#2
[palma(n)do]
Adorava estar in
mas estou-me a sentir out
11.1.05
#1
[hoje, no poemário]
Escrevo-te a sentir tudo isto
e num instante de maior lucidez poderia ser o rio
as cabras escondendo o delicado tilintar dos guizos nos sais de prata da fotografia
poderia erguer-me como o castanheiro dos contos sussurrados junto ao fogo
e deambular trémulo com as aves
ou acompanhar a sulfúrica borboleta revelando-se na saliva dos lábios.
poderia imitar aquele pastor
ou confundir-me com o sonho de cidade que a pouco e pouco morde a sua imobilidade
habito neste país de água por engano
são-me necessárias imagens radiografias de ossos
rostos desfocados
mãos sobre corpos impressos no papel e nos espelhos
repara
nada mais possuo
a não ser este recado que hoje segue manchado de finos bagos de romã
repara
como o coração de papel amareleceu no esquecimento de te amar.
Al Berto,
(que faria hoje 57 anos)
[hoje, no poemário]
Escrevo-te a sentir tudo isto
e num instante de maior lucidez poderia ser o rio
as cabras escondendo o delicado tilintar dos guizos nos sais de prata da fotografia
poderia erguer-me como o castanheiro dos contos sussurrados junto ao fogo
e deambular trémulo com as aves
ou acompanhar a sulfúrica borboleta revelando-se na saliva dos lábios.
poderia imitar aquele pastor
ou confundir-me com o sonho de cidade que a pouco e pouco morde a sua imobilidade
habito neste país de água por engano
são-me necessárias imagens radiografias de ossos
rostos desfocados
mãos sobre corpos impressos no papel e nos espelhos
repara
nada mais possuo
a não ser este recado que hoje segue manchado de finos bagos de romã
repara
como o coração de papel amareleceu no esquecimento de te amar.
Al Berto,
(que faria hoje 57 anos)
7.1.05
#4
[Inês de Castro II]
Ausência
Quero dizer-te uma coisa simples: a tua
ausência dói-me. Refiro-me a essa dor que não
magoa, que se limita à alma; mas que não deixa,
por isso, de deixar alguns sinais - um peso
nos olhos, no lugar da tua imagem, e
um vazio nas mãos, como se as tuas mãos lhes
tivessem roubado o tacto. São estas as formas
do amor, podia dizer-te; e acrescentar que
as coisas simples também podem ser
complicadas, quando nos damos conta da
diferença entre o sonho e a realidade. Porém,
é o sonho que me traz a tua memória; e a
realidadeaproxima-me de ti, agora que
os dias correm mais depressa, e as palavras
ficam presas numa refracção de instantes,
quando a tua voz me chama de dentro de
mim - e me faz responder-te uma cosia simples,
como dizer que a tua ausência me dói.
Nuno Júdice in
Pedro, lembrando Inês
[Inês de Castro II]
Ausência
Quero dizer-te uma coisa simples: a tua
ausência dói-me. Refiro-me a essa dor que não
magoa, que se limita à alma; mas que não deixa,
por isso, de deixar alguns sinais - um peso
nos olhos, no lugar da tua imagem, e
um vazio nas mãos, como se as tuas mãos lhes
tivessem roubado o tacto. São estas as formas
do amor, podia dizer-te; e acrescentar que
as coisas simples também podem ser
complicadas, quando nos damos conta da
diferença entre o sonho e a realidade. Porém,
é o sonho que me traz a tua memória; e a
realidadeaproxima-me de ti, agora que
os dias correm mais depressa, e as palavras
ficam presas numa refracção de instantes,
quando a tua voz me chama de dentro de
mim - e me faz responder-te uma cosia simples,
como dizer que a tua ausência me dói.
Nuno Júdice in
Pedro, lembrando Inês
#1
[Inês de Castro, 650 anos depois]
Pedro, olhando Inês*
Sei que estás aí,
que me observas na distância,
procurando infimos sinais
que te digam
da minha luta incansável
para que retornes
nesse caminho já feito.
Sei que existes
para lá desta
possibilidade irreal
a que a vida nos condenou.
Existes tu
e o desejo de sermos apenas
um com o outro.
Sei
- não me perguntes,
não há como explicá-lo -
que este amor se estenderá
pelos tempos do tempo,
e que, apesar de decapitado,
ainda tem tudo para contar.
André, 7 de Janeiro 2005
* Titulo roubado a Nuno Júdice,
[Inês de Castro, 650 anos depois]
Pedro, olhando Inês*
Sei que estás aí,
que me observas na distância,
procurando infimos sinais
que te digam
da minha luta incansável
para que retornes
nesse caminho já feito.
Sei que existes
para lá desta
possibilidade irreal
a que a vida nos condenou.
Existes tu
e o desejo de sermos apenas
um com o outro.
Sei
- não me perguntes,
não há como explicá-lo -
que este amor se estenderá
pelos tempos do tempo,
e que, apesar de decapitado,
ainda tem tudo para contar.
André, 7 de Janeiro 2005
* Titulo roubado a Nuno Júdice,
6.1.05
#1
[dos desencontros]
Os desencontros servem para manter acesa uma luz. Não sei porquê, nem qual nem onde. Só sei que a esperança de estarmos errados acende o brilho no olhar. A correcção integral é a morte.Passamos os dias sentados num colo desencorajado. Envergonhados por amar mais que a conta. A revolução é silenciosa. Explana-se nos sonhos mas retira-se quando acordamos.Espero bem não ter razão. Ou então que alguém ma tire numa montanha grávida de emoções.
desencontrado no eter pela mão do João.
[dos desencontros]
Os desencontros servem para manter acesa uma luz. Não sei porquê, nem qual nem onde. Só sei que a esperança de estarmos errados acende o brilho no olhar. A correcção integral é a morte.Passamos os dias sentados num colo desencorajado. Envergonhados por amar mais que a conta. A revolução é silenciosa. Explana-se nos sonhos mas retira-se quando acordamos.Espero bem não ter razão. Ou então que alguém ma tire numa montanha grávida de emoções.
desencontrado no eter pela mão do João.
5.1.05
#4
[a sangue frio]
Tu nunca choras ao ver sangue
Tu nunca sangras quando sofres
Guardas a dor dentro do cofre
Se alguém decifra o segredo
E se pica no teu ferrão azedo
Tu lambes-lhe o sangue do dedo
Tu nunca choras ao ver sangue
Tu nunca ficas transparente
És daquela raça tão rara
Que tem no olhar o gelo quente
Se alguém te atinge o coração
Aguentas o baque
De frente
E sentes uma oscilação
Defendes-te com uma paixão competente
E encarnas tão impunemente
A pele de um animal de sangue quente
Que ama a sangue frio
Tu nunca choras ao ver sangue
Tu nunca ficas transparente
És daquela raça tão rara
Que tem no olhar o gelo quente
Gelo quente
Quente e frio
Letra de Carlos tê para a voz de Manuela Azevedo.
[a sangue frio]
Tu nunca choras ao ver sangue
Tu nunca sangras quando sofres
Guardas a dor dentro do cofre
Se alguém decifra o segredo
E se pica no teu ferrão azedo
Tu lambes-lhe o sangue do dedo
Tu nunca choras ao ver sangue
Tu nunca ficas transparente
És daquela raça tão rara
Que tem no olhar o gelo quente
Se alguém te atinge o coração
Aguentas o baque
De frente
E sentes uma oscilação
Defendes-te com uma paixão competente
E encarnas tão impunemente
A pele de um animal de sangue quente
Que ama a sangue frio
Tu nunca choras ao ver sangue
Tu nunca ficas transparente
És daquela raça tão rara
Que tem no olhar o gelo quente
Gelo quente
Quente e frio
Letra de Carlos tê para a voz de Manuela Azevedo.
4.1.05
#3
[amigos de estrada, amigos para a vida]
¿Se iría de viaje de nuevo con el Che?
—Sí, con un tipo como ése, yo salgo a cualquier parte.
Alberto Granado,
Lá Rebelion, 27 de Dezembro 2004
[amigos de estrada, amigos para a vida]
¿Se iría de viaje de nuevo con el Che?
—Sí, con un tipo como ése, yo salgo a cualquier parte.
Alberto Granado,
Lá Rebelion, 27 de Dezembro 2004
#2
[da arte poética]
Beijas-me
3.1.05
Metrografismos porque fala de tudo um pouco
vá, vão lá espreitar quem me acompanha na galeria da fama do il matto
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