr o barco no mar ou, depois de o ter feito, segurar a vela na tempestade.
Continuar a navegar, mesmo que contra a maré, mesmo que pareça mais fácil encontrar um porto seguro, é meu voto para dois mil e cinco - esperando que se estenda até dois mil e setenta e cinco.
28.12.04
#3
[entre livros]
Ontem estive a arrumar livros na minha estante nova. Por género da obra, por continente e país de origem de quem o escreve.
Quando peguei nos chilenos, formou-se-me uma dúvida na consciência: será que, apesar de estarmos entre escritores, o Sepúlveda não se ofende se o colocar ao pé d@s Norte-American@s?
Pelo sim pelo não, passei-o para a prateleira seguinte.
[entre livros]
Ontem estive a arrumar livros na minha estante nova. Por género da obra, por continente e país de origem de quem o escreve.
Quando peguei nos chilenos, formou-se-me uma dúvida na consciência: será que, apesar de estarmos entre escritores, o Sepúlveda não se ofende se o colocar ao pé d@s Norte-American@s?
Pelo sim pelo não, passei-o para a prateleira seguinte.
#2
[podes fugir... mas não te podes esconder]
Freud teorizava a personalidade humana como um iceberg.
À tona de água encontra-se a parte consciente de cada um de nós, suportada e pressionada pela grande massa submersa do inconsciente. A influência do inconsciente sobre o consciente seria mediada pelo pré-consciente, que serviria como um filtro às suas pulsões.
Neste filme todo, os sonhos servem como escape, ou seja, são uma forma de expressão junto do consciente dos desejos e pulsões reprimidas, isto numa altura em que os mecanismos de defesa psicológica estão em baixo.
Esta teoria foi ampliada ealterada, bem como contestada e negada. Mas não deixa de ser interessante.
[podes fugir... mas não te podes esconder]
Freud teorizava a personalidade humana como um iceberg.
À tona de água encontra-se a parte consciente de cada um de nós, suportada e pressionada pela grande massa submersa do inconsciente. A influência do inconsciente sobre o consciente seria mediada pelo pré-consciente, que serviria como um filtro às suas pulsões.
Neste filme todo, os sonhos servem como escape, ou seja, são uma forma de expressão junto do consciente dos desejos e pulsões reprimidas, isto numa altura em que os mecanismos de defesa psicológica estão em baixo.
Esta teoria foi ampliada ealterada, bem como contestada e negada. Mas não deixa de ser interessante.
23.12.04
22.12.04
#3
[coisas de gajos apaixonados]
Este Relógio
José Luis Peixoto
A Capital, 22 de Dezembro, 2004
Antes de sair, olhou para este relógio e disse que voltava no início da noite. Eu não lhe perguntei a que horas voltava, mas ela disse que voltava às nove. Eram três horas da tarde. Eu lia um livro. Olhei--a quando aproximou o rosto e os lábios para nos beijarmos. Não a olhei quando saiu mas, agora, consigo imaginar a porta depois de a ter fechado, os passos a desaparecerem nos degraus da escada e, depois, o silêncio sem ela. Consigo até imaginá-la na rua. As mãos sobre a mala que comprou, os seus passos. Talvez a tenha imaginado durante alguns instantes depois de sair. No entanto, se o fiz, essas imagens misturaram-se com aquilo que lia e com a certeza triste de ela ir sair e de ter de aprender a estar sem ela durante tempo a parecer infinito. Demorei meia hora até olhar para o relógio, este relógio, o mesmo para onde ela olhou antes de sair quando disse que voltava às nove. Tinha passado meia hora e, por isso, continuei a ler. Tentei não pensar que faltava mais de dez vezes o tamanho daquele tempo que passei sem ela até a ver de novo. Continuei a ler. A minha atenção entrava dentro das palavras, mas voltava sempre para ela. Continuava a ler, mas ela estava no fim de cada parágrafo, escondida entre as frases, no momento de virar uma página. Tentei não olhar para este relógio. Quando olhei, eram cinco horas, eram seis e meia, eram sete e meia. Às oito horas, pousei o livro e comecei a esperá-la. Fiquei sentado neste sofá, nesta sala, a esperá-la. Olho para este relógio. São onze horas. Ainda não voltaste. Penso em tudo. Espero-te. Imagino tudo. Onde estás? Tudo me parece possível e impossível.
[coisas de gajos apaixonados]
Este Relógio
José Luis Peixoto
A Capital, 22 de Dezembro, 2004
Antes de sair, olhou para este relógio e disse que voltava no início da noite. Eu não lhe perguntei a que horas voltava, mas ela disse que voltava às nove. Eram três horas da tarde. Eu lia um livro. Olhei--a quando aproximou o rosto e os lábios para nos beijarmos. Não a olhei quando saiu mas, agora, consigo imaginar a porta depois de a ter fechado, os passos a desaparecerem nos degraus da escada e, depois, o silêncio sem ela. Consigo até imaginá-la na rua. As mãos sobre a mala que comprou, os seus passos. Talvez a tenha imaginado durante alguns instantes depois de sair. No entanto, se o fiz, essas imagens misturaram-se com aquilo que lia e com a certeza triste de ela ir sair e de ter de aprender a estar sem ela durante tempo a parecer infinito. Demorei meia hora até olhar para o relógio, este relógio, o mesmo para onde ela olhou antes de sair quando disse que voltava às nove. Tinha passado meia hora e, por isso, continuei a ler. Tentei não pensar que faltava mais de dez vezes o tamanho daquele tempo que passei sem ela até a ver de novo. Continuei a ler. A minha atenção entrava dentro das palavras, mas voltava sempre para ela. Continuava a ler, mas ela estava no fim de cada parágrafo, escondida entre as frases, no momento de virar uma página. Tentei não olhar para este relógio. Quando olhei, eram cinco horas, eram seis e meia, eram sete e meia. Às oito horas, pousei o livro e comecei a esperá-la. Fiquei sentado neste sofá, nesta sala, a esperá-la. Olho para este relógio. São onze horas. Ainda não voltaste. Penso em tudo. Espero-te. Imagino tudo. Onde estás? Tudo me parece possível e impossível.
#2
[presentes]
nesta alturar do ano começam a chover presentes para o grande chefe. Parece que toda a gente lhe quer adoçar o paladar. Como bom democrata, divide sempre tudo com a malta - se não o fizesse era julgado em tribunal popular. Hoje já ganhei um ananás dos Açores e uma garrafa de reserva do Dão... nada mal para quem, como eu, não vai à bola com o natal.
[presentes]
nesta alturar do ano começam a chover presentes para o grande chefe. Parece que toda a gente lhe quer adoçar o paladar. Como bom democrata, divide sempre tudo com a malta - se não o fizesse era julgado em tribunal popular. Hoje já ganhei um ananás dos Açores e uma garrafa de reserva do Dão... nada mal para quem, como eu, não vai à bola com o natal.
20.12.04
#2
[case study]
Pinochet encarna aquilo que classifico como uma verdadeira pescadinha de rabo na boca da medicina: sempre que a coisa começa ficar dificil para ele, nomeadamente quando a justiça ameaça morder-lhe as canelas, o senhor, de muita idade e fraca saúde, tem uma quebra geral no seu estado fisico: Ele é demencia ligeira (detectada com 40 anos de atraso), paralisia temporária, embolias cerebrais, glicémia alta e te(n)são baixa (desculpem lá...), enfim, maleitas de um velho muito jarreta, nada de novo. O que me espanta é que o tipo recupera sempre de forma espetacular, sendo esses verdadeiros milagres consequencia de um muito humano abrandar da furia judiciária. Razões humanitárias, aplicadas a quem sempre as levou com rectidão.
[case study]
Pinochet encarna aquilo que classifico como uma verdadeira pescadinha de rabo na boca da medicina: sempre que a coisa começa ficar dificil para ele, nomeadamente quando a justiça ameaça morder-lhe as canelas, o senhor, de muita idade e fraca saúde, tem uma quebra geral no seu estado fisico: Ele é demencia ligeira (detectada com 40 anos de atraso), paralisia temporária, embolias cerebrais, glicémia alta e te(n)são baixa (desculpem lá...), enfim, maleitas de um velho muito jarreta, nada de novo. O que me espanta é que o tipo recupera sempre de forma espetacular, sendo esses verdadeiros milagres consequencia de um muito humano abrandar da furia judiciária. Razões humanitárias, aplicadas a quem sempre as levou com rectidão.
17.12.04
#2
[IRRECONHECÍVEIS VISTOS DO ESPAÇO]
Este é o título do livro de poemas e textos que vou lançar no próximo dia 21
de Dezembro. É verdade, acredito que seja uma surpresa para algumas pessoas,
para outras nem tanto. O livro tem 34 páginas, é uma edição de autor e custa
5 euros, o desenho da capa é da Adrina Molder e a paginação do Luís Branco.
Não há muito a dizer sobre o livro, por isso, em vez de obrigar alguém a
apresentá-lo e dizer bem do livro e de mim de encomenda, convidei uns amig@s
para contarem umas histórias para nos entreter e ler alguns dos poemas.
Aceitam o convite?
Terça-feira, 21 de Dezembro de 2004 às 19 horas
na ZDB, Rua da Barroca, 59 - Lisboa (ao Bairro Alto) lançamento do livro “Irreconhecíveis Vistos do Espaço” de Nuno Milagre
(...)
irreconhecíveis vistos do espaço não vislumbramos o amanhã
e deslumbramo-nos no dia-a-dia a correr à frente e por trás de nós não nos perguntem onde paramos se não garantem onde vamos aperta-me a mão na sombra deste mar escuro que não sabe onde nos leva sobre a estrada de água dura trepidam os corpos no barco aperta-me a mão se eu te pudesse ao menos ver mais uma vez dentro ou fora deste mar não sabemos o que será de nós nem nós o que será do que sabemos aperta-me a mão neste mar escuro que nos leva aperto-te a mão
(...)
[IRRECONHECÍVEIS VISTOS DO ESPAÇO]
Este é o título do livro de poemas e textos que vou lançar no próximo dia 21
de Dezembro. É verdade, acredito que seja uma surpresa para algumas pessoas,
para outras nem tanto. O livro tem 34 páginas, é uma edição de autor e custa
5 euros, o desenho da capa é da Adrina Molder e a paginação do Luís Branco.
Não há muito a dizer sobre o livro, por isso, em vez de obrigar alguém a
apresentá-lo e dizer bem do livro e de mim de encomenda, convidei uns amig@s
para contarem umas histórias para nos entreter e ler alguns dos poemas.
Aceitam o convite?
Terça-feira, 21 de Dezembro de 2004 às 19 horas
na ZDB, Rua da Barroca, 59 - Lisboa (ao Bairro Alto) lançamento do livro “Irreconhecíveis Vistos do Espaço” de Nuno Milagre
(...)
irreconhecíveis vistos do espaço não vislumbramos o amanhã
e deslumbramo-nos no dia-a-dia a correr à frente e por trás de nós não nos perguntem onde paramos se não garantem onde vamos aperta-me a mão na sombra deste mar escuro que não sabe onde nos leva sobre a estrada de água dura trepidam os corpos no barco aperta-me a mão se eu te pudesse ao menos ver mais uma vez dentro ou fora deste mar não sabemos o que será de nós nem nós o que será do que sabemos aperta-me a mão neste mar escuro que nos leva aperto-te a mão
(...)
16.12.04
15.12.04
#3
[palavras para quê?]
"Compromisso Portugal" Diz Que as Suas Propostas Tiveram Receptividade no PS
Título do Público, 15 de Dezembro, 2004
prevejo inumeras oportunidades para constatar que são poucas as diferenças entre o governo que se adivinha e o desgoverno. Os sinais começam a surgir, não só de dentro do PS, que já começou a agradecer os trabalhinhos sujos que a direita fez, como também do mundo da alta finança. O Compromisso Portugal, um conjunto de tecnocratas lambidinhos que, há alguns meses, defendeu a desregulamentação total das leis laborais em beneficio exclusivo do lucro, já veio dar a sua bênção.
[palavras para quê?]
"Compromisso Portugal" Diz Que as Suas Propostas Tiveram Receptividade no PS
Título do Público, 15 de Dezembro, 2004
prevejo inumeras oportunidades para constatar que são poucas as diferenças entre o governo que se adivinha e o desgoverno. Os sinais começam a surgir, não só de dentro do PS, que já começou a agradecer os trabalhinhos sujos que a direita fez, como também do mundo da alta finança. O Compromisso Portugal, um conjunto de tecnocratas lambidinhos que, há alguns meses, defendeu a desregulamentação total das leis laborais em beneficio exclusivo do lucro, já veio dar a sua bênção.
#2
[relactividade moral]
Ex-ditador Pinochet Escapa a Prisão Domiciliária
A defesa do antigo líder chileno diz que ele está a ser vítima de abuso dos direitos humanos.
in Publico, 15 de Dezembro 2004
[relactividade moral]
Ex-ditador Pinochet Escapa a Prisão Domiciliária
A defesa do antigo líder chileno diz que ele está a ser vítima de abuso dos direitos humanos.
in Publico, 15 de Dezembro 2004
14.12.04
#2
[sobre os sismos II]
Zero graus na escala de Peixoto
José Luís Peixoto
A Capital, 14 de Dezembro, 2004
Não senti nada. A minha mãe telefonou-me a meio da tarde e, antes de dizer qualquer coisa, perguntou-me: «sentiste?» E eu, que passei o dia sentado a escrever, com os estores da janela corridos à minha frente - nem sequer a imagem da rua, das pessoas e dos carros que passam, do dia a anoitecer - respondi-lhe: «senti o quê?» E ela, admirada com a minha admiração, a falar-me do terramoto, da cadeira a tremer lentamente sobre os mosaicos, quase como um zumbido, quase a andar sozinha. Não senti nada. E parece-me que não posso achar que gostava de ter sentido. Parece-me que, se confessar a mim próprio «gostava de ter sentido», tenho de bater três vezes na madeira, tenho de dizer lagarto lagarto lagarto, porque não posso desejar apenas para satisfação da minha curiosidade aquilo que pode trazer tanto sofrimento. Mas a verdade é que invejo - bater três vezes na madeira, lagarto lagarto lagarto - o entusiasmo com que a minha mãe me perguntou: «sentiste?» Não senti nada. Tento convencer-me que ter uma vida em que se escreve romances é assim. Ganha-se e perde-se. Ganha-se exactamente onde se perde. Muitas vezes tive amigos a dizerem-me: «tens de vir comigo a tal parte», ou «não podes perder tal coisa». Quase sempre, troquei isso por parágrafos, por capítulos ou, nos dias piores, como hoje, troquei isso pela frustração de passar o dia inteiro sentado, com os estores corridos à minha frente, a tentar escrever e a não gostar do resultado, a tentar de novo e a achar que todas as tentativas eram más, cada vez piores e, à noite, a não ter nada que me conforte, nem um parágrafo bem conseguido, nem uma metáfora certeira, nem um terramoto - bater três vezes na madeira, lagarto lagarto lagarto - que me mostre que foi um dia em que estive vivo.
[sobre os sismos II]
Zero graus na escala de Peixoto
José Luís Peixoto
A Capital, 14 de Dezembro, 2004
Não senti nada. A minha mãe telefonou-me a meio da tarde e, antes de dizer qualquer coisa, perguntou-me: «sentiste?» E eu, que passei o dia sentado a escrever, com os estores da janela corridos à minha frente - nem sequer a imagem da rua, das pessoas e dos carros que passam, do dia a anoitecer - respondi-lhe: «senti o quê?» E ela, admirada com a minha admiração, a falar-me do terramoto, da cadeira a tremer lentamente sobre os mosaicos, quase como um zumbido, quase a andar sozinha. Não senti nada. E parece-me que não posso achar que gostava de ter sentido. Parece-me que, se confessar a mim próprio «gostava de ter sentido», tenho de bater três vezes na madeira, tenho de dizer lagarto lagarto lagarto, porque não posso desejar apenas para satisfação da minha curiosidade aquilo que pode trazer tanto sofrimento. Mas a verdade é que invejo - bater três vezes na madeira, lagarto lagarto lagarto - o entusiasmo com que a minha mãe me perguntou: «sentiste?» Não senti nada. Tento convencer-me que ter uma vida em que se escreve romances é assim. Ganha-se e perde-se. Ganha-se exactamente onde se perde. Muitas vezes tive amigos a dizerem-me: «tens de vir comigo a tal parte», ou «não podes perder tal coisa». Quase sempre, troquei isso por parágrafos, por capítulos ou, nos dias piores, como hoje, troquei isso pela frustração de passar o dia inteiro sentado, com os estores corridos à minha frente, a tentar escrever e a não gostar do resultado, a tentar de novo e a achar que todas as tentativas eram más, cada vez piores e, à noite, a não ter nada que me conforte, nem um parágrafo bem conseguido, nem uma metáfora certeira, nem um terramoto - bater três vezes na madeira, lagarto lagarto lagarto - que me mostre que foi um dia em que estive vivo.
13.12.04
9.12.04
#2
[vergonhoso]
É absolutamente imoral que, num planeta onde se queimam excessos de produção para que se mantenham preços e onde se gastam milhões em guerras desnecessárias, existam razões para notícias como esta.
****
Cinco Milhões de Crianças morrem de fome todos os anos
JOANA FERREIRA DA COSTA
Público, 09 de Dezembro de 2004
A fome a má nutrição matam anualmente cinco milhões de crianças em todo o mundo, um "escândalo" que podia ser evitado com investimento económico modesto face aos benefícios futuros, denunciou ontem a Organização para a Agricultura e Alimentação das Nações Unidas (FAO).
De acordo com o relatório anual deste organismo, 852 milhões de pessoas sofriam de má nutrição entre 2000 e 2002, mais 18 milhões do que em meados da década de 90. Um flagelo que continua a assolar em larga escala os países em vias de desenvolvimento.
"É possível que a comunidade internacional ainda não se tenha apercebido da mais-valia que resultará de um aumento do investimento na luta contra a fome", declarou Hartwig de Haen, subdirector-geral da FAO, ontem, durante a apresentação do relatório em Roma, Itália. "Além do sofrimento humano, só por si escandaloso, a fome tem como consequência importantes perdas económicas", defendeu o responsável, considerando "incompreensível" a falta de esforço da comunidade internacional neste combate. "É uma questão de vontade política e de prioridades", conclui.
No relatório sobre a insegurança alimentar no mundo, a FAO diz que, anualmente, "mais de 20 milhões de bebés com baixo peso nascem nos países em vias de desenvolvimento" e que cinco milhões de crianças morrem devido à má nutrição. Um número muito superior de pessoas sofrerá durante toda a sua vida das sequelas deixadas pela má nutrição, que reduzirão a sua capacidade de trabalhar e ganhar a vida.
A FAO calcula que a falta de produtividade causada por este flagelo terá custos superiores a 500 mil milhões de dólares. Valor ao qual contrapõe os cerca de 30 mil milhões de dólares necessários por ano para cobrir os custos de saúde com as doenças provocadas pela falta de alimento em todo o mundo. Um valor cinco vezes superior ao alcançado até agora pelo Fundo Global contra a Sida Tuberculose e Malária.
Ironicamente, este investimento é pequeno face aos potenciais benefícios económicos a longo prazo: cada dólar investido na luta contra a fome representará, no futuro, entre cinco a 20 dólares em desenvolvimento e produtividade, defende a FAO.
Alguns sinais de optimismo
Dos 852 milhões de pessoas que passam fome no planeta, a esmagadora maioria (815 milhões) vive nos países em desenvolvimento. A má nutrição e a falta de alimentos atinge também 28 milhões de pessoas nos países de transição e nove milhões nos países desenvolvidos.
Os números revelam que o esforço para combater o flagelo é claramente insuficiente para cumprir os objectivos fixados em 1996 na Cimeira Mundial da Alimentação, denuncia a FAO. No encontro, os países comprometeram-se a fazer cair para metade o número de pessoas a sofrer de má nutrição até 2015.
A FAO encontra, no entanto, alguns sinais de optimismo: 30 países - que representam cerca de metade da população do terceiro mundo - conseguiram reduzir em 25 por cento o número de pessoas com fome durante a década de 90. A luta travada em estados como o Brasil, Chile, Moçambique, Jamaica, Peru, Tailândia, Emirados Árabes Unidos ou o Uruguai mostra que é possível conseguir progressos rápidos na redução do flagelo e as melhores formas de os alcançar.
Uma melhoria ligeira foi registada na África subsariana, onde a proporção de pessoas subalimentadas passou de 36 para 33 por cento, conclui a FAO. O subdirector-geral do organismo defendeu ontem que as estratégias para resolver o flagelo estão traçadas e que a fome tem de tornar-se uma prioridade. "Sabemos como pôr fim à fome e é tempo de agir face a este objectivo", concluiu Hartwig de Haen.
[vergonhoso]
É absolutamente imoral que, num planeta onde se queimam excessos de produção para que se mantenham preços e onde se gastam milhões em guerras desnecessárias, existam razões para notícias como esta.
****
Cinco Milhões de Crianças morrem de fome todos os anos
JOANA FERREIRA DA COSTA
Público, 09 de Dezembro de 2004
A fome a má nutrição matam anualmente cinco milhões de crianças em todo o mundo, um "escândalo" que podia ser evitado com investimento económico modesto face aos benefícios futuros, denunciou ontem a Organização para a Agricultura e Alimentação das Nações Unidas (FAO).
De acordo com o relatório anual deste organismo, 852 milhões de pessoas sofriam de má nutrição entre 2000 e 2002, mais 18 milhões do que em meados da década de 90. Um flagelo que continua a assolar em larga escala os países em vias de desenvolvimento.
"É possível que a comunidade internacional ainda não se tenha apercebido da mais-valia que resultará de um aumento do investimento na luta contra a fome", declarou Hartwig de Haen, subdirector-geral da FAO, ontem, durante a apresentação do relatório em Roma, Itália. "Além do sofrimento humano, só por si escandaloso, a fome tem como consequência importantes perdas económicas", defendeu o responsável, considerando "incompreensível" a falta de esforço da comunidade internacional neste combate. "É uma questão de vontade política e de prioridades", conclui.
No relatório sobre a insegurança alimentar no mundo, a FAO diz que, anualmente, "mais de 20 milhões de bebés com baixo peso nascem nos países em vias de desenvolvimento" e que cinco milhões de crianças morrem devido à má nutrição. Um número muito superior de pessoas sofrerá durante toda a sua vida das sequelas deixadas pela má nutrição, que reduzirão a sua capacidade de trabalhar e ganhar a vida.
A FAO calcula que a falta de produtividade causada por este flagelo terá custos superiores a 500 mil milhões de dólares. Valor ao qual contrapõe os cerca de 30 mil milhões de dólares necessários por ano para cobrir os custos de saúde com as doenças provocadas pela falta de alimento em todo o mundo. Um valor cinco vezes superior ao alcançado até agora pelo Fundo Global contra a Sida Tuberculose e Malária.
Ironicamente, este investimento é pequeno face aos potenciais benefícios económicos a longo prazo: cada dólar investido na luta contra a fome representará, no futuro, entre cinco a 20 dólares em desenvolvimento e produtividade, defende a FAO.
Alguns sinais de optimismo
Dos 852 milhões de pessoas que passam fome no planeta, a esmagadora maioria (815 milhões) vive nos países em desenvolvimento. A má nutrição e a falta de alimentos atinge também 28 milhões de pessoas nos países de transição e nove milhões nos países desenvolvidos.
Os números revelam que o esforço para combater o flagelo é claramente insuficiente para cumprir os objectivos fixados em 1996 na Cimeira Mundial da Alimentação, denuncia a FAO. No encontro, os países comprometeram-se a fazer cair para metade o número de pessoas a sofrer de má nutrição até 2015.
A FAO encontra, no entanto, alguns sinais de optimismo: 30 países - que representam cerca de metade da população do terceiro mundo - conseguiram reduzir em 25 por cento o número de pessoas com fome durante a década de 90. A luta travada em estados como o Brasil, Chile, Moçambique, Jamaica, Peru, Tailândia, Emirados Árabes Unidos ou o Uruguai mostra que é possível conseguir progressos rápidos na redução do flagelo e as melhores formas de os alcançar.
Uma melhoria ligeira foi registada na África subsariana, onde a proporção de pessoas subalimentadas passou de 36 para 33 por cento, conclui a FAO. O subdirector-geral do organismo defendeu ontem que as estratégias para resolver o flagelo estão traçadas e que a fome tem de tornar-se uma prioridade. "Sabemos como pôr fim à fome e é tempo de agir face a este objectivo", concluiu Hartwig de Haen.
7.12.04
#1
[isto só em itália]
A pré-campanha para as legislativas de 2006 em Itália está ao rubro.
Berlusconi anunciou que terá milhares de jovens a fazer campanha por si, porta a porta e nas escolas, reeditando a sua estratégia de campanha de 2001. Prodi, classificando-os como mercenários - uma vez que serão contratados- responde com uma tirada quase maoista, talvez para agradar às alas mais à esquerda da sua coligação (que terá uma participação alargada que se estenderá da Margarida (a democracia cristã do centro esquerda) à Refundação Comunista…
Esta resposta é uma tirada de antologia
Noi - scandisce Romano Prodi rivolto all'assemblea della Rete dei cittadini per l'Ulivo, a Montecatini - non possiamo fare come loro. Non possiamo arruolare mille mercenari. Per questo a ogni mercenario dovremo contrapporre mille volontari. Poi si sa che i mercenari non hanno mai difeso il suolo della patria, e anche questa volta lo dovremo difendere noi. L'incubo è finito. Davanti a noi c'è l'alba.
in Il Manifesto, 5 de Dezembro 2004
Nós – atira Prodi agitado à assembleia da Rede de Cidadãos pela Oliveira em Montecatini – não podemos fazer como eles. Não podemos contratar milhares de mercenários. Por isso, a cada mercenário deveremos contrapor milhares de voluntários. Pois sabe-se que os mercenários nunca defenderam o solo da pátria, e também desta vez deveremos ser nós a defende-lo. O pesadelo acabou. À nossa frente está o amanhecer.
[isto só em itália]
A pré-campanha para as legislativas de 2006 em Itália está ao rubro.
Berlusconi anunciou que terá milhares de jovens a fazer campanha por si, porta a porta e nas escolas, reeditando a sua estratégia de campanha de 2001. Prodi, classificando-os como mercenários - uma vez que serão contratados- responde com uma tirada quase maoista, talvez para agradar às alas mais à esquerda da sua coligação (que terá uma participação alargada que se estenderá da Margarida (a democracia cristã do centro esquerda) à Refundação Comunista…
Esta resposta é uma tirada de antologia
Noi - scandisce Romano Prodi rivolto all'assemblea della Rete dei cittadini per l'Ulivo, a Montecatini - non possiamo fare come loro. Non possiamo arruolare mille mercenari. Per questo a ogni mercenario dovremo contrapporre mille volontari. Poi si sa che i mercenari non hanno mai difeso il suolo della patria, e anche questa volta lo dovremo difendere noi. L'incubo è finito. Davanti a noi c'è l'alba.
in Il Manifesto, 5 de Dezembro 2004
Nós – atira Prodi agitado à assembleia da Rede de Cidadãos pela Oliveira em Montecatini – não podemos fazer como eles. Não podemos contratar milhares de mercenários. Por isso, a cada mercenário deveremos contrapor milhares de voluntários. Pois sabe-se que os mercenários nunca defenderam o solo da pátria, e também desta vez deveremos ser nós a defende-lo. O pesadelo acabou. À nossa frente está o amanhecer.
6.12.04
#4
[com os olhos cheios de imagens]
Tive de atravessar a cidade de uma ponta à outra ao final da tarde.
As ruas cheias de estrangeiros, o sol a marcar, a luz a provocar.
Por acaso trazia a Nikon, foi um festim!
Agora, acabada que estáa travessia, sento-me na frente do monitor com os olhos cheios de imagens e vontade de partilha-las, mas guardo-me em silêncio, procurando o espaço das palavras.
[com os olhos cheios de imagens]
Tive de atravessar a cidade de uma ponta à outra ao final da tarde.
As ruas cheias de estrangeiros, o sol a marcar, a luz a provocar.
Por acaso trazia a Nikon, foi um festim!
Agora, acabada que estáa travessia, sento-me na frente do monitor com os olhos cheios de imagens e vontade de partilha-las, mas guardo-me em silêncio, procurando o espaço das palavras.
#2
[intoletâncias]
Mario Pinto atira-se hoje, no público de hoje, aos comunistas que, em geral, se identificam com o Marxismo Leninismo, e ao PCP em particular.
Mario Pinto, um arauto do cristianismo mais retrogado e radical, um defensor do liberalismo conservador, perora, ao seu estilo de talibã do crussifixo, contra os crimes do comunismo, tentado, nessa linha argumentativa, pintar um ideal apenas com as cores negras com que o século XX, na maioria dos casos, o travestiu.
Se tivesse oportunidade, não deixaria de perguntar a Mário Pinto o que pensa da inquisição, das diversas cruzadas que a igreja católica dirigiu durante os seus dois milénios de história, ou sobre o apoio tácito que deu, no século XX, a Hitler e outros ditadores que tais, tão ou mais sanguinários como os carrascos de Moscovo ou Pequim. No fim de contas, foi tudo em nome de um ideal de justiça e igualdade. Parece-me que Mario Pinto apenas relativiza o que lhe dá jeito, porque, se aplicasse ao seu ideal a linha de argumentação que usa contra o comunismo, perderia a fé em menos de dois parágrafos....
Faz-me tanta impressão esse sentimento primário, básico e visceral, contra a esquerda em geral e contra @s comunistas em particular.
[intoletâncias]
Mario Pinto atira-se hoje, no público de hoje, aos comunistas que, em geral, se identificam com o Marxismo Leninismo, e ao PCP em particular.
A minha (de)formação à esquerda, aproxima-me perigosamente do marxismo, mas deixa-me a alguma distância do Leninismo e, sobretudo, do que dele foi feito por Estaline e companhia. Fico também a milhas dos PC's que herdaram a velhinha tradição moscovita e que dela ainda fazem bandeira, nomeadamente do partido que agora foi tomado por J. de Sousa.
Mario Pinto, um arauto do cristianismo mais retrogado e radical, um defensor do liberalismo conservador, perora, ao seu estilo de talibã do crussifixo, contra os crimes do comunismo, tentado, nessa linha argumentativa, pintar um ideal apenas com as cores negras com que o século XX, na maioria dos casos, o travestiu.
Se tivesse oportunidade, não deixaria de perguntar a Mário Pinto o que pensa da inquisição, das diversas cruzadas que a igreja católica dirigiu durante os seus dois milénios de história, ou sobre o apoio tácito que deu, no século XX, a Hitler e outros ditadores que tais, tão ou mais sanguinários como os carrascos de Moscovo ou Pequim. No fim de contas, foi tudo em nome de um ideal de justiça e igualdade. Parece-me que Mario Pinto apenas relativiza o que lhe dá jeito, porque, se aplicasse ao seu ideal a linha de argumentação que usa contra o comunismo, perderia a fé em menos de dois parágrafos....
Faz-me tanta impressão esse sentimento primário, básico e visceral, contra a esquerda em geral e contra @s comunistas em particular.
#1
[maturidade II]
Em 4 dias tive quatro sessões de olhos em bico, isto é, de contacto com a arte e cultura orientais.
Sempre fui um pouco arisco aos filmes e outras demonstrações daquele lado do planeta -excepto, talvez, a comida. Nada de preconceito, simplesmetne não me conseguia concentrar, pelo que toda a simplicidade, a ingenuidade construida e o ambiente não me cativavam.
Por isso, qual não é o meu espanto quando dei comigo satisfeito com uma sessão de animação japonesa na culturgest (de fazer inveja ao Vasco Granja), deliciado com um sushi, emocionado com 2046 de Wong Kar Wai e espantado com uma mostra de arte contemporânea Japonesa no museu Berardo... será maturidade?
[maturidade II]
Em 4 dias tive quatro sessões de olhos em bico, isto é, de contacto com a arte e cultura orientais.
Sempre fui um pouco arisco aos filmes e outras demonstrações daquele lado do planeta -excepto, talvez, a comida. Nada de preconceito, simplesmetne não me conseguia concentrar, pelo que toda a simplicidade, a ingenuidade construida e o ambiente não me cativavam.
Por isso, qual não é o meu espanto quando dei comigo satisfeito com uma sessão de animação japonesa na culturgest (de fazer inveja ao Vasco Granja), deliciado com um sushi, emocionado com 2046 de Wong Kar Wai e espantado com uma mostra de arte contemporânea Japonesa no museu Berardo... será maturidade?
3.12.04
#1
[uma boa Notícia]
Não esquecemos nem perdoamos @s milhares de mort@s e desaparecid@s
Pinochet Perde Imunidade
Público, 03 de Dezembro de 2004
O Tribunal de Apelo de Santiago levantou ontem a imunidade parlamentar ao antigo ditador general Augusto Pinochet, de forma a poder determinar as suas responsabilidades pelo assassínio do general Carlos Prats. A Força Aérea e a Marinha reconheceram a participação de oficiais seus em actos de tortura, e os jornalistas disseram-se "envergonhados" por terem calado esses atropelos.
A decisão da instância chilena foi tomada por 14 votos contra nove e abre a possibilidade do julgamento do autocrata pelo seu eventual papel na morte do antigo comandante das Forças Armadas, vice-Presidente de Salvador Allende e ministro do Interior morto na sequência da explosão de um carro armadilhado, em Buenos Aires, no dia 30 de Setembro de 1974. O atentado, em que morreu também a mulher do militar, Sofia Cuthbert, é um dos crimes atribuídos à Operação Condor.
O veredicto deve agora ser corroborado pelo Supremo Tribunal para poder seguir o seu caminho. Em Agosto, a mais alta instância judicial chilena pronunciou-se a favor do levantamento da imunidade de Pinochet para que este pudesse ser ouvido por aquela operação - uma trama de cumplicidades entre os serviços secretos de várias ditaduras dos anos de chumbo da América Latina.
Entretanto a Força Aérea e a Marinha chilenas reconheceram quase ao mesmo tempo a sua participação em actos de tortura durante a ditadura. Os Carabineiros também.
A assunção de responsabilidades foi feita pelos respectivos comandos. Mas enquanto a aviação assumiu sem pestanejar a sua parte, os marinheiros disseram que a sua arma "nunca validou nem mesmo sugeriu a aplicação da tortura".
Os reconhecimentos seguiram-se à recente entrega ao Presidente Lagos do relatório da Comissão Nacional sobre Prisão Política e Tortura.
Também o Colégio dos Jornalistas, a principal associação dos profissionais do sector, disse-se "envergonhada (...) por aqueles que, utilizando o nome ou o título de jornalistas, mancharam o dever de revelar uma verdade que, difundida oportunamente, teria ajudado a salvar vidas".
[uma boa Notícia]
Não esquecemos nem perdoamos @s milhares de mort@s e desaparecid@s
Pinochet Perde Imunidade
Público, 03 de Dezembro de 2004
O Tribunal de Apelo de Santiago levantou ontem a imunidade parlamentar ao antigo ditador general Augusto Pinochet, de forma a poder determinar as suas responsabilidades pelo assassínio do general Carlos Prats. A Força Aérea e a Marinha reconheceram a participação de oficiais seus em actos de tortura, e os jornalistas disseram-se "envergonhados" por terem calado esses atropelos.
A decisão da instância chilena foi tomada por 14 votos contra nove e abre a possibilidade do julgamento do autocrata pelo seu eventual papel na morte do antigo comandante das Forças Armadas, vice-Presidente de Salvador Allende e ministro do Interior morto na sequência da explosão de um carro armadilhado, em Buenos Aires, no dia 30 de Setembro de 1974. O atentado, em que morreu também a mulher do militar, Sofia Cuthbert, é um dos crimes atribuídos à Operação Condor.
O veredicto deve agora ser corroborado pelo Supremo Tribunal para poder seguir o seu caminho. Em Agosto, a mais alta instância judicial chilena pronunciou-se a favor do levantamento da imunidade de Pinochet para que este pudesse ser ouvido por aquela operação - uma trama de cumplicidades entre os serviços secretos de várias ditaduras dos anos de chumbo da América Latina.
Entretanto a Força Aérea e a Marinha chilenas reconheceram quase ao mesmo tempo a sua participação em actos de tortura durante a ditadura. Os Carabineiros também.
A assunção de responsabilidades foi feita pelos respectivos comandos. Mas enquanto a aviação assumiu sem pestanejar a sua parte, os marinheiros disseram que a sua arma "nunca validou nem mesmo sugeriu a aplicação da tortura".
Os reconhecimentos seguiram-se à recente entrega ao Presidente Lagos do relatório da Comissão Nacional sobre Prisão Política e Tortura.
Também o Colégio dos Jornalistas, a principal associação dos profissionais do sector, disse-se "envergonhada (...) por aqueles que, utilizando o nome ou o título de jornalistas, mancharam o dever de revelar uma verdade que, difundida oportunamente, teria ajudado a salvar vidas".
2.12.04
#2
[Nisto até estamos de acordo]
mas paramos por aqui.
(...)
A alternativa não é o engenheiro Sócrates, nem qualquer variante do Guterrismo. O balanço do Guterrismo foi trágico para o país e um guterrista reciclado, sem chama, nem destino, reproduziria a nossa mediocridade e atraso. Desconfiem sempre de quem quer mudar e não sente o genuino desgosto com o que está. E o engenheiro Sócrates foi o mais mole crítico de Santana Lopes. Mas, se chegar ao poder, será pela mão do seu anterior companheiro de debates televisivos.
(...)
Pacheco Pereira
in Público, 2 de Dezembro 2004
[Nisto até estamos de acordo]
mas paramos por aqui.
(...)
A alternativa não é o engenheiro Sócrates, nem qualquer variante do Guterrismo. O balanço do Guterrismo foi trágico para o país e um guterrista reciclado, sem chama, nem destino, reproduziria a nossa mediocridade e atraso. Desconfiem sempre de quem quer mudar e não sente o genuino desgosto com o que está. E o engenheiro Sócrates foi o mais mole crítico de Santana Lopes. Mas, se chegar ao poder, será pela mão do seu anterior companheiro de debates televisivos.
(...)
Pacheco Pereira
in Público, 2 de Dezembro 2004
#1
[Notícia de outro Planeta]
esta é daquelas que vale a pena guardar, para memória futura...
Cientistas Propõem Criar Parques Protegidos em Marte
Público, 02 de Dezembro de 2004
Andereia Oliveira
Da próxima vez que der um passeio pelo planeta Marte, certifique-se que não deixa atrás de si um monte de lixo. Isto pode parecer um pouco estranho, mas é bem possível que, daqui a umas décadas, quando houver de facto astronautas da Terra em Marte, existam tabuletas com esta mensagem espalhadas pelo solo avermelhado do nosso vizinho no sistema solar. Pelo menos se vingar a proposta que dois cientistas apresentaram na revista "Science Policy": preservar algumas zonas do planeta vermelho, de forma a mantê-las no seu estado puro.
A ideia de Charles Cockell, um microbiólogo da British Antarctic Survey, em Cambridge (Reino Unido) e por Gerda Horneck, astrobióloga do Centro Alemão Aeroespacial, em Colónia, prevê a criação de "parques planetários" em sete zonas de Marte, com uma regulamentação semelhante às dos parques protegidos da Terra.
"Cada pessoa tem direito a observar a beleza árida da superfície marciana, sem ter de suportar uma paisagem repleta de monte de cascos de velhas naves espaciais", afirmam os cientistas, citados pelo "site" noticioso da revista científica "Nature" ( http:www.nature.com/news ).
Apesar de não se ter encontrado vida em Marte, Cockell e Horneck salientam que, se lá for detectada alguma vez vida, passada ou presente, isso será decisivo. "Se existir vida microscópica em Marte, isso será um argumento de peso para estes parques planetários, de forma a proteger estes seres da destruição humana."
Estes investigadores cartografaram sete zonas para possível conservação que possuem muitas das características representativas da paisagem marciana. O Parque Polar protegeria a calote de gelo do planeta, enquanto o Parque Olimpo incluiria o maior vulcão do sistema solar e destinar-se-ia a evitar futuras invasões de montanhistas que deixam lixo atrás de si, como acontece no Monte Evereste, aqui na Terra.
Outros parques protegeriam enormes crateras provocadas por meteoritos e os locais de aterragem das sondas Viking 1 e Mars Pathfinder.
Não é a primeira vez que surge uma ideia deste tipo. Outros cientistas sugeriram que o local onde a Apolo 11 aterrou na Lua, transportando os primeiros astronautas, fosse transformado em património mundial. Mas tomar essa iniciativa seria um desafio para as leis internacionais, uma vez muitas nações nunca chegaram a assinar o tratado das Nações Unidas que pretende estabelecer o espaço como património de toda a humanidade. E entre essas nações estão precisamente os EUA, a Rússia e a China - precisamente as que têm capacidade para fazer viagens espaciais, utilizando os seus próprios meios.
[Notícia de outro Planeta]
esta é daquelas que vale a pena guardar, para memória futura...
Cientistas Propõem Criar Parques Protegidos em Marte
Público, 02 de Dezembro de 2004
Andereia Oliveira
Da próxima vez que der um passeio pelo planeta Marte, certifique-se que não deixa atrás de si um monte de lixo. Isto pode parecer um pouco estranho, mas é bem possível que, daqui a umas décadas, quando houver de facto astronautas da Terra em Marte, existam tabuletas com esta mensagem espalhadas pelo solo avermelhado do nosso vizinho no sistema solar. Pelo menos se vingar a proposta que dois cientistas apresentaram na revista "Science Policy": preservar algumas zonas do planeta vermelho, de forma a mantê-las no seu estado puro.
A ideia de Charles Cockell, um microbiólogo da British Antarctic Survey, em Cambridge (Reino Unido) e por Gerda Horneck, astrobióloga do Centro Alemão Aeroespacial, em Colónia, prevê a criação de "parques planetários" em sete zonas de Marte, com uma regulamentação semelhante às dos parques protegidos da Terra.
"Cada pessoa tem direito a observar a beleza árida da superfície marciana, sem ter de suportar uma paisagem repleta de monte de cascos de velhas naves espaciais", afirmam os cientistas, citados pelo "site" noticioso da revista científica "Nature" ( http:www.nature.com/news ).
Apesar de não se ter encontrado vida em Marte, Cockell e Horneck salientam que, se lá for detectada alguma vez vida, passada ou presente, isso será decisivo. "Se existir vida microscópica em Marte, isso será um argumento de peso para estes parques planetários, de forma a proteger estes seres da destruição humana."
Estes investigadores cartografaram sete zonas para possível conservação que possuem muitas das características representativas da paisagem marciana. O Parque Polar protegeria a calote de gelo do planeta, enquanto o Parque Olimpo incluiria o maior vulcão do sistema solar e destinar-se-ia a evitar futuras invasões de montanhistas que deixam lixo atrás de si, como acontece no Monte Evereste, aqui na Terra.
Outros parques protegeriam enormes crateras provocadas por meteoritos e os locais de aterragem das sondas Viking 1 e Mars Pathfinder.
Não é a primeira vez que surge uma ideia deste tipo. Outros cientistas sugeriram que o local onde a Apolo 11 aterrou na Lua, transportando os primeiros astronautas, fosse transformado em património mundial. Mas tomar essa iniciativa seria um desafio para as leis internacionais, uma vez muitas nações nunca chegaram a assinar o tratado das Nações Unidas que pretende estabelecer o espaço como património de toda a humanidade. E entre essas nações estão precisamente os EUA, a Rússia e a China - precisamente as que têm capacidade para fazer viagens espaciais, utilizando os seus próprios meios.
30.11.04
#4
[Prematuros & incubadoras]
PARTO SEM DOR
E agora eu vou-me embora
e embora a dor
não queira ir já embora
agora eu vou-me embora
e parto sem dor
E parto dentro de momentos
apesar de haver momentos
em que dentro a dor
não parte sem dor
Sérgio Godinho
[Prematuros & incubadoras]
PARTO SEM DOR
E agora eu vou-me embora
e embora a dor
não queira ir já embora
agora eu vou-me embora
e parto sem dor
E parto dentro de momentos
apesar de haver momentos
em que dentro a dor
não parte sem dor
Sérgio Godinho
29.11.04
#3
[Estabilidade governativa]
As Razões de Henrique Chaves
Público, 29 de Novembro de 2004
Convidado para ministro adjunto, nunca me foi dada oportunidade de exercer qualquer função ao nível da coordenação do Governo, própria das funções inerentes a esta pasta.
Certamente porque, desde cedo, terá sido pressentida a minha discordância quanto à forma como era realizada essa coordenação e se alinhava o comportamento do Governo e do primeiro-ministro, tendo eu optado por responder com discrição àquilo que sempre considerei excesso de exposição.
Estando as principais funções de ministro adjunto exclusivamente dependentes do primeiro-ministro, só a este cabe a responsabilidade de conceder ou não as condições para o exercício desse cargo, o que, no meu caso, nunca aconteceu
(...
Em face do referido esvaziamento de qualquer papel de coordenação do Governo - um dos pressupostos do acordo de aceitação do cargo para que fui nomeado - e confrontado com um cenário de remodelação ministerial, era minha intenção a de aproveitar a oportunidade para abandonar as funções de imediato, por considerar não estarem reunidas as condições para o exercício daquele.
Foi-me, no entanto, traçado um cenário, nos termos do qual a remodelação resultaria de uma pressão de véspera, alegadamente por quem, para tanto, tem poder institucional, a qual teria por objectivo forçar a prevenção do cometimento de novos erros graves, geradores de instabilidade social e institucional, por quem, sem resguardo, os vinha cometendo.
Oportunamente, comuniquei a intenção de me demitir.
Foi-me pedido, veementemente, com a invocação de razões de qualquer espécie, chegando até à de índole patriótica, que não o fizesse, porque a minha saída poderia redundar numa instabilidade interpretável como um irregular funcionamento das instituições.
(...)
Dois factos novos, para mim, vieram alternar, de forma irreversível, a minha decisão, ao revelarem a falta de verdade do enquadramento no qual ela fora tomada.
Em primeiro lugar, tenho hoje a certeza que o cenário que me foi apresentado como sendo de véspera à noite e resolvido de forma improvisada foram, afinal, delineado semanas antes, de forma detalhada e reiterada e discutida entre vários actores, sem o meu conhecimento, não obstante eu constituir um dos visados.
Em segundo lugar, um dia depois, foi-me comunicada a intenção, alegadamente firme, de se proceder à demissão de um outro ministro.
Os dois factos referidos consubstanciam, para mim, o primeiro, a constatação de que me faltaram à verdade, de uma forma muito grave, que não posso tolerar e com a qual não posso conviver, e o segundo, não só isso, mas também que, afinal, a saída de qualquer ministro não acarretaria, como consequência necessária, no contexto das pressões institucionais havidas, o irregular funcionamento das instituições.
(...)
Compreenderão que, perante tão grave inversão dos valores de lealdade e verdade, não tive qualquer dúvida em apresentar a minha demissão, assim preservando a minha dignidade
[Estabilidade governativa]
As Razões de Henrique Chaves
Público, 29 de Novembro de 2004
Convidado para ministro adjunto, nunca me foi dada oportunidade de exercer qualquer função ao nível da coordenação do Governo, própria das funções inerentes a esta pasta.
Certamente porque, desde cedo, terá sido pressentida a minha discordância quanto à forma como era realizada essa coordenação e se alinhava o comportamento do Governo e do primeiro-ministro, tendo eu optado por responder com discrição àquilo que sempre considerei excesso de exposição.
Estando as principais funções de ministro adjunto exclusivamente dependentes do primeiro-ministro, só a este cabe a responsabilidade de conceder ou não as condições para o exercício desse cargo, o que, no meu caso, nunca aconteceu
(...
Em face do referido esvaziamento de qualquer papel de coordenação do Governo - um dos pressupostos do acordo de aceitação do cargo para que fui nomeado - e confrontado com um cenário de remodelação ministerial, era minha intenção a de aproveitar a oportunidade para abandonar as funções de imediato, por considerar não estarem reunidas as condições para o exercício daquele.
Foi-me, no entanto, traçado um cenário, nos termos do qual a remodelação resultaria de uma pressão de véspera, alegadamente por quem, para tanto, tem poder institucional, a qual teria por objectivo forçar a prevenção do cometimento de novos erros graves, geradores de instabilidade social e institucional, por quem, sem resguardo, os vinha cometendo.
Oportunamente, comuniquei a intenção de me demitir.
Foi-me pedido, veementemente, com a invocação de razões de qualquer espécie, chegando até à de índole patriótica, que não o fizesse, porque a minha saída poderia redundar numa instabilidade interpretável como um irregular funcionamento das instituições.
(...)
Dois factos novos, para mim, vieram alternar, de forma irreversível, a minha decisão, ao revelarem a falta de verdade do enquadramento no qual ela fora tomada.
Em primeiro lugar, tenho hoje a certeza que o cenário que me foi apresentado como sendo de véspera à noite e resolvido de forma improvisada foram, afinal, delineado semanas antes, de forma detalhada e reiterada e discutida entre vários actores, sem o meu conhecimento, não obstante eu constituir um dos visados.
Em segundo lugar, um dia depois, foi-me comunicada a intenção, alegadamente firme, de se proceder à demissão de um outro ministro.
Os dois factos referidos consubstanciam, para mim, o primeiro, a constatação de que me faltaram à verdade, de uma forma muito grave, que não posso tolerar e com a qual não posso conviver, e o segundo, não só isso, mas também que, afinal, a saída de qualquer ministro não acarretaria, como consequência necessária, no contexto das pressões institucionais havidas, o irregular funcionamento das instituições.
(...)
Compreenderão que, perante tão grave inversão dos valores de lealdade e verdade, não tive qualquer dúvida em apresentar a minha demissão, assim preservando a minha dignidade
#2
[descubra as diferenças]
Concorda com a Carta de Direitos Fundamentais, a regra das votações por maioria qualificada e o novo quadro institucional da União Europeia, nos termos constantes da Constituição para a Europa?
*Pergunta a ser referendada pelos cidadãos e cidadãs do estado Português no referendo de 2005
Aprueba usted el tratado por el que se instituye uma Constitución para lá Unión Europea?
*Pergunta a ser referendada pelos cidadãos e cidadãs do estado Espanhol, no referendo de 2005.
[descubra as diferenças]
Concorda com a Carta de Direitos Fundamentais, a regra das votações por maioria qualificada e o novo quadro institucional da União Europeia, nos termos constantes da Constituição para a Europa?
*Pergunta a ser referendada pelos cidadãos e cidadãs do estado Português no referendo de 2005
Aprueba usted el tratado por el que se instituye uma Constitución para lá Unión Europea?
*Pergunta a ser referendada pelos cidadãos e cidadãs do estado Espanhol, no referendo de 2005.
26.11.04
#3
[Nova galeria]
Continuo a fotografar e agora tenho uma nova galeria para partilhar imagens.
Podem usar as fotografias, mas não se esqueçam da referência e de me avisar.
#2
[Descobertas de um vegetariano I]
Um dia descobri que, daurante anos, algo me passou completamente ao lado: as couves de bruxelas. Não ia muito à bola com elas, ou melhor, eram-me quase indiferentes.
Dizem que, com o tempo, os nossos gostos se refinam. Não sei se foi esse o caso, mas o que é certo é que, sem saber muito bem como, me enamorei por tamanho vegetal.
A sua natureza arisca, o seu sabor alternado entre o doce e o amargo, a sua forma misteriosa, a sua cor única, as possibilidades gastronómicas que encerra...
[Descobertas de um vegetariano I]
Um dia descobri que, daurante anos, algo me passou completamente ao lado: as couves de bruxelas. Não ia muito à bola com elas, ou melhor, eram-me quase indiferentes.
Dizem que, com o tempo, os nossos gostos se refinam. Não sei se foi esse o caso, mas o que é certo é que, sem saber muito bem como, me enamorei por tamanho vegetal.
A sua natureza arisca, o seu sabor alternado entre o doce e o amargo, a sua forma misteriosa, a sua cor única, as possibilidades gastronómicas que encerra...
tudo atributos que colocam este vegetal num lugar de eleição.
Fica um pouco mais de informação sobre este mistério em forma de couve, bem como alguns conselhos práticos, tudo isto retirado daqui
*********************
COUVE DE BRUXELAS
A couve de bruxelas, é uma verdura que lembra pequenos repolhos e por isso, também é chamada de repolhinho. Ela tem a particularidade de crescer ao longo do talo da planta, que na época da colheita fica totalmente coberto pelos pequenos repolhos. Na cozinha a couve de bruxelas é usada de várias maneiras, e é principalmente recomendada como acompanhamento para carnes. Também pode ser usada no preparo de sopas, ensopados e cozidos
A couve de bruxelas é rica em sais minerais, principalmente fósforo e ferro. Contém vitaminas A e C, ambas importantes para a vista e para a pele. Como tem poucas calorias, pode fazer parte das dietas de emagrecimento. Além disso, é rica em celulose, sendo recomendada para as pessoas que têm problemas intestinais.
A couve de bruxelas é vendida por quilo. Na hora de comprar, escolha as mais redondas e pesadas. Quanto mais firme e verde for a verdura, mais fresca ela estará. Para saber quanto comprar, calcule 1 quilo para 6 pessoas.
A couve de bruxelas é mais resistente que a couve comum e pode ser conservada por mais dias. Antes de guardar, retire as folhas manchadas ou machucadas. Depois coloque em saco plástico e ponha na gaveta da geladeira. Dessa maneira ela se conserva durante 1 semana. Se quiser guardar por mais tempo, é preciso congelar.
Fica um pouco mais de informação sobre este mistério em forma de couve, bem como alguns conselhos práticos, tudo isto retirado daqui
*********************
COUVE DE BRUXELAS
A couve de bruxelas, é uma verdura que lembra pequenos repolhos e por isso, também é chamada de repolhinho. Ela tem a particularidade de crescer ao longo do talo da planta, que na época da colheita fica totalmente coberto pelos pequenos repolhos. Na cozinha a couve de bruxelas é usada de várias maneiras, e é principalmente recomendada como acompanhamento para carnes. Também pode ser usada no preparo de sopas, ensopados e cozidos
A couve de bruxelas é rica em sais minerais, principalmente fósforo e ferro. Contém vitaminas A e C, ambas importantes para a vista e para a pele. Como tem poucas calorias, pode fazer parte das dietas de emagrecimento. Além disso, é rica em celulose, sendo recomendada para as pessoas que têm problemas intestinais.
A couve de bruxelas é vendida por quilo. Na hora de comprar, escolha as mais redondas e pesadas. Quanto mais firme e verde for a verdura, mais fresca ela estará. Para saber quanto comprar, calcule 1 quilo para 6 pessoas.
A couve de bruxelas é mais resistente que a couve comum e pode ser conservada por mais dias. Antes de guardar, retire as folhas manchadas ou machucadas. Depois coloque em saco plástico e ponha na gaveta da geladeira. Dessa maneira ela se conserva durante 1 semana. Se quiser guardar por mais tempo, é preciso congelar.
25.11.04
#3
[não se acredita]
No dia em que se assinala a luta contra a violência contra as mulheres, repesco uma notícia de ontem, também ela digna do Inimigo Público.
Este post tem co-autoria da minha assessora juridica, a quem agradeço. :)
Supremo Responsabiliza Parcialmente Vítima de Maus Tratos e Atenua Pena
MARIANA OLIVEIRA
Público , 24 de Novembro de 2004
O Supremo Tribunal de Justiça (STJ) atenuou a pena de prisão de um homicida que estrangulou a própria mulher até à morte por considerar que as atitudes desta terão contribuído para o desfecho fatal da relação. O arguido foi condenado na primeira instância a 14 anos de prisão, uma pena que o STJ reduziu para 11 anos.
No acórdão, proferido no passado dia 10, os juízes deste tribunal superior referem que "não terão sido alheias" ao crime "as condutas anteriores da vítima, designadamente os levantamentos bancários deixando as contas do casal a zero, a ponto de o arguido ficar sem dinheiro para pagar o [um] almoço e talvez isso [tenha sido] o detonador da raiva que conduziu ao homicídio".
Entre as restantes condutas, conta-se que "deixou algumas vezes esturricar a comida que confeccionava; chegou a sair e a chegar a casa de noite; ia tomar café a um estabelecimento de cafetaria e não deu conhecimento ao arguido de uma deslocação; chegou a mostrar a barriga quando se encontrava junto de pessoas amigas e se falava da condição física de cada uma delas". Os juízes admitiram, no entanto, que tais comportamentos resultavam dos problemas psíquicos da vítima, decorrentes da morte de uma filha do casal.
Os magistrados do STJ defendem que este caso é o típico "homicídio ocasional", que dificilmente se repetirá, logo, não existem grandes exigências de prevenção. Os juízes, que qualificam o arguido de "primário", realçam que este "dedicou toda a sua vida ao trabalho na construção civil" e sempre zelou pela educação dos seus dois filhos, preocupando-se com o seu futuro. "É considerado um bom pai de família e estimado por todos os seus amigos", referem.
Agressões desvalorizadas
Os juízes desvalorizam os maus tratos (insultos, murros, estalos e pontapés) infligidos pelo arguido à mulher e dados como provado em duas situações. Num dos casos, as feridas e os hematomas deram lugar a um período de doença de seis dias. "À parte as desavenças conjugais (onde, por regra, não existe apenas um culpado) que conduziram à criminalidade em apreço, o arguido mostra-se socialmente inserido", sustentam.
Maria Fernanda foi estrangulada pelo marido a 28 de Maio de 2002, na sequência de uma discussão. A tragédia está intimamente associada à morte de uma filha do casal em Janeiro de 2001, que transtornou os dois e tornou os desentendimentos entre ambos "muito frequentes". O facto de a filha ter falecido numa altura em que era o pai quem a estava a acompanhar no hospital (o cansaço tinha levado ao afastamento da mãe dois dias antes) fez com que Maria Fernanda culpasse o marido pela morte da menor. O seu comportamento psíquico, social e afectuoso mudou susbtancialmente desde então.
O arguido já tinha recorrido da pena para o Tribunal da Relação do Porto, que indeferiu o seu pedido.
[não se acredita]
No dia em que se assinala a luta contra a violência contra as mulheres, repesco uma notícia de ontem, também ela digna do Inimigo Público.
Este post tem co-autoria da minha assessora juridica, a quem agradeço. :)
Supremo Responsabiliza Parcialmente Vítima de Maus Tratos e Atenua Pena
MARIANA OLIVEIRA
Público , 24 de Novembro de 2004
O Supremo Tribunal de Justiça (STJ) atenuou a pena de prisão de um homicida que estrangulou a própria mulher até à morte por considerar que as atitudes desta terão contribuído para o desfecho fatal da relação. O arguido foi condenado na primeira instância a 14 anos de prisão, uma pena que o STJ reduziu para 11 anos.
No acórdão, proferido no passado dia 10, os juízes deste tribunal superior referem que "não terão sido alheias" ao crime "as condutas anteriores da vítima, designadamente os levantamentos bancários deixando as contas do casal a zero, a ponto de o arguido ficar sem dinheiro para pagar o [um] almoço e talvez isso [tenha sido] o detonador da raiva que conduziu ao homicídio".
Entre as restantes condutas, conta-se que "deixou algumas vezes esturricar a comida que confeccionava; chegou a sair e a chegar a casa de noite; ia tomar café a um estabelecimento de cafetaria e não deu conhecimento ao arguido de uma deslocação; chegou a mostrar a barriga quando se encontrava junto de pessoas amigas e se falava da condição física de cada uma delas". Os juízes admitiram, no entanto, que tais comportamentos resultavam dos problemas psíquicos da vítima, decorrentes da morte de uma filha do casal.
Os magistrados do STJ defendem que este caso é o típico "homicídio ocasional", que dificilmente se repetirá, logo, não existem grandes exigências de prevenção. Os juízes, que qualificam o arguido de "primário", realçam que este "dedicou toda a sua vida ao trabalho na construção civil" e sempre zelou pela educação dos seus dois filhos, preocupando-se com o seu futuro. "É considerado um bom pai de família e estimado por todos os seus amigos", referem.
Agressões desvalorizadas
Os juízes desvalorizam os maus tratos (insultos, murros, estalos e pontapés) infligidos pelo arguido à mulher e dados como provado em duas situações. Num dos casos, as feridas e os hematomas deram lugar a um período de doença de seis dias. "À parte as desavenças conjugais (onde, por regra, não existe apenas um culpado) que conduziram à criminalidade em apreço, o arguido mostra-se socialmente inserido", sustentam.
Maria Fernanda foi estrangulada pelo marido a 28 de Maio de 2002, na sequência de uma discussão. A tragédia está intimamente associada à morte de uma filha do casal em Janeiro de 2001, que transtornou os dois e tornou os desentendimentos entre ambos "muito frequentes". O facto de a filha ter falecido numa altura em que era o pai quem a estava a acompanhar no hospital (o cansaço tinha levado ao afastamento da mãe dois dias antes) fez com que Maria Fernanda culpasse o marido pela morte da menor. O seu comportamento psíquico, social e afectuoso mudou susbtancialmente desde então.
O arguido já tinha recorrido da pena para o Tribunal da Relação do Porto, que indeferiu o seu pedido.
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